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(Algo à ver) Vingadores: Ultimato – Joe e Anthony Russo

Há dez anos, uma franquia ousada surgia no cinema. Os irmãos Russo iniciaram sua jornada para construir filmes interligados que culminariam com a batalha contra Thanos. Desde então, vinte e dois filmes foram lançados. Alguns excelentes, outros nem tanto. Mas todos carregados de um sentimento de pertencimento à algo maior. Agora, com o lançamentos do último filme da primeira grande saga, a série Os Vingadores alcançam um novo patamar de excelência, nos deixando ansiosos para o que podemos esperar nos anos seguintes do MCU.

Obs: Essa resenha não terá spoilers, mas algumas observações sobre o filme serão realizadas.
Título: Os Vingadores – Ultimato | Título original: The Avangers – End Game | Direção: Joe & Anthony Russo | Elenco: Robert Downey Jr, Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansen, Mark Ruffalo, Paul Rudd, e Jeremy Renner | Distribuição: Marvel | Duração: 3h08m | Avaliação: 🍿 🍿 🍿 🍿

Uma questão que nos faz amar o cinema, costuma ser as finalizações de séries que amamos apesar da dor que sentimos pela certeza que não retornaremos a ver nossos personagens queridos. Harry Potter, O Senhor dos Anéis e Logan são provas vivas que as vezes o fim é só o começo para uma lembrança de um tempo inesquecível que passamos à frente das telonas. Não obstante, o mesmo podemos esperar do culmino de dez anos do “Marvel Comics Universe”. Foi uma longa jornada que nos fez rir, chorar e lutar ao lado de nossos heróis favoritos no cinema. Vingadores: Ultimato consegue alcançar a excelência e nos deixar, ao mesmo tempo, tristes e ansiosos para o que está por vir.

O longa inicia vinte dias após o estalar dos dedos em Guerra Infinita. Tony Stark (Robert Donwey Jr) está preso no espaço sem água e comida, ao passo que Natasha Rommanoff (Scarlett Johansen) e Steve Rogers (Chris Evans) lideram uma espécie de resistência contra o titã na terra. Começando sua jornada com a morte pairando em suas cabeças, o caminho traçado pelos protagonista é de redenção e confirmação.

A primeira hora de filme é um tanto maçante, o que não me permite dar nota máxima à película. A reunião dos personagens em prol da reconstrução da equipe é um tanto longa demais, algo que certamente poderia ser contornado. Entretanto, talvez não devêssemos culpar apenas os diretores por esta construção ser o ponto principal da falha, em vista que os irmãos Russo ficaram impossibilitados de criar um primeiro momento espetacular. Afinal, a Marvel está fechando um ciclo de dez anos que têm como principais personagens os fãs. E se por um lado, os fãs são os mais fáceis de agradar pois estão à frente dos seus personagens favoritos, por outro a necessidade que ainda se tem de que os personagens sejam idênticos aos dos quadrinhos, seja por sua história, seja por seus poderes, limitam o sentido totalitário da franquia. Se tornou necessário deixar espaço para que, principalmente, os seis vingadores originais brilhassem, antes da aventura ser realmente iniciada.

Mas quando finalmente o Ultimato engrena, somos levados à um ritmo frenético de emoções que vão desde a mais alta felicidade ao maior dos temores. O filme consegue equilibrar os pontos de humor (sem saturar como em Thor Ragnarok) com as cenas de ação. Apesar da pouca extrapolação da narrativa, a qualidade estética e visual é grandiosa. As batalhas são bem coreografadas para que os heróis tenham seu tempo de tela e possam garantir a consolidação de suas faces, mesmo que poucas, na narrativa.

Por certo que Vingadores se tornou uma espécie de patrimônio cultural. Assim, exatamente como todos os outros filmes da Marvel podemos inserir Ultimato na categoria dos Blockbuster, como um grande espetáculo que tem uma função de agradar sem grandes provocações. Esse é claro, é o grande papel de Marvel Comics no cinema mundial, ao qual tem sua primeira grande finalização de uma forma competente que agradara os fãs e mesmos aqueles que não acompanharam seu universo.

Os trinta minutos finais foram os mais instigantes do filme. Algumas cenas são para rir, outras para aplaudir e algumas para chorar. A força feminina e negra, foram exaltadas e novos caminhos foram abertos. E apesar das perdas, finais felizes foram construídos pelas lembranças deixadas para trás. Em resumo, Os Vingadores: Ultimato deixará marcado em nossos corações o fim épico de uma era que está apenas começando.

 

( RESENHA ) O Demologista – Livro Um

Sempre acreditei que existe um problema comigo ao ler um livro propriamente dito com o terror. Muito embora considere o gênero assustador para o cinema, certamente não consigo sentir o climax de tensão nas obras quando inseridas na literatura. Dessa forma, muito embora a religiosidade e a fantasia tenham me agradado na obra de Andrew Pyper, O Demonologista não cumpriu a missão de me deixar assustada em meio ao seu enredo. Entretanto, muito embora esse problema não tenha sido alcançado, a leitura teve mais altos que baixos e se tornou uma das minhas obras favoritas no gênero.

