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| RESENHA | Uma Noite Para Se Entregar – Tessa Dare – Spindle Cove 01

Olá corujinhas! Tudo bom com vocês? Há alguns dias li um primeiro livro da Tessa Dare. Sou uma fã incondicional de romances de época e quase sempre estou à ler livros do gênero. Mas ler Tessa Dare foi bem diferente do que estou acostumada. A autora, apesar de não o ter feito um livro perfeito, conseguiu me deliciar com um romance envolvente e personagens fortes.
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Título: Uma Noite Para Se Entregar
Título original: A Night To Surrender
Autora: Tessa Dare
Editora: Arqueiro
Páginas:
Ano:
Avaliação: 👑 👑 👑
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Spindle Cove é o destino de certos tipos de jovens-mulheres: bem-nascidas, delicadas, tímidas, que não se adaptaram ao casamento ou que se desencantaram com ele, ou então as que se encantaram demais com o homem errado. Susanna Finch, a linda e extremamente inteligente filha única do Conselheiro Real, Sir Lewis Finch, é a anfitriã da vila. Ela lidera as jovens que lá vivem, defendendo-as com unhas e dentes, pois tem o compromisso de transformá-las em grandes mulheres descobrindo e desenvolvendo seus talentos. O lugar é bastante pacato, até o dia em que chega o tenente-coronel do Exército Britânico, Victor Bramwell. O forte homem viu sua vida despedaçar-se quando uma bala de chumbo atravessou seu joelho enquanto defendia a Inglaterra na guerra contra Napoleão. Como sabe que Sir Lewis Finch é o único que pode devolver seu comando, vai pedir sua ajuda. Porém, em vez disso, ganha um título não solicitado de lorde, um castelo que não queria, e a missão de reunir doze homens da região, equipá-los, armá-los e treiná-los para estabelecer uma milícia respeitável. Susanna não quer aquele homem invadindo sua tranquila vida, mas Bramwell não está disposto a desistir de conseguir o que deseja. Então os dois se preparam para se enfrentar e iniciar uma intensa batalha! O que ambos não imaginam é que a mesma força que os repele pode se transformar em uma atração incontrolável.

Não mulheres, nem homens, mas o que há entre duas pessoas que precisam uma da outra mais do que precisam respirar. Você pode discutir comigo tudo o que quiser, mas não pode negar isso. Eu sei que você sente.

O mais interessante de ler livros aos quais não sabemos nada é a capacidade de que estes tem de nos surpreender. Em Uma Noite Para Se Entregar, fiquei surpresa pelo modo feminista e empoderado com o qual a história foi conduzida. Tessa Dare possuí uma escrita clássica e fluída. Criou cenas de tirar o fôlego pela dinamicidade de seus diálogos. Mas principalmente foi brilhante o modo com o qual o poder feminino esteve presente em toda obra. Susanna Finch foi uma personagem tempestuosa, mas forte que soube mostrar à todo momento sua capacidade de tomar decisões e não se deixar ser submetida. Esse detalhe de feminismo presente na obra de Tessa foi com certeza o fato que eu mais gostei. Pois não foi algo jogado em cima de nós, mas sim conduzido de modo natural fazendo parte do contexto da obra como parte inexorável da história. Se Susanna não fosse tão forte e determinada nada daquilo faria sentido: é sua força que move as pessoas à sua volta.

Se o feminismo foi um dos pontos chaves da obra, os personagens foram importantíssimos para dar continuidade a esse conjunto. Cada um à sua maneira fez o poder feminino parecer natural, sejam os personagens à favor que já estavam acostumados aquilo ou os contra que viram na situação um absurdo. De todo modo, eu vi realidade nas ações dos personagens. Mesmo para uma época onde nós mulheres deveríamos seguir esteriótipos, as ações que levaram os personagens à sair dele tiveram seu grau de verdade dando credibilidade ao livro.

Você é humano. Todos temos medo, cada um de nós. Medo de viver, de amar e de morrer. Talvez marchar o dia todo em colunas organizadas distraia você da verdade. Mas e quando o sol se põe? Ficamos todos tropeçando na escuridão, tentando sobreviver a mais uma noite.

Mas se um dos meus pontos favoritos foi justamente à parte crível da história, o negativo foi os pontos de irrealidade que ficaram gritantes durante o enredo. O romance foi bem elaborado e bastante sensual. Não posso dizer que eu tenha caído de amores pela relação de Susanna e Bramwell ou encontrado nele o crush dos sonhos, mas também não devo negar que houve momentos que torci pelo casal. Contudo, houveram cenas — de sexo principalmente — aos quais não consegui ver a menor possibilidade daquilo acontecer. Pois ficou distante de mais do possível e de certo modo até exageradas. Não tenho certeza essas cenas foram inseridas apenas para quebrar o choque de realidade, mas seja como for, não conseguiram surtir em mim os efeitos desejados.

Críticas à parte, Uma Noite Para Se Entregar foi uma leitura que me surpreendeu pelo contexto criado durante à obra. É muito raro ver romances de época que optem por ir além do amor mas inseram questões no contexto. Afinal a literatura, clássica ou contemporânea, é uma ponte para divertir, emocionar e discutir assuntos que precisam ser discutidos.

Nossa casa é onde as pessoas precisam de nós.

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| RESENHA | Mestre das Chamas – Joe Hill

Oii Corujinha, tudo bom? Esses últimos meses do ano têm sido recheados de grandes leituras. Mestre das Chamas de Joe Hill foi com certeza uma delas. Em uma ficção científica — mas intrigantemente classificado também como terror — o autor cria um universo apocalíptico onde o medo e a incerteza são peças chaves para o enredo.

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Título: Mestre das Chamas
Título original: The Fireman
Autor: Joe Hill
Editora: Arqueiro
Páginas: 592
Ano: 2017
Avaliação: 👑 👑 👑 👑
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Ninguém sabe exatamente como nem onde começou. Uma pandemia global de combustão espontânea está se espalhando como rastilho de pólvora, e nenhuma pessoa está a salvo. Todos os infectados apresentam marcas pretas e douradas na pele e a qualquer momento podem irromper em chamas. Nos Estados Unidos, uma cidade após outra cai em desgraça. O país está praticamente em ruínas, as autoridades parecem tão atônitas e confusas quanto a população e nada é capaz de controlar o surto. O caos leva ao surgimento dos impiedosos esquadrões de cremação, patrulhas autodesignadas que saem às ruas e florestas para exterminar qualquer um que acreditem ser portador do vírus. Em meio a esse filme de terror, a enfermeira Harper Grayson é abandonada pelo marido quando começa a apresentar os sintomas da doença e precisa fazer de tudo para proteger a si mesma e ao filho que espera. Agora, a única pessoa que poderá salvá-la é o Bombeiro – um misterioso estranho capaz de controlar as chamas e que caminha pelas ruas de New Hampshire como um anjo da vingança. Do aclamado autor de A estrada da noite, este livro é um retrato indelével de um mundo em colapso, uma análise sobre o efeito imprevisível do medo e as escolhas desesperadas que somos capazes de fazer para sobreviver.

