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| RESENHA | It: A Coisa – Stephen King

Oii gente. Tudo bom com vocês? No mês passado em um longo, mas fascinante projeto literário contemplei o livro It – A Coisa de Stephen King. A Vivi (O Senhor dos Livros) me convidou para fazer parte do projeto #LendoACoisa que aceitei por dois motivos: primeiro porque é sempre bom ter alguém com quem partilhar uma leitura e segundo pois esta leitura já era um desejo antigo de realizar. De modo que durante mais ou menos três meses me afundei nos horrores de Derry através dos olhos de sete corajosas crianças-adultas: Bill, Richie, Beverly, Ben, Mike, Eddie e Stan. Sete pessoas que conheceram o mais profundo medo e através do poder da amizade lutaram contra ele. Por isso neste 31 de Outubro, minha resenha será esta obra fantástica de Stephen King.

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Título: It – A Coisa
Titulo Original: It
Autor: Stephen King
Editora: Suma das Letras
Ano: 1986
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 💜
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Mas é bom pensar assim por um tempo no silêncio limpo da manhã, pensar que a infância tem seus segredos doces e confirma a mortalidade, e que a mortalidade define toda a coragem e todo o amor. Pensar que o que já ansiou pelo futuro também precisa olhar para trás, e que cada vida faz sua própria imitação da imortalidade: uma roda.
• Bill Denbrough.

SINOPSE: Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e… do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Em ‘It – A Coisa’, clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

Diferente de quase todas as pessoas que já leram It – A Coisa (e apesar de ser o Dia das Bruxas) não considero este livro como terror propriamente dito. Na verdade, sinto-o mais como um livro criado aos moldes da realidade fantástica. Isto, porque o livro não chegou a me aterrorizar visto que nas cenas de maior frenesi não senti nem medo e nenhum tipo de aflição. Mas muito embora neste ponto narrativa não tenha sido suficiente não posso afirmar que influenciou em minha opinião final sobre a leitura. Pois apesar de não ter sido aterrorizada pela obra, fiquei sim horrorizada pelas atitudes de quase todos os personagens. De certo modo, considero que o livro de King procurava muito mais horrorizar o leitor monstrando-lhe as profundezas das maldades humanas, do que aterroriza-lo com um monstro no fim do túnel.

E, quase sem querer, em uma espécie de pensamento paralelo, Eddie descobriu uma das grandes verdades de sua infância. Os adultos são os verdadeiros monstros, pensou ele.
• Eddie Kaspbrak

Ler um livro gigantesco, por mais que a leitura seja fluída, requer certa disciplina. É um livro que dispõe tempo e precisa ser muito bem escrito para que o leitor sinta-se motivado para continuar. It – A Coisa têm essa característica pois me fez querer virar a página e dar continuidade a leitura. Apesar de ser um calhamaço, a obra possui a qualidade de ser muito bem produzida em que mal me dei conta das páginas virando. Se eu contasse só os dias que passei lendo o livro sem levar em consideração outras que li ao finalizar cada uma das cinco partes, demorei no máximo sete dias para finalizar a obra. Por esse motivo, se você tem medo da quantidade de páginas que formam It não se preocupe. O livro é  super gostoso de ler.

Ainda levando em consideração os aspectos de composição da obra, estes ajudam à dar uma certa leveza ao livro. Divido em cinco partes King criou uma ponte densa entra cada uma, mas que se assemelham às que os autores criam em séries de livros separados. Você sabe que tem muito mais história por vir, mas o que lhe foi contato naquela parte por enquanto é o suficiente permitindo dar uma pausa na obra para então retomá-la sem problemas em um momento seguinte. Aqui se insere um dos pontos que mais gostei na obra de King que eram as pequenas retomadas que ele fazia relembrando pontos importantes para que nada fosse perdido. Consegui ter uma dimensão maior de tudo, ao relembrar e dar maior crédito à algumas coisas que de primeira passaram despercebidas.

Talvez, pensou ele, não existam coisas como amigos bons ou ruins. Talvez existam só amigos, pessoas que ficam ao seu lado quando você se machuca e que ajudam você a não se sentir muito sozinho. Talvez valha a pena sentir medo por eles, sentir esperança por eles e viver por eles. Talvez valha a pena morrer por eles também, se chegar a isso. Não amigos bons. Não amigos ruins. Só pessoas com quem você quer e precisa estar; pessoas que constroem casas no seu coração.
• Eddie Kaspbrak

Em relação aos personagens, It – A Coisa conseguiu me fazer ter uma sensação que pouquíssimos livros já o fizeram. Apesar da sobrenaturalidade que envolve todos os personagens, também é possível perceber a realidade que cada um possuí. Começando pelo lado infantil, as crianças realmente aparentam ser crianças. Existem muitas obras infantis em que os pequenos parecem muito mais adultos que crianças da sua idade. King, por outro lado, conseguiu explorar com genialidade os medos e as personalidades dos integrantes do Clube dos Otários de modo que estes nunca fugiram dos pensamentos comuns à sua idade durante boa parte da obra. Boa parte, pois, ao mesmo tempo que percebemos esta característica, também é possível observar que as crianças amadurecem ao longo do livro e vão cada vez mais demonstrando quais personalidades irão assumir quando adultos.