Título: O Demonologista| Título Original: The Demonologist | Autor: Andrew Pyper | Editora: Darkside Books | Páginas: 358 | Ano: 2015| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

514ehk26JfL._SY445_QL70_.jpgSinopse: “A maior astúcia do Diabo é nos convencer de que ele não existe”, escreveu o poeta francês Charles Baudelaire. Já a grande astúcia de Andrew Pyper, autor de O Demonologista, é fazer até o mais cético dos leitores duvidar de suas certezas. E, se possível, evitar caminhos mal-iluminados. O personagem que dá título ao best-seller internacional é David Ullman, renomado professor da Universidade de Columbia, especializado na figura literária do Diabo – principalmente na obra-prima de John Milton, Paraíso Perdido. Para David, o Anjo Caído é apenas um ser mitológico. Ao aceitar um convite para testemunhar um suposto fenômeno sobrenatural em Veneza, David começa a ter motivos pessoais para mudar de opinião. O que seria apenas um boa desculpa para tirar férias na Itália com sua filha de 12 anos se transforma em uma jornada assustadora aos recantos mais sombrios da alma. Enquanto corre contra o tempo, David precisa decifrar pistas escondidas no clássico Paraíso Perdido, e usar tudo o que aprendeu para enfrentar O Inominável e salvar sua filha do Inferno. Este é um daqueles livros que você não consegue largar até acabar a última página, ainda que vá precisar de muita coragem para seguir em frente. O Demonologista ganhou o Prêmio de Melhor Romance do International Thriller Writers Award (2014), concorrendo com autores como Stephen King. Entrou em diversas listas de melhores livros de 2013, foi finalista do Shirley Jackson Award (2013) e do Sunburst Award (2014), chegou ao topo da lista dos mais vendidos do jornal canadense Globe and Mail e foi publicado em mais de uma dezena de países.

“Um homem razoavelmente promissor, abençoado por uma sorte melhor que a maioria, mas ainda assim uma ruína, a testemunha da morte de uma criança, um suicídio violento.”

O Demonologista é um livro essencialmente pautado sobre a fé cristã. É interessante perceber que os caminhos traçados pelo autor, muito embora tenham grande referência aos poemas de John Milton, Paraíso Perdido, também são coniventes com a religião, principalmente dentro dos preceitos católicos que fluem na comunidade e invocam nossas noções sobre inferno e céu.

Entretanto o autor não cai no pragmatismo ao entregar uma obra sobre bem-e-mal, pois Pyper busca constantemente definir que o místico que nos envolve – e consequentemente o mundo -, como vindouro do crédito que ressaltamos à determinada coisa. Assim a fé deixa de ser simbólica e se torna palpável no sentido acionário da coisa: O Demônio acredita em você, mas precisa que você acredite nele para que possa agir.

Assim sendo, encontrar as referências bíblicas que dão vida ao livo, também é encontrar um pouco dos caminhos feitos pela humanidade e sua constante busca na crença em algo maior que lhe dê alento as provações da vida. Olhando de fora o significado de fé (esquecendo o que acredito sobre a mesma), posso perceber que socialmente a teologia é quase sempre erguida no que o homem acredita e deixa de acreditar, definindo também a natureza divergente das religiões existentes no planeta. Assim, se o crível é o principal do livro, se torna quase que um dos motivos da jornada do autor está na passagem de um homem descrente, para um homem com fé.

❝Não se pode permitir que o impossível leve vantagem sobre o possível. Você resiste ao medo negando-o.❞

Falando em David, acho que poucas vezes vi um personagem masculino escrito por um homem que realmente tivesse interesse em expôr um pouco do sentimentalismo do personagem. Os autores que me perdoem, mas sempre percebo um tom grosseiro nos personagens masculinos ou algo voltado quase que exclusivamente para a inteligência. Como se os sentimentos fossem o que menos importasse. Mas ao construir David, Pyper faz exigência das emoções para salientar os questionamentos do personagem. O que realmente faz todo sentido, se pararmos para pensar que David não somente tem um grande medo de acreditar, quanto grandes certezas do amor que sente pela filha; algo não palpável, mas ainda sim existente.

Assim, o autor cria um misto de emoções que convergem bem na narrativa, mas que se perdem ao chegarmos no final. Como ressaltei no inicio da resenha, Pyper não consegue causar medo, algo corroborado principalmente pelo final. O autor cria algo surpreendente sim, mas que não parece se enquadrar ao sentido da trama. Entretanto, foi anunciado que O Demonologista deve ter uma continuação, então talvez devemos esperar algumas explicações e um fechamento melhor da obra no(s) próximo(s) livros.

O Demonologista é uma leitura que eu recomendo tanto para aqueles que tem e que não tem fé. Não é uma obra doutrinadora, por assim dizer, mas sim um livro diferente do esperado que nos dá questionamentos interessantíssimos para nos fazer desde nossa capacidade à superar os desafios, até as crenças que nos trouxeram até aqui.

—  Há coisas neste mundo que a maioria de nós nunca vê, acabo por falar. —  Nós nos treinamos para não vê-las, ou tentamos fingir que não vimos se elas ocorrem. Mas há uma razão para o fato de, não importa o quão sofisticadas ou primitivas, todas as religiões terem demônios. Algumas podem ter anjos, outras não. Um Deus, deuses, Jesus, profetas — a figura de autoridade máxima varia. Há muitos tipos diferentes de criadores. Mas o destruidor sempre toma, essencialmente, a mesma forma. O progresso do homem tem sido, desde o início, frustrado por provadores, mentirosos corruptores. Criadores de pragas, loucura, desespero. A experiência demoníaca é a única verdade universal de todas as experiências religiosas do homem.❞

 

( Resenha ) A Invasão de Tearling – Érica Johansen – Livro Dois

O segundo livro da trilogia escrita por Érica Johansen atingiu um novo patamar deixando a promessa de uma grande finalização. A história evoluiu para nos deixar com água na boca e promover uma leitura inesquecível de uma série que pode entrar para as melhores que já li.

