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( Resenha ) Identidade Roubada — Chevy Stevens

Livros de suspense estão entre meus favoritos. Na verdade, meu consumo literário (apesar da vivacidade do blog) normalmente é voltado para as questões mais sombrias localizadas entre o suspense e o terror. Por esse motivo, muitas vezes sou capaz de pegar livros de suspense sem nem mesmo ler a sinopse. Baseada na capa e no comentário que normalmente acompanham os livros, decido se a obra vale meu tempo. Foi exatamente isto que aconteceu quando decidi ler Identidade Roubada de Chevy Stevens. E apesar de não poder dizer que foi um dos meus favoritos, ainda sim foi uma leitura que valeu a pena pelas interrogativas colocadas pelo autor.

Titulo: Identidade Roubada Título Original: Still Missing Autor: Chevy Stevens Editora: Arqueiro Ano: Paginas: Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ Encontre:| Amazon | Skoob

Identidade-Roubada-203x300Sinopse: Era para ser um dia como outro qualquer na vida de Annie O’Sullivan. A corretora de imóveis levanta da cama com três objetivos: vender uma casa, fazer as pazes com a mãe e não se atrasar para o jantar com o namorado. Naquele domingo, aparecem poucas pessoas interessadas em visitar o imóvel. Quando Annie está prestes a ir embora, uma van estaciona diante da casa e um homem sorridente vem em sua direção. A corretora tem certeza de que será seu dia de sorte. Mas o inferno está apenas começando. Sequestrada por um psicopata, Annie fica presa durante um ano inteiro em um chalé nas montanhas, onde vive um pesadelo que deixará marcas profundas.

Narrado em passado e presente por primeira pessoa nas duas situações, Identidade Roubada tem prerrogativas bem interessantes que precisam ser discutidas nos dias de hoje. Cada vez mais, somos surpreendidos por crimes violentos contra as mulheres. Contra homens também, mas a expressividade entre crimes de sequestro é expressiva enquanto tratada sob o hall do feminino. Muito embora o livro de Stevens não seja exatamente uma luta do feminismo, também não podemos desconsiderar essa possibilidade pela invocação do sentimento de revolta que nos rodeia quando entramos no seu universo.

Eu nunca havia lido nada da autora. Conheci sua obra através do canal da Pam Gonçalves em um vídeo de book-shell-of-tour. De primeira a capa e o título me chamaram bastante atenção, pois gosto bastante gênero e a criatividade do título despertaram em mim o sintoma de necessidade. Mas só realizei leitura muitos anos depois, quando, passeando entre os livros revi seu título e pensei: porque não? E posso dizer que apesar de não ter me surpreendido com a obra, a história que Chevy tem a oferecer é fantástica.

Narrado em primeira pessoa por Annie, a história se desenvolve bem pela escrita suave de Stevens. A autora não peca em dar mais detalhes do que o necessário, e sim construir ambientações e sentimentalismos que criam todo o aspecto inovador do livro. Afinal de contas, tal narração é feita através das cessões de Annie com um terapeuta. E muito embora isso deixe de lado uma parte do suspense da obra, ajuda a entender melhor como a personagem lidou com o sequestro-cativeiro e agora tenta retornar à sua vida normal.

Um dos pontos mais favoráveis ao livro, é com certeza Annie. A protagonista é carismática, um tanto cínica e incrivelmente humana. Poucas vezes me apeguei tanto a uma personagem na literatura. Isso se deve não somente ao grau de proximidade com a realidade trazida por Stevens. Exagerada e um pouco egocêntrica, Annie tem defeitos que muitas vezes julgamos, mas que fazem parte da vida de quem passou por abusos. É doloroso acompanhar cada um dos seus choros se tornando impossível não sentir empatia pela personagem.

O único defeito do livro foi o final. Mesmo que haja um bom plot-twist este não é bem desenvolvido dando a impressão que fora largado ao meio do caminho. As questões tão bem levantadas pela autora perdem espaço para uma válvula de escape simples e contraditória. Os motivos do livro deveriam ter sido melhor trabalhados para fechar tudo com chave de outro.

Identidade Roubada é uma leitura de altos e baixos que vale a pena pela realidade imposta pela autora. Um livro real sobre a hedionidade humana e suas implicações no contexto total da sociedade.

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( Resenha ) A Menina Que Roubava Livros – Markus Zusak

Semana passada, eu estava relendo alguns pontos dos meus livros favoritos. Em uma dessas pequenas releituras, voltei a encher-me de penas com a leveza da morte em A Menina Que Roubava Livros. Um bom ponto da literatura, é o fato que nunca temos uma mesma percepção de um mesmo livro. Você rele e gosta ainda mais, ou você relê e odeia. Claro que para mim aconteceu a primeira frase, mas o que eu não esperava era entender ainda mais a metáfora através das palavras de Markus Zusak.

Título: A Menina Que Roubava Livros | Título original: The Books Thief | Autor: Markus Zusak | Editora:  Intrínseca| Páginas: 480 | Ano: 2011| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤| Encontre: Skoob – Saraiva – Amazon

a menina que roubava livrosSinopse: Ao perceber que a pequena Liesel Meminger, uma ladra de livros, lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. A mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. Assombrada, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade. A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra-Mundial.

“Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é necessário. Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo, eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora gentilmente.”

A Menina Que Roubava Livros foi o primeiro romance histórico que tive a oportunidade de ler em meados de 2013 logo após assistir o filme de mesmo nome. Certamente eu não tinha tanta maturidade e muito do que li se perdeu pela falta de perspectivas. Me lembro de achar a leitura lenta sem entender verdadeiramente o significado das palavras e das situações levantadas por Markus Zusak. Hoje, cinco anos depois com muito mais leituras na cabeça e uma bagagem literária que busca cada vez mais reflexões, ao reler A Menina Que Roubava Livros tive um vislumbre de uma literatura clássica-contemporânea que deveria ser obrigatória.