Comecei Mestre das Chamas com uma pitada de incerteza sobre o que poderia me esperar no caminho. Conheci o livro através de uma resenha fantástica da Bia do blog Literatura Estrangeira (clique aqui para ler a resenha dela também) e fiquei com a obra na cabeça desde então. Em tempos cada vez mais assombrosos onde parece que estamos sempre a beira de um colapso, ler um livro que retrata o apocalipse parece ser obrigatório. É como vislumbrar o poder que a humanidade têm de ser bondosa e gentil ao mesmo tempo que é capaz de atrocidades para salvar a própria pele. Por isso, ao me deparar com a narrativa de Joe Hill sabia que teria um caminho permeado por verdades cruéis sobre quem somos e o que podemos ser. O livro não é apenas uma estória do mundo acometido pelo caos, mas uma quase história de porque esse caos existe.

Existe algo de terrivelmente injusto no fato de morrer no meio de uma boa história, antes de  ter oportunidade de ver como tudo acaba. Em certo sentido, claro, eu acho que todo mundo sempre morre no meio de uma boa história. Da sua própria história. Ou da história dos seus filhos. Ou dos netos. A morte é sempre dureza para os viciados em narrativas.

Joe Hill tem uma narrativa ao mesmo tempo lenta e fluída. Aquele tipo que você vai ler durante horas sem cansar, mas que vai precisar de tempo para diregir o que esta sendo contado. Usando de uma linguagem comum e referências maravilhosas, em uma camada superficial Joe dá um mundo comum apesar da doença que se espalha. É perceptível aqui como o autor tenta ligar o leitor à narrativa como se dissesse: Hey, esse mundo aqui um dia foi o seu. Foi uma maneira absurdamente brilhante de conectar os fatos presentes no livro à vida do leitor. Quando você percebe a camada de referências entende-se também como parte da história. Poderia ser sua mente fazendo ligações aqui e lá.

A morte e a ruína são o ecossistema preferido do homem. Já leu sobre a bactéria que prospera dentro dos vulcões, bem à margem da rocha fervente? Somos nós. A humanidade é um germe que prospera bem na fronteirada catástrofe.

Mas apesar de ter gostado do modo como o autor conduziu seu enredo tenho que admitir que senti uma certa proscastinada em suas páginas. O livro poderia facilmente ter umas cem páginas a menos. Entendo que boa parte dessa procrastinação foi a criação de aliserce da obra mais seguro da obra ou a enfatização de certos pensamentos, mas também percebo que o mesmo efeito teria sido produzido de uma forma ou de outra.

Desespero é apenas um sinônimo de consciência, e demolição é quase o mesmo que arte.

Em relação aos personagens, foi interessante ver como a abordagem de suas ações foi comum. Todas as decisões tomadas foram frutos de algo que realmente poderia ter acontecido. Ao ler livros, uma coisa que me irrita bastante é quando o personagem toma uma decisão bem viajada, daquele tipo que qualquer um pode notar que se fosse na vida real não teria sido feita. Então fico feliz em dizer os personagens de Mestre das Chamas não se entregam à esse erro. Pelo contrario, suas ações — idiotas ou não — provém dos pensamentos de personalidades verossímeis sendo guiadas pelo medo e pelo instinto de sobrevivência.

O medo não tende a fazer as pessoas moderarem seu uso de táticas extremas.

O medo é uma das — se não a — condição mais pura do homem. O medo nos faz crianças tolas que precisam de um guia ou adultos cruéis que faram de tudo para sobreviver. Quando estamos amendrontados viramos um produto do instinto de sobrevivência. A racionalidade se extingue e somos dominados pela vontade simples e pura de continuar vivendo. É exatamente isso que Joe Hill vai expor em seu apocalipse. O medo é o elemento central que irá guiar todos os outros, pois sempre que existe uma criança tola existe um adulto cruel para lhe guiar. Hill demonstra como ficamos a mercê de qualquer pessoa querendo acreditar que tudo aquilo é para o nosso bem ou tudo que fazemos é para o bem de quem amamos.

Mas aí penso, ué, mesmo antes da Escama do Dragão a maioria das vidas humanas era injusta, brutal, cheia de perda, tristeza e confusão. A maioria das vidas humanas era e é curta demais. A maioria das pessoas passou a vida faminta e descalça, fugindo de uma guerra aqui, de uma fome ali, de uma epidemia aqui, de uma enchente acolá. Mas as pessoas mesmo assim precisam cantar. Até mesmo um bebê que não come há dias para de chorar e olha em volta quando ouve alguém cantar de alegria. Quando você canta, é como dar de beber à quem tem sede. Uma gentileza. Isso faz você brilhar.

Mas se Joe nos mostra o lado fraco da humanidade, ele também nos mostra como supera-lo. Foi tocante ler cenas de compaixão em meio à tanta raiva. Desvendar que se para dez pessoas horríveis existe uma que se levanta contra. O medo não possui somente um lado. Com ele vem também a coragem para lutar por um dia melhor. Não precisamos nos ajoelhar, como também devemos lutar por quem acreditamos. Alguns de personagens nos guiam a acreditar nisso. Harper, por exemplo, tanto quer proteger seu filho como também zelar pelas pessoas que conheceu. A monstruosidade lhe faz ter medo, mas o amor lhe da coragem. 

A sua personalidade não é só uma questão do que você sabe, mas do que os outros sabem sobre você. Você é uma pessoa com sua mãe, outra com seu par, e uma terceira com seu filhoou filha. Essas outras pessoas criam você tanto quanto você mesmo se cria, elas lhe dão seu acabamento. Quando você se vai, aqueles que deixou para trás guardam a mesma parte sua que sempre tiveram.

Em meio a todos esses contextos, Mestre das Chamas é um livro supreendene pela proeza de nos fazer pensar. O mundo acabou pela primeira vez em água e pela segunda pode ser em chamas. Mas ambos talvez tenham em comum a maldade do homem como sua própria ruína. Não é a natureza em si que nos matará, mas a verdadeira natureza do homem que sempre o conduz rumo à sua destruição. A diferença entre viver ou morrer esta em quem todos iremos ser quando este tempo chegar.

| RESENHA | Para Todos Os Garotos Que Já Amei – Jenny Han – Livro 01.

Olá Corujinhas. À algum tempo atrás li o primeiro livro da trilogia Para Todos Os Garotos e agora sou do time que amam a simplicidade e a trajetória de Lara Jean. Engraçado como nunca tinha sido grande fã do gênero, mas este livro me deu vontade de ler ainda mais dele. Pois além de cumprir bem o seu propósito, foi uma leitura cheia de emoções e grandes aprendizados.

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Título: Para Todos Os Garotos Que Já Amei
Título original: To All the Boys I’ve Loved Before
Autora: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Ano: 2015
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑
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SINOPSE: Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.

O amor é assustador; ele se transforma; ele murcha. Faz parte do risco. Não quero mais ter medo.

Ler Para Todos Os Garotos Que Já Amei foi sensacional. Já esperava mais ou menos como seria a história e tinha certeza que não me esperavam grandes surpresas durante a leitura, como de fato não aconteceram. Mas não é porque algo não surpreende que significa que seja ruim. Para provar isso, neste livro aconteceu justamente o contrário. A supresa não foi um plost twist, mas a gradatividade com que as coisas foram acontecendo. Dessa forma, as minhas expectativas foram atendidas e a história se tornou uma daquelas que sempre irei lembrar com carinho.

Mas acho que as pessoas não mudam a essência. Elas são quem são.

