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( RESENHA ) O Demologista – Livro Um

Sempre acreditei que existe um problema comigo ao ler um livro propriamente dito com o terror. Muito embora considere o gênero assustador para o cinema, certamente não consigo sentir o climax de tensão nas obras quando inseridas na literatura. Dessa forma, muito embora a religiosidade e a fantasia tenham me agradado na obra de Andrew Pyper, O Demonologista não cumpriu a missão de me deixar assustada em meio ao seu enredo. Entretanto, muito embora esse problema não tenha sido alcançado, a leitura teve mais altos que baixos e se tornou uma das minhas obras favoritas no gênero.

Título: O Demonologista| Título Original: The Demonologist | Autor: Andrew Pyper | Editora: Darkside Books | Páginas: 358 | Ano: 2015| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

514ehk26JfL._SY445_QL70_.jpgSinopse: “A maior astúcia do Diabo é nos convencer de que ele não existe”, escreveu o poeta francês Charles Baudelaire. Já a grande astúcia de Andrew Pyper, autor de O Demonologista, é fazer até o mais cético dos leitores duvidar de suas certezas. E, se possível, evitar caminhos mal-iluminados. O personagem que dá título ao best-seller internacional é David Ullman, renomado professor da Universidade de Columbia, especializado na figura literária do Diabo – principalmente na obra-prima de John Milton, Paraíso Perdido. Para David, o Anjo Caído é apenas um ser mitológico. Ao aceitar um convite para testemunhar um suposto fenômeno sobrenatural em Veneza, David começa a ter motivos pessoais para mudar de opinião. O que seria apenas um boa desculpa para tirar férias na Itália com sua filha de 12 anos se transforma em uma jornada assustadora aos recantos mais sombrios da alma. Enquanto corre contra o tempo, David precisa decifrar pistas escondidas no clássico Paraíso Perdido, e usar tudo o que aprendeu para enfrentar O Inominável e salvar sua filha do Inferno. Este é um daqueles livros que você não consegue largar até acabar a última página, ainda que vá precisar de muita coragem para seguir em frente. O Demonologista ganhou o Prêmio de Melhor Romance do International Thriller Writers Award (2014), concorrendo com autores como Stephen King. Entrou em diversas listas de melhores livros de 2013, foi finalista do Shirley Jackson Award (2013) e do Sunburst Award (2014), chegou ao topo da lista dos mais vendidos do jornal canadense Globe and Mail e foi publicado em mais de uma dezena de países.

“Um homem razoavelmente promissor, abençoado por uma sorte melhor que a maioria, mas ainda assim uma ruína, a testemunha da morte de uma criança, um suicídio violento.”

O Demonologista é um livro essencialmente pautado sobre a fé cristã. É interessante perceber que os caminhos traçados pelo autor, muito embora tenham grande referência aos poemas de John Milton, Paraíso Perdido, também são coniventes com a religião, principalmente dentro dos preceitos católicos que fluem na comunidade e invocam nossas noções sobre inferno e céu.

Entretanto o autor não cai no pragmatismo ao entregar uma obra sobre bem-e-mal, pois Pyper busca constantemente definir que o místico que nos envolve – e consequentemente o mundo -, como vindouro do crédito que ressaltamos à determinada coisa. Assim a fé deixa de ser simbólica e se torna palpável no sentido acionário da coisa: O Demônio acredita em você, mas precisa que você acredite nele para que possa agir.

Assim sendo, encontrar as referências bíblicas que dão vida ao livo, também é encontrar um pouco dos caminhos feitos pela humanidade e sua constante busca na crença em algo maior que lhe dê alento as provações da vida. Olhando de fora o significado de fé (esquecendo o que acredito sobre a mesma), posso perceber que socialmente a teologia é quase sempre erguida no que o homem acredita e deixa de acreditar, definindo também a natureza divergente das religiões existentes no planeta. Assim, se o crível é o principal do livro, se torna quase que um dos motivos da jornada do autor está na passagem de um homem descrente, para um homem com fé.

