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( Resenha ) O Último Adeus – Cynthia Hand

Em uma obra sobre superação. Cynthia Hand consegue tocar o coração ao apresentar os medos de um coração partido. O Último Adeus é um relato profundo sobre seguir em frente mesmo quando tudo parece acabado.

Título: O Último Adeus | Título original: The Last Time We Say Goodbye | Autora: Cynthia Hand | Editora: Darkside | Páginas: 352 | Ano: 2016
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤ | Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

o ultimo adeusSinopse: O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante. O Último Adeus é sobre o que vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você. Lex busca uma forma de lidar com seus sentimentos e tem apenas nós, leitores, como amigos e confidentes.

“Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio.”

Antes de ler O Último Adeus de Cynthia Hand, eu nunca havia tido contato com a escrita da autora e nem sequer passou pela minha cabeça a fazer a leitura da obra. Até que um belo dia, o livro “sorriu” convidativamente e mergulhei nas páginas e nas palavras da autora. Cynthia me presentou com uma escrita madura que me emocionou bastante, e mesmo achando que a obra poderia ser melhor, a leitura ainda sim foi incrivelmente satisfatória pois teve um significado especial na minha vida.

Narrado em primeira pessoa no presente e no passado, o livro tem uma narrativa densa de sentimentos. Apesar de gostar de boas descrições de cenários, para dramas eu dou muito mais valor a carga emocional que o livro em si consegue acarretar. Por isso, a narrativa de Hand é feliz pois consegue passar um nível de drama que deixa a história crível já que os sentimentos de Alexis são muito bem explorados. Muito embora tenha gostado do estilo narrativo, ao final da obra senti que certas questões ficaram sem um desfecho propriamente dito o que atrapalhou minha relação com o livro.

“O tempo passa. É a regra. Independentemente do que aconteça, por mais que pareça que tudo em sua vida está congelado em um determinado momento, o tempo segue em frente.”

Sobre os personagens, apesar do clichê de garotos nerds e populares típicos do Estados Unidos (aparece com tanta frequência que não é possível que seja só invenção, certo?), eles foram bem construídos. Nenhum deles apresentava características exageradas de ser muito de uma mesma coisa: bondoso de mais, inocente de mais, mau de mais. Eles estavam equilibrados de modo que não somente parecessem reais, como também possuíssem conflitos reais.

Alexis Riggs foi minha personagem favorita. Não somente por ela narrar a obra, mas pelas incerteza que apresentou e que tinham grande relevância dentro do contexto. Muito embora não me identifique com Alexis, acreditei nela e na sua dor de modo que senti uma grande empatia pela personagem. O mesmo pode-se dizer de sua mãe, Jill, destruída pela morte do filho. As cenas envolvendo ambas foram emocionantes e profundas de modo que até meu coração de pedra foi alcançado ficou emocionado.

“Meu irmão estava morto. Minha mãe estava viva. De muitas maneiras (as rosas cor de pêssego, o caixão de mogno que combinava com a mesa de casa, a música, a passagem bíblica, a comida), ela havia planejado que o funeral dele fosse o dela.”

Mas apesar dos personagens conquistadores, meu ponto favorito da história foi o sentimento que envolvia Tyler – o irmão de Lex – e toda a questão que envolveu seu suícidio, pois o rapaz parecia ter tudo: era popular, tinha uma linda namorada e jogava basquete muito bem. Então não havia motivos aparentes para que ele decidir se matar. E acredito que esteja aí o grande POR QUÊ do livro. Hand nos mostra que felicidade é uma questão de aparência e ser feliz é algo não podemos simplesmente visualizar e supor nas outras pessoas. Qualquer um está sujeito a infelicidade, mesmo aqueles que parecem ter as melhores oportunidades. O grande lance é tentar perceber atitudes, mas principalmente nos manter do lado daqueles que amamos.

O Último Adeus é um livro emocionante sobre perdão, amor e família. Eu indico essa obra a todos que quiserem um choque de realidade sobre o que é felicidade e como os medos podem nos levar a destruição. Mas principalmente é um livro sobre seguir em frente, mesmo quando o caminho parecer incerto e desolador. Afinal, mesmo sendo um grande clichê é certo que depois de toda tempestade podemos encontrar um arco-íris por mais fraco que ele seja.