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( Resenha ) Fique Comigo – Harlan Coben

Existem alguns autores que não importa quantos livros você leia dele que jamais irá cansar ou ficar com aquela sensação incomoda de mais do mesmo. Harlan Coben é um desses autores em minha vida. Sempre com dinamismo, o Mestre das Noites Em Claro faz jus ao título em Fique Comigo. Um suspense arrebatador que nos mostra como é impossível fugir do passado.

Título: Fique Comigo | Título original: Stay Close| Autor: Harlan Coben | Editora:  Arqueiro | Páginas: 384| Ano: 2014| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐| Encontre: Skoob SaraivaAmazon

FIQUE_COMIGO_1363735233PSinopse: A vida de Megan Pierce nem sempre foi um mar de rosas. Houve uma época em que ela nunca sabia como seria o dia seguinte. Mas hoje é mãe de dois filhos, tem um marido perfeito e a casa dos sonhos de qualquer mulher- e, apesar disso, se sente cada vez mais insatisfeita. Ray Levine já foi um fotógrafo respeitado, mas agora, aos 40 anos, tem um emprego em que finge ser paparazzo para massagear o ego de jovens endinheirados obcecados em se tornar celebridades. Broome é um detetive incapaz de esquecer um caso que nunca conseguiu resolver: há 17 anos, um pai de família desapareceu sem deixar rastros. Todos os anos ele visita a casa em que a mulher e os filhos do homem esperam seu retorno. Essas pessoas levam vidas que nunca desejaram. Agora, um misterioso acontecimento fará com que seus caminhos se cruzem, obrigando-as a lidar com terríveis consequências de fatos que pareciam enterrados havia muito tempo. E, à medida que se deparam com a faceta sombria do sonho americano – o tédio dos subúrbios, a angústia da tentação, o desespero e os anseios que podem se esconder nas mais belas fachadas -, elas chegarão à chocante conclusão de que talvez não queiram deixar o passado para trás.

A inquietude voltaria. Era inevitável. Sofrimento, medo, paixão, os segredos mais obscuros – nada durava para sempre. Mas talvez, se respirasse fundo e aguentasse firme, Megan pudesse manter essa sensação pelo menos por mais algum tempo.

Harlan Coben tem uma das melhores narrativas que eu conheço. Não é atoa que já passei da casa dos vinte em números de obras que já li de sua autoria. O ponto que sempre me faz retornar ao seus livros é a capacidade que tem de dar detalhes sem ser maçante. De construir narrativas que são cheias de significados ao mesmo tempo que estão tomadas de ação. Harlan não é um autor da mesmice, mas alguém que busca inovar e trazer sempre aos seus leitores uma obra que seja para além do que nós esperamos.

Nós lutamos pela liberdade, não foi? E então o que fazemos com essa liberdade toda? Nos prendemos a bens materiais, dívidas e, bem, à outras pessoas.

Nessa obra, narrada em terceira pessoa, Harlan desconstrói o sonho americano: ter uma casa grande, um carro na garagem, um cônjuge que lhe ama e filhos bem educados. Parece ser uma vida dos sonhos, mas quando Harlan se aprofunda nisso percebemos que perfeição não é exatamente aquilo que está em jogo, pois uma vida assim seria completamente sem emoções. E o que para algumas pessoas significa felicidade eterna, para outras são algemas que prendem aos preceitos da sociedade que negam a plenitude de se viver como queremos. Pois precisamos desejar as mesmas coisas, ter as mesmas vidas para sermos normais. Almejar uma vida dos sonhos, mesmo que aquele não seja o nosso.

– Todos nós representamos personagens diferentes para pessoas diferentes.

