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(Resenha) Amada Imortal – Cate Tiernan – Livro 01

Ler Amada Imortal estava nos meus planos à anos por conta do título e da capa. E fico satisfeita de não ter lido a sinopse que não ajuda muito em revelar qual o verdadeiro propósito da história. Mas apesar de ser surpreendente, alguns pontos críticos me fizeram ter um pé atrás com os próximos livros da trilogia. Pois apesar da premissa muito interessante, o desenvolvimento não conseguiu esta à sua altura.

Título: Amada Imortal | Título original: Immortal Beloved| Série: Amada Imortal 01 | Autora: Cate Tiernan| Editora: Galera Record| Páginas: 280| Ano: 2012| Avaliação: ⭐ ⭐  | Encontre: SkoobSaraivaAmazon

 

amada-imortal-cair-das-trevas-inimigo-sombrio-cate-tiernan-D_NQ_NP_738211-MLB20510785078_122015-F.jpgSinopse: Primeiro livro da bem-sucedida trilogia, mistura fantasia sobre imortais a uma história moderna de uma jovem em busca de si mesma e de redenção. Questões de identidade e moralidade aparecem na trama, protagonizada pela imortal Nastasya. Nascida em 1551, acostumada a beber e sair para baladas cada vez mais loucas, ela perdeu o rumo. Suas conexões com outros imortais, interessados apenas em suas habilidades mágicas, a fazem partir em busca de um propósito. E o encontra em uma espécie de clínica de reabilitação para os de sua espécie, onde conhece um pouco mais sobre o próprio passado e cria importantes laços para o futuro.

A coisa boa de ser imortal é que não dá pra beber até morrer literalmente, como acontece com alguns universitários. A coisa ruim de ser imortal é que não dá pra beber até morrer literalmente, então você acorda na manhã seguinte, ou talvez dois dias depois, e sente tudo o que não precisaria sentir se tivesse tido a sorte de morrer.

Narrado em primeira pessoa, a escrita de Cate Tiernan é dotada de simplicidade. No princípio, há certa demora no desenvolvimento pois os capítulos iniciais são voltados a fuga de Nastasya. Somente depois da sexagésima página o enredo principal se desenvolve. Entretanto, Cate peca em dar mais notoriedade ao romance que ao enredo principal.

Na verdade, o romance assume o papel principal dentro do livro. Engraçado como esse é um problema comum a maioria dos autores, principalmente dentro do gênero sobrenatural. Não me entendam mal, eu gosto do romance. Mas quando ele é equilibrado com os outros viés da trama. Afinal, se fosse para ler romance por romance, eu procuraria um drama ou chick-lit. De modo que parte da minha decepção com o livro foi a perda de história e o favorecimento de casal, quando na verdade a vida de Nastasya e seus poderes imortais pediam maior destaque e elaboração.

O romance em si não chega a ser dos mais apaixonante. Mas talvez seja porque o livro se nortei pelo clichê do gênero gato e rato adicionado ao passado sombrio. De forma que o casal protagonista não me faz vibrar quando juntos, mas quando separados se tornam outros quinhentos. Cate construiu personalidades muito fortes que – literalmente – levaram anos para serem construídas.

Nastasya, apesar da idade, tem uma personalidade um tanto infantil mesmo tendo passado por muitas provações. Mas isso pode ser explicado pois a protagonista não criou responsabilidades ao se impedir de amar e ter relações com mortais. Rein, por outro lado, é dúbio e tem um passado pesado quando descobrimos. O que coloca um ponto fantástico sobre os moldes de sua personalidade em termos de quem ele é e o que pode se tornar. Mas (essa resenha é cheia de poréns infelizmente), a autora não consegue finalizar e dar continuidade a isso de maneira satisfatória, quebrando mais uma vez a narrativa. Pois o final pareceu jogado e as personalidades mudadas. Foi estranho perceber como tudo pareceu em vão, salvo algumas poucas coisas.

Amada Imortal foi um livro de mais baixos do que altos. A autora tinha uma grande história em mãos que foi mal desenvolvida a ponto de se tornar facilmente esquecível. Não me vejo lendo os próximos volumes da série num futuro próximo. Recomendo que a leitura seja feita sem expectativas para aqueles que desejam tirar suas próprias conclusões.

O principal nessa vida é não ser bom o tempo todo. É ser tão bom quanto se pode ser. Ninguém é faz a coisa certa o tempo todo. Não é assim que a vida é.

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(Resenha) O Aliciador – Donato Carissi

Em meu primeiro contato com o autor italiano Donato Carissi, a apresentação vem através de um jogo onde o mais cruel dos homens está dando as cartas. Para entender a mente do criminoso, precisamos nos despir de qualquer humanidade e enxergar – através dessas páginas – as escolhas que os seres-humanos fazem quando não estão sendo observados.

Título: O Aliciador | Título original:  Il Suggeritore| Série: Mila Vasquez| Autor: Donato Carissi| Editora: Record| Páginas: 434| Ano: 2009| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐  | Encontre: SkoobSaraivaAmazon

22029588Sinopse: O criminologista Goran Gavila e a equipe de homicídios enfrentam um caso perturbador, que exige toda a habilidade dos policiais do Esquadrão Especial: seis braços direitos são desenterrados em um bosque, cinco meninas entre 9 e 13 anos estão desaparecidas. Liderada por Gavila e pelo Capitão Roche, a equipe segue as pistas do caso e, um a um, os corpos das garotinhas emergem, deixando evidente que o culpado é um serial killer cuja frieza e ferocidade não têm limites. As esperanças de que uma sexta menina esteja viva provocam uma corrida contra o tempo, mas as pistas, em vez de levarem a equipe ao culpado, revelam-se parte de um plano friamente arquitetado pela mente cruel e brilhante do assassino, que parece estar sempre um passo à frente. Em cada cena de crime, novas evidências levam os detetives a acreditar que não se trata de apenas um, mas de vários assassinos, agindo em conjunto. É quando se junta a eles a investigadora Mila Vasquez, especialista em casos de sequestro.Aos poucos a polícia descobre que seu alvo é capaz de assumir as aparências mais variadas, colocando-os à prova incessantemente. Nesse caso, cada vez que o mal vem à luz, traz consigo um agouro, obrigando os detetives a enfrentar sobretudo a escuridão que carregam dentro de si. A investigação se transforma em um jogo de pesadelos habilmente velados, um desafio contínuo.