❝Não se pode permitir que o impossível leve vantagem sobre o possível. Você resiste ao medo negando-o.❞

Falando em David, acho que poucas vezes vi um personagem masculino escrito por um homem que realmente tivesse interesse em expôr um pouco do sentimentalismo do personagem. Os autores que me perdoem, mas sempre percebo um tom grosseiro nos personagens masculinos ou algo voltado quase que exclusivamente para a inteligência. Como se os sentimentos fossem o que menos importasse. Mas ao construir David, Pyper faz exigência das emoções para salientar os questionamentos do personagem. O que realmente faz todo sentido, se pararmos para pensar que David não somente tem um grande medo de acreditar, quanto grandes certezas do amor que sente pela filha; algo não palpável, mas ainda sim existente.

Assim, o autor cria um misto de emoções que convergem bem na narrativa, mas que se perdem ao chegarmos no final. Como ressaltei no inicio da resenha, Pyper não consegue causar medo, algo corroborado principalmente pelo final. O autor cria algo surpreendente sim, mas que não parece se enquadrar ao sentido da trama. Entretanto, foi anunciado que O Demonologista deve ter uma continuação, então talvez devemos esperar algumas explicações e um fechamento melhor da obra no(s) próximo(s) livros.

O Demonologista é uma leitura que eu recomendo tanto para aqueles que tem e que não tem fé. Não é uma obra doutrinadora, por assim dizer, mas sim um livro diferente do esperado que nos dá questionamentos interessantíssimos para nos fazer desde nossa capacidade à superar os desafios, até as crenças que nos trouxeram até aqui.

—  Há coisas neste mundo que a maioria de nós nunca vê, acabo por falar. —  Nós nos treinamos para não vê-las, ou tentamos fingir que não vimos se elas ocorrem. Mas há uma razão para o fato de, não importa o quão sofisticadas ou primitivas, todas as religiões terem demônios. Algumas podem ter anjos, outras não. Um Deus, deuses, Jesus, profetas — a figura de autoridade máxima varia. Há muitos tipos diferentes de criadores. Mas o destruidor sempre toma, essencialmente, a mesma forma. O progresso do homem tem sido, desde o início, frustrado por provadores, mentirosos corruptores. Criadores de pragas, loucura, desespero. A experiência demoníaca é a única verdade universal de todas as experiências religiosas do homem.❞

 

(Conto) O Vizinho Suspeito – Soraya Abuchaim

Olá Corujinhas. Dando continuidade as nossas resenhas especiais de contos do terror, hoje vou sair da temática medo e entrar no fundo psicológico do suspense. Em O Vizinho do Suspense, Soraya Abuchaim apresenta a projeção no outro.

Título: O Vizinho Suspeito Autora: Soraya Abuchaim Páginas: 06 Ano: 2015 Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐

81PDqGlwSAL._SL1500_.jpgRoger vive com sua amada esposa e na casa ao lado mora um beato. Todos os dias, Roger sai para trabalhar e observa as atitudes do beato em os olhares que parece lançar à sua mulher. Cansado disso, Roger sente que cada vez mais pode chegar à atos inimagináveis com o vizinho. Mas será mesmo que o beato é isso tudo?

Da primeira vez que vi conto de Soraya Abuchaim, eu criei para ele uma história que na verdade não existe. Então vocês devem imaginar minha surpresa a cada virada de suas poucas páginas. Soraya escreveu um conto sem por-menores realizado dentro da psicologia.

Para os psicólogos, o homem coloca em outros o que não gosta em si mesmo. Quando comecei o Vizinho Suspeito, não fazia ideia de como iria acabar, mas agora tenho certeza que não poderia ter sido mais promissor. Soraya carrega sua narrativa de pequenos significados perceptíveis a luz do emocional. Somos doentes por amor, lesionados por inveja e incapacitados de piedade. Assim, a autora descarrega um mar de emoções criado para nos fazer pensar.

O Vizinho Suspeito é uma leitura única. Dotado de reflexões, ainda nos traz um suspense de tirar o fôlego sobre perceber a si mesmo ou acreditar nas mentiras contadas à nós.

