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( Resenha ) Identidade Roubada — Chevy Stevens

Livros de suspense estão entre meus favoritos. Na verdade, meu consumo literário (apesar da vivacidade do blog) normalmente é voltado para as questões mais sombrias localizadas entre o suspense e o terror. Por esse motivo, muitas vezes sou capaz de pegar livros de suspense sem nem mesmo ler a sinopse. Baseada na capa e no comentário que normalmente acompanham os livros, decido se a obra vale meu tempo. Foi exatamente isto que aconteceu quando decidi ler Identidade Roubada de Chevy Stevens. E apesar de não poder dizer que foi um dos meus favoritos, ainda sim foi uma leitura que valeu a pena pelas interrogativas colocadas pelo autor.

Titulo: Identidade Roubada Título Original: Still Missing Autor: Chevy Stevens Editora: Arqueiro Ano: Paginas: Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ Encontre:| Amazon | Skoob

Identidade-Roubada-203x300Sinopse: Era para ser um dia como outro qualquer na vida de Annie O’Sullivan. A corretora de imóveis levanta da cama com três objetivos: vender uma casa, fazer as pazes com a mãe e não se atrasar para o jantar com o namorado. Naquele domingo, aparecem poucas pessoas interessadas em visitar o imóvel. Quando Annie está prestes a ir embora, uma van estaciona diante da casa e um homem sorridente vem em sua direção. A corretora tem certeza de que será seu dia de sorte. Mas o inferno está apenas começando. Sequestrada por um psicopata, Annie fica presa durante um ano inteiro em um chalé nas montanhas, onde vive um pesadelo que deixará marcas profundas.

Narrado em passado e presente por primeira pessoa nas duas situações, Identidade Roubada tem prerrogativas bem interessantes que precisam ser discutidas nos dias de hoje. Cada vez mais, somos surpreendidos por crimes violentos contra as mulheres. Contra homens também, mas a expressividade entre crimes de sequestro é expressiva enquanto tratada sob o hall do feminino. Muito embora o livro de Stevens não seja exatamente uma luta do feminismo, também não podemos desconsiderar essa possibilidade pela invocação do sentimento de revolta que nos rodeia quando entramos no seu universo.

Eu nunca havia lido nada da autora. Conheci sua obra através do canal da Pam Gonçalves em um vídeo de book-shell-of-tour. De primeira a capa e o título me chamaram bastante atenção, pois gosto bastante gênero e a criatividade do título despertaram em mim o sintoma de necessidade. Mas só realizei leitura muitos anos depois, quando, passeando entre os livros revi seu título e pensei: porque não? E posso dizer que apesar de não ter me surpreendido com a obra, a história que Chevy tem a oferecer é fantástica.

Narrado em primeira pessoa por Annie, a história se desenvolve bem pela escrita suave de Stevens. A autora não peca em dar mais detalhes do que o necessário, e sim construir ambientações e sentimentalismos que criam todo o aspecto inovador do livro. Afinal de contas, tal narração é feita através das cessões de Annie com um terapeuta. E muito embora isso deixe de lado uma parte do suspense da obra, ajuda a entender melhor como a personagem lidou com o sequestro-cativeiro e agora tenta retornar à sua vida normal.

Um dos pontos mais favoráveis ao livro, é com certeza Annie. A protagonista é carismática, um tanto cínica e incrivelmente humana. Poucas vezes me apeguei tanto a uma personagem na literatura. Isso se deve não somente ao grau de proximidade com a realidade trazida por Stevens. Exagerada e um pouco egocêntrica, Annie tem defeitos que muitas vezes julgamos, mas que fazem parte da vida de quem passou por abusos. É doloroso acompanhar cada um dos seus choros se tornando impossível não sentir empatia pela personagem.

O único defeito do livro foi o final. Mesmo que haja um bom plot-twist este não é bem desenvolvido dando a impressão que fora largado ao meio do caminho. As questões tão bem levantadas pela autora perdem espaço para uma válvula de escape simples e contraditória. Os motivos do livro deveriam ter sido melhor trabalhados para fechar tudo com chave de outro.

Identidade Roubada é uma leitura de altos e baixos que vale a pena pela realidade imposta pela autora. Um livro real sobre a hedionidade humana e suas implicações no contexto total da sociedade.

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( Resenha ) A Menina Que Roubava Livros – Markus Zusak

Semana passada, eu estava relendo alguns pontos dos meus livros favoritos. Em uma dessas pequenas releituras, voltei a encher-me de penas com a leveza da morte em A Menina Que Roubava Livros. Um bom ponto da literatura, é o fato que nunca temos uma mesma percepção de um mesmo livro. Você rele e gosta ainda mais, ou você relê e odeia. Claro que para mim aconteceu a primeira frase, mas o que eu não esperava era entender ainda mais a metáfora através das palavras de Markus Zusak.

Título: A Menina Que Roubava Livros | Título original: The Books Thief | Autor: Markus Zusak | Editora:  Intrínseca| Páginas: 480 | Ano: 2011| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤| Encontre: Skoob – Saraiva – Amazon

a menina que roubava livrosSinopse: Ao perceber que a pequena Liesel Meminger, uma ladra de livros, lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. A mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. Assombrada, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade. A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra-Mundial.

“Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é necessário. Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo, eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora gentilmente.”

A Menina Que Roubava Livros foi o primeiro romance histórico que tive a oportunidade de ler em meados de 2013 logo após assistir o filme de mesmo nome. Certamente eu não tinha tanta maturidade e muito do que li se perdeu pela falta de perspectivas. Me lembro de achar a leitura lenta sem entender verdadeiramente o significado das palavras e das situações levantadas por Markus Zusak. Hoje, cinco anos depois com muito mais leituras na cabeça e uma bagagem literária que busca cada vez mais reflexões, ao reler A Menina Que Roubava Livros tive um vislumbre de uma literatura clássica-contemporânea que deveria ser obrigatória.

“UMA DEFINIÇÃO NÃO ENCONTRADA NO DICIONÁRIO – Não ir embora: ato de confiança e amor, comumente decifrado pelas crianças”

A narrativa-onisciente traz uma perspectiva única para a história. A Morte se faz presente em primeira pessoa e em terceira, dando considerações sobre a história sem se deixar levar pelas emoções. Como a própria confirma, está cansada, e quer contar de forma leve, breve e muito corriqueira. Ela conhece tudo sobre em seu íntimo e seus pensamentos. Revela sua voz interior, o fluxo de sua consciência, fazendo com que o enredo seja plenamente conhecido em suas entrelinhas, seus pressupostos, seu futuro e suas consequências.

É interessante notar como Zusak faz da Morte uma personagem que não possuí nada para além do comum, aludindo ao que acontece todos os dias de morte pura e simplesmente. Sendo uma personagem não caricata, a Morte transforma-se em uma narradora experiente que tem o peso do mundo em seus ombros. A Morte é uma vilã e uma mocinha ao mesmo tempo, trabalhando para os vilões para salvar as almas do sofrimento.