Mila acreditava que cada um tem seu caminho. Um caminho que leva para casa, para as pessoas mais caras, as quais somos mais ligados. Em geral, o caminho é sempre esse, aprendido na infância, e cada um o segue a vida inteira. Mas algumas vezes esse caminho se quebra. Às vezes recomeça em outro lugar ou, depois de desenhar um percurso tortuoso, retorna ao ponto em que tinha se quebrado. Ou fica em suspenso. As vezes, porém, ele se perde na escuridão.

Donato Carissi tem um narrativa que causa estranheza em seus prós e contras. Apesar de ter gostado da escrita do autor no modo com qual ele expunha os detalhes técnicos do livro em todas suas gamas factuais, o decorrer da narrativa em ganchos reduzia o impacto destes pois constantemente quebrava o ritmo da leitura. Existem autores que sabem trabalhar com narrativas em diversos pontos de vista, mas não posso dizer que Carissi se enquadra nesse time. As cenas colocadas entre os capítulos e dentro deles, muitas vezes não faziam sentido na complexidade da obra e me deixavam com um ponto de interrogação enfeitado na testa.

Outro problema que tive com a narrativa foi a mecanicidade que tudo pareceu transcorrer. Sempre gostei de obras que sejam bem detalhadas, mas isso exige certo grau de sentimentalismo se não acaba por se tornar maçante. Muito embora o livro em si seja dotado de fatos que deixam a história mais próxima do real (o que eu achei o máximo), o modo com o qual eles transcorreram foi pasmem. Mesmo tendo terminado o livro no período de dois dias, admito que foi com bastante esforço para manter a concentração e descobrir a verdade por trás da brutalidade dos assassinatos contra crianças inocentes.

As crianças não veem a morte, porque sua  vida dura um dia, da hora em que acordam a hora em que vão dormir.

Os personagens são bem construídos apesar de me revelarem pouca empatia. Mila, apelido de Maria Helena, é uma policial forte que tem traços perturbadores a revelar. Corajosa, tem disposição a fazer de tudo para encontrar os desaparecidos e apesar de aparentar grande quantidade presunção, não vejo isso como um problema já que esse é um aspecto importante para quem busca fazer extraordinários. Apesar disso, assim como com Goran, Stern, Bóris e Sarah (os outros componentes da equipe) não posso dizer que torci por ela. A falta de emoção do autor comprometeu meu grau de aproximação. O robotismo não me fez ver cada um deles reais.

O que me agradou no livro contudo, foi a permissão que o autor nos deu de imaginar as coisas a medida que a equipe avançava no caso. Por estarmos falando de serial killer, no gênero é mais fácil receber as coisas mastigadas. Somos levados a ver tudo através de binóculos: vemos como se estivéssemos de perto, mas estamos separados por um mar de distância. Aqui, ao contrário, podemos perceber que o autor vai inserindo perguntas que serão respondidas mais à frente, mas que abrem um espaço para que o leitor tente encontrar suas respostas tornando o livro desafiante.

Outro ponto que achei positivo, foi a maneira com o qual as peças foram colocadas. O livro tem vários pontos desencadeadores de ações, a começar pelas meninas sequestradas e mortas que estão sempre a apontar mistérios escondidos. Contudo, como nem tudo são flores, o final acabou ficando mau costurado apesar da crescente perfeita. Donato pareceu não saber como terminar e jogou duas de três peças a grande esmero inserindo dois outros contextos que pelo tom da obra ficaram perdidos. Apesar de que um grande segredo revelado ao fim tenha sido bastante forte e verossímil, o modo com o qual o assassino foi capturado e o epílogo deixaram a desejar pois despedaçou o que poderia ser um fim magnífico. A lição do livro fica, mas tudo mais que poderíamos manter se tornou obsoleto.

Mais do que os sucessos, são as tragédias humanas que unem  as pessoas

Deixando de lado os problemas de narrativa e finalização, posso ressaltar que a prerrogativa do livro é pesada mas bastante válida. Muito embora o título revele pelo menos 40% da obra, é interessante notar como Carissi constrói o Aliciador para que este tenha um papel ativo em sua história mesmo estando tão “longe”. Palavras são fortes e podem despertar os mais terríveis sentimentos. O ser humano contudo não é fraco, mas precisa de empurrãozinho para ceder ao lado obscuro da natureza. O que somos capazes de fazer quando ninguém está olhando define quem somos. Pois é a sensação de poder, de nunca sermos descobertos, é o que nos faz atroz.

O Aliciador é um livro com falhas, mas que vale a pena pelo conceito abordado por Donato Carissi em suas mais de quatrocentas páginas. Todos homens são capazes de escolher e todos podemos ser influenciáveis, mas o que nos define é a capacidade de dizer não para todo mal que causamos no mundo.

(Resenha) Antes de Casar – Bárbara Machado

Ler livros do gênero Chick-Lit nunca foi exatamente o meu forte. Não que eu não goste dos livros do gênero, mas sempre tenho a sensação de mais do mesmo da qual não consigo me livrar e acabo me decepcionando um pouco. Contudo, ao ler Antes de Casar da Bárbara Machado (convencidíssima pela Vivi do O Senhor dos Livros) fiquei apaixonada pela leitura justamente pela autora ir por um caminho que jamais imaginaria.

Título: Antes de Casar | Autor: Bárbara Machado| Publicação Independente | Páginas: 292| Ano: 2016 | Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐| Encontre: SkoobSite da Autora

aea07539b7Sinopse: Catarina era uma jovem mulher que tinha tudo planejado: o casamento perfeito, o homem ideal, finalmente a vida adulta e independente que tanto almejava. Até que, de um dia para o outro, tudo muda: o casamento não passa de um sonho, o príncipe vira sapo e a brutalidade da vida adulta se mostra bem diante de seus olhos. De volta ao mundo dos solteiros, Catarina se redescobre como indivíduo e percebe que, a não ser que se torne tão desapegada quanto os homens que passam por sua vida, seu coração continuará sendo partido. Mas será que suas aventuras entre mesas de bar e festas agitadas podem substituir o antigo sonho de um final feliz? Entre altos e baixos que fazem parte da transição da juventude para a vida adulta, Catarina vai aprender que o amor não é bem como ela imaginava

Eu reconheci, na marra, a importância da autoestima e da dignidade. Finalmente compreendi que a minha felicidade não poderia jamais depender de outra pessoa.

