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(Resenha) Corte de Gelo e Estrelas – Livro 3.5 – Sarah J. Maas.

Antes de ler esse livro, estava na minha mente que eu não deveria fazê-lo. Nunca leio livros spin-off de alguma coisa, principalmente quando são voltadas aos mesmos personagens sem trazer nada mais de novo. Mas, quando a oportunidade de Corte de Gelo e Estrelas (ou Corte de Gelo e Luz Estelar no original) eu pensei: porque não? É um livro curto, talvez me surpreenda. Mas a verdade é que estou chocada em ver como a Sarah J. Maas simplesmente deixou que o capitalismo falasse mais alto nos apresentando uma história esdruxula que me arrependo amargamente de ter lido.

Título: Corte de Gelo e Estrelas | Título original: A Court of Frost and Starlight| Série: Corte de Espinhos e Rosas 3.5| Autor: Sarah J. Maas | Editora: Galera Record | Páginas:  238 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ | Encontre: SkoobSaraivaAmazon

ACOFAS_BrasilSinopse: O aguardado spin-off da série Corte de Espinhos e Rosas.
Feyre, Rhys e seu círculo íntimo de amigos ainda estão ocupados reconstruindo a Corte Noturna e tentando manter a paz, conquistada a base de muito esforço e perdas pessoais, após a queda da muralha. Mas o Solstício de Inverno finalmente está próximo e, com isso, um alívio merecido. Compras, festas, celebração e a promessa de dias tranquilos. A atmosfera festiva não consegue, entretanto, impedir que as sombras da guerra se aproximem. Em seu primeiro Solstício como Grã-Senhora, Feyre ainda lidando com os horrores do passado recente, e percebe que seu parceiro e sua família têm mais cicatrizes do que ela esperava – cicatrizes que podem impactar o futuro, e a paz, de sua Corte.

– Você nasceu na noite mais longa do ano. Era seu destino estar ao meu lado desde o começo.

A narrativa de Sarah J. Mass, em termos de escrita ainda é uma das melhores. Apesar da pouca história, a autora consegue prender o leitor até o final do livro e eu diria que esse é um dos poucos méritos de ACOFAS. Se bem que é um eufemismo da minha parte chamar de pouca história o que Sarah fez quando, na verdade, não existe história alguma. Eu não consigo entender como uma autora tão brilhante quanto Sarah escreveu 238  páginas sobre compras e presentes. Sim, porque a história todo – exceto poucos capítulos – é voltada a essa encheção de linguiça.

De primeira, já é assustador o fato que Rhysand deixa Feyre em casa para cuidar de papéis quando ele vai resolver assuntos políticos para além da corte. Apesar de entender que a Sarah estava trilhando responsabilidades diferentes para cada personagem, a escolha de Rhys é misógina que não está nem um pouco próxima ao que ele fez quando a escolheu como sua grã-senhora. E claro que não posso esquecer que foi exatamente o que Tamlin fez com Feyre.

Falando no grão-senhor da Corte Primaveril, se eu posso acrescenta a longa lista de coisas que senti raiva nesse livro foi a maneira com o qual Rhys chutou cachorro-morto. Vejam bem, eu nunca fui exatamente fã do Tamlin nem mesmo quando este era o “mocinho”. Mas acredito que ele deve ter sua chance de redenção ou pelo menos seguir sua vida. De modo, que deveria bastar o fato que Feyre conseguiu com que todos deixassem a Corte Primaveril e Tamlin se encontra em um mausoléu para lidar com sua própria cólera. Então me digam: qual a necessidade do Rhysand ir até lá com um propósito e terminar saindo pisando no Tamlin? É tão incrivelmente mesquinho e completamente arrogante, que boa parte do respeito que tinha pelo Rhysand se foi nesse ponto. Boa parte, porque o resto… Ah! O que dizer do que aconteceu…

“Para a abençoada escuridão da qual cada um de nós nasceu, e para a qual retornaremos algum dia.”

Por falar em Rhys e Feyre, mais ou menos desde Corte de Asas e Ruína já estava um tanto enjoada do casal. Eu amo Feysand (ou amava), mas o propósito da Sarah J. Maas nunca foi exatamente o romance ao meu ver. Ele deveria ser algo a parte, principalmente no terceiro livro quando o foco era a guerra contra o rei de Hybern. Então, ao ler mais sobre o casal em ACOFAS o sentimento de desgosto apenas aumentou. O fato é que Feysand já deu. Sua história já foi encerrada. O foco deveria ser os outros personagens que não tiveram voz nos outros livros.