Esta resenha não terá spoiler.
Para garantir isto pule a sinopse.

Título:  A Invasão de Tearling | Título Original: The Invasion of the Tearling| Autora: Érica Johansen | Editora: Suma| Páginas:  400 | Ano:  2017|  Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ❤️ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir (1).jpgSinopse: Kelsea Glynn é a rainha de Tearling. Apesar de ter apenas dezenove anos e nenhuma experiência no trono, Kelsea ficou rapidamente conhecida como uma monarca justa e corajosa. No entanto, o poder é uma faca de dois gumes. Ao interromper o comércio de escravos com o reino vizinho e tentar conseguir justiça para seu povo, ela enfurece a Rainha Vermelha, uma feiticeira poderosa com um exército imbatível. Agora, à beira de ver o Tearling invadido pelas tropas inimigas, Kelsea precisa recorrer ao passado, aos tempos de antes da Travessia, para encontrar respostas que podem dar ao seu povo uma chance de sobrevivência. Mas seu tempo está acabando… Nesta continuação de A rainha de Tearling, a incrível heroína construída por Erika Johansen volta para outra aventura cheia de magia e reviravoltas.

“Eu acho que esse é o ponto crítico do mal neste mundo, Majestade; os que se sentem no direito de fazer o que quiserem, de ter o que quiserem. Pessoas assim nunca se perguntam se têm direito. Não consideram o custo para ninguém além de si mesmas.”

A narrativa de Érika Johansen é peculiar. Somos trajados por uma escrita diferenciada, cadenciada e com descrições que fundamentam e parafraseiam a trama. Mesmo se tratando de uma fantasia com uma personagem adolescente, seu texto envolve pouca ação e quase nenhum romance, onde a política se sobressai. Parece algo que George R. R. Martin teria escrito, com o diferencial que Johansen tem os pés fixados em nosso mundo – e não na alta-fantasia -, para recriar a realidade que conhecemos para torná-la algo mais.

Mas muito embora a política de Tearling seja um dos grandes focos da trama, esse livro em questão trata bem mais do passado do que da atualidade. A Invasão de Tearling vai ser pautada dentro dos episódios que levaram à construção do país e, consequentemente ao seu declínio. Assim sendo, Johansen traz explicações sobre A Travessia, fato muito falado mas pouco explicado no livro anterior, mas aonde estão alocados os princípios para a fundação da sociedade utópica idealizada por William Tear que se tornou “do passado”, distópica e tão mais próxima do que o futuro nos reserva hoje.

“Nós sempre pensamos que sabemos o que coragem quer dizer. Se eu fosse escolhido, nós dizemos, eu atenderia ao chamado. Eu não hesitaria. Até o momento que chega nossa vez, e aí percebemos que as exigências de verdadeira coragem são bem diferentes do que tínhamos imaginado, muito tempo antes, naquela manhã clara em que nos sentimos corajosos.”

O livro recomeça alguns dias depois de onde A Rainha de Tearling foi finalizado. Kelsea Glynn está lidando com as consequências de suas escolhas. É bom ressaltar que Johansen não cria uma princesa irreal, que não entende os problemas de suas ações ou que os descobre depois de ser tarde de mais. Mas sim uma personagem sábia, criada para ser rainha que coloca seu povo em primeiro lugar. Por esse motivo, diria que Kelsea é uma das minhas personagens favoritas. Sua presença e sua força são verdadeiras, e suas ideias políticas poderiam realmente dar certo.

Mas como havia aludido anteriormente, o livro tem um foco maior nos acontecimentos pré-Tearling. Na primeira obra existem algumas menções à fatos do nosso presente que haviam causado estranhamento. Como uma sociedade medieval poderia ter acesso aos livros de J. K. Rowling? A única explicação seria ser uma sociedade póstuma. De modo que a pergunta mudou para: como a nossa sociedade moderna mudou para uma sociedade medieval?

Assim, com a prerrogativa de Kelsea precisar entender o antes para enfim conquistar um futuro glorioso, somos apresentados à visões do passado pelos olhos de Lily. Foi doloroso acompanhar a história e adianto a vocês que conteúdos pesados – cenas de violência e estupro – surgiram na trama.

O mundo futurístico manifesta-se como um aprofundamento da sociedade patriarcal. Os homens literalmente dominaram o mundo através dos preceitos religiosos tornando-se donos da mulheres. Lily é casada e tem grande estabilidade econômica. Entretanto, tem que suportar as ameaças veladas do marido que ter os filhos que Lily não deseja. Tudo mundo quando ela descobre um movimento, idealizado por William Tear em busca de um horizonte melhor.

Dessa forma, entre presente e passado Joahansen insere um belo paradoxo que envolve as ações de ambas as mulheres: será que o futuro glorioso, quando liderado por alguém de visão, pode ser seguro?

“O sucesso de uma grande migração humana depende do encaixe de muitas peças individuais. Deve haver descontentamento comum status quo desagradável, talvez até intolerável. Deve haver idealismo para motivar o movimento, uma crença poderosa em uma vida melhor além do horizonte. Deve haver grande coragem diante de probabilidades terríveis. Mas, mais do que tudo, toda migração precisa de um líder, a figura indispensável e carismática que até homens e mulheres apavorados vão seguir sem pestanejar em direção ao abismo.”

A Invasão de Tearling é uma obra surpreendente, cheia de política e desafios. Eu não somente indico o livro para os fãs do gênero, como digo que para todos aqueles que precisam de um vislumbre de para onde a sociedade atual está nos levando, esta obra é um horizonte assustador.