Através de seus três personagens principais, Harlan insere para seus leitores perspectives diferentes do que podemos considerar felicidade. O detetive Broome fica de frente com um caso antigo do passado ainda não resolvido. E é a partir que vislumbramos a primeira crítica de Coben: Será mesmo que nossos maridos ou esposas são exatamente aquilo que conhecemos deles? Podemos afirmar que eles não tem segredos ou lados obscuros que rodeiam suas vidas? A resposta é claro, é não. Nunca saberemos quem nos acompanham por não podermos ler mentes. Mas o questionamento também não é devido. Devemos confiar, não cegamente, mas entender o que torna especial a pessoa que escolhemos para nós.

 –Todo mundo parece feliz no Facebook

Megan, minha personagem favorita, demonstra as diretrizes de ser aquilo que não deseja. De certo modo, Megan conseguiu escapar de amarras para ser segurada por outras. Muito embora seu mundo passado e o atual são sejam iguais, também não podemos ressaltar que são completamente diferentes. Megan parece necessitar da adrenalina que possuía trocada por uma vida simples. Uma vida que muitos desejam e correm atrás, e aqueles que não querem são obrigados pela sociedade a fingirem estar feliz com elas. Megan se torna então um reflexo da existência obrigatória de ser parte da qual parece incapaz de ser totalmente feliz.

A efemeridade de nossa existência é a única certeza que podemos ter.

Fique Comigo é uma obra reflexiva que mais uma vez nos prova a capacidade que Harlan Coben tem de se superar. Muito embora o desfecho da narrativa aconteça de forma rápida de mais, ainda sim é um livro necessário por trazer a luz questionamentos tão tabus para nossa sociedade. Eu sempre irei recomendar os livros do autor que cada vez mais me prova porque ele é um mestre do suspense.

Havia aprendido a grande diferença entre os que têm tudo e os que não têm nada. Era uma questão de sorte e privilégio. E, quanto mais sorte você tinha e quanto mais portas se abriam por causa de seus privilégios, mais você precisava convencer os outros de que havia alcançado o sucesso devido à sua inteligência e ao seu esforço.O mundo,no fim das contas, se resumia a problemas de baixa autoestima.

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( Lista ) 05 Personagens Que Marcaram

Oi Corujinhas. Mais uma vez vamos as listas aqui no blog parceria com a Kethlinda (Parabatai Books). Dessa vez nós vamos falar de cinco personagens que foram muito importantes na nossa vida, nos marcando de algum jeito e deixando grandes lições. Pois a verdade é que bom das leituras é sermos marcados por elas de várias maneiras possíveis. No final da lista, comentem qual personagem marcaram vocês também.

Vamos lá?

Garota Exemplar capa1. Amy Dunne Garota Exemplar.

Na resenha de Garota Exemplar, eu havia falado um pouco dos objetivos dessa personagem e da maneira com o qual ela me marcou e me fez enxergar o mundo por novos ângulos. De certo modo, Amy  foi além das amarras sociais comuns as mulheres de nosso século, que estão dispostas a fingir serem alguma coisa, para agradar um parceiro, um amigo, ou qualquer que faça parte de sua vida. Mas se tem algo que todos aprendemos com o tempo, é que não podemos mudar quem somos se não for por nós mesmos. Dessa forma, a lição que Amy dignamente nos ensina através de seus atos questionáveis é nunca mudar por alguém, porque a felicidade só vem se o amor for absorvido por alguém real.

Harry-potter-e-a-pedra-filosofal-livro.jpg2. Severo SnapeHarry Potter

Engraçado pensar que muitas pessoas não entendem como alguns “Potteheads” tem um amor tão grande pelo personagem de cabelos pretos e nariz adunco, de nome Severo Snape. Sempre vejo comentários que demonstram estranheza por suas bondades terem aparecido apenas no final do último livro. Mas a questão do personagem não é seu lado oculto, mas a maneira com o qual elas se apresentaram se tornando bem maior que um homem mal interpretado. Pois Severo foi realmente um personagem maldoso em um passado distante e um homem amargurado até sua morte, contudo o que lhe motivou a vida e ajudar aquele que significava todas as perdas de sua vida, foi o amor tenro que sentia por Lilian Evans. Por isso, ao criar este homem J. K. Rowling refaz o significado de redenção ao demonstrar que, somente quando chegamos ao verdadeiro amor, podemos nos tornar alguém melhor.

