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( Resenha ) Identidade Roubada — Chevy Stevens

Livros de suspense estão entre meus favoritos. Na verdade, meu consumo literário (apesar da vivacidade do blog) normalmente é voltado para as questões mais sombrias localizadas entre o suspense e o terror. Por esse motivo, muitas vezes sou capaz de pegar livros de suspense sem nem mesmo ler a sinopse. Baseada na capa e no comentário que normalmente acompanham os livros, decido se a obra vale meu tempo. Foi exatamente isto que aconteceu quando decidi ler Identidade Roubada de Chevy Stevens. E apesar de não poder dizer que foi um dos meus favoritos, ainda sim foi uma leitura que valeu a pena pelas interrogativas colocadas pelo autor.

Titulo: Identidade Roubada Título Original: Still Missing Autor: Chevy Stevens Editora: Arqueiro Ano: Paginas: Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ Encontre:| Amazon | Skoob

Identidade-Roubada-203x300Sinopse: Era para ser um dia como outro qualquer na vida de Annie O’Sullivan. A corretora de imóveis levanta da cama com três objetivos: vender uma casa, fazer as pazes com a mãe e não se atrasar para o jantar com o namorado. Naquele domingo, aparecem poucas pessoas interessadas em visitar o imóvel. Quando Annie está prestes a ir embora, uma van estaciona diante da casa e um homem sorridente vem em sua direção. A corretora tem certeza de que será seu dia de sorte. Mas o inferno está apenas começando. Sequestrada por um psicopata, Annie fica presa durante um ano inteiro em um chalé nas montanhas, onde vive um pesadelo que deixará marcas profundas.

Narrado em passado e presente por primeira pessoa nas duas situações, Identidade Roubada tem prerrogativas bem interessantes que precisam ser discutidas nos dias de hoje. Cada vez mais, somos surpreendidos por crimes violentos contra as mulheres. Contra homens também, mas a expressividade entre crimes de sequestro é expressiva enquanto tratada sob o hall do feminino. Muito embora o livro de Stevens não seja exatamente uma luta do feminismo, também não podemos desconsiderar essa possibilidade pela invocação do sentimento de revolta que nos rodeia quando entramos no seu universo.

Eu nunca havia lido nada da autora. Conheci sua obra através do canal da Pam Gonçalves em um vídeo de book-shell-of-tour. De primeira a capa e o título me chamaram bastante atenção, pois gosto bastante gênero e a criatividade do título despertaram em mim o sintoma de necessidade. Mas só realizei leitura muitos anos depois, quando, passeando entre os livros revi seu título e pensei: porque não? E posso dizer que apesar de não ter me surpreendido com a obra, a história que Chevy tem a oferecer é fantástica.

Narrado em primeira pessoa por Annie, a história se desenvolve bem pela escrita suave de Stevens. A autora não peca em dar mais detalhes do que o necessário, e sim construir ambientações e sentimentalismos que criam todo o aspecto inovador do livro. Afinal de contas, tal narração é feita através das cessões de Annie com um terapeuta. E muito embora isso deixe de lado uma parte do suspense da obra, ajuda a entender melhor como a personagem lidou com o sequestro-cativeiro e agora tenta retornar à sua vida normal.

Um dos pontos mais favoráveis ao livro, é com certeza Annie. A protagonista é carismática, um tanto cínica e incrivelmente humana. Poucas vezes me apeguei tanto a uma personagem na literatura. Isso se deve não somente ao grau de proximidade com a realidade trazida por Stevens. Exagerada e um pouco egocêntrica, Annie tem defeitos que muitas vezes julgamos, mas que fazem parte da vida de quem passou por abusos. É doloroso acompanhar cada um dos seus choros se tornando impossível não sentir empatia pela personagem.

O único defeito do livro foi o final. Mesmo que haja um bom plot-twist este não é bem desenvolvido dando a impressão que fora largado ao meio do caminho. As questões tão bem levantadas pela autora perdem espaço para uma válvula de escape simples e contraditória. Os motivos do livro deveriam ter sido melhor trabalhados para fechar tudo com chave de outro.

Identidade Roubada é uma leitura de altos e baixos que vale a pena pela realidade imposta pela autora. Um livro real sobre a hedionidade humana e suas implicações no contexto total da sociedade.