Lara Jean ou Laranjinha para os íntimos é uma adolescente normal. Não existe nada de extraordinário nela que outra pessoa não conseguiria fazer. Por esse motivo a história foi tão interessante de ser lida. O fato de Lara Jean ser comum a torna especial. Ela passa a ser uma personagem real que poderia ser encontrada em cada esquina. Uma melhor amiga que partilha de nossos medos e com quem sentimos que podemos partilhar os nossos.

Só deixo as pessoas acreditarem no que quiserem. Não acho que seja minha responsabilidade me rotular para elas.

Ao entrar de cabeça na vida de Lara Jean, pude perceber que tudo vai além de um romance adolescente. Han desenvolve uma história de crescimento. No início da trama temos uma personagem sem muita confiança que depende dos outros para seguir em frente. De uma forma ou de outra, Laranjinha parecia sempre estar procurando aprovação de alguém. Mas, à medida que o livro avança, Lara Jean se fortalece para perceber que a única dona de sua vida é ela mesma. Isso não acontece de uma vez, mas de modo puro e simples como a própria personagem.

Acho que agora consigo ver a diferença entre amar alguém de longe e amar de perto. Quando você convive com a pessoa, vê quem ela é de verdade, e ela também vê você.

Jenny Han criou um livro fantásticos sem poréns, mas com muitos porquês. Seus persoagens cativam, mas principalmente sua história extraordinariamente comum nos leva a perceber quem somos e o que queremos ser. Leve, fluído e apaixonante Para Todos Os Garotos Que Eu Já Amei é uma história sobre coragem e amor: até onde esses sentimentos podem nos levar.

| RESENHA | Como Se Casar Com Um Marquês — Júlia Quinn — Agentes da Coroa — Livro 02.

Oii amores, tudo bom com vocês? Mês retrasado (#atrasadissimanaresenha) eu tive o prazer de me deliciar com mais um romance da extraordinária Júlia Quinn. Como Se Casar Com Um Marquês ganhou meu coração por ser um livro simples, mas cheios de significados de amor, familia e amizade.

como se casar com um marques julia quinn

Título: Como Se Casar Com Um Marquês.
Título Original: How A Marry To Marquis.
Série: Agentes da Coroa — Livro 02.
Autora: Júlia Quinn.
Editora: Arqueiro
Ano: 2017
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino.

Sinopse:Elizabeth Hotchkiss precisa se casar com um homem rico e bem rápido. Com três irmãos mais novos para sustentar, ela sabe que não lhe resta outra alternativa. Então, quando encontra o livro Como Se Casar Com Um Marquês na biblioteca de lady Danbury, para quem trabalha como dama de companhia, ela não pensa duas vezes: coloca o exemplar na bolsa e leva para casa. Incentivada por uma das irmãs, Elizabeth decide encontrar um homem qualquer para praticar as técnicas ensinadas no pequeno manual. É quando surge James Siddons, marquês de Riverdale e sobrinho de lady Danbury, que o convocou para salvá-la de um chantagista. Para realizar a investigação, ele finge ser outra pessoa. E o primeiro nome na sua lista de suspeitos é justamente… Elizabeth Hotchkiss. Intrigado pela atraente jovem com o curioso livrinho de regras, James galantemente se oferece para ajudá-la a conseguir um marido, deixando-a praticar as técnicas com ele. Afinal, quanto mais tempo passar na companhia de Elizabeth, mais perto estará de descobrir se ela é culpada. Mas quando o treinamento se torna perfeito demais, James decide que só há uma regra que vale a pena seguir: que Elizabeth se case com seu marquês.

Julia Quinn é uma das minhas autoras favoritas da contemporaneidade. Desde que li a série Os Bridgertons venho cada vez mais lendo outras obras da autora e me encantando por suas histórias. Apesar de nenhuma me encantar como os primeiros livros, cada obra tem sido especial à sua forma. Como Se Casar Com Um Marquês foi uma leitura sensacional que — de certa forma — eu não esperava. Julia Quinn trouxe uma coisa nova para suas histórias: não se trata mais de apenas um casal, mas do caminho que duas pessoas percorrem para encontrar o amadurecimento e a felicidade em si mesmos.

Não tenho certeza se é minha mente, mas sempre que leio um novo livro tento perceber a evolução mental dos personagens pois esta quando acontece, me ajuda a ter a sensação de que toda obra valeu à pena. Com a escrita característica marcada por leveza e fluidez, Julia Quinn consegue evoluir bastante as certezas, os medos e as personalidades Elizabeth e James. Por isso, em variados momentos da trama me senti próxima de ambos vendo-os como pessoas reais. Mesmo nos momentos em que senti raiva de atitudes de Elizabeth e James, pela realidade que cada apresentou não pude deixar de entendê-los.

O romance fala por si só. Ao criar duas personagens tão reais, Quinn desenvolve uma paixão também real. Conflitos internos inserem sensatez à uma troca de desejo incendiário. Foi lindo ver como tudo ia além das barreiras do amor de casal porque os dois personagens principais tinham preocupações que chegavam as suas famílias. Dessa forma, o amor era também fraternal onde todas as decisões deveriam ser pensadas em coletivo. Sim, se torna um tanto exaustivo o nunca se deixa levar pelas emoções, mas também é maravilhoso perceber a profundidade de todas estas ações.

Mas tenho que admitir que de tudo que poderia ter feito eu amar a obra, com certeza minha amada Lady Dambury encontra-se no topo da lista. Apesar de ter amado vários aspectos da obra, rever minha personagem favorita dos romances de época foi mágico. Parece bobagem, mas foi como encontrar uma com uma amiga e papear sobre diversas coisas. Suas aparições foram esplêndidas carregadas com o humor que somente Lady D. (Humpf!) é capaz de fazer.

Como Se Casar Com Um Marquês foi um leitura excelente cheia de magia e com uma boa pitada de sedução. Mas, muito mais que isso, é uma história de compreensão familiar e sobre como somos capazes de encontrar a felicidade nos lugares mais improváveis rodeados pelo imprevisível.

| TAG | Cinco Tons Literários

Oii gente. Como vocês sabem esse mês estou em campanha de Novembro Azul para conscientização do câncer de próstata, mas também indo além e tentando informar que todo tipo de câncer deve ser diagnosticado o mais breve possível. Por isso a tag de hoje foi criada justamente para contemplar esse mês. A tag de hoje está sendo feita em parceria com a Vivi do blog O Senhor dos Livros, então não esqueçam de ver o dela depois.

Vamos lá?

1. Azul prussiano.
Um livro que se passe em um país exótico (fictício ou não).
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Feita de Fumaça e Osso com certeza se passa em um lugar exótico que por sua causa eu fiquei com bastante vontade de conhecer. Contando a história da jovem Karou, o livro se passa a princípio na República Tcheca nos dando paisagens magníficas cheias de magia. Eu super recomendo esse livro pois é uma das melhores trilogias fantásticas que já li. Quem sabe ano que vem não resolvo fazer uma releitura?

2. Azul Royal.
Um livro que tenha realeza.
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O livro Sombra E Ossos de Leigh Bardugo é envolvido em um mundo de reis e rainhas. Ele conta a história de Alina, que vive em um mundo dominado pelo medo. Eles lutam contra inimigos criados por uma fenda mística criados por uma misteriosa escuridão que também criou uma fenda onde esses monstro abitam. A história se desenrola a partir do poder que Alina descobre possuir e que é uma esperança de finalmente libertação para seu povo.

