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( Resenha ) A Cidade Murada · Ryan Graudin

Minhas aventureiras Corujinhas, abram suas asas para os ventos do oriente pois hoje nossa viagem será pelas muralhas de uma cidade vertical e inóspita para desvendar seus segredos e descobrir o que se esconde sobre a escuridão de seus prédios.

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Título: A Cidade Murada
Título original: The Walled City
Autora: Ryan Graudin
Editora: Seguinte
Páginas: 400
Ano: 2015
Avaliação:⭐⭐⭐⭐⭐❤Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: A Cidade Murada é um terreno com ruas estreitas e sujas, onde vivem traficantes, assassinos e prostitutas. É também onde mora Dai, um garoto com um passado que o assombra. Para alcançar sua liberdade, ele terá de se envolver com a principal gangue e formar uma dupla com alguém que consiga fazer entregas de drogas muito rápido. Alguém como Jin, uma garota ágil e esperta que finge ser um menino para permanecer em segurança e procurar sua irmã. Mei Yee está mais perto do que ela imagina: presa num bordel, sonhando em fugir… até que Dai cruza seu caminho.
Inspirado num lugar que existiu, este romance cheio de adrenalina acompanha três jovens unidos pelo destino numa tentativa desesperada de escapar desse labirinto.

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Conheci o livro A Cidade Murada através do canal do Victor Almeida, o Geek Freak. Apesar da capa horrosa e sem graça, o título despertou minha curiosidade pois realmente quis descobrir o que era a cidade murada e que tipo de segredos ela guardava. O que não podia esperar era que a história fosse ser tão real. Imaginava que seria uma ficção, mas encontrei um drama arrebatador sobre a humanidade.

A premissa da história é forte, mas é interessante ver como a autora não pesa na narrativa fazendo-a transcorrer livremente mas abastecida de significância. Fluída como água, Graudin expõe detalhes e sentimentos como poucas autoras na atualidade conseguem fazer. Uma coisa não se sobrepõe a outra e vice-versa. Existe um equilíbrio perfeito ao qual pequenos espaços surgem para serem preenchidos com respostas mais a frente. Isso acontece com tanta autoridade que o livro de 400 páginas têm peso de 200. Demorei apenas um dia para lê-lo, o que foi maravilhoso já que este é um daqueles livros para serem lidos de uma vez.

Narrado em contagem regressiva, a história se desenrola sem pressa e sem lerdeza contando a história de três diferente jovens. Mas basta aprofundar na leitura que percebe-se que o foco da autora não é realmente contar sobre suas vidas, e sim conta como suas vidas foram modificadas pelas muralhas de Khan Nam. A cidade está viva ganhando espaço para surgir como uma força avassaladora. Estamos em um mundo impermeável aos horizontes, criando suas próprias leis. Desse modo, o submundo das drogas e do tráfico presentes em nosso mundo ganham imersão em Khan Nam se tornando a primeira camada.

Nesse cenário devastado e esquecido surgem os personagens principais que apesar de novos (15-18 anos) são marcados por seus passados. De todas as coisas que me chocaram no livro, foi a realidade quase perfeita com o qual Graudin conseguiu trabalhar os três. Mesmo que não baseadas em fatos, os três enredos foram minimamente embasados no que sabemos sobre o mundo. Temos duas irmãs que sofriam nas mãos de um pai irado e bebado obrigadas a se separar, mas sem jamais desistirem uma da outra. E um rapaz rico que precisa enfrentar as consequências de suas escolhas. Dessa forma, realidade e ficção se unem para nos provar o quanto a literatura está próxima à nós.

A Cidade Murada de Ryan Graudin é uma obra para ser lida e absolvida. É uma ficção que transborda a realidade pela força que possuí. Indico essa obra à todos sem excessão, mas principalmente à todos aqueles que precisam de um choque de realidade.

