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(Resenha) Tudo e Todas As Coisas — Nicola Yoon

Em minha última leitura de 2019, Tudo e Todas As Coisas foi um livro surpreendentemente delicado. Apesar de não ter conseguido me apegar profundamente aos personagens do livro, também não posso negar que a história de Nicola Yoon aqueceu meu coração.

Título: Tudo e Todas As Coisas | Título Original: Everything, Everything | Autora: Nicola Yoon | Editora:  Novo Conceito | Ano: 2016 | Páginas: 304 | Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon 

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Sinopse: Primeiro lugar na lista de mais vendidos do The New York Times. “Uma história emocionante que sai da mesmice e explora as esperanças, os sonhos e os riscos inerentes ao amor em todas as suas formas.” – Kirkus Reviews Tudo envolve riscos. Não fazer nada também é arriscado. A decisão é sua. “A doença que eu tenho é rara e famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Não saio de casa. Não saí uma vez sequer em 17 anos. As únicas pessoas que eu vejo são minha mãe e minha enfermeira, Carla. Então, um dia, um caminhão de mudança para na frente ¬da ¬casa ao lado. Eu olho pela janela e o vejo. Ele é alto, magro e está todo de preto: blusa, calça jeans, tênis e um gorro que cobre o cabelo. Ele percebe que eu estou olhando e me encara. Seu nome é Olly. Talvez não seja possível prever tudo, mas algumas coisas, sim. Por exemplo, vou me apaixonar por Olly. Isso é certo. E é quase certo que isso vai provocar uma catástrofe.”

“Às vezes você faz as coisas pelos motivos certos e em outras pelos errados. Há ainda aquelas vezes em que é impossível saber a diferença.”

Tudo e Todas As Coisas é o tipo de livro que você lê em uma sentada. Literalmente, eu peguei o livro e o finalizei em algumas horas. A Nicola Yoon escreve com simplicidade sem fazer dramas além do necessário, muito embora o gênero e o enredo do livro denotasse que poderia haver isso. De certa forma, é como se a autora desejasse que a história de Ollie e Madeline fosse contada por si mesma. Apesar de que a história possui uma grande quantidade de clichês, existem certas surpresas pelo caminho que deixam a leitura de certo modo inesquecível.

Mas ao mesmo tempo que eu gostei da escrita de Yoon, não posso dizer o mesmo da narrativa. As duas coisas não são exatamente sinônimos. Enquanto a escrita envolve a maneira com o qual a autora coloca as palavras a narrativa envolve o enredo e os caminhos que o levam do início à conclusão. E nesse ponto, Yoon deveria ter descartado grande parte de sua simplicidade e fechado a obra com mais “paixão”, por assim dizer. Pois tudo aquilo que o livro trouxe permaneceu aberto dando a impressão que Yoon pensou no plot twist, mas foi incapaz de pensar nas consequências. De modo que o livro se tornou meio genérico, quase que uma cópia de tantos outros.

Entretanto, não posso dizer que a obra em si foi um desperdício do qual se salva apenas a escrita pois a protagonista da obra me fez sorrir de orelha a orelha quase em toda leitura. Madeline é encantadora e traz uma força não comum para as mocinhas de sua idade. Forte, mas nem por isso arrogante, ela tem potencial para conquistar o mundo aludindo ao título da obra.

Tudo e Todas As Coisas é uma obra interessante, com uma ótima premissa, mas um desenvolvimento ruim. Eu recomendo que vocês leiam com calma, sem muitas expectativas. O bom e velho removedor de ressaca literária.

 

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(Tag) Meu Natal Literário

Oi Corujinhas, como vão?? Feliz Natal,  e nessa véspera eu não resistir e resolvi responder uma tag temática para vocês. Muito embora natal não seja minha época preferida do ano (a não ser pelo Roberto Carlos ❤), o clima natalino traz boas sensações de união e amor, e nada mais justo que trazer essa sensação para vocês. A original foi criada pela Nuccia do blog As 1001 Nuccias.

Espero que gostem.

1 – Você pode escolher apenas UM livro para ler neste Natal. Qual e por quê?

os 27 crushes de mollyDentre as minhas leituras do ano, uma das mais significativas para mim foi Os 27 Crushes de Molly por ser ao mesmo tempo um livro emocionante e caloroso. Muito embora não tenha o tema do natal, a obra de Becky tem a característica mais marcante da época: o manifesto por amor e igualdade de aceitação de si mesmo e daqueles que nos rodeiam. Com personagens inesquecíveis e uma narrativa simples mas espetacular, é uma obra feita para dar conforto a todos nós. Eu simplesmente amei o livro e super recomendo para vocês.

2 – Tem alguma canção natalina preferida ou que o simboliza para você?

Sim, mas eu não diria que ela é exatamente natalina. Happy Day da Aretha Franklin e Mavis Staples é uma das minhas canções favoritas no mundo. É uma letra simples que fala sobre felicidade quando Jesus conversa com uma pessoa, ou seja, com aqueles que estiverem ouvindo. Não importa quantas vezes eu a ouça, sempre acharei emocionante.

3 – Um livro que combine com o Natal, mesmo que sua história não tenha este tema, qual você indica? (conte um pouco sobre ele).

o sol é para todosNo natal eu sempre leio livros que me despertem alguma coisa, e não necessariamente os sentimentos de amor, amizade ou algo assim. O natal para mim é ser feliz com as pessoas e nesse caso com os livros. Então, indico para vocês meu livro favorito no mundo: O Sol É Para Todos da Harper Lee que traz conforto aos corações, um pouco de medo talvez e muitas aventuras que eu amo. O livro conta a história de três crianças que vivem o apartheid no estado da Carolina do Sul, um dos mais segregacionistas dos Estados Unidos. Durante um período de três anos, as crianças vão ver diversas situações de preconceito e aprender que todos somo iguais, independente da cor ou daquilo que aparentamos.

4 – Qual a comida de Natal que não pode faltar em sua casa?

Panetone. Ahh, eu amoooooo panetone e sim, o de frutas. E acho que é uma das comidas mais incompreendidas do mundo.

5 – Um livro de TERROR/HORROR que tenha enredo natalino:

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Não conheço. Gente, eu quase nunca leio terror. Não me julguem. Mas quem conhecer algum me indique, quem sabe eu leio.

