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( Motive-Se ) O Sol É Para Todos – Harper Lee

Oi Corujinhas. Vocês devem ter notado que nas últimas semanas eu tenho andado sumida. O motivo são as obrigações da faculdade que tem me tirado o sono. Mas estou tentando sempre ficar em “forma” para vocês. Semanas que vem os posts vão voltar a sair no prazo certo, por assim dizer e voltarei as minhas visitas com regularidade. Não desistam de mim!!

No post de hoje vou trazer três motivos para vocês lerem meu livro favorito no drama. O Sol É Para Todos, li em 2013 mais ou menos, e ainda permanece como uma das leituras mais gratificantes de todos os tempos.

Titulo: O Sol É Para Todos
Título Original: To Kill A Mockinbird
Autora: Harper Lee
Editora: José Olímpio
Ano: 1960
Páginas: 317
Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ❤️
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

1. Enredo.

O Sol É Para Todos conta a história de duas crianças no árido terreno sulista norte-americano da Grande Depressão no início dos anos 1930 que testemunham a ignorância e o preconceito em sua cidade, Maycomb – símbolo dos conservadores estados do sul dos EUA, empobrecidos pela crise econômica, agravante do clima de tensão social. Filhos do advogado Atticus Finch, encarregado de defender Tom Robinson, um homem negro acusado de estuprar uma jovem branca, os irmãos percebem o racismo do pequeno município do Alabama onde moram. Nos três anos em que se passa a narrativa, deparam-se com diversas situações em que negros e brancos se confrontam. Dessa forma, a história demonstra a inocência de duas crianças para com o preconceito e com as injustiças das escolhas por cor.

2. Pregorrativas.

Muito embora a priori o sentido da narrativa seja tratar de racismo, enquanto a leitura é concebida percebemos que envolve todas as camadas do preconceito. Mulheres rechaçadas por serem mulheres. Preconceito de não conhecer o outro e julgar pequenas ações, ou pelo que você ouve, quando se tratam de inverdades. A história é um manifesto pela igualdade tão comum à época que foi escrito (1960, o apartheid vigorando nos Estados Unidos) quanto à nossa onde as os pobres, principalmente os negros, precisam andar de sobreaviso para não sofrerem ataques. Onde os pais precisam dar instruções para os filhos sobre como se portar à frente da polícia. O livro rasga a verdade sobre pessoas que foram destruídas por preconceito. Sobre famílias que foram quebradas. Mas principalmente, a morte do direito humano de ser igual aos outros.

3. Os personagens.

Mas se as pregorrativas e o enredo dão um gostinho inicial ao livro, são os personagens que transformam a obra em um livro inacreditável. Narrado pela sensível Jean Louise, Scout, a sensibilidade no olhar da jovem revela os desígnios da sociedade racista, onde as diferenças não são aceitas. Jem, seu irmão, é a representação da raiva perante as injustiças e o não entendimento das situações.  Atticus é a índole no sentido mais humano da palavra. Ele tem plena consciência do que é certo e luta para mostrar aos filhos o mundo pelo qual eles devem lutar. Boo Radley a prova do preconceito das invenções, dona Mauddie do rechaço as invenções sociais e Callpurnia do medo que domina os negros. Todos os personagens são exaltados para representarem alguma coisa. Alegóricos, são sentimentos. Fantásticos, são instituições. Populares, são classes sociais. Todos trajados para serem melhores e maiores que qualquer humano poderia ser, mas que todos nós deveriam tentar.

Mas antes de aprender a viver com os outros eu tenho de aprender a viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo é a única coisa que não deve se subjulgar a regra da maioria.

O Sol É Para Todos tem uma narrativa fluida e se torna um livro gratificante. Dotado de profundidade, amor e principalmente ingenuidade é uma obra para ser lida por todas as idades pelos ensinamentos que Harper Lee traz. Eu recomendo esse livro de todo meu coração. É um clássico sim, mas principalmente um livro atemporal que surge como um caminho para entender as diferenças.

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(Tag) Primavera, Romance de Época

Olá Corujinhas. Passeando pelos blogs que mais gosto, encontrei essa tag no Balaio de Babados criada pelo instagram @euli_voutecontar. Como eu adoro romances de época e mesmo sendo época de Halloween não consegui deixar de responder. Espero que gostem.

entre a culpa e o desejoA flor da temporada → A melhor mocinha dos romances de época.

Phillippa Marlbury de Entre A Culpa e o Desejo ganhou meu coração e não é segredo para ninguém. Pippa é uma mulher que está fora dos padrões sociais mas que não se deixa abalar por isso. Ela tem plena consciência de quem é do que deseja, não se colocando para trás pelas dificuldades que as pessoas lhe impõem por ser mulher. Pippa é uma guerreira de todas as formas que consigo pensar, mesmo naquilo que parece mais improvavél

era uma vez no outonoAh! Os jardins… → Um livro com uma cena inesquecível de um casal nos jardins.

Marcus e Lillian em protagonizaram uma de minhas cenas favoritas no jardim das borboletas. O engraçado que não sou uma pessoa romantica, mas a cena me fez – literalmente – suspirar. Muito embora Marcus tenha acabado com o clima no final, as palavras ditas pelos dois nos jardins são lindas e de certa forma é o primeiro passo para que eles se entreguem a paixão. Se você não leu a série As Quatro Estações do Amor eu super recomendo. É sensacional.

simplesmente o paraisoBem me quer, mal me quer → Um livro onde o casal, ou um dos dois, fica indeciso sobre os sentimentos do outro.