“Por favor, acredite quando lhe digo que, naquele dia, peguei cada alma como se fosse um recém-nascido. Cheguei até a beijar alguns rostos exaustos, envenenados. Ouvi seus últimos gritos entrecortados. Suas palavras evanescentes. Observei suas visões de amor e os libertei de seu medo.”

Dessa maneira, quando a narração muda para a vida de Liesel, a Morte perde um pouco de sua considerações e se volta a aludir aos fatos, muito embora nos marque com uma frase de efeito. Mas ao dar foco a Liesel, a Morte se estende para revelar a personalidade dessa menina que lhe parece tão próxima. Liesel, assim como a morte é comum e não caricata. É forte como uma criança deve ser aprendendo todos os dias em como ser uma pessoa melhor e a entender as injustiças da vida não se abalando por elas. Liesel não é um rosto adicionado à massa, mas uma garota inteligente que usa das armas que possui para proteger aqueles que ama.

Assim, de um maneira única, Zusak cria uma porção de personagens que se tornam pessoas a medida que parecem avançar saltar as páginas e encher os olhos. Entre texto sobre a vida e Liesel e considerações sobre o momento, o autor nos dá esperanca que supera o medo que existe no coração das pessoas que rodeiam o mundo cheio de beleza e brutalidade.

“Os seres humanos, me assombram.”

A Menina Que Roubava Livros vai ser sempre um dos livros favoritos de toda minha vida. Pretendo realizar outras leituras desse livro e absorver cada vez mais da história de Markus Zusak cuja tenho a certeza que me oferecerá ainda mais. Se posso fazer das palavras da Morte as minhas, espero entender por essas páginas a verdade sobre os medos e anseios da humanidade entendendo à realidade de suas histórias tão amaldiçoadas e tão brilhantes. A Menina Que Roubava Livros é um livro para toda vida.

( Resenha ) Fique Comigo – Harlan Coben

Existem alguns autores que não importa quantos livros você leia dele que jamais irá cansar ou ficar com aquela sensação incomoda de mais do mesmo. Harlan Coben é um desses autores em minha vida. Sempre com dinamismo, o Mestre das Noites Em Claro faz jus ao título em Fique Comigo. Um suspense arrebatador que nos mostra como é impossível fugir do passado.

Título: Fique Comigo | Título original: Stay Close| Autor: Harlan Coben | Editora:  Arqueiro | Páginas: 384| Ano: 2014| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐| Encontre: Skoob SaraivaAmazon

FIQUE_COMIGO_1363735233PSinopse: A vida de Megan Pierce nem sempre foi um mar de rosas. Houve uma época em que ela nunca sabia como seria o dia seguinte. Mas hoje é mãe de dois filhos, tem um marido perfeito e a casa dos sonhos de qualquer mulher- e, apesar disso, se sente cada vez mais insatisfeita. Ray Levine já foi um fotógrafo respeitado, mas agora, aos 40 anos, tem um emprego em que finge ser paparazzo para massagear o ego de jovens endinheirados obcecados em se tornar celebridades. Broome é um detetive incapaz de esquecer um caso que nunca conseguiu resolver: há 17 anos, um pai de família desapareceu sem deixar rastros. Todos os anos ele visita a casa em que a mulher e os filhos do homem esperam seu retorno. Essas pessoas levam vidas que nunca desejaram. Agora, um misterioso acontecimento fará com que seus caminhos se cruzem, obrigando-as a lidar com terríveis consequências de fatos que pareciam enterrados havia muito tempo. E, à medida que se deparam com a faceta sombria do sonho americano – o tédio dos subúrbios, a angústia da tentação, o desespero e os anseios que podem se esconder nas mais belas fachadas -, elas chegarão à chocante conclusão de que talvez não queiram deixar o passado para trás.

A inquietude voltaria. Era inevitável. Sofrimento, medo, paixão, os segredos mais obscuros – nada durava para sempre. Mas talvez, se respirasse fundo e aguentasse firme, Megan pudesse manter essa sensação pelo menos por mais algum tempo.

Harlan Coben tem uma das melhores narrativas que eu conheço. Não é atoa que já passei da casa dos vinte em números de obras que já li de sua autoria. O ponto que sempre me faz retornar ao seus livros é a capacidade que tem de dar detalhes sem ser maçante. De construir narrativas que são cheias de significados ao mesmo tempo que estão tomadas de ação. Harlan não é um autor da mesmice, mas alguém que busca inovar e trazer sempre aos seus leitores uma obra que seja para além do que nós esperamos.

Nós lutamos pela liberdade, não foi? E então o que fazemos com essa liberdade toda? Nos prendemos a bens materiais, dívidas e, bem, à outras pessoas.

Nessa obra, narrada em terceira pessoa, Harlan desconstrói o sonho americano: ter uma casa grande, um carro na garagem, um cônjuge que lhe ama e filhos bem educados. Parece ser uma vida dos sonhos, mas quando Harlan se aprofunda nisso percebemos que perfeição não é exatamente aquilo que está em jogo, pois uma vida assim seria completamente sem emoções. E o que para algumas pessoas significa felicidade eterna, para outras são algemas que prendem aos preceitos da sociedade que negam a plenitude de se viver como queremos. Pois precisamos desejar as mesmas coisas, ter as mesmas vidas para sermos normais. Almejar uma vida dos sonhos, mesmo que aquele não seja o nosso.

– Todos nós representamos personagens diferentes para pessoas diferentes.

Através de seus três personagens principais, Harlan insere para seus leitores perspectives diferentes do que podemos considerar felicidade. O detetive Broome fica de frente com um caso antigo do passado ainda não resolvido. E é a partir que vislumbramos a primeira crítica de Coben: Será mesmo que nossos maridos ou esposas são exatamente aquilo que conhecemos deles? Podemos afirmar que eles não tem segredos ou lados obscuros que rodeiam suas vidas? A resposta é claro, é não. Nunca saberemos quem nos acompanham por não podermos ler mentes. Mas o questionamento também não é devido. Devemos confiar, não cegamente, mas entender o que torna especial a pessoa que escolhemos para nós.

 –Todo mundo parece feliz no Facebook

Megan, minha personagem favorita, demonstra as diretrizes de ser aquilo que não deseja. De certo modo, Megan conseguiu escapar de amarras para ser segurada por outras. Muito embora seu mundo passado e o atual são sejam iguais, também não podemos ressaltar que são completamente diferentes. Megan parece necessitar da adrenalina que possuía trocada por uma vida simples. Uma vida que muitos desejam e correm atrás, e aqueles que não querem são obrigados pela sociedade a fingirem estar feliz com elas. Megan se torna então um reflexo da existência obrigatória de ser parte da qual parece incapaz de ser totalmente feliz.

A efemeridade de nossa existência é a única certeza que podemos ter.

Fique Comigo é uma obra reflexiva que mais uma vez nos prova a capacidade que Harlan Coben tem de se superar. Muito embora o desfecho da narrativa aconteça de forma rápida de mais, ainda sim é um livro necessário por trazer a luz questionamentos tão tabus para nossa sociedade. Eu sempre irei recomendar os livros do autor que cada vez mais me prova porque ele é um mestre do suspense.

