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(Anatomia Literária) Capa e curiosidades sobre a série Corte de Espinhos e Rosas de Sarah J. Maas.

Oi Corujinhas. Eu estava com uma grande saudade do Anatomia Literária e hoje vou realizar o pedido da Eloise (Crônicas de Eloise) que no post anterior atendeu minha solicitação de ideias para o anatomia. Nossa meta de hoje é desvendar os segredos das capas dos livros da série Corte de Espinhos e Rosas da Sarah j. Maas.

Esse post não conterá spoilers.

Vamos começar?

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As capas
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A série Corte de Espinhos e Rosas é composta por sete livros, sendo seis da série principal – com três lançamentos previstos para os próximos anos – e o último um spin-off. O post de hoje vai focar apenas na série principal já lançada no Brasil. Em breve podemos fazer um parte dois com os próximos quatro.

Contextualizando para quem ainda não leu os livros, a série Corte de Espinhos e Rosas se conta a história de uma humanidade que passou anos sendo escravizados pelo povo feérico até conseguirem se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira — que ela só conhecia através de lendas —, a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Mas o que poderia ser uma história de amor fantástica, se torna um misto de ilusões ameaçada por segredos que Feyre não sabe se será capaz de conviver ou lutar contra eles.

corte de espinhos e rosasO primeiro livro tem tradução literal do título, bem como os que estão por vir. Em linhas gerais, o representa não somente a Corte Primaveril mas também tudo aquilo que está por vir em suas páginas. Um mundo de espinhos e rosas que pode ser tão perigoso quanto é belo. A capa, modulada em tons roxos, rosa e azuis são voltadas a sentimentos que vão desde o mais profundo amor ao mais pior dos medos. É interessante notar que a escolha das cores das rosas que emolduram o livro não entra em tons vermelhos, como seria o comum, mas sim pretas. Eu diria que é mais um ponto voltado aos segredos e perigos da cortem, pois os brushes possuem muito mais espinhos e vigas em evidência do que as rosas.

corte de nevoa e furiaO segundo livro livro da série já se apresenta de em cores e formas significativamente diferentes. Já no título, podemos ressaltar que a névoa não é nada mais que os segredos e e a fúria a de Feyre para ser libertada de seu demônios pessoais. Existem toques de dourado, rosa e roxo muito embora o primeiro modele-se com maior força que os últimos. Ao fundo podemos visualizar um casal próximo ao beijo. Em prol das cores, podemos desatar que os tons então brotando um do outro. Se na capa anterior tínhamos um conflito, agora temos uma construção que parte da desconfiança até chegar no amor. As rosas desaparecem assim como os espinhos, apenas as dualidades à serem desvendadas permanecem.

corte de asas e ruinaNa última capa, mais uma vez temos uma completa mudança em comparação com a anterior. Todas as cores foram perdidas, asas tomaram o lugar as vinhas e os tons de rosa e dourado desapareceram. Já pelo título, já sabemos que não se trata de um mundo coberto de segredos mas um novo horizonte à ser reconstruído: um horizonte para voar. As asas (muitas pessoas reclamaram desta) fazem referencias a personagens que aparecem apenas nestes livros. E Feyre aparece sozinha, finalmente grande o suficiente para saber em quem confiar e como se portar, mas principalmente para tomar as rédeas do seu próprio destino.

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Curiosidades
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❉ O primeiro livro foi livremente baseado em A Bela e Fera, sendo a relação de Tamlin e Feyre parecida com as dos protagonistas homônimos do conto citado.
O Segundo livro foi em mitologia grega. Hades rouba Perséfone para ser sua esposa e a relação de Feyre e Rhysand de barganha pode ser considerada como tal.
❉ O terceiro livro pode ter tido como base Branca de Neve. Pelos elementos misticos colocados no livro, como também pelo fato de Feyre se importar com exatamente sete pessoas que formam sua família.
❉ Os Spin-Offs de podem ser baseados em A Rainha da Neve (conto) e também em O Lago dos Cisnes, sendo este último confirmado pela autora.
❉ A autora começou a escrever Corte de Espinhos e Rosas na primavera de 2009 e terminou o manuscrito em apenas cinco semanas.
❉ A autora tem outra série de livros (Trono de Vidro) que tem como base o conto Cinderella.
❉ O termo feérico é um adjetivo que que revela um ser luxuoso, fastuoso, deslumbrante.

