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(Algo à Ver) – Para Todos Os Garotos Que Eu Já Amei – Susan Johnson

As vezes, simplesmente não faz seu estilo ver filmes de adaptações porque você sente que vai se decepcionar. Outras, é tão impossível não assistir que tudo que você quer é rever um milhão de vezes. Mês passado, na Netflix lançou Para Todos Os Garotos Que Já Amei vulgo, Lara Jean. Baseado no livro homônimo de Jenny Han, claro que estávamos todos ansiosos por essa adaptação. Mas para não contrariar minha mania de descobrir coisas muito tempo depois que o restante do mundo, assisti o longa semana passada e agora me arrependo bastante de não ter feito isso antes.

Título: Para Todos Os Garotos Que Já Amei | Título original: For All Boys I Loved| Diretor: Susan Johnson | Elenco: Lara Condor, Noah Centineo e Israel Broussard| Distribuição: Netflix | Duração: 99m| Ano: 2018 | Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬

toalltheboys_vertical-main_pre_usSinopse: Lara Jean (Lana Condor) guarda suas cartas de amor em uma caixa azul que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Quando essas cartas são misteriosamente enviadas aos destinatários, a vida de Lara Jean vira do avesso pois o ex-namorado de sua irmã é também a recebe e a garota não sabe o que fazer. Mas uma proposta de alguém inesperado, faz com que Lara Jean não somente encontre coragem para tomar o rumo de sua própria vida, como também o amor que jamais imaginou ser possível.

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Em meio a tantos filmes baseados em livros que nós gostaríamos de fechar os olhos e esquecer, Para Todos Os Garotos Os Garotos Que Eu Já Amei é uma prova que mesmo com sutis mudanças o espírito de uma obra pode se manter em adaptações. Pois toda fofura, todos os sentimentos e todas os medos de Lara Jean são mostrados com graça e leveza. E acredito que estes seja o pontos mais positivos da película, tanto para a atuação de Lana Condor quanto para a produção de elenco.

Esse foi meu primeiro contato com Lana Condor. Muito embora a atriz tenha o rosto conhecido por sua interpretação na franquia X-Men, essa foi a primeira vez que a notei. Lara Jean sempre foi uma queridinha dos livros para mim por não ser extraordinária ou subestimável como é o típico das adolescentes do gênero, mas por ser ela mesma pura e completamente. Condor traduz o espírito da nossa Laranjinha e mais fofo que isso seria impossível. Mesmo que no longa todos os seus medos apareçam pouco explorados em termos dialógicos, é no gestual que Lana os transmite nos aproximando de sua protagonista. Ela é Lara Jean.

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Além de Lana, os outros personagens brilharam no filme com atuações dignas de nota. Começando por Peter Kavinsky (Noah Centineo), fiquei um tanto abismada com ele no filme e mais apaixonada pelo rapaz que nos livros (mas meu coração ainda é do John). Noah deu vida a Peter com a serenidade, a macheza e o romantismo próprios do rapaz.

E também não podemos esquecer da família da Lara Jean que fica no top-top do personagens favoritos. O pai da Lara Jean, Dan (John Corbett que eu tenho uma queda desde Casamento Grego eu sou velha assim) que foi meigo e incrível com a filha sendo o exemplo de pai que todos queremos ter. Margot e Kitty que apesar de eu não gostar de ambas, ainda sim foram bem interessantes pelos contrastes que deram ao filme. Além disso, foi legal perceber como a família influencia na personalidade Lara Jean.

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Para Todos Os Garotos Que Eu Já Amei foi um filme bem fofo, clichê do gênero mas que atinge todas as expectativas. Muito embora modificado, toda a essência da obra de Jenny Han está presente e não é atoa que a obra tenha virado um fenômeno entre todos que assistiram e que logo a Netflix tenha anunciado a continuação. Espero ansiosamente por P. S. Ainda Amo Você e pela chegada do meu incrível John Ambrose McLaren.

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(Algo À Ver) Todo Dia – Michael Sucsy

Uma história de amor bonita sobre encontrar alguém que valorize cada pedacinho de quem nós somos. Em tempos onde ser adolescente em um mundo onde os esteriótipos são valorizados, um filme como Todo Dia carrega significados belos para a conquista de autoconfiança.

