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| RESENHA | A Vila dos Pecados – Soraya Abuchaim.

Olá pessoa que esta lendo esta matéria, como vai? Hoje é dia de resenha aqui no blog do livro maravilhoso da Soraya Abuchaim que foi lançado ontem e que fez o maior sucesso. E gentilmente ela cedeu um desses exemplares ao blog e eu li no início dessa semana.

Título: A Vila dos Pecados.
Autora: Soraya Abuchaim
Editora: Coerência.
Ano: 2017
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟
Onde comprar: Site da Autora

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SINOPSE: Final do século XIX. Enquanto o mundo passa por transformações importantes, existe uma vila inóspita, que vive à margem da civilização e que tem as suas próprias e estranhas leis. Lendas escuras a rondam e histórias macabras sobre Ponta Poente povoam o imaginário popular. Quando o padre Alfonso Anes, um exemplo vivo de amor e resignação, chega à vila para substituir o seu antecessor, depara-se com segredos que o farão duvidar da própria sanidade, e uma onda de mortes trará o caos para aquele lugar ermo. Quem estará a salvo? Serão estes segredos o fim de quem os esconde? O que esse universo tenebroso revelará para o mundo?

A Vila dos Pecados foi uma leitura cheia de emoções e que me deixou praricamente abobalhada com a natureza humana. Soraya Abuchaim conseguiu fazer com que meus sentimentos partissem da revolta e da paixão em diversos momentos, pois as características apresentadas por seus personagens durante o livro iam das mais odiosas as mais esperançosas. A psiquê humana foi incrivelmente bem detalhada, de modo que ficou verossímel as atitudes daquelas pessoas nas determinadas situações. E eu diria que um dos pontos que mais me impressionaram durante a leitura, foi o modo com o qual essas pessoas se desenvolveram durante o livro. Soraya demonstra em A Vila dos Pecados que nem todo mal é realmente feito apenas de coisas ruins. Assim como até as mais puras almas não são feitas apenas de bondade. Dentro da mente e do coração de cada ser humano existe a bondade e a maldade lutando entre si, e o que define quem nós somos é para qual lado vamos dar a medalha de campeão.

“Tudo se desenrola na escuridão, quando os justos e os honestos dormem. Ninguém é santo, não. Quem mais venerava o falecido era quem mais temia que seus segredos fossem descobertos.”

Em uma pequena comparação com o livro anterior Até Eu Te Possuir este teve uma evolução no quesito escrita, o que eu admito que fiquei absmada pois não achava possível. Mas na questão do detalhamento das emoções e das atitudes dos personagens, mesmo possuindo a plena consciência que são dois universos com histórias completamente diferentes, eu pude notar que as situações propostas pela autora saíram bastante do comum para a proposta da obra. No livro Ate Eu Te Possuir a situação comum de ciúmes e namoros foi um modo de enfatizar aquilo que Abuchaim proprunha no livro. Afinal de contas eram situações presentes naquele tipo de relação. Mas em A Vila dos Pecados houve uma exploração maior do extremo, onde cada situação criada, era um ápice dos sentimentos como se estes fossem elevados à milésima potência. Isso elevou o livro à um nova plataforma, onde o mistério se desenrolou com o drama e os sentimentos de medo, angústia, desejo e cumplicidade ganharam destaque.

“Ninguém chora as escondidas e lamenta o que passou se não viveu intensamente; mas tambem ninguém se recusa a comentar o passado se não tem algo à esconder.”

A única coisa que me deixou realmente apagada no decorrer da leitura, foi o fato de que o final, muito antes o meio do livro se tornou óbvio para mim. Eu sempre leio bastante livros de suspense. Além da ficção, esse é um dos meus gêneros favoritos. De modo, que quando você lê muitos livros de um mesmo gênero você acaba descobrindo certas lógicas que vão guiar ele. Na verdade é basicamente o esqueleto de um livro que irá definir o livro como pertencente de um gênero tal. Em A Vila do Pecados eu sabia que se tratava de um suspense e dessa maneira fui criando minhas suposições – todo mundo dá uma Sherlock Holmes nesse tipo de obra – com base no pré-determinado. E em dado momento, a sucessão de acontecimentos foram brotando quase como uma prova de que eu estava certa. Assim diminuiu o o ritmo da coisa e admito que fiquei com uma pontade de decepção quando fechei o livro e a teoria foi confirmada. Eu esperava um choque que infelizmente não veio. E vocês sabem meus amigo, suspenses precisam de um choque.

“É muito mais fácil ser conivente com o mal do que lutar contra ele.”

Contudo, livros para mim são somatório de coisas boas. E o livro da Soraya me deixou mais instigada que outra coisa. É uma leitura que realmente vale muito a pena. A autora nos convida a refletir sobre o que é realmente pecado, o que é errado, o que é certo, quais segredos nós escondemos e o que estamos dispostos para mantê-los assim. A Vila dos Pecados pergunta a cada um de nós se somos fiéis a nós mesmos ou reféns as situações e pessoas que nos cercam.