o odio que voce semeia3. StarrO Ódio Que Você Semeia

Sendo a mais recente personagem dessa lista, Starr foi uma das minhas  favoritas do ano passado. Isto porque foi marcante ver sua trajetória como um todo, do momento em que ela saiu da posição de sem voz para o alcance de sua força. Acredito que muitas pessoas que leram esse livro também ficaram impressionadas com a evolução de Starr, porque Angie Thomas não contorna a verdade com uma “mentira” ou uma situação improvável, mas algo real que nos faz acreditar na força de sua personagem bem como na veracidade de sua história.

o sol é para todos4. AtticusO Sol É Para Todos

Faz anos que li O Sol É Para Todos. Na época eu era uma adolescente em plena formação social e individual. Então imagine minha surpresa ao encontrar não somente Atticus, mas uma profusão de personagens que permeiam as páginas de Harper Lee. O Sol É Para Todos fala sobre preconceito, mas diferentemente de todos os livros que tem como este o tema, não foca apenas no preconceito racial, mas de classe, personalidade, velhice, loucura, julgamento… Atticus, o melhor pai fictício do mundo, ensina a seus filhos e ao leitor os caminhos pelo qual devemos superar inúmeras barreiras que nós mesmo nos impomos ao longo dos anos e que tanto jogamos sobre as outras pessoas.

nove regras a ignorar antes de se apaixonar5. Calpúrnia Hartwell – Nove Regras A Ignorar Antes de Se Apaixonar.

Não é surpresa para ninguém que romances de época fazem parte dos meus queridinhos. Sendo meu terceiro gênero favorito, por inúmeras razões, esses livros me marcam por apresentarem mocinhas a frente do seu tempo. Mas não somente isso, muitos livros exalam força e deixam claro que não importa de onde você seja, sempre pode-se ir além dos parâmetros da sociedade. As personagens de Sarah MacLean tem sido muito marcantes justamente por esse poder feminino que tanto trazem. Apesar de várias outras terem conquistado meu coração nos últimos tempos (estou falando com você, Pippa Marlbury kk), Callie continua como minha heroína favorita. E não somente por sua força, mas também por nunca ter mudado quem era, apenas ter descoberto a verdade sobre si mesma.

Eu sei que essa lista ficou bastante parecida com algumas que já tínhamos feito nos nossos blogs, pela repetição de alguns livros. Mas a verdade é que quando um livro marca, ele marca para sempre. Espero quer tenham gostado. E deixem nos comentários: qual personagem mudou sua vida???

Beijos.

( Resenha ) Cilada Para Um Marquês – Sarah MacLean – Escândalos e Canalhas – Livro Um.

Minhas caras Corujinhas, somos todos feitos de opções e escolhas. A cada ato somos levados à outro, e se tratando dos livros de Sarah MacLean a consequência é sempre o amor.

transferir.jpgTítulo: Cilada Para Um Marquês
Título Original: The Rogue Not Taken
Série: Escândalos e Canalhas – Livro 01
Autora: Sarah MacLean
Editora: Gutemberg
Páginas: 320
Ano: 2016
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: SkoobSaraiva | Amazon