Título: Todo Dia | Título original: Every Day | Direção: Michael Sucsy | Elenco: Angourie Rice, Justice Smith and Debby Ryan | Duração: 98m | Ano: 2018 | Distribuição: Paris Filmes | Avaliação: 🎬 🎬 🎬🎬every day

Sinopse: O filme, baseado no livro homônimo de David Levithan, conta a história de Rhiannon (Angourie Rice) uma garota de 16 anos que se apaixona oi por uma alma misteriosa chamada “A” que habita um corpo diferente todos os dias. Sentindo uma conexão incomparável, Rhiannon e A trabalham todos os dias para encontrar um ao outro, sem saber o que ou quem o próximo dia irá reservar. Quanto mais os dois se apaixonam, mais as realidades de amar alguém que é uma pessoa diferente a cada 24 horas afeta eles, levando o casal a enfrentar a decisão mais difícil que eles já tiveram que tomar.

Antes de assistir Todo Dia, meio que passou pela minha cabeça ler o livro de David Levithan. Mas deixa eu contar uma coisa engraçada: muitas vezes prefiro assistir filmes baseados em livros antes de realizar leituras. Okay, isso é super estranho eu sei, mas acontece que os filmes costumam me dar o gás que faltava para a leitura ou me desmotivar totalmente. Porque mesmo sabendo que não existe filmes idênticos a obras pelas diferenças no estilo de produção, muitas vezes o teor original é mantido e tais inquisições me dão certa garantia de gostar ou não de determinado livro. Ao assistir Todo Dia o efeito foi totalmente positivo apesar do filme nem tanto. Por achar a película rasa e um tanto mal explorada em determinados aspectos, agora sinto uma vontade imensa de ler o original e quem sabe ganhar explicações mais fortes sobre a história.

Todo Dia tem uma boa direção que entre parte bem humoradas, reflexões e o sentimental consegue dar fluidez a história que esta sendo contada. O diretor Michael Sucsy tem uma pegada um tanto minimalista ao qual mesmo não inovando na condução do filme, consegue, através da fotografia aliada e sonoplastia transmitir sua mensagem. Em um esquema de cores básico, que vai do mais claro ao mais escuro, o filme traduz o amor e as mudanças ao qual os protagonistas passam ao longo da película como forma de deixar o espectador mais próximo dos sentimentos do personagem. Tal recurso ajudou bastante a criar o clima do filme e as sensações que somos levados a ter.

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Mas apesar da boa direção, a produção de elenco não é favorável tendo as atuações não compatíveis com o grau que estava sendo apresentado. Angourie Rice parece desconfortável na pele de Rhi e não chega a transmitir grandes emoções. A atriz é pouco expressiva o que dificulta o emaranhamento do receptor com sua personagem. Já os diversos atores que interpretaram A apesar de manterem algumas características fundamentais de personalidade, pecam no uso dos trejeitos e entonações de voz que não convencem a serem as mesmas pessoas. Claro existe um entendimento tácito claro na narrativa que A tenta não modificar (muito) a vida daqueles que “toma”. Mas deve-se ressaltar que personalidade é algo particular de cada alma, sendo assim é bem estranho observar as mudanças quem A é sofre em favor das mudanças de corpo.

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Apesar desse fator negativo crucial, Todo Dia apresenta boas lições de amor e autoconfiança quando nos concentramos em Rhiannon e na gradativa mudança que apresenta a medida que o filme se desenrola. É interessante perceber como Rhiannon ganha mais personalidade a medida que se valoriza como ser humano e como mulher. O Sua trajetória é feita para que adquira um descobrimento de si mesma. Se antes existia uma menina incapaz de se impor, agora existe uma mulher decidida a lutar pelo que deseja.

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Indico a todos que desejam um romance bonito que nos faz sair de nossa realidade, mas informo para que não o assistam se tiveram grandes expectativas já que Todo Dia não chega ser um filme marcante, mas ousa trazer pequenas metáforas e grandes questionamentos sobre se apaixonar verdadeiramente quando aprendemos a amar e não uma aparência.

