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| LIVROSOFIA | Componentes Literários.

Oii amores, tudo bom com vocês? Hoje é dia de mais um livrosofia. Espero que vocês estejam gostando dos temas das postagens. Hoje, vou livrosofar sobre os componentes da narrativa tão importantes na construção do universo dos livros. Esse post será de longe o mais pessoal da categoria porque tenho certeza que esses integrantes se comportam de maneiras diferentes para os leitores.

Quando comecei a ler, eu tinha quatro anos (viva minha mãe!), mas só me tornei uma uma leitora voraz muito depois quando ganhei meu primeiro smartphone aos dezesseis. Foi quando descobri os livros online e posteriormente os digitais. Naquela época, os livros me ganhavam com facilidade pois eram mundos extremamente novos. Mas a medida que os anos foram passando, eu lia cada vez mais de modo que fui mudando meus conceitos e adquiria maior criticidade com o que estava lendo. Não era mais toda obra que me chamava atenção nem toda que me surpreendia. Resgatando o que falei no mês passado, cresci literariamente e os componentes foram ganhando outra proporção ao passo que criei novos parâmetros sobre o que considerava importante em um livro. Meus componentes literários amadureceram junto comigo.

O primeiro ponto que me faz gostar ou não de um livro é a sua narrativa de um modo geral. Esta tem que conquistar provocando minha vontade de continuar lendo. Hoje em dia não tenho mais problemas em abandonar obras pois como sabem a vida é muito curta para ler livros ruins. Já abandonei um par de livros que pareciam ter uma boa história, mas não fluentes por terem uma narrativa fraca ou repetitiva. Não que eu espere que toda leitura seja fácil, mas se não existe ali um real sentimento de ler não o farei. Sempre procuro ir até o fim de leitoras que me estimulem, afinal de contas se eu não amar o que estiver lendo, não faz o menor sentido continuar. Dentro da narrativa, a maneira com o qual o autor irá conduzir a história em termos de escrita também me influência à continuar lendo o livro. Em uma questão de detalhismo, sou do tipo de leitora que gosta de uma execução mais minimalista ou no quesito ambiente, ou no quesito emoção: quando encontro livros que trazem um trabalho maior detalhes é como se eu fizesse parte da história já que consigo me ver dentro dela.

Se o primeiro ponto é a narrativa, o segundo será com certeza a construção dos personagens. Existem variados tipos de pessoas no mundo, mas a perfeita não é uma delas. Se tem uma coisa que me deixa bastante irritada com um livro é a construção de personagens perfeitos. Em uma consideração de obras que li e percebi essa perfeição, posso dizer que em suma maioria acabei não gostando dos livros. A perfeição tira o credível de qualquer obra, o que — mesmo em ficções — é um ponto chave para uma boa leitura. Se não mergulhamos e não acreditamos no que estamos lendo, não faz muito sentido continuar lendo. Por esse motivo, para personagens, algo que ajuda em sua construção é a pré-história que eles carregam. Se todo leitor tem bagagem, obviamente todo personagem também deve ter a sua que é nada mais nada menos que toda sua trajetória de vida até ali. Não importa se um determinado personagem começa a contar sua história aos cinquenta anos, ele precisa ter nascido e crescido em dados momento para ganhar personalidade, afinal de contas ninguém nasce, cresce e morre com as mesmas ideias. Quanto mais um personagem tem sua história de vida trabalhada mais profundo e plausível ele ficará.

Seguramente, a narrativa volta à ser o foco principal dessa discussão quando penso nos motivos do autor. Se todo livro tem uma coisa em comum é que todos têm um motivo para serem escritos. Não estou falando aqui da moral da história ou o ensinamento que o autor quer passar ao fim de tudo — já que considero estas apenas consequências de uma boa narrativa do que algo feito de caso pensado; bons livros falam por si só —, mas sim daquele enorme xis da questão. (Dando um exemplo de um clássico: Qual motivo de Peter Pan? Um(a) autor(a) criou um mundo para falar sobre o medo de se perder a inocência com a chegada da maturidade). Dessa forma, se eu disser que o motivo da história é importante seria um eufemismo. O xis da questão é normalmente uma base que vai guiar todo o caminho traçado pelo autor. É o ponto inicial que vai definir os caminhos com os quais a história poderá ser desenvolvida.

Partindo disso, chegamos então ao ponto crucial de toda obra. Aquele momento que simplesmente vai definir se eu realmente gostei da obra ou não. Afinal, se toda obra tem os motivos que irão definir o caminho traçado, então todo livro deverá ter um bom porquê para lhe dar fundamento à sua argumentação. O caminho traçado pelo autor ao fim de tudo terá que fazer sentido quando ele enfim juntar todas perguntas que nos fazemos ao ler uma obra (Porquê o casal resolveu ficar junto ou não; porquê aquele personagem decidiu cometer um crime). O porquê de um livro é o ponto onde vamos decidir se aquela obra valeu a pena. Se todo caminho percorrido do começo ao fim fez sentido.

Os componentes literários não são moldes que se adequam a todos os livros. Não posso dizer que a falta de uma ou outra coisa influenciem completamente em minhas leituras. Mas estes são pontos de partida para eu analisar o impacto que aquela obra teve sobre mim em seus mais variados aspectos. Dessa maneira, gosto de pensar que livros são como roupas. Um autor irá desenha-la, planeja-la, corta-la e custurar ela da maneira com o qual achar melhor. Mas ao fim de tudo, será o leitor que escolherá se a aquela obra serviu-lhe ou não.

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Bem amores, esse foi o Livrosofia de hoje. Espero tenham gostado. Mês que vem vou trazer um pouco de História para vocês sobre os gêneros e sua classificação. Lembrando que vocês podem ver os outros posts da categoria através da aba aqui do lado. Mas enquanto isso, deixem comentários sobre os seus componentes literários. Eu ia amar saber o que conquista vocês livros.

Mil beijos. Até o próximo.