Com uma narrativa leve e dotada de profundas reflexões, Bárbara Machado conduz um livro com bastante humor sem jamais perder a verossimilhança com o mundo em que vivemos. Acredito que esse tenha sido um dos meus pontos favoritos na obra, pois a autora se preocupou em dar o tom de realidade ao livro que instantaneamente aproxima-nos da protagonista. Além disto, a ambientação do livro na cidade de Vitória no Espírito Santo dá um charme a mais a história, não só de reconhecimento por se passar em nosso país, mas pelo status cidade do interior que poucas vezes vejo na literatura brasileira contemporânea.

Mas o que mais me deixou encantada pelo livro de Machado, foi a protagonista Catarina. por diversos motivos que vão desde a construção da personagem até os ensinamentos que ela vai acumulando ao longo da história. De primeira, é interessante notar como esta não se prende a esteriótipos, que na verdade não dão as caras no livro. Simpática e bem-humorada, Catarina é fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis e tantas outras séries que fazem a cabeça do mundo geek. Mas isso não significa que Catarina seja tímida – espírito comum as mocinhas que apresentam tais gostos – mas justamente ao contrário. Espontânea, ama sair com os amigos e ir aos bares de sua cidade. O que imprime na personagem um tipo de personalidade diferente e fascinante.

37419057_2077458305638069_2488810931010666496_nDentre todos os ensinamentos que Antes de Casar tem a oferecer, o mais importante e o mais relevante para em nossa atualidade. é o papel da mulher dentro de um relacionamento, mas principalmente para consigo. Catarina antes era dependente do namorado, a ponto de mudar aspectos de sua personalidade para agrada-lo. A grande sacada do livro, se dá quando Cat começa a perceber que um homem não pode ser mais importante que ela e que se alguém for amá-la deve ser como ela é. Esse tipo de perspectiva – principalmente para mim que tenho as relações de poder no namoro como um dos meus objetos de estudo – é essencial como respirar. Catarina aprende o que todas as mulheres deveriam saber, que nenhum homem nem ninguém devem ser mais importantes que nós mesmos.

Abrasador e de certo modo imprevisível – sério, eu praticamente não adivinhei nada do que estava por vir – Antes de Casar é uma leitura necessária a todas as pessoas independente do sexo. Um livro que nos mostra que nos amar antes de amar os outros e tê-los como pontes de felicidade mas não objeto único desta, é o caminho mais certo para o alcance da plenitude e da felicidade.

(Algo À Ver) Com Amor, Simon – Greg Berlanti

Assistir Love, Simon não era exatamente um grande plano.. Vejam bem, eu gosto de ver adaptações de livros para cinema, contudo, não quanto se trata de Young Adult ou New Adult. Isso porque normalmente acho os filmes do gênero bastante chatos pela pouca ação e previsibilidade do enredo. Mas ao ver esse filme, fui fisgada de uma maneira que não esperava. Divertido, Com Amor, Simon capturou a essência do livro de Becky Albertali e transformou em algo ainda maior.

Título: Com Amor, Simon | Título original: Love, Simon | Diretor: Greg Berlanti | Elenco: Nick Robinson, Jennifer Garner, Josh Duhamel e  Katherine Langford | Distribuição:  Fox Film do Brasil| Duração: 109m | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤

com-amor-simonSinopseAos 17 anos, Simon Spier (Nick Robinson) aparentemente leva uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: nunca revelou ser gay para sua família e amigos. Um dia quando decidi trocar confidencias com um anonimo da escola, Simon começa a se apaixonar. Mas tudo fica complicado, quando colega de Simon descobre seu segredo e decidi chantageá-lo para que ele ajude a conquistar uma de suas amigas. A partir daí Simon começa a se questionar o quanto é válido manter esse segredo e quais são as implicações disso acima daqueles que ele mais ama.

A medida que os anos vão passando e a sociedade lentamente evoluí, as representações ganham mais força onde antes parecia impossível. Ver um filme chegar aos cinemas com pum protagonista talvez seja maior prova disso. Com tato, sutileza e uma grande proximidade com os jovens que não somente são homossexuais mas que se vêem jogados dentro de uma vida que não desejam, Com Amor, Simon cumpre um papel de grande importância para retratar a obviedade da validação de toda as formas de amor.

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O filme possui uma narrativa bastante clássica. Primeiro somos apresentados amistosamente aos protagonistas, que tem prerrogativas comuns aos de sua idade. Em seguida conhecemos o segredo de Simon, o início de sua paixão e o erro que levou a sua chantagem. Tudo isso, sendo colocado de maneira simples em termos de luz, texturas e sonoplastia. Sem carregações a efeitos visuais e cores vibrantes, o diretor Greg Berlanti deixa claro que o foco do filme será Simon e todas as dúvidas que envolvem se revelar ou não. Acredito que isto, e o roteiro foram meus pontos favoritos na narrativa. Porque tive a grande percepção que o diretor mostrou que Simon não é diferente de outro adolescente por ser gay. Mas sim um garoto capaz de de se apaixonar como todos os outros.

Eu nunca antes havia tido contato com Nick Robison, bem como com a maioria dos personagens (exceto os pais de Simon). E devo admitir que alguns deles foram bastante surpreendentes. Nick, que dá vida ao Simon é bastante carismático e encantador. O jovem ator tem domínio de suas emoções transformando-se em Simon e garantindo nossa amizade ao protagonista. Já Katherine Langford foi a que mais se destacou como a insegura Leah. Não posso dizer que esse foi seu melhor trabalho, mas posso confirmar que  atriz tem potencial para se destacar mais no cinema. Pois seu texto não chega a ser totalmente imprevisível ou difícil e mesmo assim a atriz consegue dar um toque de vida e graça a sua personagem.

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Outro ponto que me chamou bastante a atenção, foi a família de Simon. Na maior parte das vezes, os relacionamentos familiares costumam ser meu ponto principal em obras sejam em livros e filmes. Por isso, ver a interação de Simon com seus pais e irmã foi emocionante e de certo modo avassalador. Emily (Jennifer Gardner) representa a mãe que só deseja a felicidade do filho, independente de suas escolhas. Já Jack (Josh Duhamel) é o pai másculo que tem que aprender a aceitar seu filho e o continuar amando por mais que pareça difícil aceitar quem ele é.