Sinopse: Sophie Talbot é conhecida pela Sociedade como uma das Irmãs Perigosas – mulheres Talbot que fazem de tudo para se arranjar com algum aristocrata. O apelido chega a ser engraçado, pois se existe algo que Sophie abomina é a aristocracia. Mas parece que mesmo não sendo uma irmã tão perigosa assim, o perigo a persegue por todos os lugares. Quando a mais “desinteressante” das irmãs Talbot se torna o centro de um escândalo, ela decide que chegou a hora de partir de Londres e voltar para o interior, onde vivia antes de seu pai conquistar um título. Em Mossband, ela pretende abrir sua própria livraria e encontrar Robbie, um jovem que não vê há mais de uma década, mas que jura estar esperando por ela. No entanto, ao fugir de Londres, seu destino cruza com o de Rei, o Marquês de Eversley e futuro Duque de Lyne, um homem com a fama de dissolver noivados e arruinar as damas da Sociedade. Rei está a caminho de Cumbria para visitar o odioso pai à beira da morte e tomar posse de seu ducado. Tudo o que ele menos precisava era de uma Irmã Perigosa em seu encalço. O Marquês de Eversley está convicto de que Lady Sophie Talbot invadiu sua carruagem para forçá-lo a se casar com ela e conquistar um título de futura duquesa. Já Sophie tenta provar que não se casaria com ele nem que fosse o último homem da cristandade. Mas e quando o perigo tem olhos verdes, cabelos claros e a língua afiada? Essa viagem será mais longa do que eles imaginam…

“Não existe, afinal, encarada mais óbvia do que a que evita seu objeto. Isso é verdade comprovada, em especial, quando os objetos em questão são tão difíceis de ignorar.”

Sarah MacLean é minha queridinha nos Romances de Época. Quem me acompanha aqui no blog sabe o quanto tenho lido obras da autora (das quais ainda não enjoei, para registro) e como tenho gostado do desenvolvimento de suas histórias. Desde os personagens peculiares até a narrativa fluída, cada livro à sua maneira me encanta e me faz desejar ler ainda mais dessa brilhante escritora. Apesar de não poder dizer que Cilada Para Um Marquês não é meu favorito da escritora, também não posso dizer que foi de total decepção pois se trata de uma perspectiva praticamente única para o contexto.

A narrativa de Sarah MacLean dispensa apresentações. Com uma escrita leve, irreverente e cheia de toques emocionais, a autora desenvolve livros exaltando a força. Não que isso seja incomum, afinal de contas de mocinhas fortes os romances de épocas estão cheios, mas a maneira de MacLean fazer é impressionante. Não há exageros nem irrealidades, a apenas o desejo de ser bem mais do que a sociedade espera. É certo dizer que quase todos romances de época costumam seguir um prospecto parecido. Mocinhas fora do padrão, homens que sofreram no passado e não desejam o amor, uma família amorosa e escândalos envolvendo ambas as partes. Tudo isso, é encontrado nesta obra mas que se desenvolve para além do cliché.

Nossa mocinha não é fora do padrão porque simplesmente não é bela ou tem um comportamento excessivamente impróprio, mas sim porque ela rechaça qualquer ligação com uma sociedade que está disposta a usar qualquer artíficio para esnobar sua família. Sophie tem como aspecto principal a sua necessidade encontrar um caminho próprio que não tem a ver com privilégios de uma sociedade que vive de aparências, e sim com a simplicidade de apenas ser feliz. Por ser de família simples que ascendeu a sociedade quando seus pais decidiram comprar um título de nobreza, Sophie sabe o verdadeiro significado de felicidade e tudo que deseja é tomá-la para si.

“Sophie, contudo, não adorava nada daquilo. Na verdade, ela amarrotou o jornal com fervor e refletiu sobre as opções de que dispunha. Opções, não. Opção. No singular. Porque a verdade era que as mulheres, na Inglaterra de 1833, não tinham opções. Elas tinham um caminho que deveriam trilhar. Que eram obrigadas a trilhar. E que deveriam se sentir gratas por serem obrigadas a trilhar esse caminho.”

Por criar uma família que não pertence aos padrões, MacLean desenvolve um cenário ao mesmo tempo divertido e critico onde demonstra as injustiças e as regras ridículas da sociedade preconceituosa que era (e ainda é) estabelecida no período em que o livro se passa. Um dos pontos principais dos livros de Sarah como um todo é justamente a critica que ela faz aos padrões de modo atual sobre como nós, mulheres, somos determinadas a seguir algo porque a sociedade é machista de mais para acreditar que podemos ser muito mais que flores frágeis e necessitadas. Tal critica é desenvolvida abertamente, tanto em favor da personalidade de Sophie quanto do romance que ela tem com Rei.

