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( Livrosofia ) Clássicos são mesmo indispensáveis?

Oi Corujinhas.

Aulas de literatura da universidade sempre me dão muito que pensar, embora nem sempre de um jeito positivo. Talvez por causa do paradoxo constante do literato e da maneira com o qual ele interage com a literatura de uma forma geral. Paradoxalmente, o leitor cria com o passar dos anos uma mente aberta para questionar ideologias universais, ao mesmo tempo que adquiri talento para ser hostil com leituras diversas; para um literato, Best Sellers são escória perto dos clássicos imprescindíveis a qualquer pessoa. Mas seria mesmo tão necessários aos leitores ler todos os clássicos da terra?

Inicialmente pensado, um livro clássico é tido como mostra de uma cultura e o questionamento que fazemos acerca dela. Entretanto, a mesma afirmativa pode ser usada para definir livros populares. Afinal, se uma obra é publicada, por mais abstrato que pareça seu conceito ela traz algum levantamento social ou individual ao homem. A exemplo disso, Harry Potter flerta com racismo e nazismo dentro de sua camada ficcional.

Apesar disso, observando observando o horizonte, podemos inferir que a série de J. K. Rowling talvez nunca seja considerada clássica, ou pelo menos que viveremos o suficiente para ver isso acontecer. Pois se pararmos para pensar quem determina a importância de uma literatura no meio social são justamente aqueles que mais relegam as novidades. No passado, William Shakespeare – considerado percursor do teatro moderno – demorou cerca de 200 anos para alcançar o status de clássico.

Assim sendo, a literatura se coloca firmadas em dois pesos e duas medidas. O literato, em sua visão preconceituosa, defini o que pode ser lido e o que não sem levar em consideração as renovações do campo. O que não se percebe é que literatura não deve ser vista por poucos, mas construída através de múltiplas visões.

A literatura, quando pensada amplamente, tem como principal característica ruptura dos padrões. Desde que os conceitos de Aristóteles sobre poética foram tracionados pelos românticos, o mundo do leitor teve ampliação de subgêneros. Dessa maneira, não se torna o objetivo do post de questionar a importância de Homero, Machado de Assis ou Vinícius de Morais, mas sim levantar a bandeira branca para que a literatura não se torne arcaica.

Digo à todos que vocês precisam se recusar, por mais críticas que vocês possam receber. Nem todos os livros clássicos vão fazer diferença na sua vida e você não é menor que outrem porque não se sente a vontade com esse tipo de leitura.

Seja um leitor da nova era dispostos a quebrar padrões, não se sintam obrigados a gostar de algo porque um milhão de pessoas diferentes dizem que é o que você precisa. Os clássicos vão continuar sempre no mundo. Mas não faça da sua passagem pela literatura condicionada por quem não entende da sua evolução pessoal e social.