Com Amor, Simon foi um filme reflexivo que agora eu me arrepende de ter demorado quatro meses para assistir. Levantando questões importantes com a seriedade necessária, a adaptação do livro de Becky Albertalli foi surpreendentemente bem feita. Um filme que quebra tabus, que dá força aqueles que se encontram na mesma situação e demonstra que todos nós estamos aptos a viver uma grande e inesquecível história de amor.

( Resenha ) Lirio Azul, Azul Lírio – Maggie Stiefwather – Livro 03

A série Os Garotos Corvos está fazendo parte da minha vida de uma maneira marcante. Quando li o primeiro livro da série, eu sabia que essa leitura seria diferente de tudo aquilo que conheci. Mas Maggie Stiefvater conseguiu ir além e provar que as histórias não precisam ser iguais, e que o simples pode se tornar extraordinário.

Está resenha não conterá spoilers do livro anterior.
Para isso pule a sinopse.
Titulo: Lírio Azul, Azul Lirio | Título Original : Li | Série: Os Garotos Corvos 02 |Autora: Maggie Stiefvater| Editora Galera Record| Ano: 2016 | Avaliação ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐️ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir (1)Sinopse: Blue Sargent encontrou coisas. Pela primeira vez na vida, ela tem amigos em quem pode confiar e um grupo ao qual pertencer. Os garotos corvos a acolheram como se ela fosse um deles. Os infortúnios deles tornaram-se dela e vice-versa. O problema de coisas encontradas, porém, é a facilidade com que podem se perder. Amigos podem trair. Mães podem desaparecer. Visões podem iludir. Certezas podem se desfazer. Em Lírio azul, azul lírio, o leitor vai descobrir para onde Blue, Gansey, Adam, Ronan e Noah serão levados em sua jornada para encontrar o lendário rei galês Glendower.

 

O coração de um covarde não é um prêmio, mas o homem de valor merece o seu capacete reluzente.

A série iniciada em Os Garotos Corvos e continuada em Ladrões de Sonhos, ganha novos ares. Existem certos determinantes que podem nos fazer gostar ou não de uma determinada série. Para mim, a renovação dos contextos sempre é um ponto favorável, pois a mesmice costuma ser enfadonha. De modo que é sempre bom encontrar autores que não somente tenham coragem de criar, mas que também possam recria-las e transforma-las em algo maior.

Nesse terceiro livro, Maggie Stiefvater reune os aspectos principais das obras anteriores. Pegando como exemplo três peças importante apresentadas no livro um, podemos notar a maldição de Blue Sargent ainda existe, o espírito de liderança de Gansey III está presente e o atormentado Adam Parrish continua em dubiedade para o bem ou para o mal. Mas se antes nós tínhamos coisas comuns a medida do possível, agora absolvemos concepções mais abrangentes das “tarefas” que permeiam cada um. Blue quer enfretar seu destino. Gansey que ser bem mais que o líder. E Adam não está disposto a ser condenado com tanta facilidade. Temos Ronan Lynch sem parte da rebeldia pelo entendimento de que o mundo não é só seu. E o doce Noah Czern tem muito mais a oferecer que um espírito sem cor. Dessa forma, Maggie refaz cada personagem e cada segredo para que a imprevisibilidade seja parte de seu mundo.

Mas tal recontagem, não impõe dizer que os desenvolvimentos realizados nos volumes anteriores são perdidos, mas sim refeitos à novos significados. Nas resenha de Ladrões de Sonhos, havia comentado que Maggie criou duas obras que não tinham relação uma com a outra de uma forma mais geral. Isso porque a autora cria em nos livros anteriores construções. Como se os outros fossem os alicerces da casa que será construída.

Ao dar vida a Lírio Azul, Azul Lírio, Maggie estabelece pontos convergentes a história. O principal deles é ver que os grupo d’Os Garotos Corvos e Blue Sargent estão se tornando uma coisa só. Suas ações parecem sincronizadas e como a própria autora diz: eles estão apaixonados uns pelos outros, de modo que suas vidas estão entrelaçadas. A amizade está mais forte do que nunca mesmo com todos os empecilhos que surgem em seu caminho.

Como se não bastasse tudo isso, Maggie ainda trabalha com a quebra dos esteriótipos. O garoto rico não busca uma meta por não ter uma família que não o ama. O rapaz gay não é a alma mais alegre do grupo (vale ressaltar que a Maggie trabalho muito bem a sexualidade nesse livro). A menina feminista não é uma arrogante que acredita não precisar de ajuda para nada. O cara que tem uma família cruel não é o bandido, até porque a maldade não está perfeitamente definida.

Dessa forma, com todos esses elementos aliados a personagens secundários inesquecíveis (mulheres da Rua Fox, 300 eu amo vocês) Maggie Stiefvater cria uma obra espetacular. Ela mostra ao leitor que segredos e finais bombástico não são tudos dentro de uma obra. Com uma narrativa poderosa e envolvente, a autora abre portas para um quarto livro que promete ultrapassar as vias do magnífico.

Amizade do tipo inabalável. Uma amizade que você podia contar para valer. Que poderia passar pelas maiores dificuldades e voltar mais forte que antes.

(Algo À Ver) Os Incríveis 2 – Brad Bird

Quem me conhece, sabe que eu tenho um amor incondicional por animações. Não importa qual seja, basta ter uma boa história que é capaz dela entrar na minha lista de favoritos. Mas apesar disso, acredite ou não, esta leitora-cinéfila que vos fala, não esperou 14 anos pela continuação de Os Incríveis contrariando a perspectiva geral. Isso porquê, diferente da maioria das pessoas, não faço questão de continuações quando os primeiros filmes são realmente muito bons.

O motivo é o evite de decepções, já que – a não ser em raras exceções – elas estão atreladas a nostalgia. Se por um lado as lembranças de um bom filme nos faz pensar nele com carinho, por outro também implica em uma inevitável comparação. E muito embora eu não tenha detestado a continuação mais esperada do ano no mundo das animações, também não posso dizer que ela superou a sua origem.