(Algo À Ver) Estrelas Além do Tempo – Theodore Melfi

Assistir filmes que retratam períodos históricos marcantes quase sempre me demonstra certo comodismo pela falta da busca de sair do esteriótipo das cargas dramáticas. Filmes como estes chegam aos montes e logo são esquecidos seja pela falta de talento dos diretores e roteiristas seja pela simploriedade das atuações. A questão que alcança barreiras e ultrapassa o esquecimento  para o cinema e para qualquer história nunca foram os sobreviventes, mas sim os guerreiros incapazes de abaixar a cabeça. Por esse motivo, é certo afirmar que Estrelas Além do Tempo é um filme que consegue se tornar maior do que uma mera crítica pois não somente a realiza, como cria pontes para que nós como pessoas, independente do sexo ou cor, possamos ter a coragem de lutar por aquilo que queremos e acreditamos. 

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Titulo: Estrelas Além do Tempo
Titulo Original: Hidden Figures
Diretor: Theodore Melfi
Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe
Distribuição: Fox Filme do Brasil
Duração:
167m
Ano: 2017
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬

 

Sra. Mitchel: Sabe Dorothy… ao contrário do que possa pensar eu não tenho nada contra vocês.
Dorothy: Eu sei… que você provavelmente acredita nisto. 

Ambientados nos anos 1961, Estrelas Além do Tempo baseado no livro homônimo de Margot  Lee Shetterly, e narra a história de três mulheres brilhantes que trabalharam na NASA durante o período da Guerra Fria e a corrida espacial. Em termos narrativos, a produção realizada por Melfi é excelente e consegue transmitir os aspectos principais da trama. A fotografia aliada a trilha sonora, que mesmo em silêncio consegue transmitir grandes emoções, transformam a simplicidade de cores e efeitos em algo extraordinário. Chega ser até estranho perceber como tão poucos efeitos ainda conseguem se sobressair a um mundo cinematográfico dominado por explosões e magia sobre-humana. Mas com sua simplicidade carismática e som impecável, o filme se manisfesta para dar destaque ao principal normalmente esquecido pelas grandes produções: a história.

cms-image-000538694Apesar do claro foco em Katherine Goble (Henson) e sua luta para ser reconhecida em um terrenos de homens brancos (no sentido mais pejorativo da expressão), o filme é feliz em conciliar a história de três mulheres em sua grande trajetória pelo destaque naquilo que são naturalmente boas e capazes. Mary (Monaé) quer se tornar engenheira mas para isso precisa estudar em uma escola apenas para brancos. Já Dorothy (Spencer) deseja apenas ser afirmada no cargo que já trabalha, pois mesmo fazendo o ofício de um supervisor o departamento não consegue perceber isso e nem acreditar no potencial da mulher. Mesmo seguindo uma linha de raciocínio óbvia que converge para maneira mais correta de contar determinada história, Melfi ao não introduzir nada realmente novo no filme deixa a cargo de suas três protagonistas a leva do filme à algo mais. Com atuações impecáveis, a força e a inteligência dessas três mulheres é mostrada para que os espectadores absorvam não somente as críticas como a coragem que elas apresentam.

estrelas-alc3a9m-do-tempo-2.jpgO grande trunfo do filme são as atuações que por todo o elenco arrecadaram momento inesquecíveis. Taraji P. Henson é extraordinária em criar uma personagem forte ao mesmo tempo que precisa se submeter aos desmandos da sociedade. De forma nem um pouco caricata de piedismos ou arrogância, Henson demonstra uma Katherine forte e precisa com trejeitos que expressam sua coragem em todos os lugares. Janelle Monaé foi uma grande surpresa para mim, pois mesmo nunca tendo atuado antes (a mulher fez nome como cantora) apresentou um bom domínio de suas emoções ao dar vida a Mary. Já Octavia Spencer que é uma das minhas queridinhas desde seu papel como Minnie em Histórias Cruzadas, mais uma vez conseguiu ser resplandecente. De todas as personagens, Dorothy foi sem dúvida a minha favorita e muito se deve a atuação de Spencer e seu olhar penetrante que conseguiu ultrapassar a quarta parece e tocar meu coração.

005 Kirsten Dunst as Vivian MitchellAlém das três protagonistas, Kevin Costner e Kristen Dunst merecem destaque por seus papeis, principalmente nossa eterna Mary Jane. Antes, já havia tido contato com Costner personificando homens de terno, inteligentes e impactantes, mas perceber Kristen usar a máscara de dureza e preconceito da sra. Mitchel foi bastante interessante, pois mesmo tendo consciência do seu potencial como atriz, nada que tenha feito antes demonstrou isso. Posso dizer que Dunst conseguiu se sobressair encontrando uma ponte para mostrar que pode ser muito mais que uma mocinha indefesa.

