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(Algo À Ver) Com Amor, Simon – Greg Berlanti

Assistir Love, Simon não era exatamente um grande plano.. Vejam bem, eu gosto de ver adaptações de livros para cinema, contudo, não quanto se trata de Young Adult ou New Adult. Isso porque normalmente acho os filmes do gênero bastante chatos pela pouca ação e previsibilidade do enredo. Mas ao ver esse filme, fui fisgada de uma maneira que não esperava. Divertido, Com Amor, Simon capturou a essência do livro de Becky Albertali e transformou em algo ainda maior.

Título: Com Amor, Simon | Título original: Love, Simon | Diretor: Greg Berlanti | Elenco: Nick Robinson, Jennifer Garner, Josh Duhamel e  Katherine Langford | Distribuição:  Fox Film do Brasil| Duração: 109m | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤

com-amor-simonSinopseAos 17 anos, Simon Spier (Nick Robinson) aparentemente leva uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: nunca revelou ser gay para sua família e amigos. Um dia quando decidi trocar confidencias com um anonimo da escola, Simon começa a se apaixonar. Mas tudo fica complicado, quando colega de Simon descobre seu segredo e decidi chantageá-lo para que ele ajude a conquistar uma de suas amigas. A partir daí Simon começa a se questionar o quanto é válido manter esse segredo e quais são as implicações disso acima daqueles que ele mais ama.

A medida que os anos vão passando e a sociedade lentamente evoluí, as representações ganham mais força onde antes parecia impossível. Ver um filme chegar aos cinemas com pum protagonista talvez seja maior prova disso. Com tato, sutileza e uma grande proximidade com os jovens que não somente são homossexuais mas que se vêem jogados dentro de uma vida que não desejam, Com Amor, Simon cumpre um papel de grande importância para retratar a obviedade da validação de toda as formas de amor.

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O filme possui uma narrativa bastante clássica. Primeiro somos apresentados amistosamente aos protagonistas, que tem prerrogativas comuns aos de sua idade. Em seguida conhecemos o segredo de Simon, o início de sua paixão e o erro que levou a sua chantagem. Tudo isso, sendo colocado de maneira simples em termos de luz, texturas e sonoplastia. Sem carregações a efeitos visuais e cores vibrantes, o diretor Greg Berlanti deixa claro que o foco do filme será Simon e todas as dúvidas que envolvem se revelar ou não. Acredito que isto, e o roteiro foram meus pontos favoritos na narrativa. Porque tive a grande percepção que o diretor mostrou que Simon não é diferente de outro adolescente por ser gay. Mas sim um garoto capaz de de se apaixonar como todos os outros.

Eu nunca antes havia tido contato com Nick Robison, bem como com a maioria dos personagens (exceto os pais de Simon). E devo admitir que alguns deles foram bastante surpreendentes. Nick, que dá vida ao Simon é bastante carismático e encantador. O jovem ator tem domínio de suas emoções transformando-se em Simon e garantindo nossa amizade ao protagonista. Já Katherine Langford foi a que mais se destacou como a insegura Leah. Não posso dizer que esse foi seu melhor trabalho, mas posso confirmar que  atriz tem potencial para se destacar mais no cinema. Pois seu texto não chega a ser totalmente imprevisível ou difícil e mesmo assim a atriz consegue dar um toque de vida e graça a sua personagem.

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Outro ponto que me chamou bastante a atenção, foi a família de Simon. Na maior parte das vezes, os relacionamentos familiares costumam ser meu ponto principal em obras sejam em livros e filmes. Por isso, ver a interação de Simon com seus pais e irmã foi emocionante e de certo modo avassalador. Emily (Jennifer Gardner) representa a mãe que só deseja a felicidade do filho, independente de suas escolhas. Já Jack (Josh Duhamel) é o pai másculo que tem que aprender a aceitar seu filho e o continuar amando por mais que pareça difícil aceitar quem ele é.

Com Amor, Simon foi um filme reflexivo que agora eu me arrepende de ter demorado quatro meses para assistir. Levantando questões importantes com a seriedade necessária, a adaptação do livro de Becky Albertalli foi surpreendentemente bem feita. Um filme que quebra tabus, que dá força aqueles que se encontram na mesma situação e demonstra que todos nós estamos aptos a viver uma grande e inesquecível história de amor.

