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( Resenha ) A Chama Dentro de Nós · Brittayni C. Cherry · Livro 02

Oii Corujinhas, abram suas asas e preparem seus corações pois nossa viagem de hoje será pelas batidas de dois corações magoados e os caminhos pelos quais eles precisam percorrer para encontrarem a felicidade.

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Título: A Chama Dentro de Nós
Título original:
Autora: Brittainy C. Cherry
Editora: Arqueiro
Páginas: 322
Ano: 2017
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Logan Silverstone e Alyssa Walters não têm nada em comum. Ele passa os dias contando centavos para pagar o aluguel, sofrendo com a rejeição dos pais e tentando encontrar um rumo para sua vida caótica. Ela, por outro lado, parece ter um futuro brilhante pela frente. Um dia, porém, um simples gesto dá origem a uma improvável amizade. Ao longo dos anos, o sentimento que os une se transforma em algo até então desconhecido para os dois. Alyssa e Logan não conseguem resistir à atração que sempre sentiram um pelo outro e finalmente descobrem o amor. Mas uma tragédia promete separá-los para sempre. Ou pelo menos é isso que eles pensam. Seriam as reviravoltas do destino e as feridas do coração capazes de apagar para sempre a chama que há dentro deles.

Ela geralmente estava na igreja, enquanto eu fumava maconha virando a esquina. Ela acreditava em Deus, enquanto eu dançava com demônios. Ela tinha um futuro, enquanto eu de alguma forma parecia preso no passado.

Ler um livro de Brittainy C. Cherry é sempre uma tarefa arduamente emocionante. Muitas vezes somos levados á mundos perigosos onde o “eu”  é o fator de risco  mais alto aos personagens. A Chama Dentro de Nós é uma obra com exatamente essa característica pois  o abuso e as drogas são componentes importantes em seu enredo. Foi um livro tocante que me mostrou não somente os lados mais sombrios da humanidade, como também o que pode florescer mesmo quando tudo parece perdido. Posso afirmar que o segredo desse livro é justamente esse submundo, pois embora alguns personagens e questões tenham ficado inexpressivos na trama, o mundo proposto pela autora foi extremamente bem elaborado.

Cherry é uma das melhores romancistas que podemos encontrar no gênero dramático da atualidade. Além desta, já tive o imenso prazer de me deparar com duas obras da autora que me saltaram os olhos pela clareza de emoções em seu desenvolvimento. Nesta obra isso não é diferente onde a autora nos apresenta um texto rico não em detalhes, mas em sentimentos que tocam e se realizam através das páginas. Fui levada a sentir as dores dos personagens e entendê-los das formas mais preciosas onde a verdade de suas ações eram expostas nos contextos de livros.

O amor não era uma bênção: era uma maldição, e uma vez que você o convidava para o seu coração, ele só deixava marcas de queimaduras.

O que mais me encantou em A Chama Dentro de Nós foi a maneira com o qual a autora retratou os traumas e passados de suas personagens. Como o livro é divido em duas partes (o antes e o depois do fato) podemos entender com toda o que motivou Logan e Alyssa a se separarem. Suas dificuldades são verdeiras assim como suas tristezas e suas alegrias. Quantos jovens não veem suas mães apanharem dos maridos se sentindo impotentes por não conseguirem, fazer nada? Quantos meninas não se sentem rebaixadas? Quantos não veem as drogas como sua sua única saída? São essas as perguntas chaves da obra e o segredo para entender todos os caminhos que podem ou não serem tomados.

O meu único problema com o livro foi a construção de alguns personagens que a meu ver ficaram bastante vagas. Logan foi de longe o melhor trabalhado e não tenho dúvidas que esta é uma história dele, não de qualquer outro. Mas mesmo assim gostaria que todos os outros personagens em destaque tivessem uma maior elaboração. Principalmente Alyssa ao qual percebo  faltou aprofundar mais em suas queimaduras e cicatrizes. Alyssa, apesar de ser boa e inocente de certa forma, ficou um tanto superficial e apagada em relação a Logan.

Mas agora eu sabia. Uma pessoa não caia apaixonada do dia pra noite. Amor era algo que se dissolvia dentro dela.