3. Azul Marinho.
Um livro que tenha passagens em alto-mar.
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Engraçado como somente agora eu percebi que a maioria dos livros que li não possuem passagens em alto mar. Pode até envolver aviões, mas passagem em alto-mar é difícil de modo que só consigo pensar em um livro. A Fúria dos Reis de George R. R. Martin possui passagens em alto-mar quando narradas pelo ponto de vista do personagem Davos Seaworth que é capitão da frota de um dos candidatos a rei Staniss Baratheon. Além disso, por ser um livro que lida com dois continentes, durante o decorrer dos seguintes há uma grande quantidade de passagens que são feitas em alto-mar. Inclusive batalhas e viagens.

4. Azul Turquesa.
Um livro que seja precioso para você.
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Um dos meus livros favoritos de toda vida (que eu cito sempre que surge uma oportunidade) é O Sol É Para Todos de Harper Lee. Ele conta a história de um advogado negro que esta à defender um homem negro acusado de estupro nos Estados Unidos em 1950 (época de apartheid). Contado através de sua filha, Scout a história se desenrola trazendo à tona várias situações preconceito racial ou não. É um livro que todos deveriam ler.

5. Azul Bebê.
Um livro que seja leve e divertido.
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Ler Perdida da Carina Rissi foi uma experiência única. Eu gostei de mais do modo com o qual a autora trabalhou a história nos apresentando uma personagem que é engraçada na medida certa. Fazendo jus ao gênero comédia romântica, Carina Rissi criou um livro divertido ao extremo que nos faz rir, nos faz se apaixonar, e nos deixa pedindo mais.

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Então amores, essa foi a tag de hoje, espero que tenham gostado. Não esqueçam de passar no blog da Vivi para ver a tag que ela apresentou também. E não se esqueçam: contra o câncer, a prevenção é o melhor remédio. Beijos.

| Resenha | A Garota Que Você Deixou Para Trás – JoJo Moyes

Oii Corujinhas, espero que esteja tudo numa boa com cada um de vocês e que as o leituras estejam sendo maravilhosas. Recentemente, uma amiga da faculdade me indicou o livro A Garota Que Você Deixou Para Trás da JoJo Moyes afirmando que era o melhor livro da autora. Depois de ler Como Eu Era Antes de Você e O Som do Amor e ter abandonado A Última Carta de Amor da autora, não estava nos meus planos ler nada mais da autora tão cedo. Mas peguei o livro despretensiosamente em um sábado e quando o domingo chegou e finalizei a leitura. E tenho que dizer ão houve como não ficar mais do que satisfeita por ter dado uma chance à obra.

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Título: A Garota Que Você Deixou Para Trás.
Título original: The Girl You Left Behind.
Autor: JoJo Moyes
Editora: Intrínseca
Ano: 2014
Páginas: 384
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 ❤
Encontre: Skoob || Saraiva || Amazon

Sinopse: Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo a família, a reputação e a vida na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

Comecei a ler A Garota Que Você Deixou Para Trás por indicação de uma amiga da faculdade. Depois de tanto ouvir falar dela que este era o melhor livro da JoJo Moyes comecei a pensar: porque não? Dito isso, ao iniciar o livro possuía altas expectativas que estavam mescladas ao temor de acabar não gostando do livro mesmo assim. Mas a poética e emocionante história fez meu coração bater mais forte sem me deixar largar a leitura por um instante.

Primeiramente tenho que admitir que não consigo achar a escrita de Moyes fluente. Pelo contrário, acho-a exaustiva pois tenho a impressão que quanto mais eu leio, menos passo as páginas. Assim costumo demorar mais do que o usual para finalizar seus livros. Mas, graças ao deus dos livros, o “A Garota…” foi uma leitura bem rápida apesar de eu ter demorado para pegar o ritmo. Foi algo que me pegou desprevinida pela clareza com o qual os sentimentos foram expostos além de todo o mistério envolvendo a trama.

O mais legal de ler livros dos quais não sabemos quase nada sobre eles é o quão mais fácil você consegue se surpreender pela qualidade da história. JoJo Moyes criou uma obra que me deixou abismada e ao mesmo tempo extasiada com o que se passava. Em variados momentos eu me vi torcendo pelos personagens emocionada por sua trajetória. Neste livro, a escrita da JoJo Moyes bem como a maneira com o qual ela conduziu o enredo foram mais que suficientes: foram extraordinárias.

As personagens principais da trama são, com toda certeza o ponto mais alto do livro. É um eufemismo dizer o quão carismática suas duas mulheres foram fazendo parte da lista das personagens que mais me deixaram apegadas à sua trajetória. Em primeiro plano, Sophie foi uma mulher cheia de coragem, mas também de dúvidas. Consegui enxergar com clareza as atitudes que ela tomava e seu único desejo de rever seu marido, mesmo sempre que tentando manter sua família sã e salva. Já Liv, mesmo sentindo raiva dela por diversas vezes, me cativou pelo mesmo motivo que Sophie: vi verdade no que ela fazia mesmo que não concordasse com tudo.

Além de suas personagens principais, devo ressaltar o mistério muito bem construído proposto por JoJo que me deixou à ponto de arrancar os cabelos. Foi maravilhoso ver o mistério em torno do quadro, mas principalmente o ensinamento que o objeto deixou para trás. O ponto de união dessas duas histórias foi justamente esse ensinamento que fez com que tanto Sophie, quanto Liv percebessem que não eram mais “as garotas deixadas par trás” mas algo à mais que elas.

A Garota Que Você Deixou Para Trás é um livro que inspira coragem e amadurecimento. Apesar de não ter chorado, o livro me tocou pelas verdades de suas palavras. Vencer e ter não é o essencial, mas sim deixar ser levado pelas coisas boas que a vida pode nos trazer.

| Algo À Ver | Lado A Lado – Chris Columbus.

Olá corujinhas. Espero que sua semana tenham se passado bem e que o fim seja melhor ainda. Nesse mês, como bem sabem, estou fazendo campanha de Novembro Azul mas de modo a abrangir todos os lados dessa doença. A Vivi do blog O Senhor dos Livros também aderiu a campanha fazendo um lindo post sobre A Culpa É Das Estrelas especialmente para vocês. Dessa maneira, tanto esse post como o dela é um apelo para que todos façam exames e se previnam. Previnir é sempre o melhor remédio. Por isso, a resenha de hoje será de um filme antigo, mas que sempre que o assisto me provoca uma sensação diferente no peito. Em Lado A Lado, do diretor Chris Columbus, somos apresentados a uma história de família em um retrato de compaixão e compreensão. 

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Título: Lado A Lado
Título original: Stepmon
Diretor: Chris Columbus.
Elenco: Julia Roberts e Susan Sarandon.
Roteiro: Gigi Levangie, Jessie Nelson, Steven Rogers Karen Leigh Hopkins e Ronald Bass.
Ano: 1998
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 💜

Isabel (Julia Roberts) é uma fotografa de sucesso que esta namorando Luke (Ed Harris). O executivo tem dois filhos – Ana (Jena Malone) e Ben (Liam Aiken) – e é divorciado de Jackie (Sara Sarandon). Isabel faz de tudo para agradar as crianças que lhe tratam com hostilidade pois desejam ver seus pais juntos e felizes novamente. Jackie, assim como os filhos, trata friamente Isabel pois não a considera adequada. As coisas então pioram quando Jackie recebe a notícia de que tem leucemia e é informada de que podera morrer por conta da doença. Mas o que parecia ser devastação, se torna uma ponte para o entendimento desta família à superar as mágoas do passado e aprender lições de amor e família.