“UMA DEFINIÇÃO NÃO ENCONTRADA NO DICIONÁRIO – Não ir embora: ato de confiança e amor, comumente decifrado pelas crianças”

A narrativa-onisciente traz uma perspectiva única para a história. A Morte se faz presente em primeira pessoa e em terceira, dando considerações sobre a história sem se deixar levar pelas emoções. Como a própria confirma, está cansada, e quer contar de forma leve, breve e muito corriqueira. Ela conhece tudo sobre em seu íntimo e seus pensamentos. Revela sua voz interior, o fluxo de sua consciência, fazendo com que o enredo seja plenamente conhecido em suas entrelinhas, seus pressupostos, seu futuro e suas consequências.

É interessante notar como Zusak faz da Morte uma personagem que não possuí nada para além do comum, aludindo ao que acontece todos os dias de morte pura e simplesmente. Sendo uma personagem não caricata, a Morte transforma-se em uma narradora experiente que tem o peso do mundo em seus ombros. A Morte é uma vilã e uma mocinha ao mesmo tempo, trabalhando para os vilões para salvar as almas do sofrimento.

“Por favor, acredite quando lhe digo que, naquele dia, peguei cada alma como se fosse um recém-nascido. Cheguei até a beijar alguns rostos exaustos, envenenados. Ouvi seus últimos gritos entrecortados. Suas palavras evanescentes. Observei suas visões de amor e os libertei de seu medo.”

Dessa maneira, quando a narração muda para a vida de Liesel, a Morte perde um pouco de sua considerações e se volta a aludir aos fatos, muito embora nos marque com uma frase de efeito. Mas ao dar foco a Liesel, a Morte se estende para revelar a personalidade dessa menina que lhe parece tão próxima. Liesel, assim como a morte é comum e não caricata. É forte como uma criança deve ser aprendendo todos os dias em como ser uma pessoa melhor e a entender as injustiças da vida não se abalando por elas. Liesel não é um rosto adicionado à massa, mas uma garota inteligente que usa das armas que possui para proteger aqueles que ama.

Assim, de um maneira única, Zusak cria uma porção de personagens que se tornam pessoas a medida que parecem avançar saltar as páginas e encher os olhos. Entre texto sobre a vida e Liesel e considerações sobre o momento, o autor nos dá esperanca que supera o medo que existe no coração das pessoas que rodeiam o mundo cheio de beleza e brutalidade.

“Os seres humanos, me assombram.”

A Menina Que Roubava Livros vai ser sempre um dos livros favoritos de toda minha vida. Pretendo realizar outras leituras desse livro e absorver cada vez mais da história de Markus Zusak cuja tenho a certeza que me oferecerá ainda mais. Se posso fazer das palavras da Morte as minhas, espero entender por essas páginas a verdade sobre os medos e anseios da humanidade entendendo à realidade de suas histórias tão amaldiçoadas e tão brilhantes. A Menina Que Roubava Livros é um livro para toda vida.

(Resenha) Corte de Asas e Ruína – Sarah J. Maas – Livro 03

Corte de Asas e Ruína.é o desfecho de uma história e um prelúdio para as outras que virão. Existe guerra, existe amor, existe dor. O anseio pelo que está por vir é só a ponta do iceberg para o verdadeiro caos de emoções que é sua história. E Sarah J Maas mostra porque é um das autoras mais amadas da atualidade.

Título: Corte de Asas e Ruína | Título Orginal: A Court Of Wins And Ruins | Série: Corte de Espinhos e Rosas #03 | Autora: Sarah J Maas | Editora: Galera Record |Ano: 2017 | Avaliação:  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

sssssssssssssssssssSinopse: O terceiro volume da série best-seller Corte de Espinhos e Rosas, da mesma autora da saga Trono de Vidro em “Corte de Asas e Ruína” a guerra se aproxima, um conflito que promete devastar Prythian. Em meio à Corte Primaveril, num perigoso jogo de intrigas e mentiras, a Grã-Senhora da Corte Noturna esconde seu laço de parceria e sua verdadeira lealdade. Tamlin está fazendo acordos com o invasor, Jurian recuperou suas forças e as rainhas humanas prometem se alinhar aos desejos de Hybern em troca de imortalidade. Enquanto isso Feyre e seus amigos precisam aprender em quais Grãos-Senhores confiar, e procurar aliados nos mais improváveis lugares. Porém, a Quebradora da Maldição ainda tem uma ou duas cartas na manga antes que sua ilha queime.

“Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

O que me faz gostar dos livros de Sarah J. Maas é a narrativa carregada de sentimentos. Certas vezes, fico impressionada com sua capacidade de nos fazer sentir como parte do seu mundo por conta das descrições e do modo com o qual os sentimentos são postos. Muito embora neste livro tenha percebido uma leve procrastinação da autora, ainda sim a escrita foi esplêndida para me manter viva na leitura. Foram dois dias intensos, e eu me lembro perfeitamente — mesmo depois de meses de ter lido — da necessidade que sempre precisar de mais da obra. Dormir, foi um martírio pois minha mente voltava aos acontecimentos e as surpresas que estavam por vir.

– A grande alegria e honra de minha vida foi conhecê-los. Chamar vocês de minha família. E sou grato, mais do que posso expressar, por ter recebido esse tempo com vocês.

Dentro da escrita, uma das minhas partes favoritas é o fato de Sarah usar o constante intertexto em suas páginas. A autora consegue trilhar caminhos diferentes para histórias que já conhecemos. Nas costas do livro, e como uma arma utilizada por Feyre contra o rei de Hybern, o espelho de Ourobouro é o nome dado ao mesmo objeto na Branca de Neve (espelho, espelho meu…) que ganha um novo sentido na narrativa. Outro é a história da rainha Vassa que sofreu uma maldição que a transforma em um mulher durante e um pássaro de fogo durante a noite, relembrando outra história famosa eternizada pela Disney. Isso, pode parecer estranho, mas ajuda na hora da construção do sentido do texto que não foi explicado. E claro me faz soltar uns Ahs! de administração para a criatividade da autora.

Além disso, podemos encontrar no texto um crescimento gradual da narrativa com o resgate das pequenas coisas. Os minúsculos fatos costumam ser perdidos em séries muito grandes pois novos acontecimentos são inseridos à todo momento. Quando o resgate acontece, soa genial pelo sentido que toda leitura valeu a pena. Tudo faz sentido e todas as peças são encaixadas.  A série de Maas, principalmente este último livro é uma prova de que tais resgastes são essenciais as obras, pois ao mesmo tempo que Sarah expõe um novo acontecimento ela o liga à um do passado conectando a história e todas as outras que vieram póstumas a ela.