Então… Todo casal (ou a maioria) dos romances de época passam por essa era de indecisão, e para mim, algumas vezes soa bastante irritante. Por isso minha escolha vai para Marcus e Honória de Simplesmente O Paraíso. Julia Quinn é uma das minhas autoras favoritas, mas essa indecisão do casal foi um ponto bem (mas bem!!!) negativa para a obra.

o principe dos canalhasO cravo e a rosa → Um livro com casal brigão.

A Jessica de O Príncipe dos Canalhas teve uma atitude bastante radical contra Lorde Dain. Até mesmo fico com certa pena do Dain (ou não). Além disso, elejo esses dois por toda trajetória que tiveram no livro bem cão e gato desde a hora que se conheceram até, praticamente as últimas páginas. Esse livro eu quase não menciono, mas indico muito a leitura.

a caminho do altarGirassol → Um mocinho que faça um lindo gesto de amor.

Gregory Bridgeton é com certeza um dos mocinhos mais apaixonados dos romances de época. Em A Caminho do Altar, Gregory faz um gesto de amor por Lucinda. Na verdade, o cara faz vários quando se dá conta dos seus sentimentos pela moça. E cada um é mais emocionante que o outro.

nove regras a ignorar antes de se apaixonarO perfume das flores → Melhor livro de romance de época da sua estante.

Sem duvidas, Nove Regras A Ignorar Antes de Se Apaixonar é meu livro favorito, não somente nos romances de época como também um dos melhores na vida. Sarah MacLean é minha escritora favorita e isso deve ao fato de seus livros serem dotados de feminilidade e força. Mas em Nove Regra, McLean consegue ir a além disso de maneira exponencial. Todos os personagens conseguem ir muito além do que aparentam. Sem contar que o romance entre Callie e Gabriel é um dos mais bem construídos.

47523ba95be7fe4f99a235f04324f53e.jpgSemeando flores → Indique uma autora de romance de época.

Indico a Julia Quinn por sua diversidade na escrita. Muito embora Sarah seja minha favorita, a Quinn consegue não se prender as densidades. Seus livros podem ir do mais dramático ao mais hilário sem perder o tino. E se serve de dica ainda maior, a série Os Bridgertons será adaptado para a Netflix.

uma noite para se entregarNem tudo são flores → Um romance de época que te decepcionou.

Tessa Dare em Uma Noite Para Se Entregar foi completamente enfadonha, para não dizer extremista. Muito embora eu goste de histórias a frente do tempo, algumas situações foram completamente fora da casinha que não condizem nem sequer com o nosso. Não sei se pretendo ler mais da autora futuramente, contudo, posso dizer que ela vai precisar se superar para conseguir meu voto.

Paisagismo → Uma capa linda, perfeita, impecável.

segredos de uma noite de verão

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Então é isso Corujinhas, espero que tenham gostado da tag de hoje.
Beijos.

( Resenha ) O Rei Corvo – Maggie Stiefvater – Livro 04

Caras Corujinhas, Como vocês devem ter notado, eu dei uma sumida nos últimos dias. Isso se deve ao fato que a vida na faculdade está intensa. Mas não desistam de mim pois estou me preparando para dar conta de tudo e tenho que fé que vai dar certo. Então atrasadamente, preparem-se para se afundar em uma narrativa de tirar o folêgo que vai envolvê-los para proporcionar um final épico à uma saga maravilhosa.

Essa resenha não contem spoiler dos livro anterior. Pule a sinopse.
Título: 

O Rei Corvo

 | Título original:  

The Raven King

 | Autora: Maggie Stiefwater | Editora: Verus | Páginas: 

378

 | Ano

2018

|Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ |Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

o rei corvo

SINOPSE: O aguardado volume final da Saga dos Corvos, uma conclusão espetacular à história mítica e sombria criada por Maggie Stiefvater. Nada que está vivo é seguro. Nada que está morto é confiável. Há anos Gansey iniciou uma jornada para encontrar um rei perdido. Um a um, ele atraiu seus amigos para essa missão: Ronan, que rouba coisas de sonhos; Adam, cuja vida já não é sua; Noah, cuja vida não é mais vida; e Blue, que ama Gansey… e tem certeza de que está destinada a matá-lo. O fim já começou. Sonhos e pesadelos estão convergindo. Amor e perda são coisas inseparáveis. E a busca pelo rei se recusa a ser fixada em um caminho. A busca pelo rei adormecido vai chegar ao fim em Henrietta — mas não sem perdas, desejos, revelações e uma verdade brutal. Com O rei Corvo, Stiefvater conclui uma verdadeira obra-prima.

Era mais fácil discernir o herói do vilão quando só a vida e a morte estavam jogo. Todo o resto entre as duas ficava mais difícil.

Maggie Stiefvater é uma das melhores autoras que eu tive o prazer de ler nos últimos anos. Muito embora não possa chamar seus livros de perfeitos, existe um tipo de mágica na escrita que somente Stiefvater tem. É uma autora de poesia narrada, onde os sentimentos ganham lugar de destaque e os personagens uma projeção que os faz saltar das páginas e se tornem palpáveis.