De modo que minha outra e única parte positiva nesse livro está na narração dos outros personagens que ganharam um pequeno espaço. Morrigan teve dois capítulos e posso dizer que não foram excelentes, mas também não foram desperdiçados. Quero dizer, nós temos um resgate de seus sentimentos em favor do seu passado mais contado por ela que deixam um sabor de quero mais. Já Cassian, que de longe foi o que teve mais destaque com três capítulos, mostrou o que podemos esperar de seu spin-off. Cassian sempre foi meu macho predileto, e porque não? Sua imperfeição e seu jeito sarcástico me soam os mais atrativos pelas camadas que o personagem possui e que não encobrem a perfeição mais algo mais denso e mais intrigante que isso.

“Ela rasgou a escuridão com garras e dentes. Dilacerou e destruiu. A escuridão eterna ao redor dela estremeceu e se debateu. Ela riu enquanto aquele poder tentava recuar.”

Mas foi Nestha que fez tudo valer a pena. Nestha sempre foi minha personagem favorita por tudo que pode trazer para a história, por todo enredo que tem emaranhado em suas entranhas. Ela é forte de uma maneira que ninguém é pois carrega dentro de si a escuridão desde antes de ser Feita. Em um único capítulo, Nestha me desfez em pedaços e me reconstruiu para que eu amasse ainda mais; para que eu a quisesse protegê-la de tudo, mas principalmente de todos. Porque, pelo Caldeirão, como o ódio me consumiu a cada vez que Feyre e Rhys se referiam a ela. Principalmente Feyre.

No segundo livro, Feyre sofreu como uma condenada pela dor absolvia depois do acontecido Sob A Montanha. Mas agora, quando sua irmã precisa dela ela se mostra incapaz de ajudar. Nestha, talvez não mereça ajuda pelo modo como a tratou em cada um dos volumes. Mas ela merece pelo menos respeito à sua dor, ao que viu, ao que sentiu. Em cada uma de suas aparições era gritante que como Nestha implorava por ajuda, mas estavam todos tão envolvidos com suas próprias felicidades, Feyre tão disposta a ignorar os sentimentos da Nestha para ter o seu feriado perfeito, que ela foi ignorada. .

E sinceramente, acho que não vou mencionar o preview que teve do próximo livro porque é capaz de eu cometer um crime de ódio contra Maas. Pois o pior de tudo é a ironia do fato que Feyre acusou Tamlin de tê-la tratado como sua propriedade e é exatamente isso que ela faz com a Nestha, se aproveitando do fato que a irmã precisa do dinheiro dela para compeli-la a fazer coisas que não deseja.

Corte de Gelo e Estrelas foi uma leitura amarga. Uma fanfic teria sido melhor. De todas as maneiras que consigo pensar, Feysand perdeu meu respeito. A melhor parte da obra foi o que não era dessa história, pois dar uma espiada no primeiro capítulo de “Nessian” valeu pelo gosto do que está por vir. Eu só espero que Feysand não volte a narrar e que minha Nestha, minha querida e poderosa Nestha, obtenha toda a glória, toda vingança e toda felicidade que ela merece.

“Cassian nomeara pelo menos doze poses para Nesta até aquele momento. Começando em Eu Vou Comer Seus Olhos no Café-da-Manhã até Eu Não Quero que Cassian Saiba que Estou Lendo Livros Eróticos. A última era sua favorita.”

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(Resenha) Corte de Asas e Ruína – Sarah J. Maas – Livro 03

Corte de Asas e Ruína.é o desfecho de uma história e um prelúdio para as outras que virão. Existe guerra, existe amor, existe dor. O anseio pelo que está por vir é só a ponta do iceberg para o verdadeiro caos de emoções que é sua história. E Sarah J Maas mostra porque é um das autoras mais amadas da atualidade.