( RESENHA ) Sete Pinturas: A Lenda do Fim do Mundo – Landulfo Almeida

Conheci o livro Sete Pinturas: A Lenda do Fim do Mundo no final do ano passado. Como sempre, ignorei a sinopse e olhei diretamente para a capa procurando algo que me chamasse atenção. Pelo título, poderia jurar que se tratava de um livro de romance. Dessa forma, para meu total espanto, quando pus os olhos na imagem de divulgação havia um homem armado, despertando o desejo de entender os aspectos visuais que invocam a obra. E posso dizer que, mesmo tendo demorado mais que o previsto para realizar leitura do livro, valeu a pena cada minuto que passei na Floresta Amazônica.

Título: Sete Pinturas: A Lenda do Fim do Mundo  | Autor: Landulfo Almeida | Publicação independente | Páginas: 408| Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤| Encontre: Skoob | Amazon

51A-bR7vaYLSinopse: Em um passado distante, estranhas pinturas rupestres são encontradas em uma caverna oculta no coração da Amazônia. Considerado sagrado pelos índios, o local está associado a uma lenda ancestral e a uma descoberta fantástica. Ao longo dos anos o segredo é mantido por uma única família e confere a ela grande poder e fortuna. Nos dias atuais, apenas dois homens, Raphael Roman Dummas e Marcos Cleanfield, têm completo conhecimento sobre a verdadeira natureza da descoberta e ambos têm interpretações diferentes sobre a lenda e suas ramificações. A morte, sem explicação científica, de milhares de pássaros e uma tentativa de assassinato alteram o equilíbrio pacífico de forças sustentado até então por Raphael e Marcos.  Dois amigos, Daniel e Érica, criados em um orfanato como irmãos, sem perceber são catapultados ao epicentro do conflito e se verão cada vez mais embrenhados em uma rede de intrigas e espionagem.  Uma mulher misteriosa, dotada de habilidades incomuns, um inimigo desconhecido, atentados, estranhos eventos naturais, paixões e morte farão com que alianças sejam criadas e destruídas. Dilemas éticos e morais, e a dificuldade de definir onde está a verdade permeiam a história e cada decisão de seus personagens. Na floresta amazônica, durante um confronto repleto de ação, uma revelação aterradora transformará a luta entre Raphael e Marcos em uma batalha pela salvação da humanidade.

Posso contar nos dedos quantos livros nacionais realmente me trouxeram leituras impactantes. Muitas dessas obras, são escondidas sob o véu do anonimato. Ou seja, os autores publicam-se de forma independente, e não importa quanto talento possuam, as editoras deixam que o dinheiro fale mais alto. Não cabe a mim julgar, mas posso dizer que Landulfo Almeida é a prova que muitas vezes talento está escondido atrás dos holofotes, ao invés de à frente deles. O autor é dono de uma escrita poderosa, relevante que criam um misto de surpresas incapazes de deixar o leitor desatento às suas páginas. Sete Pinturas é uma pérola da escrita nacional, calcada para ser inesquecível por aqueles que se deixarem ir além das obras mais famosas.

Sete Pinturas é narrado em terceira pessoa e sempre tive um afinco maior com obras das quais os autores prezam por detalhar imagens, sentimentos e consequentemente situações. Landulfo tem uma escrita detalhista, um tanto rebuscada, mas fluida que ajudam e muito na criação do cenário. Mas principalmente, preenchem as lacunas necessárias a construção do enredo, que por sua vez é muito bem intrincado. Inicialmente, parece que nada faz sentido, até que sucessivamente as peças se encaixam para surpreender o leitor  seguindo um caminho longe do esperado.

Mas o ponto alto da obra, foram os personagens e os dilemas morais compatíveis ao da sociedade atual. Os personagens são palpáveis, cheios de dualidade. Não podemos em ambos, Raphael e Marcos separadamente, mas sim nos dois juntos como parte de um todo. Ambos são carismáticos a ponto de envolverem o leitor em um jogo de mocinho e vilão. Poucas vezes, falando da literatura como um todo, vi personagens tão bem elaborados. E muito embora não sejam apenas eles os donos da trama, para mim. todo brilho e louros da obra são direcionados as suas aparições.

Sete Pinturas: A Lenda do Fim do Mundo é uma obra sensacional dotada de peculiaridades que deixaram o leitor de queixo caído. Eu recomendo bastante essa obra, não somente pelo suspense, mas por toda a brasilidade que ele apresenta.

 

( Resenha ) O Trono Lobo Gris – Cinda Williams Chima – Livro 03

O terceiro livro da série iniciada em O Rei Demônio acabou sendo uma grande decepção. Não seria uma eufemismo dizer que tudo poderia ser resumido em dois capítulos e estou estarrecida com a maneira com o qual Cinda Williams Chima deu continuidade à brilhante história que tinha em mãos.

Título:  A Coroa Escarlate | Título Original: | Autora:  Cinda Williams Chima | Editora:  Suma | Páginas: 256 | Ano: 2016 | Avaliação: ⭐ ⭐  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

images440867043.jpegSinopse: Han Alister pensou que já havia perdido todas as pessoas que amava, mas, ao encontrar Rebecca Morley à beira da morte nas Montanhas Espirituais, percebe que nada é mais importante do que salvá-la. O preço que paga por isso é alto, e nada poderia preparar Han para o que descobre em seguida: a garota que ele conhece pelo nome de Rebecca é, na verdade, Raisa ana’Marianna, a princesa-herdeira de Fells. Magoado e se sentindo traído, Han tem certeza de que não há futuro para ele ao lado da herdeira do trono. Além do mais, ainda nutre ódio pela família real, que permitiu que sua mãe e irmã fossem assassinadas. Enquanto isso, forças parecem se unir para impedir que Raisa suba ao trono. A cada atentado contra sua vida, ela se pergunta quanto tempo terá até que seus inimigos vençam. Com ameaças surgindo de todos os lados, Raisa só pode contar com sua inteligência e força de vontade para sobreviver – e mesmo isso pode não ser o bastante quando a força do destino é cruel e inevitável.