Em O Rei Corvo eu tive um paradoxo à leitura. Gostei bastante da finalização e como sempre adorei as escrita de Maggie. Contudo, ao mesmo tempo, houve uma construção exageradamente demorada para o alcance do clímax de leitura. A autora se preocupou em dar base à história, mas algumas cenas poderiam ter sido cortadas e deixado o livro mais objetivo. Como vocês sabem, tenho um certo problema com procrastinação e foi isso que senti nesse livro. Tanto que está não foi a primeira vez que tentei ler a obra. Na verdade, houve um período em que li mas abandonei faltando cem páginas para o final (não propositalmente, mas sabe quando você está lendo vai dormir e não vê motivos para continuar a leitura no dia seguinte?). E até minha vontade para ler a obra foi minguando. Exceto pela semana passada onde eu disse: não vou ler. E eu li, e fora isso gostei.

Ele era um rei. Havia chegado o ano em que ele morreria.

Dependendo de onde você comece a história ela diria a respeito…” Com essa frase, Maggie introduz cada pedaço fundamental para construção do livro e torna-se um tipo de história mesclada em que nenhuma é mais importante que a outra. Se existe algo que faz sentido em obras, é quando o autor dá voz aos personagens mesmos os mais “insignificantes”. E claro, Maggie faz isso com brilhantismo. Cada um dos personagens tem um papel no futuro dos Garotos Corvos e do Rei Corvo. Blue Sargent tem um futuro… Richard Gansey tem uma previsão de morte… Ronan Linch tem um segredo… Adam Parissh tem um destino. Mas não podemos sugerir apenas a importância dos personagens principais, porque Maura prevê o futuro deles, Artemus conhece o rei, Gwenllian tem muita loucura e o Homem Cinzento tem novos caminhos à traçar. Dessa forma, Maggie desconstrói um enredo que poderia ter sido traçado apenas por protagonista. A grandeza do livro se enquadra na permissão que a autora se dá de mostrar as peças de um quebra-cabeça dotado de intensidade.

Ao traçar as linhas dos personagens principais, Maggie consegue mais uma vez quebrar o que sabemos deles sem perder suas personalidades. Blue Sargent mostra sua insegurança, muito embora não seja uma garota insegura. Blue é fruto de uma casa cheia de mulheres fortes, e como tal possui a solidez mas que não significa falta de maleabilidade. Blue tem medos, segredos e anseios que precisam ser superado. Richard Gansey III é um dos personagens que mais gosto na narrativa. Ele é rico, tem uma mente sagaz e a impetuosidade da riqueza. Mas não possui revolta tão comum aos personagens com tais características, e sim uma família que lhe ama tanto de escolha quanto de sangue. Seu relacionamento com Blue é construído de forma tão clara que percebemos Gansey como um homem e não mais como um menino a medida que as páginas evoluem. 

Ronan Lynch e Adam Parissh são personagens opostos entre si e a Blue e Gansey. Enquanto Ronan é fogo incapaz de controlar seus sentimentos, Adam foi quebrado pelas escolhas do seu passado que o glorificaram para ser algo mais mas também o reduziram pela mediocridade do passado. Ronan segue um caminho de força e Adam de redenção, e juntos eles elevam o significado de amor e família.

A questão era que todos estavam próximos demais da situação. Eles haviam estado próximos demais da situação durante meses. Estavam tão próximos que era difícil dizer se eles eram ou não a situação em si.

Maggie Stiefvater não cria nada de comum para a finalização da Saga Os Garotos Corvos. São livros de promessas, de começos e de fins. Livros sobre amizade e sobre amor. Sobre antura e temperança. Mas principalmente, livros mais que indicados para quem deseja algo que nos desafia a pensar em algo mais.





(Conto) Pacto de Morte – Soraya Abuchaim

Olá Corujinhas. Continuando nosso especial de contos de terror para o Halloween, o eleito de hoje é para arrepiar até o último fio de cabelo. Em uma narrativa implacável, Soraya Abuchaim vai nos levar à questionar quem somos tanto em tempo presente como no passado.

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Lançado originalmente em 2017 na antologia irlandesa, Gruesome Grotesques Volume 2: Vampires, Werewolves and other Beautiful Monsters, o conto de Soraya Abuchaim nos apresenta a duas personagens marcantes. Deborah e Laila. Deborah acabou de se mudar para um casarão herdado do tio. Durante as noites, uma entidade toma seu corpo assumindo a forma de uma mulher sensual à fim de caçar homens e ter seus prazeres sanados. Deborah não faz ideia disto, pois não tem ideia nenhuma do que faz quando está possuída.

Abuchaim traz uma história traçada no comum, mas absorta de peculiaridades. Com elementos de possessão, assombração e entidades, a visão se torna única quando entendemos a entidade. O passado lhe deixou marcas profundas que não somente lhe acompanharam em outra vida, mas que desperta no leitor um tipo especial de empatia. Você consegue perceber o que está errado e ao mesmo tempo dá razão a entidade.

Deborah é uma personagem diferente do que podemos esperar. Pintora, não se trata de uma mulher solitária ou amarga. Mas uma pessoa comum capaz de sentir as necessidades da entidade, bem como as suas. Talvez o fato de ser uma artista lhe ajude nisso, pois se torna tão expressiva quanto os quadros que pinta.

Pacto de Morte é um conto horrorizador, que provoca o leitor a questionar os caminhos que a sociedade tomou e continua tomando. Vivemos em uma era onde nós mulheres somos rechaçadas pelas conquistas. Basta olhar em volta e perceber quem está no topo e os comentários relacionados à isso. Soraya Abuchaim ousou ao entregar a nós verdades que parecemos mutilados em tentar esconder.

