Arquivo da tag: duologia

( Anatomia Literária ) Capa e curiosidades sobre a duologia A Fúria e a Aurora de Renée Ahdieh

Oi Corujinhas, sejam muito bem vindas a mais um Anatomia Literária que hoje está voltada a duologia publicada no Brasil pela editora Globo Alt, A Fúria e A Aurora de Reneé Ahdieh. Esse post veio a pedido da Gisele do blog Abdução Literária que tem contribuído bastante para esses posts. No comentário em questão era referência a essa duologia e também aos livros da trilogia A Rebelde do Deserto de Alwyn Hamilton, mas como eu ainda não terminei essa segunda vou focar apenas na primeira deixando a de Hamilton bem mais para frente.

Espero que gostem. Vamos lá?

╔═══════╗
As Capas
╚═══════╝

A duologia A Fúria e A Aurora reconta a história de Sherazade e o sultão que matava suas esposas na primeira manhã de seu casamento presente no livro As Mil e Uma Noites originalmente escrito por uma legião de narradores anônimos. Renée Ahdieh reescreveu a história tendo como base os países do oriente e o gênero fantasia enrolado no romance. Tratando de temas como assassinato, rebelião e magia, a autora conseguiu conquistar um grande público que se apaixonou por seu casal de protagonistas.

A Fúria e a auroraA Fúria e a Aurora tem uma capa em tons de azul que representam a frieza do rei, a monotonia da cidade que está a mercê dos seus caprichos e a depressão do seu povo que chora pelas garotas perdidas. Os arabescos acima da capa são representações da cultura árabe que é presente no livro que tem como principal característica a interdependência do sistema. Nesse sentido, seria a afirmação do país que está quebrado pois, apesar de terem harmonia são divididos em dois lados quebrados pelas escolhas de Khalid. Em significado religioso, tais arabescos são resultado da negação de quaisquer tentativas de representação das qualidades divinas em estruturas religiosas ou imagens. No livro, que é retratado sobre os pilares da fantasia, tal significado é relativo aos deuses representados dentro de sua nova cultura que na história são os mais variados e de impossíveis de serem representados tendo seu formato apenas simbolicamente representados em harmonia na capa.

Na parte inferior do livro temos a imagem sombreada de torres e domas de frente a uma série de pessoas montadas em camelos sob um terreno irregular. O terreno representa do deserto, as torres e os domas representam a cidade e o palácio do sultão e os camelos e as pessoas o levante que existe contra o reinado de Khalid. Por fim, mas não menos importante, dos dois lados da capa temos pingentes: do lado esquerdo, um coração que precisa de uma chave podendo tanto ser o coração sombrio de Khalid quanto o de Sherazade fechado para seu esposo; e do lado direito uma lua e uma estrela onde Khalid é a lua nova tendo Sherazade como estrela para lhe guiar para fora da escuridão ao qual o sultão se encontra.

a rosa e a adagaEm A Rosa e a Adaga, a capa é concebida em tons variados de rosa que entre outras características representa a suavidade do novo amor que surgiu entre o casal de protagonistas, a pureza da verdade sobre o que estava realmente acontecendo e a fragilidade que o reino se encontra pela guerra que foi formada para derrubar o sultão. Os arabescos dessa vez estão distantes da arquitetura sendo voltados para o simbolismo da natureza pois nesse livro Sherazade não esta perto do marido (lembrando que ela casa com ele logo nas primeiras páginas de A Fúria e A Aurora). Tal representação é fundamentada ainda mais pela silhueta de Sherazade que aparece nas areias do deserto, olhando saudosamente (será?) para a cidade onde seu amado está. Apesar de ter menos elementos que a primeira, essa capa é minha favorita pois eu vejo ela com uma harmonia maior entre os elementos presentes.

Os dois próximos paragráfo podem conter spoiler.

Os títulos da duologia são um tanto clássicos sendo colocados sobre duas oposições. A Fúria e a Aurora em termos linguísticos é o ápice da raiva onde se manifesta no momento em que Sherazade deseja  entrar no castelo para se vingar de Khalid. Antes de ler o livro eu imaginava ser uma interpretação do sultão, mas depois da leitura percebo que é sim sobre Sherazade. O mesmo ocorreu com a palavra Aurora que acreditava eu se tratar das manhãs que a protagonista sobreviva, mas que na verdade se trata muito mais dos novas verdades que o sultão traz a sua sultina.