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( Resenha ) Fique Comigo – Harlan Coben

Existem alguns autores que não importa quantos livros você leia dele que jamais irá cansar ou ficar com aquela sensação incomoda de mais do mesmo. Harlan Coben é um desses autores em minha vida. Sempre com dinamismo, o Mestre das Noites Em Claro faz jus ao título em Fique Comigo. Um suspense arrebatador que nos mostra como é impossível fugir do passado.

Título: Fique Comigo | Título original: Stay Close| Autor: Harlan Coben | Editora:  Arqueiro | Páginas: 384| Ano: 2014| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐| Encontre: Skoob SaraivaAmazon

FIQUE_COMIGO_1363735233PSinopse: A vida de Megan Pierce nem sempre foi um mar de rosas. Houve uma época em que ela nunca sabia como seria o dia seguinte. Mas hoje é mãe de dois filhos, tem um marido perfeito e a casa dos sonhos de qualquer mulher- e, apesar disso, se sente cada vez mais insatisfeita. Ray Levine já foi um fotógrafo respeitado, mas agora, aos 40 anos, tem um emprego em que finge ser paparazzo para massagear o ego de jovens endinheirados obcecados em se tornar celebridades. Broome é um detetive incapaz de esquecer um caso que nunca conseguiu resolver: há 17 anos, um pai de família desapareceu sem deixar rastros. Todos os anos ele visita a casa em que a mulher e os filhos do homem esperam seu retorno. Essas pessoas levam vidas que nunca desejaram. Agora, um misterioso acontecimento fará com que seus caminhos se cruzem, obrigando-as a lidar com terríveis consequências de fatos que pareciam enterrados havia muito tempo. E, à medida que se deparam com a faceta sombria do sonho americano – o tédio dos subúrbios, a angústia da tentação, o desespero e os anseios que podem se esconder nas mais belas fachadas -, elas chegarão à chocante conclusão de que talvez não queiram deixar o passado para trás.

A inquietude voltaria. Era inevitável. Sofrimento, medo, paixão, os segredos mais obscuros – nada durava para sempre. Mas talvez, se respirasse fundo e aguentasse firme, Megan pudesse manter essa sensação pelo menos por mais algum tempo.

Harlan Coben tem uma das melhores narrativas que eu conheço. Não é atoa que já passei da casa dos vinte em números de obras que já li de sua autoria. O ponto que sempre me faz retornar ao seus livros é a capacidade que tem de dar detalhes sem ser maçante. De construir narrativas que são cheias de significados ao mesmo tempo que estão tomadas de ação. Harlan não é um autor da mesmice, mas alguém que busca inovar e trazer sempre aos seus leitores uma obra que seja para além do que nós esperamos.

Nós lutamos pela liberdade, não foi? E então o que fazemos com essa liberdade toda? Nos prendemos a bens materiais, dívidas e, bem, à outras pessoas.

Nessa obra, narrada em terceira pessoa, Harlan desconstrói o sonho americano: ter uma casa grande, um carro na garagem, um cônjuge que lhe ama e filhos bem educados. Parece ser uma vida dos sonhos, mas quando Harlan se aprofunda nisso percebemos que perfeição não é exatamente aquilo que está em jogo, pois uma vida assim seria completamente sem emoções. E o que para algumas pessoas significa felicidade eterna, para outras são algemas que prendem aos preceitos da sociedade que negam a plenitude de se viver como queremos. Pois precisamos desejar as mesmas coisas, ter as mesmas vidas para sermos normais. Almejar uma vida dos sonhos, mesmo que aquele não seja o nosso.

– Todos nós representamos personagens diferentes para pessoas diferentes.

Através de seus três personagens principais, Harlan insere para seus leitores perspectives diferentes do que podemos considerar felicidade. O detetive Broome fica de frente com um caso antigo do passado ainda não resolvido. E é a partir que vislumbramos a primeira crítica de Coben: Será mesmo que nossos maridos ou esposas são exatamente aquilo que conhecemos deles? Podemos afirmar que eles não tem segredos ou lados obscuros que rodeiam suas vidas? A resposta é claro, é não. Nunca saberemos quem nos acompanham por não podermos ler mentes. Mas o questionamento também não é devido. Devemos confiar, não cegamente, mas entender o que torna especial a pessoa que escolhemos para nós.

