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(Algo À Ver) Todo Dia – Michael Sucsy

Uma história de amor bonita sobre encontrar alguém que valorize cada pedacinho de quem nós somos. Em tempos onde ser adolescente em um mundo onde os esteriótipos são valorizados, um filme como Todo Dia carrega significados belos para a conquista de autoconfiança.

Título: Todo Dia | Título original: Every Day | Direção: Michael Sucsy | Elenco: Angourie Rice, Justice Smith and Debby Ryan | Duração: 98m | Ano: 2018 | Distribuição: Paris Filmes | Avaliação: 🎬 🎬 🎬🎬every day

Sinopse: O filme, baseado no livro homônimo de David Levithan, conta a história de Rhiannon (Angourie Rice) uma garota de 16 anos que se apaixona oi por uma alma misteriosa chamada “A” que habita um corpo diferente todos os dias. Sentindo uma conexão incomparável, Rhiannon e A trabalham todos os dias para encontrar um ao outro, sem saber o que ou quem o próximo dia irá reservar. Quanto mais os dois se apaixonam, mais as realidades de amar alguém que é uma pessoa diferente a cada 24 horas afeta eles, levando o casal a enfrentar a decisão mais difícil que eles já tiveram que tomar.

Antes de assistir Todo Dia, meio que passou pela minha cabeça ler o livro de David Levithan. Mas deixa eu contar uma coisa engraçada: muitas vezes prefiro assistir filmes baseados em livros antes de realizar leituras. Okay, isso é super estranho eu sei, mas acontece que os filmes costumam me dar o gás que faltava para a leitura ou me desmotivar totalmente. Porque mesmo sabendo que não existe filmes idênticos a obras pelas diferenças no estilo de produção, muitas vezes o teor original é mantido e tais inquisições me dão certa garantia de gostar ou não de determinado livro. Ao assistir Todo Dia o efeito foi totalmente positivo apesar do filme nem tanto. Por achar a película rasa e um tanto mal explorada em determinados aspectos, agora sinto uma vontade imensa de ler o original e quem sabe ganhar explicações mais fortes sobre a história.

Todo Dia tem uma boa direção que entre parte bem humoradas, reflexões e o sentimental consegue dar fluidez a história que esta sendo contada. O diretor Michael Sucsy tem uma pegada um tanto minimalista ao qual mesmo não inovando na condução do filme, consegue, através da fotografia aliada e sonoplastia transmitir sua mensagem. Em um esquema de cores básico, que vai do mais claro ao mais escuro, o filme traduz o amor e as mudanças ao qual os protagonistas passam ao longo da película como forma de deixar o espectador mais próximo dos sentimentos do personagem. Tal recurso ajudou bastante a criar o clima do filme e as sensações que somos levados a ter.

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Mas apesar da boa direção, a produção de elenco não é favorável tendo as atuações não compatíveis com o grau que estava sendo apresentado. Angourie Rice parece desconfortável na pele de Rhi e não chega a transmitir grandes emoções. A atriz é pouco expressiva o que dificulta o emaranhamento do receptor com sua personagem. Já os diversos atores que interpretaram A apesar de manterem algumas características fundamentais de personalidade, pecam no uso dos trejeitos e entonações de voz que não convencem a serem as mesmas pessoas. Claro existe um entendimento tácito claro na narrativa que A tenta não modificar (muito) a vida daqueles que “toma”. Mas deve-se ressaltar que personalidade é algo particular de cada alma, sendo assim é bem estranho observar as mudanças quem A é sofre em favor das mudanças de corpo.

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Apesar desse fator negativo crucial, Todo Dia apresenta boas lições de amor e autoconfiança quando nos concentramos em Rhiannon e na gradativa mudança que apresenta a medida que o filme se desenrola. É interessante perceber como Rhiannon ganha mais personalidade a medida que se valoriza como ser humano e como mulher. O Sua trajetória é feita para que adquira um descobrimento de si mesma. Se antes existia uma menina incapaz de se impor, agora existe uma mulher decidida a lutar pelo que deseja.

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Indico a todos que desejam um romance bonito que nos faz sair de nossa realidade, mas informo para que não o assistam se tiveram grandes expectativas já que Todo Dia não chega ser um filme marcante, mas ousa trazer pequenas metáforas e grandes questionamentos sobre se apaixonar verdadeiramente quando aprendemos a amar e não uma aparência.