 

(Livrosofia) Terror

Oi Corujinhas. É claro que o Livrosofia desse mês tinha que ser trevoso. Apesar de não gostar muito de filmes, livros ou coisas relacionadas ao terror propriamente dito, sou apaixonada pelo Halloween que parece trazer consigo o lado tenebroso que habita cada um de nós. Por isso, o Livrosofia de hoje será voltado ao terror para que todos (inclusive eu) nos animemos mais e mais por esse gênero dar.

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Terror ou Horror é um a gênero literário, cinematográfico, musical e visual que esta ligado tanto a fantasia por trazer em suas páginas elementos fantásticos e quanto ao suspense por ter uma natureza especulativa. São obras criadas para aterrorizar. Dentro da literatura, é comum que existem diferenciação entre aquilo que chamamos de Terror e Horror, muito embora seja pequena o que causa confusão nos leitores. Isso também se deve ao fato que tanto nas livrarias e bibliotecas ficam na mesma seção. A verdade é que as duas possuem uma enorme diferença.

o desfiladeiro do medoO Terror é caracterizado por criar uma atmosfera de suspense que tem não ligação com o sobrenatural, ou seja, a propriedade dos fatos possui verossimilhança com a realidade e a natureza do medo será essencialmente psicológica. Um exemplo desta literatura é a obra O Desfiladeiro do Medo, Clive Barke, que coloca cenas sobre a podridão humana em sua forma mais doentia, alimentando o sobrenatural sem realmente aderir a fantasia. É bom deixar claro que a diferença entre Terror Psicológico e Suspense está na orientação da leitura, pois no última fica claro as intervenções humanas sobre os fatos, mas no Terror é algo à ser desvendado.

it a coisaQuando falamos em literatura de Horror, esta sim estará ligada intrinsecamente aos elementos sobrenaturais. Podem estar associadas tanto a fantasia (como o uso de monstros na composição do enredo), a ficção cientifica na qual um pesquisador usa da ciência para dar forma à algo, mas esta ganhas traços demoníacos. Em alguns casos, a literatura de Horror recorre ao folclore para reinventar fatos. Stephen King ao escrever It utiliza tanto da fantasia para fundamentar a misticidade que envolve Pennywhise, quanto do folclore pois seu monstro também toma a forma de elementos urbanos como lobisomens.

A diferença entre ambos os gêneros também pode ser associada ao sentimentos que provocam de aterrorização ou horrorizarão (repulsa). De modo totalitário, esse gênero em suas diversas manifestações, pode ser tanto sobrenatural, como não-sobrenatural.

franksteinEm uma perspectiva histórica, o gênero que será chamado de Terror Gótico é colocado em fases que se classificam a partir das obras mais populares de sua época. Sua fundação vem no século XVIII quando o romance moderno adquiri tons do sobrenatural ao invés de ser pautado sobre os elementos do realismo. Período marcado entre 1729 até o meados do século XIX, teve uma quantidade significantes de obras escritas por mulheres, com as engenhosas protagonistas femininas comumente sofrerem em soturnos castelos. Frankstein de Mary Shelley é um exemplo de romance gótico.

DraculaA tradição gótica, a partir de 1840, floresceu para se tornar o Terror Literário que trás em suas páginas, criaturas do folclore. A importância do Terror literário para a tradição do gênero no mundo vem das criaturas tão populares que se tornaram referências absolutas do sobrenatural. Drácula, escrito por Bram Stoker perpetuou o conde como rei dos vampiros e suas características principais são utilizadas como fundamentais a especie. É neste ponto que a o terror começa a ganhar mais popularidade pela diversificação de seus contextos.

eu sou a lendaNo século XX, o terror ganha ainda mais espaços com a chegada das revistas periódicas que traziam contos de forma acessível a massa populacional. A partir desse ponto, as histórias ganham o toque de maior realismo tratando de temas como loucura e crueldade. Os autores surgem diversificados podendo ser vistos tanto na literatura fantástica quanto no realismo. Além disso, com a publicação do livro Eu Sou A Lenda de  Richard Matheson, abre-se as portas para os zumbis que irão.

