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( Resenha ) Em Casa Para O Natal – Cally Taylor

Minhas caras Corujinhas. Na vida as coisas podem acontecer como um turbilhão mesmo quando tudo parece estar acontecendo as mil maravilhas. Nossa história de hoje será sobre uma mulher que precisa aprender à se amar e encontrar seu destino através de suas próprias pernas.

Em Casa Para o Natal

Titulo: Em Casa Para O Natal
Titulo Original: Home for Christmas
Autora: Cally Taylor
Editora: Bertrand
Páginas: 350
Encontre: Skoob| Amazon| Saraiva
Avaliação:⭐ ⭐ ⭐ ⭐

Sinopse: Ela tem a vida quase perfeita. Seu único desgosto é nunca ter ouvido as três palavras mágicas: eu amo você. Beth Prince sempre adorou contos de fadas e acredita que está prestes a viver um final feliz: tem o emprego dos sonhos em um charmoso cinema independente e um namorado maravilhoso chamado Aiden. Ela faz parte de um grupo privilegiado de pessoas que trabalha com o que ama, e o entusiasmo pelos filmes intensifica a busca por seu próprio “felizes para sempre”. Só há um problema: nenhum homem jamais declarou seu amor por ela. E, apesar de acreditar que Aiden é o príncipe encantado, a protagonista desconfia de que ele tem medo de dizer “eu amo você”. Desesperada para escutar essas palavras mágicas pela primeira vez, ela resolve assumir as rédeas do destino — e acaba se arrependendo. Com Em casa para o Natal, Cally Taylor brinda o leitor com uma deliciosa comédia romântica que tem como pano de fundo o espetacular universo do cinema e os tempos festivos do Natal. 

Às vezes sinto como se houvesse algo errado comigo. Se não, por que os homens tomam tudo o que ofereço e depois me dão um pé na bunda? É como se eu não fosse boa o suficiente ou algo do gênero. Às vezes tenho a sensação de que quanto mais eu corro atrás do amor, mais rápido ele foge de mim.

Ler livros de comédia romântica é um desafio para mim. Isto, porque eu nunca consigo rir onde deveria acabando por terminar o livro com aquela sensação li errado, vou ter que ler de novo. Por isso sempre evitei novos autores para livros deste tipo fixando apenas naqueles que já estava acostumada. Até que em dezembro, numa linda promoção das lojas americanas, adquiri um exemplar de Em Casa Para O Natal de Cally TaylorUm dos meus projetos era até resenhá-lo para o natal, mas sabe como é a preguiça foi mais forte (kkk). De modo que acabei lendo ele somente em Fevereiro. E, para minha surpresa, foi uma leitura super gratificante que me deixou bastante satisfeita no final.

Como o bom chik-lit que é, Em Casa Para O Natal tem uma leitura que é pautada pela simplicidade de uma moça atrapalhada. Apesar do clichê clássico do gênero, nossa heroína acaba por ter uma personalidade bem complexa que vai além do esperado. Diferente da maioria, Beth não chega a ser uma mulher dotada de força e independência mas sim o oposto: ela precisa da aprovação de outras pessoas para se sentir mais plena. Chega à ser assustadora essa necessidade da personagem pois demonstra como o ser humano consegue ser frágil e insatisfeito consigo mesmo. Por isso, a partir disto, a autora toma para si a necessidade de mostrar a evolução da personagem. De frágil e desamparada, Beth transforma-se numa mulher independente para lutar por aquilo que deseja.

Um dos meus pontos favoritos da história foram os personagens secundários que carregaram a leveza na obra e os ensinamentos à serem passados para Beth. Tanto seu par romântico, como sua melhor amiga e também sua mãe trazem algo de novo a protagonista. O amor não deve ser fantasioso, a amizade não deve ter mentiras e a força de uma mulher está naquilo que ela – por si própria – é capaz de conquistar.