Mas criticas a parte A Chama Dentro de Nós é um livro para quem busca não só romance, mas reflexão sobre a vida e os caminhos que lhe guardam. Nunca antes as nossas escolhas fizeram tanto sentido em uma obra e o autor usou tão pouco do destino para definir os encontros dos personagens. Pois a cada esquina, a cada reflexão, a cada passo são os personagens que definem aonde irão chegar.

Esse é um livro para todos os fãs de romance e superação. Para todos aqueles que acreditam que nimguém chegou tão ao fundo que não pode ser ajudado. Eu super indico assim como o primeiro livro da série O Ar Que Ele Respira.

Ele se inclinou para frente e me beijou. Ele me beijou com promessas que nunca fizemos um ao outro. Ele me beijou com pedidos de desculpas para coisas que nunca tinha feito. Ele me beijou com tudo o que tinha, e eu o beijei de volta com tudo o que existia dentro de mim.

| RESENHA | O Ódio Que Você Semeia – Angie Thomas.

Ler um livro que fala sobre preconceito no mundo intolerante de hoje é assustadoramente real. Tenho feito um punhado de leituras com esse tema durante os últimos meses e todos os livros me impactaram de alguma forma. O Ódio Que Você Semeia não foi diferente colocando-se entre os melhores. A história é um perfeito manifesto em virtude de todas pessoas que necessitam saber que suas vozes devem ser ouvidas.

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Título: O Ódio Que Você Semeia
Título Original: The Hate U Give
Autora: Angie Thomas
Editora: Galera Record
Ano: 2017
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑
Encontre: Skoob || Saraiva || Submarino || Amazon

Thug Life era sigla de The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody, “o ódio que você passa pras criancinhas fode com todo mundo”

Sinopse: Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos. Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra. Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos – no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa. Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.

A verdade gera uma sombra na cozinha; pessoas como nós em situações assim viram hashtags, mas raramente conseguem ter justiça. Mas acho que todos esperamos que essa vez chegue; a vez em que tudo vai acabar da forma certa.

O Ódio Que Você Semeia está entre as melhores leituras que realizei esse ano. Pensar em racismo, remete a pensar em que tipo de sociedade iremos deixar para nossos filhos visto quão perigoso o mundo está hoje e quem apoiamos para ocupar os cargos de poder. Pensar em racismo é ligar a TV e ver as notícias de atentados em todos os lugares do mundo ou crianças sendo ensinadas a odiar aqueles que lhe são diferentes. Ler um livro como de Angie Thomas é ver que tipo de legado estamos dispostos a deixar para trás.

— Todo mundo está com raiva porque Um-Quinze não foi acusado — explico —, mas também porque ele não é o primeiro a fazer uma coisa assim e se safar. Sempre acontece, e as pessoas vão continuar se rebelando até mudar. Então, o sistema ainda está semeando ódio, e todo mundo ainda está se fodendo?
Papai ri e me dá um soco na mão.
— Minha menina. Olha a boca suja, mas, é, é isso. E a gente nunca vai parar de se foder enquanto isso não mudar. Essa é a chave. Tem que mudar.

O Ódio Que Você Semeia foi um livro diferente do que eu esperava para ele. Quando leio livros que abordam temas mais pesados sempre penso que eles vão vir recheados de carga dramática sem alívios cômicos. Mas o livro de Thomas fugiu a regra ao se mostrar tenso nas horas certas e dramático nas horas certas, mas também fazer uso de uma linguagem fácil repleta de humor. Thomas conseguiu mostrar com perfeição que não é preciso ser pesado para falar sobre assuntos polêmicos, pois estes estão inseridos em todos os lugares de nossas vidas idependente de qualquer situação. Mais do que isso, Thomas cria um mundo adolescente real onde desenvolve uma narrativa que mistura a vida e a tecnologia. O mundo geek, o mundo nerd, o mundo que vivemos está representado dentro deste livro. Nunca antes eu tinha lido uma obra com tantas interações da internet ou citações atuais dentro de uma obra. É como se a autora colocasse para todos verem que o racismo pode estar em todas plataformas. Não nego que às vezes de forma um tanto forçada, sim, mas que definitivamente fazem sentido dentro do contexto do livro.

Papai alega que as casas de Hogwarts são gangues, na verdade. Têm suas próprias cores, seus esconderijos e estão sempre brigando umas com as outras, como gangues. Harry, Rony e Hermione nunca deduram um ao outro, assim como integrantes de gangues. Os Comensais da Morte têm tatuagens iguais. E veja Voldemort. Eles têm medo de dizer o nome dele. Falando sério,o papo de “Aquele Que Não Pode Ser Nomeado” é a mesma coisa quedar um nome de rua para ele. É coisa de gangue mesmo.