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Curiosidade

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A Cidade Murada é baseada em uma cidade real conhecida como A Cidade Murada de Kowloon que existiu na China antes de ser demolida e transformada em um parque em meados dos anos 1990. Conhecida como a maior favela vertical já existente, a cidade era um grande bloco sólido de edifícios em ruínas, variando em altura possuindo cerca de 33 mil residentes dentro de seu território de apenas 0.3 km².

( Resenha ) A Queda dos Reinos · Morgan Rhodes · Livro 01

Olá Corujinhas. Abram suas e vistam suas armaduras que hoje iremos sobrevoar os reinos de Paelsia, Limeros Aureanos para que nossos mais profundos desejos sejam concebidos.

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Título: A Queda dos Reinos
Título original: Falling Kingdoms
Autora: Morgan Rhodes
Editora: Seguinte
Páginas: 400
Ano: 2013
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

 

Sinopse: Numa terra em que a magia havia sido esquecida e a paz reinara durante séculos, uma agitação perigosa ganha forma quando três reinos começam a lutar pelo poder. Entre traições, negociações e batalhas, quatro jovens terão seus destinos entrelaçados para sempre: Cleo, a filha mais nova do rei de Auranos; Magnus, o primogênito do rei de Limeros; Jonas, um camponês rebelde de Paelsia; e Lucia, uma garota adotada pela família real de Limeros que busca a verdade sobre seu passado. E, A Queda dos Reinos, Morgan Rhodes constrói uma mitologia complexa e fascinante, que mistura amor proibido, intrigas políticas e profecias milenares. Narrado pelos pontos de vista de quatro protagonistas, este é o primeiro volume da série.

A busca pelo poder, pelo poder supremo, é a razão por trás da maioria dos males que o mundo testemunhou.

Conheci A Queda dos Reinos através das minhas googadas na busca por novas ficções. Sempre gostei de procurar por mim mesma novas histórias de modo que fiquei extasiada ao encontrar a capa do livro e ler seu título. Por isso assim que saiu os desafios da #Fantastona2017 logo o encaixei em minhas leituras cheia de expectativas pelo que poderia me esperar já que por não saber de nada sobre a obra — não faço o tipo que lê sinopses — e tudo que eu sabia era apenas mergulharia em um novo mundo contendo. E apesar de não ter achado a história impactante à ponto de tirar o fôlego, também não posso dizer que foi do meu total desagrado. Vi no livro potential que me deu certeza que vou dar continuidade à série.

De todos os pontos que me agradaram nesta a obra, a narrativa que é essencial não foi uma delas. Apesar da leveza e agilidade com que tudo transcorria, o modo com o qual a autora conduziu tudo foi fraco. Houve uma inversão de papéis onde, no que a autora deveria ter evoluído ficou de lado e o que deveria ter sido deixado de lado acabou tomando mais espaço na narrativa. Em uma obra maior e mais densa tal erro poderia ser perdoado pois teria-se dado espaço para a não breveidade das coisas. Mas em um espaço curto de tempo como o que a autora propõe ficaram fora dos eixos. Posso dizer que muita das vezes acabei achando o texto infinitamente infantil, uma coisa que me incomodou bastante durante a leitura. Sempre detestei longos diálogos em virtude provar a razão sobre tudo. Em uma narrativa focada na raiva, a autora usou e abusou dessa característica.

Mas, apesar de ter tido um impacto negativo com esse primeiro encontro com a obra, todo o aspecto restante de sua composição foi agradável. A forma ao qual Rhodes conseguiu aprofundar uma nova mitologia no contexto da obra foi sensacional. Me vi sedenta e expectante pelas respostas aos enigmas deixados pela autor sobre tudo que poderia ser tragado e conquistado pelos personagens. Apesar de, em um contexto inicial certas coisas parecerem refletir uma conclusão clichê e sem graça, Rhodes tomou pelas mãos e recriou dando novas dimensões ao futuro dos três reinos.