Título: OS Incríveis 2 | Título original: The Incredibles | Direção:  Brad Bird | Duração: 119m | Ano: 2018 | Distribuição: Walt Disney Pixar Studios | Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬

y3EEb7o6NxK0pl0WsOswCos663y.jpgSinopse: No segundo filme de Os Incríveis, a família Pêra esta ameaçada pelas mesmas questões que os levaram a se esconder. As pessoas acreditam não precisam de heróis que causam mais destruição do que salvamentos. Quando tudo parece estar indo por água abaixo, Helena é chamada de volta para lutar contra o crime como a super heroína Mulher-Elástica. Desse modo, caberá ao seu marido, Roberto, a tarefa de cuidar das crianças, especialmente o bebê Zezé. O que ele não esperava era que o caçula da família também tivesse poderes, tornando sua tarefa ainda mais complicada. Além disso, Roberto não deixa de se perguntar se realmente sua missão é cuidar das crianças e não sair por aí salvando o mundo. 

Os estúdios da Pixar ao longo dos anos, têm demonstrado uma característica que parece faltar aos outros: são apaixonados pelo que fazem e sempre almejam traçar o seu melhor. Mas o que diferencia a Pixar dos demais é capacidade quase inata que têm de levantarem críticas sociais através dos gestuais infantis. Com sagacidade e sutileza, Os Incriveis 2 retrata um bom número de levantes contra a humanidade e o que ela está se tornando. As duas maiores são o preconceito e o machismo enraizados em qualquer lugar, mesmo entre as mais poderosas pessoas.

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A premissa inicial do filme é uma velha conhecida, ainda mais se você é fã da Marvel ou DC Comics. Os heróis não são bem vistos pela sociedade, mas sim rechaçados pelas suas diferenças que não deixam de ser meramente culpa da biologia. Num mundo governado por pessoas comuns, tudo aquilo que é diferente é rebaixado a inferior. Por esse motivo, a família Pêra precisa se esconder e viver uma vida simples sem demonstrar seus poderes. Afinal de contas, a sociedade ao qual almejam proteger não está interessada em ficar a mercê daqueles que não podem controlar.

Baseada nessa primeira crítica, que é a premissa geral da história, surge a segunda. Helena é chamada para trabalhar como Mulher-Elástica e assim, quem sabe, conseguir restaurar a legalidade dos heróis. O problema é Beto que não fica satisfeito pela esposa estar trabalhando de modo que ele tenha que ficar em casa e cuidar das crianças. Então a Pixar inverte a situação apresentada no primeiro filme para acompanhar o ciclo revolucionário atual das questões de gênero. Se antes Beto era o herói-protagonista, hoje Helena que desempenha essa função e caberá ao marido (seu forte e imponente marido) cuidar de Violeta, Flecha e Zezé. É seguro dizer que a Pixar vai ainda mais longe do mero machismo que envolve toda a questão de quem trabalha vs quem sustenta a casa: o diretor, Brad Bird, procura demonstrar que as tarefas domésticas são igualmente difíceis ao salvamento da pátria, o que é comumente tratado como algo fácil. Com isso, Bird demonstra que os papeis de esposa e marido são igualitários, não sendo o gênero que influencia sobre eles.

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O filme se equilibra entre as cenas de ação e vida cotidiana. A qualidade técnica da obra é impressionante. Com uma boa mistura de cores e texturas, o filme garante ótimos efeitos visuais acompanhado de uma bela sonoplastia. Mas muito a qualidade técnica deva ser louvada, o mesmo não pode-se dizer do roteiro que apresenta uma única falha, porém bastante considerável.

A apresentação do vilão tem se tornado batida. Ou você introduz de cara o personagem  malvado (a exemplo de A Origem dos Guardiões), ou a pessoa gentil se mostra como vil. Tal obviedade aparece nessa película – mas não irei afirmar qual – o que reduz a surpresa para o comum retirando parte da magia. Contudo, isso não é suficiente para tirar todo o encanto da obra, apenas para deixar um certo sabor amargo misturado ao doce total.

Os dois principais personagens de alívio cômico, o bebê Zezé e a estilista Edna Moda, tem pouca participação dentro do enredo principal, mas não considero isso um problema. Em mais uma comparação, Edna se assemelha aos Minions presentes em Meu Malvado Favorito (Universal Pictures). Sua graça esta em roubar a cena. Tanto que no primeiro filme sua aparição minúscula fez sucesso pelas frases icônicas e a irreverencia. Já Zezé, que pelo teaser sabíamos que teria mais destaque nessa película que na anterior, aparece bastante mas não de maneira fundamental ao enredo. Entretanto, a posição de Zezé na história pode ser facilmente alegada pela sua idade. Zezé não passa de um bebê de modo que não devemos esperar uma decisão incrivelmente inteligente  e estratégica de sua parte.

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Outro ponto que merece destaque é a dublagem brasileira. Certas piadas que foram realizadas pelo roteiro original não seriam tão facilmente entendidas pelos nacionais. Deve-se lembrar que o público alvo da Pixar é também o infantil de modo que piadas sobre o Texas e a Oprah não fariam muito sentido pra maioria nossas crianças (e para boa parte dos adultos também). Dessa maneira, posso dizer que foi uma decisão acertada da dublagem em mudar o sentido original e torna-la mais próxima dos receptores garantindo o lado cômico que envolve a obra.

Os Incríveis 2 não foi a melhor das continuações, mas ainda sim vale super a pena assistir pelas criticas sociais, piadas, cenas de ação e até mesmo pela nostalgia. O filme não surpreende, mas também não foi uma decepção. Os Incriveis 2 consegue, pelo bem e pelo mau, ser muito mais que apenas extramente divertido.

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( Resenha ) O Último Adeus – Cynthia Hand

Em uma obra sobre superação. Cynthia Hand consegue tocar o coração ao apresentar os medos de um coração partido. O Último Adeus é um relato profundo sobre seguir em frente mesmo quando tudo parece acabado.

Título: O Último Adeus | Título original: The Last Time We Say Goodbye | Autora: Cynthia Hand | Editora: Darkside | Páginas: 352 | Ano: 2016
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤ | Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

o ultimo adeusSinopse: O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante. O Último Adeus é sobre o que vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você. Lex busca uma forma de lidar com seus sentimentos e tem apenas nós, leitores, como amigos e confidentes.

“Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio.”

Antes de ler O Último Adeus de Cynthia Hand, eu nunca havia tido contato com a escrita da autora e nem sequer passou pela minha cabeça a fazer a leitura da obra. Até que um belo dia, o livro “sorriu” convidativamente e mergulhei nas páginas e nas palavras da autora. Cynthia me presentou com uma escrita madura que me emocionou bastante, e mesmo achando que a obra poderia ser melhor, a leitura ainda sim foi incrivelmente satisfatória pois teve um significado especial na minha vida.