Os personagens são diferentes um dos outros de modo que não dá para confundi-los. Por uns, criei certa antipatia enquanto por outros sinto como se fosse amiga de infância. Tal dualidade me proporcionou maior proximidade com a história. Consigo enxergar ali as pessoas ao meu redor: a garota que tem medo, o homem que percebeu os erros do seu passado, a menina que por estar tão acostumada aquilo que não percebe suas atitudes racistas, a mãe… um irmão… um amigo… Tantos personagens com medos, aflições e alegrias diferentes que produziram efeitos variados de amor e ódio durante a leitura.

Mas é engraçado como funciona com os adolescentes brancos. É maneiro ser negro até ser difícil ser negro.

Starr é uma personagem extremamente cativante. A garota é uma adolescente comum com à qualquer menina de sua idade. Mas com uma pitada que não existe à outras adolescentes fora do mundo “negro: Todas as garotas têm medo de apresentar o namorado ao pai, mas Starr tem que apresentar um namorado que acima tudo é branco; Todas as garotas sofrem com crise de autoconhecimento, mas Starr tem que aprender a ser uma pessoa diferente para não ser taxada como do gueto. Dessa forma, a medida que vamos nos afundando na vida de Starr e a conhecendo melhor, é possível entender o seu medo e o porquê de estar tão presa aos estigmas da sociedade. Não é fraqueza que a menina colocou em si mesma e sim uma barreira gigantesca que o mundo atira em suas costar. Starr poderia ser normal, se as pessoas não lhe olhassem diferente.

Esse é o problema. Nós deixamos as pessoas dizerem coisas, e elas dizem tanto que se torna uma coisa natural para elas e normal para nós. Qual é o sentido de ter voz se você vai ficar em silêncio nos momentos que não deveria?

Os personagens secundários são igualmente cativantes. Começando pela família de Starr consigo perceber neles duas coisas: a primeira é a imagem inicial de que eles juntos são felizes e fortes como em um comercial de margarina. Sorriem e se apoiam sempre querendo o melhor e dando força um para o outro. Mas eu também percebo que esses personagens possuem uma carga dramática imensa para compor esse misto de felicidade exarcebaba e preocupações: O pai de Starr, Maverick foi preso e perdeu os primeiros anos do nascimento de sua filha além de ter tido um filho fora do casamento. Assim sua família teve que lidar com sua ausência em anos difíceis tendo o amparo de um tio para seguir em frente; Seven, meio irmão de Starr, tem que lidar com o fato de sua mãe namorar o chefe da gangue do bairro e ver elas e suas irmãs à mercê dessa situação. Dessa forma, ao mesmo tempo que Angie mostra situações difíceis, também ressalta como eles são uma família como qualquer outra. Como ser negros não significa que eles tem que ser uma família miserável, destruída e sem destino certo. Porque esse é apenas mais um estereótipo que a sociedade os envolveria.

Logo cedo, eu aprendi que as pessoas cometem erros, e você tem que decidir se os erros são maiores do que seu amor por elas.

Vale ressaltar também a evolução que Starr consegue ter no livro. Ela começa como uma personagem amedrontada para então se tornar uma personagem corajosa. Starr aprende como usar sua voz e os motivos pelos quais ela merece ser ouvida. Ela deixa para trás a dupla identidade para então se encontrar e ser à si mesma em seus dois mundos.

— Ter coragem não quer dizer que você não esteja com medo, Starr — diz ela. — Quer dizer que você segue em frente apesar de estar com medo. E você está fazendo isso.

Esse livro de Angie Thomas foi tudo que eu não esperava e mais um pouco. É sim uma das leituras mais gratificantes do ano. É um apelo para que todos nós percebamos por quais caminhos estamos percorrendo e demonstrando às nossas crianças. Um manifesto pela igualdade que nos deixa com raiva, emocionados e felizes. Mas principalmente que nos motiva a lembrar de Gandhi e sermos as mudanças que queremos e podemos ser no mundo.