 –Todo mundo parece feliz no Facebook

Megan, minha personagem favorita, demonstra as diretrizes de ser aquilo que não deseja. De certo modo, Megan conseguiu escapar de amarras para ser segurada por outras. Muito embora seu mundo passado e o atual são sejam iguais, também não podemos ressaltar que são completamente diferentes. Megan parece necessitar da adrenalina que possuía trocada por uma vida simples. Uma vida que muitos desejam e correm atrás, e aqueles que não querem são obrigados pela sociedade a fingirem estar feliz com elas. Megan se torna então um reflexo da existência obrigatória de ser parte da qual parece incapaz de ser totalmente feliz.

A efemeridade de nossa existência é a única certeza que podemos ter.

Fique Comigo é uma obra reflexiva que mais uma vez nos prova a capacidade que Harlan Coben tem de se superar. Muito embora o desfecho da narrativa aconteça de forma rápida de mais, ainda sim é um livro necessário por trazer a luz questionamentos tão tabus para nossa sociedade. Eu sempre irei recomendar os livros do autor que cada vez mais me prova porque ele é um mestre do suspense.

Havia aprendido a grande diferença entre os que têm tudo e os que não têm nada. Era uma questão de sorte e privilégio. E, quanto mais sorte você tinha e quanto mais portas se abriam por causa de seus privilégios, mais você precisava convencer os outros de que havia alcançado o sucesso devido à sua inteligência e ao seu esforço.O mundo,no fim das contas, se resumia a problemas de baixa autoestima.

(Anatomia Literária) Capa e Curiosidades sobre Os Bridgertons de Júlia Quinn

Oii queridos. Depois de longas duas semanas doente e uma de organização, finalmente eu estou de volta. Sem muitas explicações, tive uma alergia a vacina anti-tétano e passei as últimas semanas com uma grande queimação e completamente mau-humorada. A parte boa é que fiquei com bastante vontade de escrever e que, apesar de não ter nada programado, acho que não vou ter muitos problemas para voltar ao meu ritmo normal.

Para retornar as atividades em grande estilo, hoje vamos à mais um Anatomia Literária bem diferente do que eu costumo fazer. Pois minha eleita do mês, foi a diva maravilhosa Julia Quinn que se tornou minha princesa dos romances de época com séries marcantes. A série escolhida foi Os Bridgertons, ao qual vou focar na série principal já que não li o spin-off completo. Como as capas são auto-explicativas, vou abranger o anatomia de hoje e falar sobre as capas lançadas em outros lugares e algumas de suas representações.

Vamos começar?

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CAPAS
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A primeira série que a Arqueiro lançou de Julia Quinn no Brasil foi Os Bridgertons que conquistaram milhares de leitores. A série de 08 livros e 01 spin-off fez grande sucesso entre os leitores e diria que foi uma das grandes percursoras do gênero no país. As capas da Arqueiro representam sempre um local marcante e ao protagonismo feminino revelado em um sentimento: Daphne está com o rosto gentil, Kate desconfiada, Sophie parece esperar algo, Penelope tem certa timidez, Eloise surpresa, Francesca preocupada, Hyacinth sem palavras e Lucy perspicaz.

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As capas dos livros em outros lugares não poderiam ser mais diferentes. Algumas são feitas através de modelos mais sensuais, que eu particularmente não acredito que sejam compatíveis com os livros, pois em suma maioria não existe esse tipo de apelo nas páginas. Em outros são feitas através de artes como fanmades das quais eu amo. Na verdade, todas as capas dos livros de Quinn possuem tal dualidade.

Capas originais:

As capas americanas onde os livros foram publicados primeiramente, não são minhas favoritas, mas também há certa beleza. Cada irmão é representado por uma cor e um lugar, exceto na capa de Um Perfeito Cavalheiro (livro 03) que faz breve alusão a Cinderella em vista que que o livro é uma releitura da história orignal.

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Capas em arte:

As capas em marte são minhas favoritas com certeza. Cada capa também traz as cores para cada irmão, mas os desenhos em si representam bem mais do que isso. Dapnhe em O Duque e Eu está se arrumando para algo: ao meu ver, é para seu noivado já que o sonho da moça é casar e formar uma família. Kate, no livro seguinte, está lendo algo que imagino ser colunas sobre Anthony pois está de olho nele para que não se case com sua irmã já que acredita que o homem é um libertino. Em seguida, temos Sophie com uma máscara na mão, no baile ao qual ela conhece Bennedict. Em seguida, Penelope aparece cochichando (com a irmã Felicity, talvez). Eu até diria porque ela é representada como fofoqueira, mas seria um spoiler.