Havia aprendido a grande diferença entre os que têm tudo e os que não têm nada. Era uma questão de sorte e privilégio. E, quanto mais sorte você tinha e quanto mais portas se abriam por causa de seus privilégios, mais você precisava convencer os outros de que havia alcançado o sucesso devido à sua inteligência e ao seu esforço.O mundo,no fim das contas, se resumia a problemas de baixa autoestima.

(Resenha) Corte de Asas e Ruína – Sarah J. Maas – Livro 03

Corte de Asas e Ruína.é o desfecho de uma história e um prelúdio para as outras que virão. Existe guerra, existe amor, existe dor. O anseio pelo que está por vir é só a ponta do iceberg para o verdadeiro caos de emoções que é sua história. E Sarah J Maas mostra porque é um das autoras mais amadas da atualidade.

Título: Corte de Asas e Ruína | Título Orginal: A Court Of Wins And Ruins | Série: Corte de Espinhos e Rosas #03 | Autora: Sarah J Maas | Editora: Galera Record |Ano: 2017 | Avaliação:  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

sssssssssssssssssssSinopse: O terceiro volume da série best-seller Corte de Espinhos e Rosas, da mesma autora da saga Trono de Vidro em “Corte de Asas e Ruína” a guerra se aproxima, um conflito que promete devastar Prythian. Em meio à Corte Primaveril, num perigoso jogo de intrigas e mentiras, a Grã-Senhora da Corte Noturna esconde seu laço de parceria e sua verdadeira lealdade. Tamlin está fazendo acordos com o invasor, Jurian recuperou suas forças e as rainhas humanas prometem se alinhar aos desejos de Hybern em troca de imortalidade. Enquanto isso Feyre e seus amigos precisam aprender em quais Grãos-Senhores confiar, e procurar aliados nos mais improváveis lugares. Porém, a Quebradora da Maldição ainda tem uma ou duas cartas na manga antes que sua ilha queime.

“Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

O que me faz gostar dos livros de Sarah J. Maas é a narrativa carregada de sentimentos. Certas vezes, fico impressionada com sua capacidade de nos fazer sentir como parte do seu mundo por conta das descrições e do modo com o qual os sentimentos são postos. Muito embora neste livro tenha percebido uma leve procrastinação da autora, ainda sim a escrita foi esplêndida para me manter viva na leitura. Foram dois dias intensos, e eu me lembro perfeitamente — mesmo depois de meses de ter lido — da necessidade que sempre precisar de mais da obra. Dormir, foi um martírio pois minha mente voltava aos acontecimentos e as surpresas que estavam por vir.

– A grande alegria e honra de minha vida foi conhecê-los. Chamar vocês de minha família. E sou grato, mais do que posso expressar, por ter recebido esse tempo com vocês.

Dentro da escrita, uma das minhas partes favoritas é o fato de Sarah usar o constante intertexto em suas páginas. A autora consegue trilhar caminhos diferentes para histórias que já conhecemos. Nas costas do livro, e como uma arma utilizada por Feyre contra o rei de Hybern, o espelho de Ourobouro é o nome dado ao mesmo objeto na Branca de Neve (espelho, espelho meu…) que ganha um novo sentido na narrativa. Outro é a história da rainha Vassa que sofreu uma maldição que a transforma em um mulher durante e um pássaro de fogo durante a noite, relembrando outra história famosa eternizada pela Disney. Isso, pode parecer estranho, mas ajuda na hora da construção do sentido do texto que não foi explicado. E claro me faz soltar uns Ahs! de administração para a criatividade da autora.

Além disso, podemos encontrar no texto um crescimento gradual da narrativa com o resgate das pequenas coisas. Os minúsculos fatos costumam ser perdidos em séries muito grandes pois novos acontecimentos são inseridos à todo momento. Quando o resgate acontece, soa genial pelo sentido que toda leitura valeu a pena. Tudo faz sentido e todas as peças são encaixadas.  A série de Maas, principalmente este último livro é uma prova de que tais resgastes são essenciais as obras, pois ao mesmo tempo que Sarah expõe um novo acontecimento ela o liga à um do passado conectando a história e todas as outras que vieram póstumas a ela.

“Sempre considerei a morte como um tipo de boas-vindas pacífico; uma cantiga doce e triste que me atrairia para o que quer que esperasse depois.”

Mas como nem tudo nesse livro foram flores, tenho que admitir que um dos meus pontos favoritos, também e controversamente, foi um dos seus pecados. A narrativa de Sarah muitas vezes perdeu o tino pela inserção de momentos que não eram exatamente necessários à história. O principal é quantidade alucinante de cenas de sexo. Acredito que já tenha comentado que romance em fantasias não é meu foco pela perda de história para adição de tal prerrogativa. Mesmo gostando de Feysand, em Corte de Asas e Ruína a perda não é diferente mas no sentido de tempo. Considerando que estamos falando de guerra, uma tensão surgida após  a firmação do romance entre Feyre e Rhysand no livro anterior, as cenas de sexo me pareceram forçadas no contexto da história pela falta de necessidade. Exceto quando Feyre retorna para casa, a continuidade de cenas do tipo foi enjoativa e olha que eu amo (ou amava) o casal Feysand. Mas aqui não acredito que cabia. Tanto, que se retirarmos as cenas de sexo o livro diminuiria pelo menos umas cem páginas e tornaria a leitura mais fluída e sagaz.

 “Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

Outras cem seriam facilmente cortadas se não fosse a adição de outra coisa supérflua a narrativa de Feyre aprendendo a voar. Mas Jessica, issoo é interessante? Claro que é, contanto que tenha papel na ativo no enredo, pois do contrário, torna-se apenas uma informação à mais como um tipo de aposto: esta lá, mas não era necessário.  Pois eu não me lembro — se tiver por favor me diga nos comentários — dessa situação de vôo aparecer em batalha ou de algum modo pertinente ao enredo. Se não considerarmos a história que Azriel conta a Feyre em uma de suas aulas (que cá entre nós, poderia sim ter sido feito em outra situação) estas foram encheção de linguiça. Mas, talvez eu só seja antipática mesmo.

“Se Rhysand era a Noite Triunfante, eu era a estrela que só brilhava graças a sua escuridão, a luz apenas visível por sua causa.”

Retornando aos pontos positivos, o romance de Feysand atingiu um bom nível de cumplicidade nessa obra, mas e é separadamente que Rhysand e Feyre ganham meu coração. Muito embora não costume gostar de personagens perfeitos, Rhysand é um macho que gostaria de ter em minha vida como amigo. Inteligente e justo, Rhys é um retrato do heroico de quando o amor é existe ele pode se manifestar de vários modos. Já Feyre terminar sua jornada para abraçar o poder que conquistou nas obras anteriores. É fantástico perceber como Feyre cresceu. Se em ACOTAR Feyre era uma garota assustada e em ACOMAF um projeto de Girl Power, em ACOMAF Feyre encontra sua verdadeira força ao se tornar uma mulher poderosa. Sua construção foi feita tijolo por tijolo e esse é o principal crédito da trilogia como um todo. Em tempo onde as Girls Powers nascem da arrogância e da síndrome estou-certa-e-você-errado, ver uma força sendo construída e não jogada é sensacional.