A narrativa de Chima é bastante curiosa. Muito embora eu não tenha gostado da maneira com o qual a evolução dessa obra se deu, ainda sim gostei bastante da escrita da autora. Em realidade, foi uma das poucas coisas que me fizeram ativas durante a leitura. A necessidade de ter sempre mais da obra colocada em prática, o que claro deixa tudo mais fácil de ser digerido.

E ironicamente, esse foi um dos meus maiores problemas com a obra. Essa sensação de necessidade costuma levar à um apice da leitura. Quando esse apice não chega, vem uma frustração e o sentimento da obra não ter sido frutífera ou algo que valesse à pena de ser. E muito embora A Coroa Escarlate tenha seus méritos, essa espera  que nunca acontece aliada o final adrupto dá a sensação de que tudo poderia ser resumido em alguns poucos capítulos.

Mais da metade do livro se passa para que Han encontre Raisa e os dois possam retornar à Fells. Como se em um círculo vicioso, voltamos ao livro dois os eventos parecem se repetir. Nesse meio tempo, acredito que a autora poderia ter expandido seu círculo narrativo pois tudo ficou bastante reduzido sem nada de relevante acontecendo. Sabe aquela cena do Dr. Doolittle quando o cachorro diz: faixa-faixa-faixa-faixa? Basicamente aqui nós temos um dejavu: floresta-cavalo-floresta-cavalo.

Quando finalmente nós conseguimos sair do círculo, a Chima conseguiu destruir meu respeito pelo seu melhor personagem. A atitude foi tão hipócrita que não consigo mensurar. Imaginem vocês que existe algo que vocês escondem pois poderia ser perigoso para os outros se eles soubessem. Quando você encontra alguém na mesma situação, o certo seria dar apoio e não julgar. E é exatamente isso o que o personagem faz fazendo-me criar um ranço tão grande que seria capaz de matá-lo.

Mas para não dizer que A Coroa Escarlate foi uma leitura perdida, o vislumbre do jogo pelo trono que está por vir no último volume deixou-me ansiosa para a continuação. Eu só espero que Chima tenha muito mais à apresentar que florestas e cavalos.

 

( Resenha ) Arquidata: A Dama da Espada e O Segredo do Medalhão – Raquel Cassiano – Livro Um.

Quando surgiu a oportunidade de ler o livro de Raquel Cassiano, a sinopse prontamente me agradou, e muito embora alguns pontos não tenham me agradado tanto, foi uma leitura excepcional de uma série que promete ficar cada vez melhor.

Título: Arquidata – A Dama da Espada e O Segredo do Medalhão | Autora: Raquel Cassiano | Editora: Chiado Books| Páginas: 333 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Skoob | Saraiva 

AF_ArquidataSinopse: A jovem, pode-se dizer, não teve muita sorte na vida….Ainda criança, foi encontrada no mar sem nenhuma lembrança de quem era, de onde vinha ou de como chegara até ali. O nome que, supostamente era seu, estava num lenço encontrado em suas roupas, do qual ela nada sabia. Acabou sendo deixada em Aura, uma cidade pequena, mas muito inquieta. Enviada ao orfanato local, a menina sem memória tem de se adaptar as condições quase sub-humanas de sua nova vida atendendo aos desmandos da Senhora Oliver, a dona do lugar. Uma mulher que apesar do nome doce, era tão amarga quanto fel. Ranzinza, rude e mesquinha ela dedicava seus dias a fazer da vida dos internos um inferno. Gaia, como árvore no deserto, sobrevive ao descaso e amargura da velha senhora. Seu prêmio? Trabalhar, como criada, na escola de  Vale Verde, a única da cidade. Lá, mais uma vez, ela se depara com humilhações e maus tratos, até que conhece Meredith Walorne, uma professora destemida e misteriosa que fará sua vida pacata e sem expectativas tomar um rumo inesperado.

A narrativa de Raquel Cassiano é sem dúvidas o ponto mais forte desse livro. Fluída e ao mesmo tempo madura, Arquidata – A Dama da Espada e O Segredo do Medalhão se torna aquele livro que você lê em uma sentada. Narrado em terceira pessoa, o livro nada em situações que nos levam a refletir sobre diversos assuntos necessários ao círculo mundial,  além de nos imergir em uma aventura sobre coragem e amizade. É certo que eu esperava dizer uma maior exploração na ambientação do livro, mas ainda sim o espaço da narrativa é bem utilizado para criar uma boa dinâmica entre os dois.

Por falar em assuntos necessários, Cassiano tem um foco muito interessante no trabalho infantil e nas condições que este é realizado. Foi um ponto importante para a construção do enredo, principalmente no que se refere aos personagens e suas personalidades dando-nos visão do significado futuro de suas atitudes.

Apesar disso, não posso dizer que gostei dos personagens a ponto de me apegar à algum deles. Mas acredito que seja em virtude do meu olhar pessoal do que realmente para com obra. Gaia, por exemplo, foi um contraponto. Alguns autores costuma imprimir uma personalidade mais forte para crianças, e mesmo que seja parte do enredo, isso costuma dar uma certa “adultificação” ao personagem que particularmente não gosto. Algo que se perpetuou mesmo com enquanto Gaia ficava mais velha.