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Então é isto Corujinhas, espero que tenham gostado. Beijos.

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(Resenha) Corte de Gelo e Estrelas – Livro 3.5 – Sarah J. Maas.

Antes de ler esse livro, estava na minha mente que eu não deveria fazê-lo. Nunca leio livros spin-off de alguma coisa, principalmente quando são voltadas aos mesmos personagens sem trazer nada mais de novo. Mas, quando a oportunidade de Corte de Gelo e Estrelas (ou Corte de Gelo e Luz Estelar no original) eu pensei: porque não? É um livro curto, talvez me surpreenda. Mas a verdade é que estou chocada em ver como a Sarah J. Maas simplesmente deixou que o capitalismo falasse mais alto nos apresentando uma história esdruxula que me arrependo amargamente de ter lido.

Título: Corte de Gelo e Estrelas | Título original: A Court of Frost and Starlight| Série: Corte de Espinhos e Rosas 3.5| Autor: Sarah J. Maas | Editora: Galera Record | Páginas:  238 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ | Encontre: SkoobSaraivaAmazon

ACOFAS_BrasilSinopse: O aguardado spin-off da série Corte de Espinhos e Rosas.
Feyre, Rhys e seu círculo íntimo de amigos ainda estão ocupados reconstruindo a Corte Noturna e tentando manter a paz, conquistada a base de muito esforço e perdas pessoais, após a queda da muralha. Mas o Solstício de Inverno finalmente está próximo e, com isso, um alívio merecido. Compras, festas, celebração e a promessa de dias tranquilos. A atmosfera festiva não consegue, entretanto, impedir que as sombras da guerra se aproximem. Em seu primeiro Solstício como Grã-Senhora, Feyre ainda lidando com os horrores do passado recente, e percebe que seu parceiro e sua família têm mais cicatrizes do que ela esperava – cicatrizes que podem impactar o futuro, e a paz, de sua Corte.

– Você nasceu na noite mais longa do ano. Era seu destino estar ao meu lado desde o começo.

A narrativa de Sarah J. Mass, em termos de escrita ainda é uma das melhores. Apesar da pouca história, a autora consegue prender o leitor até o final do livro e eu diria que esse é um dos poucos méritos de ACOFAS. Se bem que é um eufemismo da minha parte chamar de pouca história o que Sarah fez quando, na verdade, não existe história alguma. Eu não consigo entender como uma autora tão brilhante quanto Sarah escreveu 238  páginas sobre compras e presentes. Sim, porque a história todo – exceto poucos capítulos – é voltada a essa encheção de linguiça.

De primeira, já é assustador o fato que Rhysand deixa Feyre em casa para cuidar de papéis quando ele vai resolver assuntos políticos para além da corte. Apesar de entender que a Sarah estava trilhando responsabilidades diferentes para cada personagem, a escolha de Rhys é misógina que não está nem um pouco próxima ao que ele fez quando a escolheu como sua grã-senhora. E claro que não posso esquecer que foi exatamente o que Tamlin fez com Feyre.