 

(Resenha) Meu Romeu – Leisa Rayven – Livro 01

Nunca fui o tipo de pessoa que gosta de New Adult, mas Meu Romeu me chamou atenção desde o princípio e nada disso tem haver com a prerrogativa Shakespeariana que traz em seu título. Três anos depois do meu primeiro contato com a obra, posso dizer que a história foi sim excelente muito embora não tenha alcançado minhas expectativas.

Título: Meu Romeu | Título Original: Bad Romeu | Autor: Leisa Rayven| Editora: Globo Alt | Ano  2015| Páginas: | Avaliação: ⭐⭐⭐| Encontre: Skoob| Saraiva | Amazon

meu romeu

Sinopse: Cassie está prestes a realizar o grande sonho: estrelar um espetáculo na Broadway. O que ela não esperava era ter que enfrentar o reencontro com o ex-namorado, que será novamente protagonista ao seu lado, em uma peça cheia de romance e cenas quentes. Trabalhar com Ethan traz o passado à tona, e lembra a Cassie que o que existe entre eles vai muito além de simples química.

O amor não pode ser encontrado onde ele não existe, nem pode ser escondido onde ele realmente está.

Leisa Raven tem uma escrita boa, porém um livro mediano. Com poucas descrições físicas, muito sentimentalismo e grandes personagens, Leisa não consegue o principal que é a manutenção de um bom enredo. O maior ponto do livro e pior, paradoxalmente, é a escrita versus narrativa da autora. Muito embora Rayven consiga deixar o leitor atento as necessidades de suas personagens, na hora de criar o principal (o enredo) a autora se perde na superficialidade do erotismo.  Assim, apesar da escrita se excelente para nos fazer crer nos sentimentos dos personagens, o enredo torna-se fútil.

Querida Cassandra, às vezes, não é questão de consertar o que está quebrado. Às vezes, é questão de recomeçar e construir algo novo. Algo melhor

A história se desenrola em passado e presente para que entendamos como Cassie e Ethan foram modificados pelas suas trajetórias. Cassie foi minha personagem favorita por todas nuances que a personagem conseguiu trazer. Sem se perder no estereotropismo típico demais (personagens com sentimentos excessivos), Cassie tem a dose certa de timidez no passado e de amargura no presente. A garota foi construída para se tornar independente das amarras sociais, ao mesmo tempo que não consegue se desvencilhar dos medos de não ser aceita. Os motivos de Cassie são aprofundados e muito antes de uma personagem, enxergamos à nós ou as nossas amigas.

Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de Ethan. Nunca gostei de personagens que fazem o esteriótipo bad-boy com bom coração e para Ethan isso não foi diferente. O engraçado é que se Rayven consegue revelar os segredos sentimentais de Cassie à luz do existencial, com Ethan a coisa não flui o personagem se torna só mais um exemplar masculino do gênero. Não consegui acreditar nas suas emoções e muito entender os motivos que pareceram infantis.

Uma opinião não precisa ser verdade para mais ninguém no mundo além de você. Para de tentar agradar a porra de todo mundo e diga o que você pensa.

Meu Romeu tem uma proposta interessante, mas um desenvolvimento que deixa a desejar. Muito embora não descarte a possibilidade de ler os próximos livros da trilogia, tenho que admitir que minhas intenções estão em baixa. Leisa Rayven tinha um mundo brilhante é uma pena que os seus reflexos não conseguiram chegar até os recantos mais profundos da obra.

 

(Conto) O Vizinho Suspeito – Soraya Abuchaim

Olá Corujinhas. Dando continuidade as nossas resenhas especiais de contos do terror, hoje vou sair da temática medo e entrar no fundo psicológico do suspense. Em O Vizinho do Suspense, Soraya Abuchaim apresenta a projeção no outro.

Título: O Vizinho Suspeito Autora: Soraya Abuchaim Páginas: 06 Ano: 2015 Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐

81PDqGlwSAL._SL1500_.jpgRoger vive com sua amada esposa e na casa ao lado mora um beato. Todos os dias, Roger sai para trabalhar e observa as atitudes do beato em os olhares que parece lançar à sua mulher. Cansado disso, Roger sente que cada vez mais pode chegar à atos inimagináveis com o vizinho. Mas será mesmo que o beato é isso tudo?

Da primeira vez que vi conto de Soraya Abuchaim, eu criei para ele uma história que na verdade não existe. Então vocês devem imaginar minha surpresa a cada virada de suas poucas páginas. Soraya escreveu um conto sem por-menores realizado dentro da psicologia.

Para os psicólogos, o homem coloca em outros o que não gosta em si mesmo. Quando comecei o Vizinho Suspeito, não fazia ideia de como iria acabar, mas agora tenho certeza que não poderia ter sido mais promissor. Soraya carrega sua narrativa de pequenos significados perceptíveis a luz do emocional. Somos doentes por amor, lesionados por inveja e incapacitados de piedade. Assim, a autora descarrega um mar de emoções criado para nos fazer pensar.

O Vizinho Suspeito é uma leitura única. Dotado de reflexões, ainda nos traz um suspense de tirar o fôlego sobre perceber a si mesmo ou acreditar nas mentiras contadas à nós.

 

(Lista) 12 Livros Para Os 12 Signos

Oii queridos, tudo bom?? Hoje é dia de lista aqui no blog em parceria com a Keth (Parabatai Books). Neste mês resolvemos fazer uma lista que envolve duas coisas que as pessoas gostam muito de conhecer. Signos do zodíaco e livros. Apesar de não acreditar muito em signos, algumas características me parecem reais e hoje vou indicar livros perfeitos para cada um deles.