( Resenha ) Os 27 Crushes de Molly – Becky Albertalli

Quem nunca se apaixonou e ficou com medo de se declarar que atire a primeira pedra. Em Os 27 Crushes de Molly, Becky Albertalli vai te cativar com a sutileza de uma história sobre amadurecimento, amor e muita representatividade.

os 27 crushes de mollyTítulo: Os 27 Crushes de Molly
Título original: The Upside of Unrequited
Autora: Becky Albertalli
Editora: Intrínseca
Páginas:
Ano: 2017
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤
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Sinopse: Molly já viveu muitas paixões, mas só dentro de sua cabeça. E foi assim que, aos dezessete anos, a menina acumulou vinte e seis crushes. Embora sua irmã gêmea, Cassie, viva dizendo que ela precisa ser mais corajosa, Molly não consegue suportar a possibilidade de levar um fora. Então age com muito cuidado. Como ela diz, garotas gordas sempre têm que ser cautelosas. Tudo muda quando Cassie começa a namorar Mina, e Molly pela primeira vez tem que lidar com uma solidão implacável e sentimentos muito conflitantes. Por sorte, um dos melhores amigos de Mina é um garoto hipster, fofo e lindo, o vigésimo sétimo crush perfeito e talvez até um futuro namorado. Se Molly finalmente se arriscar e se envolver com ele, pode dar seu primeiro beijo e ainda se reaproximar da irmã. Só tem um problema, que atende pelo nome de Reid Wertheim, o garoto com quem Molly trabalha. Ele é meio esquisito. Ele gosta de Tolkien. Ele vai a feiras medievais. Ele usa tênis brancos ridículos. Molly jamais, em hipótese alguma, se apaixonaria por ele. Certo? Em Os 27 Crushes de Molly, a perspicácia, a delicadeza e o senso de humor de Becky Albertalli nos conquistam mais uma vez, em uma história sobre amizade, amadurecimento e, claro, aquele friozinho na barriga que só um crush pode provocar.

É uma coisa bem incrível não se importar de verdade com o que as pessoas pensam de você. Muita gente diz que não se importa. Ou age como se não se importasse. Mas acho que a maioria se importa muito. Eu sei que eu me importo.

Nunca fui o tipo de pessoa que se prende totalmente à representatividade como marco de toda obra. Não me entenda mal, não é que não ache importante, mas apenas creio que não seja o mais importante. Principalmente porque sempre percebo que acabamos por perder o real significado de representar. Explicando melhor: no meu ponto de vista, o simbolismo deve ser colocado de maneira natural, sem estardalhaço. Pois quando ao contrário, torna-se forçado e o contexto parece ser reduzido. Não estamos mais falando de uma história de superação que consequentemente se torna um manifesto de igualdade, mas passamos a ver a obra como uma procuração que tem o sentido apenas de representar. Exemplificando, depois do lançamento do filme Pantera Negra vi muitas pessoas comentando ser o melhor filme da Marvel por conta disto, afinal pela primeira vez tínhamos um herói negro nas telonas. Mais uma vez não é que eu considere inválido o argumento, mas sinceramente, Pantera Negra não devia ser o melhor filme porque apresenta a melhor história?

Nunca contei para ninguém, nem para minhas mães e para Cassie, mas é o que me dá mais medo: não ter importância. Existir em um mundo que não liga para quem eu sou. É um outro nível de solidão.

Partindo desse princípio, quando comecei a ler Os 27 Crushes de Molly, já sabia que se tratava da história de uma mulher acima do peso ideal (isso existe?), por isso havia me preparado para uma revolução em favor da quebra de determinados tabus. Mas para minha grata surpresa, Becky Albertalli chega com uma narrativa cheia de sutilezas. Ela não cria aquele plot twist de início, mas sim situações reais que tem o propósito de nos mostrar que somos todos humanos de carne e osso. Podemos passar pelas mesma situações e ter os mesmos sentimentos. Não será nossa aparência que determina se somos capazes disso ou daquilo, muito menos de orientação sexual. Ao criar um livro cheio de representatividade, Becky Albertalli não impõe nada por conta dela, mas sim expõe a normalidade que todos deveriam saber.