Na capa de Para Sir Phillip, Com Amor, Eloise está com uma pena na mão simbolizando as cartas que trocou com Phillip ao longo do tempo. Na capa seguinte, Michael corteja Francesca que não parece infeliz, mas tampouco está cedendo aos seus encantos. Em Um Beijo Inesquecível, Gareth e Hyancinth trocam um selinho, que é uma alusão ao título e o ponto de choque do livro. Em A Caminho do Altar, Gregory está roubando a noiva (os entendidos entenderam).

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Capas espanholas:

Nas capas espanholas, eu realmente não posso dizer que existam coisas que eu goste nelas, pois não parece haver sintonia com os livros até mesmo nos títulos. Como no quarto livro que originalmente era Amando Sr Bridgerton, no Brasil passou a ser Os Segredos de Colin Bridgerton (um segredo pequeno e um tanto irrelevante, mas ainda sim tem referência na narrativa), na capa espanhola passa a ser Seduzindo Sr. Bridgerton que não faz jus a Penelope nos livros.

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CURIOSIDADES
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❉ Julia Quinn escreve suas histórias sob uma esteira. De acordo com ela, é mais fácil se concentrar andando do que sentada em uma cadeira dura.
❉ O mundo de Julia Quinn é sempre o mesmo, por isso nas suas séries é possível ver personagens de um livro em outro. Na série Os Bridgertons no quarto livro, Lady Danburry fala para Penelope sobre um sobrinho arredio que ela precisou arrumar-lhe uma esposa sem que ele soubesse. Essa referência é para a duologia Agentes da Coroa ao qual a personagem é quase protagonista de um dos livros.
❉ Os Bridgertons são mencionados em várias outras séries, como em O Quarteto Smythe-Smith e Os Roskesbys que tem uma Bridgerton como protagonista.
❉ A colunista Lady Whistledown também tem uma série derivada com pequenos contos, aos quais suas cronicas acompanham a vida de moças da sociedade.

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Então amores esse foi o Anatomia Literária desse mês, espero que tenham gostado do post e quem sabe em breve não vem uma parte dois com os outros livros da autora. Se tiverem sugestões de outros anatomias, podem deixar nos comentários.

Beijos.

( Resenha ) Predestinadas · As Crônicas das Irmãs Bruxas · Livro 03

Olá feiticeiras Corujinhas. Depois de muitos anos, finalmente as bruxas estão retornando ao poder, mas confiança não é uma opção pois os segredos que elas escondem podem devastar verdadeiramente todo o mundo. Será que estamos preparadas para esta conclusão?

download (2)Título: Predestinadas
Título original:
 Sister’s Fate
Série: As Crônicas das Irmãs Bruxas
Autora: Jessica Spotswood
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2015
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Cate Cahill acabou de ser apagada da memória de Finn, o grande amor de sua vida. A responsável por essa traição foi Maura, uma de suas irmãs, e Cate está certa de que nunca vai conseguir perdoá-la. Enquanto isso, Tess, a caçula, está às voltas com visões cada vez mais assustadoras. Como se não bastasse, a Nova Inglaterra vem sendo tomada por uma febre mortal sem precedentes. Preocupada, Cate quer ajudar a todos, mas é impossível fazer isso sem revelar seus poderes e, assim, aumentar a fúria dos Irmãos da Fraternidade, os implacáveis caçadores de bruxas. Em meio a desavenças com suas aliadas em potencial, Cate terá que se desdobrar para conseguir prestar o auxílio que deseja, proteger Tess e Finn e lutar por uma nova ordem que permita que as bruxas sejam representadas no governo de sua cidade e não precisem mais se esconder. Predestinadas é o desfecho de uma saga permeada de delicadeza, cores, magia e fortes emoções. As irmãs Cahill terão que enfrentar os maiores desafios de sua vida, e o amor que sentem uma pela outra será fundamental nessa jornada.

Nunca achei que existiria em algo em mim, algo pequeno, obscuro e vergonhoso, que ficaria contente em ferir minha própria irmã.