 

6 – Cite um programa de TV ou filme que você sempre assisti nessa época.

tenor.gif“São tantas já vividas, são momentos que eu não me esqueci”. Gente, eu amo com todas as minhas forças o especial do Roberto Carlos. Todo ano, eu assisto com minha mãe e sempre aumento minha play list depois. O Roberto Carlos é meu compositor favorito, e mesmo que muita gente torça o nariz para ele, tenho certeza que tem pelo menos uma música do cara essa gente deve gostar. 

7 – Um livro que você recebeu de presente de Natal: amou ou detestou? E por quê?

516k5nPlBlLA Keth e eu (principalmente a Keth) sempre trocamos livros no natal. Ela sempre me manda mais de um exemplar, e um certo ano, a lindíssima me mandou um livro de colecionador da série Game Of Thrones que até então era minha favorita. De modo que eu realmente gritei quando recebi: então esse foi meu favorito ganhado no natal.

8 – Como você costuma comemorar o Natal? Família, amigos, viajando…?

Com minha família, de preferência a mais próxima – eu, mamãe, papai, meu irmão e minha recem adquirida cunhada -, em uma ceia simples mas com muito carinho. Nós normalmente conversamos, vemos tevê e brincamos uns com os outros.

9 – Para cada palavra e explicação, cite um personagem (e sua obra de origem) que combine com ela:

Papai-noel Jesus (personagem de grande coração): Atticus, O Sol É Para Todos.
Duende (personagem trabalhador):
Duncan West, o magnata da imprensaNunca Julgue Uma Dama Pela Aparência
Bengala (personagem secundário que se apoia no principal): MelanieA Hospedeira
Árvore Enfeitada (personagem chamativo): Magnus BaneO mundo de Caçadores das Sombras de Cassandra Clare
Grinch (personagem vilão preferido): Darkiling, Sombra e Ossos.

10 – Escolha 3 livros aleatórios e substitua uma palavra do título de cada um por “NATAL”:

Ahh adoro essas coisas:
1. Natal Exemplar (Garota Exemplar)
2. A Maldição do Natal (A Maldição do Vencedor)
3. Como Eu Era Antes do Natal (Como Eu Era Antes de Você)

 

Então é isso amores, espero que tenham gostado. Beijos.

(Resenha) Jornada Para Além das Fronteiras – Raphael Freaman – Livro 01

Oi Corujinhas. Finalmente este ser humano que vos fala finalizou o primeiro livro da série Krystallo, apesar de todos os empecilhos da minha vida pessoal, mas como nada de ruim dura para sempre, a Jornada Para Além das Fronteiras trouxe um momento de felicidade com sua leitura arrebatadora.

Título: Krystallo: Jornada Para Além das Fronteiras | Série: Krystallo #01 | Autor: Raphael Freaman | Ano: 2018 | Páginas: 390 | Encontre: Skoob | Amazon

43586992_172661046988384_7358997647866200064_nSinopse: As duas maiores potências de Emperon travam uma guerra secular para garantir o controle dos cristais de energia. Foi por causa de um atentado em Econ que Tomé Stalmer começou a suspeitar da verdade que o governo apregoava. E é no dia de seu aniversário que Gray Frost é forçada a deixar Opus, o seu lar. As jornadas para além das fronteiras narram uma história de piratas e soldados de elite, inteligência e mistério, confiança e tragédia. Cada um luta para sobreviver ao mesmo tempo em que busca compreender os segredos por trás dos acontecimentos que mudaram o curso da História.

Conheci a saga Krystallo através de um convite do autor para a leitura do livro em uma apresentação bem diferente do que estou acostumada, que me deixou fascinada pela leitura muito antes de me entregar a ela. As semanas se passaram e a medida que ia lendo, percebi a grande história que se emaranhava dentre as palavras do autor. Então quarta-feira passada decidi recomeçar a leitura para não perder nenhum detalhe, e imaginem minha surpresa quando terminei o livro em menos de vinte-quatro horas sem ao menos notar.

A narrativa de Raphael é gradativa e bem elaborada. É muito difícil encontrar autores que conseguem resgatar detalhes minúsculos do início da narrativa e fazer com que eles cresçam. Fraeman consegue esse feito, criando uma fantasia com ares de distopia. Dessa forma, além dos elementos fantásticos e a guerra iminente, na leitura também existem jogos políticos que fazem meu coração bater mais forte. E tudo isso crescendo para se tornar uma coisa maior e não somente um punhado de palavras.

Mas, é certo afirmas que personagens são o que carregam as narrativas e que costuma fazer tudo valer a pena. Eu digo isso, porque muito antes de um bom enredo, eu prezo mais personagens bem construídos. Fraeman parece então ter escrito esse livro para mim, pois o personagens apresentam uma construção excelente não se pretendendo aos esteriótipos dos heróis que tanto me irritam. Divido em dois pontos de vista, o de Tomé e o de Gray, podemos observar que cada um tem seu diferentes desafios. Eu não irei muito sobre os personagens, porque como eu disse o livro tem muita construção e tenho a impressão que falar abertamente de cada um deles seria uma especie de spoiler.

Contudo, duas coisas me causaram certo incômodo durante a leitura, mas que não foram cruciais ao enredo. A primeira foram os estrangeirismos (como mencionei no post de primeiras impressões) que me causam um certo “asco” porque as vejo como desvalorização da literatura nacional. Não nacionalista, mas nacional em que as nossas riquezas (no sentido de palavra) são explorados. E a segunda, as constantes quebras no pensamento do autor. Eu gosto de livros que são abordados em diferentes pontos de vistas, mas quando existe linearidade e parte dela parece ter sido perdida em Krystallo, e muito disso se deve a uma repetição dos fatos pelos dois personagens em alguns pontos.

Apesar da minha ressalva, indico sim a obra de Raphael Fraeman a todos, principalmente as pessoas que gostam uma fantasia que aborda também as situações políticas. É uma obra que supera as expectativas e que deixa um gosto de quero mais para os próximos livros. As consequências, as aventuras e o singelo romance, devem ainda melhor trabalhados na continuação da obra.                      .

(Ficstney) A história de um grande criador

 

Oi Corujinhas. Dando continuidade à nossa série de posts sobre a Disney, hoje vamos falar um pouco da história inspiradora do criador desse mundo maravilhoso que tanto amamos.