Falando no grão-senhor da Corte Primaveril, se eu posso acrescenta a longa lista de coisas que senti raiva nesse livro foi a maneira com o qual Rhys chutou cachorro-morto. Vejam bem, eu nunca fui exatamente fã do Tamlin nem mesmo quando este era o “mocinho”. Mas acredito que ele deve ter sua chance de redenção ou pelo menos seguir sua vida. De modo, que deveria bastar o fato que Feyre conseguiu com que todos deixassem a Corte Primaveril e Tamlin se encontra em um mausoléu para lidar com sua própria cólera. Então me digam: qual a necessidade do Rhysand ir até lá com um propósito e terminar saindo pisando no Tamlin? É tão incrivelmente mesquinho e completamente arrogante, que boa parte do respeito que tinha pelo Rhysand se foi nesse ponto. Boa parte, porque o resto… Ah! O que dizer do que aconteceu…

“Para a abençoada escuridão da qual cada um de nós nasceu, e para a qual retornaremos algum dia.”

Por falar em Rhys e Feyre, mais ou menos desde Corte de Asas e Ruína já estava um tanto enjoada do casal. Eu amo Feysand (ou amava), mas o propósito da Sarah J. Maas nunca foi exatamente o romance ao meu ver. Ele deveria ser algo a parte, principalmente no terceiro livro quando o foco era a guerra contra o rei de Hybern. Então, ao ler mais sobre o casal em ACOFAS o sentimento de desgosto apenas aumentou. O fato é que Feysand já deu. Sua história já foi encerrada. O foco deveria ser os outros personagens que não tiveram voz nos outros livros.

De modo que minha outra e única parte positiva nesse livro está na narração dos outros personagens que ganharam um pequeno espaço. Morrigan teve dois capítulos e posso dizer que não foram excelentes, mas também não foram desperdiçados. Quero dizer, nós temos um resgate de seus sentimentos em favor do seu passado mais contado por ela que deixam um sabor de quero mais. Já Cassian, que de longe foi o que teve mais destaque com três capítulos, mostrou o que podemos esperar de seu spin-off. Cassian sempre foi meu macho predileto, e porque não? Sua imperfeição e seu jeito sarcástico me soam os mais atrativos pelas camadas que o personagem possui e que não encobrem a perfeição mais algo mais denso e mais intrigante que isso.

“Ela rasgou a escuridão com garras e dentes. Dilacerou e destruiu. A escuridão eterna ao redor dela estremeceu e se debateu. Ela riu enquanto aquele poder tentava recuar.”

Mas foi Nestha que fez tudo valer a pena. Nestha sempre foi minha personagem favorita por tudo que pode trazer para a história, por todo enredo que tem emaranhado em suas entranhas. Ela é forte de uma maneira que ninguém é pois carrega dentro de si a escuridão desde antes de ser Feita. Em um único capítulo, Nestha me desfez em pedaços e me reconstruiu para que eu amasse ainda mais; para que eu a quisesse protegê-la de tudo, mas principalmente de todos. Porque, pelo Caldeirão, como o ódio me consumiu a cada vez que Feyre e Rhys se referiam a ela. Principalmente Feyre.

No segundo livro, Feyre sofreu como uma condenada pela dor absolvia depois do acontecido Sob A Montanha. Mas agora, quando sua irmã precisa dela ela se mostra incapaz de ajudar. Nestha, talvez não mereça ajuda pelo modo como a tratou em cada um dos volumes. Mas ela merece pelo menos respeito à sua dor, ao que viu, ao que sentiu. Em cada uma de suas aparições era gritante que como Nestha implorava por ajuda, mas estavam todos tão envolvidos com suas próprias felicidades, Feyre tão disposta a ignorar os sentimentos da Nestha para ter o seu feriado perfeito, que ela foi ignorada. .

E sinceramente, acho que não vou mencionar o preview que teve do próximo livro porque é capaz de eu cometer um crime de ódio contra Maas. Pois o pior de tudo é a ironia do fato que Feyre acusou Tamlin de tê-la tratado como sua propriedade e é exatamente isso que ela faz com a Nestha, se aproveitando do fato que a irmã precisa do dinheiro dela para compeli-la a fazer coisas que não deseja.

