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( Resenha ) O Rei Corvo – Maggie Stiefvater – Livro 04

Caras Corujinhas, Como vocês devem ter notado, eu dei uma sumida nos últimos dias. Isso se deve ao fato que a vida na faculdade está intensa. Mas não desistam de mim pois estou me preparando para dar conta de tudo e tenho que fé que vai dar certo. Então atrasadamente, preparem-se para se afundar em uma narrativa de tirar o folêgo que vai envolvê-los para proporcionar um final épico à uma saga maravilhosa.

Essa resenha não contem spoiler dos livro anterior. Pule a sinopse.

Título: O Rei Corvo | Título original:  The Raven King | Autora: Maggie Stiefwater | Editora: Verus | Páginas:  378 | Ano2018 |Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ |Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

o rei corvo

SINOPSE: O aguardado volume final da Saga dos Corvos, uma conclusão espetacular à história mítica e sombria criada por Maggie Stiefvater. Nada que está vivo é seguro. Nada que está morto é confiável. Há anos Gansey iniciou uma jornada para encontrar um rei perdido. Um a um, ele atraiu seus amigos para essa missão: Ronan, que rouba coisas de sonhos; Adam, cuja vida já não é sua; Noah, cuja vida não é mais vida; e Blue, que ama Gansey… e tem certeza de que está destinada a matá-lo. O fim já começou. Sonhos e pesadelos estão convergindo. Amor e perda são coisas inseparáveis. E a busca pelo rei se recusa a ser fixada em um caminho. A busca pelo rei adormecido vai chegar ao fim em Henrietta — mas não sem perdas, desejos, revelações e uma verdade brutal. Com O rei Corvo, Stiefvater conclui uma verdadeira obra-prima.

Era mais fácil discernir o herói do vilão quando só a vida e a morte estavam jogo. Todo o resto entre as duas ficava mais difícil.

Maggie Stiefvater é uma das melhores autoras que eu tive o prazer de ler nos últimos anos. Muito embora não possa chamar seus livros de perfeitos, existe um tipo de mágica na escrita que somente Stiefvater tem. É uma autora de poesia narrada, onde os sentimentos ganham lugar de destaque e os personagens uma projeção que os faz saltar das páginas e se tornem palpáveis.

Em O Rei Corvo eu tive um paradoxo à leitura. Gostei bastante da finalização e como sempre adorei as escrita de Maggie. Contudo, ao mesmo tempo, houve uma construção exageradamente demorada para o alcance do clímax de leitura. A autora se preocupou em dar base à história, mas algumas cenas poderiam ter sido cortadas e deixado o livro mais objetivo. Como vocês sabem, tenho um certo problema com procrastinação e foi isso que senti nesse livro. Tanto que está não foi a primeira vez que tentei ler a obra. Na verdade, houve um período em que li mas abandonei faltando cem páginas para o final (não propositalmente, mas sabe quando você está lendo vai dormir e não vê motivos para continuar a leitura no dia seguinte?). E até minha vontade para ler a obra foi minguando. Exceto pela semana passada onde eu disse: não vou ler. E eu li, e fora isso gostei.

Ele era um rei. Havia chegado o ano em que ele morreria.

Dependendo de onde você comece a história ela diria a respeito…” Com essa frase, Maggie introduz cada pedaço fundamental para construção do livro e torna-se um tipo de história mesclada em que nenhuma é mais importante que a outra. Se existe algo que faz sentido em obras, é quando o autor dá voz aos personagens mesmos os mais “insignificantes”. E claro, Maggie faz isso com brilhantismo. Cada um dos personagens tem um papel no futuro dos Garotos Corvos e do Rei Corvo. Blue Sargent tem um futuro… Richard Gansey tem uma previsão de morte… Ronan Linch tem um segredo… Adam Parissh tem um destino. Mas não podemos sugerir apenas a importância dos personagens principais, porque Maura prevê o futuro deles, Artemus conhece o rei, Gwenllian tem muita loucura e o Homem Cinzento tem novos caminhos à traçar. Dessa forma, Maggie desconstrói um enredo que poderia ter sido traçado apenas por protagonista. A grandeza do livro se enquadra na permissão que a autora se dá de mostrar as peças de um quebra-cabeça dotado de intensidade.