Walt_Disney_2Em 5 de dezembro de 1901, nascia Walt Disney em Chicago. Nos primeiros momentos da infância, Walt passava a maior parte do tempo na fazenda de seus pais em Marceline no Missouri. Por ser filho de um homem muito severo e depois de descobrir que não possuía certidão de nascimento, cresceu acreditando que era filho adotivo o que influenciou suas escolhas e suas produções no futuro. Aos 16 anos, Walt começou a estudar arte 1917 e participou da Ordem Demolay (uma sociedade discreta criada por Frank Sherman Land a partir princípios filosóficos, fraternais, iniciáticos e filantrópicos, para jovens do sexo masculino com idade compreendida entre os 12 e os 21 anos incompletos). Tentou alistar-se no exército, mas foi recusado por não ter idade suficiente e acabou alistando-se na Cruz Vermelha, aonde trabalhou como motorista de ambulância durante a Primeira Guerra Mundial na França. Ao retornar aos Estados Unidos, matriculou-se na Kansas City Arts School e em seguida trabalhou em agências publicitárias. Seu primeiro passo na carreira cinematográfica, foi entrar para uma companhia do qual ajudava a criar as propagandas de divulgação.

1180w-600h_walt-first-fairy-tales-780x440Em 1921, com o irmão Roy e um amigo criou uma pequena produtora chamada Laugh-O-Gram que animava contos de fadas, exibidos em cinemas locais antes dos filmes. Exatamente como na atualidade em que os curtas produzidos pela Disney, aparecem antes do filme principal. Em 1923, a companhia mudou-se para Hollywood e foi rebatizada se tornando a Disney Brothers Cartoon. Walt Disney contatou a distribuidora de filmes M. J. Wrinkler, que não somente aceitou a oferta de compra de suas animações, como também pagou mil e quinhentos dólares por cada filme.

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Oswald, O Coelho Sortudo

A partir desse fundo, Walt Disney começou a fazer desenhos em série como Alice e Oswald, O Coelho Sortudo que posteriormente se transformaria no personagem Mickey. Acontece que o patrão de Walt percebeu o sucesso dos desenhos então se apropriou das duas ideias de séries de Disney, que, a partir dos esboços de Oswald criou o personagem que mudaria a história dos estúdios para sempre.

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Mickey Mouse, originalmente

Como forma de superar a fase difícil, Walt em 1928 criou Mickey Mouse, como forma também de competir com outro desenho da época: Gato Félix. Mickey criado a partir de três circulos logo ganhou espaço e se tornou carro-chefe da indústria. A produtora passou a ser mais bem organizada e em 1927 alavancaram-se. Ja se havia inventado o filme sonoro. Poucos anos depois, inventou-se o filme colorido. Disney e seus assistentes utilizaram as novas técnicas com muita imaginação.

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Flores e Árvores

Entre os anos de 1929 à 1939, Disney produziu uma série de desenhos chamada Silly Symphonies (Sinfonias Tolas), a primeira colorida ao qual Mickey estrelava. O desenho Flores e Árvores, dessa série, recebeu o Oscar de melhor curta-metragem de animação no ano de 1932.

entertainment-2016-03-snow-white-disney-main.jpgMas foi em 1936 que tudo mudou pela primeira vez. Walt Disney que pretendia fazer um longa metragem de animação, lançou Branca de Neve e Os Sete Anões, que demorou três anos para ser concluído. O sucesso do desenho foi extraordinário e com os fundos, um novo estúdio foi comprado e novas longas foram criados. Mas o sucesso foi interrompido pela Segunda Guerra Mundial que causou a falência da empresa. Com a entrada dos Estados Unidos na guerra, Disney — convidado pelas Forças Armadas —, fazia filmes quais utilizava seus personagens mais conhecidos. Devido às suas atividades contra o comunismo, em 1949 o governo soviético proibiu a exibição de filmes dos Estúdios Disney no país, causando uma derrocada na entrada do capital financeiro. As animações eram mais caras do que se podiam pagar.

tumblr_ms7i8bhbxt1rpcpwho1_500.gifEm 1945, depois da guerra, Walt Disney estava com sua empresa arruinada. Era hora de tomar uma difícil decisão. Poderia vender as ações de sua empresa e sair dela com alguma renda, ou arriscar tudo e produzir mais um filme na esperança de gerar um sucesso. Claro que Walt escolheu a segunda opção e em 1947 lançou Cinderella que fez um sucesso tão grande, que possibilitou a compra de um novo estúdio. Essa é chamada de Segunda Era da Renascença Disney.

mary-poppins-julie-andrewsWalt Disney a partir daqui não ficou mais apenas com desenhos animados, produzindo longa metragens com atores. O primeiro foi A Ilha do Tesouro em 1951. Treze anos mais tarde produziu a Mary Poppins que levou cinco óscares, incluindo o de melhor atriz.

Em 1955 obteve um grande êxito em ao inaugurar um sonho em forma de parque. A Disneylândia na Califórnia. Em 1971 foi inaugurado um parque semelhante em Orlando, que se tornou o mais famoso: o Walt Disney World. Quase todos os brinquedos, desfiles e espetáculos desses dois parques baseiam-se nos personagens dos filmes de Disney.

Parque

Disney morreu em 15 de dezembro de 1966 em decorrência de um avançado câncer de pulmão. Seu corpo foi cremado dois dias depois, e suas cinzas foram enterradas Forest Lawn Memorial Park, em Glendale, Califórnia. Walt Disney transformou-se numa lenda, tendo criado, com a ajuda da sua equipe, todo um universo de referências no imaginário infantil e sucessivas gerações. Além disso, Walt Disney é a pessoa que mais ganhou prêmios Oscar em todos os tempos.

Em sua homenagem, em todos os desenhos de animações produzidos pela Walt Disney Cartoons, a cena de Mickey Mouse assobiando em Plane Crazy aparece.

( Resenha ) O Rei Corvo – Maggie Stiefvater – Livro 04

Caras Corujinhas, Como vocês devem ter notado, eu dei uma sumida nos últimos dias. Isso se deve ao fato que a vida na faculdade está intensa. Mas não desistam de mim pois estou me preparando para dar conta de tudo e tenho que fé que vai dar certo. Então atrasadamente, preparem-se para se afundar em uma narrativa de tirar o folêgo que vai envolvê-los para proporcionar um final épico à uma saga maravilhosa.