– Apenas você pode decidir o que a destrói, Quebradora da Maldição

E igualmente a construção de Feyre e Rhysand, os outros personagens foram dignamente tomados. Morrigan e Azriel não enchem meus olhos, mas assim como o que é referente a Lucien possuo certa expectativa do que suas amarguradas histórias ainda podem revelar. Elain… Bom, o que dizer de Elain? Bom… Sendo absolutamente sincera acho-a um tanto sonsa, mas não tenho sentimentos negativos ou positivos com ela. A verdade é que se olharmos para as irmãs de Feyre quando as duas se recusaram a ajudar a irmã, Nestha por ser mais grossa recebe os créditos da ruindade. Mas Elain faz a mesma coisa mas é relevada por sua doçura, o que ao meu ver, e como se ela se fizesse de sonsa (cadê o emoji levantando os braços quando a gente precisa.)

“Se Elain era uma flor naquele acampamento de guerra, então Nestha… ela era uma espada recém-forjada, esperando para tirar sangue.”

E por falar em Nestha, como não amar Nestha e tudo que essa personagem pode trazer? A minha protagonista — percebam o nível do meu amor — é tudo que eu espero e mais um pouco sempre me surpreendendo. Nesse livro, esta ainda mais impressionante audaciosa. Marcada pelo caldeirão e com uma família quebrada mais refeita, Nestha provoca sem revelar muito sobre si. Sua esfera de poder é ao mesmo tempo a cruz que carrega. E mesmo que não possa dizer que não a entenda, ainda sim posso falar que absolvi o seu ódio como meu. Nestha é fogo, ódio e dor. É ressentimento, amor e medo. É tudo é não é nada. E cada vez que a leio, me encontro capaz de chorar pela sua complexidade. Eu preciso de mais de Nestha Archeron, de todas as maneiras que Maas puder me dar.

“Cassian estava avaliando Nesta, um brilho em seus olhos que eu só podia interpretar como um guerreiro encontrando-se diante de um novo e interessante oponente.”

Por tudo isto, posso dizer que Corte de Asas e Ruínas é um marco na minha vida. Em breve serão lançados spin-offs para completar os arcos de cada personagem. Claro que o livro de Nestha e Cassian é o mais aguardado para mim, mas espero gostar de todos os volumes que estão por vir. Sarah J. Maas é uma das melhores escritoras de seu tempo, e espero ansiosamente por mais e mais dela.

 

(Resenha) Antes de Casar – Bárbara Machado

Ler livros do gênero Chick-Lit nunca foi exatamente o meu forte. Não que eu não goste dos livros do gênero, mas sempre tenho a sensação de mais do mesmo da qual não consigo me livrar e acabo me decepcionando um pouco. Contudo, ao ler Antes de Casar da Bárbara Machado (convencidíssima pela Vivi do O Senhor dos Livros) fiquei apaixonada pela leitura justamente pela autora ir por um caminho que jamais imaginaria.

Título: Antes de Casar | Autor: Bárbara Machado| Publicação Independente | Páginas: 292| Ano: 2016 | Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐| Encontre: SkoobSite da Autora

aea07539b7Sinopse: Catarina era uma jovem mulher que tinha tudo planejado: o casamento perfeito, o homem ideal, finalmente a vida adulta e independente que tanto almejava. Até que, de um dia para o outro, tudo muda: o casamento não passa de um sonho, o príncipe vira sapo e a brutalidade da vida adulta se mostra bem diante de seus olhos. De volta ao mundo dos solteiros, Catarina se redescobre como indivíduo e percebe que, a não ser que se torne tão desapegada quanto os homens que passam por sua vida, seu coração continuará sendo partido. Mas será que suas aventuras entre mesas de bar e festas agitadas podem substituir o antigo sonho de um final feliz? Entre altos e baixos que fazem parte da transição da juventude para a vida adulta, Catarina vai aprender que o amor não é bem como ela imaginava

Eu reconheci, na marra, a importância da autoestima e da dignidade. Finalmente compreendi que a minha felicidade não poderia jamais depender de outra pessoa.

Com uma narrativa leve e dotada de profundas reflexões, Bárbara Machado conduz um livro com bastante humor sem jamais perder a verossimilhança com o mundo em que vivemos. Acredito que esse tenha sido um dos meus pontos favoritos na obra, pois a autora se preocupou em dar o tom de realidade ao livro que instantaneamente aproxima-nos da protagonista. Além disto, a ambientação do livro na cidade de Vitória no Espírito Santo dá um charme a mais a história, não só de reconhecimento por se passar em nosso país, mas pelo status cidade do interior que poucas vezes vejo na literatura brasileira contemporânea.

Mas o que mais me deixou encantada pelo livro de Machado, foi a protagonista Catarina. por diversos motivos que vão desde a construção da personagem até os ensinamentos que ela vai acumulando ao longo da história. De primeira, é interessante notar como esta não se prende a esteriótipos, que na verdade não dão as caras no livro. Simpática e bem-humorada, Catarina é fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis e tantas outras séries que fazem a cabeça do mundo geek. Mas isso não significa que Catarina seja tímida – espírito comum as mocinhas que apresentam tais gostos – mas justamente ao contrário. Espontânea, ama sair com os amigos e ir aos bares de sua cidade. O que imprime na personagem um tipo de personalidade diferente e fascinante.

37419057_2077458305638069_2488810931010666496_nDentre todos os ensinamentos que Antes de Casar tem a oferecer, o mais importante e o mais relevante para em nossa atualidade. é o papel da mulher dentro de um relacionamento, mas principalmente para consigo. Catarina antes era dependente do namorado, a ponto de mudar aspectos de sua personalidade para agrada-lo. A grande sacada do livro, se dá quando Cat começa a perceber que um homem não pode ser mais importante que ela e que se alguém for amá-la deve ser como ela é. Esse tipo de perspectiva – principalmente para mim que tenho as relações de poder no namoro como um dos meus objetos de estudo – é essencial como respirar. Catarina aprende o que todas as mulheres deveriam saber, que nenhum homem nem ninguém devem ser mais importantes que nós mesmos.

Abrasador e de certo modo imprevisível – sério, eu praticamente não adivinhei nada do que estava por vir – Antes de Casar é uma leitura necessária a todas as pessoas independente do sexo. Um livro que nos mostra que nos amar antes de amar os outros e tê-los como pontes de felicidade mas não objeto único desta, é o caminho mais certo para o alcance da plenitude e da felicidade.

( Resenha ) O Último Adeus – Cynthia Hand

Em uma obra sobre superação. Cynthia Hand consegue tocar o coração ao apresentar os medos de um coração partido. O Último Adeus é um relato profundo sobre seguir em frente mesmo quando tudo parece acabado.

Título: O Último Adeus | Título original: The Last Time We Say Goodbye | Autora: Cynthia Hand | Editora: Darkside | Páginas: 352 | Ano: 2016
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤ | Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

o ultimo adeusSinopse: O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante. O Último Adeus é sobre o que vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você. Lex busca uma forma de lidar com seus sentimentos e tem apenas nós, leitores, como amigos e confidentes.

“Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio.”