Corte de Gelo e Estrelas foi uma leitura amarga. Uma fanfic teria sido melhor. De todas as maneiras que consigo pensar, Feysand perdeu meu respeito. A melhor parte da obra foi o que não era dessa história, pois dar uma espiada no primeiro capítulo de “Nessian” valeu pelo gosto do que está por vir. Eu só espero que Feysand não volte a narrar e que minha Nestha, minha querida e poderosa Nestha, obtenha toda a glória, toda vingança e toda felicidade que ela merece.

“Cassian nomeara pelo menos doze poses para Nesta até aquele momento. Começando em Eu Vou Comer Seus Olhos no Café-da-Manhã até Eu Não Quero que Cassian Saiba que Estou Lendo Livros Eróticos. A última era sua favorita.”

(Resenha) Corte de Asas e Ruína – Sarah J. Maas – Livro 03

Corte de Asas e Ruína.é o desfecho de uma história e um prelúdio para as outras que virão. Existe guerra, existe amor, existe dor. O anseio pelo que está por vir é só a ponta do iceberg para o verdadeiro caos de emoções que é sua história. E Sarah J Maas mostra porque é um das autoras mais amadas da atualidade.

Título: Corte de Asas e Ruína | Título Orginal: A Court Of Wins And Ruins | Série: Corte de Espinhos e Rosas #03 | Autora: Sarah J Maas | Editora: Galera Record |Ano: 2017 | Avaliação:  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

sssssssssssssssssssSinopse: O terceiro volume da série best-seller Corte de Espinhos e Rosas, da mesma autora da saga Trono de Vidro em “Corte de Asas e Ruína” a guerra se aproxima, um conflito que promete devastar Prythian. Em meio à Corte Primaveril, num perigoso jogo de intrigas e mentiras, a Grã-Senhora da Corte Noturna esconde seu laço de parceria e sua verdadeira lealdade. Tamlin está fazendo acordos com o invasor, Jurian recuperou suas forças e as rainhas humanas prometem se alinhar aos desejos de Hybern em troca de imortalidade. Enquanto isso Feyre e seus amigos precisam aprender em quais Grãos-Senhores confiar, e procurar aliados nos mais improváveis lugares. Porém, a Quebradora da Maldição ainda tem uma ou duas cartas na manga antes que sua ilha queime.

“Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

O que me faz gostar dos livros de Sarah J. Maas é a narrativa carregada de sentimentos. Certas vezes, fico impressionada com sua capacidade de nos fazer sentir como parte do seu mundo por conta das descrições e do modo com o qual os sentimentos são postos. Muito embora neste livro tenha percebido uma leve procrastinação da autora, ainda sim a escrita foi esplêndida para me manter viva na leitura. Foram dois dias intensos, e eu me lembro perfeitamente — mesmo depois de meses de ter lido — da necessidade que sempre precisar de mais da obra. Dormir, foi um martírio pois minha mente voltava aos acontecimentos e as surpresas que estavam por vir.

– A grande alegria e honra de minha vida foi conhecê-los. Chamar vocês de minha família. E sou grato, mais do que posso expressar, por ter recebido esse tempo com vocês.

Dentro da escrita, uma das minhas partes favoritas é o fato de Sarah usar o constante intertexto em suas páginas. A autora consegue trilhar caminhos diferentes para histórias que já conhecemos. Nas costas do livro, e como uma arma utilizada por Feyre contra o rei de Hybern, o espelho de Ourobouro é o nome dado ao mesmo objeto na Branca de Neve (espelho, espelho meu…) que ganha um novo sentido na narrativa. Outro é a história da rainha Vassa que sofreu uma maldição que a transforma em um mulher durante e um pássaro de fogo durante a noite, relembrando outra história famosa eternizada pela Disney. Isso, pode parecer estranho, mas ajuda na hora da construção do sentido do texto que não foi explicado. E claro me faz soltar uns Ahs! de administração para a criatividade da autora.