Estrelas Alem do Tempo é uma obra emocionante sobre força, luta e feminismo. Não digo que é o melhor filme com tema central sobre racismo que eu assisto, mas sim que é um filme que não deve ser ignorado. Com um bom roteiro e atuações excepcionais, essa obra nos leva a refletir quais são os maiores desafios de nossa vida e o quanto nos estamos dispostos a arriscar para enfrentá-los. 

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(Algo à Ver) Três Anúncios Para Um Crime – Martin McDonagh

Existem filmes que você demora a assistir seja por medo de decepção, seja porque a história em primeiro momento não seja tão atrativa quanto deveria. Ao ver a sinopse de Três Anúncios Para Um Crime alguns meses atrás essas duas prerrogativas estavam pairando sob a filme. Mas agora, após ver a película e perceber a grandeza do filme de Martin McDonagh, estou com aquela sensação de que já deveria ter feito isso há muitos meses.

Tres Anuncios Para Um CrimeTitulo: Três Anúncios Para Um Crime
Titulo Original:  Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Diretor: Martin McDonagh
Elenco: Frances McDormandWoody Harrelson e Sam Rockwell
Duração: 116 m
Ano: 2018
Distribuição: Fox Films
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬 ❤

Se enganará quem pensar em assistir esse filme como um excelente suspense de tirar o folego com cenas impactantes de lutas e tiroteios. Pois apesar de poder ser exaltado como excelente, se não um dos melhores filmes do ano, Três Anúncios Para Um Crime vai muito além das aparências sendo construído sobre o drama afim de ressaltar o poder quer a dor, em todos os sentidos da palavra, tem fazer das pessoas tornarem-se reféns do ódio.

O filme se passa em uma pequena pacata cidade do Missouri no sul dos Estados Unidos e conhecido por ser um estado de grande conservadorismo, fato que influencia diretamente dentro da trama. A trajetória a ser explorada é a saga de uma mãe, Mildred Hayes (Frances McDormand), que inconformada com o modo relapso(?) que a polícia vem tratando o caso de estrupo e assassinato de sua filha sete meses antes decidi cobrar mais efetividade do departamento alugando três outdoors em uma estrada pouco movimentada explanando o caso. Fato que influencia diretamente no trabalho do chefe Bill Willoughby (Woody Harrelson) e de seu companheiro Jason Dixon (Sam Rockwell).

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Mildred Hayes (Frances McDormand)

Apesar da certa obviedade de todo o contexto da trama, o filme é comovente pela saga que se propõe e consegue apresentar em dualidades impostas naquilo que podemos chamar de certo ou errado. Os diálogos, as expressões e a sonoplastia ajudam a criar um filme de grandes proporções que deixa a cargo do espectador decidir quem está com a razão ou mesmo se ela existe. Porque apesar de nós podermos enxergar precisamente os desejos de uma mãe ferrenha em encontrar e prender o assassino de sua filha, também adquirimos empatia pelos policiais, em especial o chefe Willoughby, que estão de mãos atadas por todas as burocracias que envolvem a investigação. De modo que muito antes de ser um filme de suspense, pois sim ele existe no contexto geral da trama, o drama é claro logo nos primeiros minutos ao mostrar que não se trata de encontrar um assassino e sim ir profundamente para além dos sentimentos daqueles que foram marcados pelo meio em qual vivem.

Nunca antes eu tinha assistido um filme estrelado por McDormand, então posso não estar muito segura de afirmar que esse tenha sido seu papel mais marcante porque simplesmente me deixou com a sensação de necessitar de figurinhas e canecas com seu rosto estampado. Dando vida a Hayes de uma forma implacável, a atriz personifica a personagem tomando para si todas suas emoções. Mesmo quando não abre a boca, os sentimentos ficam estampados sob as rugas de seu rosto. É como se aquilo que marcou sua personagem tivesse lhe marcado também, logo, deixamos de ver apenas um filme e vemos verdadeiramente a história daquela mulher.

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Bill Willoughby (Woody Harrelson) e Hayes.