Às vezes, as coisas dão errado mas o importante é continuar fazendo o certo.

| RESENHA | Corte de Espinhos e Rosas – Sarah J. Maas – Livro 01

Oii gente!! No mês de Julho, orgulhosamente realizei várias leituras com um empurrãozinho da Maratona Literaria de Inverno. Foram leituras intensas que fizeram cada uma das nove valerem a pena cada uma à sua maneira. o livro A Resposta da Kathryn Stockett foi o primeiro escolhido. E o eleito para o tópico livro escrito por uma mulher foi Corte De Espinho E Rosas da Sarah J. Maas. Li essa obra em parceria com a Vivi do blog O Senhor dos Livros e, para nós duas foi uma experiência maravilhosa (clique aqui para conferir a resenha da Vivi).

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Título: Corte de Espinhos e Rosas
Título Original: A Court Of Thorns And Roses – Livro 01
Autora: Sarah J. Maas
Editora:Galera Record
Ano: 2015
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑
Encontre: Skoob || Submarino || Amazon || Saraiva

SINOPSE: Em Corte de Espinhos e Rosas, um misto de A Bela e A Fera e Game of Thrones, Sarah J. Maas cria um universo repleto de ação, intrigas e romance. Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira que ela só conhecia através de lendas , a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la… Ou Tamlin e seu povo estarão condenados.

Ultimamente tenho evitado livros que viraram febre e que os outros leitores estão gostando bastante preferindo os que eu mesma tenha descoberto fuçando pela internet. Isto porque muitos livros que todos me diziam que eram realmente muito bons, não superaram ou chegaram as minhas expectativas me deixando com aquela sensação que ele poderia ser melhor e que fui terrivelmente enganada. Por isso, ao iniciar Corte de Espinhos E Rosas estava um pouco tensa e com medo da obra não ser aquilo tudo que esperava. Mas com grande satisfação posso afirmar categoricamente que o livro superou e muito minhas expectativas.

O texto da Sarah J. Maas é brilhante. Eu já havia descoberto isso ao ler Trono de Vidro, e não fiquei surpresa ao desvendar que Corte de Espinhos e Rosas havia sido maestralmente bem escrito. Como toda boa trama de ficção fantástica, Sarah J. Maas descreve cenários ricos de imaginação com cores, flores e os mais diversos elementos que compõe seu mundo. Mas a escritora vai além, descrevendo também as emoções dos personagens sempre buscando nos fazer entender as origens delas e como elas se propragam no ambiente. Além disso, entre emoções e descrições, Sarah também nos coloca para absorver cenas de ação e tensão. Tudo sendo descrito e colocado na medida certa para que sempre desejemos mais de uma coisa quando interrompidos ou dando graças aos deuses quando acontece.

Dessa forma, escrevendo com maestria, Sarah J. Maas criou um mundo de sensações e coisas maravilhososas. Assim como um mundo de personagens honestos e perfeitos. Muitas vezes, crio certa reticência em relação à personagens muito mal-humorados ou muito bonzinhos. Porque parece ser tão forçado que ou fico com raiva do personagem por ele ser irritantamente infantil ou burramente bondoso. Em Corte de Espinhos e Rosas isto não acontece de maneira alguma. Feyre é um tanto mal-humorada sim, mas ela tem todos os motivos para ser assim bem como para odiar os feéricos e não confiar em ninguém. Já Tamlin é bondoso com Feyre, como um prefeito príncipe, embora também tenha todos os motivos para ser assim (e que motivos). Dessa maneira, a construção dos personagens aconteceu na medida certa sem nenhum forçamento. Tanto dos personagens principais como dos secundários. Lucien foi um dos meus personagens favoritos  assim como Rhys ao qual estou completamente apaixonada (e sabe os personagens da Bela e a Fera originais? Vamos dizer que temos Horloge e Gaston aqui representados e deixar por isso mesmo).

E por falar em apaixonada, o casal principal me cativou, mas não me emocionou. Acho que essa é minha única ressalva em si da obra, embora não possa dizer que o livro tenha ficado comprometido por conta disto. Apesar de ter a consciência que o romance foi muito bem desenvolvido e que também não houve um forçamento de barra ali, eu com toda certeza acabei me apaixonando por uma outra pessoa e no momento estou meio que shippando a Feyre com ele. Mas também me conformaria se ela ficasse com Tamlin. Eles passaram por muita coisa juntos e parece existir um sentimento verdadeiro ali entretanto não custa sonhar, minha gente.