Além disso, podemos encontrar no texto um crescimento gradual da narrativa com o resgate das pequenas coisas. Os minúsculos fatos costumam ser perdidos em séries muito grandes pois novos acontecimentos são inseridos à todo momento. Quando o resgate acontece, soa genial pelo sentido que toda leitura valeu a pena. Tudo faz sentido e todas as peças são encaixadas.  A série de Maas, principalmente este último livro é uma prova de que tais resgastes são essenciais as obras, pois ao mesmo tempo que Sarah expõe um novo acontecimento ela o liga à um do passado conectando a história e todas as outras que vieram póstumas a ela.

“Sempre considerei a morte como um tipo de boas-vindas pacífico; uma cantiga doce e triste que me atrairia para o que quer que esperasse depois.”

Mas como nem tudo nesse livro foram flores, tenho que admitir que um dos meus pontos favoritos, também e controversamente, foi um dos seus pecados. A narrativa de Sarah muitas vezes perdeu o tino pela inserção de momentos que não eram exatamente necessários à história. O principal é quantidade alucinante de cenas de sexo. Acredito que já tenha comentado que romance em fantasias não é meu foco pela perda de história para adição de tal prerrogativa. Mesmo gostando de Feysand, em Corte de Asas e Ruína a perda não é diferente mas no sentido de tempo. Considerando que estamos falando de guerra, uma tensão surgida após  a firmação do romance entre Feyre e Rhysand no livro anterior, as cenas de sexo me pareceram forçadas no contexto da história pela falta de necessidade. Exceto quando Feyre retorna para casa, a continuidade de cenas do tipo foi enjoativa e olha que eu amo (ou amava) o casal Feysand. Mas aqui não acredito que cabia. Tanto, que se retirarmos as cenas de sexo o livro diminuiria pelo menos umas cem páginas e tornaria a leitura mais fluída e sagaz.

 “Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

Outras cem seriam facilmente cortadas se não fosse a adição de outra coisa supérflua a narrativa de Feyre aprendendo a voar. Mas Jessica, issoo é interessante? Claro que é, contanto que tenha papel na ativo no enredo, pois do contrário, torna-se apenas uma informação à mais como um tipo de aposto: esta lá, mas não era necessário.  Pois eu não me lembro — se tiver por favor me diga nos comentários — dessa situação de vôo aparecer em batalha ou de algum modo pertinente ao enredo. Se não considerarmos a história que Azriel conta a Feyre em uma de suas aulas (que cá entre nós, poderia sim ter sido feito em outra situação) estas foram encheção de linguiça. Mas, talvez eu só seja antipática mesmo.

“Se Rhysand era a Noite Triunfante, eu era a estrela que só brilhava graças a sua escuridão, a luz apenas visível por sua causa.”

Retornando aos pontos positivos, o romance de Feysand atingiu um bom nível de cumplicidade nessa obra, mas e é separadamente que Rhysand e Feyre ganham meu coração. Muito embora não costume gostar de personagens perfeitos, Rhysand é um macho que gostaria de ter em minha vida como amigo. Inteligente e justo, Rhys é um retrato do heroico de quando o amor é existe ele pode se manifestar de vários modos. Já Feyre terminar sua jornada para abraçar o poder que conquistou nas obras anteriores. É fantástico perceber como Feyre cresceu. Se em ACOTAR Feyre era uma garota assustada e em ACOMAF um projeto de Girl Power, em ACOMAF Feyre encontra sua verdadeira força ao se tornar uma mulher poderosa. Sua construção foi feita tijolo por tijolo e esse é o principal crédito da trilogia como um todo. Em tempo onde as Girls Powers nascem da arrogância e da síndrome estou-certa-e-você-errado, ver uma força sendo construída e não jogada é sensacional.