Antes de ler O Último Adeus de Cynthia Hand, eu nunca havia tido contato com a escrita da autora e nem sequer passou pela minha cabeça a fazer a leitura da obra. Até que um belo dia, o livro “sorriu” convidativamente e mergulhei nas páginas e nas palavras da autora. Cynthia me presentou com uma escrita madura que me emocionou bastante, e mesmo achando que a obra poderia ser melhor, a leitura ainda sim foi incrivelmente satisfatória pois teve um significado especial na minha vida.

Narrado em primeira pessoa no presente e no passado, o livro tem uma narrativa densa de sentimentos. Apesar de gostar de boas descrições de cenários, para dramas eu dou muito mais valor a carga emocional que o livro em si consegue acarretar. Por isso, a narrativa de Hand é feliz pois consegue passar um nível de drama que deixa a história crível já que os sentimentos de Alexis são muito bem explorados. Muito embora tenha gostado do estilo narrativo, ao final da obra senti que certas questões ficaram sem um desfecho propriamente dito o que atrapalhou minha relação com o livro.

“O tempo passa. É a regra. Independentemente do que aconteça, por mais que pareça que tudo em sua vida está congelado em um determinado momento, o tempo segue em frente.”

Sobre os personagens, apesar do clichê de garotos nerds e populares típicos do Estados Unidos (aparece com tanta frequência que não é possível que seja só invenção, certo?), eles foram bem construídos. Nenhum deles apresentava características exageradas de ser muito de uma mesma coisa: bondoso de mais, inocente de mais, mau de mais. Eles estavam equilibrados de modo que não somente parecessem reais, como também possuíssem conflitos reais.

Alexis Riggs foi minha personagem favorita. Não somente por ela narrar a obra, mas pelas incerteza que apresentou e que tinham grande relevância dentro do contexto. Muito embora não me identifique com Alexis, acreditei nela e na sua dor de modo que senti uma grande empatia pela personagem. O mesmo pode-se dizer de sua mãe, Jill, destruída pela morte do filho. As cenas envolvendo ambas foram emocionantes e profundas de modo que até meu coração de pedra foi alcançado ficou emocionado.

“Meu irmão estava morto. Minha mãe estava viva. De muitas maneiras (as rosas cor de pêssego, o caixão de mogno que combinava com a mesa de casa, a música, a passagem bíblica, a comida), ela havia planejado que o funeral dele fosse o dela.”

Mas apesar dos personagens conquistadores, meu ponto favorito da história foi o sentimento que envolvia Tyler – o irmão de Lex – e toda a questão que envolveu seu suícidio, pois o rapaz parecia ter tudo: era popular, tinha uma linda namorada e jogava basquete muito bem. Então não havia motivos aparentes para que ele decidir se matar. E acredito que esteja aí o grande POR QUÊ do livro. Hand nos mostra que felicidade é uma questão de aparência e ser feliz é algo não podemos simplesmente visualizar e supor nas outras pessoas. Qualquer um está sujeito a infelicidade, mesmo aqueles que parecem ter as melhores oportunidades. O grande lance é tentar perceber atitudes, mas principalmente nos manter do lado daqueles que amamos.

O Último Adeus é um livro emocionante sobre perdão, amor e família. Eu indico essa obra a todos que quiserem um choque de realidade sobre o que é felicidade e como os medos podem nos levar a destruição. Mas principalmente é um livro sobre seguir em frente, mesmo quando o caminho parecer incerto e desolador. Afinal, mesmo sendo um grande clichê é certo que depois de toda tempestade podemos encontrar um arco-íris por mais fraco que ele seja.

( Resenha ) P. S. Ainda Amo Você – Jenny Han – Livro 02

A inesquecível Lara Jean está de volta em mais um romance fofíssimo sobre amadurecimento ao qual deverá lutar contra as próprias inseguranças.

Título: P. S. Ainda Amo Você | Título original: P.S. I Still Love You | Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei #02 | Autora: Jenny Han | Editora: Intrínseca | Páginas: 204Ano: 2016 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Amazon| Saraiva

transferir (1)Sinopse: Lara Jean sempre teve uma vida amorosa muito movimentada, pelo menos na cabeça dela. Para cada garoto por quem se apaixonou e desapaixonou platonicamente, ela escreveu uma bela carta de despedida. Cartas muito dela, muito pessoais, que de repente e sem explicação foram parar nas mãos dos destinatários. Em “Para todos os garotos que já amei”, Lara Jean não fazia ideia de como sair dessa enrascada, muito menos sabia que o namoro de mentirinha com Peter Kavinsky, inventado apenas para fugir do total constrangimento, se transformaria em algo mais. Agora, em “P.S.: Ainda amo você”, Lara Jean tem que aprender como é estar em um relacionamento que, pela primeira vez, não é de faz de conta. E quando ela parece estar conseguindo, um garoto do passado cai de paraquedas bem no meio de tudo, e os sentimentos de Lara por ele também retornam. Uma história delicada e comovente que vai mostrar que se apaixonar é a parte fácil: emocionante mesmo é o que vem depois

“Eu posso ver agora que é as pequenas coisas, pequenos esforços, que mantêm um relacionamento. E agora eu sei também que, de alguma medida que eu tenho o poder de machucá-lo e também o poder de torná-lo melhor. Esta descoberta me deixa com um inquietante, estranho tipo de sentimento em meu peito, por razões que não posso explicar.”

É impressionante como Jenny Han consegue transmitir verdades sobre a vida como ela é. Eu amo seus livros e com certeza quero ler bem mais da autora nos próximos anos. Ela consegue resgatar em mim os sentimentos da minha adolescência, pois por ser uma garota comum, nunca me considerei exatamente bonita e sempre tive alguns probleminhas de insegurança que já superei (amém!). Por isso, ao me deparar com P. S. Ainda Amo Você fiquei surpresa ao me identificar tanto com Lara Jean. Se antes eu já gostava e muito da protagonista da série iniciada em Para Todos Os Garotos Que Já Amei, agora eu a percebo como uma verdadeira amiga ao qual eu poderia trocar inúmeras confidências.

Você não pode estar ligado a alguém, não realmente, com segredos entre vocês.

Narrado em primeira pessoa, meu único problema com este livro foi a demora dos acontecimentos. Eu senti falta de mais mobilidade na narrativa pois ela parecia estática e consequentemente bastante lenta. Por outro lado, isso abriu espaço para as reflexões de Lara Jean acerca do que daquilo que estava acontecendo. É claro que isso ajudou a aproximação com a protagonista, mas também deixou a leitura morna e muitas vezes me vi tentada a abandonar o livro. Mas é obviamente não abandonei, e consequentemente gostei muito da leitura.

“Como globos de neve, você agita eles para cima, e por um momento tudo está de cabeça para baixo e brilho em todos os lugares e é apenas como mágica, mas, em seguida, tudo se instala e vai voltar para onde ele deveria estar. As coisas têm uma maneira de se acomodar.”

O que eu mais gosto nos livros de Jenny Han, principalmente essa série em questão é a forma com o qual a autora consegue assumir o papel de adolescente e nos transportar para as indecisões daquela época. Através de Lara Jean, não somente os conflitos do primeiro amor (aquele friozinho na barriga) são questionados, mas também a maneira com o qual nos relacionamos com o mundo.