Com o final arrebatador de Amaldiçoadas eu esperava bastante da continuação da série iniciada em Enfeitiçadas. Maura havia se provado a mais egoísta de todas as pessoas, Tess perdeu sua inocência muito embora ainda pareça pequena e assustada e Cate tomou para si uma raiva grotesca que poderia lhe fazer causar danos àqueles que ela sempre tentou proteger. A ideia base para fazer Predestinadas funcionar (uma sociedade machista em todas vertentes que podemos pensar) também estava bem alinhada prometendo criar grandes conflitos. Por esses motivos, apesar de não poder dizer que não foi uma boa conclusão para uma trilogia especial, senti que faltou a maior propagação de quase tudo nas páginas desse livro. Quer dizer, a autora focou tanto em uma parte da obra que pareceu se esquecer da outra acabando por deixar o livro descompassado.

A narrativa de Spotswood continua firme e decidida. Uma coisa muito atraente em sua escrita é o fato que ela não enrola e nem alonga mais do que o necessário em seus cenários sejam eles descritivos, sejam eles emocionais. Eu gosto dessa brandura, acho que ajuda o livro a fluir com mais facilidade mesmo que seja um pouco incomum que os autores utilizem desse artificio. A autora consegue prender o leitor a narrativa de modo que nos permite sentir tudo e ver tudo ao mesmo tempo.

Assim como na narrativa, Jessica tem um trato especial quantos aos personagens. Minha personagem favorita continua sendo Tess com toda sua meiguice, inteligência e força. Apesar de ainda não gostar de Maura, não posso negar que o ceguismo da personagem de sempre querer ser a mais amada e notável das irmãs foi muito bem trabalhado. Cate, que antes tinha medo até da própria sombra passou a ser uma mulher mais forte e mais confiante, não somente pelos dissabores do passado mas também, e talvez principalmente, porque aquilo que ela precisa lutar. Desse modo, Spotswood consegue criar uma evolução ótima para as três personagens sem nunca perder o compasso em favor de uma ou de outra.

Mas o grande charme dos personagens, entretanto, está nos secundários que roubam a cena. Fynn continua um cavalheiro, muito embora pareça ter bem mais atividade na história. Sache e Rory abalam a trama com suas tiradas engraçadas. Mas é Irmã Inez, a maior ameaça dentro da fraternidade, que dá um gostinho a mais na obra. Poucas vezes encontrei uma vilã tão convincente que eu não somente odiei, como entendi suas necessidades. Poderosa e com uma mente brilhante, Irmã Inez demonstra o real significado do ser radical e do desejo de vingança.

O que me incomodou, e bastante, na trama. Foram às coisas terem acontecido rápido de mais em termos de história. Apesar da narrativa fluída de Spotswood, a autora não conseguiu dar a profundidade que o livro precisava em contexto maior que apenas o esperado. Tornou-se previsível pelo fato que o final é pautado pelo caminho que foi mais fácil e não pela tentativa de qualquer inovação.

Apesar do fator negativo, a leitura de As Crônicas das Irmãs Bruxas vale super a pena por todos os ensinamentos que a autora coloca em suas páginas bem como as críticas sociais que ela faz a sociedade machista que vivemos. A grande a justificativa do livro é mostrar que a força vem dos lugares que mais duvidamos onde a união nos matém fortes para lutarmos por tudo aquilo que desejamos e contra todos aqueles que nos oprimirem.

(Resenha) Desaparecido Para Sempre – Harlan Coben

Minhas queridas Corujinhas, em uma tempestade de emoções imersas à um suspense de tirar o folêgo, Harlan Coben mostra porque é um dos autores mais aclamados da atualidade em um livro que te surpreende até as últimas palavras.

Desaparecido para sempre

 

Titulo: Desaparecido Para Sempre
Titulo Original: Gone for Good
Autora: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Ano: 2010
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐ ❤
Encontre: Skoob |  Saraiva  |  Amazon

Sinopse: No leito de morte, a mãe de Will Klein lhe faz uma revelação: seu irmão mais velho, Ken, desaparecido há 11 anos e acusado do assassinato de sua vizinha Julie Miller, estaria vivo. Embora a polícia o considere um fugitivo, a família sempre acreditou em sua inocência. Ainda aturdido por essa descoberta e tentando entender o que realmente aconteceu com seu irmão, Will se depara com outro mistério: Sheila, seu grande amor, some de repente, e o FBI suspeita do envolvimento dela no assassinato de dois homens. Apesar de estarem juntos há quase um ano, Sheila nunca revelou muito sobre o seu passado.Enquanto isso, Philip McGuane e John Asselta, dois criminosos que foram amigos de infância de Ken, passam inexplicavelmente a rondar a vida de Will. Para descobrir a verdade por trás desses acontecimentos, ele conta apenas com a ajuda de Squares – seu colega de trabalho em uma fundação de assistência a jovens carentes e proprietário de uma escola de ioga famosa entre as celebridades, o que lhe garante acesso a topo tipo de pessoas e de informações.