Essa resenha não contem spoiler dos livro anterior. Pule a sinopse.

Título: O Rei Corvo | Título original:  The Raven King | Autora: Maggie Stiefwater | Editora: Verus | Páginas:  378 | Ano2018 |Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ |Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

o rei corvo

SINOPSE: O aguardado volume final da Saga dos Corvos, uma conclusão espetacular à história mítica e sombria criada por Maggie Stiefvater. Nada que está vivo é seguro. Nada que está morto é confiável. Há anos Gansey iniciou uma jornada para encontrar um rei perdido. Um a um, ele atraiu seus amigos para essa missão: Ronan, que rouba coisas de sonhos; Adam, cuja vida já não é sua; Noah, cuja vida não é mais vida; e Blue, que ama Gansey… e tem certeza de que está destinada a matá-lo. O fim já começou. Sonhos e pesadelos estão convergindo. Amor e perda são coisas inseparáveis. E a busca pelo rei se recusa a ser fixada em um caminho. A busca pelo rei adormecido vai chegar ao fim em Henrietta — mas não sem perdas, desejos, revelações e uma verdade brutal. Com O rei Corvo, Stiefvater conclui uma verdadeira obra-prima.

Era mais fácil discernir o herói do vilão quando só a vida e a morte estavam jogo. Todo o resto entre as duas ficava mais difícil.

Maggie Stiefvater é uma das melhores autoras que eu tive o prazer de ler nos últimos anos. Muito embora não possa chamar seus livros de perfeitos, existe um tipo de mágica na escrita que somente Stiefvater tem. É uma autora de poesia narrada, onde os sentimentos ganham lugar de destaque e os personagens uma projeção que os faz saltar das páginas e se tornem palpáveis.

Em O Rei Corvo eu tive um paradoxo à leitura. Gostei bastante da finalização e como sempre adorei as escrita de Maggie. Contudo, ao mesmo tempo, houve uma construção exageradamente demorada para o alcance do clímax de leitura. A autora se preocupou em dar base à história, mas algumas cenas poderiam ter sido cortadas e deixado o livro mais objetivo. Como vocês sabem, tenho um certo problema com procrastinação e foi isso que senti nesse livro. Tanto que está não foi a primeira vez que tentei ler a obra. Na verdade, houve um período em que li mas abandonei faltando cem páginas para o final (não propositalmente, mas sabe quando você está lendo vai dormir e não vê motivos para continuar a leitura no dia seguinte?). E até minha vontade para ler a obra foi minguando. Exceto pela semana passada onde eu disse: não vou ler. E eu li, e fora isso gostei.

Ele era um rei. Havia chegado o ano em que ele morreria.

Dependendo de onde você comece a história ela diria a respeito…” Com essa frase, Maggie introduz cada pedaço fundamental para construção do livro e torna-se um tipo de história mesclada em que nenhuma é mais importante que a outra. Se existe algo que faz sentido em obras, é quando o autor dá voz aos personagens mesmos os mais “insignificantes”. E claro, Maggie faz isso com brilhantismo. Cada um dos personagens tem um papel no futuro dos Garotos Corvos e do Rei Corvo. Blue Sargent tem um futuro… Richard Gansey tem uma previsão de morte… Ronan Linch tem um segredo… Adam Parissh tem um destino. Mas não podemos sugerir apenas a importância dos personagens principais, porque Maura prevê o futuro deles, Artemus conhece o rei, Gwenllian tem muita loucura e o Homem Cinzento tem novos caminhos à traçar. Dessa forma, Maggie desconstrói um enredo que poderia ter sido traçado apenas por protagonista. A grandeza do livro se enquadra na permissão que a autora se dá de mostrar as peças de um quebra-cabeça dotado de intensidade.

Ao traçar as linhas dos personagens principais, Maggie consegue mais uma vez quebrar o que sabemos deles sem perder suas personalidades. Blue Sargent mostra sua insegurança, muito embora não seja uma garota insegura. Blue é fruto de uma casa cheia de mulheres fortes, e como tal possui a solidez mas que não significa falta de maleabilidade. Blue tem medos, segredos e anseios que precisam ser superado. Richard Gansey III é um dos personagens que mais gosto na narrativa. Ele é rico, tem uma mente sagaz e a impetuosidade da riqueza. Mas não possui revolta tão comum aos personagens com tais características, e sim uma família que lhe ama tanto de escolha quanto de sangue. Seu relacionamento com Blue é construído de forma tão clara que percebemos Gansey como um homem e não mais como um menino a medida que as páginas evoluem.

Ronan Lynch e Adam Parissh são personagens opostos entre si e a Blue e Gansey. Enquanto Ronan é fogo incapaz de controlar seus sentimentos, Adam foi quebrado pelas escolhas do seu passado que o glorificaram para ser algo mais mas também o reduziram pela mediocridade do passado. Ronan segue um caminho de força e Adam de redenção, e juntos eles elevam o significado de amor e família.

A questão era que todos estavam próximos demais da situação. Eles haviam estado próximos demais da situação durante meses. Estavam tão próximos que era difícil dizer se eles eram ou não a situação em si.

Maggie Stiefvater não cria nada de comum para a finalização da Saga Os Garotos Corvos. São livros de promessas, de começos e de fins. Livros sobre amizade e sobre amor. Sobre antura e temperança. Mas principalmente, livros mais que indicados para quem deseja algo que nos desafia a pensar em algo mais.

 

 

 

 


(Conto) Pacto de Morte – Soraya Abuchaim

Olá Corujinhas. Continuando nosso especial de contos de terror para o Halloween, o eleito de hoje é para arrepiar até o último fio de cabelo. Em uma narrativa implacável, Soraya Abuchaim vai nos levar à questionar quem somos tanto em tempo presente como no passado.

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Lançado originalmente em 2017 na antologia irlandesa, Gruesome Grotesques Volume 2: Vampires, Werewolves and other Beautiful Monsters, o conto de Soraya Abuchaim nos apresenta a duas personagens marcantes. Deborah e Laila. Deborah acabou de se mudar para um casarão herdado do tio. Durante as noites, uma entidade toma seu corpo assumindo a forma de uma mulher sensual à fim de caçar homens e ter seus prazeres sanados. Deborah não faz ideia disto, pois não tem ideia nenhuma do que faz quando está possuída.