O presente artigo tem como fonte o site:
http://www.baudalola.com/perfis.htm

Espero que gostem. Vamos lá?

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1. ♈ Áries: Entre outras coisas, são conquistadores e tem o impulso de lutar. Possuem grande energia e vitalidade. São corajosos, combativos e reúnem as qualidades para realizar ações, comandá-las. São impacientes e costumam ter os sentimentos sempre em polvorosa, sendo bastantes intensos. O livro perfeito para os Arianos é Jogos Vorazes que é dominado por uma protagonista que não foge de suas  responsabilidades. Katniss além de ser intensa em seus sentimentos românticos, também se torna o rosto de uma revolução, pela audácia e pela coragem para lutar contra o poderio opressor do Capitol.

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2. ♉ Touro: São sensíveis, estáveis e tem grande profundidade em suas emoções. Amáveis,  os taurinos são amantes do belo e do prazer, o romantismo em especial. São muito esforçados e sua teimosia faz que sejam inconsequentes em seus empreendimentos. Têm grande paciência e determinação. São pacientes, leais e dignos de confiança. O livro perfeito para os Taurinos é Nove Regras A Ignorar Antes de Se Apaixonar que retrata de suas virtudes: A profundidade de suas emoções e a sua inconsequência quando desejam algo. Além disso, possui um lindo romance para agradá-los.

ninguém vira adulto de verdade3.  Gêmeos:  São dotados de inteligência, versatilidade, agilidade mental, sociabilidade, grande poder de persuasão. Desse modo, são naturalmente inquietos e curiosos, sempre muito comunicativos. Preocupam-se muito com atividades intelectuais, e procuram amigos igualmente inteligentes. Uma das principais características de Gêmeos é a jovialidade, o que faz com que raramente amadureçam, embora sejam capazes de compreender perfeitamente a complexidade das situações. O livro perfeito para os geminianos é Ninguém Vira Adulto de Verdade que vai mostrar todas essas características em deliciosas tirinhas.

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4. ♋️Câncer: Possui diversos padrões emocionais que torna o canceriano sensível e não consegue controlar, especialmente quando criança. Isso pode mostrar-se através de alterações de humor, egoísmo, manipulação e acessos de raiva. Câncer é rápido para ajudar os outros e evitar conflitos. Um dos seus pontos mais fortes é a sua persistente determinação. Câncer não tem grandes ambições, porque eles estão felizes e contentes de ter uma família amorosa e uma casa tranquila e harmoniosa. Eles costumam cuidar bem de seus colegas de trabalho e tratá-los como família. O livro perfeito para os cancerianos é Pequenas Grandes Mentiras pois cada uma de suas mulheres é voltada à família, sofrendo ou não com manipulação.

5. ♌️Leão: Ama a vida e espera ter diversão. É capaz de usar sua mente para resolver os problemas mais difíceis e geralmente toma a iniciativa para resolver várias situações complicadas. Leoninos facilmente vão atrás do que precisam, mas ignoram os problemas e necessidades dos outros, a fim de realizar seus próprios desejos. Muitas vezes é generoso e leal. Autoconfiante e atraente, capaz de unir diversos grupos de pessoas em várias oportunidades. Um livro perfeito para os Leoninos é Trono de Vidro pois Celaena é forte e está sempre em busca de seus desejos pessoais.

6.♍️Virgem: Prefere as coisas conservadoras e organizadas, e os que dependem deles; e mesmo que eles sejam bagunceiros, seus objetivos e sonhos estão localizados em pontos estritamente definidos em sua mente. Tem um sentido muito aguçado de fala e escrita, bem como todas as outras formas de comunicação. São como se experimentassem tudo pela primeira vez e sempre querem servir e agradar aos outros. Por outro lado, este signo às vezes é muito crítico e demasiadamente preocupado. Lido recentemente Meu Romeu  é um livro perfeito para os Virginianos. Tanto por essas características, quanto pela necessidade que a protagonista Cassie busca em se livrar de ser os que pessoas esperam para ela.

7. ♎ Libra: São românticos, e sempre dispostos ao amor. Gostam de participar da vida social. São amáveis e simpáticas, muito alegres, elegantes, compreensivas e generosas. Gostam de luxo e conforto, das coisas requintadas, arte, beleza e cultura. Apreciam todo trabalho que dependa da inteligência, habilidade e bom gosto. Gostam de seduzir. São inclinados ao casamento e à vida em família, mas também adoram divertimentos, bem como a companhia de amigos e pessoas cultas. Teria melhor livro para os librianos do que Sr. Daniels, afinal os dois protagonista adoram Shakespeare e o amor.

8. ♏ Escorpião: Possuem grande magnetismo e poder, determinação e criatividade. Inteligentes e arredios têm emoções e sentimentos fortes sendo muito persistentes, mas também podem ser rancorosos e obstinados. Desconfiados e ciumentos, resguardam a sua privacidade a todo custo, e preservam a vida familiar da maneira mais tradicional possível. O sangue frio é sua melhor arma. Despertam a curiosidade das pessoas, graças ao mistério que criam em torno de si. O livro perfeito para o sagitário é Millennium pois Lisbeth é a mais escorpiana das personagens.