“Sempre considerei a morte como um tipo de boas-vindas pacífico; uma cantiga doce e triste que me atrairia para o que quer que esperasse depois.”

Mas como nem tudo nesse livro foram flores, tenho que admitir que um dos meus pontos favoritos, também e controversamente, foi um dos seus pecados. A narrativa de Sarah muitas vezes perdeu o tino pela inserção de momentos que não eram exatamente necessários à história. O principal é quantidade alucinante de cenas de sexo. Acredito que já tenha comentado que romance em fantasias não é meu foco pela perda de história para adição de tal prerrogativa. Mesmo gostando de Feysand, em Corte de Asas e Ruína a perda não é diferente mas no sentido de tempo. Considerando que estamos falando de guerra, uma tensão surgida após  a firmação do romance entre Feyre e Rhysand no livro anterior, as cenas de sexo me pareceram forçadas no contexto da história pela falta de necessidade. Exceto quando Feyre retorna para casa, a continuidade de cenas do tipo foi enjoativa e olha que eu amo (ou amava) o casal Feysand. Mas aqui não acredito que cabia. Tanto, que se retirarmos as cenas de sexo o livro diminuiria pelo menos umas cem páginas e tornaria a leitura mais fluída e sagaz.

 “Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

Outras cem seriam facilmente cortadas se não fosse a adição de outra coisa supérflua a narrativa de Feyre aprendendo a voar. Mas Jessica, issoo é interessante? Claro que é, contanto que tenha papel na ativo no enredo, pois do contrário, torna-se apenas uma informação à mais como um tipo de aposto: esta lá, mas não era necessário.  Pois eu não me lembro — se tiver por favor me diga nos comentários — dessa situação de vôo aparecer em batalha ou de algum modo pertinente ao enredo. Se não considerarmos a história que Azriel conta a Feyre em uma de suas aulas (que cá entre nós, poderia sim ter sido feito em outra situação) estas foram encheção de linguiça. Mas, talvez eu só seja antipática mesmo.

“Se Rhysand era a Noite Triunfante, eu era a estrela que só brilhava graças a sua escuridão, a luz apenas visível por sua causa.”

Retornando aos pontos positivos, o romance de Feysand atingiu um bom nível de cumplicidade nessa obra, mas e é separadamente que Rhysand e Feyre ganham meu coração. Muito embora não costume gostar de personagens perfeitos, Rhysand é um macho que gostaria de ter em minha vida como amigo. Inteligente e justo, Rhys é um retrato do heroico de quando o amor é existe ele pode se manifestar de vários modos. Já Feyre terminar sua jornada para abraçar o poder que conquistou nas obras anteriores. É fantástico perceber como Feyre cresceu. Se em ACOTAR Feyre era uma garota assustada e em ACOMAF um projeto de Girl Power, em ACOMAF Feyre encontra sua verdadeira força ao se tornar uma mulher poderosa. Sua construção foi feita tijolo por tijolo e esse é o principal crédito da trilogia como um todo. Em tempo onde as Girls Powers nascem da arrogância e da síndrome estou-certa-e-você-errado, ver uma força sendo construída e não jogada é sensacional.

– Apenas você pode decidir o que a destrói, Quebradora da Maldição

E igualmente a construção de Feyre e Rhysand, os outros personagens foram dignamente tomados. Morrigan e Azriel não enchem meus olhos, mas assim como o que é referente a Lucien possuo certa expectativa do que suas amarguradas histórias ainda podem revelar. Elain… Bom, o que dizer de Elain? Bom… Sendo absolutamente sincera acho-a um tanto sonsa, mas não tenho sentimentos negativos ou positivos com ela. A verdade é que se olharmos para as irmãs de Feyre quando as duas se recusaram a ajudar a irmã, Nestha por ser mais grossa recebe os créditos da ruindade. Mas Elain faz a mesma coisa mas é relevada por sua doçura, o que ao meu ver, e como se ela se fizesse de sonsa (cadê o emoji levantando os braços quando a gente precisa.)

“Se Elain era uma flor naquele acampamento de guerra, então Nestha… ela era uma espada recém-forjada, esperando para tirar sangue.”

E por falar em Nestha, como não amar Nestha e tudo que essa personagem pode trazer? A minha protagonista — percebam o nível do meu amor — é tudo que eu espero e mais um pouco sempre me surpreendendo. Nesse livro, esta ainda mais impressionante audaciosa. Marcada pelo caldeirão e com uma família quebrada mais refeita, Nestha provoca sem revelar muito sobre si. Sua esfera de poder é ao mesmo tempo a cruz que carrega. E mesmo que não possa dizer que não a entenda, ainda sim posso falar que absolvi o seu ódio como meu. Nestha é fogo, ódio e dor. É ressentimento, amor e medo. É tudo é não é nada. E cada vez que a leio, me encontro capaz de chorar pela sua complexidade. Eu preciso de mais de Nestha Archeron, de todas as maneiras que Maas puder me dar.

“Cassian estava avaliando Nesta, um brilho em seus olhos que eu só podia interpretar como um guerreiro encontrando-se diante de um novo e interessante oponente.”

Por tudo isto, posso dizer que Corte de Asas e Ruínas é um marco na minha vida. Em breve serão lançados spin-offs para completar os arcos de cada personagem. Claro que o livro de Nestha e Cassian é o mais aguardado para mim, mas espero gostar de todos os volumes que estão por vir. Sarah J. Maas é uma das melhores escritoras de seu tempo, e espero ansiosamente por mais e mais dela.

 

( Livrosofia ) Suspense

Olá Corujinhas, como vão? Nos Livrosofias passados estávamos voltados à discussão sobre gêneros, nessa semana vamos nos colocar para o Suspense que como vocês sabem é um dos meus favoritos na literatura. Seja para me tirar de uma ressaca literária ou para me dar mais gás ao mundo da leitura, a rapidez dos livros do gênero e as críticas sociais colocadas em suas páginas são o ponto crucial para que eu me apaixone por suas histórias.