Abuchaim traz uma história traçada no comum, mas absorta de peculiaridades. Com elementos de possessão, assombração e entidades, a visão se torna única quando entendemos a entidade. O passado lhe deixou marcas profundas que não somente lhe acompanharam em outra vida, mas que desperta no leitor um tipo especial de empatia. Você consegue perceber o que está errado e ao mesmo tempo dá razão a entidade.

Deborah é uma personagem diferente do que podemos esperar. Pintora, não se trata de uma mulher solitária ou amarga. Mas uma pessoa comum capaz de sentir as necessidades da entidade, bem como as suas. Talvez o fato de ser uma artista lhe ajude nisso, pois se torna tão expressiva quanto os quadros que pinta.

Pacto de Morte é um conto horrorizador, que provoca o leitor a questionar os caminhos que a sociedade tomou e continua tomando. Vivemos em uma era onde nós mulheres somos rechaçadas pelas conquistas. Basta olhar em volta e perceber quem está no topo e os comentários relacionados à isso. Soraya Abuchaim ousou ao entregar a nós verdades que parecemos mutilados em tentar esconder.

 

( Resenha ) Identidade Roubada — Chevy Stevens

Livros de suspense estão entre meus favoritos. Na verdade, meu consumo literário (apesar da vivacidade do blog) normalmente é voltado para as questões mais sombrias localizadas entre o suspense e o terror. Por esse motivo, muitas vezes sou capaz de pegar livros de suspense sem nem mesmo ler a sinopse. Baseada na capa e no comentário que normalmente acompanham os livros, decido se a obra vale meu tempo. Foi exatamente isto que aconteceu quando decidi ler Identidade Roubada de Chevy Stevens. E apesar de não poder dizer que foi um dos meus favoritos, ainda sim foi uma leitura que valeu a pena pelas interrogativas colocadas pelo autor.

Titulo: Identidade Roubada Título Original: Still Missing Autor: Chevy Stevens Editora: Arqueiro Ano: Paginas: Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ Encontre:| Amazon | Skoob

Identidade-Roubada-203x300Sinopse: Era para ser um dia como outro qualquer na vida de Annie O’Sullivan. A corretora de imóveis levanta da cama com três objetivos: vender uma casa, fazer as pazes com a mãe e não se atrasar para o jantar com o namorado. Naquele domingo, aparecem poucas pessoas interessadas em visitar o imóvel. Quando Annie está prestes a ir embora, uma van estaciona diante da casa e um homem sorridente vem em sua direção. A corretora tem certeza de que será seu dia de sorte. Mas o inferno está apenas começando. Sequestrada por um psicopata, Annie fica presa durante um ano inteiro em um chalé nas montanhas, onde vive um pesadelo que deixará marcas profundas.

Narrado em passado e presente por primeira pessoa nas duas situações, Identidade Roubada tem prerrogativas bem interessantes que precisam ser discutidas nos dias de hoje. Cada vez mais, somos surpreendidos por crimes violentos contra as mulheres. Contra homens também, mas a expressividade entre crimes de sequestro é expressiva enquanto tratada sob o hall do feminino. Muito embora o livro de Stevens não seja exatamente uma luta do feminismo, também não podemos desconsiderar essa possibilidade pela invocação do sentimento de revolta que nos rodeia quando entramos no seu universo.

Eu nunca havia lido nada da autora. Conheci sua obra através do canal da Pam Gonçalves em um vídeo de book-shell-of-tour. De primeira a capa e o título me chamaram bastante atenção, pois gosto bastante gênero e a criatividade do título despertaram em mim o sintoma de necessidade. Mas só realizei leitura muitos anos depois, quando, passeando entre os livros revi seu título e pensei: porque não? E posso dizer que apesar de não ter me surpreendido com a obra, a história que Chevy tem a oferecer é fantástica.

Narrado em primeira pessoa por Annie, a história se desenvolve bem pela escrita suave de Stevens. A autora não peca em dar mais detalhes do que o necessário, e sim construir ambientações e sentimentalismos que criam todo o aspecto inovador do livro. Afinal de contas, tal narração é feita através das cessões de Annie com um terapeuta. E muito embora isso deixe de lado uma parte do suspense da obra, ajuda a entender melhor como a personagem lidou com o sequestro-cativeiro e agora tenta retornar à sua vida normal.

Um dos pontos mais favoráveis ao livro, é com certeza Annie. A protagonista é carismática, um tanto cínica e incrivelmente humana. Poucas vezes me apeguei tanto a uma personagem na literatura. Isso se deve não somente ao grau de proximidade com a realidade trazida por Stevens. Exagerada e um pouco egocêntrica, Annie tem defeitos que muitas vezes julgamos, mas que fazem parte da vida de quem passou por abusos. É doloroso acompanhar cada um dos seus choros se tornando impossível não sentir empatia pela personagem.

O único defeito do livro foi o final. Mesmo que haja um bom plot-twist este não é bem desenvolvido dando a impressão que fora largado ao meio do caminho. As questões tão bem levantadas pela autora perdem espaço para uma válvula de escape simples e contraditória. Os motivos do livro deveriam ter sido melhor trabalhados para fechar tudo com chave de outro.

Identidade Roubada é uma leitura de altos e baixos que vale a pena pela realidade imposta pela autora. Um livro real sobre a hedionidade humana e suas implicações no contexto total da sociedade.

( Resenha ) A Menina Que Roubava Livros – Markus Zusak

Semana passada, eu estava relendo alguns pontos dos meus livros favoritos. Em uma dessas pequenas releituras, voltei a encher-me de penas com a leveza da morte em A Menina Que Roubava Livros. Um bom ponto da literatura, é o fato que nunca temos uma mesma percepção de um mesmo livro. Você rele e gosta ainda mais, ou você relê e odeia. Claro que para mim aconteceu a primeira frase, mas o que eu não esperava era entender ainda mais a metáfora através das palavras de Markus Zusak.

