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( Algo À Ver ) Pantera Negra – Ryan Coogler

Assistir filmes no cinema é uma paixão, mas estréias não são para mim. Apesar disso, ontem contemplei o filme Pantera Negra com o coração afoito pois o esperei durante boa parte do ano passado. Se tornando o mais ambicioso dos filmes da Marvel, este teve o enredo que a muito esperávamos para os filmes da produtora. Seriedade e principalmente uma boa história que vai muito além do clássico para os filmes de heróis.image

Título: Pantera Negra
Título Original: Black Panther
Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordam, Andy Serkei, Lupita Nyong’o, Danai Gurira e Letitia Wride
Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Ryan Coogler
Distribuição: Marvel Comics
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬

Pantera Negra conta a história da cidade secreta de Wakanda, o El-Dorado que todos procuravam através dos tempos pelas riquezas e tecnologias que possui em seu meio. O príncipe herdeiro torna-se rei depois dos acontecimentos de Capitão América: Guerra Cívil quando seu pai foi assassinado em um atentado terrorista, assumindo também os desafios de seu povo. Ao tentar capturar um inimigo do passado, T’Challa (Chadwick Boseman) descobrirá segredos do passado de sua família que poderão mudar tudo em questão de segundos. Um desafio será lançado. Velhos inimigos se tornarão aliados, velhos aliados se tornaram inimigos. E o destino de Wakanda se entreleçara com o do mundo onde qualquer escorregão trará o caos.

A história de Pantera Negra segue um ritmo intenso mesmo que permeado pelas piadocas comuns aos grandes filmes da Marvel Comics. Para quem assistiu Thor: Ragnarok sabe o quão ridículo o excesso de piadas o deixou em um filme que poderia ter sido daqueles. Por isso devo admitir admitir que tinha um pouco de receio de Pantera Negra cometer os mesmo erros do antecessor transformando um herói representante de um mundo, em um engraçadinho com uma coroa. Mas com alegria, informo que houve um belo contrário, onde as cenas cômicas surgiram de modo natural para criar um impacto mais humano sob o protagonistas. T’Challa foi um personagem preparado para ser rei e deve agir como tal, mas isso não exclui seu lado humano que também é cheio de defeitos e medo como todos os outros. Aliado à isso, o humor não destrói o principal da história que precisa da tensão para ser levada à sério apenas a acompanhando e fazendo parte como em diversos momentos da vida. Dessa forma a película teve um efeito anestésico, o mundo parou e o tempo passou voando de tão imersa que fiquei na história.image

Por falar em história, poucas vezes a Marvel conseguiu tornar essenciais todas suas cenas e falas. De um gancho a outro para dar vazão aos acontecimentos, juntas elas se mostraram fortificantes aos contextos do filme. É de se parabenizar o diretor e os roterista Ryan Coogler que usou das 2h15m do longa-metragem com bastante domínio para que nada fosse disperdiçado ou alongado além das dimensões necessária. O enredo que se apoia em ação, emoção e surpreendentemente em política veio com força total para não somente criar herói, mas também para que críticas sociais importantíssimas sejam levantadas. A grande lição do filme é coragem para quebrar barreiras e paradigmas. Quando pudermos fazer alguma coisa devemos fazê-lo pelo mundo mesmo que não recebamos nada mais em troca. Um rei sábio é aquele que pensa no bem de todos não somente dos seus. Não devemos nos fechar as mazelas do mundo porque se não formos nós a salva-lo, em fogo e pólvora ele acabará.

Quando o mundo é tomado pelo caos, um homem inteligente abre as portas enquanto um tolo cria uma muralha ao seu redor.

Em todos esses contextos, o ápice de tudo são as personagens secundários apresentados poie modo muito bem construídos. Apesar de ter gostado bastante de T’Challa tanto em função de sua personalidade como da interpretação de Boseman, os coadjuvantes foram os que mais se destacaram pela individualidade única que possuem. Começando pelo vilões, são diferentes um ao outro como que para se completar. Enquanto o personagem Garra Sônica (Andy Serkei) é o vilão sarcástico que gosta de tirar sarro do herói o tempo todo, Eric Killmonger (Michael B. Jordam) apresenta um caráter determinado pelo passado conturbado. E aqui vale ressaltar o quanto seu ódio é real: Porque não fazer com que o que era escravo se tornar o senhor? Porque se ajoelhar quando você pode dominar? Um ódio cru fundado nas mazelas historicas que nos pertencem e de consequências que nunca tomamos. Além deles, a tríplice feminina apresenta a força que tanto queremos à essas mulheres. Nakia, Okoye e Shuri (Lupita Nyong’o  Danai Gurira e Letitia Wride) dão vida à três mulheres fortes e decidas que seguem seus propósitos sem precisarem abaixar a cabeça ou dependerem do herói. Em seus cinco principais coadjuvantes Pantera Negra deu uma representividade inédita à Marvel. Não pela raça, mas pela força que intrínseca que cada um possuí da verdade verossímil que apresentam.

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Com uma sonosplatia impecável, figurinos marcantes, cultura bem representada e fotografia espetacular, Pantera Negra foi um filme muito ambicioso que deixa um gostinho de quero mais. Com um início digno à história do herói, abre uma porta perfeita para a continuação ainda melhor. Com todos os elementos necessários o filme se torna um marco na história, mas principalmente nessa época de filmes em que tantos homens e mulheres capazes de salvar o mundo por apresentar muito mais que o desejo “puro” de ajudar. Um filme que vale muito à pena de ser visto.