Lado A Lado é um filme clássicos daqueles que eu posso assistir mil vezes que irei gostar e aprender algo novo. Com uma fotografia simples e um enredo bem construído, é um filme que vem para ampliar os nossos horizontes. Mostra-nos a fragilidade de nossas vidas e a capacidade que esta tem de tomar rumos que não esperamos. De certa forma, consigo ver amplitude no filme que tenta mostrar ao espectador como os papeis podem se inverter: um dia estamos dispostos a julgar firmemente alguém, até que por uma rasteira da vida somos levados à precisar da ajuda daquela pessoa.

É fácil compreender os papéis dos atores dentro do filme. Luke é um pai amoroso que tenta fazer as vontades dos filhos e manter uma boa relação com a ex-mulher, embora não esteja disposto a abrir mão da namorada. Já as crianças são bonitamente unidas à um propósito. Eles desejam à felicidade dos pais e acreditam que isso só será possível com ambos juntos. Claramente, Ben é influenciado por Ana, uma pré-adolescente que esta revoltada com a nova namorada do pai por acreditar que Isabel é a causa de todo sofrimento da família. De certa forma, Ana representa o sofrimento de todas crianças que não entendem a separação dos pais e procuram um objeto para jogar sua frustração.

Por fim, como enredo principal da trama temos a relação de Jackie e Isabel que é tensa e pontuada por palavras hostis. Isabel esta sempre tentando provar que ama de verdade as crianças, sem tentar ocupar o lugar que sempre vai ser de Jackie. É muito tocante a forma com o qual Isabel se preocupa com Ben e Ana, mesmo que eles lhe mantenham longe sempre tentando resolver seus problemas da melhor maneira possível. Do outro lado da moeda porem, Jackie esta sempre disposta a formentar a raiva que as crianças tem da nova namorada. Posando como uma mãe perfeita e única realmente capaz de entender as crianças. Jackie, entretanto, apesar de claramente estar errada por isso, é fácil de ser entendida. Ela tem medo de perder os filhos, do mesmo modo que perdeu o marido. O medo faz com que ela repudie Isabel que lhe é uma ameaça.

A partir da construção desse tocante enredo, a notícia da doença de Jackie vem junto com a proposta de casamento de Luke à Isabel. Dessa forma, Jackie precisa encontrar em Isabel uma nova forma de vê-la. Ela pode se tornar uma figura importante na vida dos filhos, de maneira que deve entender a mudança do amor e o que Isabel deverá representar na vida de suas crianças.

O ponto melhor de Lado A Lado é justamente os conflitos internos de Jackie.   A mulher passa a compreender que existe engano em pensar que temos controle de tudo, pois a qualquer momento podemos ficar de seus filhos sem chance de voltar a revê-los. Jackie tem que lidar com a incerteza e a impotência de não saber como será sua falta. Mas principalmente lidar, com a coragem – ou a falta dela – para deixar os bens mais preciosos aos cuidados de outra pessoa.

Lado A Lado é um filme tocante que vem para no ensinar várias lições sobre o mundo e sobre família. Somos levados à compreender não somente que dilemas à esperar da doença, como também a repensar no papel que cada pessoa tem à nossa volta.

| RESENHA | O Ódio Que Você Semeia – Angie Thomas.

Ler um livro que fala sobre preconceito no mundo intolerante de hoje é assustadoramente real. Tenho feito um punhado de leituras com esse tema durante os últimos meses e todos os livros me impactaram de alguma forma. O Ódio Que Você Semeia não foi diferente colocando-se entre os melhores. A história é um perfeito manifesto em virtude de todas pessoas que necessitam saber que suas vozes devem ser ouvidas.

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Título: O Ódio Que Você Semeia
Título Original: The Hate U Give
Autora: Angie Thomas
Editora: Galera Record
Ano: 2017
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑
Encontre: Skoob || Saraiva || Submarino || Amazon

Thug Life era sigla de The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody, “o ódio que você passa pras criancinhas fode com todo mundo”

Sinopse: Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos. Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra. Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos – no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa. Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.

A verdade gera uma sombra na cozinha; pessoas como nós em situações assim viram hashtags, mas raramente conseguem ter justiça. Mas acho que todos esperamos que essa vez chegue; a vez em que tudo vai acabar da forma certa.

O Ódio Que Você Semeia está entre as melhores leituras que realizei esse ano. Pensar em racismo, remete a pensar em que tipo de sociedade iremos deixar para nossos filhos visto quão perigoso o mundo está hoje e quem apoiamos para ocupar os cargos de poder. Pensar em racismo é ligar a TV e ver as notícias de atentados em todos os lugares do mundo ou crianças sendo ensinadas a odiar aqueles que lhe são diferentes. Ler um livro como de Angie Thomas é ver que tipo de legado estamos dispostos a deixar para trás.

— Todo mundo está com raiva porque Um-Quinze não foi acusado — explico —, mas também porque ele não é o primeiro a fazer uma coisa assim e se safar. Sempre acontece, e as pessoas vão continuar se rebelando até mudar. Então, o sistema ainda está semeando ódio, e todo mundo ainda está se fodendo?
Papai ri e me dá um soco na mão.
— Minha menina. Olha a boca suja, mas, é, é isso. E a gente nunca vai parar de se foder enquanto isso não mudar. Essa é a chave. Tem que mudar.

O Ódio Que Você Semeia foi um livro diferente do que eu esperava para ele. Quando leio livros que abordam temas mais pesados sempre penso que eles vão vir recheados de carga dramática sem alívios cômicos. Mas o livro de Thomas fugiu a regra ao se mostrar tenso nas horas certas e dramático nas horas certas, mas também fazer uso de uma linguagem fácil repleta de humor. Thomas conseguiu mostrar com perfeição que não é preciso ser pesado para falar sobre assuntos polêmicos, pois estes estão inseridos em todos os lugares de nossas vidas idependente de qualquer situação. Mais do que isso, Thomas cria um mundo adolescente real onde desenvolve uma narrativa que mistura a vida e a tecnologia. O mundo geek, o mundo nerd, o mundo que vivemos está representado dentro deste livro. Nunca antes eu tinha lido uma obra com tantas interações da internet ou citações atuais dentro de uma obra. É como se a autora colocasse para todos verem que o racismo pode estar em todas plataformas. Não nego que às vezes de forma um tanto forçada, sim, mas que definitivamente fazem sentido dentro do contexto do livro.

Papai alega que as casas de Hogwarts são gangues, na verdade. Têm suas próprias cores, seus esconderijos e estão sempre brigando umas com as outras, como gangues. Harry, Rony e Hermione nunca deduram um ao outro, assim como integrantes de gangues. Os Comensais da Morte têm tatuagens iguais. E veja Voldemort. Eles têm medo de dizer o nome dele. Falando sério,o papo de “Aquele Que Não Pode Ser Nomeado” é a mesma coisa quedar um nome de rua para ele. É coisa de gangue mesmo.

Os personagens são diferentes um dos outros de modo que não dá para confundi-los. Por uns, criei certa antipatia enquanto por outros sinto como se fosse amiga de infância. Tal dualidade me proporcionou maior proximidade com a história. Consigo enxergar ali as pessoas ao meu redor: a garota que tem medo, o homem que percebeu os erros do seu passado, a menina que por estar tão acostumada aquilo que não percebe suas atitudes racistas, a mãe… um irmão… um amigo… Tantos personagens com medos, aflições e alegrias diferentes que produziram efeitos variados de amor e ódio durante a leitura.