Falando em atuações extraordinárias é impossível criticar esse filme sem citar Sam Rockwell que foi um coadjuvante com veias de protagonistas. Acredito que tenha sido o personagem com mais variações dentro da trama e que carregou muitos significados consigo. Sendo um policial racista e violento, seu personagem tem exatamente todas as características das quais ao longo dos anos vem se criticando em termos comportamentais dos oficiais americanos. Mas ao invés de roteirizar um vilão, os roteiristas demonstram o começo de sua redenção. Jason Dixon é levado a perceber que o ódio que carrega no peito nunca será capaz de levá-lo a lugar. Lição que nele fica mais clara do que em Hayes, muito embora ambas não chegam a ser conclusivas pelo filme.

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Jason Dixon (Sam Rockwell)

Pela solução apresentada em no filme para toda a questão de ódio e racismo, houve muitas polêmicas em torno da obra quanto a facilidade que tudo foi resolvido. Afinal de contas, estamos falando de décadas opressão que parecem ser solucionadas em duas horas. Mas ao contrário do que muitos pensam, o filme não é conclusivo e muito menos solucionador. É um filme que mostra um caminho a ser seguido, não necessariamente o único que é capaz disso. Basta observar a trajetória de Dixon e perceber que apesar de seus ensinamentos, o homem não parece totalmente convencido. E é nesse instante que entra o brilhantismo do filme que se encontra no que é dito entrelinhas e nas indagações que são direcionadas ao expectador.

Três Anúncios Para Um Crime é um filme emocionante que com certeza entrará para a lista de melhores filmes do ano e da minha vida. Intenso, cheio de perguntas e de atuações memoráveis, o filme é extraordinário e não deve ser ignorado ou subestimado. Mesmo sendo inconclusivo, acreditem quando digo isso para mim é um problema e tanto, o filme não peca por que sua natureza não é ter todas as respostas, mas sim direcionar todas as perguntas.

 

 

( Algo À Ver ) Viva: A Vida É Uma Festa

Eu sou apaixonada por animações e não canso de repetir isso. Feitos para tocar o coração, estes filmes conseguem me fazer chorar e rir como nenhum outro. Ao assistir Viva: A Vida É Uma Festa da Disney & Pixar transbordei em emoções pelo alto nivel de apresentação da animação. Com todas as caracteristicas necessárias,  Lee Unkrich e Adrian Molina conseguiram não somente abrir espaço a outras culturas, como também surpreender pela forma simples e cheia de vida que o universo da morte apresenta.

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Titulo: Viva: A Vida É Uma Festa
Titulo Original: Coco
Diretores: Lee Unkrich e Adrian Molina
Distribuição: Disney & Pixar
Duração: 105m
Ano: 2017
Avaliação: 🎬🎬🎬🎬🎬❤

Sinopse: Miguel é um garotinho que nasceu em uma família que vê a música como destruição por conta de seus antepassados. Mesmo assim, o maior sonho do menino é ser um grande músico como seu ídolo Ernesto De La Cruz. No dia dos Mortos, de tradição simbólica no México, Miguel é acaba sendo levado a este mundo. Em busca não só de sua vida, como tamém de seus sonhos, Miguel parte em uma jornada que vai mudar toda sua vida.

A morte é um tema pouco retratado em animações. Quando o feito, normalmente vem daquele modo caricato meio tolo sem tanta profundidade. Contudo, os produtores de Viva: A Vida É Uma Festa conseguiram dar um tom a mais ao retratar a morte nos mais variados aspectos sem nunca perder a leveza, afinal de contas, Viva é – antes de tudo – um filme criado para mundo infantil. De certo modo, os diretores conseguiram suavizar o assunto mostrando que a morte é apenas o passo seguinte e que ficamos vivos na mente daqueles que nos amam. Foi extraordinário perceber toda a poesia, música e afeto familiar no enredo que ajudou a construir uma boa metafora sobre o que podemos esperar da vida após a morte.

viva-capaAo entrar no mundo dos mortos, Miguel entra em contato com seus antepassados e consequentemente com as verdades que fizeram sua familia tanto detestar a música. Isso deu ao filme um tom que foge do lado emocional e encontra-se mais com a razão, pois apesar de querer fugir da morte, Miguel não pretende abandonar seus sonhos para tanto. Aqui surge uma das peças mais importantes na construção do enredo da animação, o não desistir de alguma coisas aliado ao encontro daquilo que é mais importante. Apesar da lição do filme ser um tanto caricata, a sutileza com que os produtores a determinam , os espectadores conseguem absorver com naturalidade essa questão. Não é mais um clichê, mas sim algo concreto que realmente viva-filme-6faz parte das nossas vidas.