Corte de Espinhos e Rosas está na lista dos meus queridinhos para sempre. Foi um livro que me surpreendeu, me deixou apaixonada e atendeu todas as minhas expectativas. O final foi simplesmente de tirar o fôlego ao passo que estou mais do que ansiosa pelo próximo volume.

| RESENHA | O Ar Que Ele Respira – Brittainy C. Cherry – Série Elementos – Livro Um.

Sinopse: No novo romance da autora de Sr. Daniels. Como superar a dor de uma perda irreparável? Elizabeth está tentando seguir em frente. Depois da morte do marido e de ter passado um ano na casa da mãe, ela decide voltar a seu antigo lar e enfrentar as lembranças de seu casamento feliz com Steven. Porém, ao retornar à pequena Meadows Creek, ela se depara com um novo vizinho, Tristan Cole. Grosseiro, solitário, o olhar sempre agressivo e triste, ele parece fugir do passado. Mas Elizabeth logo descobre que, por trás do ser intratável, há um homem devastado pela morte das pessoas que mais amava. Elizabeth tenta se aproximar dele, mas Tristan tenta de todas as formas impedir que ela entre em sua vida. Em seu coração despedaçado parece não haver espaço para um novo começo. Ou talvez sim.

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“Todo mundo merece ter pelo menos um amigo em quem possa confiar seus medos e segredos. Suas culpas e alegrias. Todos merecem ter uma pessoa que vai olhar em seus olhos e dizer: ‘Voce é autossuficiente, você é perfeito mesmo com todos o seus problemas.
– Elizabeth.”

Em O Ar Que Ele Respira a autora nos trás um romance que pode ser definido em uma palavra: forte. Pois irá contar uma história que tem tudo para acabar mal. Elizabeth e Tristan são pessoas destruídas pela vida que não querem superar a dor e sim conviver com ela para jamais apagarem suas lembranças daqueles que tanto amaram, mas que a vida lhes tirou de maneira brutal. Em suas palavras, Brittainy deixa marcado os sentimentos presentes nas ações e pensamentos de cada personagem.

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Depois de ler Sr. Daniels e me apaixonar por Ashlyn e Daniel, comecei a me afundar nas páginas do primeiro livro da série Elementos de modo quase implacável. Demorei pouco tempo para finalizar a leitura, e ao fazer isso, fiquei ainda mais encantada pela escrita da autora. Cherry narra o livro em primeira pessoa alternando a visão entre os personagens principais. Desse modo, com o intercalamento, torna a leitura mais completa pois é possível enxergar como os pensamentos dos personagens vão se alterando com o passar do tempo. E possível ver como a dor vai dimuindo, mas não desaparecendo. Pois Cherry deixa claro que dores assim marcam para sempre, apenas se transformam em cicatrizes onde será possível conviver com elas sem tanto sofrimento.

O grande porém do livro é justamente o fato que nem Elizabeth, nem Tristan estão dispostos a deixar suas dores para trás. Ambos consideram fazer isso trair as pessoas amadas por não se lembrarem deles em todos os momentos. Elizabeth sabe que precisa, ela diz pra si mesma que esta bem, mas em todo lugar e em todo momento ela recupera as lembranças usando a si mesma para manter através da dor Steve ao seu lado. Tristan, ao contrário de Elizabeth, usa da penitência para manter sua esposa e filho perdidos perto de si. Ele acredita que foi sua culpa por não estar presente quando o acidente aconteceu e por isso merece ficar sozinho e sentir na própria carne toda a marca e sofrimento que seus entes sentiram.

“Depois paro e lembro – a pior parte de perder uma pessoa amada é que você também se perde.”
– Elizabeth.

Assim, com essa base desaladora, Brittainy constrói um livro sobre autor-perdão, sobre recuperação e principalmente: sobre se dar uma nova chance para ser feliz. Entender que na vida coisas acontecem sem nosso controle e que não é nossa culpa. Que não podemos deixar a dor nos consumir, mas deixar ela nos tornar mais forte porque com o auxílio de nossos amigos e familiares, das pessoas que realmente nos amam conseguir trilhar um novo caminho em busca da felicidade.

“Os pequenos momentos de felicidade compensam a dor, e os cacos do coração podem ser colados novamente. Quer dizer, sempre fica uma cicatriz ou outra, e às vezes, as memórias do passado te queimam por dentro, mas são uma lembrança de que você sobreviveu. É esse fogo que nos faz renascer.
– Tristan.”