Título: Corte de Asas e Ruína | Título Orginal: A Court Of Wins And Ruins | Série: Corte de Espinhos e Rosas #03 | Autora: Sarah J Maas | Editora: Galera Record |Ano: 2017 | Avaliação:  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

sssssssssssssssssssSinopse: O terceiro volume da série best-seller Corte de Espinhos e Rosas, da mesma autora da saga Trono de Vidro em “Corte de Asas e Ruína” a guerra se aproxima, um conflito que promete devastar Prythian. Em meio à Corte Primaveril, num perigoso jogo de intrigas e mentiras, a Grã-Senhora da Corte Noturna esconde seu laço de parceria e sua verdadeira lealdade. Tamlin está fazendo acordos com o invasor, Jurian recuperou suas forças e as rainhas humanas prometem se alinhar aos desejos de Hybern em troca de imortalidade. Enquanto isso Feyre e seus amigos precisam aprender em quais Grãos-Senhores confiar, e procurar aliados nos mais improváveis lugares. Porém, a Quebradora da Maldição ainda tem uma ou duas cartas na manga antes que sua ilha queime.

“Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

O que me faz gostar dos livros de Sarah J. Maas é a narrativa carregada de sentimentos. Certas vezes, fico impressionada com sua capacidade de nos fazer sentir como parte do seu mundo por conta das descrições e do modo com o qual os sentimentos são postos. Muito embora neste livro tenha percebido uma leve procrastinação da autora, ainda sim a escrita foi esplêndida para me manter viva na leitura. Foram dois dias intensos, e eu me lembro perfeitamente — mesmo depois de meses de ter lido — da necessidade que sempre precisar de mais da obra. Dormir, foi um martírio pois minha mente voltava aos acontecimentos e as surpresas que estavam por vir.

– A grande alegria e honra de minha vida foi conhecê-los. Chamar vocês de minha família. E sou grato, mais do que posso expressar, por ter recebido esse tempo com vocês.

Dentro da escrita, uma das minhas partes favoritas é o fato de Sarah usar o constante intertexto em suas páginas. A autora consegue trilhar caminhos diferentes para histórias que já conhecemos. Nas costas do livro, e como uma arma utilizada por Feyre contra o rei de Hybern, o espelho de Ourobouro é o nome dado ao mesmo objeto na Branca de Neve (espelho, espelho meu…) que ganha um novo sentido na narrativa. Outro é a história da rainha Vassa que sofreu uma maldição que a transforma em um mulher durante e um pássaro de fogo durante a noite, relembrando outra história famosa eternizada pela Disney. Isso, pode parecer estranho, mas ajuda na hora da construção do sentido do texto que não foi explicado. E claro me faz soltar uns Ahs! de administração para a criatividade da autora.

Além disso, podemos encontrar no texto um crescimento gradual da narrativa com o resgate das pequenas coisas. Os minúsculos fatos costumam ser perdidos em séries muito grandes pois novos acontecimentos são inseridos à todo momento. Quando o resgate acontece, soa genial pelo sentido que toda leitura valeu a pena. Tudo faz sentido e todas as peças são encaixadas.  A série de Maas, principalmente este último livro é uma prova de que tais resgastes são essenciais as obras, pois ao mesmo tempo que Sarah expõe um novo acontecimento ela o liga à um do passado conectando a história e todas as outras que vieram póstumas a ela.

“Sempre considerei a morte como um tipo de boas-vindas pacífico; uma cantiga doce e triste que me atrairia para o que quer que esperasse depois.”

Mas como nem tudo nesse livro foram flores, tenho que admitir que um dos meus pontos favoritos, também e controversamente, foi um dos seus pecados. A narrativa de Sarah muitas vezes perdeu o tino pela inserção de momentos que não eram exatamente necessários à história. O principal é quantidade alucinante de cenas de sexo. Acredito que já tenha comentado que romance em fantasias não é meu foco pela perda de história para adição de tal prerrogativa. Mesmo gostando de Feysand, em Corte de Asas e Ruína a perda não é diferente mas no sentido de tempo. Considerando que estamos falando de guerra, uma tensão surgida após  a firmação do romance entre Feyre e Rhysand no livro anterior, as cenas de sexo me pareceram forçadas no contexto da história pela falta de necessidade. Exceto quando Feyre retorna para casa, a continuidade de cenas do tipo foi enjoativa e olha que eu amo (ou amava) o casal Feysand. Mas aqui não acredito que cabia. Tanto, que se retirarmos as cenas de sexo o livro diminuiria pelo menos umas cem páginas e tornaria a leitura mais fluída e sagaz.