O titulo A Rosa e a Adaga, quem já leu deve acreditar que se refere a um capitulo da trama bem triste (rum, rum). Mas como eu sou uma pessoa do contra, e vale lembrar que as interpretações que eu faço da capa dos livros são de quesito pessoal, eu diria que mais uma vez o titulo vai além do obvio, pois de cara parece que estamos falando que a rosa seria Sherazade e a adaga Khalid. Mas Corujinhas, vamos combinar que a Sherazade é muito mais girl power que o Khalid. Dessa forma, eu acreito que a rosa seja o amor do sultão pela esposa e a adaga a luta de Sherazade para salvar Khalid da guerra sangrenta que está por vir.

╔═══════════╗
Curiosidades
╚═══════════╝

1| A série original As Mil e Uma Noites é uma coletânea feita por diversos autores de histórias interligadas.
2| Na história original o sultão Xeriar surpreendeu sua esposa conversando com outro homem e mandou degolá-la. A partir daí, resolveu se casar todos os dias com uma nova mulher, que seria degolada no dia seguinte à noite de núpcias.
3| O livro spin off  Contos de A Fúria e a Aurora, Reneé Ahdieh traz pequenos contos (dã!) sobre os personagens e o que se passou pela cabeça deles nos momentos mais importantes dos livros.
4| O marido de Reneé Ahdieh é persa o que ajudou a autora a formular boa parte da mitologia presente em sua obra.


 

Então é isso amores, espero que tenham gostado. Sei que foram poucas as curiosidades mas eu não achei nenhuma entrevista com a autora para poder tentar pescar mais delas para vocês. Caso tenham alguma sugestão de quais obras poderiam fazer parte do nosso Anatomia Literária, deixem nos comentários. Gih. obrigado pela dica e mais a frente vamos ter outra sua com os livros da gloriosa Júlia Quinn.

Beijos.

| RESENHA | Entre E O Agora E O Nunca – J. A. Redmerski – Livro Um.

Olá tudo bom com você? Bom dia, boa tarde ou boa noite seja a hora que você esteja lendo este post. Mês passado fiz um post explicando um pouco sobre o Desafio Literário Cultura e como prometido vou começar a postar resenhas das minhas leituras este mês. Como não pretendo postar na ordem de leitura, então vou postar primeiro as leituras mais frescas em minha mente. Para começar será do livro Entre O Agora E O Nunca de J. A. Redmerski. Estou lendo esse livro para cumprir o ítem Um livro em que o protagonista foge.

 — Acho que o amor nunca acaba de verdade quando a gente ama alguém — digo, e vejo um pensamento passar por seus olhos. — Acho que quando você se apaixona, quando ama de verdade, é amor pra vida inteira. Todo o resto são só experiências e ilusões.
– Andrew.

 

 Download-Livro-Entre-o-Agora-e-o-Nunca-J.-A.Redmerski-em-ePUB-mobi-e-PDF

Título: Entre O Agora E O Nunca
Título Original:
Autora: J. A. Redmerski
Editora:
Ano:
Avaliação:
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino.

 

SINOPSE; Camryn Bennett é uma jovem de 20 anos que desistiu do amor desde que Ian, seu namorado, morreu num acidente de carro há um ano. Sua melhor amiga, Natalie, é a única capaz de animá-la. Mas a relação entre as duas fica abalada quando o namorado de Nat revela à Camryn que está apaixonado por ela. Perdida, sem saber o que fazer, Camryn vai para rodoviária e pega o primeiro ônibus interestadual, sem se importar com o destino. Com uma carteira, um celular e uma pequena bolsa com alguns itens indispensáveis, Camryn embarca para Idaho. Mas o que ela não esperava era conhecer Andrew Parrish, um jovem sedutor e misterioso, a caminho para visitar o pai, que está morrendo de câncer. Andrew se aproxima da companheira de viagem, primeiro para protegê-la, mas logo uma conexão irresistível se forma entre os dois. Camryn tenta lutar contra o sentimento, já que jurou nunca mais se apaixonar desde a morte de Ian. Andrew também tenta resistir, motivado pelos próprios segredos. Narrado em capítulos que alternam as vozes de Andrew e Camryn, Entre O Agora e O Nunca é uma história de amor e sexo, na qual os personagens testam seus limites, exploram seus desejos e buscam o caminho que os levará à felicidade.

 Detesto te dizer isso, mas na vida as merdas acontecem mesmo. Você precisa superar. Derrotar isso fazendo coisas que te deixam feliz. – Camryn.

