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( Resenha ) Fique Comigo – Harlan Coben

Existem alguns autores que não importa quantos livros você leia dele que jamais irá cansar ou ficar com aquela sensação incomoda de mais do mesmo. Harlan Coben é um desses autores em minha vida. Sempre com dinamismo, o Mestre das Noites Em Claro faz jus ao título em Fique Comigo. Um suspense arrebatador que nos mostra como é impossível fugir do passado.

Título: Fique Comigo | Título original: Stay Close| Autor: Harlan Coben | Editora:  Arqueiro | Páginas: 384| Ano: 2014| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐| Encontre: Skoob SaraivaAmazon

FIQUE_COMIGO_1363735233PSinopse: A vida de Megan Pierce nem sempre foi um mar de rosas. Houve uma época em que ela nunca sabia como seria o dia seguinte. Mas hoje é mãe de dois filhos, tem um marido perfeito e a casa dos sonhos de qualquer mulher- e, apesar disso, se sente cada vez mais insatisfeita. Ray Levine já foi um fotógrafo respeitado, mas agora, aos 40 anos, tem um emprego em que finge ser paparazzo para massagear o ego de jovens endinheirados obcecados em se tornar celebridades. Broome é um detetive incapaz de esquecer um caso que nunca conseguiu resolver: há 17 anos, um pai de família desapareceu sem deixar rastros. Todos os anos ele visita a casa em que a mulher e os filhos do homem esperam seu retorno. Essas pessoas levam vidas que nunca desejaram. Agora, um misterioso acontecimento fará com que seus caminhos se cruzem, obrigando-as a lidar com terríveis consequências de fatos que pareciam enterrados havia muito tempo. E, à medida que se deparam com a faceta sombria do sonho americano – o tédio dos subúrbios, a angústia da tentação, o desespero e os anseios que podem se esconder nas mais belas fachadas -, elas chegarão à chocante conclusão de que talvez não queiram deixar o passado para trás.

A inquietude voltaria. Era inevitável. Sofrimento, medo, paixão, os segredos mais obscuros – nada durava para sempre. Mas talvez, se respirasse fundo e aguentasse firme, Megan pudesse manter essa sensação pelo menos por mais algum tempo.

Harlan Coben tem uma das melhores narrativas que eu conheço. Não é atoa que já passei da casa dos vinte em números de obras que já li de sua autoria. O ponto que sempre me faz retornar ao seus livros é a capacidade que tem de dar detalhes sem ser maçante. De construir narrativas que são cheias de significados ao mesmo tempo que estão tomadas de ação. Harlan não é um autor da mesmice, mas alguém que busca inovar e trazer sempre aos seus leitores uma obra que seja para além do que nós esperamos.

Nós lutamos pela liberdade, não foi? E então o que fazemos com essa liberdade toda? Nos prendemos a bens materiais, dívidas e, bem, à outras pessoas.

Nessa obra, narrada em terceira pessoa, Harlan desconstrói o sonho americano: ter uma casa grande, um carro na garagem, um cônjuge que lhe ama e filhos bem educados. Parece ser uma vida dos sonhos, mas quando Harlan se aprofunda nisso percebemos que perfeição não é exatamente aquilo que está em jogo, pois uma vida assim seria completamente sem emoções. E o que para algumas pessoas significa felicidade eterna, para outras são algemas que prendem aos preceitos da sociedade que negam a plenitude de se viver como queremos. Pois precisamos desejar as mesmas coisas, ter as mesmas vidas para sermos normais. Almejar uma vida dos sonhos, mesmo que aquele não seja o nosso.

– Todos nós representamos personagens diferentes para pessoas diferentes.

Através de seus três personagens principais, Harlan insere para seus leitores perspectives diferentes do que podemos considerar felicidade. O detetive Broome fica de frente com um caso antigo do passado ainda não resolvido. E é a partir que vislumbramos a primeira crítica de Coben: Será mesmo que nossos maridos ou esposas são exatamente aquilo que conhecemos deles? Podemos afirmar que eles não tem segredos ou lados obscuros que rodeiam suas vidas? A resposta é claro, é não. Nunca saberemos quem nos acompanham por não podermos ler mentes. Mas o questionamento também não é devido. Devemos confiar, não cegamente, mas entender o que torna especial a pessoa que escolhemos para nós.

 –Todo mundo parece feliz no Facebook

Megan, minha personagem favorita, demonstra as diretrizes de ser aquilo que não deseja. De certo modo, Megan conseguiu escapar de amarras para ser segurada por outras. Muito embora seu mundo passado e o atual são sejam iguais, também não podemos ressaltar que são completamente diferentes. Megan parece necessitar da adrenalina que possuía trocada por uma vida simples. Uma vida que muitos desejam e correm atrás, e aqueles que não querem são obrigados pela sociedade a fingirem estar feliz com elas. Megan se torna então um reflexo da existência obrigatória de ser parte da qual parece incapaz de ser totalmente feliz.

A efemeridade de nossa existência é a única certeza que podemos ter.

Fique Comigo é uma obra reflexiva que mais uma vez nos prova a capacidade que Harlan Coben tem de se superar. Muito embora o desfecho da narrativa aconteça de forma rápida de mais, ainda sim é um livro necessário por trazer a luz questionamentos tão tabus para nossa sociedade. Eu sempre irei recomendar os livros do autor que cada vez mais me prova porque ele é um mestre do suspense.

Havia aprendido a grande diferença entre os que têm tudo e os que não têm nada. Era uma questão de sorte e privilégio. E, quanto mais sorte você tinha e quanto mais portas se abriam por causa de seus privilégios, mais você precisava convencer os outros de que havia alcançado o sucesso devido à sua inteligência e ao seu esforço.O mundo,no fim das contas, se resumia a problemas de baixa autoestima.

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