De modo sútil, ao entendermos Lara Jean também caminhamos ao encontro de nós mesmos e as nossas convicções. Lara Jean é doce e inocente, mas não realmente ingênua. Ela percebe as coisas, apenas não sabe lidar com elas, de modo que Han não somente nos mostra descobertas, como nos coloca diante de situações. O que é magnifico já que aqui entram também o segredo do sucesso de suas obras: dar a todos (meninos, meninas, homens, mulheres, idosos e crianças) alguém com quem se identificar e quem sabe não se sentir tão sozinho em relação aos experiências do presente, do futuro e do passado.

“As pessoas entram e saem de sua vida. Por um tempo eles são o seu mundo; eles são
tudo. E então um dia eles não são. Não há como dizer quanto tempo você vai tê-los por perto. É as despedidas que são difíceis.”

Apesar da inclusão de um triângulo amoroso (mais um!) e de algumas atitudes questionáveis dos personagens, mais uma vez Jenny Han conseguiu escrever um livro que demonstra sua capacidade de alentar o leitor. P. S. Ainda Amo Você é uma história linda que eu super indico a todos aqueles que querem revisitar o passado, mas principalmente encontrar alguém que não julgue e compreenda perfeitamente a pessoa que você foi, é ou poderá ser.

( Resenha ) Até Que A Culpa Nos Separe – Liane Moriarty

Em mais um livro sobre segredos e mentiras, Liane Moriarty vai mais uma vez encarar o leitor para perguntar: Você esta realmente seguro de todas as decisões que tomou na vida? Você é feliz com suas escolhas?

Título: Até Que A Culpa Nos Separe | Título original: Truly Madly Guilty | Autora: Liane Moriarty | Editora: Intrínseca | Páginas: 464 | Ano: 2017 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Amazon| Saraiva

ate que a culpa nos separe

Sinopse: Amigas de infância, Erika e Clementine não poderiam ser mais diferentes. Erika é obsessivo-compulsiva. Ela e o marido são contadores e não têm filhos. Já a completamente desorganizada Clementine é violoncelista, casada e mãe de duas adoráveis meninas. Certo dia, as duas famílias são inesperadamente convidadas para um churrasco de domingo na casa dos vizinhos de Erika, que são ricos e extravagantes. Durante o que deveria ser uma tarde comum, com bebidas, comidas e uma animada conversa, um acontecimento assustador vai afetar profundamente a vida de todos, forçando-os a examinar de perto suas escolhas – não daquele dia, mas da vida inteira. Em Até Que a Culpa Nos Separe, Liane Moriarty mostra como a culpa é capaz de expor as fragilidades que existem mesmo nos relacionamentos estáveis, como as palavras podem ser mais poderosas que as ações e como dificilmente percebemos, antes que seja tarde demais, que nossa vida comum era, na realidade, extraordinária.

“Todos os seus segredos ficavam guardados lá dentro, atrás da porta da frente, que nunca podia ser totalmente aberta. O pior medo delas era que alguém batesse à porta.”

Mais uma vez me rendi a um livro de Liane Moriarty. Estou quase fazendo uma carteirinha de fidelidade com a autora já que sinto uma vontade maior cada vez mais ler e ler os livros da autora. Apesar de não poder dizer que seus livros são meus favoritos em todo mundo, posso considera-los numa posição de destaque já que de uma forma ou de outra eles me marcam profundamente pelos assuntos abordados em suas páginas. Segredos e acontecimentos são apenas o começo de sua narrativa que sempre vem com o intuito de despir nossas mentes e nos impor a pensar nas consequências da vida que escolhemos.

Com sua clássica narrativa impiedosa, Liane Moriarty conduz um livro cheio de pequenas situações que culminam em um grande pensamento existencial. Uma das coisas que mais gosto na autora é o sentimento de vida-comum que permeia todo seu esquema narrativo. Trazer a vida corriqueira para dentro de uma obra parece ser uma tarefa fácil pois são situações e conflitos que todos vivemos cotidianamente, logo não há muito que inventar. Mas a verdade é que muitos autores não conseguem fazer isso por permanecerem em um hiatus narrativo que ou vai de encontro ao exagero ou se reserva a mesmice. O mesmo não acontece com a escrita de Liane que consegue manter um fluxo continuo de situações comuns mas com um toque dinâmico fundamental para preservar o interesse do leitor no livro.

“Era interessante como fúria e medo podiam ser tão parecidos.”

Como em todos os outros livros de Moriarty, o principal desta obra se faz inesquecível pela presença dos personagens destacados. Até Que A Culpa Nos Separe é narrado em terceira pessoa em sete visões diferentes. O ponto de encontro de suas narrativas é que cada um a sua maneira carrega um sintoma de culpa pelo acontecimento no “Dia do Churrasco“. Erika e Clementine são as protagonistas, mas a inserção dos pensamentos de seus maridos e vizinhos aumenta a perspectiva total das consequências advindas desse dia. Assim Liane consegue denotar coisas pequenas que começam a implodir em algo maior variando de acordo com o narrador do momento. O engraçado é perceber como tudo não passa de picuinhas: sentimentos mesquinhos que revelam a culpa, mas principalmente que faz com que cada uma daquelas pessoas sinta-se responsável pelo fato e por tudo aquilo que jogaram em cima do outro. Pois não basta se culpar, todos sentem necessidade de apontar o dedo. A culpa e o ressentimento se misturam deixando o amargor da verdade subtendida cada vez mais amostra.

“Mas não conseguiam parar. Era como pedir que prendessem a respiração. Só conseguiriam fazer isso durante determinado tempo até serem obrigados a respirar outra vez.”

Além do acontecimento no “Dia do Churrasco”, o tipo de amizade que existe entre Erika e Clementine é um fator dentro da história que aumenta a significância das coisas. Um ponto interessante é perceber que Liane constrói duas mulheres opostas unidas pelo destino, por assim dizer. No começo da obra eu me perguntei porque elas continuavam amigas já que claramente não pareciam gostar uma da outra. Mas com o passar do tempo, comecei a notar o interesse por um pedaço da outra era muito maior que a repulsa que pareciam sentir. Erika que não possui nenhuma outra amiga desenvolve uma relação de dependência cruel com Clementine. Ela precisa daquela amizade para se sentir não solitária, mesmo tendo plena consciência de que sua “amiga” não gosta dela. Mas a necessidade de ter alguém além do marido fala mais forte do que seu amor próprio. Já Clementine, por outro lado e sem saber se essa era realmente a intenção da autora, não conseguir sentir outro sentimento que não fosse ódio. Detestei-a por ser mesquinha, por não gostar de Erika mas usa-la Erika como ponte para se sentir benevolente de ser amiga de uma estranha, para se sentir mais autêntica por ter em constate alguém tão retraída, mais sentimental porque Erika é mais realista, mais desejada por ser mais bonita e mais superior por ser capaz de ser tudo isso e la Erika não ser nada. Clementine mostra uma face vil ao qual não consegui me penalizar pelo seu espírito pequeno, mas apenas consigo me resguardar ao ódio pois acredito que mentira de uma amizade que se diz verdadeira é mais decepcionante que uma traição.