Uma coisa que todos sabemos quando lemos livros é que a bagagem que trazemos influenciam bastante no decorrer da história. De certa forma, podemos chamar isso de Maturidade Literária onde de certa forma, com cada leitura enriquecendo a nossa mente, acabamos por nos ater mais as novidades do que de histórias passadas. Histórias essas que no fundo da nossa mente sabemos que gostaríamos mais se tivéssemos lidos um pouco antes ou talvez um pouco. Talvez seja por esse motivo que a história de Entre O Agora E O Nunca não me cativou tanto deixando-me com uma sensação um tanto amarga que minha mente não consegue mais lidar com clichês adolescentes. A leitura, ao qual posso dizer que foi fácil mas não fluída, muitas vezes deixou a desejar. E mesmo não considerando a obra ruim, não conseguir deixar de me incomodar com vários pontos da leitura.

 Não sou maria vai com as outras. Nunca fui. Mas com certeza topo me tornar alguém que não sou por algumas horas se isso vai ajudar a me misturar, em vez de parecer a esquisita e chamar a atenção. – Camryn.

Começando pela narrativa, posso dizer que senti certa dualidade de emoções ao passo que ia passando pelas palavras de Redmeski. A princípio gostei do modo como a autora conduziu a história. Há profundidade em Camryn que a deixa com uma personalidade mais plausível, muito embora tal personalidade seja mais identificável em uma garota de 16 anos do que de 20, mas como nem todos são iguais e nem amadurecem ao mesmo tempo, a gente releva. Por tal motivo, devido a sua profundidade, Camryn foi de longe que eu mais gostei. De tão verossímil pude enxergar com mais clareza suas atitudes e seus pensamentos. Mas ao mesmo tempo que amei Camryn, eu fiquei apática em relação a Andrew porque ele é o típico mocinho sexy e rock and roll dos Young Adult. Perfeito e sem defeitos aparentes, Andrew me deixou com aquele pensamento para a autora que pode ser resumido em “na boa, você esta mesmo tentando me convencer que esse cara existe?”. E, acho que vocês ja me conhecem o suficiente para saber que o meu tipo favorito de personagem é o palpável. Ele precisa de defeitos, defeitos reais, que lhe deem essa aparência verossímil.

 Aprendi há muito tempo que o futuro e a vida são meus, e não posso me forçar a viver do jeito que outra pessoa quer que eu viva. – Andrew.

Em relação a narrativa devo dizer que fiquei em um certo hiato. Não foi a melhor das narrativas da minha vida, mas também não foi das piores – tanto que finalizei o livro ao invés de abandona-lo. Minha parte favorita, foi com certeza as reflexões que a autora fez sobre a vida, aos quais vocês podem ver minhas frases favoritas espalhadas por este post. Também gostei do modo com o qual a autora conduziu sua história. É um clichê respeitado que segue o caminho não tão óbvio para a conclusão, mas também não surpreendente e mesmo assim ainda foi o mais acertado. Porém, ao mesmo tempo que gostei dessa condução, também me senti incomodada pelo linguajar usado pela autora para descrever cenas de cunho sexual. Achei um tanto pesado mesmo para um livro que envolve sexo. Em opinião o romance deixou de daquela doçura que possuía ao abusar de uma linguagem com maior cara de pornográfica.

 Se você fica se prendendo no passado, não consegue seguir em frente. Se passa muito tempo planejando o futuro, você se empurra pra trás ou fica estagnada no mesmo lugar a vida toda. — Seus olhos encontram os meus. — Viva o momento — ele diz,  como se estivesse dizendo algo sério — aqui, onde tudo está certo, vá com calma e limite suas más lembranças e você chegará ao seu destino, seja qual for, muito mais rápido e com menos acidentes de percurso. – Andrew.

E para finalizar essa enxurrada de críticas sinceras, quero apenas ressaltar que essa opinião é minha e muito pessoal. Se você quer ler esse livro simplesmente vai fundo. Apesar de que eu senti falta de algumas coisas, talvez você leia e depois pense que eu sou apenas uma louca 😂. Mas como o meu juramento oficial de blogueira me diz que eu devo dizer a verdade nada além da verdade, ressalto que se ninguém vê igual nem todos leram igual. Por isso te desejo uma ótima leitura ou caso já tenha lido, ótimas lembranças.

Sinto que estou fazendo tudo certo; pela primeira vez em muito tempo, sinto que minha vida está voltando aos eixos, só que seguindo um rumo bem diferente, cujo destino eu desconheço. Não sei explicar… só que, bem, como eu disse: sinto que está certo. – Camryn

| RESENHA | A Fúria e a Aurora – Renée Ahdieh

No projeto leitura de Os Bridgertons da Camila do blog Leiturizar um grupo surgiu e lá ouvi falar de modo bem mais aprofundado do livro A Fúria e a Aurora de Renée Ahdieh. Já havia visto vários comentários no instagram sobre o livro mas nunca havia realmente me interessado. Mas à algumas semanas me dediquei a leitura e apesar de não ter superado minhas expectativas, o livro também não me decepcionou. Foi uma leitura gostosa que me fez conhecer de outro modo a história d’As Mil e E Uma Noites.