Mas é engraçado como funciona com os adolescentes brancos. É maneiro ser negro até ser difícil ser negro.

Starr é uma personagem extremamente cativante. A garota é uma adolescente comum com à qualquer menina de sua idade. Mas com uma pitada que não existe à outras adolescentes fora do mundo “negro: Todas as garotas têm medo de apresentar o namorado ao pai, mas Starr tem que apresentar um namorado que acima tudo é branco; Todas as garotas sofrem com crise de autoconhecimento, mas Starr tem que aprender a ser uma pessoa diferente para não ser taxada como do gueto. Dessa forma, a medida que vamos nos afundando na vida de Starr e a conhecendo melhor, é possível entender o seu medo e o porquê de estar tão presa aos estigmas da sociedade. Não é fraqueza que a menina colocou em si mesma e sim uma barreira gigantesca que o mundo atira em suas costar. Starr poderia ser normal, se as pessoas não lhe olhassem diferente.

Esse é o problema. Nós deixamos as pessoas dizerem coisas, e elas dizem tanto que se torna uma coisa natural para elas e normal para nós. Qual é o sentido de ter voz se você vai ficar em silêncio nos momentos que não deveria?

Os personagens secundários são igualmente cativantes. Começando pela família de Starr consigo perceber neles duas coisas: a primeira é a imagem inicial de que eles juntos são felizes e fortes como em um comercial de margarina. Sorriem e se apoiam sempre querendo o melhor e dando força um para o outro. Mas eu também percebo que esses personagens possuem uma carga dramática imensa para compor esse misto de felicidade exarcebaba e preocupações: O pai de Starr, Maverick foi preso e perdeu os primeiros anos do nascimento de sua filha além de ter tido um filho fora do casamento. Assim sua família teve que lidar com sua ausência em anos difíceis tendo o amparo de um tio para seguir em frente; Seven, meio irmão de Starr, tem que lidar com o fato de sua mãe namorar o chefe da gangue do bairro e ver elas e suas irmãs à mercê dessa situação. Dessa forma, ao mesmo tempo que Angie mostra situações difíceis, também ressalta como eles são uma família como qualquer outra. Como ser negros não significa que eles tem que ser uma família miserável, destruída e sem destino certo. Porque esse é apenas mais um estereótipo que a sociedade os envolveria.

Logo cedo, eu aprendi que as pessoas cometem erros, e você tem que decidir se os erros são maiores do que seu amor por elas.

Vale ressaltar também a evolução que Starr consegue ter no livro. Ela começa como uma personagem amedrontada para então se tornar uma personagem corajosa. Starr aprende como usar sua voz e os motivos pelos quais ela merece ser ouvida. Ela deixa para trás a dupla identidade para então se encontrar e ser à si mesma em seus dois mundos.

— Ter coragem não quer dizer que você não esteja com medo, Starr — diz ela. — Quer dizer que você segue em frente apesar de estar com medo. E você está fazendo isso.

Esse livro de Angie Thomas foi tudo que eu não esperava e mais um pouco. É sim uma das leituras mais gratificantes do ano. É um apelo para que todos nós percebamos por quais caminhos estamos percorrendo e demonstrando às nossas crianças. Um manifesto pela igualdade que nos deixa com raiva, emocionados e felizes. Mas principalmente que nos motiva a lembrar de Gandhi e sermos as mudanças que queremos e podemos ser no mundo.

Às vezes, as coisas dão errado mas o importante é continuar fazendo o certo.

| RESENHA | It: A Coisa – Stephen King

Oii gente. Tudo bom com vocês? No mês passado em um longo, mas fascinante projeto literário contemplei o livro It – A Coisa de Stephen King. A Vivi (O Senhor dos Livros) me convidou para fazer parte do projeto #LendoACoisa que aceitei por dois motivos: primeiro porque é sempre bom ter alguém com quem partilhar uma leitura e segundo pois esta leitura já era um desejo antigo de realizar. De modo que durante mais ou menos três meses me afundei nos horrores de Derry através dos olhos de sete corajosas crianças-adultas: Bill, Richie, Beverly, Ben, Mike, Eddie e Stan. Sete pessoas que conheceram o mais profundo medo e através do poder da amizade lutaram contra ele. Por isso neste 31 de Outubro, minha resenha será esta obra fantástica de Stephen King.

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Título: It – A Coisa
Titulo Original: It
Autor: Stephen King
Editora: Suma das Letras
Ano: 1986
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 💜
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino

Mas é bom pensar assim por um tempo no silêncio limpo da manhã, pensar que a infância tem seus segredos doces e confirma a mortalidade, e que a mortalidade define toda a coragem e todo o amor. Pensar que o que já ansiou pelo futuro também precisa olhar para trás, e que cada vida faz sua própria imitação da imortalidade: uma roda.
• Bill Denbrough.

SINOPSE: Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e… do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Em ‘It – A Coisa’, clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

Diferente de quase todas as pessoas que já leram It – A Coisa (e apesar de ser o Dia das Bruxas) não considero este livro como terror propriamente dito. Na verdade, sinto-o mais como um livro criado aos moldes da realidade fantástica. Isto, porque o livro não chegou a me aterrorizar visto que nas cenas de maior frenesi não senti nem medo e nenhum tipo de aflição. Mas muito embora neste ponto narrativa não tenha sido suficiente não posso afirmar que influenciou em minha opinião final sobre a leitura. Pois apesar de não ter sido aterrorizada pela obra, fiquei sim horrorizada pelas atitudes de quase todos os personagens. De certo modo, considero que o livro de King procurava muito mais horrorizar o leitor monstrando-lhe as profundezas das maldades humanas, do que aterroriza-lo com um monstro no fim do túnel.

E, quase sem querer, em uma espécie de pensamento paralelo, Eddie descobriu uma das grandes verdades de sua infância. Os adultos são os verdadeiros monstros, pensou ele.
• Eddie Kaspbrak

Ler um livro gigantesco, por mais que a leitura seja fluída, requer certa disciplina. É um livro que dispõe tempo e precisa ser muito bem escrito para que o leitor sinta-se motivado para continuar. It – A Coisa têm essa característica pois me fez querer virar a página e dar continuidade a leitura. Apesar de ser um calhamaço, a obra possui a qualidade de ser muito bem produzida em que mal me dei conta das páginas virando. Se eu contasse só os dias que passei lendo o livro sem levar em consideração outras que li ao finalizar cada uma das cinco partes, demorei no máximo sete dias para finalizar a obra. Por esse motivo, se você tem medo da quantidade de páginas que formam It não se preocupe. O livro é  super gostoso de ler.

Ainda levando em consideração os aspectos de composição da obra, estes ajudam à dar uma certa leveza ao livro. Divido em cinco partes King criou uma ponte densa entra cada uma, mas que se assemelham às que os autores criam em séries de livros separados. Você sabe que tem muito mais história por vir, mas o que lhe foi contato naquela parte por enquanto é o suficiente permitindo dar uma pausa na obra para então retomá-la sem problemas em um momento seguinte. Aqui se insere um dos pontos que mais gostei na obra de King que eram as pequenas retomadas que ele fazia relembrando pontos importantes para que nada fosse perdido. Consegui ter uma dimensão maior de tudo, ao relembrar e dar maior crédito à algumas coisas que de primeira passaram despercebidas.