Falando em romance, eu achei fantástico que a maior parte dele tenha sido dada em uma viagem que foi bem divertida onde os persionagens se “conheceram”, já que ali eles tomaram tempo para entender os medos e os desejos um do outro. Rei é um personagem que não me agradou como um todo, mas não posso negar que seu ar mau humorado que reclama, reclama mas que é incapaz de não embarcar nas loucuras proporcionadas pela perigosíssima Sophie.

Meu único problema com a obra foi o final que achei um tanto dramático de mais, ao mesmo tempo que foi resolvido fácil de mais. Não que tenha sido ruim, apenas foi comum ao ponto que eu esperava algo mais bem elaborado. Mesmo assim, para você que ainda não leu Sarah MacLean mas que deseja começar, essa obra é perfeita por ser a menos sensual e aquela que contém muito da força feminina que tanto amamos na autora. E para quem já leu e quer mais de Sarah MacLean é um livro que vai te deixar ainda mais apaixonado(a) por essa escritora magnifica.

“Ela não ligava se ele a aprovava ou não. Nem ligava para o que ele pensava dela. Ou o que o resto do mundo tolo, horrível e insípido em que ele vivia pensava dela. Na verdade, se toda a Sociedade a considerava desdivertida, por que ela deveria se importar?”

 

( Livrosofia ) Os Gêneros Através da História

Olá Corujinhas. Eu tenho falado bastante sobre os gêneros e como eles se configuram na perspectiva maior do Romance, mas até agora foram todas de modo bem pessoal. Por isso no post de hoje irei falar dos gêneros literários de uma perspectiva histórica e como as classificações evoluíram através dos séculos. Espero que gostem.

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A literatura é uma manifestação artística que nasce da mente dos autores e se modifica pela interpretação dos leitores tornando-se impossível conceituá-la como um todo. Por esse motivo, é importante ressaltar que mesmo que essas classificações históricas tenham caráter de maior importância, não podemos colocá-las como fonte principal de estudos ou mesmo classificações. Gêneros são apenas guias para uma melhor direção do que estás a se procurar.

É importante, antes de tudo, ressaltar que na literatura, as uma denotações acerca dos gêneros não  ultrapassam as noções de espécies sendo exclusivas do agrupamento de caracteristicas em uma obra artística. No caminho para conceituar os gêneros, Platão postula no Livro III de A República que a obra literária era parte da cateogoria mimética imitando a realidade diferenciando os gêneros a trágedia, a comédia e o épico. Há também uma tentativa de sistematização das “formas” literárias, mas sua Poética ficou incompleta. Desse modo, temos uma ideia aproximada do que seriam os gêneros. Apenas mais a frente com Aristóteles, existe a primeira tentativa de uma sistematização das formas literárias que adiquiram a classicação tripartida: dramático (onde se estabelece a comédia e tragédia), épico e lirico. Isso, porque para Aristóteles, os gêneros estavam de acordo os meios, os objetos e os modos miméticos sendo sua divisão apresentada ora por elementos relativos ao conteúdo, ora em elementos referentes à forma.

Foi apenas na Idade Média divisão dos gêneros foi difundiu-se ao mundo muito embora apresentassem as mesmas ideias básicas da fala de Platão. Como todos sempre se fundamentavam na ideia de que a mímese era o ponto fundamental de toda obra, os gêneros eram vistos como ideias fixas que deveriam ter sempre as mesmas características. Por esse motivo, do Renascimento até o Barroco, essa classificação tripartida dos gêneros foi considerada uma verdade inquestionavél. Nessa época, entendiam-se os gêneros como formas fixas, mantidas por regras inflexíveis às quais os escritores deveriam obedecer. Assim, cada gênero (dramático, épico e lírico) se subdividia em gêneros menores, mas que se distinguiam uns dos outros pelo rigor de regras que incidiam nos aspectos formais, estilísticos e temáticos.  Além dessa classificação de gêneros, também tinha-se a variação de importância e hierarquização que definia o um gênero sendo maior ou menor que outro.