 “Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

Outras cem seriam facilmente cortadas se não fosse a adição de outra coisa supérflua a narrativa de Feyre aprendendo a voar. Mas Jessica, issoo é interessante? Claro que é, contanto que tenha papel na ativo no enredo, pois do contrário, torna-se apenas uma informação à mais como um tipo de aposto: esta lá, mas não era necessário.  Pois eu não me lembro — se tiver por favor me diga nos comentários — dessa situação de vôo aparecer em batalha ou de algum modo pertinente ao enredo. Se não considerarmos a história que Azriel conta a Feyre em uma de suas aulas (que cá entre nós, poderia sim ter sido feito em outra situação) estas foram encheção de linguiça. Mas, talvez eu só seja antipática mesmo.

“Se Rhysand era a Noite Triunfante, eu era a estrela que só brilhava graças a sua escuridão, a luz apenas visível por sua causa.”

Retornando aos pontos positivos, o romance de Feysand atingiu um bom nível de cumplicidade nessa obra, mas e é separadamente que Rhysand e Feyre ganham meu coração. Muito embora não costume gostar de personagens perfeitos, Rhysand é um macho que gostaria de ter em minha vida como amigo. Inteligente e justo, Rhys é um retrato do heroico de quando o amor é existe ele pode se manifestar de vários modos. Já Feyre terminar sua jornada para abraçar o poder que conquistou nas obras anteriores. É fantástico perceber como Feyre cresceu. Se em ACOTAR Feyre era uma garota assustada e em ACOMAF um projeto de Girl Power, em ACOMAF Feyre encontra sua verdadeira força ao se tornar uma mulher poderosa. Sua construção foi feita tijolo por tijolo e esse é o principal crédito da trilogia como um todo. Em tempo onde as Girls Powers nascem da arrogância e da síndrome estou-certa-e-você-errado, ver uma força sendo construída e não jogada é sensacional.

– Apenas você pode decidir o que a destrói, Quebradora da Maldição

E igualmente a construção de Feyre e Rhysand, os outros personagens foram dignamente tomados. Morrigan e Azriel não enchem meus olhos, mas assim como o que é referente a Lucien possuo certa expectativa do que suas amarguradas histórias ainda podem revelar. Elain… Bom, o que dizer de Elain? Bom… Sendo absolutamente sincera acho-a um tanto sonsa, mas não tenho sentimentos negativos ou positivos com ela. A verdade é que se olharmos para as irmãs de Feyre quando as duas se recusaram a ajudar a irmã, Nestha por ser mais grossa recebe os créditos da ruindade. Mas Elain faz a mesma coisa mas é relevada por sua doçura, o que ao meu ver, e como se ela se fizesse de sonsa (cadê o emoji levantando os braços quando a gente precisa.)

“Se Elain era uma flor naquele acampamento de guerra, então Nestha… ela era uma espada recém-forjada, esperando para tirar sangue.”

E por falar em Nestha, como não amar Nestha e tudo que essa personagem pode trazer? A minha protagonista — percebam o nível do meu amor — é tudo que eu espero e mais um pouco sempre me surpreendendo. Nesse livro, esta ainda mais impressionante audaciosa. Marcada pelo caldeirão e com uma família quebrada mais refeita, Nestha provoca sem revelar muito sobre si. Sua esfera de poder é ao mesmo tempo a cruz que carrega. E mesmo que não possa dizer que não a entenda, ainda sim posso falar que absolvi o seu ódio como meu. Nestha é fogo, ódio e dor. É ressentimento, amor e medo. É tudo é não é nada. E cada vez que a leio, me encontro capaz de chorar pela sua complexidade. Eu preciso de mais de Nestha Archeron, de todas as maneiras que Maas puder me dar.

“Cassian estava avaliando Nesta, um brilho em seus olhos que eu só podia interpretar como um guerreiro encontrando-se diante de um novo e interessante oponente.”

Por tudo isto, posso dizer que Corte de Asas e Ruínas é um marco na minha vida. Em breve serão lançados spin-offs para completar os arcos de cada personagem. Claro que o livro de Nestha e Cassian é o mais aguardado para mim, mas espero gostar de todos os volumes que estão por vir. Sarah J. Maas é uma das melhores escritoras de seu tempo, e espero ansiosamente por mais e mais dela.