O arco narrativo do livro se desenvolve em certas fases, que acompanham Gaia desde sua chegada na cidade. Embora a primeira fase seja um tanto lenta, a segunda atinge o ápice do livro finalmente apresentando as questões que nos levam a leitura. Apesar disso, achei o final um tanto adrupto. Como se faltasse respostas. Mas isso deve-se ao fato de ser o primeiro livro de uma série.

Arquidata – A Dama da Espada e O Segredo do Medalhão é uma obra interessante de uma série que deve alcançar boas proporções. Para todos aqueles que amam fantasia é um livro maravilhoso e para quem começar  o gênero.

(Resenha) Tudo e Todas As Coisas — Nicola Yoon

Em minha última leitura de 2019, Tudo e Todas As Coisas foi um livro surpreendentemente delicado. Apesar de não ter conseguido me apegar profundamente aos personagens do livro, também não posso negar que a história de Nicola Yoon aqueceu meu coração.

Título: Tudo e Todas As Coisas | Título Original: Everything, Everything | Autora: Nicola Yoon | Editora:  Novo Conceito | Ano: 2016 | Páginas: 304 | Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon 

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Sinopse: Primeiro lugar na lista de mais vendidos do The New York Times. “Uma história emocionante que sai da mesmice e explora as esperanças, os sonhos e os riscos inerentes ao amor em todas as suas formas.” – Kirkus Reviews Tudo envolve riscos. Não fazer nada também é arriscado. A decisão é sua. “A doença que eu tenho é rara e famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Não saio de casa. Não saí uma vez sequer em 17 anos. As únicas pessoas que eu vejo são minha mãe e minha enfermeira, Carla. Então, um dia, um caminhão de mudança para na frente ¬da ¬casa ao lado. Eu olho pela janela e o vejo. Ele é alto, magro e está todo de preto: blusa, calça jeans, tênis e um gorro que cobre o cabelo. Ele percebe que eu estou olhando e me encara. Seu nome é Olly. Talvez não seja possível prever tudo, mas algumas coisas, sim. Por exemplo, vou me apaixonar por Olly. Isso é certo. E é quase certo que isso vai provocar uma catástrofe.”

“Às vezes você faz as coisas pelos motivos certos e em outras pelos errados. Há ainda aquelas vezes em que é impossível saber a diferença.”

Tudo e Todas As Coisas é o tipo de livro que você lê em uma sentada. Literalmente, eu peguei o livro e o finalizei em algumas horas. A Nicola Yoon escreve com simplicidade sem fazer dramas além do necessário, muito embora o gênero e o enredo do livro denotasse que poderia haver isso. De certa forma, é como se a autora desejasse que a história de Ollie e Madeline fosse contada por si mesma. Apesar de que a história possui uma grande quantidade de clichês, existem certas surpresas pelo caminho que deixam a leitura de certo modo inesquecível.

Mas ao mesmo tempo que eu gostei da escrita de Yoon, não posso dizer o mesmo da narrativa. As duas coisas não são exatamente sinônimos. Enquanto a escrita envolve a maneira com o qual a autora coloca as palavras a narrativa envolve o enredo e os caminhos que o levam do início à conclusão. E nesse ponto, Yoon deveria ter descartado grande parte de sua simplicidade e fechado a obra com mais “paixão”, por assim dizer. Pois tudo aquilo que o livro trouxe permaneceu aberto dando a impressão que Yoon pensou no plot twist, mas foi incapaz de pensar nas consequências. De modo que o livro se tornou meio genérico, quase que uma cópia de tantos outros.

Entretanto, não posso dizer que a obra em si foi um desperdício do qual se salva apenas a escrita pois a protagonista da obra me fez sorrir de orelha a orelha quase em toda leitura. Madeline é encantadora e traz uma força não comum para as mocinhas de sua idade. Forte, mas nem por isso arrogante, ela tem potencial para conquistar o mundo aludindo ao título da obra.

Tudo e Todas As Coisas é uma obra interessante, com uma ótima premissa, mas um desenvolvimento ruim. Eu recomendo que vocês leiam com calma, sem muitas expectativas. O bom e velho removedor de ressaca literária.

 

(Resenha) Duff – Kody Keplinge

Oi Corujinhas. Nesses últimos dias tenho lido livros que me indicaram a meses ou ano, mas que eu nunca realmente tinha parado para ler. Acredito que todo leitor tenha sua longa lista de procrastinação e comigo não é diferente. Mas acreditem quando digo que ler metas antigas pode ser gratificante de uma maneira diferente. De certa forma, é como nos reconectar com nossos “eus” do passado. E mesmo com suas falhas, foi exatamente isso que The Duff me proporcionou.

DUFF_1452889754547922SK1452889754BTítulo:  Duff | Titulo original: The Duff | Autor: Kody Keplinge| Editora:  Globo Alt| Ano: 2016 | Páginas: 328 | Avaliação: ⭐⭐⭐ | Encontre: Saraiva | Skoob | Amazon

Sinopse: Bianca Piper não é a garota mais bonita da escola, mas tem um grupo leal de amigas, é inteligente e não se importa com o que os outros pensam dela (ou ela acha). Ela também é muito esperta para cair na conversa mole de Wesley Rush – o cara bonito, rico e popular da escola – que a apelida de DUFF, sigla em inglês para Designated Ugly Fat Friend, a menos atraente do seu grupo de amigas. Porém a vida de Bianca fora da escola não vai bem e, desesperada por uma distração, ela acaba beijando Wesley. Pior de tudo: ela gosta. Como válvula de escape, Bianca se envolve em uma relação de inimizade colorida com ele. Enquanto o mundo ao seu redor começa a desmoronar, Bianca descobre, aterrorizada, que está se apaixonando pelo garoto que ela odiava mais do que tudo.