A Fúria e a aurora

Título: A Fúria e A Aurora.
Título Original: The Wrath and the Dawn
Autor: Renée Ahdieh
Editora: Globo – Alt
Ano: 2016
Avaliação: 🌟🌟🌟
Onde Comprar: Submarino || Saraiva || Amazon

Sinopse: Personagem central da história, a jovem Sherazade se candidata ao posto de noiva de Khalid Ibn Al-Rashid, o rei de Khorasan, de 18 anos de idade, considerado um monstro pelos moradores da cidade por ele governada. Casando-se todos os dias com uma mulher diferente, o califa degola as eleitas a cada amanhecer. Depois de uma fila de garotas assassinadas no castelo, e inúmeras famílias desoladas, Sherazade perde uma de suas melhores amigas, Shiva, uma das vítimas fatais de Khalid. Em nome da forte amizade entre ambas, Sherazade planeja uma vingança para colocar fim às atrocidades do atual reinado. Noite após noite, Sherazade seduz o rei, tecendo histórias que encantam e que garantem sua sobrevivência, embora saiba que cada aurora pode ser a sua última. De maneira inesperada, no entanto, passa a enxergar outras situações e realidades nas quais vive um rei com um coração atormentado. Apaixonada, a heroína da história entra em conflito ao encarar seu próprio arrebatamento como uma traição imperdoável à amiga. Apesar de não ter perdido a coragem de fazer justiça, de tirar a vida de Khalid em honra às mulheres mortas, Sherazade empreende a missão de desvendar os segredos escondidos nos imensos corredores do palácio de mármore e pedra e em
cenários mágicos em meio ao deserto.

Eu esperei muita coisa de A Fúria e A Aurora. Esse é o grande problema de ler livros aos quais a gente espera um bocado. Porque no fim das contas o livro acaba não sendo tão bom quanto a nossa imaginação. E apesar de ter gostado d‘A Fúria e A Aurora, também não o vejo como aquele livro maravilhoso capaz de impactar minha vida de leitora. Para mim faltou alguma coisa e muitas das vezes achei que houve pouco aprofundamento da história. A autora não soube criar um livro ao qual o romance me fizesse suspirar pois inúmeras vezes achei raso e superficial.

A obra é uma releitura de As Mil E Uma Noites, do qual já havia ouvido falar mas como nunca havia lido, não fazia ideia do que poderia acontecer, que tipos de história a Sherazade poderia contar e muito menos se o plano dela daria certo no final. Deste modo foi muito interessante ver o desenrolar da coisa e fiquei admirada com alguns pontos no caminho. A autora tem uma escrita fluída que deixa o livro fácil de ser lido. Narrado em terceira pessoa, René sempre deixa uma brecha no fim de cada capítulo sempre me deixando ansiosa pelo próximo.

— Você é arrogante.
— Como você, senhora Sherazade. Mas não vejo isso como um defeito. Porque, sem um pouco de arrogância, como alguém pode tentar o impossível?

Os ponto que mais me incomodaram no livro foram os personagens e a revelação dos porquês da trama. No quesito personagem, eu acredito que tenha acontecido muito de uma coisa em um livro só. Esta coisa é a arrogância. Todos os personagens possuem essa característica, mas Sherazade veio vestida dos pés a cabeça com ela. Nariz em pé e dotada de prepotência, eu detestei a personagem. Achei-a muito narcista e isso me incomodou de mais. Gosto de personagens que tenham defeitos, mas o modo como a Sherazade age, como se fosse mais inteligente e melhor que todo mundo, não me agradou. Em contraposição eu amei o Khalid. Ele é maravilhoso. Desde o primeiro capítulo eu fiquei curiosa saber os motivos que o levevam a ser daquele jeito. Assim prestei atenção em cada ponto sobre ele e me apaixonei por suas palavras e seus atos.

Em relação aos porquês da história eu esperava mais. Não que a explicação não tenha sido boba, mas sinceramente foi tão normal que não me surpreendeu de modo positivo. O que eu imaginei foi melhor do que foi me dado, sendo que deveria ser ao contrário. O livro bem construído se tornou um livro absolutamente normal, sem aquele omg que esperava que acontecesse.

Uma mentira. O pior tipo de mentira… aquela cheia de boas intenções. Aquele tipo que os covardes usam para justificar suas fraquezas.

A Fúria e a Aurora foi uma obra que poderia ter me deixado arrebatada mas que infelizmente não aconteceu. Ela tem pontos positivos e negativos. E cada um deve ler e tirar suas próprias conclusões.