Ela me olhou, e eu pensei que aquele talvez fosse o jeito como eu costumava olhar para Ken, com uma mistura de esperança, adoração e confiança. Tentei parecer corajoso, mas nunca fui do tipo heroico.

Uma das coisas que mais me orgulho e também mais sinto raiva na minha vida de leitora, é minha capacidade de desvendar mistérios dos livros de suspense. Não sendo modesta, muitas vezes me sinto Sherlock Holmes já que sinto pouca dificuldade para desvendar o vilão. Por esse motivo com o passar do tempo passei a não me importar mais tanto com quem eram os vilões e sim com suas motivações. Mas, sendo sincera, eu gosto de ser enganada pois me traz uma sensação mais satisfatória quando o autor encaixas as peças, não eu. Baseado nisto, posso dizer com todas as letras que Desaparecido Para Sempre é meu livro favorito de Harlan Coben. Por que se eu gosto de não saber quem é o vilão, imagine só ser “otariana” também nas motivações. Pois, meu caro leitor de asas, se está pensando que é fácil descobrir ambas as coisas neste livro, está redondamente enganado e pode ter certeza que Coben está em algum lugar rindo maleficamente de você.

A narrativa de Coben normalmente é baseada na ação com uma pitada satisfatória de drama. Nesta obra, porém, pelo contexto que o autor cria em sua obra podemos perceber que o autor tem mais enfoque no drama que na comédia. Isso ajudo a construir um aspecto bem mais perigoso para a trama, que com as inúmeras reviravoltas, transforma-se em algo ao mesmo tempo pesado e fluído. Você parece que leu mais de mil páginas, mas mesmo assim não consegue parar de ler o livro.

Para tornar ainda mais inesquecível o livro, Coben cria personagens que possuem conflitos e pensamentos reais que se adequam à eles por mais estranhos que possam parecer. Um irmão lutando pela inocência do outro é tão forte que mesmo que quando nós leitores duvidamos da verdade sobre Ken, também não podemos de ressaltar a razão que acompanha Will em sua luta.  Da mesma maneira que isso torna o livro mais verrossímel, também funciona para aproximar o leitor da obra ao criar uma motivação mais realística para os personagens.

Um dos pontos mais fortes deste livro, são os plot’s que o autor vai fazendo ao longo da narrativa. Dizer que temos uma para cada capítulo esta longe de ser um exagero pois é exatamente isto. A cada novo capítulo em que uma pequena peça se encaixa, outras são jogadas de lado. Não posso contar quantas vezes reformulei minha teoria que nunca conseguiu chegar próxima ao plot twist final. Foi arrebatador como Harlan jogou na minha cara (me estapeou) as inúmeras vezes que ele me mostrou o que tinha realmente acontecido e como ele agiu como um mágico verdadeiro: o segredo é sempre olhar para onde não está acontecendo o espetáculo principal.

Muitos leitores afirmaram que as reviravoltas são forçadas, mas devo dizer que em meu ponto de vista Harlan simplesmente brincou com a verdade que enxergamos. Imagine que somos uma sociedade que julga tanto por aparências como por boatos (veja o exemplo dos jornais sensacionalistas que fazem sucesso à custa de fofocas alheias), por isso que, de certa forma, esta obra também foi uma crítica ao senso de superioridade da sociedade que é formado a partir de concepções pré-estipuladas. Harlan te apresenta pontos de vistas sobre determinados personagens, para somente depois mostrar quem eles são de verdade.

Por inúmeros motivos, Desaparecido Para Sempre é uma leitura que vale super à pena. Para aqueles que não gostam de suspense: tem doses de romance. Para aqueles que nunca leram o gênero: é surpreendente. E para quem já é fã, é uma oportunidade única de saborear uma obra prima da literatura.