Ao traçar as linhas dos personagens principais, Maggie consegue mais uma vez quebrar o que sabemos deles sem perder suas personalidades. Blue Sargent mostra sua insegurança, muito embora não seja uma garota insegura. Blue é fruto de uma casa cheia de mulheres fortes, e como tal possui a solidez mas que não significa falta de maleabilidade. Blue tem medos, segredos e anseios que precisam ser superado. Richard Gansey III é um dos personagens que mais gosto na narrativa. Ele é rico, tem uma mente sagaz e a impetuosidade da riqueza. Mas não possui revolta tão comum aos personagens com tais características, e sim uma família que lhe ama tanto de escolha quanto de sangue. Seu relacionamento com Blue é construído de forma tão clara que percebemos Gansey como um homem e não mais como um menino a medida que as páginas evoluem.

Ronan Lynch e Adam Parissh são personagens opostos entre si e a Blue e Gansey. Enquanto Ronan é fogo incapaz de controlar seus sentimentos, Adam foi quebrado pelas escolhas do seu passado que o glorificaram para ser algo mais mas também o reduziram pela mediocridade do passado. Ronan segue um caminho de força e Adam de redenção, e juntos eles elevam o significado de amor e família.

A questão era que todos estavam próximos demais da situação. Eles haviam estado próximos demais da situação durante meses. Estavam tão próximos que era difícil dizer se eles eram ou não a situação em si.

Maggie Stiefvater não cria nada de comum para a finalização da Saga Os Garotos Corvos. São livros de promessas, de começos e de fins. Livros sobre amizade e sobre amor. Sobre antura e temperança. Mas principalmente, livros mais que indicados para quem deseja algo que nos desafia a pensar em algo mais.

 

 

 

 


( Resenha ) Ladrões de Sonhos – Maggie Stiefvather – Livro 02

Minhas caras Corujinhas. Existem muitos segredos esperando para serem revelados. Em Ladrões de Sonhos Maggie Stiefvater vai te mostrar que o primeiro passo de tudo é acreditar no inacreditável que tudo pode se tornar possível.

ladrões de sonhos

Titulo: Ladrões de Sonhos
Titulo Original: The Dreams Thieves
Série: A Saga dos Corvos #02
Autora: Maggie Stiefvater
Editora: Verus
Páginas: 429
Ano: 2014
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Ladrões de sonhos, o segundo volume da Saga dos Corvos, traz de volta a imaginação selvagem e as reviravoltas eletrizantes que somente uma autora original como Maggie Stiefvater é capaz de criar. Ao lado de Blue, os garotos corvos — o privilegiado Gansey, o torturado Adam, o espectral Noah e o sombrio e perigoso Ronan — continuam sua busca pelo lendário rei galês Glendower. Mas suas explorações enfrentam um duro contratempo conforme segredos, sonhos e pesadelos começam a enfraquecer a linha ley — um canal invisível de energia que conecta lugares sagrados e que pode levá-los até o rei. Será por isso que a floresta mística de Cabeswater sumiu inexplicavelmente? Quem é o misterioso Homem Cinzento e por que ele está procurando o Greywaren, uma relíquia que permite tirar objetos de sonhos? E o que isso tem a ver com o indecifrável Ronan? Conforme Blue e os garotos corvos procuram respostas a essas e outras questões, o perigo que os envolve se torna cada vez mais real, e será preciso apostar todas as fichas nessa aventura enigmática.

Esta resenha não conterá spoilers do livro anterior.

Com sua narrativa poética e personagens singulares, Maggie Stiefvater conduz um livro diferente de tudo. Aliados as novas descobertas, Os Garotos Corvos possuem um ciclo devastador de mistério, aspereza, amor e solidão traçando caminhos que levam tanto eles como o leitor para além do que se possa imaginar.

Às vezes, algumas raras vezes, um segredo permanece desconhecido porque é algo grande demais para a mente guardar. Estranho demais, vasto demais, aterrorizador demais para ser contemplado. Todos nós temos segredos na vida. Nós os guardamos ou temos alguns guardados de nós, jogamos ou somos jogados. Segredos e baratas — é o que restará no fim de tudo.

Os Garotos Corvos foram evoluídos. Gansey parece mais isolado dos amigos durante sua busca por Glendower, mas isso não o torna frívolo. Eu diria que ele apenas se tornou pensativo pois sua busca se tornou que o desejo pela recompensa e sim pelas verdades que deseja descobrir. Adam que sempre foi um personagem ansiador pelo poder esta divido pela percepção que suas ações podem prejudicar os amigos. De longe, Adam foi o personagem mais forte, que ao tentar lutar contra o passado, prejudica seu futuro mesmo que não precise ser transformado em um vilão para isto. Blue foi um tanto controversa, muito embora continue perspicaz e independente, mas de todos eu diria que foi a que menos cresceu. Noah está instável pela inconstância  da linha ley, mas vai se tornando mais corajoso a medida que o livro passa, o que é surpreendente se levarmos em consideração suas atitudes no volume anterior. Já Ronan é ainda mais imersivo em seu próprio mundo, mas se antes ele parecia ter necessidade de guia agora caminha para uma independência quase que sem limites.