Título: A Menina Que Roubava Livros | Título original: The Books Thief | Autor: Markus Zusak | Editora:  Intrínseca| Páginas: 480 | Ano: 2011| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤| Encontre: Skoob – Saraiva – Amazon

a menina que roubava livrosSinopse: Ao perceber que a pequena Liesel Meminger, uma ladra de livros, lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. A mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. Assombrada, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade. A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra-Mundial.

“Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é necessário. Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo, eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora gentilmente.”

A Menina Que Roubava Livros foi o primeiro romance histórico que tive a oportunidade de ler em meados de 2013 logo após assistir o filme de mesmo nome. Certamente eu não tinha tanta maturidade e muito do que li se perdeu pela falta de perspectivas. Me lembro de achar a leitura lenta sem entender verdadeiramente o significado das palavras e das situações levantadas por Markus Zusak. Hoje, cinco anos depois com muito mais leituras na cabeça e uma bagagem literária que busca cada vez mais reflexões, ao reler A Menina Que Roubava Livros tive um vislumbre de uma literatura clássica-contemporânea que deveria ser obrigatória.

“UMA DEFINIÇÃO NÃO ENCONTRADA NO DICIONÁRIO – Não ir embora: ato de confiança e amor, comumente decifrado pelas crianças”

A narrativa-onisciente traz uma perspectiva única para a história. A Morte se faz presente em primeira pessoa e em terceira, dando considerações sobre a história sem se deixar levar pelas emoções. Como a própria confirma, está cansada, e quer contar de forma leve, breve e muito corriqueira. Ela conhece tudo sobre em seu íntimo e seus pensamentos. Revela sua voz interior, o fluxo de sua consciência, fazendo com que o enredo seja plenamente conhecido em suas entrelinhas, seus pressupostos, seu futuro e suas consequências.

É interessante notar como Zusak faz da Morte uma personagem que não possuí nada para além do comum, aludindo ao que acontece todos os dias de morte pura e simplesmente. Sendo uma personagem não caricata, a Morte transforma-se em uma narradora experiente que tem o peso do mundo em seus ombros. A Morte é uma vilã e uma mocinha ao mesmo tempo, trabalhando para os vilões para salvar as almas do sofrimento.

“Por favor, acredite quando lhe digo que, naquele dia, peguei cada alma como se fosse um recém-nascido. Cheguei até a beijar alguns rostos exaustos, envenenados. Ouvi seus últimos gritos entrecortados. Suas palavras evanescentes. Observei suas visões de amor e os libertei de seu medo.”

Dessa maneira, quando a narração muda para a vida de Liesel, a Morte perde um pouco de sua considerações e se volta a aludir aos fatos, muito embora nos marque com uma frase de efeito. Mas ao dar foco a Liesel, a Morte se estende para revelar a personalidade dessa menina que lhe parece tão próxima. Liesel, assim como a morte é comum e não caricata. É forte como uma criança deve ser aprendendo todos os dias em como ser uma pessoa melhor e a entender as injustiças da vida não se abalando por elas. Liesel não é um rosto adicionado à massa, mas uma garota inteligente que usa das armas que possui para proteger aqueles que ama.

Assim, de um maneira única, Zusak cria uma porção de personagens que se tornam pessoas a medida que parecem avançar saltar as páginas e encher os olhos. Entre texto sobre a vida e Liesel e considerações sobre o momento, o autor nos dá esperanca que supera o medo que existe no coração das pessoas que rodeiam o mundo cheio de beleza e brutalidade.

“Os seres humanos, me assombram.”

A Menina Que Roubava Livros vai ser sempre um dos livros favoritos de toda minha vida. Pretendo realizar outras leituras desse livro e absorver cada vez mais da história de Markus Zusak cuja tenho a certeza que me oferecerá ainda mais. Se posso fazer das palavras da Morte as minhas, espero entender por essas páginas a verdade sobre os medos e anseios da humanidade entendendo à realidade de suas histórias tão amaldiçoadas e tão brilhantes. A Menina Que Roubava Livros é um livro para toda vida.

( Resenha ) Fique Comigo – Harlan Coben

Existem alguns autores que não importa quantos livros você leia dele que jamais irá cansar ou ficar com aquela sensação incomoda de mais do mesmo. Harlan Coben é um desses autores em minha vida. Sempre com dinamismo, o Mestre das Noites Em Claro faz jus ao título em Fique Comigo. Um suspense arrebatador que nos mostra como é impossível fugir do passado.

Título: Fique Comigo | Título original: Stay Close| Autor: Harlan Coben | Editora:  Arqueiro | Páginas: 384| Ano: 2014| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐| Encontre: Skoob SaraivaAmazon

FIQUE_COMIGO_1363735233PSinopse: A vida de Megan Pierce nem sempre foi um mar de rosas. Houve uma época em que ela nunca sabia como seria o dia seguinte. Mas hoje é mãe de dois filhos, tem um marido perfeito e a casa dos sonhos de qualquer mulher- e, apesar disso, se sente cada vez mais insatisfeita. Ray Levine já foi um fotógrafo respeitado, mas agora, aos 40 anos, tem um emprego em que finge ser paparazzo para massagear o ego de jovens endinheirados obcecados em se tornar celebridades. Broome é um detetive incapaz de esquecer um caso que nunca conseguiu resolver: há 17 anos, um pai de família desapareceu sem deixar rastros. Todos os anos ele visita a casa em que a mulher e os filhos do homem esperam seu retorno. Essas pessoas levam vidas que nunca desejaram. Agora, um misterioso acontecimento fará com que seus caminhos se cruzem, obrigando-as a lidar com terríveis consequências de fatos que pareciam enterrados havia muito tempo. E, à medida que se deparam com a faceta sombria do sonho americano – o tédio dos subúrbios, a angústia da tentação, o desespero e os anseios que podem se esconder nas mais belas fachadas -, elas chegarão à chocante conclusão de que talvez não queiram deixar o passado para trás.

A inquietude voltaria. Era inevitável. Sofrimento, medo, paixão, os segredos mais obscuros – nada durava para sempre. Mas talvez, se respirasse fundo e aguentasse firme, Megan pudesse manter essa sensação pelo menos por mais algum tempo.

Harlan Coben tem uma das melhores narrativas que eu conheço. Não é atoa que já passei da casa dos vinte em números de obras que já li de sua autoria. O ponto que sempre me faz retornar ao seus livros é a capacidade que tem de dar detalhes sem ser maçante. De construir narrativas que são cheias de significados ao mesmo tempo que estão tomadas de ação. Harlan não é um autor da mesmice, mas alguém que busca inovar e trazer sempre aos seus leitores uma obra que seja para além do que nós esperamos.