Quanto aos personagens, apesar de tê-los achado estranhos devido a infantilidade explicada na narrativa, também enxerguei neles algo mais o que me mostra como o ser humano pode ter duas faces. Cleo, a princesa de Auranos, apesar de toda a arrogância e Insatisfação mostra também um lado disposto à ser mais que uma donzela em perigo. Jonas, um rapaz pobre de Limeros, apesar da raiva e do sentimento de vingança mostra-se inteligente o suficiente para encontrar a justiça acima de tudo. Lúcia esta envolta de doçura, mas isto não significa que ela não tem força para ser forte quando necessário. E Magnus, dentre todos é o mais coativamente pela maneira sofrida ao qual precisa deixar de lado em favor do ódio para não simplesmente sucumbir à ela.

Dessa maneira, A Queda dos Reinos foi um livro que me proporcionou um turbilhão de emoções. Fui levada da raiva à surpresa, e apesar das falhas do enredo não perco minhas esperanças na série. E mal posso esperar pelo próximo volume.

Até mesmo na pessoa mais sombria e cruel ainda há uma ponta de bondade. E dentro do virtuoso mais perfeito também existem trevas. A questão é: a pessoa cederá às trevas ou à luz? É algo que decidimos com cada escolha que fazemos, todos os dias de nossa existência. O que pode não ser maldade para você, pode ser para outro. Saber disso nos torna poderosos mesmo sem magia.

( Resenha ) A Rebelde do Deserto · Alwyn Hamilton · Livro 01

Oii Corujinhas. Abram suas asas, sintam a brisa quente do deserto e preparem seus corações pois hoje vamos voar através do mar de areia. Entre segredos e mentiras, A Rebelde do Deserto vai te levar por caminhos tortuosos e situações fantásticas.

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Título: A Rebelde do Deserto
Título original: The Rabel Of Sands
Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Páginas: 312
Ano: 2016
Avaliação: ⭐⭐⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.

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O instagram é um lugar ótimo para descobrir sobre livros novos. É incrível a quantidade de descobertas por mês e cada vez mais venho me interessando pelas indicações. A Rebelde do Deserto de Alwyn Hamilton é uma dessas descobertas criando em mim curiosidade a seu favor. Apesar do título pouco inteligente, a simplicidade da capa fez saltar em mim aquela nescessidade de ler o livro. Aproveitando a #Fantastona2017 que rolou no instagram em dezembro do ano passado, finalmente contemplei a obra. E apesar de não poder afirmar com todas as letras que essa obra foi perfeita, vejo nela um ótimo enredo repleto de possibilidades maravilhosas.

Uma nova alvorada. Um novo deserto.

A escrita de Alwyn Hamilton têm características boas e ruins dentro de uma só, ou seja, sua narrativa depõe a favor e contra a autora. O ponto positivo é a facilidade com que tudo flui. De maneira pouco detalhista, Alwyn não se entrega a enrolação; tudo acontece pois tem necessidade de acontecer para se ter o efeito dominó onde uma situação leva à outra. O ponto negativo da escrita de Alwyn é, também, o minimalismo. Apesar de gostar da agilidade em que as coisas acontecem, percebo também o vaguismo que o livro acabou se tornando. As cenas se tornaram superficiais e qualquer sentimento se tornou neutro em seus contextos. Tempo é algo essencial dentro de qualquer obra. Assim como não deve ser muito estendido também não pode ser abreviado. A palavra de ordem é equilíbrio.

A garota que aprendeu sozinha a atirar. Até que pudesse derrubar uma fileira de latas como se elas não fossem nada, e a arma fosse tudo.

Toda vez que penso em um livro sobre rebeldia, sempre penso nos personagens insuportáveis que já me deparei pela capacidade enjoativa de quererem sempre serem os donos da razão. Uma das grandes surpresas deste livro, é o fato que Amani foge a lógica da rebeldia sendo absolutamente tudo menos intransigente. Dona de uma personalidade forte e um espírito livre, Amani luta com unhas, dentes, armas e inteligência para se livrar de sua realidade que é no mínimo maldita. E especificamente sua capacidade de pensar antes de agir — na maioria dos casos pelo menos — mostra sua capacidade de evolução em relação a história contada, quanto ao que está por vir nos livros seguintes.

