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(Algo à ver) Vingadores: Ultimato – Joe e Anthony Russo

Há dez anos, uma franquia ousada surgia no cinema. Os irmãos Russo iniciaram sua jornada para construir filmes interligados que culminariam com a batalha contra Thanos. Desde então, vinte e dois filmes foram lançados. Alguns excelentes, outros nem tanto. Mas todos carregados de um sentimento de pertencimento à algo maior. Agora, com o lançamentos do último filme da primeira grande saga, a série Os Vingadores alcançam um novo patamar de excelência, nos deixando ansiosos para o que podemos esperar nos anos seguintes do MCU.

Obs: Essa resenha não terá spoilers, mas algumas observações sobre o filme serão realizadas.
Título: Os Vingadores – Ultimato | Título original: The Avangers – End Game | Direção: Joe & Anthony Russo | Elenco: Robert Downey Jr, Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansen, Mark Ruffalo, Paul Rudd, e Jeremy Renner | Distribuição: Marvel | Duração: 3h08m | Avaliação: 🍿 🍿 🍿 🍿

Uma questão que nos faz amar o cinema, costuma ser as finalizações de séries que amamos apesar da dor que sentimos pela certeza que não retornaremos a ver nossos personagens queridos. Harry Potter, O Senhor dos Anéis e Logan são provas vivas que as vezes o fim é só o começo para uma lembrança de um tempo inesquecível que passamos à frente das telonas. Não obstante, o mesmo podemos esperar do culmino de dez anos do “Marvel Comics Universe”. Foi uma longa jornada que nos fez rir, chorar e lutar ao lado de nossos heróis favoritos no cinema. Vingadores: Ultimato consegue alcançar a excelência e nos deixar, ao mesmo tempo, tristes e ansiosos para o que está por vir.

O longa inicia vinte dias após o estalar dos dedos em Guerra Infinita. Tony Stark (Robert Donwey Jr) está preso no espaço sem água e comida, ao passo que Natasha Rommanoff (Scarlett Johansen) e Steve Rogers (Chris Evans) lideram uma espécie de resistência contra o titã na terra. Começando sua jornada com a morte pairando em suas cabeças, o caminho traçado pelos protagonista é de redenção e confirmação.

A primeira hora de filme é um tanto maçante, o que não me permite dar nota máxima à película. A reunião dos personagens em prol da reconstrução da equipe é um tanto longa demais, algo que certamente poderia ser contornado. Entretanto, talvez não devêssemos culpar apenas os diretores por esta construção ser o ponto principal da falha, em vista que os irmãos Russo ficaram impossibilitados de criar um primeiro momento espetacular. Afinal, a Marvel está fechando um ciclo de dez anos que têm como principais personagens os fãs. E se por um lado, os fãs são os mais fáceis de agradar pois estão à frente dos seus personagens favoritos, por outro a necessidade que ainda se tem de que os personagens sejam idênticos aos dos quadrinhos, seja por sua história, seja por seus poderes, limitam o sentido totalitário da franquia. Se tornou necessário deixar espaço para que, principalmente, os seis vingadores originais brilhassem, antes da aventura ser realmente iniciada.

Mas quando finalmente o Ultimato engrena, somos levados à um ritmo frenético de emoções que vão desde a mais alta felicidade ao maior dos temores. O filme consegue equilibrar os pontos de humor (sem saturar como em Thor Ragnarok) com as cenas de ação. Apesar da pouca extrapolação da narrativa, a qualidade estética e visual é grandiosa. As batalhas são bem coreografadas para que os heróis tenham seu tempo de tela e possam garantir a consolidação de suas faces, mesmo que poucas, na narrativa.

Por certo que Vingadores se tornou uma espécie de patrimônio cultural. Assim, exatamente como todos os outros filmes da Marvel podemos inserir Ultimato na categoria dos Blockbuster, como um grande espetáculo que tem uma função de agradar sem grandes provocações. Esse é claro, é o grande papel de Marvel Comics no cinema mundial, ao qual tem sua primeira grande finalização de uma forma competente que agradara os fãs e mesmos aqueles que não acompanharam seu universo.

Os trinta minutos finais foram os mais instigantes do filme. Algumas cenas são para rir, outras para aplaudir e algumas para chorar. A força feminina e negra, foram exaltadas e novos caminhos foram abertos. E apesar das perdas, finais felizes foram construídos pelas lembranças deixadas para trás. Em resumo, Os Vingadores: Ultimato deixará marcado em nossos corações o fim épico de uma era que está apenas começando.