A fotografia do filme é espetacular. Desde o mundo dos vivos ao dos mortos, existe um misto de cores que auxilia na criação da misticidade e felicidade do filme. Houve o uso de um conjunto destoante de cores para impressionar o espectador. Não existe aqui aquela vontade de criar um mundo mais realitico possivel, mas sim idealizar uma fotografia que retrate sentimentos. Bem como a sonoplastia que não se atem a preencher silêncios com melodias infinitamente melosas, mas deixando-o falar por si mesmo e consequentemente tocando o coração.

Não posso dizer que Viva é o filme mais inovador dos ultimos tempos, mas sim que ele cumpre aquilo que se dispõe. Eu mesma não consegui segurar as lágrimas no fim da cessão que tocou minha alma pela sutileza e pelo amor envolvido na trama. É um filme que retrata a morte em todas suas camadas, mas principalmente quem somos e o que estamos dispostos a fazer por lutar pelo que desejamos e por quem amamos.

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( Algo À Ver ) Jumanji: Bem Vindo A Selva

Olá Corujinhas. Fazia muito tempo que eu não fazia resenha de filmes para voces, mas desse em especial não podia simplesmente ignorar. Jumanji foi um filme que marcou minha infância na época em que eu nem sabia direito o que era um jogo. Com atuação de Robin Williams (eternamente: isto fica feliz em ser útil)  e um enredo envolvente, o filme do jogo de tabuleiro que se tornava real era um dos meus favoritos.  Por esse motivo e apesar de todo meu ser me dizer que não era uma boa ideia, que decidi assistir a  sua continuação tantos anos depois. E devo dizer que apesar de não ter amado a película com todas as minhas forças, com certeza o sentimento de nostalgia me fez gostar bastante da minha aventura no cinema.

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Título: Jumanji – Bem Vindo A Selva
Direção: Jake Kasdan
Roteiro: Scott Rosenberg, Jeff Pinkner, Erik Sommers e Chris McKenna
Distribuição:  Sony Pictures
Elenco: Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart e Karen Gillian
Ano: 2018
Avaliação: 🎬 🎬 🎬

Jumanji: Bem Vindo A Selva conta história de quatro jovens que são deixados em detenção por mau comportamento na escola. Cumprindo o castigo, encontram um game antigo. Mas quando começam o jogo, são sugados para dentro do mundo digital tomando a forma de seus avatares. De modo a recriar um genérico sobre aventura e comédia, cada um dos adolescentes vira o seu oposto. O nerd vira o fortão (Dwayne Johnson); o fortão vira uma versão franzina de si mesmo (Kevin Hart); a gostosona da turma vira um homem gordo (Jack Black); e a nerd da turma se torna a gostosona (Karen Gillian). E assim, agora personificados e dentro do lugar mais perigoso de todos, os quatro precisam descobrir como se tornar uma ótima equipe para conseguir completar todas as fases do jogo e assim retornar as suas vidas. Desse modo, o que deveria ser apenas uma brincadeira se torna mortal, pois se morrerem em Jumanji morreram para sempre.

Em um misto de comédia e aventura, o filme não consegue equilibrar de forma satisfatória os dois viés que poderia seguir. Optando muito mais pela comédia, as cenas de ações acabam perdidas no contexto deixando essa lado da película com um sentimento frustante. Mesmo sendo rodeado de explosões, lutas e tiros, o filme não perde um segundo para a piada não abrindo espaço para a tensão que cenas como esta precisavam.  Apesar de gostar bastante dessa proposta mais bem humorada, não pude deixar de sentir falta da incerteza que deveria traçar uma boa dose de suspense na trama.

Mas esse foi o único ponto que o filme pecou com força. A história apesar de não original é bem desenvolvida e os personagens carismáticos, a exceção de Kevin Hart que como sempre passou uma sensação forçada. Contudo, Jack BlackDwayne Johson brilham dando forma a personagens típicos mas bastante carismáticos sendo o segredo para o sucesso do filme que não se leva a serio.

O novo Jumanji não traz questões reflexivas sobre tecnologia ou juventude, apenas uma boa diversão com bastante besteirol. Uma dica é você não tentar fazer comparações com o primeiro filme, pois esse segue um caminho bem diferente. Não deixa de ser uma boa diversão, mas também não vai muito além disso.