Nós lutamos pela liberdade, não foi? E então o que fazemos com essa liberdade toda? Nos prendemos a bens materiais, dívidas e, bem, à outras pessoas.

Nessa obra, narrada em terceira pessoa, Harlan desconstrói o sonho americano: ter uma casa grande, um carro na garagem, um cônjuge que lhe ama e filhos bem educados. Parece ser uma vida dos sonhos, mas quando Harlan se aprofunda nisso percebemos que perfeição não é exatamente aquilo que está em jogo, pois uma vida assim seria completamente sem emoções. E o que para algumas pessoas significa felicidade eterna, para outras são algemas que prendem aos preceitos da sociedade que negam a plenitude de se viver como queremos. Pois precisamos desejar as mesmas coisas, ter as mesmas vidas para sermos normais. Almejar uma vida dos sonhos, mesmo que aquele não seja o nosso.

– Todos nós representamos personagens diferentes para pessoas diferentes.

Através de seus três personagens principais, Harlan insere para seus leitores perspectives diferentes do que podemos considerar felicidade. O detetive Broome fica de frente com um caso antigo do passado ainda não resolvido. E é a partir que vislumbramos a primeira crítica de Coben: Será mesmo que nossos maridos ou esposas são exatamente aquilo que conhecemos deles? Podemos afirmar que eles não tem segredos ou lados obscuros que rodeiam suas vidas? A resposta é claro, é não. Nunca saberemos quem nos acompanham por não podermos ler mentes. Mas o questionamento também não é devido. Devemos confiar, não cegamente, mas entender o que torna especial a pessoa que escolhemos para nós.

 –Todo mundo parece feliz no Facebook

Megan, minha personagem favorita, demonstra as diretrizes de ser aquilo que não deseja. De certo modo, Megan conseguiu escapar de amarras para ser segurada por outras. Muito embora seu mundo passado e o atual são sejam iguais, também não podemos ressaltar que são completamente diferentes. Megan parece necessitar da adrenalina que possuía trocada por uma vida simples. Uma vida que muitos desejam e correm atrás, e aqueles que não querem são obrigados pela sociedade a fingirem estar feliz com elas. Megan se torna então um reflexo da existência obrigatória de ser parte da qual parece incapaz de ser totalmente feliz.

A efemeridade de nossa existência é a única certeza que podemos ter.

Fique Comigo é uma obra reflexiva que mais uma vez nos prova a capacidade que Harlan Coben tem de se superar. Muito embora o desfecho da narrativa aconteça de forma rápida de mais, ainda sim é um livro necessário por trazer a luz questionamentos tão tabus para nossa sociedade. Eu sempre irei recomendar os livros do autor que cada vez mais me prova porque ele é um mestre do suspense.

Havia aprendido a grande diferença entre os que têm tudo e os que não têm nada. Era uma questão de sorte e privilégio. E, quanto mais sorte você tinha e quanto mais portas se abriam por causa de seus privilégios, mais você precisava convencer os outros de que havia alcançado o sucesso devido à sua inteligência e ao seu esforço.O mundo,no fim das contas, se resumia a problemas de baixa autoestima.

(Resenha) Corte de Asas e Ruína – Sarah J. Maas – Livro 03

Corte de Asas e Ruína.é o desfecho de uma história e um prelúdio para as outras que virão. Existe guerra, existe amor, existe dor. O anseio pelo que está por vir é só a ponta do iceberg para o verdadeiro caos de emoções que é sua história. E Sarah J Maas mostra porque é um das autoras mais amadas da atualidade.

Título: Corte de Asas e Ruína | Título Orginal: A Court Of Wins And Ruins | Série: Corte de Espinhos e Rosas #03 | Autora: Sarah J Maas | Editora: Galera Record |Ano: 2017 | Avaliação:  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

sssssssssssssssssssSinopse: O terceiro volume da série best-seller Corte de Espinhos e Rosas, da mesma autora da saga Trono de Vidro em “Corte de Asas e Ruína” a guerra se aproxima, um conflito que promete devastar Prythian. Em meio à Corte Primaveril, num perigoso jogo de intrigas e mentiras, a Grã-Senhora da Corte Noturna esconde seu laço de parceria e sua verdadeira lealdade. Tamlin está fazendo acordos com o invasor, Jurian recuperou suas forças e as rainhas humanas prometem se alinhar aos desejos de Hybern em troca de imortalidade. Enquanto isso Feyre e seus amigos precisam aprender em quais Grãos-Senhores confiar, e procurar aliados nos mais improváveis lugares. Porém, a Quebradora da Maldição ainda tem uma ou duas cartas na manga antes que sua ilha queime.

“Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

O que me faz gostar dos livros de Sarah J. Maas é a narrativa carregada de sentimentos. Certas vezes, fico impressionada com sua capacidade de nos fazer sentir como parte do seu mundo por conta das descrições e do modo com o qual os sentimentos são postos. Muito embora neste livro tenha percebido uma leve procrastinação da autora, ainda sim a escrita foi esplêndida para me manter viva na leitura. Foram dois dias intensos, e eu me lembro perfeitamente — mesmo depois de meses de ter lido — da necessidade que sempre precisar de mais da obra. Dormir, foi um martírio pois minha mente voltava aos acontecimentos e as surpresas que estavam por vir.

– A grande alegria e honra de minha vida foi conhecê-los. Chamar vocês de minha família. E sou grato, mais do que posso expressar, por ter recebido esse tempo com vocês.

Dentro da escrita, uma das minhas partes favoritas é o fato de Sarah usar o constante intertexto em suas páginas. A autora consegue trilhar caminhos diferentes para histórias que já conhecemos. Nas costas do livro, e como uma arma utilizada por Feyre contra o rei de Hybern, o espelho de Ourobouro é o nome dado ao mesmo objeto na Branca de Neve (espelho, espelho meu…) que ganha um novo sentido na narrativa. Outro é a história da rainha Vassa que sofreu uma maldição que a transforma em um mulher durante e um pássaro de fogo durante a noite, relembrando outra história famosa eternizada pela Disney. Isso, pode parecer estranho, mas ajuda na hora da construção do sentido do texto que não foi explicado. E claro me faz soltar uns Ahs! de administração para a criatividade da autora.