Somente no Romantismo e as ideias libertadoras que a classificação dos gêneros sofreu mudanças significativas havendo a condenação daquilo que era chamado a pureza dos gêneros. No século XIX, houve defesas de que os gêneros literários não eram imortalis sendo um organismo vivo possuindo todos os estágios de sua mudança: nascimento, amadurecimento, envelhecimento e morte, isto sendo condicionado ao domínio dos gêneros mais fortes. Tal concepção foi combatida posteriormente por Benedetto Croce que defendia a ideia de que cada obra era única expressando um estado de vida individual.

Mas é certo afirmar que mesmo com todas as discussões de gêneros dos séculos anteriores, o problema continua indefinido pela falta de aceitação do hibridismo dos gêneros. A concepção de gênero é fundamentada na ideia de categoria, ou seja, de pertencimento a ideia de família. O critico, que antes de ser critico é também um homem, sempre esteve acostumado a classificar as coisas e dar nomes a elas como forma de convencimento que assim poderá entender melhor o mundo que o cerca. Cria-se  estruturas repetidas e repetíveis que se perpetuam ao longo dos tempos. Porém, sabemos que o enunciador também pode modificar essas estruturas, pode movimentar-se e construir enunciados, ora estáveis, ora moventes, mutáveis, modificados, híbridos.

Contudo, para a literatura entender tal mutação é uma tarefa difícil pois a tradição ainda é o pano de fundo que enxerga em suas obras. Em ponto de vista pessoal, tal perspectiva se torna infundada pela modificação que as obra literárias sofreram ao longo do tempo principalmente com o nascimento do Romance. Assim, não se deve levar somente em consideração o valor hierárquico do material para a determinação da forma artística, mas também a relação entre autor e o texto, bem como o fato do ouvinte exercer influência sobre os outros dois.

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Como vocês devem notar, a literatura é de certo modo arcaica. Não se deve levar em consideração só gêneros como fundamento especifico de uma obra, pois tudo deverá ser condicionado ao leitor, ao texto e o autor.

 Espero que tenham gostado. Beijos

| RESENHA | A Fúria e a Aurora – Renée Ahdieh

No projeto leitura de Os Bridgertons da Camila do blog Leiturizar um grupo surgiu e lá ouvi falar de modo bem mais aprofundado do livro A Fúria e a Aurora de Renée Ahdieh. Já havia visto vários comentários no instagram sobre o livro mas nunca havia realmente me interessado. Mas à algumas semanas me dediquei a leitura e apesar de não ter superado minhas expectativas, o livro também não me decepcionou. Foi uma leitura gostosa que me fez conhecer de outro modo a história d’As Mil e E Uma Noites.

A Fúria e a aurora

Título: A Fúria e A Aurora.
Título Original: The Wrath and the Dawn
Autor: Renée Ahdieh
Editora: Globo – Alt
Ano: 2016
Avaliação: 🌟🌟🌟
Onde Comprar: Submarino || Saraiva || Amazon

Sinopse: Personagem central da história, a jovem Sherazade se candidata ao posto de noiva de Khalid Ibn Al-Rashid, o rei de Khorasan, de 18 anos de idade, considerado um monstro pelos moradores da cidade por ele governada. Casando-se todos os dias com uma mulher diferente, o califa degola as eleitas a cada amanhecer. Depois de uma fila de garotas assassinadas no castelo, e inúmeras famílias desoladas, Sherazade perde uma de suas melhores amigas, Shiva, uma das vítimas fatais de Khalid. Em nome da forte amizade entre ambas, Sherazade planeja uma vingança para colocar fim às atrocidades do atual reinado. Noite após noite, Sherazade seduz o rei, tecendo histórias que encantam e que garantem sua sobrevivência, embora saiba que cada aurora pode ser a sua última. De maneira inesperada, no entanto, passa a enxergar outras situações e realidades nas quais vive um rei com um coração atormentado. Apaixonada, a heroína da história entra em conflito ao encarar seu próprio arrebatamento como uma traição imperdoável à amiga. Apesar de não ter perdido a coragem de fazer justiça, de tirar a vida de Khalid em honra às mulheres mortas, Sherazade empreende a missão de desvendar os segredos escondidos nos imensos corredores do palácio de mármore e pedra e em
cenários mágicos em meio ao deserto.

Eu esperei muita coisa de A Fúria e A Aurora. Esse é o grande problema de ler livros aos quais a gente espera um bocado. Porque no fim das contas o livro acaba não sendo tão bom quanto a nossa imaginação. E apesar de ter gostado d‘A Fúria e A Aurora, também não o vejo como aquele livro maravilhoso capaz de impactar minha vida de leitora. Para mim faltou alguma coisa e muitas das vezes achei que houve pouco aprofundamento da história. A autora não soube criar um livro ao qual o romance me fizesse suspirar pois inúmeras vezes achei raso e superficial.

A obra é uma releitura de As Mil E Uma Noites, do qual já havia ouvido falar mas como nunca havia lido, não fazia ideia do que poderia acontecer, que tipos de história a Sherazade poderia contar e muito menos se o plano dela daria certo no final. Deste modo foi muito interessante ver o desenrolar da coisa e fiquei admirada com alguns pontos no caminho. A autora tem uma escrita fluída que deixa o livro fácil de ser lido. Narrado em terceira pessoa, René sempre deixa uma brecha no fim de cada capítulo sempre me deixando ansiosa pelo próximo.

— Você é arrogante.
— Como você, senhora Sherazade. Mas não vejo isso como um defeito. Porque, sem um pouco de arrogância, como alguém pode tentar o impossível?

Os ponto que mais me incomodaram no livro foram os personagens e a revelação dos porquês da trama. No quesito personagem, eu acredito que tenha acontecido muito de uma coisa em um livro só. Esta coisa é a arrogância. Todos os personagens possuem essa característica, mas Sherazade veio vestida dos pés a cabeça com ela. Nariz em pé e dotada de prepotência, eu detestei a personagem. Achei-a muito narcista e isso me incomodou de mais. Gosto de personagens que tenham defeitos, mas o modo como a Sherazade age, como se fosse mais inteligente e melhor que todo mundo, não me agradou. Em contraposição eu amei o Khalid. Ele é maravilhoso. Desde o primeiro capítulo eu fiquei curiosa saber os motivos que o levevam a ser daquele jeito. Assim prestei atenção em cada ponto sobre ele e me apaixonei por suas palavras e seus atos.

Em relação aos porquês da história eu esperava mais. Não que a explicação não tenha sido boba, mas sinceramente foi tão normal que não me surpreendeu de modo positivo. O que eu imaginei foi melhor do que foi me dado, sendo que deveria ser ao contrário. O livro bem construído se tornou um livro absolutamente normal, sem aquele omg que esperava que acontecesse.

Uma mentira. O pior tipo de mentira… aquela cheia de boas intenções. Aquele tipo que os covardes usam para justificar suas fraquezas.

A Fúria e a Aurora foi uma obra que poderia ter me deixado arrebatada mas que infelizmente não aconteceu. Ela tem pontos positivos e negativos. E cada um deve ler e tirar suas próprias conclusões.

| L.I.S.T.A. | 05 Livros Para Ler Este Ano

Oi gente! Como vão? Vou finalmente retornar as listas com cinco livros para ler esse ano. Aqueles livros que temos necessidade de ler seja porque vai no cinema ou mesmpo que desejamos muito contemplar a leitura. Essa lista tem muita cara de janeiro, mas como eu sou universitária meu ano literário começa nas férias e por isso vou aproveitar para ler bastante.

Confira as respostas abaixo.

1. Corte de Espinho e Rosas da Sarah J. Maas.

Esse é um livro que tenho enrolado para ler porque queria ler ele físico. Porém deste ano não passa! Preciso ser ele e consequentemente seu sucessor Névoa e Fúria.

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Sinopse: Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira que ela só conhecia através de lendas , a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la… Ou Tamlin e seu povo estarão condenados.

2. The Kiss Of Deception de Mary E. Pearson.

Outro livro que tenho bastante vontade de ler e que está na lista desse ano é este da série As Crônicas de Amor e Ódio que me parece ser um ótimo livro, ainda mais agora que descobri que o livro não é tão romântico quanto aparenta.

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Sinopse: Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro.

3. Loney de Andrew Michael Hurley.

Esse livro eu descobri no blog da Cris (Platarforma 9¾) e desde então me pego querendo ler ele. Finalmente, esse ano, vou realizar essa leitura que deve ser incrível.

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Sinopse: Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, Smith é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era criança e visitou o lugar. À época, a mãe de Smith arrastou a família para aquela região numa peregrinação de Páscoa com o padre Bernard, cujo antecessor, Wilfred, morrera pouco tempo antes. Cabia ao jovem sacerdote liderar a comunidade até um antigo santuário, onde a obstinada sra. Smith crê que irá encontrar a cura para o filho mais velho, um garoto mudo e com problemas de aprendizagem. O grupo se instala na Moorings, uma casa fria e antiga, repleta de segredos. O clima é hostil, os moradores do lugar, ameaçadores, e uma aura de mistério cerca os desconhecidos ocupantes de Coldbarrow, uma faixa de terra pouco acessível, diariamente alagada na alta da maré. A vida dos irmãos acaba se entrelaçando à dos excêntricos vizinhos com intensidade e complexidade tão imperativas quanto a fé que os levou ao Loney, e o que acontece a partir daí se torna um fardo que Smith carrega pelo resto da vida, a verdade que ele vai sustentar a qualquer preço.

4. O Silêncio dos Inocentes de Thomas Harris.

Meu gênero favorito é o suspense. A maioria dos meus livros são de suspense. E mesmo assim, eu nunca li esse livro. Dá para acreditar? Esse ano eu mudo isso.

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Sinopse: Cinco mulheres são brutalmente assassinadas em diferentes localidades dos Estados Unidos. Para chegar até o sanguinário assassino, uma jovem treinada pelo FBI entrevista o Dr. Hannibal Lecter, um brilhante psiquiatra, cuja mente está perigosamente voltada para o crime. Ao seguir as pistas apontadas por Lecter, a jovem se vê envolvida numa teia mortífera e surpreendente.

5. Brooklyn de Cólm Tóibín.

Esse livro possuí um filme que nunca assisti. Mas através de um trailer presente no meu DVD de Jogos Vorazes – A Esperança – Parte Dois, eu conheci o livro que dizia que tinha base no filme homônimo. Desde então tenho muita vontade de ler a obra.

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Sinopse: No início dos anos 1950, a Irlanda não oferece futuro para jovens como Eilis Lacey. Sem encontrar emprego, ela vive na pequena Enniscorthy com a mãe viúva e a irmã Rose. Mas eis que o padre Flood lhe faz uma oferta de trabalho e moradia no Brooklyn, Estados Unidos. De início apavorada com a ideia de sair do ninho familiar, ela acaba partindo rumo à América. Triste e solitária em seu novo mundo, a tímida Eilis acaba por estabelecer uma rotina de trabalho diurno e estudo noturno na faculdade de contabilidade. No baile semanal da paróquia, conhece um jovem de origem italiana que aos poucos entra em sua vida. Mas quando começa a se sentir mais livre e segura, Eilis é obrigada a voltar, por algumas semanas, para Enniscorthy. E ali ela se vê, mais uma vez, diante de uma escolha que poderá modificar sua vida.

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Gostaram?

Não vou marcar nenhum blog para fazer, mas adoraria ver as respostas de vocês caso façam. Então se for fazer deixa um comentário. Mil beijos.