9. ♐ Sagitário: Possuem grande generosidade, nobreza, sinceridade e dignidade, bem como uma natureza otimista e jovial, e um caráter justo. Os sagitarianos são inteligentes, de raciocínio brilhante, profundo e lógico. Ensinam e aprendem com igual facilidade. São sempre detalhistas, exigentes, impulsivos. Exuberantes e entusiasmados, podem tender ao exagero, às vezes. Interessam-se por turismo, viagens, aventuras, assuntos comunitários, política, religião, comércio, esportes, e adoram desafios. O livro perfeito para os sagitarianos é A Guerra dos Tronos que exala todas essas características.

10. ♑ Capricórnio: Conferidos de solidez, ambição e cautela. Os capricornianos fazem planos, e têm paciência de deixa-los amadurecer. São modestos, reservados, tranqüilos, práticos e econômicos. São persistentes, e não desistem enquanto não conquistam seus objetivos. Não são amantes de vida social intensa, nem muito comunicativos, entretanto possuem habilidade para comércio e finanças. Corajosos e objetivos, enfrentam situações difíceis com diplomacia. O livro perfeito para os capricorniano é Legend pois Day e June em conjunto possuem todas essas características. Conquistando seus objetivos.

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11. ♒ Aquário: É um signo fraterno, e os aquarianos costumam ser dotados de forte espírito humanitário. São progressistas e muito avançados em suas idéias, o que faz com que sejam considerados, quase sempre, muito adiantados para seu tempo. Para os aquarianos, a vida tem que ter colorido e circunstâncias inusitadas. Independentes, não gostam de estar presos a compromissos, ou sentirem-se amarrados. Um livro para os aquarianos é meu queridinho  O Sol É Para Todos onde Atticus mostra à seus filhos os poderes da justiça contra tudo o que sua sociedade prega.

12. ♓Peixes: Sonhadores, emotivos, muito receptivos, indecisos, sensuais, os piscianos podem ser considerados os mais maleáveis em todo o zodíaco, com todas as características, positivas ou negativas, que esta particularidade possa conferir. Possuem personalidade sensível e impressionável, podendo chegar à instabilidade emocional. São facilmente afetados por pessoas ou ambientes. Por esse motivo, têm facilidade para sentir o problema dos outros como se fosse seu e as vezes, tendem a anular-se ou submeter-se a uma vontade mais firme que a sua. O livro perfeito para os piscianos é  Até Eu Te Possuir para que aprendam as consequências de sua maleabilidade.

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Então é isso amores. Espero que tenham gostado da lista. Confiram a da Keth também. E me digam se concordam ou não com as minhas escolhas. Um beijo!!!!!!!!!!

( Contos ) Maligna – Soraya Abuchaim

Oii queridos. Claro que nesse mês de terror não poderíamos ficar de fora quando temos nada mais nada menos que a Rainha Dark Soraya Abuchaim como parceira. Por isso, a partir de hoje e durante as próximas quartas-feiras até o 31 de outubro, saíram para vocês resenhas dos contos selecionados desta tenebrosa escritora. O primeiro, não poderia ser mais assustador.

Título: Maligna Autora: Soraya Abuchaim Ano: 2018 Páginas: 10
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐

1-maligna-conto-de-soraya-abuchaim1Sinopse: Uma possessão, uma criança, o despertar do terror. Adélia ama sua filha Laura e faria de tudo para protege-la. Mas quando mortes estranhas começam a acontecer  em uma trilha de acasos que parece seguir Laura como uma sombra, Adélia começa a se perguntar porque os acidentes e mortes só acontecem quando a pequena está por perto. Em um enredo abrasador, Soraya Abuchaim coloca em cheque a perversidade escondida em uma criança e o que uma mãe é capaz de fazer para proteger seus segredos.

Quem me conhece sabe o quanto eu amo as histórias da Soraya Abuchaim. Muito embora terror não seja um dos meus gêneros favoritos, o suspense é e a autora sempre o coloca em suas páginas. Com uma narrativa fluída e densa como sangue, Soraya até mesmo nas menores histórias consegue nos deixar reflexivos e sedentos por muito mais.

O grande trunfo de Maligna são os personagens. Pois, muito embora o enredo não seja do mais originais (se você já viu a Orfã ou leu Menina Má pode notar certo grau de intertextualidade), as personagens principais dão o charme a mais que narrativa pede ao exemplificarem dois conceitos cruciais na sociedade mas completamente intocáveis, no sentido de serem reais mais impensáveis como verdades.

Adélia representa a mãe cega que não consegue enxergar a verdade sobre a filha. Ela é carismática e tem um discurso convincente de amor acima de qualquer suspeita. O que toda mãe deve fazer, mas claro sem tapar o sol com a peneira e sim repreender e entender as consequências dos atos de quem estamos criando para o mundo. Já Laura é a representação pura do lobo em pele de cordeiro. Somos trajados a acreditar nela, mesmo que tudo nos diga ao contrário. Através de Laura, Soraya nos mostra a perversidade que se esconde na doçura  e na inocência. O perigo de confiar nas aparências.

Maligna é uma história curta que tem muito a dizer. Se fosse elencar todas as possibilidades de discussão que esse conto tem a oferecer. Apenas posso dizer que para nosso mês das trevas, é uma dica sensacional para quem precisa enxergar além do que as aparências podem nos mostrar.

(Resenha) Amada Imortal – Cate Tiernan – Livro 01

Ler Amada Imortal estava nos meus planos à anos por conta do título e da capa. E fico satisfeita de não ter lido a sinopse que não ajuda muito em revelar qual o verdadeiro propósito da história. Mas apesar de ser surpreendente, alguns pontos críticos me fizeram ter um pé atrás com os próximos livros da trilogia. Pois apesar da premissa muito interessante, o desenvolvimento não conseguiu esta à sua altura.