 

( Algo À Ver ) Pantera Negra – Ryan Coogler

Assistir filmes no cinema é uma paixão, mas estréias não são para mim. Apesar disso, ontem contemplei o filme Pantera Negra com o coração afoito pois o esperei durante boa parte do ano passado. Se tornando o mais ambicioso dos filmes da Marvel, este teve o enredo que a muito esperávamos para os filmes da produtora. Seriedade e principalmente uma boa história que vai muito além do clássico para os filmes de heróis.image

Título: Pantera Negra
Título Original: Black Panther
Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordam, Andy Serkei, Lupita Nyong’o, Danai Gurira e Letitia Wride
Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Ryan Coogler
Distribuição: Marvel Comics
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬

Pantera Negra conta a história da cidade secreta de Wakanda, o El-Dorado que todos procuravam através dos tempos pelas riquezas e tecnologias que possui em seu meio. O príncipe herdeiro torna-se rei depois dos acontecimentos de Capitão América: Guerra Cívil quando seu pai foi assassinado em um atentado terrorista, assumindo também os desafios de seu povo. Ao tentar capturar um inimigo do passado, T’Challa (Chadwick Boseman) descobrirá segredos do passado de sua família que poderão mudar tudo em questão de segundos. Um desafio será lançado. Velhos inimigos se tornarão aliados, velhos aliados se tornaram inimigos. E o destino de Wakanda se entreleçara com o do mundo onde qualquer escorregão trará o caos.

A história de Pantera Negra segue um ritmo intenso mesmo que permeado pelas piadocas comuns aos grandes filmes da Marvel Comics. Para quem assistiu Thor: Ragnarok sabe o quão ridículo o excesso de piadas o deixou em um filme que poderia ter sido daqueles. Por isso devo admitir admitir que tinha um pouco de receio de Pantera Negra cometer os mesmo erros do antecessor transformando um herói representante de um mundo, em um engraçadinho com uma coroa. Mas com alegria, informo que houve um belo contrário, onde as cenas cômicas surgiram de modo natural para criar um impacto mais humano sob o protagonistas. T’Challa foi um personagem preparado para ser rei e deve agir como tal, mas isso não exclui seu lado humano que também é cheio de defeitos e medo como todos os outros. Aliado à isso, o humor não destrói o principal da história que precisa da tensão para ser levada à sério apenas a acompanhando e fazendo parte como em diversos momentos da vida. Dessa forma a película teve um efeito anestésico, o mundo parou e o tempo passou voando de tão imersa que fiquei na história.image

Por falar em história, poucas vezes a Marvel conseguiu tornar essenciais todas suas cenas e falas. De um gancho a outro para dar vazão aos acontecimentos, juntas elas se mostraram fortificantes aos contextos do filme. É de se parabenizar o diretor e os roterista Ryan Coogler que usou das 2h15m do longa-metragem com bastante domínio para que nada fosse disperdiçado ou alongado além das dimensões necessária. O enredo que se apoia em ação, emoção e surpreendentemente em política veio com força total para não somente criar herói, mas também para que críticas sociais importantíssimas sejam levantadas. A grande lição do filme é coragem para quebrar barreiras e paradigmas. Quando pudermos fazer alguma coisa devemos fazê-lo pelo mundo mesmo que não recebamos nada mais em troca. Um rei sábio é aquele que pensa no bem de todos não somente dos seus. Não devemos nos fechar as mazelas do mundo porque se não formos nós a salva-lo, em fogo e pólvora ele acabará.

Quando o mundo é tomado pelo caos, um homem inteligente abre as portas enquanto um tolo cria uma muralha ao seu redor.

Em todos esses contextos, o ápice de tudo são as personagens secundários apresentados poie modo muito bem construídos. Apesar de ter gostado bastante de T’Challa tanto em função de sua personalidade como da interpretação de Boseman, os coadjuvantes foram os que mais se destacaram pela individualidade única que possuem. Começando pelo vilões, são diferentes um ao outro como que para se completar. Enquanto o personagem Garra Sônica (Andy Serkei) é o vilão sarcástico que gosta de tirar sarro do herói o tempo todo, Eric Killmonger (Michael B. Jordam) apresenta um caráter determinado pelo passado conturbado. E aqui vale ressaltar o quanto seu ódio é real: Porque não fazer com que o que era escravo se tornar o senhor? Porque se ajoelhar quando você pode dominar? Um ódio cru fundado nas mazelas historicas que nos pertencem e de consequências que nunca tomamos. Além deles, a tríplice feminina apresenta a força que tanto queremos à essas mulheres. Nakia, Okoye e Shuri (Lupita Nyong’o  Danai Gurira e Letitia Wride) dão vida à três mulheres fortes e decidas que seguem seus propósitos sem precisarem abaixar a cabeça ou dependerem do herói. Em seus cinco principais coadjuvantes Pantera Negra deu uma representividade inédita à Marvel. Não pela raça, mas pela força que intrínseca que cada um possuí da verdade verossímil que apresentam.

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Com uma sonosplatia impecável, figurinos marcantes, cultura bem representada e fotografia espetacular, Pantera Negra foi um filme muito ambicioso que deixa um gostinho de quero mais. Com um início digno à história do herói, abre uma porta perfeita para a continuação ainda melhor. Com todos os elementos necessários o filme se torna um marco na história, mas principalmente nessa época de filmes em que tantos homens e mulheres capazes de salvar o mundo por apresentar muito mais que o desejo “puro” de ajudar. Um filme que vale muito à pena de ser visto.

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