Na literatura de terror contemporânea, existe bem mais diversificação do gênero que ganha hibridizações pelas constantes mistura de outros gêneros a ele. Existe uma grande presença de cenários, personagens e outros constituintes que por vezes acabam se tornando comum. Um bom exemplo disto, são asilos com médicos cruéis ou casas amaldiçoadas.

A literatura de Horror ou Terror é diversificada capaz de alcançar todos os pormenores da sociedade, pois muitas vezes, suas criaturas são metáforas das crueldades humanas ou anseios populacionais. É literatura crítica, divertida e entusiasmante que concebe-se para elucidar a natureza do mundo sob as veias do sobrenatural.

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( Contos ) Maligna – Soraya Abuchaim

Oii queridos. Claro que nesse mês de terror não poderíamos ficar de fora quando temos nada mais nada menos que a Rainha Dark Soraya Abuchaim como parceira. Por isso, a partir de hoje e durante as próximas quartas-feiras até o 31 de outubro, saíram para vocês resenhas dos contos selecionados desta tenebrosa escritora. O primeiro, não poderia ser mais assustador.

Título: Maligna Autora: Soraya Abuchaim Ano: 2018 Páginas: 10
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐

1-maligna-conto-de-soraya-abuchaim1Sinopse: Uma possessão, uma criança, o despertar do terror. Adélia ama sua filha Laura e faria de tudo para protege-la. Mas quando mortes estranhas começam a acontecer  em uma trilha de acasos que parece seguir Laura como uma sombra, Adélia começa a se perguntar porque os acidentes e mortes só acontecem quando a pequena está por perto. Em um enredo abrasador, Soraya Abuchaim coloca em cheque a perversidade escondida em uma criança e o que uma mãe é capaz de fazer para proteger seus segredos.

Quem me conhece sabe o quanto eu amo as histórias da Soraya Abuchaim. Muito embora terror não seja um dos meus gêneros favoritos, o suspense é e a autora sempre o coloca em suas páginas. Com uma narrativa fluída e densa como sangue, Soraya até mesmo nas menores histórias consegue nos deixar reflexivos e sedentos por muito mais.

O grande trunfo de Maligna são os personagens. Pois, muito embora o enredo não seja do mais originais (se você já viu a Orfã ou leu Menina Má pode notar certo grau de intertextualidade), as personagens principais dão o charme a mais que narrativa pede ao exemplificarem dois conceitos cruciais na sociedade mas completamente intocáveis, no sentido de serem reais mais impensáveis como verdades.

Adélia representa a mãe cega que não consegue enxergar a verdade sobre a filha. Ela é carismática e tem um discurso convincente de amor acima de qualquer suspeita. O que toda mãe deve fazer, mas claro sem tapar o sol com a peneira e sim repreender e entender as consequências dos atos de quem estamos criando para o mundo. Já Laura é a representação pura do lobo em pele de cordeiro. Somos trajados a acreditar nela, mesmo que tudo nos diga ao contrário. Através de Laura, Soraya nos mostra a perversidade que se esconde na doçura  e na inocência. O perigo de confiar nas aparências.

Maligna é uma história curta que tem muito a dizer. Se fosse elencar todas as possibilidades de discussão que esse conto tem a oferecer. Apenas posso dizer que para nosso mês das trevas, é uma dica sensacional para quem precisa enxergar além do que as aparências podem nos mostrar.

(Especial) Músicas Indicadas Por Soraya Abuchaim

Oii amores. Esse é o primeiro de dois especiais que vão rolar hoje aqui no blog com indicações de músicas para vocês ouvirem enquanto leem os livros da maravilhosíssima Soraya Abuchaim. Para tanto, as escolhidas pela autora são suas queridinhas e devo admitir que fiquei impressionada pelo bom gosto da autora. São músicas cheias de nuances que alternam entre o mais grave e o mais deixando o clima tenso. Foram dez eleitas e espero que gostem das escolhidas.