Suspense, conhecido também como Thriller, é um gênero da literatura que tem como principal característica a tensão e a excitação em suas páginas.  Os autores desse gênero costumam esconder informações importantes do leitor em um jogo de encaixe de peças na tentativa de fazê-lo não advinhar os futuros acontecimentos da obra. Pode ter cenas de perseguição e criminais, mais comum nas abordagens do suspense investigativo. Os personagens são constantemente colocados em situações nas quais tem a vida ameaçada. O protagonista do suspense está sempre envolvido diretamente com a ocorrência inicial que dá início ao enredo seja por ser suspeito, testemunha ou agente investigativo.

O Suspense é subdivido em várias ramificações que determinam o modus-operante da narrativa. Elas são: Mistério, Criminal, Psicológico, Tecnológico, Político e Erótico.

anjos e demoniosNo Mistério, também chamado de Conspiração, os investigadores (comumente jornalistas ou detetives particulares) encontram-se sem saber um “fio da meada” que termina por ser uma grande rede de conspiração. Passam então a investigar o que está por tras dela terminando por se tornar alvo. São muitos parecidos com os livros de Político, mas se diferenciam destes por se passarem fora dos bastidores do poder político e também não são baseados em fatos reais. Os livros da série Robert Langdon de Dan Brown fazem parte desse subgênero, pois na maioria dos casos o professor não vai atrás do criminosos, mas topa com eles por acaso ou por manipulação enredando-se em redes políticas e religiosas.o silencio dos inocentes

O Criminal, como o nome sugere, mostra uma sucessão de crimes bem-sucedidos ou falhos. O protagonista trata de investigar os crimes e detectar quem é a pessoa responsável por eles alem de suas motivações. Ao contrário do que se pensa, nem todo suspense Criminal é policial. Este só é chamado assim quando são agentes fardados que investigam o crime. Além disso, no gênero criminal o foco normalmente está no suspeito, ou seja, o investigador é uma ponte entre o leitor e o assassino que precisa ter a mente “revelada”. O mais comum na temática do suspense são serial killers. O livro O Silêncio dos Inocentes de Thomas Harris é exemplo disto pois apesar de uma agente do FBI narrar o livro, é em Hannibal Lecter que se encontra o foco do autor

a garota no tremO Psicológicos têm em suas páginas personagens que não dependem da força física para superar seus inimigos, mas sim de sua capacidade mental como inteligência. Normalmente, trata-se de narrativas em primeira pessoa com recursos como flashback para narrar as motivações que os levaram à suas atuais motivações. A Garota No Trem de Paula Hawkins é caracterizada nesse gênero pois a protagonista Rachel não passa por cenas de ação ou medo, mas sim tem uma percepção mundo à sua volta na tentativa de distinguir o verdadeiro do irreal para entender o desaparecimento de seu objeto de estudo. Outros temas abordados pela autora é a mente confusa de Rachel, busca por sua identidade e medo pela morte.

007cO suspense Tecnólogico é pouco abordado nos livros. Normalmente está ligado à ficção científica é quando não costuma aparecer com meios de espionagem, ação e guerra. Inclue uma grande quantidade de detalhes técnicos sobre assuntos de vias tecnológicas, como por exemplo, o uso militar). Muitas vezes confundido bom ficção científica, o que distingue um do outro é a ênfase que o thriller dá ao mundo real com tecnologia próxima ao que poderia acontecer em realidade. Os livros da série James Bond de Ian Fleming é um exemplo dessa série pois a tecnologia fictícia utilizada por 007 é próximas do que poderia ser real.

transferir (1)O Suspense Erótico consiste de uma mistura entre erotismo e suspense, e pode assumir diversas características dos subgêneros anteriores. Tem formação mais próxima ao romance. A série Mortal escrita por Nora Roberts sob o pseudônimo J. D. Robb faz parte desse subgênero.

Garota Exemplar capaComo tantas outros, pode haver mistura dos tipos de suspense dependendo do autor que escreve a obra. A autora Gillian Flynn por exemplo faz uso do gênero Psicólogico muito embora também recorra ao drama para contar suas história, à exemplo do livro Garota Exemplar.

O gênero suspense é um dos mais vendidos no mundo tendo autores como Harlan Coben e Sidney Sheldon como principais representantes. Se você não conhece livros do gênero, dê uma chance ao lado dele que mais te interessar. O livro virá com grandes surpresas e detalhes que você não pode imaginar.

Boas leituras! Ou melhor, bons crimes para você.

(Resenha) Antes de Casar – Bárbara Machado

Ler livros do gênero Chick-Lit nunca foi exatamente o meu forte. Não que eu não goste dos livros do gênero, mas sempre tenho a sensação de mais do mesmo da qual não consigo me livrar e acabo me decepcionando um pouco. Contudo, ao ler Antes de Casar da Bárbara Machado (convencidíssima pela Vivi do O Senhor dos Livros) fiquei apaixonada pela leitura justamente pela autora ir por um caminho que jamais imaginaria.

Título: Antes de Casar | Autor: Bárbara Machado| Publicação Independente | Páginas: 292| Ano: 2016 | Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐| Encontre: SkoobSite da Autora

aea07539b7Sinopse: Catarina era uma jovem mulher que tinha tudo planejado: o casamento perfeito, o homem ideal, finalmente a vida adulta e independente que tanto almejava. Até que, de um dia para o outro, tudo muda: o casamento não passa de um sonho, o príncipe vira sapo e a brutalidade da vida adulta se mostra bem diante de seus olhos. De volta ao mundo dos solteiros, Catarina se redescobre como indivíduo e percebe que, a não ser que se torne tão desapegada quanto os homens que passam por sua vida, seu coração continuará sendo partido. Mas será que suas aventuras entre mesas de bar e festas agitadas podem substituir o antigo sonho de um final feliz? Entre altos e baixos que fazem parte da transição da juventude para a vida adulta, Catarina vai aprender que o amor não é bem como ela imaginava

Eu reconheci, na marra, a importância da autoestima e da dignidade. Finalmente compreendi que a minha felicidade não poderia jamais depender de outra pessoa.