Por esses motivos, meu ponto favorito da história é a peculiaridade dos personagens. Eu poderia completar dizendo que não são clichês do gênero, mas com certeza estaria mentindo. A questão porém não é eles o serem, mas o modo como vão para além disto. É uma visão que você tem do livro anterior mas acredito que só pude ter uma visão clara e aperfeiçoada do que foram os personagens de Maggie durante essa obra. Cada um apresentou uma mudança significativa em sua personalidade que o fez se tornar ainda mais palpável, pois quanto mais denso um determinado personagem se constrói, mais força ele toma dentro da narrativa.

Ele podia se lembrar de toda sorte de nomes para ela agora, e todos pareciam mais adequados. Estrada das fadas. Caminho espiritual. Linha de canções. O velho caminho. Linha de dragões. Caminho dos sonhos. O caminho dos corpos.

Dizer que Maggie Stiefvater tem uma maneira única de contar seria um eufemismo. Ao narrar em terceira pessoa por inúmeros personagens diferentes, a autora sequencia os atos de modo encadeado para que estes se tornem quase que um processo químico onde nada se perde, tudo se transforma. Conceitos que foram apresentados são refeitos. Existe uma redução do que parecia ter sido importante e um aumento aos pequenos detalhes que não havíamos dado importância. É fantástico perceber o crescimento da história, muito embora deva ressaltar que esse segundo livro toma muito mais a característica de obra única do que continuação. Isto porque o foco da história teve uma mudança significativa.

Ao iniciar Ladrões de Sonhos você percebe que o primeiro plano de narrativa não está mais na busca por Glendower, mas sim na revelação feita por Ronan no volume anterior. Eu não tinha maiores explicações do porque havia ocorrido essa mudança de foco, de modo que no início fiquei confusa pois tive a sensação que Maggie havia perdido a linha de raciocínio. Contudo, ao perceber a obra como um todo nata-se que tal mudança foi bastante necessária já que apenas através dela o arco de explicações referentes aos acontecimentos desse volume pudessem serem plenamente concluídos e assim não comprometessem o entendimento geral da saga do leitor.

Em uma postagem no tumblrStiefvater comentou sua saga não havia começado com Os Garotos Corvos e Blue Sargent; mas sim com Ladrões de Sonhos, e Ronan Lynch. Dessa maneira Ladrões de Sonhos é anterior ao primeiro volume da série. Pode parecer estranho que Maggie tenha optado por começar sua saga do segundo volume e então retornar ao primeiro, mas vejo como uma ótima criação de fluidez a saga. O que não foi explicado no primeiro livro é feito no segundo, e o que poderia causar estranheza no leitor neste,  já havia sido devidamente explicado no primeiro. Portanto, estamos lidando com uma obra muito mais estruturada em termos narrativos, conectivos e explicativos que apesar de começar e terminar aqui, é fundamental para compreensão de tudo que já aconteceu e tudo que está por vir.

Naquele momento, Blue estava um pouco apaixonada por todos eles. Pela magia deles. Pela busca deles. Pela voracidade e pela estranheza deles. Seus garotos corvos.

Ladrões de Sonhos foi um livro que mudou minha perspectiva sobre A Saga dos Corvos. Maggie Stiefvater conseguiu dar uma continuação e um recomeço maravilhoso de todos os modos que podemos pensar. Apesar da minha confusão inicial, tudo que foi adicionado deixou um gosto de quero mais. Acredito que a partir desse ponto, essa saga tem tudo para se tornar uma das favoritas da vida. Afinal de contas, tenho a impressão que além das diversas surpresas que esse livro vai me trazer, a narrativa e os personagens devem continuar sendo tão espetacularmente peculiares.

A questão sobre Ronan Lynch, Adam havia descoberto, era que ele não gostava de — ou não conseguia — se expressar com palavras. Então cada emoção tinha de ser soletrada de alguma outra maneira. Um punho, um fogo, uma garrafa. (…) e ele precisava extravasar sozinho com seu corpo. Pela janela traseira, Adam viu Ronan pegar uma pedra no acostamento e jogá-la no mato