Dá para perceber o quanto eu amei esse livro certo? Eu super recomendo a leitura. Agradeço imensamente a minha amiga Drih por tê-lo me indicado. Foi incrível a leitura. Não tem como não se apaixonar.

Título: O Ar Que Ele Respira.
Título Original: The Air He Breathes
Autora: Brittainy C. Cherry.
Editora: Record.
Ano: 2016
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

Recomeço – Cat Patrick

Tudo começou com um acidente de ônibus. Daisy Appleby era pequena demais para lembrar — tem apenas flashes do acidente que a matou e de ter sido trazida de volta à vida. A partir daquele momento, ela se tornou uma das catorze crianças que fazem parte de um programa secreto do governo que visa aprovar um novo medicamento: o Recomeço. Dez anos depois, Daisy, agora com quinze, já morreu outras quatro vezes. A cada morte ela recebe um novo sobrenome, vai para uma nova cidade e ganha uma nova história. A única constante em sua vida é a própria inconstância. É ao chegar à cidade de Omaha — então com a identidade de Daisy West — que ela conhece Matt e Audrey, seus primeiros amigos de verdade. Enquanto tenta criar raízes em mais um lar, ela começa a descobrir segredos sobre o programa Recomeço, e, quanto mais informações vêm à tona, mais Daisy percebe que não passa de um peão em um jogo sinistro, que pode revelar que seu mundo — e tudo no ela que acredita — é uma grande mentira.

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Ganhei este livro da minha amiga Keth (Blog: Parabatai Books) e apesar de ter demorado um pouco para ler, posso dizer que valeu a pena a leitura. O livro tem uma história interessante que deixa o leitor envolvido em um drama de mistério e emoções. Pois Dayse enfrenta dilemas que vão das descobertas sobre a ganância e também da vida adolescente.

Despertando a minha curiosidade desde sua primeira morte, Dayse narra o livro em primeira pessoa contando como é se mudar de casa e a adaptação de ter que se misturar novamente. Acho incrível como Patrick demonstra as medos e ansiedades de Dayse como uma adolescente, que apesar de não querer ter amigos e raízes, também não quer ser Invisivel. Assim a autora consegue aproximar Dayse do leitor que se identifica com a personagem.

Com o passar do livro, começamos a perceber que existe algo de muito errado acontecendo no programa. Cat deixa pistas sutis que devem ser ligadas umas às outras com cuidado. Pistas que começam com um dilema o qual Dayse se vê presa. Entre ajudar ou não uma amiga, ela percebe que o Recomeço é muito mais do que aparente e é nesse ponto que Patrick coloca uma pulguinha atrás da orelha. É impossível não se perguntar “que diabos esta acontecendo?” pois os atos sucedem de tal modo que a leitura fica impossível de ser parada.

A única ressalva que posso fazer sobre o livro de Cat Patrick é que a história terminou um pouco mal trabalhada. O final me pareceu corrido, como se faltasse um pedaço que daria ao livro um ar superior. Apesar, disso, a respostas para a pergunta feita durante todo o livro foi plausível e no mais eu gostei bastante da obra. Foi uma leitura que me prendeu até o fim.

Título: Recomeço
Título Original: Revived
Autora: Cat Patrick
Editora: Intrisica
Ano de Publicação: 2012
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟

Fome – Michael Grant – Série Gone – Livro 02.

Sinopse: Já se passaram três meses desde que todos os menores de quinze anos ficaram presos na bolha conhecida como o LGAR. As coisas só pioraram. A comida está acabando, e as crianças à cada dia estão a desenvolvendo novas habilidades sobrenaturais. Logo ocorrerá tensão entre aqueles com poderes e os sem poderes, e poderá ocorrer uma tragédia indescritível, irrompendo o caos. Normais contra os mutantes, e uma batalha com rumo sangrento. Mas há algo escondido que é mais perigoso. Uma criatura sinistra conhecida como a Escuridão começou a chamar os sobreviventes do LGAR. Ela precisa de seus poderes para sustentar a sua própria. Quando a Escuridão chama, alguém vai responder — com consequências fatais.