– Apenas você pode decidir o que a destrói, Quebradora da Maldição

E igualmente a construção de Feyre e Rhysand, os outros personagens foram dignamente tomados. Morrigan e Azriel não enchem meus olhos, mas assim como o que é referente a Lucien possuo certa expectativa do que suas amarguradas histórias ainda podem revelar. Elain… Bom, o que dizer de Elain? Bom… Sendo absolutamente sincera acho-a um tanto sonsa, mas não tenho sentimentos negativos ou positivos com ela. A verdade é que se olharmos para as irmãs de Feyre quando as duas se recusaram a ajudar a irmã, Nestha por ser mais grossa recebe os créditos da ruindade. Mas Elain faz a mesma coisa mas é relevada por sua doçura, o que ao meu ver, e como se ela se fizesse de sonsa (cadê o emoji levantando os braços quando a gente precisa.)

“Se Elain era uma flor naquele acampamento de guerra, então Nestha… ela era uma espada recém-forjada, esperando para tirar sangue.”

E por falar em Nestha, como não amar Nestha e tudo que essa personagem pode trazer? A minha protagonista — percebam o nível do meu amor — é tudo que eu espero e mais um pouco sempre me surpreendendo. Nesse livro, esta ainda mais impressionante audaciosa. Marcada pelo caldeirão e com uma família quebrada mais refeita, Nestha provoca sem revelar muito sobre si. Sua esfera de poder é ao mesmo tempo a cruz que carrega. E mesmo que não possa dizer que não a entenda, ainda sim posso falar que absolvi o seu ódio como meu. Nestha é fogo, ódio e dor. É ressentimento, amor e medo. É tudo é não é nada. E cada vez que a leio, me encontro capaz de chorar pela sua complexidade. Eu preciso de mais de Nestha Archeron, de todas as maneiras que Maas puder me dar.

“Cassian estava avaliando Nesta, um brilho em seus olhos que eu só podia interpretar como um guerreiro encontrando-se diante de um novo e interessante oponente.”

Por tudo isto, posso dizer que Corte de Asas e Ruínas é um marco na minha vida. Em breve serão lançados spin-offs para completar os arcos de cada personagem. Claro que o livro de Nestha e Cassian é o mais aguardado para mim, mas espero gostar de todos os volumes que estão por vir. Sarah J. Maas é uma das melhores escritoras de seu tempo, e espero ansiosamente por mais e mais dela.

 

| RESENHA | Corte de Névoa e Fúria — Sarah J. Maas — Livro Dois.

Sarah J. Maas é uma das minhas autoras favoritas na escrita fantástica. Ler seus livros é sempre ser levado por uma enxurrada das mais fortes emoções. De certa forma, eles me fazem lembrar os motivos pelo quais meu blog tem o nome inverso do meu gênero favorito. Por que quando você lê uma ficção fantástica absurdamente bem escrita percebe que não existe limites para as emoções e para o inimaginável. Corte de Névoa e Fúria é com certeza meu livro favorito da autora até então entrando também para a minha lista para das melhores fantasias de todo os tempos. Pois, ele me fez crer ainda mais no poder do fantástico e da ficção.

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Título: Corte de Névoa e Fúria
Titulo Original: A Court Of Winds And Mist
Autor: Sarah J. Maas
Editora: Galera Record
Ano: 2016
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 💜
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino

 

SINOPSE: O aguardado segundo volume da saga iniciada em Corte de Espinhos e Rosas, da mesma autora da série Trono de Vidro. Nessa continuação, a jovem humana que morreu nas garras de Amarantha, Feyre, assume seu lugar como Quebradora da Maldição e dona dos poderes de sete Grão-Feéricos. Seu coração, no entanto, permanece humano. Incapaz de esquecer o que sofreu para libertar o povo de Tamlin e o pacto firmado com Rhys, senhor da Corte Noturna. Mas, mesmo assim, ela se esforça para reconstruir o lar que criou na Corte Primaveril. Então por que é ao lado de Rhys que se sente mais plena? Peça-chave num jogo que desconhece, Feyre deve aprender rapidamente do que é capaz. Pois um antigo mal, muito pior que Amarantha, se agita no horizonte e ameaça o mundo de humanos e feéricos.