Odeio estar pensando nisso. Odeio odiar meu corpo. Na verdade, nem odeio meu corpo. Só fico com medo de todo mundo odiar. Porque garotas gordinhas não têm namorados e claro que não fazem sexo. Não nos filmes, não de verdade, a não ser que seja piada. E eu não quero ser piada.

Quando Becky começa seu livro, deixa claro que não estamos falando de uma obra surpreendente cheia de drama adolescente, mas sim de uma história dotada de conflitos que todo adolescente sente, principalmente os mais inseguros. Na época que eu fazia ensino médio, apesar de não ser gorda, nunca me considerei exatamente bonita: era magrela de mais, buchuda de mais (sim as duas coisas existem juntas!), cabelo alto de mais. No entanto nada disso me impediu de ter meus crushes, que apesar de não serem 27, foram paixonites importantes, mas eu também nunca tive coragem de falar com nenhum deles. Dessa forma, ao conhecer Molly me identifiquei facilmente com ela por conta da Jessica do passado. Nós duas achávamos que nunca nos apaixonaríamos e, apesar de sermos felizes assim, queríamos saber qual era a sensação. Não é questão de ser dependente de romance, mas sim de querer ter um tipo de sentimento que parece que todo mundo a sua volta tem menos você.

Passo muito tempo pensando em amor e beijos e namorados e todas as outras coisas para as quais as feministas não tinham que dar muita bola. E eu sou feminista. Mas não sei. Tenho dezessete anos e só quero saber como é beijar alguém.

Pelo fato de ter me visto na protagonista (de uma forma que poucas vezes, ou mesmo nunca, havia acontecido) me conectei a obra ao fundo. Tanto pelo fator inicial de insegurança quanto pela trajetória da personagem para ganhar auto-confiança. Mais uma vez, Becky é sútil ao evoluir sua personagem sem nunca mudá-la. Para tanto, Molly  vai aos poucos percebendo as qualidades que possui entendendo que de modo que o amor não virá apesar de ser gorda, mas sim ciente e acima disto aceitando-a. Afinal de contas, o corpo é só uma casca e muitas outras coisas a definem não existindo motivo para Molly ser rejeitada, ainda mais por padrões de sociedade que nem sequer deveriam existir.

Tem alguma coisa em momentos assim, quando esse fiozinho tênue me liga a um total estranho. É o tipo de coisa que faz o universo parecer menor. Adoro isso.

Outro ponto que me fez amar o livro foram os personagens secundários que realmente fizeram a diferença no enredo. Realmente detesto livros em que os secundários vêm apenas para encher linguiça. Quando li Simon Vs A Agenda do Homosapiens  meu incômodo com foi a criação de tantos personagens que acabaram não tendo relevância no contexto principal. Como que para corrigir seu erro, Becky não perde ninguém e demonstra como a amizade e a família são importantes para a aceitação de si mesmo. Nadine e Patty (mães de Molly e Cassie geradas por meio da proveta) são lésbicas (obviamente né, Jéssica?) evidenciam o primeiro passo: se aceitar e ser feliz sozinhos. Reid (crushe 27) revela o segundo: somente aquele que nos aceita merece estar em nosso amor. E Cassie, Mina, OliviaAbby (lembra dela em Simon?) apresentam o  último sobre amizade e o modo com o qual elas nos mantém de pé.

A amizade é assim: nem sempre é determinada pelo que as pessoas têm em comum.

De todas as maneiras que consigo pensar, Os 27 Crushes de Molly foi um livro espetacular, diria que é um dos melhores livros no gênero e da vida. Becky Albertalli não se prende ao esteriótipo e nem sequer trata seus personagens como absolutamente especiais por apenas serem diferente. Somos naturalmente divergentes um dos outros devemos entender e respeitar isso, mas sobretudo nos aceitar e sermos felizes pela abundância de vida refletida em nós.