Narrado em primeira pessoa no presente e no passado, o livro tem uma narrativa densa de sentimentos. Apesar de gostar de boas descrições de cenários, para dramas eu dou muito mais valor a carga emocional que o livro em si consegue acarretar. Por isso, a narrativa de Hand é feliz pois consegue passar um nível de drama que deixa a história crível já que os sentimentos de Alexis são muito bem explorados. Muito embora tenha gostado do estilo narrativo, ao final da obra senti que certas questões ficaram sem um desfecho propriamente dito o que atrapalhou minha relação com o livro.

“O tempo passa. É a regra. Independentemente do que aconteça, por mais que pareça que tudo em sua vida está congelado em um determinado momento, o tempo segue em frente.”

Sobre os personagens, apesar do clichê de garotos nerds e populares típicos do Estados Unidos (aparece com tanta frequência que não é possível que seja só invenção, certo?), eles foram bem construídos. Nenhum deles apresentava características exageradas de ser muito de uma mesma coisa: bondoso de mais, inocente de mais, mau de mais. Eles estavam equilibrados de modo que não somente parecessem reais, como também possuíssem conflitos reais.

Alexis Riggs foi minha personagem favorita. Não somente por ela narrar a obra, mas pelas incerteza que apresentou e que tinham grande relevância dentro do contexto. Muito embora não me identifique com Alexis, acreditei nela e na sua dor de modo que senti uma grande empatia pela personagem. O mesmo pode-se dizer de sua mãe, Jill, destruída pela morte do filho. As cenas envolvendo ambas foram emocionantes e profundas de modo que até meu coração de pedra foi alcançado ficou emocionado.

“Meu irmão estava morto. Minha mãe estava viva. De muitas maneiras (as rosas cor de pêssego, o caixão de mogno que combinava com a mesa de casa, a música, a passagem bíblica, a comida), ela havia planejado que o funeral dele fosse o dela.”

Mas apesar dos personagens conquistadores, meu ponto favorito da história foi o sentimento que envolvia Tyler – o irmão de Lex – e toda a questão que envolveu seu suícidio, pois o rapaz parecia ter tudo: era popular, tinha uma linda namorada e jogava basquete muito bem. Então não havia motivos aparentes para que ele decidir se matar. E acredito que esteja aí o grande POR QUÊ do livro. Hand nos mostra que felicidade é uma questão de aparência e ser feliz é algo não podemos simplesmente visualizar e supor nas outras pessoas. Qualquer um está sujeito a infelicidade, mesmo aqueles que parecem ter as melhores oportunidades. O grande lance é tentar perceber atitudes, mas principalmente nos manter do lado daqueles que amamos.

O Último Adeus é um livro emocionante sobre perdão, amor e família. Eu indico essa obra a todos que quiserem um choque de realidade sobre o que é felicidade e como os medos podem nos levar a destruição. Mas principalmente é um livro sobre seguir em frente, mesmo quando o caminho parecer incerto e desolador. Afinal, mesmo sendo um grande clichê é certo que depois de toda tempestade podemos encontrar um arco-íris por mais fraco que ele seja.

( Resenha ) P. S. Ainda Amo Você – Jenny Han – Livro 02

A inesquecível Lara Jean está de volta em mais um romance fofíssimo sobre amadurecimento ao qual deverá lutar contra as próprias inseguranças.

Título: P. S. Ainda Amo Você | Título original: P.S. I Still Love You | Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei #02 | Autora: Jenny Han | Editora: Intrínseca | Páginas: 204Ano: 2016 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Amazon| Saraiva

transferir (1)Sinopse: Lara Jean sempre teve uma vida amorosa muito movimentada, pelo menos na cabeça dela. Para cada garoto por quem se apaixonou e desapaixonou platonicamente, ela escreveu uma bela carta de despedida. Cartas muito dela, muito pessoais, que de repente e sem explicação foram parar nas mãos dos destinatários. Em “Para todos os garotos que já amei”, Lara Jean não fazia ideia de como sair dessa enrascada, muito menos sabia que o namoro de mentirinha com Peter Kavinsky, inventado apenas para fugir do total constrangimento, se transformaria em algo mais. Agora, em “P.S.: Ainda amo você”, Lara Jean tem que aprender como é estar em um relacionamento que, pela primeira vez, não é de faz de conta. E quando ela parece estar conseguindo, um garoto do passado cai de paraquedas bem no meio de tudo, e os sentimentos de Lara por ele também retornam. Uma história delicada e comovente que vai mostrar que se apaixonar é a parte fácil: emocionante mesmo é o que vem depois

“Eu posso ver agora que é as pequenas coisas, pequenos esforços, que mantêm um relacionamento. E agora eu sei também que, de alguma medida que eu tenho o poder de machucá-lo e também o poder de torná-lo melhor. Esta descoberta me deixa com um inquietante, estranho tipo de sentimento em meu peito, por razões que não posso explicar.”

É impressionante como Jenny Han consegue transmitir verdades sobre a vida como ela é. Eu amo seus livros e com certeza quero ler bem mais da autora nos próximos anos. Ela consegue resgatar em mim os sentimentos da minha adolescência, pois por ser uma garota comum, nunca me considerei exatamente bonita e sempre tive alguns probleminhas de insegurança que já superei (amém!). Por isso, ao me deparar com P. S. Ainda Amo Você fiquei surpresa ao me identificar tanto com Lara Jean. Se antes eu já gostava e muito da protagonista da série iniciada em Para Todos Os Garotos Que Já Amei, agora eu a percebo como uma verdadeira amiga ao qual eu poderia trocar inúmeras confidências.

Você não pode estar ligado a alguém, não realmente, com segredos entre vocês.

Narrado em primeira pessoa, meu único problema com este livro foi a demora dos acontecimentos. Eu senti falta de mais mobilidade na narrativa pois ela parecia estática e consequentemente bastante lenta. Por outro lado, isso abriu espaço para as reflexões de Lara Jean acerca do que daquilo que estava acontecendo. É claro que isso ajudou a aproximação com a protagonista, mas também deixou a leitura morna e muitas vezes me vi tentada a abandonar o livro. Mas é obviamente não abandonei, e consequentemente gostei muito da leitura.