Por falar em adultos, King também fez um trabalho fantásticos com não só os Otários mas como também com os outros personagens que permeiam a obra. Há uma diferença absolutamente palpável entre eles onde cada um tem sua personalidade e seu modo de ser de maneira que não da para confundir suas falas e ações. King construiu um mundo de pessoas divergentes umas das outras em seus medos, angústias, paixões e desafios. Derry se torna uma cidade quase real pois cada um de seus habitantes realmente poderiam existir e estar ao nosso lado.

Acho que é isso que queremos dizer quando falamos sobre a persistência da memória, isso ou alguma coisa assim, uma coisa que você vê na hora certa do ângulo certo, uma  imagem que desperta emoções como um motor. Você vê tão claramente que todas as coisas que aconteceram no meio-tempo somem.
Se o desejo é o que fecha o círculo entre o mundo e a vontade, então o círculo fechou.
• Bill Denbrough.

Emocionalmente, apesar de não ter sentido medo durante a leitura de A Coisa posso dizer que fui tocada pelas palavras de King em diversos pontos. Nessa história criada para horrorizar o leitor, os moradores de Derry cumpriram seu papel mostrando o quão cruel um ser humano pode ser. Desde ao que mães podem fazer para proteger seus filhos à o que pais podem fazer para maltrata-los, King traça uma linha em qual expõe os seres humanos modo nu e cru. Eu senti raiva, vergonha e medo do que os homens são capazes de fazer. It me deu um sentimento de que quase todos somos vis e cruéis quando temos a oportunidade. Somos feitos de carne, ossos e maldade. Como se esperassemos uma brecha, um motivo para ser atrozes.

Durante toda a leitura de A Coisa, não posso contar em dedos quantas vezes situações desesperadoras foram criadas, não pelo monstro e sim pela própria humanidade. Racismo, sexismo, violência, intolerância… Sentimentos que repetiram-se continuamente durante a leitura provocando-me a pensar que todos somos a própria Coisa no mundo. Nos alimentamos da tristeza dos nossos semelhantes de modo à sermos a doença que fere o mundo. Um tumor que cresce à medida que fazemos a maldade como que tambem fechamos os olhos ao que acontece ao nosso redor.

Essa qualidade da imaginação deixava os alimentos muito suculentos. Os dentes da Coisa destroçavam carne dura de tantos terrores exóticos e medos voluptuosos: eles sonhavam com animais noturnos e lamas em movimento; contra a própria vontade, eles contemplavam abismos infinitos.
• A Coisa

Mas, ao mesmo tempo em somos o câncer do mundo, It também nos mostra que somos a cura através de Bill, Richie, Beverly, Mike, Eddie e Stan. O amor e amizade sempre poderão nos salvar de qualquer mal se deixarmos que ele faça isso. Curamos quando ficamos unidos e nos deixamos ser curados. Essa é a maior lição de A Coisa. É a percepção de que sim existe coisas maiores que nós que puxam ou para o bem ou para o mal. Tais formas porém apenas nos dão as ferramentas para que possamos agir, mas apenas se acreditarmos no que fazemos é que conseguiremos encontrar o caminho para longe das mazelas e da escuridão.

Ler It – A Coisa foi sem dúvidas diferente de tudo que eu esperava que poderia acontecer. Fui levada do medo à esperança e deixada as margens de uma humanidade terrível mas também sonhadora. É um livro que sempre vou lembrar de ter lido por ter me dado muito mais do que um monstro, mas ter me mostrado quem são os verdadeiros. Somos nós, ao mesmo tempo que podemos ser a luz no fim do túnel, basta olharmos para quem somos e assim nos perguntar se estamos fazendo juz à crianças que éramos um dia.

Você não precisa olhar para trás para ver essas crianças; parte de sua mente vai vê-las para sempre, vai viver com elas para sempre, vai amar com elas para sempre. Elas não são necessariamente a melhor parte de você, mas já foram o depósito de tudo que você poderia se tornar.
• Bill Denbrough