 

 

Para Sir Phillip Com Amor – Júlia Quinn

Para Sir Phillip, Com Amor – Eloise Bridgerton é uma jovem simpática e extrovertida, cuja forma preferida de comunicação sempre foram as cartas, nas quais sua personalidade se torna ainda mais cativante. Quando uma prima distante morre, ela decide escrever para o viúvo e oferecer as condolências. Ao ser surpreendido por um gesto tão amável vindo de uma desconhecida, Sir Phillip resolve retribuir a atenção e responder. Assim, os dois começam uma instigante troca de correspondências. Ele logo descobre que Eloise, além de uma solteirona que nunca encontrou o par perfeito, é uma confidente de rara inteligência. E ela fica sabendo que Sir Phillip é um cavalheiro honrado que quer encontrar uma esposa para ajudá-lo na criação de seus dois filhos órfãos. Após alguns meses, uma das cartas traz uma proposta peculiar: o que Eloise acharia de passar uma temporada com Sir Phillip para os dois se conhecerem melhor e, caso se deem bem, pensarem em se casar? Ela aceita o convite, mas em pouco tempo eles se dão conta de que, ao vivo, não são bem como imaginaram. Ela é voluntariosa e não para de falar, e ele é temperamental e rude, com um comportamento bem diferente dos homens da alta sociedade londrina. Apesar disso, nos raros momentos em que Eloise fecha a boca, Phillip só pensa em beijá-la. E cada vez que ele sorri, o resto do mundo desaparece e ela só quer se jogar em seus braços. Agora os dois precisam descobrir se, mesmo com todas as suas imperfeições, foram feitos um para o outro.

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No quinto livro d’Os Bridgertons chegamos ao comecinho da segunda parte da obra de Quinn. Embora os primeiros irmãos apareçam com freqüência é mais fácil notar oe quatro últimos presentes nesta parte da série.

No começo do livro senti uma falta muito grande das tiradas da sociedade de Lady Winstledow – by Penélope Fearthing – pois eu sempre achei-as interessantes e geniais, e ter “perdido-a” dá um saudosismo muito forte. Porém Júlia começa a iniciar os capitulos através de cartas. Combina bastante com o tema do livro diga-se de passagem.

“…e então, certamente não o surpreende, falei muito. É que não podia parar, mas suponho que é o que faço quando estou nervosa. Só podemos esperar que, no futuro, tenha menos razão para estar nervosa.”
Eloise Bridgerton a seu irmão Colin, pelo motivo da estreia de Eloise na temporada londrina. Então, abriu a  boca.

O livro se inicia com Phillip contando como perdeu sua primeira esposa e como Eloise entrou em contato com ele a primeira vez. No livro anterior, Colin tinha desconfiança do porque Eloise passava o dia todo no quarto e quando saía estava com os dedos manchados de tinta. A resposta vem neste livro já que a dama em questão havia passado o ano inteiro se correspondendo com o homem. Neste ponto percebemos muitas coisas sobre o casal. Sobre Eloise, que a mulher além de amar escrever cartas anda infeliz com sua vida. O fato que sua melhor amiga pouco tempo antes era uma solteirona assim como ela e que, para Eloise, ficaria por um bom tempo ter sido modificado quando ela recebeu a proposta de casamento, trouxe a ela um sentimento que estaria ficando para trás e que não poderia ser assim. Então precisa encontrar alguém que lhe dê um sentido a mais em sua vida. Phillip por outro lado é um homem amargurado e infeliz que procura uma mulher para dar uma mãe a seus filhos Amanda e Oliver. E é à Eloise que ele vê a mulher ideal para fazer essa proposta.

Isso seria um arranjo perfeito se não contar o fato que ambos não se conhecem nem mesmo de vista.

Quando acabou de lê-la, guardou-a em uma gaveta imediatamente, sem entender o que lhe pedia. Pretendia casar-se com alguém a quem nem sequer conhecia?
Não, bom, isso não era de todo certo. Conheciam-se. Haviam-se dito mais coisas por carta em um ano do que muitos casais conversavam ao longo de sua vida em comum.

Uma das coisas que mais me impressionou no livro de Quinn foi essa correspondência as cegas seguida de um encontro onde muitas das concepções que se fizeram antes do pessoalmente caírem por terra. Pois embora seja um livro de época, ou seja, do passado, o assunto lembra tão bem o que vivemos. Quantas vezes não conhecemos alguém pela internet e poucas conversas depois já consideramos pakas? (eu que o diga rsrs). Só que mesmo assim ainda não conhecemos de verdade pois isto não é o mesmo que tocar uma pessoa de verdade não que eu não queria fazer isso e conviver com ela durante muito tempo. A Júlia traz isso para o livro tão claramente que assim que Eloise chega a casa de Phillip para conhecê-lo já vê que ele não é tão calmo ou paciente como aparentava ser.

