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(Algo À Ver) Caixa de Pássaros – Susanne Bier

Quando foi anunciado que uma das minhas atrizes favoritas interpretaria o papel de protagonista em um dos meus livros favoritos, fiquei ansiosa para assistir a produção. Caixa de Pássaros, porém não se mostrou a altura do que esperava e muito embora seja uma boa diversão, não passa mais do que isso.

Título: Caixa de Pássaros | Título original: Bird Box|Diretor: Susanne Bier | Elenco:  Sandra Bullock, Sarah Paulson e John Malkovich| Distribuição: Netflix | Duração: 117m| Ano: 2018 | Avaliação: 🎬 🎬 🎬

0841660.jpg-c_215_290_x-f_jpg-q_x-xxyxxSINOPSE: Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Em um mundo pós-apocalíptico, Malorie e seus filhos precisam chegar em um refúgio para escapar de uma criatura aterrorizante. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. De olhos vendados para não serem afetados, a família segue o curso de um rio para chegar à segurança, mas a jornada se mostra ainda mais perigosa quando Malorie se defrontar com seus sentimentos mais obscuros.

Desde que foi lançado em 2017, é certo dizer que o livro Caixa de Pássaros se tornou um fenômeno mundial. Assim sendo, se tomarmos como o fato que o cinema atual é movimentado principalmente por adaptações seja de livros ou de quadrinhos, não é surpresa que a obra de Josh Malerman tenha chegado as telonas, ou nesse caso, as plataformas digitais pela Netflix. O lançamento original da produtora sob a direção de Susanne Bier, tem grandes proporções o que se espera de uma obra ambiciosa, mas de pouca ousadia.

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Caixa de Pássaros tem uma proposta única, pouco vista no meio visual. A ideia do filme é causar uma sensação claustrofóbica no espectador, que deveria ficar amedrontado pelas criaturas que não pode ver. Dessa maneira, o grande erro de Bier na construção da película foi a simplicidade quase extremista usada na fotografia. E, eu diria, muito disso se deve a necessidade que a diretora parece ter em ser fiel ao livro, talvez por medo das críticas dos fãs da obra original.

A maior reclamação por leitor de adaptações realizadas frequentemente vêm ao se depararem com diferenças significantes entre filme e livro. Contudo, será mesmo que as duas coisas precisam ser idênticas? Caixa de Pássaros é a prova do mito que envolve essa afirmação.

Deve-se sempre lembrar que as duas plataformas são diferentes; enquanto o livro trabalha com diversas modularidades da mente, em que o leitor usa principalmente da imaginação para complementar as peças, o filme é visual deixando de lado essa característica em que o cérebro parece procurar uma resposta mais imediata. De modo que se Malerman tem “às cegas” como fonte principal em incitar o leitor, Bier não consegue o mesmo efeito com a película pela simplicidade excessiva que utiliza tanto na fotografia como na sonoplastia, não conseguindo passar as informações certas para o espectador.

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Mas não podemos dizer que o filme em si é de todo ruim, ou que não tenha seus méritos. Se olharmos para o roteiro, a essência do medo está presente. Não somente pelas criaturas, mas de Malorie (Sandra Bullock) e sua incapacidade de se aproximar das pessoas. Falando em Bullock, a atriz experiente é a grande cartada da película. Conhecida principalmente pelos seus papeis na comédia, Bullock mostra porque é considerada uma das atrizes mais versáteis de sua geração. Dotada de uma expressão endurecida, até mesmo cética, Bullock demonstra com facilidade todos os momentos de Malorie, mesmo que está seja um grande clichê. Uma mulher que – com o extremo da situação – aprende a interagir e amar outra pessoa.

Caixa de Passáros é um filme despretensioso que agradará o público, mas que será esquecido com a mesma facilidade em que alcançar seu ápice. Um bom entretenimento e nada mais.

Caixa de Pássaros: Não Abra Os Olhos – Josh Malerman

Sinopse: Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas.