A narrativa de Keplinge foi um dos pontos que mais me chamaram atenção enquanto eu lia o Duff. Sem dar muitas abas aos melodramas, e ainda sim não esquecendo deles no contexto narrativo, a autora conseguiu dar o livro uma aparência única de sobriedade e paixão. Contudo, a essa sobriedade por vezes ficou em demasiada, já que Keplinge também não possui o espírito de alongar as coisas para além da história principal, deixando alguns pontos abertos até de mais que denotaram uma grande falha na narrativa.

Além disso, é certo afirmar que não shippei o casal principal como é típico de um romance adolescente. Pelo contrário, considero, o romance fraco e talvez um pouco apelativo no sentido sexual e sentimental da coisa. Contudo, os personagens separadamente são bastantes interessantes por si só. Principalmente Bianca. Wesley tem as características de um New Adult, de bad boy com vários problemas. Mas Bianca, traz para o livro Keplinge algo novo, que não se mantém no esteriótipo.

Ao entendermos que o foco principal de Keplinge não é apenas criar um romance e sim falar sobre adolescência e todos os medos esta pode nos trazer, Bianca ultrapassa as barreiras da ficção e se torna uma amiga, que nos confidencia seus segredos nos mostrando que o medo de não ser aceito pode passar por todos os tipos de adolescentes. A trajetória de Bianca é muito mais de autoconfiança do que de um romance, tornando o livro muito satisfatório.

Apesar das claras falhas, Duff apresenta motivos sólidos para não ser ignorado. Se todos nós algum dia nos sentimos melhores por conta das palavras de outrem, poderá na narrativa de Kody Keplinge que encontraremos os primeiros para aprender sobre auto-valorização.

(Resenha) Fúria Vermelha – Pierce Brown – Livro 01

Conheci Fúria Vermelha através da Danii (O Clube do Farol) e mesmo com algumas explicações dela, com certeza eu não estava esperando o que me alcançou ao ler o primeiro livro da trilogia Red Rising. Em um misto de Jogos Vorazes e Percy Jackson, a obra de Pierce Brown apesar de imperfeita, não deve ser ignorada.

Título: Fúria Vermelha | Titulo original: Red Rising| Série:  Red Rising #01| Autor: Pierce Brown| Editora: Globo Livros | Ano: 2014| Páginas; 468 | Avaliação: ⭐⭐⭐⭐ | Encontre: Saraiva | Skoob | Amazon
Fúria Vermelha

Sinopse: Fúria Vermelha é o primeiro volume da trilogia Red Rising, e revive o romance de ficção científica que critica com inteligência a sociedade atual. Em um futuro não tão distante, o homem já colonizou Marte e vive no planeta em uma sociedade definida por castas. Darrow é um dos jovens que vivem na base dessa pirâmide social, escavando túneis subterrâneos a mando do governo, sem ver a luz do sol. Até o dia que percebe que o mundo em que vive é uma mentira, e decide desvendar o que há por trás daquele sistema opressor. Tomado pela vingança e com a ajuda de rebeldes, Darrow vai para a superfície e se infiltra para descobrir a verdade.

A morte não é vazia como você afirma ser. Vazia é a vida sem liberdade, Darrow.  Vazio é viver acorrentado pelo medo, pelo medo das perdas, pelo medo da morte. Digo que a gente precisa romper essas correntes. Rompa as correntes do medo e você estará rompendo as correntes que prendem a gente aos Ouros, à Sociedade

Entre tantos pontos positivos, a narrativa de Pierce Brown é minha única ressalva nesta obra. Muito embora e eu tenha apreço por jogos sangrentos, força avassaladora e sentimentos conflitantes dos quais o autor cumpriu cada um desses pré-requisitos, sua escrita lenta deixou a história cansativa. Momentos de ação são realizados em no máximo duas páginas, enquanto narrativas sobre convívio estendem-se mais do do que o necessário. A união das duas coisas resultou em uma escrita plácida e as vezes irritante, pois não há um crescimento gradual que dificulta a manutenção do foco.

Mas se Brown peca na narrativa, o enredo e os personagens conseguem dar o embalo para que não abandonemos a leitura. É certo afirmar que o livro não tem novidades para com o gênero e talvez grande parte disso seja a época que foi lançada. Estamos falando de uma distopia publicada em 2014, no auge do gênero onde morte, jogos e uma sociedade dividida por castas sociais eram determinantes. Mas quando o autor escreve Fúria Vermelha, não se deixa levar apenas por tais estigmas. Existe uma prerrogativa inevitável na obra que faz o lançamento de seus personagens aos extremos.

O homem não pode ser libertado pela mesma injustiça que o escravizou

Como seres sociais, nós seres humanos temos certas tendencias em acreditar no que a sociedade nos diz, já que nos sentir parte e ser aceito se torna uma espécie de meta. Mas se Matrix serve de exemplo, nem tudo que reluz é ouro, nem todo governo é transparente e nem toda realidade é como vemos. Partindo desse conceito, Brown constrói um mundo perverso rodeado por paredes invisíveis feitas da mentira contada para os vermelhos habitantes de Marte. Somos levados a acreditar em coisas, mas principalmente absorvê-las como cultura.