— Você é uma ótima mentirosa. Para alguém que não mente.

A Rebelde Do Deserto é um livro que me empolga para sua continuação. Percebo o grande enredo de crítica e ação que Alwyn Hamilton tem para oferecer em sua história. Posso dizer que espero uma forte evolução de escrita na próxima obra. A trilogia tem tudo para se tornar ainda maior.

| RESENHA | Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven.

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Com uma curiosidade sobre qual seria o dia bom para morrer, Theodore Finch começa o livro. Ele é um adolescente considerando problemático, estranho, talvez pelo o divórcio dos pais, o que arrasou sua mãe e desestruturou completamente sua família. Com uma péssima reputação de rebelde do colégio, abandonado pelo pai (que o espancava quando menor) e morando numa casa onde sua mãe nem sabe onde os filhos estão, Finch é uma bagunça porque vive uma bagunça. Mas, em meio a tudo isso, ele, em alguns momentos, consegue ser engraçado, espontâneo e, aparentemente, feliz. Isto quando não acontece o “apagão”: que é quando ele dorme por vários dias ininterruptos. (O ultimo, em especial, foi o pior, ele dormiu durante o Dia de Ação de Graças, Natal até depois do Ano Novo).

Então, no parapeito da torre de sua escola na pequena cidade onde vive, Finch, de braços abertos, especulando sobre o dia perfeito para morrer, tem um estranho encontro com Violet Markey, uma garota que seria, ao que parece, o extremo oposto de Finch; normal, estável e popular, aparência perfeita, vida perfeita, pais perfeitos, ex-namorado bonito jogador de futebol e popular na escola.

Violet Markante, como Finch a chama, sobreviveu a um acidente de carro que causou a morte de sua irmã, Eleanor, com quem, antes do acidente, escrevia uma revista on-line, eleanoreviolet.com. Desde então, Violet tem evitado estar dentro de um carro e seu talento para a escrita, algo em que se julgava boa, havia sumido. As coisas pareciam difíceis demais para ela e vivia se escondendo em frases como: “circunstâncias atenuantes” e/ou “ainda não estou pronta” e se culpava pela a morte se sua irmã. Ela já não era ela mesma, mas apenas uma casca do que havia sido. Ela estava mudada para sempre.

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Nesse primeiro encontro no parapeito da torre da escola, Violet, assim como Finch, cogitava se lançar, ou pelo menos queria imaginar como seria se o fosse fazer. Depois disso, toda a escola passou a acreditar que ela, Violet Markey, a garota estável e normal, havia salvado a vida de Theodore, o “Aberração”. O que havia sido totalmente o contrário, por que, para os ouros, seria muito improvável que ela estivesse pensado em tirar sua própria vida. Depois deste episódio, numa aula de geografia, o professor propôs um trabalho em que os alunos tivessem que visitar lugares de Indiana em que nunca estiveram e relatar por que eles são incríveis, antes que fossem embora para faculdades em outros lugares. Finch não hesita em mostrar seu profundo interesse em fazer dupla com Violet e assim, durante suas andanças, Violet começa a perder seus medos e exorcizar seus demônios interiores, enquanto se desenrola um lindo e fofo romance entre os dois.

A história é regada de momentos alegres, bonitos, tristes e reflexivos. Tem uma narração dupla feita por Finch e Violet (tenho que confessar, eu amo histórias assim) e uma linguagem fácil, mas com diálogos profundos e inspiradores, quase poética, e, acima de tudo, um desfecho de partir corações e causar lágrimas em qualquer um. Esse, com certeza, foi um dos melhores livros que eu já li.

Título: Por Lugares Incríveis.
Título Original: All The Bright Places
Autor: Jennifer Niven.
Ano: 2016
Editora: Seguinte.
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