Com uma narrativa leve e dotada de profundas reflexões, Bárbara Machado conduz um livro com bastante humor sem jamais perder a verossimilhança com o mundo em que vivemos. Acredito que esse tenha sido um dos meus pontos favoritos na obra, pois a autora se preocupou em dar o tom de realidade ao livro que instantaneamente aproxima-nos da protagonista. Além disto, a ambientação do livro na cidade de Vitória no Espírito Santo dá um charme a mais a história, não só de reconhecimento por se passar em nosso país, mas pelo status cidade do interior que poucas vezes vejo na literatura brasileira contemporânea.

Mas o que mais me deixou encantada pelo livro de Machado, foi a protagonista Catarina. por diversos motivos que vão desde a construção da personagem até os ensinamentos que ela vai acumulando ao longo da história. De primeira, é interessante notar como esta não se prende a esteriótipos, que na verdade não dão as caras no livro. Simpática e bem-humorada, Catarina é fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis e tantas outras séries que fazem a cabeça do mundo geek. Mas isso não significa que Catarina seja tímida – espírito comum as mocinhas que apresentam tais gostos – mas justamente ao contrário. Espontânea, ama sair com os amigos e ir aos bares de sua cidade. O que imprime na personagem um tipo de personalidade diferente e fascinante.

37419057_2077458305638069_2488810931010666496_nDentre todos os ensinamentos que Antes de Casar tem a oferecer, o mais importante e o mais relevante para em nossa atualidade. é o papel da mulher dentro de um relacionamento, mas principalmente para consigo. Catarina antes era dependente do namorado, a ponto de mudar aspectos de sua personalidade para agrada-lo. A grande sacada do livro, se dá quando Cat começa a perceber que um homem não pode ser mais importante que ela e que se alguém for amá-la deve ser como ela é. Esse tipo de perspectiva – principalmente para mim que tenho as relações de poder no namoro como um dos meus objetos de estudo – é essencial como respirar. Catarina aprende o que todas as mulheres deveriam saber, que nenhum homem nem ninguém devem ser mais importantes que nós mesmos.

Abrasador e de certo modo imprevisível – sério, eu praticamente não adivinhei nada do que estava por vir – Antes de Casar é uma leitura necessária a todas as pessoas independente do sexo. Um livro que nos mostra que nos amar antes de amar os outros e tê-los como pontes de felicidade mas não objeto único desta, é o caminho mais certo para o alcance da plenitude e da felicidade.

(Resenha) A Rainha Exilada – Cinda Williams Chima – Livro 02

Com tantas séries de livros que bombam no mercado editorial, é estranho ver uma tão boa quanto Os Setes Reinos sendo esquecida no churrasco. Cinda Williams Chima conduz uma obra maravilhosa que não só traz tudo que uma boa fantasia precisa, como também consegue ir além.

Essa resenha não conterá spoiler do livro anterior.
Para garantir isso pule a sinopse.
Título: A Rainha Exilada| Título original: The Exiled Queen | Série: Os Reinos 02 | Autora: Cinda Williams Chima | Editora: Suma dos Livros | Páginas: 2014 | Ano: 456
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Skoob | Amazondownload.png

Sinopse: Assombrado pela perda de sua mãe e irmã, a jornada de Han Alister rumo ao sul começa com seus estudos na Academia Mystwerk em Vau de Oden. Mas partir de Fells não significa que o perigo ficou para trás. Han é caçado a cada passo do caminho pelos Bayar, uma poderosa família de magos decidida a reaver o amuleto que Han roubou deles. E a Academia Mystwerk apresenta seus próprios perigos. Lá, Han conhece Corvo, um mago misterioso que concorda em ser seu tutor nas artes negras da feitiçaria – mas a barganha que eles fazem pode levar Han a se arrepender. Ao mesmo tempo, a princesa Raisa ana’Marianna foge de um casamento forçado em Fells, acompanhada de seu amigo Amon e seus cadetes. Agora o lugar mais seguro para Raisa é a Academia Wein, a academia militar de Vau de Oden.

Aquela era a questão. No mundo dos sangues azuis, seu inimigo jantava e dançava com você, falava bonito na sua frente enquanto dava a volta para esfaqueá-lo pelas costas.

A série d’Os Sete Reinos faz parte do gênero fantasia com certo louvor. Eu sou uma pessoa relativamente chata (leia-se insuportável) e quando encontro livros de determinados gêneros, costumo esperar certas coisas dele. Ultimamente, tenho percebido certas tendências dos autores de esquecerem determinado enredo para favorecer o romance. Não que eu tenha algo contra romance, mas histórias de romance por romance sempre me deixaram irritada. Por esse motivo ao ler o segundo livro da série saio com a sensação de realmente ter valido a pena ter dado chance a essas obras.

Cinda Williams Chima tem uma escrita poderosa. A autora trabalha bem sobre situações, locais e emoções misturando tudo, mas sem deixar que uma sobreponha a outra. Talvez seja a escrita o que eu mais gosto nos livros da autora pois ao ler, realmente me sinto parte da história que está sendo contada. Mas apesar disso, tenho que admitir nessa obra em específico a autora se perdeu um pouco. Cinda determinou boa parte das primeiras páginas para falar de cavalos e viagens, onde boa parte do conteúdo não tinha muita relevância dentro da história. Contudo, isso não tira a magia do livro. Apenas reduz a agilidade com o qual a leitura poderia ter transcorrido mantendo o foco do leitor em toda a obra.

Na construção dos personagens, Chima também consegue revelar ainda mais características de Han e de Raisa. Apesar de ainda não cair de amores pela princesa-herdeira de Fells, enxerguei nela uma grande evolução como pessoa e como personagem. Raisa parece mais disposta a tomar as rédeas de sua vida e não deixar-se controlar pelo destino. De certo modo, ela caminha para se tornar mais forte e empoderada deixando a garota mimada que um dia foi para trás. Han (que praticamente tomou este livro para ele) também está crescendo dentro da obra. Mas de certo modo com uma personalidade dúbia. Não tenho certeza se Han é um vilão, um herói ou ambas as coisas. E claro que é isso que mais gosto nele. Nunca gostei de personagens maus de mais ou bonzinhos de mais. Extremos não existem, mas sim pessoas que acertam e que erram independentemente de serem boas ou ruins.

