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(Algo À Ver) Os Incríveis 2 – Brad Bird

Quem me conhece, sabe que eu tenho um amor incondicional por animações. Não importa qual seja, basta ter uma boa história que é capaz dela entrar na minha lista de favoritos. Mas apesar disso, acredite ou não, esta leitora-cinéfila que vos fala, não esperou 14 anos pela continuação de Os Incríveis contrariando a perspectiva geral. Isso porquê, diferente da maioria das pessoas, não faço questão de continuações quando os primeiros filmes são realmente muito bons.

O motivo é o evite de decepções, já que – a não ser em raras exceções – elas estão atreladas a nostalgia. Se por um lado as lembranças de um bom filme nos faz pensar nele com carinho, por outro também implica em uma inevitável comparação. E muito embora eu não tenha detestado a continuação mais esperada do ano no mundo das animações, também não posso dizer que ela superou a sua origem.

Título: OS Incríveis 2 | Título original: The Incredibles | Direção:  Brad Bird | Duração: 119m | Ano: 2018 | Distribuição: Walt Disney Pixar Studios | Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬

y3EEb7o6NxK0pl0WsOswCos663y.jpgSinopse: No segundo filme de Os Incríveis, a família Pêra esta ameaçada pelas mesmas questões que os levaram a se esconder. As pessoas acreditam não precisam de heróis que causam mais destruição do que salvamentos. Quando tudo parece estar indo por água abaixo, Helena é chamada de volta para lutar contra o crime como a super heroína Mulher-Elástica. Desse modo, caberá ao seu marido, Roberto, a tarefa de cuidar das crianças, especialmente o bebê Zezé. O que ele não esperava era que o caçula da família também tivesse poderes, tornando sua tarefa ainda mais complicada. Além disso, Roberto não deixa de se perguntar se realmente sua missão é cuidar das crianças e não sair por aí salvando o mundo. 

Os estúdios da Pixar ao longo dos anos, têm demonstrado uma característica que parece faltar aos outros: são apaixonados pelo que fazem e sempre almejam traçar o seu melhor. Mas o que diferencia a Pixar dos demais é capacidade quase inata que têm de levantarem críticas sociais através dos gestuais infantis. Com sagacidade e sutileza, Os Incriveis 2 retrata um bom número de levantes contra a humanidade e o que ela está se tornando. As duas maiores são o preconceito e o machismo enraizados em qualquer lugar, mesmo entre as mais poderosas pessoas.

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A premissa inicial do filme é uma velha conhecida, ainda mais se você é fã da Marvel ou DC Comics. Os heróis não são bem vistos pela sociedade, mas sim rechaçados pelas suas diferenças que não deixam de ser meramente culpa da biologia. Num mundo governado por pessoas comuns, tudo aquilo que é diferente é rebaixado a inferior. Por esse motivo, a família Pêra precisa se esconder e viver uma vida simples sem demonstrar seus poderes. Afinal de contas, a sociedade ao qual almejam proteger não está interessada em ficar a mercê daqueles que não podem controlar.

Baseada nessa primeira crítica, que é a premissa geral da história, surge a segunda. Helena é chamada para trabalhar como Mulher-Elástica e assim, quem sabe, conseguir restaurar a legalidade dos heróis. O problema é Beto que não fica satisfeito pela esposa estar trabalhando de modo que ele tenha que ficar em casa e cuidar das crianças. Então a Pixar inverte a situação apresentada no primeiro filme para acompanhar o ciclo revolucionário atual das questões de gênero. Se antes Beto era o herói-protagonista, hoje Helena que desempenha essa função e caberá ao marido (seu forte e imponente marido) cuidar de Violeta, Flecha e Zezé. É seguro dizer que a Pixar vai ainda mais longe do mero machismo que envolve toda a questão de quem trabalha vs quem sustenta a casa: o diretor, Brad Bird, procura demonstrar que as tarefas domésticas são igualmente difíceis ao salvamento da pátria, o que é comumente tratado como algo fácil. Com isso, Bird demonstra que os papeis de esposa e marido são igualitários, não sendo o gênero que influencia sobre eles.

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O filme se equilibra entre as cenas de ação e vida cotidiana. A qualidade técnica da obra é impressionante. Com uma boa mistura de cores e texturas, o filme garante ótimos efeitos visuais acompanhado de uma bela sonoplastia. Mas muito a qualidade técnica deva ser louvada, o mesmo não pode-se dizer do roteiro que apresenta uma única falha, porém bastante considerável.

A apresentação do vilão tem se tornado batida. Ou você introduz de cara o personagem  malvado (a exemplo de A Origem dos Guardiões), ou a pessoa gentil se mostra como vil. Tal obviedade aparece nessa película – mas não irei afirmar qual – o que reduz a surpresa para o comum retirando parte da magia. Contudo, isso não é suficiente para tirar todo o encanto da obra, apenas para deixar um certo sabor amargo misturado ao doce total.

Os dois principais personagens de alívio cômico, o bebê Zezé e a estilista Edna Moda, tem pouca participação dentro do enredo principal, mas não considero isso um problema. Em mais uma comparação, Edna se assemelha aos Minions presentes em Meu Malvado Favorito (Universal Pictures). Sua graça esta em roubar a cena. Tanto que no primeiro filme sua aparição minúscula fez sucesso pelas frases icônicas e a irreverencia. Já Zezé, que pelo teaser sabíamos que teria mais destaque nessa película que na anterior, aparece bastante mas não de maneira fundamental ao enredo. Entretanto, a posição de Zezé na história pode ser facilmente alegada pela sua idade. Zezé não passa de um bebê de modo que não devemos esperar uma decisão incrivelmente inteligente  e estratégica de sua parte.