1. Would – Alice in Chains

2. I am mine – Pearl Jam 

3. Black – Pearl Jam 

4. The sound of silence – Disturbed

5. Toxicity – System of a Down

6. The Kill – Thirty Seconds to Mars

7. Paradise – Within Temptation 

8. The eagles flies alone – Arch Enemy

9. Tainted Love – Softcell

10. Zombies – Lacuna Coil

 

 

Então é isso amores, sei que o post de hoje foi curtinho, mas ele está bem mais para inspiracional. Inspirem em cada uma dessas músicas para escrever ou para ler. Semana que vem vou indicar músicas baseadas nas personalidades dos personagens da Soraya Abuchaim. Espero que tenham curtido.

Beijos.

| CONTO | Os Tentáculos da Escuridão

Você esta de pé dentro do quarto observando as sombras tomarem conta do ambiente. O tempo parece passar mais rápido enquanto os últimos raios de sol desaparecem e os desenhos negros escorrem pelo chão. Dali à alguns segundos o quarto mergulha em um escuridão quase total com apenas alguns raios de luar atravessando a penumbra. Você então fecha os olhos e pressiona seu corpo contra a parede. Encolhe-se escorregando lentamente até o chão colocando o queixo sobre o joelho abraçando suas pernas. A partir daí você sabe que a única coisa que pode fazer é aguardar que Aquilo venha embora esteja rezando para que seus pesadelos não ganhem vida novamente naquela noite. Você precisa de um pouco de paz. Precisa que Aquilo não venha. Precisa que nada aconteça para aparentar estar bem de modo que todos fiquem convencidos a lhe tirarem desse lugar e lhe levarem para casa.

Sem aviso prévio, um som se espalha pelo ambiente ao mesmo tempo que frio inunda o quarto, mas suas mãos esquentam e ficam suadas. Você sente que aperta os olhos ao mesmo tempo que uma lágrima solitária escorre a força pelas pálpebras fechadas. Não existe ninguém que você possa chamar, que poderá lhe socorrer quando Aquilo chegar. Você sabe disso, porque não é primeira vez que Aquilo lhe aparece. Se fosse não estaria presa naquele quarto. Sabe disso, porque quando Aquilo chegar somente você vai ouvir seus passos e sentir o cheiro que emana. Apenas você vai ver quando estiver inerte na eternidade criada a partir do instante em que ver sua aparência negra e monstruosa. Porque somente você realmente pode vê-lo pois é única pessoa que pode lhe dar o que Aquilo mais deseja.

Mas então, quando tudo parece perdido, uma coisa nova acontece. A porta do quarto se abre e um homem de cabelos castanhos aparece na moldura porta. É seu pai que está com um olhar perturbado, mas determinado dizendo que irá apanhar suas coisas pois está na hora de você sair daquele lugar não importa o que qualquer outra pessoa pense. Seu pai não lhe dá tempo para pensar e quando você se dá conta já está sob em uma cadeira de rodas com uma mochila cor de sangue colocada sobre o colo. Você não entende porque ele está te levando para o exterior sendo que tudo que já fizeram com você foi te trancar naquele lugar pois todos diziam que era ali que você deveria ficar. Para se tratar e se recuperar até que pudesse ser uma pessoa normal. Sua segurança não estava garantida fora daquele prédio. Lhe diziam isso porquê achavam que mais uma vez você tentaria machuchar a si mesma. Mas eles não entendiam que machucar à si mesma talvez fosse sua única válvula de escape.

Enquanto pensa nisto, a cadeira de rodas desliza silenciosamente sob as cerâmicas brancas. Você estranha o fato de que não há nenhuma outra pessoa viva além de você e de seu pai em qualquer parte. Os olhos passeiam de um lado para o outro procurando qualquer movimentação. Seu pai ao perceber sua reação sussurra que aquele horário todos devem estar dormindo e que os plantões só ocorrem nos andares onde à perigo. Nesse instante, você se dá conta que seu pai já planejava te tirar dali pois demonstra ter tudo planejado. Um suspiro de alívio sai dos seus lábios em um fio de esperança de que talvez você se liberte daquela prisão.