Apesar de ter menos ação que Gone, seu antecessor, Fome foi incrivelmente superior em vários quesitos – e olha que eu já tinha dado minhas cinco estrelas para o primeiro livro da série. Desta vez, Michael Grant, com sua leitura incrivelmente viciante e apaixonante dá mais luz à forma política em qual se estrutura o LGAR. Mostrando a principalmente a relação entre os normais e os mutantes – chamados de mubs – que vivem naquela bolha, usando como objeto de partida à Fome e assim mostrando como ela é capaz de modificar o ser humano.

Ao olhar a situação como um todo percebi que eu fiquei com muita raiva dos normais e totalmente a favor dos mutantes. Talvez isso, porque eu consegui perceber que muito desses mubs não tem noção dos seus poderes e nem mesmo os quer. E os normais tem, acima de tudo, inveja do que são capazes de fazer e como são capazes de fazer. Assim as pequenas coisas se tornam grandes (um pássaro que um mub conseguiu caçar usando seu poder se torna um indício de que eles tem as melhores coisas e que os normais vão ser deixados de lado…) e foram tornando-se uma bola de neve que ficava cada vez maior, até que por um erro e por um falso desejo de vingança usado apenas para atiçar a população se faz do estopim para a uma guerra que pode destruir e piorar ainda mais a situação do LGAR.

No centro desse grave problema é que está Sam, que aparenta cada vez mais cansaço de ter que lidar com os problemas de outras pessoas além dos dele. Afinal o próprio garoto só tem quinze anos e já foi impelido a assumir tanta responsabilidade. Sinto uma certa pena de Sam já que quase todas as crianças do LGAR o veêm como o “adulto” responsável que vai resolver todos os seus problemas. E quando eu digo todos, realmente são todos desde à discussão para o nome de um cachorro, para o problema da escassez de alimentos até a ameaça iminente de Cane voltar a atacar Praia Perdida. Por isso é notável durante todo o livro o nível de stress e de culpa pelas mortes que aconteceram e que vem ocorrendo para o rapaz.

Fome foi uma leitura muito espetacular. Capaz de fazer pensar, gritar, enraveicer e nos fazer torcer em cada pedacinho do livro. Há vários pontos na história que nos deixam de queixo caído e que só não menciono para não dar spoiler. Porque tudo se transforma em algo maior o qur me faz já ficar louca para começar o terceiro livro.

Título: Fome
Título Original: Hunger
Serie: Gone
Autor: Michael Grant
Ano: 2011
Editora: Galera Record
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

Dezesseis Luas – Margareth Stoll e Kamy Garcia – Livro Um

“Ethan é um garoto normal de uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos e totalmente atormentado por sonhos, ou melhor, pesadelos com uma garota que ele nunca conheceu. Até que ela aparece… Lena Duchannes é uma adolescente que luta para esconder seus poderes e uma maldição que assombra sua família há gerações. Mais que um romance entre eles, há um segredo decisivo que pode vir à tona.”

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Bem diferente do que eu havia imaginado, Dezesseis Luas me fez voltar a me apaixonar por livros de adolescente e misticidade. Estava tão acostumada ao clichê que ler o livro foi bem emocionante, divertido e sagaz. A cada página ficava mais presa a história e definitivamente não existe arrependimento de ter lido tal livro.

Ethan Wate é um personagem que me apaixonei. Ele é leve e sabe o que esta fazendo e o que quer. Tem um tom bem humorado e suas reflexões são bonitas e adequadas para o momento. Já Lena Duchannes não fez meu estilo. Na verdade ela passou bem longe disso. Dramática e impulsiva de mais para meu gosto, Lena se torna chata e cansativa. Puxa! Eu sei que você tem problemas e tal, mas desnecessário fazer o pobre Ethan ficar amargurado por isso também.

Além deles dois, outros personagens secundários me chamaram muita atenção pela verossimidade de suas características com o que é real:

🔹Link, o melhor amigo de Ethan, super engraçado capaz de tirar a tensão nas horas mais improváveis;

🔹Amma, que é praticamente sua mãe postica e que lembra muito minha própria mãe;

🔹Macon, tio de Lena, sereno e perspicarz. Impossível de se esquecer.

E por aí vai. Dezenas de personagens (incluindo a Mansão Ravenwood) que torna Dezesseis Luas um livro completo e maravilhoso der lido.

Serie: Beatiful Creatures – 01.
Título: Dezesseis Luas.
Autor: Margareth Stohl e Kami. Garcia
Ano: 2010.
Editora: Galera Record.
Páginas: 488
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