Em Casa Para O Natal deve ser um livro tomado sem nenhuma expectativa. Não é um livro de romance apesar de ele existir dentro da obra. É um livro sobre amadurecimento, sobre se encontrar. Um livro que realmente pode ser lido em todas as épocas do ano.

| RESENHA | A Resposta – Kathryn Stockett – Histórias Cruzadas.

Oii gente! Tudo bom com vocês? Há uns dois anos mais ou menos eu vi um filme chamado Histórias Cruzadas. Durante muito tempo, fiquei abismada com a força que o ele possuía e sobre o que ele falava. Segregação. Uma palavra feia; uma mancha na história não só dos estadunidenses, mas também na de todo o Mundo. Será mesmo que as pessoas de cor precisavam ser tratadas com tamanho desrespeito? Será mesmo que elas são diferentes que nós? Será mesmo que elas devem ser tratadas como inferiores? A resposta, é claro, é não. Elas não mereciam nada daquilo. A cor da pele não nos faz diferente. Somos todos seres humanos feitos de carne, ossos e sentimentos.

Então, lá estava eu assistindo um filme que falava justamente desse tipo de abominação e refletindo sobre como era a vida de uma mulher negra trabalhando para uma mulher branca em tempos de racismo legalizado. Mas pensando melhor, trabalhando não, criando o filho de uma mulher branca enquanto é sujeitada à humilhações. Entretanto, certamente não foi apenas isto que me deixou com vontade de ler a obra e sim a verdade que estava sendo contada. Ninguém nunca se deu o trabalho de perguntar a uma empregada como ela sentia, como era ser uma negra criando um mulher branca enquanto seus filhos eram cirados por outra pessoa. E muito além do filme brilhante, posso afirmar com toda a certeza, que foi esta pergunta me fez ler o livro que só posso chamar de extraordinário.

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Título: A Resposta
Título Original: The Help
Autora: Kathryn Stockett
Editora: Bertrand
Ano: 2010
Avaliação: 👑👑👑👑👑💜
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino.

SINOPSE: Três mulheres especiais estão prestes a dar um passo extraordinário… Skeeter, 22 anos de idade, acabou de voltar para a casa dos pais após graduar-se na universidade Ole Miss. Possui um diploma, mas o ano é 1962, a cidade é Jackson, no Mississippi, e sua mãe não vai sossegar até ver a filha com um anel de noivado no dedo. Aibileen é uma empregada que já está criando sua décima sétima criança branca. Algo mudou dentro dela depois da perda do filho, morto enquanto seus patrões faziam vista grossa. Aibileen é devotada à menininha de quem cuida, apesar de saber que ambas correm um sério risco de se magoarem nessa relação. Minny finalmente encontra serviço – sua boca suja não a permite ficar muito tempo em um emprego – trabalhando para uma mulher que acabou de chegar à cidade e por conta disso não sabe da reputação da criada. Embora bastante diferentes umas das outras, essas mulheres vão unir forças num projeto clandestino que colocará todas em perigo. Por quê? Porque estão se sentindo sufocadas pelos limites e pelas regras que as norteiam e pela época em que vivem. E também porque limites, algumas vezes, foram feitos para serem ultrapassados. Em vozes perfeitamente recriadas, Kathryn Stockett nos apresenta três mulheres fora de série cuja determinação de dar início a um movimento transforma uma cidade e a maneira como as mulheres — mães, filhas, empregadas domésticas, amigas — veem umas as outras. Romance profundamente enternecedor, tocante, cheio de humor e esperança, A Resposta é uma história atemporal e universal sobre os limites que respeitamos e sobre aqueles os quais precisamos ultrapassar.
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Se eu fosse definir uma palavra que define A Resposta seria FORTE. Apesar de saber o que me esperava durante a leitura, pois já havia visto o filme, ler o livro me causou um impacto maior. Porque no filme podemos apenas tentar imaginar quais são os sentimentos dos personagens. Mas no livro conseguimos sentir cada um pois estão exposta nus e crus pois tudo que foi posto na obra veio para nos fazer sentir tudo a nossa volta. E, com minhas mais sinceras palavras, só posso dizer que foi foda! Passei do limite da raiva ao desespero, da revolta à tristeza. Kathryn deu vida aos personagens de modo tão verdadeiro, que me tornei melhor amiga de Aibileen, Minny e Skeeter vendo como elas evoluiram no livro me fazendo a evoluir também.