Título: Amada Imortal | Título original: Immortal Beloved| Série: Amada Imortal 01 | Autora: Cate Tiernan| Editora: Galera Record| Páginas: 280| Ano: 2012| Avaliação: ⭐ ⭐  | Encontre: SkoobSaraivaAmazon

 

amada-imortal-cair-das-trevas-inimigo-sombrio-cate-tiernan-D_NQ_NP_738211-MLB20510785078_122015-F.jpgSinopse: Primeiro livro da bem-sucedida trilogia, mistura fantasia sobre imortais a uma história moderna de uma jovem em busca de si mesma e de redenção. Questões de identidade e moralidade aparecem na trama, protagonizada pela imortal Nastasya. Nascida em 1551, acostumada a beber e sair para baladas cada vez mais loucas, ela perdeu o rumo. Suas conexões com outros imortais, interessados apenas em suas habilidades mágicas, a fazem partir em busca de um propósito. E o encontra em uma espécie de clínica de reabilitação para os de sua espécie, onde conhece um pouco mais sobre o próprio passado e cria importantes laços para o futuro.

A coisa boa de ser imortal é que não dá pra beber até morrer literalmente, como acontece com alguns universitários. A coisa ruim de ser imortal é que não dá pra beber até morrer literalmente, então você acorda na manhã seguinte, ou talvez dois dias depois, e sente tudo o que não precisaria sentir se tivesse tido a sorte de morrer.

Narrado em primeira pessoa, a escrita de Cate Tiernan é dotada de simplicidade. No princípio, há certa demora no desenvolvimento pois os capítulos iniciais são voltados a fuga de Nastasya. Somente depois da sexagésima página o enredo principal se desenvolve. Entretanto, Cate peca em dar mais notoriedade ao romance que ao enredo principal.

Na verdade, o romance assume o papel principal dentro do livro. Engraçado como esse é um problema comum a maioria dos autores, principalmente dentro do gênero sobrenatural. Não me entendam mal, eu gosto do romance. Mas quando ele é equilibrado com os outros viés da trama. Afinal, se fosse para ler romance por romance, eu procuraria um drama ou chick-lit. De modo que parte da minha decepção com o livro foi a perda de história e o favorecimento de casal, quando na verdade a vida de Nastasya e seus poderes imortais pediam maior destaque e elaboração.

O romance em si não chega a ser dos mais apaixonante. Mas talvez seja porque o livro se nortei pelo clichê do gênero gato e rato adicionado ao passado sombrio. De forma que o casal protagonista não me faz vibrar quando juntos, mas quando separados se tornam outros quinhentos. Cate construiu personalidades muito fortes que – literalmente – levaram anos para serem construídas.

Nastasya, apesar da idade, tem uma personalidade um tanto infantil mesmo tendo passado por muitas provações. Mas isso pode ser explicado pois a protagonista não criou responsabilidades ao se impedir de amar e ter relações com mortais. Rein, por outro lado, é dúbio e tem um passado pesado quando descobrimos. O que coloca um ponto fantástico sobre os moldes de sua personalidade em termos de quem ele é e o que pode se tornar. Mas (essa resenha é cheia de poréns infelizmente), a autora não consegue finalizar e dar continuidade a isso de maneira satisfatória, quebrando mais uma vez a narrativa. Pois o final pareceu jogado e as personalidades mudadas. Foi estranho perceber como tudo pareceu em vão, salvo algumas poucas coisas.

Amada Imortal foi um livro de mais baixos do que altos. A autora tinha uma grande história em mãos que foi mal desenvolvida a ponto de se tornar facilmente esquecível. Não me vejo lendo os próximos volumes da série num futuro próximo. Recomendo que a leitura seja feita sem expectativas para aqueles que desejam tirar suas próprias conclusões.

O principal nessa vida é não ser bom o tempo todo. É ser tão bom quanto se pode ser. Ninguém é faz a coisa certa o tempo todo. Não é assim que a vida é.

(Resenha) O Aliciador – Donato Carissi

Em meu primeiro contato com o autor italiano Donato Carissi, a apresentação vem através de um jogo onde o mais cruel dos homens está dando as cartas. Para entender a mente do criminoso, precisamos nos despir de qualquer humanidade e enxergar – através dessas páginas – as escolhas que os seres-humanos fazem quando não estão sendo observados.

Título: O Aliciador | Título original:  Il Suggeritore| Série: Mila Vasquez| Autor: Donato Carissi| Editora: Record| Páginas: 434| Ano: 2009| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐  | Encontre: SkoobSaraivaAmazon

22029588Sinopse: O criminologista Goran Gavila e a equipe de homicídios enfrentam um caso perturbador, que exige toda a habilidade dos policiais do Esquadrão Especial: seis braços direitos são desenterrados em um bosque, cinco meninas entre 9 e 13 anos estão desaparecidas. Liderada por Gavila e pelo Capitão Roche, a equipe segue as pistas do caso e, um a um, os corpos das garotinhas emergem, deixando evidente que o culpado é um serial killer cuja frieza e ferocidade não têm limites. As esperanças de que uma sexta menina esteja viva provocam uma corrida contra o tempo, mas as pistas, em vez de levarem a equipe ao culpado, revelam-se parte de um plano friamente arquitetado pela mente cruel e brilhante do assassino, que parece estar sempre um passo à frente. Em cada cena de crime, novas evidências levam os detetives a acreditar que não se trata de apenas um, mas de vários assassinos, agindo em conjunto. É quando se junta a eles a investigadora Mila Vasquez, especialista em casos de sequestro.Aos poucos a polícia descobre que seu alvo é capaz de assumir as aparências mais variadas, colocando-os à prova incessantemente. Nesse caso, cada vez que o mal vem à luz, traz consigo um agouro, obrigando os detetives a enfrentar sobretudo a escuridão que carregam dentro de si. A investigação se transforma em um jogo de pesadelos habilmente velados, um desafio contínuo.