Aliado a esse tema atual, estão os personagem de Quinn que mais uma vez me surpreenderam de formas inesperadas. Oliver e Amanda não são tão pestes como esperavam ser, apenas precisam de mais carinho e atenção do que tem do pai. Phillip tem medo de ser violento contra os filhos por fantasmas do seu passado assim passa a responsabilidade de cuidar das crianças para a qualquer pessoa que julgue responsável. E Eloise por sua vez se mostra responsável e perspicaz o suficiente para cuidar dos filhos mas que mesmo assim não pretende tomar as rédeas da situação sozinha incitada a ajudar o conhecido a melhor relação com as crianças.

E gostaria de não levantar a voz. Odiava levantar a voz, odiava o olhar de terror que reconhecia nos olhos de seus filhos.

Quanto aos shipper dos personagens principais, diria que foi um dos mais bonitos que já vi durante a saga. Tivemos um descobrimento do que é o amor com Daphne e Simon, a superação do medo com Anthony e Kate, o renascimento com Benedict e Sophie e a mudança de sentimento com Colin e Penélope. Agora vemos a construção de um amor a partir de quase nada. Como se tudo fosse um motivo para entender melhor o outro e se dar a chance de descobri ainda mais sobre a própria vida e que tipo de prazer ela pode se proporcionar. Eloise e Phillip constroem um com o outro um amor como se constrói uma casa. Primeiro os alicerces até o telhado, com uma base segura para se ter uma certa certeza que no final das contas as coisas vão dar certo.

Este foi um dos livros da serie que eu mais gostei perdendo apenas para seu antecessor. Um livro incrível de um romance inesquecível.

Título Original: To Sir Phillip, White Love
Autora: Júlia Quinn
Ano Original: 2003
Publicado No Brasil:
Editora: Arqueiro
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟

Um Perfeito Cavalheiro – Júlia Quinn – Os Bridgertons – Livro 03

Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse é um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, ela consegue entrar às escondidas no baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois, Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível. Agora os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem a chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica.

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Júlia Quinn é uma das melhores escritoras românticas que já encontrei na vida, isto porque seus livros são capazes de nos deixar submersos na história de modo que é impossível largar o livro depois de começa-los. Quando eu inicei a leitura de Um Perfeito Cavalheiro sendo que eu  estava completamente encantada pelo livro anterior O Visconde Que Me Amava  eu só conseguia pensar que o livro só podia ser maravilhoso. E embora este não tenha se tornado um dos meus favoritos da série ainda sim foi incrível.

Sophie Basset é uma moça como quase qualquer outra. Tem sonhos e anseios por uma vida melhor do que possui e o desejo de ser realmente feliz com alguém que lhe ame. Eu gostei muito da personagem pela simplicidade e verdade que ela me passou e mesmo que ela seja calma e respeitosa, ainda sim há nela um espírito de justiça que vigora em suas palavras.

Benedict Bridgerton é tudo que sua história promete: um perfeito cavalheiro. Contanto, isso me faz desgostar dele, afinal não sou do tipo que gosta dos perfeitinhos de mais. Porém não posso negar que o modo como ele ficou após a súbita partida de Sophie do baile, que eu fiquei com certa piedade do seu sofrimento.

Quando você começa a história é bem perceptível a Cinderela em Sophie, mas mesmo depois dessas primeiras oitenta páginas eu imagino que a história de verdade só começa com o reencontro do casal depois do salvamento de Benedict. E esse momento, após esse heroísmo, que eu realmente achei impressionante. Pois Quinn conseguiu mostrar como ressurgiu em Sophie a paixão por aquele que tinha pensado durante tanto tempo, como a aceitação de Benedict que a mulher do baile não voltaria mais e que ele deveria deixa-la para trás e se entregar a nova paixão.

Um Perfeito Cavalheiro é emocionante e carregado de sentimentos. Almas gêmeas como Sophie e Benedict nunca haviam sido retradas com tamanha veracidade. Um livro inesquecível.

Título: Um Perfeito Cavalheiro
Título Original: An Offter From A Gentleman
Série: Os Bridgertons 03
Autora: Júlia Quinn
Editora: Arqueiro
Ano: 2001
Ano de Tradução: 2014
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