“Seu egoísmo era um segredo sórdido que precisava esconder a todo custo.”

Até Que A Culpa Nos Separe é um livro fantástico que detém um grande poder sobre o leitor. Mesmo possuindo algumas passagens lentas é uma obra que alcança as barreiras da ficção chegando a realidade por nos conduzir de volta às nossas escolhas. Mais uma vez estou encantada pela narrativa de Liane Moriarty e eu indico muito a todas as pessoas que querem sair de sua zona de conforto e ir além de suas convicções já que é exatamente isso que a autora nos propõe a fazer.

“Era interessante o fato de que um casamento se tornava instantaneamente propriedade pública assim que aparentava problemas.”

 

(Resenha) A Traidora do Trono – Alwyn Hamilton – Livro Dois

No segundo livro da trilogia A Rebelde do Deserto, Alwyn Hamilton vai te apresentar uma nova face da revolução que irá questionar todas as suas certezas.

“Esta resenha não conterá spoilers do 1ª livro.
Para isto, pule a sinopse.”

transferirTítulo: A Traidora do Trono
Título original:
Série: A Rebelde do Deserto #02
Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Plataforma 21
Ano: 2017
Páginas: 440
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
Encontre: Saraiva | Amazon

Sinopse: Amani Al’Hiza mal pôde acreditar quando finalmente conseguiu fugir de sua cidade natal, montada num cavalo mágico junto com Jin, um forasteiro misterioso. Depois de pouco tempo, porém, sua maior preocupação deixou de ser a própria liberdade. A garota descobriu ter muito mais poder do que imaginava e acabou se juntando à rebelião, que quer livrar o país inteiro do domínio do sultão. Em meio às perigosas batalhas ao lado dos rebeldes, Amani é traída quando menos espera e se vê prisioneira no palácio. Enquanto pensa em um jeito de escapar, ela começa a espionar o sultão. Mas quanto mais tempo passa ali, mais Amani questiona se o governante de fato é o vilão que todos acreditam.

“Tempos atrás, no reino desértico de Miraji, havia um príncipe que desejava assumir o trono do pai. O jovem era movido pela crença de que o pai era um governante fraco e de que ele mesmo desempenharia melhor o papel de sultão”

Apesar de não ter ficado satisfeita com A Rebelde do Deserto, nutri certas expectativas para A Traidora do Trono. Ouvi muitos comentários sobre a evolução da história de Amani e dos rebeldes do deserto de Miraji, acabando por ter um certo pressentimento que iria gostar bem mais desse segundo livro. Talvez, muito disso seja porque sempre tenho tendência a me apaixonar por segundos volumes que parecem fazer a história ganhar massa a medida que os fatores inciais são deixados para trás. Por falar em massa, A Traidora do Trono realmente evolui e mesmo não me apaixonando pela obra, ainda sim percebo que o contexto foi mais evoluído ao ponto de ser intrigante e inesperado.

Alwyn Hamilton tem uma narrativa ágil e de certo modo descompromissada. Um dos pontos que me incomodou no primeiro volume e que continua me incomodando neste, é o fato de Hamilton não conseguir estender-se quando necessário. Muitas situações, principalmente de batalhas, terminam quase tão rápido quanto são iniciadas. Eu sinto falta de profundidade pois tal rapidez não causa frison de medo e expectativa. O lado bom disto é o fato que Hamilton não procrastina, ou seja, ela não fica presa a uma determinada cena, alongando-a o máximo criando sem necessidade. Então de certa forma, a narrativa ficou em certo hiatus entre pontos positivos e negativos.

“Inteligência e sabedoria não são as mesmas coisas. Tampouco habilidade e conhecimento”

Os personagens são um universo a parte. Uma das coisas que mais gosto nessa trilogia, acredito que vai se manter no terceiro livro, é a maneira com o qual estamos sempre lidando com personalidades diversas que nunca são previsíveis mesmo quando deveriam ser. Amani é uma daquelas protagonistas fortes que nós temos orgulho somente de saber da sua existência. Apesar de volta e meia achar ela infantil, seus pensamentos são condizentes para o momento ao qual esta inserida. Sendo Amani a narradora, é possível perceber seus desafios como se fossem nossos, o que nos aproxima da personagem.

Outro personagem que tomou virtudes ainda maiores dentro da história, foi o Sultão que ganhou mais espaço dentro da narrativa. Acho que nessa parte entra o meu ponto favorito dentro do livro de Hamilton, a autora soube criar um vilão excelente que consegue convencer o leitor de suas palavras. Não apenas um vilão para encher linguiça por assim dizer, mas alguém que tem suas convicções e que está disposto de tudo para afirmá-las. O Sultão de certo modo me pareceu o personagem mais sensato também. Pois apesar de entender a guerra, que acabou acontecendo rápido de mais, não acreditei nos ideias do Príncipe Rebelde que me pareceram bons, mas não o suficiente para o governo de um reino. O que o Sultão afirma, sobre ser impiedoso, acaba por ter bem mais verdade que as palavras de Ahmed. Sendo “interliterária”, o Sultão personifica o príncipe de Maquiavel que sabe ser terrível para impedir que seu povo seja mais terrível ainda. Então, Hamilton deixa uma pergunta ao seu leitor sobre o Principe Rebelde: Será Ahmed, com sua nova alvorada, um novo deserto é capaz de ser forte quando necessário?

“— Meu filho é um idealista. Eles são ótimos lideres, mas nunca se saem bem como governantes.”

Com inúmeras reviravoltas e personagens espetaculares, A Traidora do Trono conseguiu ser tudo aquilo que o antecessor não foi. Posso dizer que me encontro ansiosa para o próximo livro e cheia da expectativas pelo que está por vir. Foi fantástico ver o desenrolar da trama e entender as motivações que envolvem o enredo. Além disso, ainda temos a mitologia única que Alwyn Hamilton colocou em suas páginas. O livro foi completo em quase todos os sentidos, e para todos aqueles que amam uma ótima aventura esse livro é uma ótima dica.

“Eu era uma garota do deserto. De onde eu vinha, o mar era feito de areia. E a areia me obedecia. “

( Resenha ) As Crônicas Lunares – Marissa Meyer

Oii amores. Essa resenha vai ser um pouco diferente do que normalmente eu faço. Como vocês podem perceber, será relacionada a uma série completa de livros e não referente a cada componente dela. O motivo de estar fazendo desse modo é a percepção que adquiri sobre As Crônicas Lunares que cada livro está intimamente relacionado ao anterior, tanto de um ponto de vista de história quanto de um ponto de vista de personagens. Explicando melhor: o que acontece em Cinder influencia na história de Scarlet que influencia na história de Cress que se finaliza na história de Winter. Desse modo, seria impossivel fazer resenha desses livros sem dar spoiler do anterior. Assim, mesmo sabendo que essa resenha vai ficar um tanto longa, também vai ser spoiler free como bem gostamos.