Só que a mentira não dura para sempre, e quando esta se quebra, surge algo novo no seu lugar. Darrow, protagonista da obra, é um tanto hedonista, mas nem por isso é arrogante ou presunçoso. Ele simplesmente sabe de todas suas forças usando-as ao seu bel prazer. Ao decorrer do livro, Darrow cresce como pessoa e aprende a natureza do ser político, onde extermínio e política não são a mesma coisa.

Entretanto, o grande xeque do livro são os personagens secundários que dão as aparências sociais que o livro necessita para ser mais profundo. Ora, se a sociedade não é aquilo que esperamos para ela, as pessoas também não deve ser. Em suas individualidades, os ouros e vermelhos que margeiam o livro para demonstrar o mais cruel ou o mais gentil. Mustang, Sevro e Cassius foram provavelmente meus personagens favoritos pela audácia que Brown teve em humanizar até seus aspectos mais cruéis.

Vocês não me seguem porque eu sou o mais forte. Pax é o mais forte. Vocês não me seguem porque eu sou o mais inteligente. Mustang é a mais inteligente. Vocês me seguem porque não sabem para onde estão indo. Eu sei.

Fúria Vermelha é uma obra espetacular que deveria ser lida por todas as pessoas. Muito embora encontre-se em uma grande falha, seus méritos não devem ser ignorados, pois Pierce Brown traz uma sociedade que engloba várias ideologias. Fascismo, comunismo e ditadura fazem parte da abordagem do autor. E para o momento que não só o Brasil, mas o mundo tem vivido de intolerância e medo, Fúria Vermelha é um ótimo prenúncio do que podemos virar.

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( Motive-Se ) O Sol É Para Todos – Harper Lee

Oi Corujinhas. Vocês devem ter notado que nas últimas semanas eu tenho andado sumida. O motivo são as obrigações da faculdade que tem me tirado o sono. Mas estou tentando sempre ficar em “forma” para vocês. Semanas que vem os posts vão voltar a sair no prazo certo, por assim dizer e voltarei as minhas visitas com regularidade. Não desistam de mim!!

No post de hoje vou trazer três motivos para vocês lerem meu livro favorito no drama. O Sol É Para Todos, li em 2013 mais ou menos, e ainda permanece como uma das leituras mais gratificantes de todos os tempos.

Titulo: O Sol É Para Todos
Título Original: To Kill A Mockinbird
Autora: Harper Lee
Editora: José Olímpio
Ano: 1960
Páginas: 317
Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ❤️
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

1. Enredo.

O Sol É Para Todos conta a história de duas crianças no árido terreno sulista norte-americano da Grande Depressão no início dos anos 1930 que testemunham a ignorância e o preconceito em sua cidade, Maycomb – símbolo dos conservadores estados do sul dos EUA, empobrecidos pela crise econômica, agravante do clima de tensão social. Filhos do advogado Atticus Finch, encarregado de defender Tom Robinson, um homem negro acusado de estuprar uma jovem branca, os irmãos percebem o racismo do pequeno município do Alabama onde moram. Nos três anos em que se passa a narrativa, deparam-se com diversas situações em que negros e brancos se confrontam. Dessa forma, a história demonstra a inocência de duas crianças para com o preconceito e com as injustiças das escolhas por cor.

2. Pregorrativas.

Muito embora a priori o sentido da narrativa seja tratar de racismo, enquanto a leitura é concebida percebemos que envolve todas as camadas do preconceito. Mulheres rechaçadas por serem mulheres. Preconceito de não conhecer o outro e julgar pequenas ações, ou pelo que você ouve, quando se tratam de inverdades. A história é um manifesto pela igualdade tão comum à época que foi escrito (1960, o apartheid vigorando nos Estados Unidos) quanto à nossa onde as os pobres, principalmente os negros, precisam andar de sobreaviso para não sofrerem ataques. Onde os pais precisam dar instruções para os filhos sobre como se portar à frente da polícia. O livro rasga a verdade sobre pessoas que foram destruídas por preconceito. Sobre famílias que foram quebradas. Mas principalmente, a morte do direito humano de ser igual aos outros.

3. Os personagens.

Mas se as pregorrativas e o enredo dão um gostinho inicial ao livro, são os personagens que transformam a obra em um livro inacreditável. Narrado pela sensível Jean Louise, Scout, a sensibilidade no olhar da jovem revela os desígnios da sociedade racista, onde as diferenças não são aceitas. Jem, seu irmão, é a representação da raiva perante as injustiças e o não entendimento das situações.  Atticus é a índole no sentido mais humano da palavra. Ele tem plena consciência do que é certo e luta para mostrar aos filhos o mundo pelo qual eles devem lutar. Boo Radley a prova do preconceito das invenções, dona Mauddie do rechaço as invenções sociais e Callpurnia do medo que domina os negros. Todos os personagens são exaltados para representarem alguma coisa. Alegóricos, são sentimentos. Fantásticos, são instituições. Populares, são classes sociais. Todos trajados para serem melhores e maiores que qualquer humano poderia ser, mas que todos nós deveriam tentar.

Mas antes de aprender a viver com os outros eu tenho de aprender a viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo é a única coisa que não deve se subjulgar a regra da maioria.

O Sol É Para Todos tem uma narrativa fluida e se torna um livro gratificante. Dotado de profundidade, amor e principalmente ingenuidade é uma obra para ser lida por todas as idades pelos ensinamentos que Harper Lee traz. Eu recomendo esse livro de todo meu coração. É um clássico sim, mas principalmente um livro atemporal que surge como um caminho para entender as diferenças.