(Algo À Ver) Estrelas Além do Tempo – Theodore Melfi

Assistir filmes que retratam períodos históricos marcantes quase sempre me demonstra certo comodismo pela falta da busca de sair do esteriótipo das cargas dramáticas. Filmes como estes chegam aos montes e logo são esquecidos seja pela falta de talento dos diretores e roteiristas seja pela simploriedade das atuações. A questão que alcança barreiras e ultrapassa o esquecimento  para o cinema e para qualquer história nunca foram os sobreviventes, mas sim os guerreiros incapazes de abaixar a cabeça. Por esse motivo, é certo afirmar que Estrelas Além do Tempo é um filme que consegue se tornar maior do que uma mera crítica pois não somente a realiza, como cria pontes para que nós como pessoas, independente do sexo ou cor, possamos ter a coragem de lutar por aquilo que queremos e acreditamos. 

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Titulo: Estrelas Além do Tempo
Titulo Original: Hidden Figures
Diretor: Theodore Melfi
Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe
Distribuição: Fox Filme do Brasil
Duração:
167m
Ano: 2017
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬

 

Sra. Mitchel: Sabe Dorothy… ao contrário do que possa pensar eu não tenho nada contra vocês.
Dorothy: Eu sei… que você provavelmente acredita nisto. 

Ambientados nos anos 1961, Estrelas Além do Tempo baseado no livro homônimo de Margot  Lee Shetterly, e narra a história de três mulheres brilhantes que trabalharam na NASA durante o período da Guerra Fria e a corrida espacial. Em termos narrativos, a produção realizada por Melfi é excelente e consegue transmitir os aspectos principais da trama. A fotografia aliada a trilha sonora, que mesmo em silêncio consegue transmitir grandes emoções, transformam a simplicidade de cores e efeitos em algo extraordinário. Chega ser até estranho perceber como tão poucos efeitos ainda conseguem se sobressair a um mundo cinematográfico dominado por explosões e magia sobre-humana. Mas com sua simplicidade carismática e som impecável, o filme se manisfesta para dar destaque ao principal normalmente esquecido pelas grandes produções: a história.

cms-image-000538694Apesar do claro foco em Katherine Goble (Henson) e sua luta para ser reconhecida em um terrenos de homens brancos (no sentido mais pejorativo da expressão), o filme é feliz em conciliar a história de três mulheres em sua grande trajetória pelo destaque naquilo que são naturalmente boas e capazes. Mary (Monaé) quer se tornar engenheira mas para isso precisa estudar em uma escola apenas para brancos. Já Dorothy (Spencer) deseja apenas ser afirmada no cargo que já trabalha, pois mesmo fazendo o ofício de um supervisor o departamento não consegue perceber isso e nem acreditar no potencial da mulher. Mesmo seguindo uma linha de raciocínio óbvia que converge para maneira mais correta de contar determinada história, Melfi ao não introduzir nada realmente novo no filme deixa a cargo de suas três protagonistas a leva do filme à algo mais. Com atuações impecáveis, a força e a inteligência dessas três mulheres é mostrada para que os espectadores absorvam não somente as críticas como a coragem que elas apresentam.

estrelas-alc3a9m-do-tempo-2.jpgO grande trunfo do filme são as atuações que por todo o elenco arrecadaram momento inesquecíveis. Taraji P. Henson é extraordinária em criar uma personagem forte ao mesmo tempo que precisa se submeter aos desmandos da sociedade. De forma nem um pouco caricata de piedismos ou arrogância, Henson demonstra uma Katherine forte e precisa com trejeitos que expressam sua coragem em todos os lugares. Janelle Monaé foi uma grande surpresa para mim, pois mesmo nunca tendo atuado antes (a mulher fez nome como cantora) apresentou um bom domínio de suas emoções ao dar vida a Mary. Já Octavia Spencer que é uma das minhas queridinhas desde seu papel como Minnie em Histórias Cruzadas, mais uma vez conseguiu ser resplandecente. De todas as personagens, Dorothy foi sem dúvida a minha favorita e muito se deve a atuação de Spencer e seu olhar penetrante que conseguiu ultrapassar a quarta parece e tocar meu coração.

005 Kirsten Dunst as Vivian MitchellAlém das três protagonistas, Kevin Costner e Kristen Dunst merecem destaque por seus papeis, principalmente nossa eterna Mary Jane. Antes, já havia tido contato com Costner personificando homens de terno, inteligentes e impactantes, mas perceber Kristen usar a máscara de dureza e preconceito da sra. Mitchel foi bastante interessante, pois mesmo tendo consciência do seu potencial como atriz, nada que tenha feito antes demonstrou isso. Posso dizer que Dunst conseguiu se sobressair encontrando uma ponte para mostrar que pode ser muito mais que uma mocinha indefesa.

Estrelas Alem do Tempo é uma obra emocionante sobre força, luta e feminismo. Não digo que é o melhor filme com tema central sobre racismo que eu assisto, mas sim que é um filme que não deve ser ignorado. Com um bom roteiro e atuações excepcionais, essa obra nos leva a refletir quais são os maiores desafios de nossa vida e o quanto nos estamos dispostos a arriscar para enfrentá-los. 

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