“Como globos de neve, você agita eles para cima, e por um momento tudo está de cabeça para baixo e brilho em todos os lugares e é apenas como mágica, mas, em seguida, tudo se instala e vai voltar para onde ele deveria estar. As coisas têm uma maneira de se acomodar.”

O que eu mais gosto nos livros de Jenny Han, principalmente essa série em questão é a forma com o qual a autora consegue assumir o papel de adolescente e nos transportar para as indecisões daquela época. Através de Lara Jean, não somente os conflitos do primeiro amor (aquele friozinho na barriga) são questionados, mas também a maneira com o qual nos relacionamos com o mundo.

De modo sútil, ao entendermos Lara Jean também caminhamos ao encontro de nós mesmos e as nossas convicções. Lara Jean é doce e inocente, mas não realmente ingênua. Ela percebe as coisas, apenas não sabe lidar com elas, de modo que Han não somente nos mostra descobertas, como nos coloca diante de situações. O que é magnifico já que aqui entram também o segredo do sucesso de suas obras: dar a todos (meninos, meninas, homens, mulheres, idosos e crianças) alguém com quem se identificar e quem sabe não se sentir tão sozinho em relação aos experiências do presente, do futuro e do passado.

“As pessoas entram e saem de sua vida. Por um tempo eles são o seu mundo; eles são
tudo. E então um dia eles não são. Não há como dizer quanto tempo você vai tê-los por perto. É as despedidas que são difíceis.”

Apesar da inclusão de um triângulo amoroso (mais um!) e de algumas atitudes questionáveis dos personagens, mais uma vez Jenny Han conseguiu escrever um livro que demonstra sua capacidade de alentar o leitor. P. S. Ainda Amo Você é uma história linda que eu super indico a todos aqueles que querem revisitar o passado, mas principalmente encontrar alguém que não julgue e compreenda perfeitamente a pessoa que você foi, é ou poderá ser.

(Algo À Ver) Todo Dia – Michael Sucsy

Uma história de amor bonita sobre encontrar alguém que valorize cada pedacinho de quem nós somos. Em tempos onde ser adolescente em um mundo onde os esteriótipos são valorizados, um filme como Todo Dia carrega significados belos para a conquista de autoconfiança.

Título: Todo Dia | Título original: Every Day | Direção: Michael Sucsy | Elenco: Angourie Rice, Justice Smith and Debby Ryan | Duração: 98m | Ano: 2018 | Distribuição: Paris Filmes | Avaliação: 🎬 🎬 🎬🎬every day

Sinopse: O filme, baseado no livro homônimo de David Levithan, conta a história de Rhiannon (Angourie Rice) uma garota de 16 anos que se apaixona oi por uma alma misteriosa chamada “A” que habita um corpo diferente todos os dias. Sentindo uma conexão incomparável, Rhiannon e A trabalham todos os dias para encontrar um ao outro, sem saber o que ou quem o próximo dia irá reservar. Quanto mais os dois se apaixonam, mais as realidades de amar alguém que é uma pessoa diferente a cada 24 horas afeta eles, levando o casal a enfrentar a decisão mais difícil que eles já tiveram que tomar.

Antes de assistir Todo Dia, meio que passou pela minha cabeça ler o livro de David Levithan. Mas deixa eu contar uma coisa engraçada: muitas vezes prefiro assistir filmes baseados em livros antes de realizar leituras. Okay, isso é super estranho eu sei, mas acontece que os filmes costumam me dar o gás que faltava para a leitura ou me desmotivar totalmente. Porque mesmo sabendo que não existe filmes idênticos a obras pelas diferenças no estilo de produção, muitas vezes o teor original é mantido e tais inquisições me dão certa garantia de gostar ou não de determinado livro. Ao assistir Todo Dia o efeito foi totalmente positivo apesar do filme nem tanto. Por achar a película rasa e um tanto mal explorada em determinados aspectos, agora sinto uma vontade imensa de ler o original e quem sabe ganhar explicações mais fortes sobre a história.

Todo Dia tem uma boa direção que entre parte bem humoradas, reflexões e o sentimental consegue dar fluidez a história que esta sendo contada. O diretor Michael Sucsy tem uma pegada um tanto minimalista ao qual mesmo não inovando na condução do filme, consegue, através da fotografia aliada e sonoplastia transmitir sua mensagem. Em um esquema de cores básico, que vai do mais claro ao mais escuro, o filme traduz o amor e as mudanças ao qual os protagonistas passam ao longo da película como forma de deixar o espectador mais próximo dos sentimentos do personagem. Tal recurso ajudou bastante a criar o clima do filme e as sensações que somos levados a ter.

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Mas apesar da boa direção, a produção de elenco não é favorável tendo as atuações não compatíveis com o grau que estava sendo apresentado. Angourie Rice parece desconfortável na pele de Rhi e não chega a transmitir grandes emoções. A atriz é pouco expressiva o que dificulta o emaranhamento do receptor com sua personagem. Já os diversos atores que interpretaram A apesar de manterem algumas características fundamentais de personalidade, pecam no uso dos trejeitos e entonações de voz que não convencem a serem as mesmas pessoas. Claro existe um entendimento tácito claro na narrativa que A tenta não modificar (muito) a vida daqueles que “toma”. Mas deve-se ressaltar que personalidade é algo particular de cada alma, sendo assim é bem estranho observar as mudanças quem A é sofre em favor das mudanças de corpo.

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Apesar desse fator negativo crucial, Todo Dia apresenta boas lições de amor e autoconfiança quando nos concentramos em Rhiannon e na gradativa mudança que apresenta a medida que o filme se desenrola. É interessante perceber como Rhiannon ganha mais personalidade a medida que se valoriza como ser humano e como mulher. O Sua trajetória é feita para que adquira um descobrimento de si mesma. Se antes existia uma menina incapaz de se impor, agora existe uma mulher decidida a lutar pelo que deseja.

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Indico a todos que desejam um romance bonito que nos faz sair de nossa realidade, mas informo para que não o assistam se tiveram grandes expectativas já que Todo Dia não chega ser um filme marcante, mas ousa trazer pequenas metáforas e grandes questionamentos sobre se apaixonar verdadeiramente quando aprendemos a amar e não uma aparência.

( Resenha ) Até Que A Culpa Nos Separe – Liane Moriarty

Em mais um livro sobre segredos e mentiras, Liane Moriarty vai mais uma vez encarar o leitor para perguntar: Você esta realmente seguro de todas as decisões que tomou na vida? Você é feliz com suas escolhas?