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Mas ela se pergunta se não há outra tampa acima daquela, e depois mais uma. Encaixotados, pensa. Para sempre.

Ao começar Caixa de Pássaros eu não tinha ideia de absolutamente de quase nada que poderia acontecer no livro. Já que eu não tenho costume de ler sinopses e muitas das vezes, quando um livro soa atraente pelo nome e capa, eu me recuso a ver o que pessoas falam sobre ele (tentando não criar muitas expectativas), tudo que eu sabia é que sobre a história era que A): se tratava de livro de terror e que B): ele seria narrado em terceira pessoa tanto no presente quando no passado.

Ao iniciar o livro, depois da influência de um áudio da minha amiga Jane, posso dizer que a história tem dois pontos de partida, ambos narrados pela personagem principal: Malorie. O primeiro, contado no presente, é a partida dela e de seus dois filhos (chamados apenas de Garoto e Menina) da casa onde ambos se escondiam para uma travessia em um rio que os levaria a algum lugar seguro. E o segundo, narrado cinco meses antes é a descoberta de sua gravidez e ao mesmo tempo uma notícia assombrosa que corre o mundo: pessoas estão cometendo suicídio (e até matando entes queridos) após verem alguma coisa. Nesse ponto da história entendi a primeira coisa sobre o livro, dita em sua capa: “Não Abra Os Olhos”. A ordem dada pelo autor soa impossível re ser cumprida ao mesmo tempo necessária para a sobrevivência dos personagens. Mas ao mesmo tempo em que percebi o significado da ordem, fiquei confusa em como Malorie poderia encontrar um lugar seguro sendo que o que vinha acontecendo tinha veias de ser global.

Assim, já nesse comecinho de livro, mas especificamente após esses dois primeiros capítulos, o autor põe na cabeça do leitor as duas perguntas que vão persegui-lo durante toda o trajeto do livro: O que pode ser tão horrível ou tão persuasivo a ponto de fazer uma pessoa se matar? Como Malorie pode saber que existe algum lugar seguro onde ela possa criar seus filhos para que eles sejam livres e sem medo de enxergar? Dessa forma o autor cria um mundo assombroso por ele ser simplesmente agoniante. Ao mesmo tempo que você deseja que os personagens fiquem seguros, não tem como não desejar que alguém possa simplesmente ir lá fora e te contar o que a está acontecendo, o que são as criaturas. E essa agonia é tão profunda que é impossível deixar de ler o livro buscando uma explicação para o que parece inexplicável.

Além disso, o autor também faz um percurso muito bem trabalho sobre a imaginação e as emoções dos personagens. Dando ao leitor a liberdade para interpretar o que os personagens tocam, mostrando como o medo pode mudar uma pessoa, torna-la distante, fria e reclusa. Mas também deixa-la, contraditoriamente, mais corajosa sempre superando os limites do seu próprio medo.

Eu gostei imensamente desse livro mesmo que o final tenha deixado um ponto em aberto. Ler ele me fez explorar os sentidos além da visão (admito: tentei ficar um tempo me forçando a não olhar alguma coisa e não consegui). Mas principalmente, o livro me fez imaginar diversas criaturas diferentes para tentar descobrir o que não devia olhar. Tentar descobrir os limites da minha sanidade.

Eu super recomendo este livro. É vibrante, é angustiante, é assombroso. É impossível fechar os olhos até termina-lo.

Titulo: Caixa de Pássaros
Título Original: Bird Box
Autor: Josh Malerman
Ano: 2014
Editora: Intrínseca.
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

Você diz a si mesma que esperou quatro anos porque estava com medo de perder a casa para sempre. Diz a si mesma que esperou quatro anos porque queria treinar as crianças primeiro. Mas nada disso é verdade. Você esperou quatro anos porque aqui, nesta viagem, neste rio, onde loucos e lobos a espreitam, onde as criaturas podem estar por perto, NESTE DIA você terá que fazer uma coisa que não faz há muito: mais do que quatro anos. Hoje você vai ter que abrir os olhos. Ao ar livre.