— Quando se passa tanto tempo presa na escuridão, Lucien, se percebe que a escuridão passa a olhar de volta.

Ler um livro de Sarah J. Maas é sempre saber que virá um mar de emoções. A autora que é dona de uma escrita poética e detalhista, tem o dom de transportar-nos para mundo que criou. Sabemos sempre que devemos esperar o inesperado e que a palavra impossível não existe em seu vocabulário. E mesmo sabendo de tudo isso, não pude deixar de me surpreender com as diversas reviravoltas presentes em Corte de Névoa e Fúria. Foi muito melhor do que poderia imaginar. Sarah J. Maas superou minhas expectativas transformando o mundo criado aos moldes de A Bela e Fera em algo muito maior.

Aquela garota que precisava ser protegida, que desejara estabilidade e conforto… ela morrera Sob a Montanha. Eu morrera, e não houve ninguém para me proteger daqueles horrores antes que meu pescoço se partisse. Então, eu mesma o fiz. Eu não iria, não poderia abrir mão daquela parte de mim que despertara e se transformara Sob a Montanha.

Apesar de agora estar com Tamlin sem a ameaça de Aramantha, Feyre inicia sua jornada nessa obra de forma bastante parecida com a do livro anterior. Ela esta depressiva, quebrada e sem forças para continuar lutando por si. Vive em prol de outra pessoa esquecendo gradualmente de como ser feliz à medida que é sufocada pelo peso de tudo à sua volta. A diferença é que se antes Feyre estava infeliz pelas dificuldades financeiras de sua família, agora ela está infeliz pelo peso do sangue em suas mãos. Conforme os dias passam, tudo piora pois Tamlin não entende suas necessidades — ou finge não entender — e a envolve em um palácio de super-proteção transformando a Corte Primaveril em nada mais que um grande calabouço.

À questão não é se amava você, é o quanto. Demais. Amor pode ser um veneno.

 

Tamlin não é mais o mesmo ou talvez apenas agora mostre quem é o verdadeiro feérico que estava escondido abaixo da máscara. Se ele foi quebrado ou não assim como Feyre enquanto estava Sob A Montanha não faz exatamente diferença, pois de uma forma ou de outra Tamlin agora é apenas uma sombra grotesca do homem que foi ou aparentava ser. Em uma breve analogia com A Bela e a Fera Tamlin pode ser tanto a Fera do conto original por ter com Feyre em um relacionamento abusivo, como também o Gaston da versão animada Disney por ser simplesmente egocêntrico de mais para dar valor aos sentimentos e medos da Feyre quando acredita que apenas os seus são relevantes.

 

Eu parecia… Parecia que o ódio, o luto e o desespero tinham me devorado viva, como se eu estivesse, de novo, faminta. Não por comida, mas… mas por alegria e vida…

Juntos, Feyre e Tamlin enredam em um amontoado de situações agonizantes e precárias. Feyre está tão desesperada para sair da escuridão que a consome que aceita o que Tamlin lhe dá sem se dar conta que com isso está apenas reiterando com mais força as armas que ele usa para mantê-la sob controle. Mas a verdade é que Feyre nunca foi um bicho de estimação ou um ornamento bonitinho para se sentar em um trono e ser admirada. Dessa forma, Feyre não poderia suportar tal prisão por muito tempo chegando à um ápice de raiva, dor e desespero.

Porque o ódio era melhor que sentir nada; porque ira e ódio eram o combustível duradouro na escuridão infinita de meu desespero.

Quem me acompanha aqui no blog sabe que desde Corte de Espinhos e Rosas eu torcia para que Rhysand ganhasse mais destaque durante os volumes seguintes. De modo que para minha completa alegria, Rhys aparece em dado momento de Corte de Névoa e Fúria como um bálsamo para Feyre lhe abrindo os olhos ao que anda acontencendo no mundo fora do véu criado por Tamlin. Rhys fornece perguntas e respostas que Tamlin nunca lhe daria. Há perigo vindo em direção à Prithyan e Feyre com seu novo corpo e seus novo dons pode ser a única que poderá impedir a ruína dos reinos feéricos e humanos. Mas para isso, Feyre precisará treinar tais dons e fortifica-se pois quando a ameaça chegasse ela precisaria estar pronta para o que fosse necessário.