Vocês param à frente do elevador e seu pai aperta o botão que assume uma cor azulada. Ele lhe olha enquanto esperam e sorri, mas você percebe que é um sorriso estrangulado, como se estivesse o fazendo obrigação para te dar a sensação que tudo irá darto. Embora esteja nitido que seu pai está com medo dos cálculos terem saído errados e vocês serem pegos.

No instante que você sorri de volta, as portas do elevador se abrem e logo os dois estão ouvindo uma musiquinha idiota enquanto descem para o estacionamento. Mas quando as portas tornam a se abrir não é mais no estacionamento que vocês estão. E sim no primeiro andar muito embora a luz do botão indique estacionamento. Sua cadeira desliza para frente até que ela para no corredor que da à recepção. Como que em um filme, as luzes piscam e as correntes elétricas zumbem como se estivessem em mal contato. E pela segunda vez aquela noite, você fecha os olhos e sente que as sombras estão se aproximando.

Seu pai coloca a mão no seu ombro e pede que você fique calma. Ele percebe que você está com medo de algo, mas afirma que logo aquilo tudo irá passar pois o erro que ele havia cometido no passado iria ser corrigido quando ele à tirasse dali. Você balança a cabeça assentindo muito embora saiba que aquilo não é verdade. Os medos são muito maiores que os lugares onde estamos. Pois quando eles se enraizam na mente se tornam muito mais densos e muito difíceis de serem retirados de lá.

Seu pai pede que você faça silêncio e tira a mão do seu ombro. Ele volta para suas costas e empurra sua cadeira através do corredor. Com o som suave dos passos ecoando pelo ambiente fechado, você sente-se melhor e abre os olhos. Agora, os dois passaram pela recepção e estão próximos à porta de vidro automática que se encontra trancada. Chove do lado de fora, de modo lento mas denso fazendo com que uma neblina encubra parcialmente a visão que você tem do lugar. E mesmo assim é bonito observar as nuvens amarelo-esbranquiçadas em contraste com o preto do céu.

A cadeira volta à se movimentar, mas você não tira os olhos do vidro. Esta em estado de encantamento com aquela visão que parece ser ao mesmo tempo apocalíptica e paradisíaca. Observa esta beleza por vários segundos, até que um clarão rompe na escuridão e torna o vidro uma espécie de espelho. E então, ao observar a cena que se desenrolar atrás de você fica inerte de medo. Tudo paralisa-se em um segundo inexplicável onde você consegue perceber todos os detalhes na cena refletida.

No espelho, seu pai esta caído no chão com o rosto desfigurado e o pescoço cortado em uma aparência medonha enquanto o monstro está com um objeto brilhoso nas mãos com um sorriso jubilante de vitória, andando até você. Ele tem a aparência exata do seu sonho. Olhos negros, um rosto contorcido de ódio e algo mais que você não consegue identificar. Os tentáculos que formam os membros do seu corpo estão parcialmente escondido pelas sombras daz luzes exatamente como deve ser já que estas não conseguem lhe alcançar. E mesmo quando o espelho volta a ser um vidro você sabe que o monstro ainda está ali indo na sua direção.

Apesar de saber que deveria correr e se esconder você não faz isso pois tem consciência que não adiantaria muita coisa. De todo modo, o monstro lhe alcançaria. Ele é mais rápido, mais forte e facilmente te subjulgaria. Não há como fugir. Você olha para seus pés e ao mesmo tempo percebe que o sangue de seu pai chegou às rodas da sua cadeira em uma poça densa. E é por esse sangue que você mais uma vez o reflexo do monstro. Agora ele está de pé ao seu lado. Ele coloca a mão do objeto em suas costas e você sente o frio, dessa vez com um distante toque do metal. Mas ao invés de deixar-se ficar na inércia, em um lapso de coragem que nunca havia tido antes — não por sua vontade pelo menos —, você levanta os olhos e encara o monstro. Então, ao olha-lo com sua mente despida do medo você realmente o vê e, em um momento de lucidez, compreende o que nunca havia conseguido.