Mila acreditava que cada um tem seu caminho. Um caminho que leva para casa, para as pessoas mais caras, as quais somos mais ligados. Em geral, o caminho é sempre esse, aprendido na infância, e cada um o segue a vida inteira. Mas algumas vezes esse caminho se quebra. Às vezes recomeça em outro lugar ou, depois de desenhar um percurso tortuoso, retorna ao ponto em que tinha se quebrado. Ou fica em suspenso. As vezes, porém, ele se perde na escuridão.

Donato Carissi tem um narrativa que causa estranheza em seus prós e contras. Apesar de ter gostado da escrita do autor no modo com qual ele expunha os detalhes técnicos do livro em todas suas gamas factuais, o decorrer da narrativa em ganchos reduzia o impacto destes pois constantemente quebrava o ritmo da leitura. Existem autores que sabem trabalhar com narrativas em diversos pontos de vista, mas não posso dizer que Carissi se enquadra nesse time. As cenas colocadas entre os capítulos e dentro deles, muitas vezes não faziam sentido na complexidade da obra e me deixavam com um ponto de interrogação enfeitado na testa.

Outro problema que tive com a narrativa foi a mecanicidade que tudo pareceu transcorrer. Sempre gostei de obras que sejam bem detalhadas, mas isso exige certo grau de sentimentalismo se não acaba por se tornar maçante. Muito embora o livro em si seja dotado de fatos que deixam a história mais próxima do real (o que eu achei o máximo), o modo com o qual eles transcorreram foi pasmem. Mesmo tendo terminado o livro no período de dois dias, admito que foi com bastante esforço para manter a concentração e descobrir a verdade por trás da brutalidade dos assassinatos contra crianças inocentes.

As crianças não veem a morte, porque sua  vida dura um dia, da hora em que acordam a hora em que vão dormir.

Os personagens são bem construídos apesar de me revelarem pouca empatia. Mila, apelido de Maria Helena, é uma policial forte que tem traços perturbadores a revelar. Corajosa, tem disposição a fazer de tudo para encontrar os desaparecidos e apesar de aparentar grande quantidade presunção, não vejo isso como um problema já que esse é um aspecto importante para quem busca fazer extraordinários. Apesar disso, assim como com Goran, Stern, Bóris e Sarah (os outros componentes da equipe) não posso dizer que torci por ela. A falta de emoção do autor comprometeu meu grau de aproximação. O robotismo não me fez ver cada um deles reais.

O que me agradou no livro contudo, foi a permissão que o autor nos deu de imaginar as coisas a medida que a equipe avançava no caso. Por estarmos falando de serial killer, no gênero é mais fácil receber as coisas mastigadas. Somos levados a ver tudo através de binóculos: vemos como se estivéssemos de perto, mas estamos separados por um mar de distância. Aqui, ao contrário, podemos perceber que o autor vai inserindo perguntas que serão respondidas mais à frente, mas que abrem um espaço para que o leitor tente encontrar suas respostas tornando o livro desafiante.

Outro ponto que achei positivo, foi a maneira com o qual as peças foram colocadas. O livro tem vários pontos desencadeadores de ações, a começar pelas meninas sequestradas e mortas que estão sempre a apontar mistérios escondidos. Contudo, como nem tudo são flores, o final acabou ficando mau costurado apesar da crescente perfeita. Donato pareceu não saber como terminar e jogou duas de três peças a grande esmero inserindo dois outros contextos que pelo tom da obra ficaram perdidos. Apesar de que um grande segredo revelado ao fim tenha sido bastante forte e verossímil, o modo com o qual o assassino foi capturado e o epílogo deixaram a desejar pois despedaçou o que poderia ser um fim magnífico. A lição do livro fica, mas tudo mais que poderíamos manter se tornou obsoleto.

Mais do que os sucessos, são as tragédias humanas que unem  as pessoas

Deixando de lado os problemas de narrativa e finalização, posso ressaltar que a prerrogativa do livro é pesada mas bastante válida. Muito embora o título revele pelo menos 40% da obra, é interessante notar como Carissi constrói o Aliciador para que este tenha um papel ativo em sua história mesmo estando tão “longe”. Palavras são fortes e podem despertar os mais terríveis sentimentos. O ser humano contudo não é fraco, mas precisa de empurrãozinho para ceder ao lado obscuro da natureza. O que somos capazes de fazer quando ninguém está olhando define quem somos. Pois é a sensação de poder, de nunca sermos descobertos, é o que nos faz atroz.

O Aliciador é um livro com falhas, mas que vale a pena pelo conceito abordado por Donato Carissi em suas mais de quatrocentas páginas. Todos homens são capazes de escolher e todos podemos ser influenciáveis, mas o que nos define é a capacidade de dizer não para todo mal que causamos no mundo.