Narrado em primeira pessoa pelas três mulheres, o livro que tinha tudo para ser confuso foi bem desenvolvido. Stockett criou personagens muito diferentes uma da outra de modo que não da pra confundir quem esta narrando. Não somente pelo nome da narradora que precede as partes, mas pelo modo com o qual cada uma apresenta seu ponto de vista. Aibileen é sábia e está sempre motivada a pensar no que acontece à sua volta. Minny é bem espirituosa criando uma bolha de alegria em sua realidade escura. Já Skeeter é doce, mas também pragmática constantemente se perguntando o motivo das coisas serem como são. Além disto, a autora se preocupou em reduzir palavras e motivar erros (como por exemplo o verbo estar conjulgado como tou e tava) o que exemplificava bem as diferenças de escolaridade entre as mulheres. Vale ressaltar que apesar de possuir um estilo de escrita brilhante, o livro não é fácil de ler. Não chega a ser uma leitura fluída pois envolve muita reflexão. De algumas tomadas a outra é necessário parar e tentar absorver a obra. Mas mesmo não possuindo aqua fluidez de você não sentir as páginas irem embora, o livro continua impossível de deixar de lado. Precisamos saber o que vai acontecer, quais serão as consequências.

O que mais me deixou encantada com leitura de A Resposta foram as personagens colocadas. Não somente das principais, mas também das secundárias. Cada uma possuía seus medos e seus segredos tornando a leitura mais verossímil:

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• Aibileen com toda sua honestidade demonstra um lado da mulher negra de 1960 que não conhecemos, pois ela é sonhadora e ela acredita que nem todas as pessoas são más. Cuida como uma devota a sua Nenezinha da vez May Mobley provando que amor não tem cor ensinando a criança a verdade que sabe que sua menininha vai esquecer ao se tornar uma adulta branca: Ela é boa, ela é corajosa, ela é especial, mas acima de tudo elas são iguais de cor diferente;

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• Minny tem a força que costumeiramente vemos nas representações negra da literatura e do cinema, mas também é mais do que isso. Minny tem suas aflições. Ela quer um futuro melhor para seus filhos embora os ensine que a justiça esta do lado dos brancos e não dos negros. Ao mesmo tempo, apesar de toda sua raiva dos brancos, aprende com sua patroa Célia Foot que nem todos à desprezam e que uma boa amizade vem dos lugares mais improváveis.

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• Skeeter teve a coragem de ver além do seu mundo. Que enxergou nas atitudes das pessoas à sua volta a pior natureza do ser humano. Ao mesmo tempo, em que tentava transparecer ser a mulher perfeita da sociedade. A mulher que queria um marido embora também quisesse ser independente. A mulher que não ligava ou pelo menos fingia não ligar para os absurdos de sua melhor amiga Hilly Holbrook, tão vil e mesquinha e ao mesmo tempo tão real que é impossível não sentir vergonha de seus atos tão bons representantes do horror da nossa sociedade.

A Resposta de Kathryn Stockett foi um livro que me marcou profundamente. Não somente por falar do racismo em uma época que este era chamado bom senso, mas por ter a característica atemporal de lembrar o ser humano do quão cruel ele pode ser, ao mesmo tempo que nos conduz a pensar no caminho que estamos tomando hoje. Qualquer um sabe que o racismo ainda existe enraizado no seio de uma sociedade com mania de supremacia branca. Mas Stockett nos ensina através de Aibileen, Skeeter e Minny que com um pouco de coragem é possível abrir os horizontes e atravessar os limites para construir um mundo melhor.

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