Além disso, podemos encontrar no texto um crescimento gradual da narrativa com o resgate das pequenas coisas. Os minúsculos fatos costumam ser perdidos em séries muito grandes pois novos acontecimentos são inseridos à todo momento. Quando o resgate acontece, soa genial pelo sentido que toda leitura valeu a pena. Tudo faz sentido e todas as peças são encaixadas.  A série de Maas, principalmente este último livro é uma prova de que tais resgastes são essenciais as obras, pois ao mesmo tempo que Sarah expõe um novo acontecimento ela o liga à um do passado conectando a história e todas as outras que vieram póstumas a ela.

“Sempre considerei a morte como um tipo de boas-vindas pacífico; uma cantiga doce e triste que me atrairia para o que quer que esperasse depois.”

Mas como nem tudo nesse livro foram flores, tenho que admitir que um dos meus pontos favoritos, também e controversamente, foi um dos seus pecados. A narrativa de Sarah muitas vezes perdeu o tino pela inserção de momentos que não eram exatamente necessários à história. O principal é quantidade alucinante de cenas de sexo. Acredito que já tenha comentado que romance em fantasias não é meu foco pela perda de história para adição de tal prerrogativa. Mesmo gostando de Feysand, em Corte de Asas e Ruína a perda não é diferente mas no sentido de tempo. Considerando que estamos falando de guerra, uma tensão surgida após  a firmação do romance entre Feyre e Rhysand no livro anterior, as cenas de sexo me pareceram forçadas no contexto da história pela falta de necessidade. Exceto quando Feyre retorna para casa, a continuidade de cenas do tipo foi enjoativa e olha que eu amo (ou amava) o casal Feysand. Mas aqui não acredito que cabia. Tanto, que se retirarmos as cenas de sexo o livro diminuiria pelo menos umas cem páginas e tornaria a leitura mais fluída e sagaz.

 “Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

Outras cem seriam facilmente cortadas se não fosse a adição de outra coisa supérflua a narrativa de Feyre aprendendo a voar. Mas Jessica, issoo é interessante? Claro que é, contanto que tenha papel na ativo no enredo, pois do contrário, torna-se apenas uma informação à mais como um tipo de aposto: esta lá, mas não era necessário.  Pois eu não me lembro — se tiver por favor me diga nos comentários — dessa situação de vôo aparecer em batalha ou de algum modo pertinente ao enredo. Se não considerarmos a história que Azriel conta a Feyre em uma de suas aulas (que cá entre nós, poderia sim ter sido feito em outra situação) estas foram encheção de linguiça. Mas, talvez eu só seja antipática mesmo.

“Se Rhysand era a Noite Triunfante, eu era a estrela que só brilhava graças a sua escuridão, a luz apenas visível por sua causa.”

Retornando aos pontos positivos, o romance de Feysand atingiu um bom nível de cumplicidade nessa obra, mas e é separadamente que Rhysand e Feyre ganham meu coração. Muito embora não costume gostar de personagens perfeitos, Rhysand é um macho que gostaria de ter em minha vida como amigo. Inteligente e justo, Rhys é um retrato do heroico de quando o amor é existe ele pode se manifestar de vários modos. Já Feyre terminar sua jornada para abraçar o poder que conquistou nas obras anteriores. É fantástico perceber como Feyre cresceu. Se em ACOTAR Feyre era uma garota assustada e em ACOMAF um projeto de Girl Power, em ACOMAF Feyre encontra sua verdadeira força ao se tornar uma mulher poderosa. Sua construção foi feita tijolo por tijolo e esse é o principal crédito da trilogia como um todo. Em tempo onde as Girls Powers nascem da arrogância e da síndrome estou-certa-e-você-errado, ver uma força sendo construída e não jogada é sensacional.

– Apenas você pode decidir o que a destrói, Quebradora da Maldição

E igualmente a construção de Feyre e Rhysand, os outros personagens foram dignamente tomados. Morrigan e Azriel não enchem meus olhos, mas assim como o que é referente a Lucien possuo certa expectativa do que suas amarguradas histórias ainda podem revelar. Elain… Bom, o que dizer de Elain? Bom… Sendo absolutamente sincera acho-a um tanto sonsa, mas não tenho sentimentos negativos ou positivos com ela. A verdade é que se olharmos para as irmãs de Feyre quando as duas se recusaram a ajudar a irmã, Nestha por ser mais grossa recebe os créditos da ruindade. Mas Elain faz a mesma coisa mas é relevada por sua doçura, o que ao meu ver, e como se ela se fizesse de sonsa (cadê o emoji levantando os braços quando a gente precisa.)

“Se Elain era uma flor naquele acampamento de guerra, então Nestha… ela era uma espada recém-forjada, esperando para tirar sangue.”

E por falar em Nestha, como não amar Nestha e tudo que essa personagem pode trazer? A minha protagonista — percebam o nível do meu amor — é tudo que eu espero e mais um pouco sempre me surpreendendo. Nesse livro, esta ainda mais impressionante audaciosa. Marcada pelo caldeirão e com uma família quebrada mais refeita, Nestha provoca sem revelar muito sobre si. Sua esfera de poder é ao mesmo tempo a cruz que carrega. E mesmo que não possa dizer que não a entenda, ainda sim posso falar que absolvi o seu ódio como meu. Nestha é fogo, ódio e dor. É ressentimento, amor e medo. É tudo é não é nada. E cada vez que a leio, me encontro capaz de chorar pela sua complexidade. Eu preciso de mais de Nestha Archeron, de todas as maneiras que Maas puder me dar.

“Cassian estava avaliando Nesta, um brilho em seus olhos que eu só podia interpretar como um guerreiro encontrando-se diante de um novo e interessante oponente.”

Por tudo isto, posso dizer que Corte de Asas e Ruínas é um marco na minha vida. Em breve serão lançados spin-offs para completar os arcos de cada personagem. Claro que o livro de Nestha e Cassian é o mais aguardado para mim, mas espero gostar de todos os volumes que estão por vir. Sarah J. Maas é uma das melhores escritoras de seu tempo, e espero ansiosamente por mais e mais dela.