Para o enredo principal, A Rainha Exilada conseguiu se sobressair ao primeiro. Na finalização d’O Rei Demônio, eu não fazia ideia de aonde a autora queria chegar pois as informações mais relevantes foram introduzidas na última página. Mas nesse livro, as coisas foram acontecendo em uma bola de neve que culminaram para chocar-se com uma encruzilhada deferindo todos caminhos pelos quais a autora quer percorrer. E para tanto, a autora insere romance, ação, medo, amizade e todos sentimentos que estão atrelados a vida de Raisa e Han.

A Rainha Exilada não foi um livro perfeito, mas uma continuação excelente para uma série que promete impactar corações. Cinda Williams Chima constrói um livro sobre escolhas onde a forma de agir é o que determina o destino que iremos ter.

( Resenha ) O Último Adeus – Cynthia Hand

Em uma obra sobre superação. Cynthia Hand consegue tocar o coração ao apresentar os medos de um coração partido. O Último Adeus é um relato profundo sobre seguir em frente mesmo quando tudo parece acabado.

Título: O Último Adeus | Título original: The Last Time We Say Goodbye | Autora: Cynthia Hand | Editora: Darkside | Páginas: 352 | Ano: 2016
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤ | Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

o ultimo adeusSinopse: O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante. O Último Adeus é sobre o que vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você. Lex busca uma forma de lidar com seus sentimentos e tem apenas nós, leitores, como amigos e confidentes.

“Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio.”

Antes de ler O Último Adeus de Cynthia Hand, eu nunca havia tido contato com a escrita da autora e nem sequer passou pela minha cabeça a fazer a leitura da obra. Até que um belo dia, o livro “sorriu” convidativamente e mergulhei nas páginas e nas palavras da autora. Cynthia me presentou com uma escrita madura que me emocionou bastante, e mesmo achando que a obra poderia ser melhor, a leitura ainda sim foi incrivelmente satisfatória pois teve um significado especial na minha vida.

Narrado em primeira pessoa no presente e no passado, o livro tem uma narrativa densa de sentimentos. Apesar de gostar de boas descrições de cenários, para dramas eu dou muito mais valor a carga emocional que o livro em si consegue acarretar. Por isso, a narrativa de Hand é feliz pois consegue passar um nível de drama que deixa a história crível já que os sentimentos de Alexis são muito bem explorados. Muito embora tenha gostado do estilo narrativo, ao final da obra senti que certas questões ficaram sem um desfecho propriamente dito o que atrapalhou minha relação com o livro.

“O tempo passa. É a regra. Independentemente do que aconteça, por mais que pareça que tudo em sua vida está congelado em um determinado momento, o tempo segue em frente.”

Sobre os personagens, apesar do clichê de garotos nerds e populares típicos do Estados Unidos (aparece com tanta frequência que não é possível que seja só invenção, certo?), eles foram bem construídos. Nenhum deles apresentava características exageradas de ser muito de uma mesma coisa: bondoso de mais, inocente de mais, mau de mais. Eles estavam equilibrados de modo que não somente parecessem reais, como também possuíssem conflitos reais.

Alexis Riggs foi minha personagem favorita. Não somente por ela narrar a obra, mas pelas incerteza que apresentou e que tinham grande relevância dentro do contexto. Muito embora não me identifique com Alexis, acreditei nela e na sua dor de modo que senti uma grande empatia pela personagem. O mesmo pode-se dizer de sua mãe, Jill, destruída pela morte do filho. As cenas envolvendo ambas foram emocionantes e profundas de modo que até meu coração de pedra foi alcançado ficou emocionado.

“Meu irmão estava morto. Minha mãe estava viva. De muitas maneiras (as rosas cor de pêssego, o caixão de mogno que combinava com a mesa de casa, a música, a passagem bíblica, a comida), ela havia planejado que o funeral dele fosse o dela.”

Mas apesar dos personagens conquistadores, meu ponto favorito da história foi o sentimento que envolvia Tyler – o irmão de Lex – e toda a questão que envolveu seu suícidio, pois o rapaz parecia ter tudo: era popular, tinha uma linda namorada e jogava basquete muito bem. Então não havia motivos aparentes para que ele decidir se matar. E acredito que esteja aí o grande POR QUÊ do livro. Hand nos mostra que felicidade é uma questão de aparência e ser feliz é algo não podemos simplesmente visualizar e supor nas outras pessoas. Qualquer um está sujeito a infelicidade, mesmo aqueles que parecem ter as melhores oportunidades. O grande lance é tentar perceber atitudes, mas principalmente nos manter do lado daqueles que amamos.

O Último Adeus é um livro emocionante sobre perdão, amor e família. Eu indico essa obra a todos que quiserem um choque de realidade sobre o que é felicidade e como os medos podem nos levar a destruição. Mas principalmente é um livro sobre seguir em frente, mesmo quando o caminho parecer incerto e desolador. Afinal, mesmo sendo um grande clichê é certo que depois de toda tempestade podemos encontrar um arco-íris por mais fraco que ele seja.

( Resenha ) P. S. Ainda Amo Você – Jenny Han – Livro 02

A inesquecível Lara Jean está de volta em mais um romance fofíssimo sobre amadurecimento ao qual deverá lutar contra as próprias inseguranças.

Título: P. S. Ainda Amo Você | Título original: P.S. I Still Love You | Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei #02 | Autora: Jenny Han | Editora: Intrínseca | Páginas: 204Ano: 2016 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Amazon| Saraiva

transferir (1)Sinopse: Lara Jean sempre teve uma vida amorosa muito movimentada, pelo menos na cabeça dela. Para cada garoto por quem se apaixonou e desapaixonou platonicamente, ela escreveu uma bela carta de despedida. Cartas muito dela, muito pessoais, que de repente e sem explicação foram parar nas mãos dos destinatários. Em “Para todos os garotos que já amei”, Lara Jean não fazia ideia de como sair dessa enrascada, muito menos sabia que o namoro de mentirinha com Peter Kavinsky, inventado apenas para fugir do total constrangimento, se transformaria em algo mais. Agora, em “P.S.: Ainda amo você”, Lara Jean tem que aprender como é estar em um relacionamento que, pela primeira vez, não é de faz de conta. E quando ela parece estar conseguindo, um garoto do passado cai de paraquedas bem no meio de tudo, e os sentimentos de Lara por ele também retornam. Uma história delicada e comovente que vai mostrar que se apaixonar é a parte fácil: emocionante mesmo é o que vem depois

“Eu posso ver agora que é as pequenas coisas, pequenos esforços, que mantêm um relacionamento. E agora eu sei também que, de alguma medida que eu tenho o poder de machucá-lo e também o poder de torná-lo melhor. Esta descoberta me deixa com um inquietante, estranho tipo de sentimento em meu peito, por razões que não posso explicar.”