Talvez, pensou ele, não existam coisas como amigos bons ou ruins. Talvez existam só amigos, pessoas que ficam ao seu lado quando você se machuca e que ajudam você a não se sentir muito sozinho. Talvez valha a pena sentir medo por eles, sentir esperança por eles e viver por eles. Talvez valha a pena morrer por eles também, se chegar a isso. Não amigos bons. Não amigos ruins. Só pessoas com quem você quer e precisa estar; pessoas que constroem casas no seu coração.
• Eddie Kaspbrak

Em relação aos personagens, It – A Coisa conseguiu me fazer ter uma sensação que pouquíssimos livros já o fizeram. Apesar da sobrenaturalidade que envolve todos os personagens, também é possível perceber a realidade que cada um possuí. Começando pelo lado infantil, as crianças realmente aparentam ser crianças. Existem muitas obras infantis em que os pequenos parecem muito mais adultos que crianças da sua idade. King, por outro lado, conseguiu explorar com genialidade os medos e as personalidades dos integrantes do Clube dos Otários de modo que estes nunca fugiram dos pensamentos comuns à sua idade durante boa parte da obra. Boa parte, pois, ao mesmo tempo que percebemos esta característica, também é possível observar que as crianças amadurecem ao longo do livro e vão cada vez mais demonstrando quais personalidades irão assumir quando adultos.

Por falar em adultos, King também fez um trabalho fantásticos com não só os Otários mas como também com os outros personagens que permeiam a obra. Há uma diferença absolutamente palpável entre eles onde cada um tem sua personalidade e seu modo de ser de maneira que não da para confundir suas falas e ações. King construiu um mundo de pessoas divergentes umas das outras em seus medos, angústias, paixões e desafios. Derry se torna uma cidade quase real pois cada um de seus habitantes realmente poderiam existir e estar ao nosso lado.

Acho que é isso que queremos dizer quando falamos sobre a persistência da memória, isso ou alguma coisa assim, uma coisa que você vê na hora certa do ângulo certo, uma  imagem que desperta emoções como um motor. Você vê tão claramente que todas as coisas que aconteceram no meio-tempo somem.
Se o desejo é o que fecha o círculo entre o mundo e a vontade, então o círculo fechou.
• Bill Denbrough.

Emocionalmente, apesar de não ter sentido medo durante a leitura de A Coisa posso dizer que fui tocada pelas palavras de King em diversos pontos. Nessa história criada para horrorizar o leitor, os moradores de Derry cumpriram seu papel mostrando o quão cruel um ser humano pode ser. Desde ao que mães podem fazer para proteger seus filhos à o que pais podem fazer para maltrata-los, King traça uma linha em qual expõe os seres humanos modo nu e cru. Eu senti raiva, vergonha e medo do que os homens são capazes de fazer. It me deu um sentimento de que quase todos somos vis e cruéis quando temos a oportunidade. Somos feitos de carne, ossos e maldade. Como se esperassemos uma brecha, um motivo para ser atrozes.

Durante toda a leitura de A Coisa, não posso contar em dedos quantas vezes situações desesperadoras foram criadas, não pelo monstro e sim pela própria humanidade. Racismo, sexismo, violência, intolerância… Sentimentos que repetiram-se continuamente durante a leitura provocando-me a pensar que todos somos a própria Coisa no mundo. Nos alimentamos da tristeza dos nossos semelhantes de modo à sermos a doença que fere o mundo. Um tumor que cresce à medida que fazemos a maldade como que tambem fechamos os olhos ao que acontece ao nosso redor.

Essa qualidade da imaginação deixava os alimentos muito suculentos. Os dentes da Coisa destroçavam carne dura de tantos terrores exóticos e medos voluptuosos: eles sonhavam com animais noturnos e lamas em movimento; contra a própria vontade, eles contemplavam abismos infinitos.
• A Coisa

Mas, ao mesmo tempo em somos o câncer do mundo, It também nos mostra que somos a cura através de Bill, Richie, Beverly, Mike, Eddie e Stan. O amor e amizade sempre poderão nos salvar de qualquer mal se deixarmos que ele faça isso. Curamos quando ficamos unidos e nos deixamos ser curados. Essa é a maior lição de A Coisa. É a percepção de que sim existe coisas maiores que nós que puxam ou para o bem ou para o mal. Tais formas porém apenas nos dão as ferramentas para que possamos agir, mas apenas se acreditarmos no que fazemos é que conseguiremos encontrar o caminho para longe das mazelas e da escuridão.

Ler It – A Coisa foi sem dúvidas diferente de tudo que eu esperava que poderia acontecer. Fui levada do medo à esperança e deixada as margens de uma humanidade terrível mas também sonhadora. É um livro que sempre vou lembrar de ter lido por ter me dado muito mais do que um monstro, mas ter me mostrado quem são os verdadeiros. Somos nós, ao mesmo tempo que podemos ser a luz no fim do túnel, basta olharmos para quem somos e assim nos perguntar se estamos fazendo juz à crianças que éramos um dia.

Você não precisa olhar para trás para ver essas crianças; parte de sua mente vai vê-las para sempre, vai viver com elas para sempre, vai amar com elas para sempre. Elas não são necessariamente a melhor parte de você, mas já foram o depósito de tudo que você poderia se tornar.
• Bill Denbrough

| RESENHA | Corte de Névoa e Fúria — Sarah J. Maas — Livro Dois.

Sarah J. Maas é uma das minhas autoras favoritas na escrita fantástica. Ler seus livros é sempre ser levado por uma enxurrada das mais fortes emoções. De certa forma, eles me fazem lembrar os motivos pelo quais meu blog tem o nome inverso do meu gênero favorito. Por que quando você lê uma ficção fantástica absurdamente bem escrita percebe que não existe limites para as emoções e para o inimaginável. Corte de Névoa e Fúria é com certeza meu livro favorito da autora até então entrando também para a minha lista para das melhores fantasias de todo os tempos. Pois, ele me fez crer ainda mais no poder do fantástico e da ficção.

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Título: Corte de Névoa e Fúria
Titulo Original: A Court Of Winds And Mist
Autor: Sarah J. Maas
Editora: Galera Record
Ano: 2016
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 💜
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino

 

SINOPSE: O aguardado segundo volume da saga iniciada em Corte de Espinhos e Rosas, da mesma autora da série Trono de Vidro. Nessa continuação, a jovem humana que morreu nas garras de Amarantha, Feyre, assume seu lugar como Quebradora da Maldição e dona dos poderes de sete Grão-Feéricos. Seu coração, no entanto, permanece humano. Incapaz de esquecer o que sofreu para libertar o povo de Tamlin e o pacto firmado com Rhys, senhor da Corte Noturna. Mas, mesmo assim, ela se esforça para reconstruir o lar que criou na Corte Primaveril. Então por que é ao lado de Rhys que se sente mais plena? Peça-chave num jogo que desconhece, Feyre deve aprender rapidamente do que é capaz. Pois um antigo mal, muito pior que Amarantha, se agita no horizonte e ameaça o mundo de humanos e feéricos.

— Quando se passa tanto tempo presa na escuridão, Lucien, se percebe que a escuridão passa a olhar de volta.