Enquanto, o sangue do segurança que também tem cabelos castanhos e é muito parecido ao homem que está ao seu lado escorre pelo chão, seu pai lhe encara abrindo um sorriso. Onde antes você via um herói, agora você uma criatura sem pudores e desejosa do seu corpo. Você tem acesso à antigas memórias de quando era criança e seu pai entrava em seu quarto para lhe ensinar como era brincar como se ambos fossem adultos. Lembra-se de como ficava com medo, naquelas noites frias de outubro e como conduzia-se à pensar que aquele não era seu pai. Mas sim um monstro de dedos, ou melhor, de tentáculos assombrados que tomava o lugar de seu pai e fazia-lhe todas aquelas coisas tocando-te e penetrando em seu corpo. Você então percebe que o monstro dos seus sonhos é apenas uma invenção que sua mente inventou para lhe poupar da verdade. Percebe que monstros existem sim, mas eles não são feitos de partes inumanas como os filmes fazem acreditar e nem são fruto da imaginação. Os monstros são feito de carne, osso e sangue: eles são os humanos pois estes sim são verdadeiros atrozes capazes das maiores monstruosidades.

| LISTA | 05 livros de terror.

Oii amores, tudo bem com vocês? Hoje é dia de mais uma lista aqui no blog em parceria com a Keth (Parabatai Books). Não deixem de conferir a lista dela também. Como, hoje é dois de outubro, início do mês de Halloween, a lista é sobre livros de terror. Vou adicionar alguns que pretendo ler este mês. Espero que vocês gostem.

1. O Bazar dos Sonhos Ruins — Stephen King.

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Esse livro pretendo ler juntamente com a Keth esse mês e é uma coletânea de contos de terror. Como amei ler o livro It – A Coisa nesse semestre, espera gostar da leitura do livro também.

2. Fantasmas do Seculo XX — Joe Hill.

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Esse livro de Joe Hill está na minha lista à alguns anos e finalmente espero conseguir ler ele. Parece ser maravilhoso e cheio de terror. Vamos ver se ele consegue me assustar pois até agora nenhum livro que li conseguiu essa façanha.

3. Frankstein – Mary Shelley

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Para a TBR de livros que pretendo ler no Desafio Literário Cultura, este é o dessa semana para completar o ítem “Um livro que foi proibido de ser lançado”.

4. O Verão Das Bonecas Mortas — Toni Hill.

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Quando eu vi esse livro pela primeira vez fiquei maluca por ele apesar da capa ser bem feia. Mas o título e a premissa (Praticamente Chuck ataca novamente) me chamaram bastante a atenção. Espero gostar bastante dele.

5. O Manuscrito — Chris Pavone.

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Por fim, O Manuscrito eu descobri pelo acaso e embora não tenha certeza se ele é de terror ou suspense quero ler esse mês. Afinal de contas todos os detalhes de capa e me chamam bastante a atenção de que seja esse o gênero.

 

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Então gente, essa foi a lista desse mês. Espero que vocês tenham gostado. Não se esqueçam de ver a lista da Keth também. Beijos.

| NOTÍCIAS | Lançamento: O Inominável – Gustavo Lopes

Gustavo Lopes é um novo autor brasileiro que lida com temas difíceis e um tanto pesados. Com suas obras publicadas de forma gratuita no Wattpad e no Luvbook, Lopes traz um mundo de tensão e mistério em seu livro O Inominável.

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SINOPSE: Um grupo de amigos, estudantes do ensino médio, encontram um livro, jamais visto até então na biblioteca de sua escola, e resolvem provar a veracidade de seu conteúdo, instruções para um ritual aparentemente inofensivo e extremamente tentador. Motivados por um histórico de bullying e a promessa de um fim definitivo para os seus problemas, Andreia, Augusto “Bolinha”, Davi e Thalita partem em uma jornada sem retorno, rumo à escuridão inominável que habita em seus corações.

Não perca a oportunidade de ler o livro de estreia do autor. Faça login nas plataformas e adiquira seu exemplar.