É impressionante como Jenny Han consegue transmitir verdades sobre a vida como ela é. Eu amo seus livros e com certeza quero ler bem mais da autora nos próximos anos. Ela consegue resgatar em mim os sentimentos da minha adolescência, pois por ser uma garota comum, nunca me considerei exatamente bonita e sempre tive alguns probleminhas de insegurança que já superei (amém!). Por isso, ao me deparar com P. S. Ainda Amo Você fiquei surpresa ao me identificar tanto com Lara Jean. Se antes eu já gostava e muito da protagonista da série iniciada em Para Todos Os Garotos Que Já Amei, agora eu a percebo como uma verdadeira amiga ao qual eu poderia trocar inúmeras confidências.

Você não pode estar ligado a alguém, não realmente, com segredos entre vocês.

Narrado em primeira pessoa, meu único problema com este livro foi a demora dos acontecimentos. Eu senti falta de mais mobilidade na narrativa pois ela parecia estática e consequentemente bastante lenta. Por outro lado, isso abriu espaço para as reflexões de Lara Jean acerca do que daquilo que estava acontecendo. É claro que isso ajudou a aproximação com a protagonista, mas também deixou a leitura morna e muitas vezes me vi tentada a abandonar o livro. Mas é obviamente não abandonei, e consequentemente gostei muito da leitura.

“Como globos de neve, você agita eles para cima, e por um momento tudo está de cabeça para baixo e brilho em todos os lugares e é apenas como mágica, mas, em seguida, tudo se instala e vai voltar para onde ele deveria estar. As coisas têm uma maneira de se acomodar.”

O que eu mais gosto nos livros de Jenny Han, principalmente essa série em questão é a forma com o qual a autora consegue assumir o papel de adolescente e nos transportar para as indecisões daquela época. Através de Lara Jean, não somente os conflitos do primeiro amor (aquele friozinho na barriga) são questionados, mas também a maneira com o qual nos relacionamos com o mundo.

De modo sútil, ao entendermos Lara Jean também caminhamos ao encontro de nós mesmos e as nossas convicções. Lara Jean é doce e inocente, mas não realmente ingênua. Ela percebe as coisas, apenas não sabe lidar com elas, de modo que Han não somente nos mostra descobertas, como nos coloca diante de situações. O que é magnifico já que aqui entram também o segredo do sucesso de suas obras: dar a todos (meninos, meninas, homens, mulheres, idosos e crianças) alguém com quem se identificar e quem sabe não se sentir tão sozinho em relação aos experiências do presente, do futuro e do passado.

“As pessoas entram e saem de sua vida. Por um tempo eles são o seu mundo; eles são
tudo. E então um dia eles não são. Não há como dizer quanto tempo você vai tê-los por perto. É as despedidas que são difíceis.”

Apesar da inclusão de um triângulo amoroso (mais um!) e de algumas atitudes questionáveis dos personagens, mais uma vez Jenny Han conseguiu escrever um livro que demonstra sua capacidade de alentar o leitor. P. S. Ainda Amo Você é uma história linda que eu super indico a todos aqueles que querem revisitar o passado, mas principalmente encontrar alguém que não julgue e compreenda perfeitamente a pessoa que você foi, é ou poderá ser.

(Algo À Ver) Todo Dia – Michael Sucsy

Uma história de amor bonita sobre encontrar alguém que valorize cada pedacinho de quem nós somos. Em tempos onde ser adolescente em um mundo onde os esteriótipos são valorizados, um filme como Todo Dia carrega significados belos para a conquista de autoconfiança.

Título: Todo Dia | Título original: Every Day | Direção: Michael Sucsy | Elenco: Angourie Rice, Justice Smith and Debby Ryan | Duração: 98m | Ano: 2018 | Distribuição: Paris Filmes | Avaliação: 🎬 🎬 🎬🎬every day

Sinopse: O filme, baseado no livro homônimo de David Levithan, conta a história de Rhiannon (Angourie Rice) uma garota de 16 anos que se apaixona oi por uma alma misteriosa chamada “A” que habita um corpo diferente todos os dias. Sentindo uma conexão incomparável, Rhiannon e A trabalham todos os dias para encontrar um ao outro, sem saber o que ou quem o próximo dia irá reservar. Quanto mais os dois se apaixonam, mais as realidades de amar alguém que é uma pessoa diferente a cada 24 horas afeta eles, levando o casal a enfrentar a decisão mais difícil que eles já tiveram que tomar.

Antes de assistir Todo Dia, meio que passou pela minha cabeça ler o livro de David Levithan. Mas deixa eu contar uma coisa engraçada: muitas vezes prefiro assistir filmes baseados em livros antes de realizar leituras. Okay, isso é super estranho eu sei, mas acontece que os filmes costumam me dar o gás que faltava para a leitura ou me desmotivar totalmente. Porque mesmo sabendo que não existe filmes idênticos a obras pelas diferenças no estilo de produção, muitas vezes o teor original é mantido e tais inquisições me dão certa garantia de gostar ou não de determinado livro. Ao assistir Todo Dia o efeito foi totalmente positivo apesar do filme nem tanto. Por achar a película rasa e um tanto mal explorada em determinados aspectos, agora sinto uma vontade imensa de ler o original e quem sabe ganhar explicações mais fortes sobre a história.

Todo Dia tem uma boa direção que entre parte bem humoradas, reflexões e o sentimental consegue dar fluidez a história que esta sendo contada. O diretor Michael Sucsy tem uma pegada um tanto minimalista ao qual mesmo não inovando na condução do filme, consegue, através da fotografia aliada e sonoplastia transmitir sua mensagem. Em um esquema de cores básico, que vai do mais claro ao mais escuro, o filme traduz o amor e as mudanças ao qual os protagonistas passam ao longo da película como forma de deixar o espectador mais próximo dos sentimentos do personagem. Tal recurso ajudou bastante a criar o clima do filme e as sensações que somos levados a ter.