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| RESENHA | A Lista Negra – Jennifer Brown

Sinopse: E se você desejasse a morte de uma pessoa e isso acontecesse? E se o assassino fosse alguém que você ama? O namorado de Valerie Leftman, Nick Levil, abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola em que estudavam. Atingida ao tentar detê-lo, Valerie também acaba salvando a vida de uma colega que a maltratava, mas é responsabilizada pela tragédia por causa da lista que ajudou a criar. A lista com o nome dos estudantes que praticavam bullying contra os dois. A lista que ele usou para escolher seus alvos. Agora, ainda se recuperando do ferimento e do trauma, Val é forçada a enfrentar uma dura realidade ao voltar para a escola para terminar o Ensino Médio. Assombrada pela lembrança do namorado, que ainda ama, passando por problemas de relacionamento com a família, com os ex-amigos e a garota a quem salvou, Val deve enfrentar seus fantasmas e encontrar seu papel nessa história em que todos são, ao mesmo tempo, responsáveis e vítimas. A lista negra, de Jennifer Brown, é um romance instigante, que toca o leitor; leitura obrigatória, profunda e comovente. Um livro sobre bullying praticado dentro das escolas que provoca reflexões sobre as atitudes, responsabilidades e, principalmente, sobre o comportamento humano. Enfim, uma bela história.
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Falar de livros que me tocam profundamente é uma tarefa difícil. As minhas emoções interferem e não consigo fazer uma resenha clara, nem muito objetiva. Então, se caso eu parecer muito confusa durante este post, por favor me perdoe pois o fato é que esta obra me emocionou de tal maneira que ficará imensamente complicado de falar sobre ela.

O livro A Lista de Negra de Jennifer Brown foi tudo que eu esperava e mais um pouco. Cada pedaço do livro foi trabalhado para que entendamos que brincadeiras aparentemente inocentes e sutis pode causar na mente de uma pessoa. Pois o bullying pode gerar uma raiva profunda e um desejo de vingança que foi extravasado através da raiva pelo namorado da nossa protagonista, Nick Levil. Como todos sabem o ambiente escolar, principalmente o ensino médio, é um palco recorrente para o bullying. As pessoas fazem brincadeiras umas com as outras e principalmente umas das outras. Por isso, o cenário da escola é tão usado para fazer uma narrativa sobre bullying tornando-o clichê. Mas Brown consegue fazer com que seja uma trama inesperada sobre dor, medo e revolta. E principalmente, sobre entendimento: tentar entender qual o imapcto de tais atos na mente dos adolescentes.

A Lista Negra era apenas um modo de estravazar as dores e nunca esquecer quem já tinha feito algum mal para Valerie e Nick. Não eram alvos reais, mas sim alvos imaginários onde os pensamentos de ódio e desejos de morte eram o máximo que poderia acontecer. Mas quando Nick passa a ter como ideia dominante realmente exterminar aquelas pessoas, Valerie não percebe que as brincadeiras tomaram proporções enormes. Ela estava cega pelo ódio e também pelo amor que sentia (e ainda sente) pelo seu ex namorado.

A volta de Val para escola foi surpreende e incrível. Esperava que seus antigos amigos tentassem ao menos lhe entender e que os antigos inimigos lhe detestassem. A coisa fluiu quase como ao contrário. Pois os amigos tinham vergonha do que tinha acontecido e não queriam se associar a garota. Os inimigos usaram o que tinha acontecido – pelo menos uma parte deles – para refletir sobre suas atitudes e mudar suas ações. É estranho pois assim como Valerie, passei boa parte do livro achando que era uma grande vingança se armando até finalmente enxergar o que estava acontecendo.

De todas as passagens do passado de Valerie após o ataque, mesmo que a volta para escola seja realmente bem tensa, os núcleos envolvendo o passado desde o dia do massacre até as idas da jovem ao pisquiatra foram as que mais me tocaram já que é realmente onde ela conta sua versão da história. As palavras com o qual ela descreve as situações que passou, como realmente via o que acontecia foram extensivamente emocionais. Pois percebemos que o bullying é o ataque as diferenças. Quando Valerie ainda era uma moça que se vestia e agia como todas as garotas de sua escola não haviam palavras hostis ou troças em sua direção. Mas após sua mudança – quando ela finalmente descobriu quem realmente era – as pessoas passaram a ver essa mudança como uma aberração e a repudiaram por isso. Uma situação que é tão absurdamente comum nos dias de hoje que faz com que o livro atravesse as barreiras da ficção e ganhe aquele pingo de verossimidade, pois quantas vezes não vemos ataques as diferenças? Seja porque você é alto de mais, magro de mais? Seja porque você tem o estilo mais gótico ou mais hippie?

Desse modo, Jennifer Brown criou uma obra que beira a realidade e que poderia acontecer com qualquer pessoa. Todos somos sujeitos a sofrer bulliyng ou mesmo pratica-lo. Devemos ter cuidado com nossas palavras e refletir sobre o que fazemos. Nem tudo que parece brincadeira é realmente uma brincadeira. Pois estas podem tomar proporções inacreditáveis gerando ações irreversíveis.    A Lista Negra irá te expor e te fazer refletir sobre isto.

Título: A Lista Negra
Titulo Original: Hate list
Autora: Jennifer Brown
Editora: Gutenberg
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟⭐