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( Resenha ) Boa Noite – Pam Gonçalves

Pam Gonçalves é certamente uma das maiores booktubers do brasil. Acompanho-a desde o começo e ela foi responsável por me apresentar algumas das minhas melhores leituras da vida. De modo que quando foi anunciado a publicação de obrar fiquei com muita vontade de ler. Mas a oportunidade surgiu apenas anos mais tarde e mesmo assim, todas as temáticas do livro, não deixaram de ser importantes e atuais para o mundo e para o brasil que vivemos hoje.

Título: Boa Noite | Autora: Pam Gonçalves | Editora: Galera Record | Páginas: 240 | Ano: 2016 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Saraiva | Skoob | Amazon 
Boa NoiteSinopse: Alina quer deixar seu passado para trás. Boa aluna, boa filha, boa menina. Não que isso seja ruim, mas também não faz dela a mais popular da escola. Agora, na universidade, ela quer finalmente ser legal, pertencer, recomeçar. O curso de Engenharia da Computação – em uma turma repleta de garotos que não acreditam que mulheres podem entender de números -, a vida em uma república e novos amigos parecem oferecer tudo que Alina quer. Ela só não contava que os desafios estariam muito além da sua vida social. Quando Alina decide deixar de vez o rótulo de nerd esquisitona para trás, tudo se complica. Alina não tinha como prever que seria tragada para o meio de tudo aquilo nem que teria a chance de fazer alguma diferença. De uma hora para outra, parece que o que ela mais quer é voltar para casa.

O primeiro livro de Pam Gonçalves tem uma temática New Adult construído através de uma garota que precisa encarar as novas dificuldades postuladas pela fase adulta. Apesar de começar em um esteriótipo – a garota impopular que deseja alcançar um status social -, a obra se desenvolve de uma maneira quase inovadora trazendo problemas reais o mundo da personagem. Muito embora, eu não possa dizer que ficaria amiga de Alina, algumas de suas atitudes lembraram a mim mesma, principalmente no que diz respeito a necessidade de aceitação. Sua trajetória em deixar isto para trás determina o tom do livro, pois mesmo abordando assuntos variados, Pam nunca deixa de lado a construção que Alina tem quando voltada para si mesma.

Entretanto, pensando um pouco na narrativa, posso dizer que não foi um livro nem amado nem odiado por mim. São bons temas para si tratar ao mesmo tempo que são temas excessivos para colocar em um único livro com páginas contadas. Pam tem uma escrita interessante, sentimental mas que não foca em algo para evoluir verdadeiramente. Assim, esse se torna o problema principal da obra. O multifoco da autora em ser representativa, trouxe um livro de meia-representatividade.

Em primeiro plano, as abordagens são necessárias. Ainda ainda mais se explanarmos o sentido cultural que o Brasileiro – de uma forma generalizada – tem em observar o feminino e os locais que se encontra. O feminismo é visto como uma doença, as mulheres como objetos e tudo aquilo que é diferente como errado. Inserir em uma obra pensamentos que desmitifiquem essa realidade soa absurdo de tão real, de tão necessário. Desse modo, superficialmente a obra equilibra vida real com imaginária trazendo situações que podemos vivenciar ou ver vivenciadas por outras garotas.

“Sabe o que acontece com as garotas como eu que falam que foram estupradas por um cara como ele? Vão dizer que eu merecia. Que eu deveria agradecer. 

Todavia, devemos observar que a ficção, por mais que seja “de mentirinha”, precisa ter um bom posicionamento para convencer principalmente quando colocada em prática de uma realidade. Se toma como foco abordar uma questão, não se coloca e depois abandona-a, mas sim questiona, oferece intervenção ou pelo menos evolução. Todos os assuntos abordados pela Pam ficaram soltos,  o que acabou sendo um ponto desastroso em uma história que tinha tudo para ser perfeita.

Boa Noite é uma obra necessária por trazer sororidade ao mundo, visto que precisamos que as mulheres se apõem ao invés de se julgarem. Entretanto, não indico para quem precisa de algo para pensar. O livro não traz soluções ou crítica com afinco, apenas abre margem para que assuntos como este sejam pelo menos levados em consideração da nossa sociedade.

( Resenha ) O Destino de Tearling – Erika Johansen – Livro 03

O último de Erika Johansen me trouxe sentimentos dúbios. Engraçado pensar que nem sempre as séries nota máxima são as que nos marcam. Pois muito embora a finalização da série iniciada em A Rainha de Tearling não tenha sido como eu esperava, sua história foi marcante pelas certezas sobre o futuro que Johansen apresentou.

Título: O Destino de Tearling| Título Original: The Fate of the Tearling| Autora: Erika Johansen| Editora: Plataforma 21 | Páginas: 360| Ano: 2018| Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir (3).jpgSinopse: Desde que assumiu o trono de Tearling, Kelsea Glynn passou de princesa inexperiente a rainha destemida. Sua busca por justiça fez com que todo o reino mudasse com ela, mas quando os inimigos que fez ao longo do caminho ameaçam destruir seu povo, ela toma uma decisão inimaginável: se rende à Rainha Vermelha em troca de salvar Tearling. Sem as safiras, sem seus homens de confiança e trancafiada em Mortmesne, Kelsea precisa de novo recorrer ao passado, às experiências de mulheres que viveram antes dela, buscando em suas histórias a saída para uma situação impossível. O jogo está para terminar, e o futuro de Tearling será revelado de uma vez por todas. Com O Destino de Tearling, Erika Johansen traça o clímax inesquecível dessa aventura cheia de magia e emoção.

“Andava por Tear havia mais de trezentos anos e às vezes sentia que não era um homem, só uma coleção de fases, vários homens diferentes com suas próprias vidas.”

Erika Johansen tem uma narrativa extensa e bastante significativa. Muito embora em O Destino de Tearling o desenvolvimento tenha sido mais lento e mais divagador que os outros livros, a história alcançou um teto brilhante que se equilibra entre as indagações dos múltiplos narradores e o jogo político que os cerca. Mas, ironicamente, o maior problema da autora foi o enredo que mesmo sendo construído à perfeição, em seus últimos momentos parece ter sido concluído em um infarto fulminante.

Embora esse final funcione para algumas pessoas, a conclusão da trilogia para mim acabou ficando aberta de mais, mesmo que – ironicamente – não houvesse quaisquer possibilidades de maiores explicações. Entretanto, não pude deixar de notar que a autora deixou o instigante para optar por uma saída fácil permitida pelo contexto narrativo de um modo geral, mas que se perde quando focamos nas particularidades. As respostas que eu esperei não vieram, o que me deixou frustada já que as esperei no decorrer da trilogia.

“Não haveria mais magia, não mais; a realidade era aquela carroça poeirenta, deslizando inexoravelmente para a frente levando-a para longe de casa.”

Partindo dessa análise, você pode se perguntar: Mas Jessica, porque mesmo assim esse livro (a série) valeu a pena?

Bom, a resposta parece concentrada na “obra secundária” concentrada dentro do enredo principal. Na resenha de A Invasão de Tearling, eu fiz um um longo comentário sobre o mundo pré-Kelsea e as implicações dele, que foram minhas partes favoritas na trama. Nesse último volume, Erika dá continuidade ao que aconteceu após a Travessia mas dessa vez expondo os motivos que quebraram o Tearling. Neste ponto, a autora nos presenteia com um texto impecável que denota porque uma sociedade recomeçada do zero nunca conseguiria alcançar a utopia imaginada por William Tear. Algo que se aplicaria à nossa sociedade que parece acreditar que podemos começar de novo sem corrigir os erros do passado, o que seria impossível. 

Embora seja um comentário duro, o fato é que a sociedade possuí uma grande ilusão sobre o significado de política. O sonho utópico é quase uma constante entre os seres humanos que veem o sitema como uma saída para os desastres. Isto é natural devido não somente ao discurso político como ao religioso, pelos quais somos levados a acreditar que se apenas os justos vivessem e governassem sobre o planeta, teríamos uma sociedade igualitária. E apesar de entender o significado dessa questão e concordar com ela, claramente temos um problema na prática pois devemos presumir que uma sociedade não pode começar do zero e dar certo, já os vícios que acompanham os homens não serão esquecidos. Assim sendo, Johansen traça uma linha excepcional ressaltando a necessidade da cura antes da criação do novo mundo. Não somos nós capazes de decidir quem é merecedor de estar ou não em uma sociedade justa, mas sim a própria evolução da sociedade que deve alçar seus habitantes aos conhecimentos que evocam justiça e igualdade.

“O erro da utopia é presumir que tudo vai ser perfeito. A perfeição pode ser a definição, mas nós somos humanos, e mesmo para a utopia levamos nossas dores, erros, invejas e desgostos.”

Outro ponto que merece destaque são os personagens que conseguiram se tornar algo a mais na trama e carregaram bons significados para o enredo. De certa forma, não parece existir apenas um protagonista na trama, mas variados que erguem uma boa parede de personalidades que juntas erguem os pilares do livro.

O Destino de Tearling  é uma obra com defeitos, mas que cumpre seu papel em finalizar a trilogia. Eu indico essa série para momentos que vocês desejarem refletir, pois muito embora a fantasia faça parte da obra, é apenas um meio para um fim, não a construção  totalitária do enredo.

( Resenha ) Garotas de Neve e Vidro – Melissa Bashardoust

Engraçado como mesmo inicialmente não gostando de determinado gêneros, acaba gostando de algumas obras o que te leva a ir atrás de outras. Depois da leitura de As Crônicas Lunares, fiquei ansiosa para ler outras releituras que trouxessem um manifesto diferente dos clássicos infantis. Nesse interim conheci a obra Garotas de Neve e Vidro através do canal Geek Freak e me interessei pela leitura. E sinceramente, foi uma das melhores obras que li nesse começo de ano sendo um manifesto não só pelo feminismo, mas pelo amor fraternal ameaçado.

Título: Garotas de Neve e Vidro | Título Original: Girls Made of Snow and Glass | Autora: Melissa Bashardoust| Editora: Plataforma 21 | Páginas: 424 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

Garotas de Neve e VidroSinopse: Mina é filha de um mago cruel e sua mãe está morta. Aos dezesseis anos, seu coração nunca bateu apaixonado por ninguém – na verdade, ele jamais bateu de forma alguma, e Mina sempre achou esse silêncio normal. Ela nunca suspeitou que o pai arrancara seu coração e, no lugar, colocara um coração de vidro. Então, quando Mina chega ao castelo de Primavera Branca e vê o rei pela primeira vez, ela cria um plano: ganhar o coração dele, tornar-se rainha e finalmente conhecer o amor. A única desvantagem desse plano, ao que tudo indica, é que ela se tornará madrasta. Lynet tem quinze anos e é a imagem de sua falecida mãe. Um dia, ela descobre a verdadeira razão disso: a partir da neve, um mago a criou à semelhança da rainha morta.
Mas, apesar de ser a projeção visual perfeita da falecida rainha, Lynet preferiria ser forte e majestosa como sua madrasta, Mina. E Lynet realiza seu desejo quando o pai a torna rainha dos territórios do sul, tomando assim o lugar de Mina. A madrasta, então, começa a olhar para a enteada com algo que se assemelha ao ódio, e Lynet precisa decidir o que fazer – e quem quer ser – para ter de volta a única mãe que de fato conheceu… ou simplesmente vencer Mina de uma vez por todas. Garotas de Neve e Vidro traça a relação de duas mulheres fadadas a serem rivais desde o princípio – a não ser que redescubram a si mesmas e deem novo significado à história que lhes foi imposta.

Melissa Bashardoust possuí uma escrita fascinante. Muito embora esteja lidando com universo pautado em um conto enraizado nos primórdios da sociedade-contemporânea (Quem não conhece a Branca de Neve?), a autora influi para construir algo inteiramente novo em termos simbólicos e conceituais. O enredo transcende do irreal ao real criando um misto de emoções verdadeiras e palpáveis. Melissa não parece disposta a apenas narrar uma porção de acontecimentos que levam seus personagens a chegarem em determinado lugar, mas sim a refletir sobre assuntos diversos que recriam a vida e o tempo, que muito embora sejam a parte do nosso, refletem nosso medos, anseios e sonhos.

Suas personagens são exemplos de tal determinância. Lynet, a protagonista secundária da obra (Mina certamente é a moral), tem uma espécie de relutância em aceitar aquilo que lhe impõem. O que me fez gostar imediatamente da personagem, pois sua força é bem estruturada na maneira com o qual foi criada envolta de uma psicologia reversa: treinada para ser uma perfeita dama da sociedade, Lynet quer algo mais que se tornar uma garota de porcelana, deixando para trás as semelhanças com a mãe (antiga rainha) a fim de criar algo maior para si. Além disso, Lynet não faz o clássico garota badass que termina sendo arrogante e não poderosa. Mas a personagem cresce e muito durante a trama por saber ouvir o que aqueles ao seu redor têm a lhe dizer.

Mina, por outro lado, foi uma personagem mais desenvolvida ao seu emocional. O modo como a rainha estabelece relações com os outros personagens cresceu de modo gradativo e doloroso. Mina deseja proximidade, sobretudo amor. Entretanto, mas não consegue pelos abusos mentais mentais e verdades “absolutas” dados pelo pai: Mina tem um coração de vidro, é incapaz de amar de alguém. Dessa forma, tudo que Mina deseja é que vejam sua beleza e a amem por ela, sem nunca mostrar seu verdadeiro já que não consegue suportar a ideia de lhe odiarem. Dessa forma, a construção da personagem vai para além do que conhecemos sobre um vilão, se é que podemos classificar a madrasta nesse ponto. Mina se torna muito mais aprofundada que um esteriótipo, de modo a aprender a ter confiança em si mesma e fugir das ideias arcaicas do seu passado.

“Estava ciente demais que era um espelho que a amava, e espelhos viam apenas a superfície.” 

Minha ressalva a obra foi a inconstância da narrativa que a deixou pesada. Li poucas páginas com a impressão que estava lendo muitas. Isso se deve a carga dramática que muitas vezes se tornou excessiva na trama, passando um aspecto incongruente com a proposta.

Ademais, Garotas de Neve e Vidro está entre as melhores obras que li neste ano. A autora toca em temas importantes, mas principalmente quebra a rivalidade feminina que já não deveria existir entre nós. Se você ainda não sabe o que é sororidade – palavra tão marcante em nosso contexto atual, essa obra é um perfeito conceito disto. 

( Resenha ) A Invasão de Tearling – Érica Johansen – Livro Dois

O segundo livro da trilogia escrita por Érica Johansen atingiu um novo patamar deixando a promessa de uma grande finalização. A história evoluiu para nos deixar com água na boca e promover uma leitura inesquecível de uma série que pode entrar para as melhores que já li.

Esta resenha não terá spoiler.
Para garantir isto pule a sinopse.

Título:  A Invasão de Tearling | Título Original: The Invasion of the Tearling| Autora: Érica Johansen | Editora: Suma| Páginas:  400 | Ano:  2017|  Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ❤️ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir (1).jpgSinopse: Kelsea Glynn é a rainha de Tearling. Apesar de ter apenas dezenove anos e nenhuma experiência no trono, Kelsea ficou rapidamente conhecida como uma monarca justa e corajosa. No entanto, o poder é uma faca de dois gumes. Ao interromper o comércio de escravos com o reino vizinho e tentar conseguir justiça para seu povo, ela enfurece a Rainha Vermelha, uma feiticeira poderosa com um exército imbatível. Agora, à beira de ver o Tearling invadido pelas tropas inimigas, Kelsea precisa recorrer ao passado, aos tempos de antes da Travessia, para encontrar respostas que podem dar ao seu povo uma chance de sobrevivência. Mas seu tempo está acabando… Nesta continuação de A rainha de Tearling, a incrível heroína construída por Erika Johansen volta para outra aventura cheia de magia e reviravoltas.

“Eu acho que esse é o ponto crítico do mal neste mundo, Majestade; os que se sentem no direito de fazer o que quiserem, de ter o que quiserem. Pessoas assim nunca se perguntam se têm direito. Não consideram o custo para ninguém além de si mesmas.”

A narrativa de Érika Johansen é peculiar. Somos trajados por uma escrita diferenciada, cadenciada e com descrições que fundamentam e parafraseiam a trama. Mesmo se tratando de uma fantasia com uma personagem adolescente, seu texto envolve pouca ação e quase nenhum romance, onde a política se sobressai. Parece algo que George R. R. Martin teria escrito, com o diferencial que Johansen tem os pés fixados em nosso mundo – e não na alta-fantasia -, para recriar a realidade que conhecemos para torná-la algo mais.

Mas muito embora a política de Tearling seja um dos grandes focos da trama, esse livro em questão trata bem mais do passado do que da atualidade. A Invasão de Tearling vai ser pautada dentro dos episódios que levaram à construção do país e, consequentemente ao seu declínio. Assim sendo, Johansen traz explicações sobre A Travessia, fato muito falado mas pouco explicado no livro anterior, mas aonde estão alocados os princípios para a fundação da sociedade utópica idealizada por William Tear que se tornou “do passado”, distópica e tão mais próxima do que o futuro nos reserva hoje.

“Nós sempre pensamos que sabemos o que coragem quer dizer. Se eu fosse escolhido, nós dizemos, eu atenderia ao chamado. Eu não hesitaria. Até o momento que chega nossa vez, e aí percebemos que as exigências de verdadeira coragem são bem diferentes do que tínhamos imaginado, muito tempo antes, naquela manhã clara em que nos sentimos corajosos.”

O livro recomeça alguns dias depois de onde A Rainha de Tearling foi finalizado. Kelsea Glynn está lidando com as consequências de suas escolhas. É bom ressaltar que Johansen não cria uma princesa irreal, que não entende os problemas de suas ações ou que os descobre depois de ser tarde de mais. Mas sim uma personagem sábia, criada para ser rainha que coloca seu povo em primeiro lugar. Por esse motivo, diria que Kelsea é uma das minhas personagens favoritas. Sua presença e sua força são verdadeiras, e suas ideias políticas poderiam realmente dar certo.

Mas como havia aludido anteriormente, o livro tem um foco maior nos acontecimentos pré-Tearling. Na primeira obra existem algumas menções à fatos do nosso presente que haviam causado estranhamento. Como uma sociedade medieval poderia ter acesso aos livros de J. K. Rowling? A única explicação seria ser uma sociedade póstuma. De modo que a pergunta mudou para: como a nossa sociedade moderna mudou para uma sociedade medieval?

Assim, com a prerrogativa de Kelsea precisar entender o antes para enfim conquistar um futuro glorioso, somos apresentados à visões do passado pelos olhos de Lily. Foi doloroso acompanhar a história e adianto a vocês que conteúdos pesados – cenas de violência e estupro – surgiram na trama.

O mundo futurístico manifesta-se como um aprofundamento da sociedade patriarcal. Os homens literalmente dominaram o mundo através dos preceitos religiosos tornando-se donos da mulheres. Lily é casada e tem grande estabilidade econômica. Entretanto, tem que suportar as ameaças veladas do marido que ter os filhos que Lily não deseja. Tudo mundo quando ela descobre um movimento, idealizado por William Tear em busca de um horizonte melhor.

Dessa forma, entre presente e passado Joahansen insere um belo paradoxo que envolve as ações de ambas as mulheres: será que o futuro glorioso, quando liderado por alguém de visão, pode ser seguro?

“O sucesso de uma grande migração humana depende do encaixe de muitas peças individuais. Deve haver descontentamento comum status quo desagradável, talvez até intolerável. Deve haver idealismo para motivar o movimento, uma crença poderosa em uma vida melhor além do horizonte. Deve haver grande coragem diante de probabilidades terríveis. Mas, mais do que tudo, toda migração precisa de um líder, a figura indispensável e carismática que até homens e mulheres apavorados vão seguir sem pestanejar em direção ao abismo.”

A Invasão de Tearling é uma obra surpreendente, cheia de política e desafios. Eu não somente indico o livro para os fãs do gênero, como digo que para todos aqueles que precisam de um vislumbre de para onde a sociedade atual está nos levando, esta obra é um horizonte assustador.

( Resenha ) Perigo Para Um Inglês – Sarah MacLean – Livro Três

Desde que li o primeiro capítulo de Cilada Para Um Marquês estava ansiosa para ler a história de Seraphina Tabolt, duquesa de Haven. A mais misteriosa das Irmãs Perigosas sempre me cativou e ao conhecer seu íntimo, posso dizer que me Sera deve se tornar uma das minhas mocinhas de época favoritas.

Título: Perigo Para Um Inglês | Título Original: The Day of the Duchess| Autora: Sarah MacLean | Editora: Guttemberg | Páginas:  304 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

51zmfv4nkhlSinopse: Malcolm Bevingstoke, o Duque de Haven, viveu os últimos três anos na solidão auto-imposta, pagando o preço por um erro, e perdendo, para sempre, um amor. Mas Haven precisa de um herdeiro, o que significa que ele deve encontrar uma esposa até o final do verão. Há apenas um problema – ele já tem uma… Depois de anos no exílio, Seraphina, a Duquesa de Haven, retorna a Londres com um único objetivo – encontrar a felicidade, livrando-se do homem que partiu seu coração. Mas o marido lhe oferece um acordo: ela poderá ter sua liberdade, assim que encontrar uma substituta. Isso significa que terá que passar o verão com o marido que ela não quer, mas que, de alguma forma, não consegue resistir. O Duque tem apenas um verão para estar com a esposa e convencê-la de que, apesar do passado, ele poderá tornar o felizes para sempre, uma realidade todos os dias…

“Sera tinha vindo para conseguir seu divórcio, e iria consegui-lo. Ela iria apagar seu passado. E escrever seu futuro. Uma vida que Malcolm não poderia lhe dar. Uma vida que ela tinha que criar para si mesma.”

Este é o melhor livro da série sem dúvidas e um dos mais vistosos de Sarah MacLean. A história elaborada é complexa e vai muito além do esperado não somente por sua premissa, como também para o gênero. Aliás, se posso afirmar uma qualidade que distingue MacLean das demais, será o dinamismo de suas obras que sempre demonstram a mulher como dona do própria destino desde os primórdios ou sua caminhada para tal. Seus livros são claramente feministas, que sempre trazem para o leitor o amor e o desejo como segundo plano. Nunca estamos falando apenas de um casal, mas da individualidade e a necessidade de estar bem consigo mesmo para funcionar ao lado de outra pessoa.

Em Perigo Para Um Inglês, Sarah MacLean só comprova isso. Seu casal principal não tem a necessidade de apaixonar e autora não faz muito esforço para mostrar como isto aconteceu. Seraphina e Malcom são apaixonados, e sua jornada buscará evidenciar a necessidade que ambos tem de perdoar a si mesmos e um ao outro. A palavra que define esse livro é superar: as perdas, as mágoas, as artimanhas, os erros.

“E se eles tivessem uma chance agora? Mas eles não tinham. Não era possível superar o passado. Superar o modo como eles usaram suas armas um contra o outro. E não havia modo de apagar a mais básica das verdades – a vida que eles nunca poderiam ter porque sua única chance tinha desaparecido na neve fria de janeiro, três anos antes.”

Malcom é aquele tipo detestavelmente metido. Imaginem vocês que MacLean abriu mão do mocinho perfeito, criando um verdadeiro membro da aristocracia londrina. Malcom é metido, antipático, se acha o dono do mundo tendo plena consciência do poder ducal. E talvez eu realmente devesse detestá-lo, mas não consigo. A questão é que Malcom representa a aristocracia de uma maneira realista. E se estamos acostumados à personagens notoriamente perfeitos, mas irreais a um contexto, a chegada de Malcom é impactante, porém que provoca uma reação questionadora.

Além desse fator, é certo dizer que se Malcom não fosse assim, suas motivações seriam inconsistentes para a trama. Criado para ser um duque, o homem sempre havia imaginado que as mulheres só o quereriam por causa do título, até conhecer Seraphina e acreditar que ela o via contrário. Mas quando percebe sua traição, Malcom assume uma posição defensiva de alguém que foi traído afastando-a de modo cruel, mas inegavelmente com razão.

A partir desse momento, quando Seraphina vai embora, Malcom percebe que pode ter cometido um erro, repensa nos significados das ações e na falta que sua mulher faz. Um sofrimento que perdura, até que Seraphina volta, e ele passa a fazer de tudo para conquistá-la. No obstante, Sera já não deseja sofrer mais.

“Nós sempre gostamos demais um do outro por instantes, Malcolm. Instantes que nunca foram suficientes para compensar o quanto nós nos magoamos.”

No outro lado da moeda, Seraphina também possuí uma personalidade difícil como resultado de suas origens. Entretanto, se Malcom foi criado para ser um rei, Sera não teve uma vida de luxos e apenas ascendeu a sociedade. As Irmãs Perigosas são assim conhecidas por “fazerem” de tudo para conquistar um bom partido. Frutos da plebe, assumem um lugar de destaque quando seu pai compra o título. Tudo isso explicado no Cilada Para Um Marquês.

O que leva Sera a cometer um grande erro do passado é justamente suas origens e as de seu título, pois não acreditava que Malcom realmente se casaria com ela um dia. Mas se Seraphina tinha medo no passado e só desejava ser feliz ao lado do homem que amava, agora ela precisa se livrar das amarras e conquistar algo que acredita que nunca conseguiria com o casamento: sua liberdade.

Seraphina literalmente cresce de uma menina inocente que acreditava em contos de fada, para uma mulher dona de tudo e todos. Não existe mais artimanhas e segredos. Existe a verdade dura do seu sofrimento e de suas perdas.

“– Você me mandou embora! – ela disse, incapaz de não elevar a voz. – Você ficou de pé na casa que poderíamos ter construído um lar, logo depois do nosso café da manhã de núpcias, e me disse para ir embora. – Quando ele abriu a boca para responder, ela percebeu que ainda não tinha terminado. – E você qual a ironia disso? O mundo todo pensa que você me arruinou antes de casar comigo, quando a verdade é que eu só fui arruinada depois. Você arruinou meus sonhos.”

Além disso, existe duas outras coisas que me fizeram dar uma bela suspirada por esse livro. As Irmãs Perigosas, todas reunidas com um objetivo em comum de fazer Malcom sofrer, o que foi bem divertido. E a mitologia que envolve toda a obra. Se você já leu Sarah MacLean deve perceber que sempre é contado a história de alguma entidade grega. Somente nessa obra, percebi como os romances de MacLean são na verdade releituras dessas histórias.

“Órion não temia a cegueira. Só temia nunca encontrá-la. Nunca ter a chance de convencê-la de que eram um para o outro. De que mortal ou não, ele podia lhe dar tudo. O Sol, a Lua, as estrelas.
— Só que ele não podia — ela sussurrou.

Malcolm hesitou ao ouvi-la, e Sera percebeu que a mão dele se crispava no cabo da tocha, que a luz tremulou nesse momento, no corredor sombrio, como se as palavras pudessem manipulá-la.
— As irmãs de Merópe procuraram Artemis, deusa dos caçadores, pensando que se ela mandasse Órion interromper sua busca, ele a escutaria. Elas juraram devoção à deusa, que foi falar com Órion.

Apesar de algumas passagens um tantinho arrastadas, Perigo Para Um Inglês tornou-se uma de minhas obras favoritas. Um romance de belas proporções que resinifica a liberdade e mostra o caminho árduo para o perdão.

( Livrosofia ) Romances

Oi Corujinhas, como vão?

No Livrosofia de hoje vamos dar continuidade a explicação dos gêneros românticos. O post de hoje será voltado aos romances antigos: clássicos, o histórico e  o de época. Embora muitas de vocês já devam saber a diferença básica entre eles, para quem está começando e não quer entender melhor a definição a ideia é ajudar. Espero que gostem do post, afinal, são alguns dos meus gêneros favoritos.

◆══════════●|| [ Romance Histórico ] ||●═══════════◆

segunda-guerra-mundial-historia-causas-e-consequenciasO Romance Histórico é assim definido por se passar antes da guerra do Vietnã ou da Segunda Guerra Mundial variando entre as editoras. O enredo será concentrado no desenvolvimento do herói e heroína, dentro de um cenário histórico popularmente conhecido que deverá surtir um efeito sobre esses personagens. O romance romântico fica caracterizado como uma trama ou uma subtrama a parte central da obra, o historicismo.

Assim sendo, torna-se fácil definir as obras que pertencem a essa categoria, pois o fator histórico é abrangente na trama. Mas para fazer a classificação podemos levar em consideração alguns pontos. O fato histórico deve ser o ponto de partida para a construção da ficção. Os personagens devem apresentar valores éticos e morais da época, ao passo que o autor deve procurar recuperar estruturas sociais, culturais, políticas e estilos referenciais ao passado. A narrativa é construída no tempo passado e as situações factuais devem ser legitimadas através de documentos e referências

a garota que voce deixou para trasA Garota Que Você Deixou Para Trás da escritora britânica JoJo Moyes tem boa parte da obra pertencente à essa categoria, pois tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial, onde os personagens tem suas vidas modificadas por tal acontecimento. Os valores sociais da época também estão presentes e é certo afirmar quem sem o historicismo não haveria enredo. Mas é bom ressaltar que essa obra não é considerada do gênero completamente, pois foi combinada ao drama. O Tempo e O Vento de Érico Veríssimo é outro exemplo de romance histórico, pois o Terra-Cambará tem suas vidas e os costumes modificados pelos acontecimentos da guerra do Paraguai contra o Brasil.

◆══════════●|| [ Romance de Época ] ||●═══════════◆

moda feminina 1869O Romance de Época tem uma estrutura única. Não tem afinco com datas e nem faz referências à fatos históricos importantes. Muito menos se preocupa em mostrar como se comportava um povo em determinado momento, para questões além das factuais. Os livros desse gênero – em suma maioria – se destacam por aludirem a sociedade londrina no período vitoriano (de junho de 1837 a janeiro de 1901) valorizando a moda, etiqueta social, passeios comuns como jantares, festas, campos ou teatros.

nove regras a ignorar antes de se apaixonar

Entretanto, muito embora a primeira vista pareçam obras frívolas, essas obras costuma destacar a o casamento por conveniência, as amantes, as diferenças entre as classes sociais – nobres versus plebeus -, mas principalmente a fragilidade feminina que espelha as diretrizes atuais. Os romances da autora estado-unidense Sarah MacLean por exemplo, costumam ter protagonistas firmes que estão além das convenções sociais.

É interessante perceber que muitas autoras de romances de época utilizam como pano de fundo um mesmo ambiente, de modo que atitudes de um personagem influenciam diretamente na vida de outros. MacLean, por exemplo, escreveu três séries quase que complementares. A série Os Números do Amor se passa dez anos antes de O Clube dos Canalhas (onde duas protagonistas aparecem como coadjuvantes na anterior). que por sua vez se passa um ano antes da série Escândalos e Canalhas, onde uma de suas coadjuvantes devem estar presentes em sua próxima série Barenuckle Bastards.

◆══════════●|| [ Romance Clássico ] ||●═══════════◆

A determinação de um romance como clássico é variável e subjetiva. Sua principal diferença entre os outros gêneros, tanto dos aqui citados como dos demais literatos, é sua capacidade de ser atemporal. Se o romance histórico é assim definido por se passar em uma época anterior a do autor, o romance clássico será aquele que ultrapassa as barreiras do tempo tornando-se atual apesar de sua data de nascimento. Romance clássicos costuma ser celebrados por acadêmicos, críticos e professores, que mesmo se não gostarem da obra em seu cerne principal, as entendem como leituras obrigatórias para qualquer pessoa que pretenda alguma seriedade em relação a literatura e a história que a envolve.

orgulho e preconceitoPor certo, não cabe ao crítico considerar um Clássico superior aos outros, apenas ressaltar qualquer tentativa de esquecê-lo pois esse romance será base para a construção de outros (que podem ou não serem considerados superiores).

Dando um exemplo pessoal de tal entendimento, posso afirmar de modo categórico que não encontrei-me na leitura de Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Entretanto, não posso afirmar que tal livro deva ser ignorado pois sua mocinha, Elizabeth Bennet, tem uma personalidade facilmente encontrada como inspiração dentro de outros enredos. Dessa maneira, um romance clássico é um produto de seu próprio tempo e das críticas sociais que seus livros refletem entre a realidades usada para contrapôr um cenário social e político da sociedade de determinada época. Ou seja, a literatura clássica serve para ensinar aos leitores algo a respeito de seu próprio mundo.

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Espero que tenham gostado. Beijos.

 

 

 

(Resenha) Anna e O Beijo Francês – Stephanie Perkins – Livro Um

Minha leitura de Anna e o Beijo Francês aconteceu de um modo inesperado. Primeiro dia do ano, e e eu estava procurando uma leituras mais simples, que me desse aquela sensação de conforto no peito. De modo que comecei este livro sem muitas expectativas e acabei saindo da p bem satisfeita.

Título: Anna e O Beijo Francês | Título Original: Anna and The Kiss French | Autora: Stephanie Perkins | Editora: Novo Conceito| Páginas: 268 | Ano:  2011| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐  | Encontre: Saraiva | Skoob | Amazon

Anna e o Beijo FrancêsSinpose: Anna Oliphant tem grandes planos para seu último ano em Atlanta: sair com sua melhor amiga, Bridgette, e flertar com seus colegas no Midtown Royal 14 multiplex. Então ela não fica muito feliz quando o pai a envia para um internato em Paris. No entanto, as coisas começam a melhorar quando ela conhece Étienne St. Clair, um lindo garoto — que tem namorada. Ele e Anna se tornam amigos próximos e as coisas ficam infinitamente mais complicadas. Anna vai conseguir um beijo francês? Ou algumas coisas não estão destinadas a acontecer?

– “É possível que lar seja uma pessoa e não um lugar?”

Se tem uma coisa que Anna e o Beijo Francês prova, é que um clichê quando bem escrito consegue deixar sua marca no coração dos leitores. Para tanto, o autor precisa entender que seu livro faz parte desse tipo de narrativa e não tentar criar situações mirabolantes. Nesse quesito, Stephanie Perkins consegue ir além do que todos esperamos, criando não somente um clichê de aquecer o coração, mas uma história de amor real que poderíamos encontrar se olharmos para o lado.

A narrativa de Perkins é bem-humorada, cheia de conflitos adolescentes. Muito embora o plot que dá início ao livro pareça inverosímel – todos nós ficaríamos muito felizes de arrumar as malas e fazer intercâmbio em Paris -, os motivos de Anna para não gostar da ideia tiveram uma ótima construção bem como a personalidade da protagonista da obra. De certa forma, Anna me lembra Lara Jean e o medo que parece sentir de estar com outras pessoas, fora do mundo que sempre conheceu. Dessa forma, além de nos depararmos com um livro que fala sobre amor, também encontramos uma obra sobre amadurecimento, para que Anna deixe de ter medo e passe a lutar por tudo aquilo que sempre desejou.

“Ele é Étienne. Étienne, como na noite em que nos conhecemos. Ele é Étienne; ele é meu melhor amigo. Ele é muito mais.”

Falando em romance, muito embora eu não tenha shippado loucamente os protagonistas, não posso negar que sua história foi muito bem construída, desde a paixão quanto as pessoas e os percalços que envolveram as bases dessa história. Não existe guerra entre mulheres (como foco principal, pelo menos), nem mesmo conversas banais. Cada momento do livro foi essencial para o próximo criando uma sucessão de acontecimentos que mantiveram um fluxo de simplicidade que realizam um feito inesquecível: o romance entre Étienne e Anna tornou-se palpável, crescente e intenso a medida que as páginas foram passando.

Anna e O Beijo Francês é uma obra memorável dentro de um gênero esquecível. Um livro de personagens imperfeitos e reais. O livro é belo a partir do olhar apaixonado de duas pessoas.

( Resenha ) Fique Comigo – Harlan Coben

Existem alguns autores que não importa quantos livros você leia dele que jamais irá cansar ou ficar com aquela sensação incomoda de mais do mesmo. Harlan Coben é um desses autores em minha vida. Sempre com dinamismo, o Mestre das Noites Em Claro faz jus ao título em Fique Comigo. Um suspense arrebatador que nos mostra como é impossível fugir do passado.

Título: Fique Comigo | Título original: Stay Close| Autor: Harlan Coben | Editora:  Arqueiro | Páginas: 384| Ano: 2014| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐| Encontre: Skoob SaraivaAmazon

FIQUE_COMIGO_1363735233PSinopse: A vida de Megan Pierce nem sempre foi um mar de rosas. Houve uma época em que ela nunca sabia como seria o dia seguinte. Mas hoje é mãe de dois filhos, tem um marido perfeito e a casa dos sonhos de qualquer mulher- e, apesar disso, se sente cada vez mais insatisfeita. Ray Levine já foi um fotógrafo respeitado, mas agora, aos 40 anos, tem um emprego em que finge ser paparazzo para massagear o ego de jovens endinheirados obcecados em se tornar celebridades. Broome é um detetive incapaz de esquecer um caso que nunca conseguiu resolver: há 17 anos, um pai de família desapareceu sem deixar rastros. Todos os anos ele visita a casa em que a mulher e os filhos do homem esperam seu retorno. Essas pessoas levam vidas que nunca desejaram. Agora, um misterioso acontecimento fará com que seus caminhos se cruzem, obrigando-as a lidar com terríveis consequências de fatos que pareciam enterrados havia muito tempo. E, à medida que se deparam com a faceta sombria do sonho americano – o tédio dos subúrbios, a angústia da tentação, o desespero e os anseios que podem se esconder nas mais belas fachadas -, elas chegarão à chocante conclusão de que talvez não queiram deixar o passado para trás.

A inquietude voltaria. Era inevitável. Sofrimento, medo, paixão, os segredos mais obscuros – nada durava para sempre. Mas talvez, se respirasse fundo e aguentasse firme, Megan pudesse manter essa sensação pelo menos por mais algum tempo.

Harlan Coben tem uma das melhores narrativas que eu conheço. Não é atoa que já passei da casa dos vinte em números de obras que já li de sua autoria. O ponto que sempre me faz retornar ao seus livros é a capacidade que tem de dar detalhes sem ser maçante. De construir narrativas que são cheias de significados ao mesmo tempo que estão tomadas de ação. Harlan não é um autor da mesmice, mas alguém que busca inovar e trazer sempre aos seus leitores uma obra que seja para além do que nós esperamos.

Nós lutamos pela liberdade, não foi? E então o que fazemos com essa liberdade toda? Nos prendemos a bens materiais, dívidas e, bem, à outras pessoas.

Nessa obra, narrada em terceira pessoa, Harlan desconstrói o sonho americano: ter uma casa grande, um carro na garagem, um cônjuge que lhe ama e filhos bem educados. Parece ser uma vida dos sonhos, mas quando Harlan se aprofunda nisso percebemos que perfeição não é exatamente aquilo que está em jogo, pois uma vida assim seria completamente sem emoções. E o que para algumas pessoas significa felicidade eterna, para outras são algemas que prendem aos preceitos da sociedade que negam a plenitude de se viver como queremos. Pois precisamos desejar as mesmas coisas, ter as mesmas vidas para sermos normais. Almejar uma vida dos sonhos, mesmo que aquele não seja o nosso.

– Todos nós representamos personagens diferentes para pessoas diferentes.

Através de seus três personagens principais, Harlan insere para seus leitores perspectives diferentes do que podemos considerar felicidade. O detetive Broome fica de frente com um caso antigo do passado ainda não resolvido. E é a partir que vislumbramos a primeira crítica de Coben: Será mesmo que nossos maridos ou esposas são exatamente aquilo que conhecemos deles? Podemos afirmar que eles não tem segredos ou lados obscuros que rodeiam suas vidas? A resposta é claro, é não. Nunca saberemos quem nos acompanham por não podermos ler mentes. Mas o questionamento também não é devido. Devemos confiar, não cegamente, mas entender o que torna especial a pessoa que escolhemos para nós.

 –Todo mundo parece feliz no Facebook

Megan, minha personagem favorita, demonstra as diretrizes de ser aquilo que não deseja. De certo modo, Megan conseguiu escapar de amarras para ser segurada por outras. Muito embora seu mundo passado e o atual são sejam iguais, também não podemos ressaltar que são completamente diferentes. Megan parece necessitar da adrenalina que possuía trocada por uma vida simples. Uma vida que muitos desejam e correm atrás, e aqueles que não querem são obrigados pela sociedade a fingirem estar feliz com elas. Megan se torna então um reflexo da existência obrigatória de ser parte da qual parece incapaz de ser totalmente feliz.

A efemeridade de nossa existência é a única certeza que podemos ter.

Fique Comigo é uma obra reflexiva que mais uma vez nos prova a capacidade que Harlan Coben tem de se superar. Muito embora o desfecho da narrativa aconteça de forma rápida de mais, ainda sim é um livro necessário por trazer a luz questionamentos tão tabus para nossa sociedade. Eu sempre irei recomendar os livros do autor que cada vez mais me prova porque ele é um mestre do suspense.

Havia aprendido a grande diferença entre os que têm tudo e os que não têm nada. Era uma questão de sorte e privilégio. E, quanto mais sorte você tinha e quanto mais portas se abriam por causa de seus privilégios, mais você precisava convencer os outros de que havia alcançado o sucesso devido à sua inteligência e ao seu esforço.O mundo,no fim das contas, se resumia a problemas de baixa autoestima.

( Lista ) 05 Personagens Que Marcaram

Oi Corujinhas. Mais uma vez vamos as listas aqui no blog parceria com a Kethlinda (Parabatai Books). Dessa vez nós vamos falar de cinco personagens que foram muito importantes na nossa vida, nos marcando de algum jeito e deixando grandes lições. Pois a verdade é que bom das leituras é sermos marcados por elas de várias maneiras possíveis. No final da lista, comentem qual personagem marcaram vocês também.

Vamos lá?

Garota Exemplar capa1. Amy Dunne Garota Exemplar.

Na resenha de Garota Exemplar, eu havia falado um pouco dos objetivos dessa personagem e da maneira com o qual ela me marcou e me fez enxergar o mundo por novos ângulos. De certo modo, Amy  foi além das amarras sociais comuns as mulheres de nosso século, que estão dispostas a fingir serem alguma coisa, para agradar um parceiro, um amigo, ou qualquer que faça parte de sua vida. Mas se tem algo que todos aprendemos com o tempo, é que não podemos mudar quem somos se não for por nós mesmos. Dessa forma, a lição que Amy dignamente nos ensina através de seus atos questionáveis é nunca mudar por alguém, porque a felicidade só vem se o amor for absorvido por alguém real.

Harry-potter-e-a-pedra-filosofal-livro.jpg2. Severo SnapeHarry Potter

Engraçado pensar que muitas pessoas não entendem como alguns “Potteheads” tem um amor tão grande pelo personagem de cabelos pretos e nariz adunco, de nome Severo Snape. Sempre vejo comentários que demonstram estranheza por suas bondades terem aparecido apenas no final do último livro. Mas a questão do personagem não é seu lado oculto, mas a maneira com o qual elas se apresentaram se tornando bem maior que um homem mal interpretado. Pois Severo foi realmente um personagem maldoso em um passado distante e um homem amargurado até sua morte, contudo o que lhe motivou a vida e ajudar aquele que significava todas as perdas de sua vida, foi o amor tenro que sentia por Lilian Evans. Por isso, ao criar este homem J. K. Rowling refaz o significado de redenção ao demonstrar que, somente quando chegamos ao verdadeiro amor, podemos nos tornar alguém melhor.

o odio que voce semeia3. StarrO Ódio Que Você Semeia

Sendo a mais recente personagem dessa lista, Starr foi uma das minhas  favoritas do ano passado. Isto porque foi marcante ver sua trajetória como um todo, do momento em que ela saiu da posição de sem voz para o alcance de sua força. Acredito que muitas pessoas que leram esse livro também ficaram impressionadas com a evolução de Starr, porque Angie Thomas não contorna a verdade com uma “mentira” ou uma situação improvável, mas algo real que nos faz acreditar na força de sua personagem bem como na veracidade de sua história.

o sol é para todos4. AtticusO Sol É Para Todos

Faz anos que li O Sol É Para Todos. Na época eu era uma adolescente em plena formação social e individual. Então imagine minha surpresa ao encontrar não somente Atticus, mas uma profusão de personagens que permeiam as páginas de Harper Lee. O Sol É Para Todos fala sobre preconceito, mas diferentemente de todos os livros que tem como este o tema, não foca apenas no preconceito racial, mas de classe, personalidade, velhice, loucura, julgamento… Atticus, o melhor pai fictício do mundo, ensina a seus filhos e ao leitor os caminhos pelo qual devemos superar inúmeras barreiras que nós mesmo nos impomos ao longo dos anos e que tanto jogamos sobre as outras pessoas.

nove regras a ignorar antes de se apaixonar5. Calpúrnia Hartwell – Nove Regras A Ignorar Antes de Se Apaixonar.

Não é surpresa para ninguém que romances de época fazem parte dos meus queridinhos. Sendo meu terceiro gênero favorito, por inúmeras razões, esses livros me marcam por apresentarem mocinhas a frente do seu tempo. Mas não somente isso, muitos livros exalam força e deixam claro que não importa de onde você seja, sempre pode-se ir além dos parâmetros da sociedade. As personagens de Sarah MacLean tem sido muito marcantes justamente por esse poder feminino que tanto trazem. Apesar de várias outras terem conquistado meu coração nos últimos tempos (estou falando com você, Pippa Marlbury kk), Callie continua como minha heroína favorita. E não somente por sua força, mas também por nunca ter mudado quem era, apenas ter descoberto a verdade sobre si mesma.

Eu sei que essa lista ficou bastante parecida com algumas que já tínhamos feito nos nossos blogs, pela repetição de alguns livros. Mas a verdade é que quando um livro marca, ele marca para sempre. Espero quer tenham gostado. E deixem nos comentários: qual personagem mudou sua vida???

Beijos.

( Resenha ) Cilada Para Um Marquês – Sarah MacLean – Escândalos e Canalhas – Livro Um.

Minhas caras Corujinhas, somos todos feitos de opções e escolhas. A cada ato somos levados à outro, e se tratando dos livros de Sarah MacLean a consequência é sempre o amor.

transferir.jpgTítulo: Cilada Para Um Marquês
Título Original: The Rogue Not Taken
Série: Escândalos e Canalhas – Livro 01
Autora: Sarah MacLean
Editora: Gutemberg
Páginas: 320
Ano: 2016
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: SkoobSaraiva | Amazon

Sinopse: Sophie Talbot é conhecida pela Sociedade como uma das Irmãs Perigosas – mulheres Talbot que fazem de tudo para se arranjar com algum aristocrata. O apelido chega a ser engraçado, pois se existe algo que Sophie abomina é a aristocracia. Mas parece que mesmo não sendo uma irmã tão perigosa assim, o perigo a persegue por todos os lugares. Quando a mais “desinteressante” das irmãs Talbot se torna o centro de um escândalo, ela decide que chegou a hora de partir de Londres e voltar para o interior, onde vivia antes de seu pai conquistar um título. Em Mossband, ela pretende abrir sua própria livraria e encontrar Robbie, um jovem que não vê há mais de uma década, mas que jura estar esperando por ela. No entanto, ao fugir de Londres, seu destino cruza com o de Rei, o Marquês de Eversley e futuro Duque de Lyne, um homem com a fama de dissolver noivados e arruinar as damas da Sociedade. Rei está a caminho de Cumbria para visitar o odioso pai à beira da morte e tomar posse de seu ducado. Tudo o que ele menos precisava era de uma Irmã Perigosa em seu encalço. O Marquês de Eversley está convicto de que Lady Sophie Talbot invadiu sua carruagem para forçá-lo a se casar com ela e conquistar um título de futura duquesa. Já Sophie tenta provar que não se casaria com ele nem que fosse o último homem da cristandade. Mas e quando o perigo tem olhos verdes, cabelos claros e a língua afiada? Essa viagem será mais longa do que eles imaginam…

“Não existe, afinal, encarada mais óbvia do que a que evita seu objeto. Isso é verdade comprovada, em especial, quando os objetos em questão são tão difíceis de ignorar.”

Sarah MacLean é minha queridinha nos Romances de Época. Quem me acompanha aqui no blog sabe o quanto tenho lido obras da autora (das quais ainda não enjoei, para registro) e como tenho gostado do desenvolvimento de suas histórias. Desde os personagens peculiares até a narrativa fluída, cada livro à sua maneira me encanta e me faz desejar ler ainda mais dessa brilhante escritora. Apesar de não poder dizer que Cilada Para Um Marquês não é meu favorito da escritora, também não posso dizer que foi de total decepção pois se trata de uma perspectiva praticamente única para o contexto.

A narrativa de Sarah MacLean dispensa apresentações. Com uma escrita leve, irreverente e cheia de toques emocionais, a autora desenvolve livros exaltando a força. Não que isso seja incomum, afinal de contas de mocinhas fortes os romances de épocas estão cheios, mas a maneira de MacLean fazer é impressionante. Não há exageros nem irrealidades, a apenas o desejo de ser bem mais do que a sociedade espera. É certo dizer que quase todos romances de época costumam seguir um prospecto parecido. Mocinhas fora do padrão, homens que sofreram no passado e não desejam o amor, uma família amorosa e escândalos envolvendo ambas as partes. Tudo isso, é encontrado nesta obra mas que se desenvolve para além do cliché.

Nossa mocinha não é fora do padrão porque simplesmente não é bela ou tem um comportamento excessivamente impróprio, mas sim porque ela rechaça qualquer ligação com uma sociedade que está disposta a usar qualquer artíficio para esnobar sua família. Sophie tem como aspecto principal a sua necessidade encontrar um caminho próprio que não tem a ver com privilégios de uma sociedade que vive de aparências, e sim com a simplicidade de apenas ser feliz. Por ser de família simples que ascendeu a sociedade quando seus pais decidiram comprar um título de nobreza, Sophie sabe o verdadeiro significado de felicidade e tudo que deseja é tomá-la para si.

“Sophie, contudo, não adorava nada daquilo. Na verdade, ela amarrotou o jornal com fervor e refletiu sobre as opções de que dispunha. Opções, não. Opção. No singular. Porque a verdade era que as mulheres, na Inglaterra de 1833, não tinham opções. Elas tinham um caminho que deveriam trilhar. Que eram obrigadas a trilhar. E que deveriam se sentir gratas por serem obrigadas a trilhar esse caminho.”

Por criar uma família que não pertence aos padrões, MacLean desenvolve um cenário ao mesmo tempo divertido e critico onde demonstra as injustiças e as regras ridículas da sociedade preconceituosa que era (e ainda é) estabelecida no período em que o livro se passa. Um dos pontos principais dos livros de Sarah como um todo é justamente a critica que ela faz aos padrões de modo atual sobre como nós, mulheres, somos determinadas a seguir algo porque a sociedade é machista de mais para acreditar que podemos ser muito mais que flores frágeis e necessitadas. Tal critica é desenvolvida abertamente, tanto em favor da personalidade de Sophie quanto do romance que ela tem com Rei.

Falando em romance, eu achei fantástico que a maior parte dele tenha sido dada em uma viagem que foi bem divertida onde os persionagens se “conheceram”, já que ali eles tomaram tempo para entender os medos e os desejos um do outro. Rei é um personagem que não me agradou como um todo, mas não posso negar que seu ar mau humorado que reclama, reclama mas que é incapaz de não embarcar nas loucuras proporcionadas pela perigosíssima Sophie.

Meu único problema com a obra foi o final que achei um tanto dramático de mais, ao mesmo tempo que foi resolvido fácil de mais. Não que tenha sido ruim, apenas foi comum ao ponto que eu esperava algo mais bem elaborado. Mesmo assim, para você que ainda não leu Sarah MacLean mas que deseja começar, essa obra é perfeita por ser a menos sensual e aquela que contém muito da força feminina que tanto amamos na autora. E para quem já leu e quer mais de Sarah MacLean é um livro que vai te deixar ainda mais apaixonado(a) por essa escritora magnifica.

“Ela não ligava se ele a aprovava ou não. Nem ligava para o que ele pensava dela. Ou o que o resto do mundo tolo, horrível e insípido em que ele vivia pensava dela. Na verdade, se toda a Sociedade a considerava desdivertida, por que ela deveria se importar?”