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Mas apesar da boa direção, a produção de elenco não é favorável tendo as atuações não compatíveis com o grau que estava sendo apresentado. Angourie Rice parece desconfortável na pele de Rhi e não chega a transmitir grandes emoções. A atriz é pouco expressiva o que dificulta o emaranhamento do receptor com sua personagem. Já os diversos atores que interpretaram A apesar de manterem algumas características fundamentais de personalidade, pecam no uso dos trejeitos e entonações de voz que não convencem a serem as mesmas pessoas. Claro existe um entendimento tácito claro na narrativa que A tenta não modificar (muito) a vida daqueles que “toma”. Mas deve-se ressaltar que personalidade é algo particular de cada alma, sendo assim é bem estranho observar as mudanças quem A é sofre em favor das mudanças de corpo.

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Apesar desse fator negativo crucial, Todo Dia apresenta boas lições de amor e autoconfiança quando nos concentramos em Rhiannon e na gradativa mudança que apresenta a medida que o filme se desenrola. É interessante perceber como Rhiannon ganha mais personalidade a medida que se valoriza como ser humano e como mulher. O Sua trajetória é feita para que adquira um descobrimento de si mesma. Se antes existia uma menina incapaz de se impor, agora existe uma mulher decidida a lutar pelo que deseja.

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Indico a todos que desejam um romance bonito que nos faz sair de nossa realidade, mas informo para que não o assistam se tiveram grandes expectativas já que Todo Dia não chega ser um filme marcante, mas ousa trazer pequenas metáforas e grandes questionamentos sobre se apaixonar verdadeiramente quando aprendemos a amar e não uma aparência.

(Livrosofia) Fantasia

Oii Corujinhas. Depois de longos posts sobre gêneros finalmente chegou o momento de falar separadamente de cada um. É provável que eu fale somente dos gêneros que tem maior destaque entre todos os subgêneros do romance pela quantidade de conteúdo que apresentam. Mas acredito que eu vá falar um pouco sobre as variações de cada gênero nos posts referentes a eles. Entretanto… Vamos deixar para mais tarde.

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O subgênero Fantasia esta dentro do gênero ficção que é divido entre fantástico, cientifico e horror e é definido pelo uso de fenonemos não existentes em nosso mundo como o sobrenatural e seres mágicos sendo estes como elemento primário do enredo, tema ou configuração. Vocês devem se lembrar da postagem que fiz falando um pouco sobre subgêneros, mas tenham em mente que essa classificação é refletida de modo não tão frequente na história. Aquilo que aparece em primeiro plano, como localização e narrativa é que denomina o gênero principal ao qual uma determinada obra pertence.

Harry Potter DobbyEm muitas obras dentro da Fantasia há existência de criação de mundos mágicos, itens ou fenômenos que permitem a diferenciação entre um mundo real e o imaginário. Para distinguir uma fantasia dos gêneros científicos e horror, deve-se perceber a expectativa ao qual se dirigi os temas onde o da ficção fantástica está mais voltado a intrigas e a personagens heróicos. Não enquadrado dentro de parâmetros da literatura, as ações fantásticas  acontecem em divergências as noções de realidade muito embora não seja regra. Na saga Harry Potter, por exemplo, as cenas mágicas acontecem também dentro de mundos não ficcionais sendo eles parte de nossa sociedade. Em muitos casos existem explicações de intervenções divinas, magia ou de outras formas sobrenaturais.

game-of-thrones-season-7-fan-posters-16.jpgEm outros casos, naquilo que é chamado de Alta Fantasia, a história acontece em um mundo fantástico completamente diferente do nosso em que as leis naturais do nosso mundo não regem, em suma maioria o mundo imaginário. É interessante perceber que na alta fantasia, na criação do novo mundo sempre existe a junção de três pilares semelhantes ao nosso sendo eles a politica, a religião e a formação da sociedade. Muito embora quase todas as fantasias compunham seu mundo sob os parâmetros da monarquia, o modo com o qual a política, a religião e a sociedade se dividem é próprio. Tomando As Crônicas de Gelo e Fogo por exemplo, George R. R. Martin faz sua narrativa sobre a forma mediaval. Contudo, cada reino, mesmo tendo que ser fiel a coroa, está muito mais ligado a seu soberano do que ao rei. Assim como a religiosidade que muda de um continente para outro.

5538001bc8da644b4e16a46ef7f637c3A característica mais marcante da fantasia é a independência total da ciência ou tecnologia como conhecemos. Nos livros de fantasia, muitos universos possuem sua própria ciência ou simplesmente não se prendem a conceitos reais. Apesar disso, é difícil fazer classificalção completa desse gênero pela versatilidade que as obras apresentam por apresentarem elementos de outros. Muitas fantasias podem ser confundidas com romance ou com horror, como é o caso de A Hospedeira aos quais muitas pessoas o determinam como pertencente a ficção cientifica, muita embora a tecnologia utilizada pelas Almas (alienígenas) sejam próprias deles o que extingue essa possibilidade e classifica a obra como ficção fantástica.

Apesar das variações, posso dizer que a Fantasia ou Ficção Fantástica é meu gênero favorito pois o vejo como o mais completo de todos. Muito embora o romance tenha bons personagens e o suspense gratas surpresas, ler uma Fantasia me causa uma emoção diferente por ter tudo isso aliado a acontecimentos políticos e novos mundos. São coisas que acredito fazerem a diferença dentro de uma obra pela inovação proporcionada. Dentre os temas abordados, a entonação entre o bem e o mal parece sempre ganhar maior destaque. Mas aquilo que faz uma Fantasia ser bem mais forte é o estimulo de entender como, reféns ou não de poderes mágicos e criaturas sobrenaturais, estamos dispostos a lutar com unhas e dentes por aquilo que acreditamos.

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Espero que tenham gostado Corujinhas. Em breve vou trazer bem mais gêneros para vocês. Caso vocês tenham preferencias sobre quais gostariam de ver primeiro por aqui, basta deixar nos comentários que vou amar mostrá-las para vocês.

Beijos.