Titulos: Cinder, Scarlet, Cress e WinterSérie: As Crônicas LunaresAutora: Marissa MeyerEditora: RoccoPáginas: 448, 480, 496 e 688 Anos: 2013, 2014, 2015 e 2016 | Avaliação:  ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤

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“Uma garota. Uma máquina. Uma aberração.”
– CINDER –

A  série As Cronicas Lunares é uma releitura dos clássicos contos-de-fadas que todos conhecemos. Acredito que tenha sido uma das poucas séries dentro desse contexto de releitura que realmente tenha usado as histórias originais e não os filmes Disney como base para sua construção. Assim, estamos lidando com novas versões (e põe novas nisso!) de Cinderella, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel e Branca de Neve. Um dos pontos mais atrativos desses livros, foi justamente a capacidade da autora de recriar um mundo conhecido em algo completamente novo. De certo modo, eu diria que Marissa se equipara a J. K. Rowling nesse sentido de inovação. Ambas as autoras usam de bases batidas (no caso de Rowling o mundo mágico e Marissa contos-de-fada), mas colocam sob roupagens novas que as deixam inesquecíveis. Por isso, se você pretende ler o livro de Meyer, não fique com medo de encontrar mais do mesmo pois a autora vai te surpreender em diversas raias diferentes.

“Tudo que Cinder sempre quis foi liberdade. Liberdade da madrasta e de suas regras dominadoras. Liberdade de uma vida de trabalho constante sem nenhum reconhecimento. Liberdade dos olhares de desprezo e palavras de ódio de estranhos que não confiavam na garota ciborgue. Agora, conquistara a liberdade, mas não era nem um pouco como tinha imaginado.”
– SCARLET – 

A narrativa não poderia ser mais encantadora e forte. Por estar lidando com um novo universo que praticamente não tem semelhanças com o nosso, a autora equilibra a narrativa entre sentimentos, ações e explicações para manter o nível de mistério sem nunca jogar uma grande quantidade de informações em cima do leitor. Assim os livros ganham bastante fluidez pois concentram-se no que é relevante e não expõe o leitor ao marasmo que normalmente poderíamos encontrar em livros tão grandes. Além disso, a narrativa além de ser flúida, ela também cresce de modo grandativo cheio de conexões de um livro para outro. Basta dizer que os livros ganham massa a medida que novos personagens são inseridos. Não estamos falando sobre personagens inseridos simplesmente para encher tigela, mas sim de personagens relevantes que completam o sentido da história que está sendo contada, sejam eles vilões, sejam eles mocinhos. 

“Cress se sentia um pássaro cujas asas foram cortadas e que foi jogado em uma gaiola, mais uma gaiola, nojenta e podre. Ela viveu em uma gaiola a vida toda. De alguma forma, nunca esperou encontrar uma horrível assim na Terra.”
– CRESS

Em relação aos personagens é possível enxergar nesse livro a quantidade de referencias aos clássicos originais que realmente os insere nessa gama, mas mesmo assim com quantidade significativa de mudança que os torna para além da releitura. Nós temos uma Cinderella que não precisa de fada madrinha para ser corajosa. Uma Chapeuzinho que não é tão facilmente enganada pelo lobo mau. Uma Rapunzel sonhadora presa em um satélite. Uma Branca de Neve negra que é bondosa não porque nasceu assim, mas por ter percebido os horrores que poderia causar se usasse seus dons para o mal. Além disto, desta transgressão de personalidade, a autora enlaça as histórias das protagonistas com coragem para mudar o rumo delas pelas mãos da amizade, muito além do amor. Eu achei fantástico perceber que não estamos lidando com garotas bobinhas, mas sim mulheres fortes que tomaram muitos “socos” da vida para dependerem dos outros. Mesmo Cress que sonha em viver um romance de novela é corajosa quando o momento lhe pede para ser. 

“Ela teve esperança de que o incidente fosse passar despercebido. Mas devia ter sabido. A esperança era a ferramenta do tolo.”
– WINTER –

Cinder
Capa vietnamita.

Cinder foi um começo excepcional para uma série maravilhosa. O livro em si tem menos história e menos surpresa que os outros, mas por ser introdutório da história da “personagem principal” eu diria que foi um choque perceber o quão além a autora poderia ir. A personagem que dá nome ao enredo foi minha segunda favorita. Forte e determinada, Cinder representa a garota que não se entrega as ilusões da vida. Ela não fica refém de uma determinada situação, mas se torna alguém que busca a melhor maneira de contorna-la usando a criatividade e inteligência para sair dela. 

Scarlet
Capa vietnamita.

Scarlet em termos de obra foi uma ótima continuação que teve plots twists na medida certa mantendo alinhado tanto ao novo enfoque do enredo como ao que se deu do livro passado. Apesar disso, Scarlet não foi um de meus livros favoritos muito devido a personagem que dá nome a obra. A protagonista Scarlet para mim foi intragável. Dona de uma personalidade que acredito que a autora desejava que fosse forte, tive um encontro com Scarlet que mais me deixou com raiva do que impressionada. Diferente de Cinder, Scarlet é bastante presunçosa e me lembra bastante as mocinhas dos YA que normalmente tem um nariz empinado e que sempre me remetem a infantilidade. Isso que me fez pegar ranço da protagonista, logo eu torci o nariz toda vez que ela entrava em jogo. 

Cress
Capa vietnamita.

Cress tanto como livro como personagem foram meus favoritos. O livro em si foi de constantes reviravoltas além de possuir aquela que acredito ser a história melhor trabalhada. Com novos segredos e enfim caminhando para algo maior que todas as protagonista juntas. essa obra culminou em uma profusão de sentimentos que me prenderam durante um dia inteiro. Como personagem, Cress simplesmente ganhou meu coração. Sendo a mais ingênua e sonhadora, a loira tinha tudo para ser uma das personagens mais chatas. Mas Cress mostra que timidez não é um fator que coíbe a coragem, mas sim que a propulsiona para lutar por aquilo que acredita. Além de ter sido minha personagem favorita, ela e seu par Thorne foram meus shipps do ano, basicamente. Os dois juntos foram uma explosão de sentimentos. 

Winter
Capa vietnamita

Winter finalizou a série de modo digno. Eu acredito que Meyer não poderia ter feito de uma maneira melhor cheia de surpresas e com muitas reviravoltas. Foi meu segundo favorito da série pela rapidez dos acontecimentos, mas principalmente pela maneira com o qual a autora conseguiu entrelaçar as histórias. Winter como personagem não teve muito destaque, acredito que tenha sido a protagonista que menos apareceu. Mas apesar de estar meio apagada, fez aparições fantásticas sendo o ponto de calmaria no livro. Mesmo em sua loucura, ela representou o equilíbrio para a história. 

“Todos os peões dela se encontravam em posição, e o ataque final estava prestes a começar.”
– WINTER

Com personagens secundários igualmente bem trabalhados e uma vilã digna de ter o título de Rainha Má, Marrissa Meyer parte de uma releitura para criar uma obra inesquecível. Depois de uma semana inteira com esses personagens maravilhosos, eu com certeza voi sentir muita falta desse universo que me conquistou e já entrou para lista das melhores séries que eu li na vida. Uma obra sem falhas, que vai te mostrar realmente o significado de recriar de uma maneira que você nunca viu antes.