Título: Até Que A Culpa Nos Separe | Título original: Truly Madly Guilty | Autora: Liane Moriarty | Editora: Intrínseca | Páginas: 464 | Ano: 2017 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Amazon| Saraiva

ate que a culpa nos separe

Sinopse: Amigas de infância, Erika e Clementine não poderiam ser mais diferentes. Erika é obsessivo-compulsiva. Ela e o marido são contadores e não têm filhos. Já a completamente desorganizada Clementine é violoncelista, casada e mãe de duas adoráveis meninas. Certo dia, as duas famílias são inesperadamente convidadas para um churrasco de domingo na casa dos vizinhos de Erika, que são ricos e extravagantes. Durante o que deveria ser uma tarde comum, com bebidas, comidas e uma animada conversa, um acontecimento assustador vai afetar profundamente a vida de todos, forçando-os a examinar de perto suas escolhas – não daquele dia, mas da vida inteira. Em Até Que a Culpa Nos Separe, Liane Moriarty mostra como a culpa é capaz de expor as fragilidades que existem mesmo nos relacionamentos estáveis, como as palavras podem ser mais poderosas que as ações e como dificilmente percebemos, antes que seja tarde demais, que nossa vida comum era, na realidade, extraordinária.

“Todos os seus segredos ficavam guardados lá dentro, atrás da porta da frente, que nunca podia ser totalmente aberta. O pior medo delas era que alguém batesse à porta.”

Mais uma vez me rendi a um livro de Liane Moriarty. Estou quase fazendo uma carteirinha de fidelidade com a autora já que sinto uma vontade maior cada vez mais ler e ler os livros da autora. Apesar de não poder dizer que seus livros são meus favoritos em todo mundo, posso considera-los numa posição de destaque já que de uma forma ou de outra eles me marcam profundamente pelos assuntos abordados em suas páginas. Segredos e acontecimentos são apenas o começo de sua narrativa que sempre vem com o intuito de despir nossas mentes e nos impor a pensar nas consequências da vida que escolhemos.

Com sua clássica narrativa impiedosa, Liane Moriarty conduz um livro cheio de pequenas situações que culminam em um grande pensamento existencial. Uma das coisas que mais gosto na autora é o sentimento de vida-comum que permeia todo seu esquema narrativo. Trazer a vida corriqueira para dentro de uma obra parece ser uma tarefa fácil pois são situações e conflitos que todos vivemos cotidianamente, logo não há muito que inventar. Mas a verdade é que muitos autores não conseguem fazer isso por permanecerem em um hiatus narrativo que ou vai de encontro ao exagero ou se reserva a mesmice. O mesmo não acontece com a escrita de Liane que consegue manter um fluxo continuo de situações comuns mas com um toque dinâmico fundamental para preservar o interesse do leitor no livro.

“Era interessante como fúria e medo podiam ser tão parecidos.”

Como em todos os outros livros de Moriarty, o principal desta obra se faz inesquecível pela presença dos personagens destacados. Até Que A Culpa Nos Separe é narrado em terceira pessoa em sete visões diferentes. O ponto de encontro de suas narrativas é que cada um a sua maneira carrega um sintoma de culpa pelo acontecimento no “Dia do Churrasco“. Erika e Clementine são as protagonistas, mas a inserção dos pensamentos de seus maridos e vizinhos aumenta a perspectiva total das consequências advindas desse dia. Assim Liane consegue denotar coisas pequenas que começam a implodir em algo maior variando de acordo com o narrador do momento. O engraçado é perceber como tudo não passa de picuinhas: sentimentos mesquinhos que revelam a culpa, mas principalmente que faz com que cada uma daquelas pessoas sinta-se responsável pelo fato e por tudo aquilo que jogaram em cima do outro. Pois não basta se culpar, todos sentem necessidade de apontar o dedo. A culpa e o ressentimento se misturam deixando o amargor da verdade subtendida cada vez mais amostra.

“Mas não conseguiam parar. Era como pedir que prendessem a respiração. Só conseguiriam fazer isso durante determinado tempo até serem obrigados a respirar outra vez.”

Além do acontecimento no “Dia do Churrasco”, o tipo de amizade que existe entre Erika e Clementine é um fator dentro da história que aumenta a significância das coisas. Um ponto interessante é perceber que Liane constrói duas mulheres opostas unidas pelo destino, por assim dizer. No começo da obra eu me perguntei porque elas continuavam amigas já que claramente não pareciam gostar uma da outra. Mas com o passar do tempo, comecei a notar o interesse por um pedaço da outra era muito maior que a repulsa que pareciam sentir. Erika que não possui nenhuma outra amiga desenvolve uma relação de dependência cruel com Clementine. Ela precisa daquela amizade para se sentir não solitária, mesmo tendo plena consciência de que sua “amiga” não gosta dela. Mas a necessidade de ter alguém além do marido fala mais forte do que seu amor próprio. Já Clementine, por outro lado e sem saber se essa era realmente a intenção da autora, não conseguir sentir outro sentimento que não fosse ódio. Detestei-a por ser mesquinha, por não gostar de Erika mas usa-la Erika como ponte para se sentir benevolente de ser amiga de uma estranha, para se sentir mais autêntica por ter em constate alguém tão retraída, mais sentimental porque Erika é mais realista, mais desejada por ser mais bonita e mais superior por ser capaz de ser tudo isso e la Erika não ser nada. Clementine mostra uma face vil ao qual não consegui me penalizar pelo seu espírito pequeno, mas apenas consigo me resguardar ao ódio pois acredito que mentira de uma amizade que se diz verdadeira é mais decepcionante que uma traição.

“Seu egoísmo era um segredo sórdido que precisava esconder a todo custo.”

Até Que A Culpa Nos Separe é um livro fantástico que detém um grande poder sobre o leitor. Mesmo possuindo algumas passagens lentas é uma obra que alcança as barreiras da ficção chegando a realidade por nos conduzir de volta às nossas escolhas. Mais uma vez estou encantada pela narrativa de Liane Moriarty e eu indico muito a todas as pessoas que querem sair de sua zona de conforto e ir além de suas convicções já que é exatamente isso que a autora nos propõe a fazer.

“Era interessante o fato de que um casamento se tornava instantaneamente propriedade pública assim que aparentava problemas.”