Ler um livro de Sarah J. Maas é sempre saber que virá um mar de emoções. A autora que é dona de uma escrita poética e detalhista, tem o dom de transportar-nos para mundo que criou. Sabemos sempre que devemos esperar o inesperado e que a palavra impossível não existe em seu vocabulário. E mesmo sabendo de tudo isso, não pude deixar de me surpreender com as diversas reviravoltas presentes em Corte de Névoa e Fúria. Foi muito melhor do que poderia imaginar. Sarah J. Maas superou minhas expectativas transformando o mundo criado aos moldes de A Bela e Fera em algo muito maior.

Aquela garota que precisava ser protegida, que desejara estabilidade e conforto… ela morrera Sob a Montanha. Eu morrera, e não houve ninguém para me proteger daqueles horrores antes que meu pescoço se partisse. Então, eu mesma o fiz. Eu não iria, não poderia abrir mão daquela parte de mim que despertara e se transformara Sob a Montanha.

Apesar de agora estar com Tamlin sem a ameaça de Aramantha, Feyre inicia sua jornada nessa obra de forma bastante parecida com a do livro anterior. Ela esta depressiva, quebrada e sem forças para continuar lutando por si. Vive em prol de outra pessoa esquecendo gradualmente de como ser feliz à medida que é sufocada pelo peso de tudo à sua volta. A diferença é que se antes Feyre estava infeliz pelas dificuldades financeiras de sua família, agora ela está infeliz pelo peso do sangue em suas mãos. Conforme os dias passam, tudo piora pois Tamlin não entende suas necessidades — ou finge não entender — e a envolve em um palácio de super-proteção transformando a Corte Primaveril em nada mais que um grande calabouço.

À questão não é se amava você, é o quanto. Demais. Amor pode ser um veneno.

 

Tamlin não é mais o mesmo ou talvez apenas agora mostre quem é o verdadeiro feérico que estava escondido abaixo da máscara. Se ele foi quebrado ou não assim como Feyre enquanto estava Sob A Montanha não faz exatamente diferença, pois de uma forma ou de outra Tamlin agora é apenas uma sombra grotesca do homem que foi ou aparentava ser. Em uma breve analogia com A Bela e a Fera Tamlin pode ser tanto a Fera do conto original por ter com Feyre em um relacionamento abusivo, como também o Gaston da versão animada Disney por ser simplesmente egocêntrico de mais para dar valor aos sentimentos e medos da Feyre quando acredita que apenas os seus são relevantes.

 

Eu parecia… Parecia que o ódio, o luto e o desespero tinham me devorado viva, como se eu estivesse, de novo, faminta. Não por comida, mas… mas por alegria e vida…

Juntos, Feyre e Tamlin enredam em um amontoado de situações agonizantes e precárias. Feyre está tão desesperada para sair da escuridão que a consome que aceita o que Tamlin lhe dá sem se dar conta que com isso está apenas reiterando com mais força as armas que ele usa para mantê-la sob controle. Mas a verdade é que Feyre nunca foi um bicho de estimação ou um ornamento bonitinho para se sentar em um trono e ser admirada. Dessa forma, Feyre não poderia suportar tal prisão por muito tempo chegando à um ápice de raiva, dor e desespero.

Porque o ódio era melhor que sentir nada; porque ira e ódio eram o combustível duradouro na escuridão infinita de meu desespero.

Quem me acompanha aqui no blog sabe que desde Corte de Espinhos e Rosas eu torcia para que Rhysand ganhasse mais destaque durante os volumes seguintes. De modo que para minha completa alegria, Rhys aparece em dado momento de Corte de Névoa e Fúria como um bálsamo para Feyre lhe abrindo os olhos ao que anda acontencendo no mundo fora do véu criado por Tamlin. Rhys fornece perguntas e respostas que Tamlin nunca lhe daria. Há perigo vindo em direção à Prithyan e Feyre com seu novo corpo e seus novo dons pode ser a única que poderá impedir a ruína dos reinos feéricos e humanos. Mas para isso, Feyre precisará treinar tais dons e fortifica-se pois quando a ameaça chegasse ela precisaria estar pronta para o que fosse necessário.

 

Você disse que eu deveria ser uma arma, não um peão, mas os dois parecem a mesma coisa para  mim. A única diferença é quem os empunha.

Como uma leitora fanática por suspenses em geral, durante boa parte da obra fiquei com um pé atrás em relação ao Rhys mesmo sendo completamente apaixonada por ele. Contudo, à medida que ia passando as páginas, Rhysand conquistou não só meu amor como minha confiança. Sarah construiu uma relação profunda entre os personagens principais. As cenas entre Rhys e Feyre são muito bem formuladas. Os diálogos e ações entre ambos vêm cheios dos mais variados sentimentos. A química entre os dois é palpável e passei boa parte do livo torcendo por um beijo ou qualquer coisa que me mostrasse o quão certo era aquele romance. Mas ao mesmo tempo em que pedia mentalmente por isso, sabia que não era a hora certa para acontecer. Ambos precisariam estar realmente prontos e inteiros.

Há dias bons e ruins para mim… mesmo agora. Não deixe que os dias ruins vençam.

Posso afirmar que Feyre e Rhysand foram remédios um para o outro. Feyre começa o livro frágil e desolada, mas com ajuda de Rhys se torna novamente — e até bem mais que antes — a mulher feérica empoderada ciente de seus desafios, escolhas e erros que sabemos que ela é. Feyre se reconstrói aos poucos pois a liberdade é sua bênção mas é a compreensão o seu alicerse. Já Rhys, por debaixo da máscara de Grão-Senhor da Corte de Noturna, esconde um feérico que tem muito mais medos e bondades do que podemos esperar. Reconstrói-se com a ajuda de Feyre ao perceber que o amor não é somente perda ou dor, é também amizade e cumplicidade. Rhys é intenso, arrebatador e altruísta capaz de se sacrificar por aqueles que ama. Com certeza é meu personagem favorito de toda a série pois ao enxergar sua alma percebi o quão humano este feérico pode ser.

Talvez amem tanto o lugar para onde vão que vale a pena. Talvez continuem voltando até que reste apenas uma estrela. Talvez essa única estrela faça a viagem para sempre, com a esperança de que um dia, se continuar voltando com frequência, outra estrela a encontre de novo.

Corte de Névoa e Fúria traz novos personagens além de nos trazer de volta alguns do passado. O mais engraçado é que desde o primeiro livro eu torcia para que certas pessoas também tivessem sua vez à encontrar um par no universo de Maas. E pelo andar da carruagem é bem provável que isso aconteça mesmo. Não somente pelas portas que ficaram em aberto ao fim deste segundo livro, como também pela complexidade singular que cada personagem — novo ou antigo — apresentou durante a obra. Não acredito que Sarah deixaria esses personagens de lado então é só esperar pelos spin-offs que tenho certeza se tratar de cada um.

O poder não pertencia aos Grão-Senhores. Não mais.
Ele pertencia a mim; assim como eu só pertencia a mim, como meu futuro era meu para decidir, para forjar.

 

Corte De Névoa e Fúria tem tudo para estar entre as melhores leituras que realizei esse ano. Não consigo definir e falar de tudo que senti durante a obra ou com certeza passaria a eternidade escrevendo essa resenha. Apenas posso dizer que sua leitura vale muito à pena. Entendo que algumas pessoas simplesmente não gostam de triângulos amorosos, mas quero acreditem em mim que de certo modo esse livro não se trata disso. Se trata de quem somos e quem podemos ser, mas principalmente de que tipo de amor escolheremos para fazer parte de nossas vidas.