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Outro ponto que merece destaque é a dublagem brasileira. Certas piadas que foram realizadas pelo roteiro original não seriam tão facilmente entendidas pelos nacionais. Deve-se lembrar que o público alvo da Pixar é também o infantil de modo que piadas sobre o Texas e a Oprah não fariam muito sentido pra maioria nossas crianças (e para boa parte dos adultos também). Dessa maneira, posso dizer que foi uma decisão acertada da dublagem em mudar o sentido original e torna-la mais próxima dos receptores garantindo o lado cômico que envolve a obra.

Os Incríveis 2 não foi a melhor das continuações, mas ainda sim vale super a pena assistir pelas criticas sociais, piadas, cenas de ação e até mesmo pela nostalgia. O filme não surpreende, mas também não foi uma decepção. Os Incriveis 2 consegue, pelo bem e pelo mau, ser muito mais que apenas extramente divertido.

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A Noiva Devota – Mari Scotti – Os Hallinson – Livro Dois.

Nascer um Hallinson jamais foi tão promissor como em sua geração, no entanto, carregar esse sobrenome era ao mesmo tempo uma dádiva e uma maldição para os herdeiros do amor lendário de Mical e Octávio. Tudo porque Madascocia tornou-se a cidade do casal que venceu uma maldição. Muitos curiosos passaram a visitá-la em busca de felicidade, amor eterno, casamentos duradouros e a solução para seus dilemas. Além das inúmeras superstições como passar pela sombra de um Hallinson; lançar cartas ao rio Llyin que corta a Mansão de Bousquet; as donzelas e matriarcas almejavam matrimônio com um dos jovens herdeiros. Tentando adiar ao máximo esse desfecho, Samuel prolongou os estudos, mas, a saudade de uma donzela o faz retornar para casa antes do previsto. É em um baile que todos os seus planos de a cortejar ruem. Flagrado em uma situação comprometedora, vê-se obrigado a se casar. Ela sempre soube como se esconder da sociedade, como passar desapercebida entre as pessoas e não chamar atenção. Não que fosse complicado, ela era a mais nova das filhas, a menos formosa de sua casa. A que nasceu com uma ofensiva deficiência. Por acreditar que jamais seria notada, Rosalina guardou um grande segredo: seu amor por Samuel Hallinson. O que ela não esperava era cruzar o caminho do rapaz em um dos momentos mais constrangedores de sua vida e mudar seus destinos bruscamente.

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A certa altura desse ano, publiquei uma resenha afirmando que Montanha da Lua – A Maldição dos Hallisons era meu livro favorito de Mari Scotti. Esqueçam. Mudei de opinião com esta obra fantástica da escritora que me proporcionou. Um livro apaixonante. Desde os personagens até mesmo os locais descritos por Mari Scotti, pude sentir tudo culminando para um final que me deixou satisfeita e com um sorriso bobo no rosto.

Como todos que já tive o prazer de ler autora, o livro é leve por ter uma escrita fácil de ser lida. As palavras vêm em quantidades certas tanto para descrever os lugares, como os acontecimentos e também as emoções dos personagens, presentiando o leitor com um delicioso ritimo de leitura. Apesar de já saber o final, fiquei me perguntando como dois jovens tão distantes um do outro poderiam se apaixonar. Distantes, pois apesar de Rosalina ser apaixonada por Samuel desde criança e este frequentar sua casa, o rapaz  não lhe vê como mulher, e pior, é apaixonado pela irmã da moça. Assim, logo nos primeiros capítulos, já estava entusiasmadíssima pela leitura que só foi crescendo a medida que o livro se desenrolava.

A maioria das obras românticas de época tem a mesma característica: um acontecimento que gere um acordo ou proposta que obrigue ambos os protagonistas a conviverem. A diferença que fez do livro de Scotti ser tão bom para mim, foram os personagens. Pois como leitora fanática deste gênero a situação constrangedora que levou Rosalina e Samuel a conviverem é quase  corriqueira pela infinidade de vezes que já vi requisitada nas obras. Porém a maneira com que o casal reagiu a ela, assim como ambas as famílias, é que me chamou a atenção. Afinal esperava ou tiros imediatos ou alianças imediatas. E nenhuma das duas coisas aconteceu. Porque Rosalina amava Samuel o suficiente para não querer faze-lo infeliz lhe obrigando a casar, como pelo rapaz ter a consciência de só se casar por amor.

Por isso, cada personagem, principalmente os protagonistas me foram especiais. Rosalina por ser tão apaixonada ao mesmo tempo tão sábia para não se deixar iludir pela ideia de um casamento fácil pelo homem que ama e a Samuel por sua mudança gradual de comportamento: ele amadurece como homem a cada capítulo. E também aos personagens secundários que do seu modo contribuíram para tornar a obra completa: Mical, Octávio, Gregório (Hey Mari, eu estou esperando um terceiro livro sobre ele só para deixar registrado!), Isabel… Que me conquistaram ou me reconquistaram ao passar das páginas.

Eu amei este livro. Tanto que li a obra completa em menos de oito horas. Não consegui largar da história até as palavras finais e a certeza que tudo estava em ordem. Todas as minhas expectativas foram atendidas e sinceramente não existe muita coisa melhor que isso. 

Título: A Noiva Devota
Série: Família Hallinsons
Livro: Dois – 02
Autora: Mari Scotti
Editora: Independente
Ano: 2016
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