 

Você disse que eu deveria ser uma arma, não um peão, mas os dois parecem a mesma coisa para  mim. A única diferença é quem os empunha.

Como uma leitora fanática por suspenses em geral, durante boa parte da obra fiquei com um pé atrás em relação ao Rhys mesmo sendo completamente apaixonada por ele. Contudo, à medida que ia passando as páginas, Rhysand conquistou não só meu amor como minha confiança. Sarah construiu uma relação profunda entre os personagens principais. As cenas entre Rhys e Feyre são muito bem formuladas. Os diálogos e ações entre ambos vêm cheios dos mais variados sentimentos. A química entre os dois é palpável e passei boa parte do livo torcendo por um beijo ou qualquer coisa que me mostrasse o quão certo era aquele romance. Mas ao mesmo tempo em que pedia mentalmente por isso, sabia que não era a hora certa para acontecer. Ambos precisariam estar realmente prontos e inteiros.

Há dias bons e ruins para mim… mesmo agora. Não deixe que os dias ruins vençam.

Posso afirmar que Feyre e Rhysand foram remédios um para o outro. Feyre começa o livro frágil e desolada, mas com ajuda de Rhys se torna novamente — e até bem mais que antes — a mulher feérica empoderada ciente de seus desafios, escolhas e erros que sabemos que ela é. Feyre se reconstrói aos poucos pois a liberdade é sua bênção mas é a compreensão o seu alicerse. Já Rhys, por debaixo da máscara de Grão-Senhor da Corte de Noturna, esconde um feérico que tem muito mais medos e bondades do que podemos esperar. Reconstrói-se com a ajuda de Feyre ao perceber que o amor não é somente perda ou dor, é também amizade e cumplicidade. Rhys é intenso, arrebatador e altruísta capaz de se sacrificar por aqueles que ama. Com certeza é meu personagem favorito de toda a série pois ao enxergar sua alma percebi o quão humano este feérico pode ser.

Talvez amem tanto o lugar para onde vão que vale a pena. Talvez continuem voltando até que reste apenas uma estrela. Talvez essa única estrela faça a viagem para sempre, com a esperança de que um dia, se continuar voltando com frequência, outra estrela a encontre de novo.

Corte de Névoa e Fúria traz novos personagens além de nos trazer de volta alguns do passado. O mais engraçado é que desde o primeiro livro eu torcia para que certas pessoas também tivessem sua vez à encontrar um par no universo de Maas. E pelo andar da carruagem é bem provável que isso aconteça mesmo. Não somente pelas portas que ficaram em aberto ao fim deste segundo livro, como também pela complexidade singular que cada personagem — novo ou antigo — apresentou durante a obra. Não acredito que Sarah deixaria esses personagens de lado então é só esperar pelos spin-offs que tenho certeza se tratar de cada um.

O poder não pertencia aos Grão-Senhores. Não mais.
Ele pertencia a mim; assim como eu só pertencia a mim, como meu futuro era meu para decidir, para forjar.

 

Corte De Névoa e Fúria tem tudo para estar entre as melhores leituras que realizei esse ano. Não consigo definir e falar de tudo que senti durante a obra ou com certeza passaria a eternidade escrevendo essa resenha. Apenas posso dizer que sua leitura vale muito à pena. Entendo que algumas pessoas simplesmente não gostam de triângulos amorosos, mas quero acreditem em mim que de certo modo esse livro não se trata disso. Se trata de quem somos e quem podemos ser, mas principalmente de que tipo de amor escolheremos para fazer parte de nossas vidas.