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(Resenha) A Traidora do Trono – Alwyn Hamilton – Livro Dois

No segundo livro da trilogia A Rebelde do Deserto, Alwyn Hamilton vai te apresentar uma nova face da revolução que irá questionar todas as suas certezas.

“Esta resenha não conterá spoilers do 1ª livro.
Para isto, pule a sinopse.”

transferirTítulo: A Traidora do Trono
Título original:
Série: A Rebelde do Deserto #02
Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Plataforma 21
Ano: 2017
Páginas: 440
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
Encontre: Saraiva | Amazon

Sinopse: Amani Al’Hiza mal pôde acreditar quando finalmente conseguiu fugir de sua cidade natal, montada num cavalo mágico junto com Jin, um forasteiro misterioso. Depois de pouco tempo, porém, sua maior preocupação deixou de ser a própria liberdade. A garota descobriu ter muito mais poder do que imaginava e acabou se juntando à rebelião, que quer livrar o país inteiro do domínio do sultão. Em meio às perigosas batalhas ao lado dos rebeldes, Amani é traída quando menos espera e se vê prisioneira no palácio. Enquanto pensa em um jeito de escapar, ela começa a espionar o sultão. Mas quanto mais tempo passa ali, mais Amani questiona se o governante de fato é o vilão que todos acreditam.

“Tempos atrás, no reino desértico de Miraji, havia um príncipe que desejava assumir o trono do pai. O jovem era movido pela crença de que o pai era um governante fraco e de que ele mesmo desempenharia melhor o papel de sultão”

Apesar de não ter ficado satisfeita com A Rebelde do Deserto, nutri certas expectativas para A Traidora do Trono. Ouvi muitos comentários sobre a evolução da história de Amani e dos rebeldes do deserto de Miraji, acabando por ter um certo pressentimento que iria gostar bem mais desse segundo livro. Talvez, muito disso seja porque sempre tenho tendência a me apaixonar por segundos volumes que parecem fazer a história ganhar massa a medida que os fatores inciais são deixados para trás. Por falar em massa, A Traidora do Trono realmente evolui e mesmo não me apaixonando pela obra, ainda sim percebo que o contexto foi mais evoluído ao ponto de ser intrigante e inesperado.

Alwyn Hamilton tem uma narrativa ágil e de certo modo descompromissada. Um dos pontos que me incomodou no primeiro volume e que continua me incomodando neste, é o fato de Hamilton não conseguir estender-se quando necessário. Muitas situações, principalmente de batalhas, terminam quase tão rápido quanto são iniciadas. Eu sinto falta de profundidade pois tal rapidez não causa frison de medo e expectativa. O lado bom disto é o fato que Hamilton não procrastina, ou seja, ela não fica presa a uma determinada cena, alongando-a o máximo criando sem necessidade. Então de certa forma, a narrativa ficou em certo hiatus entre pontos positivos e negativos.

“Inteligência e sabedoria não são as mesmas coisas. Tampouco habilidade e conhecimento”

Os personagens são um universo a parte. Uma das coisas que mais gosto nessa trilogia, acredito que vai se manter no terceiro livro, é a maneira com o qual estamos sempre lidando com personalidades diversas que nunca são previsíveis mesmo quando deveriam ser. Amani é uma daquelas protagonistas fortes que nós temos orgulho somente de saber da sua existência. Apesar de volta e meia achar ela infantil, seus pensamentos são condizentes para o momento ao qual esta inserida. Sendo Amani a narradora, é possível perceber seus desafios como se fossem nossos, o que nos aproxima da personagem.

Outro personagem que tomou virtudes ainda maiores dentro da história, foi o Sultão que ganhou mais espaço dentro da narrativa. Acho que nessa parte entra o meu ponto favorito dentro do livro de Hamilton, a autora soube criar um vilão excelente que consegue convencer o leitor de suas palavras. Não apenas um vilão para encher linguiça por assim dizer, mas alguém que tem suas convicções e que está disposto de tudo para afirmá-las. O Sultão de certo modo me pareceu o personagem mais sensato também. Pois apesar de entender a guerra, que acabou acontecendo rápido de mais, não acreditei nos ideias do Príncipe Rebelde que me pareceram bons, mas não o suficiente para o governo de um reino. O que o Sultão afirma, sobre ser impiedoso, acaba por ter bem mais verdade que as palavras de Ahmed. Sendo “interliterária”, o Sultão personifica o príncipe de Maquiavel que sabe ser terrível para impedir que seu povo seja mais terrível ainda. Então, Hamilton deixa uma pergunta ao seu leitor sobre o Principe Rebelde: Será Ahmed, com sua nova alvorada, um novo deserto é capaz de ser forte quando necessário?

“— Meu filho é um idealista. Eles são ótimos lideres, mas nunca se saem bem como governantes.”

Com inúmeras reviravoltas e personagens espetaculares, A Traidora do Trono conseguiu ser tudo aquilo que o antecessor não foi. Posso dizer que me encontro ansiosa para o próximo livro e cheia da expectativas pelo que está por vir. Foi fantástico ver o desenrolar da trama e entender as motivações que envolvem o enredo. Além disso, ainda temos a mitologia única que Alwyn Hamilton colocou em suas páginas. O livro foi completo em quase todos os sentidos, e para todos aqueles que amam uma ótima aventura esse livro é uma ótima dica.

“Eu era uma garota do deserto. De onde eu vinha, o mar era feito de areia. E a areia me obedecia. “

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( Resenha ) Cilada Para Um Marquês – Sarah MacLean – Escândalos e Canalhas – Livro Um.

Minhas caras Corujinhas, somos todos feitos de opções e escolhas. A cada ato somos levados à outro, e se tratando dos livros de Sarah MacLean a consequência é sempre o amor.

transferir.jpgTítulo: Cilada Para Um Marquês
Título Original: The Rogue Not Taken
Série: Escândalos e Canalhas – Livro 01
Autora: Sarah MacLean
Editora: Gutemberg
Páginas: 320
Ano: 2016
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: SkoobSaraiva | Amazon

Sinopse: Sophie Talbot é conhecida pela Sociedade como uma das Irmãs Perigosas – mulheres Talbot que fazem de tudo para se arranjar com algum aristocrata. O apelido chega a ser engraçado, pois se existe algo que Sophie abomina é a aristocracia. Mas parece que mesmo não sendo uma irmã tão perigosa assim, o perigo a persegue por todos os lugares. Quando a mais “desinteressante” das irmãs Talbot se torna o centro de um escândalo, ela decide que chegou a hora de partir de Londres e voltar para o interior, onde vivia antes de seu pai conquistar um título. Em Mossband, ela pretende abrir sua própria livraria e encontrar Robbie, um jovem que não vê há mais de uma década, mas que jura estar esperando por ela. No entanto, ao fugir de Londres, seu destino cruza com o de Rei, o Marquês de Eversley e futuro Duque de Lyne, um homem com a fama de dissolver noivados e arruinar as damas da Sociedade. Rei está a caminho de Cumbria para visitar o odioso pai à beira da morte e tomar posse de seu ducado. Tudo o que ele menos precisava era de uma Irmã Perigosa em seu encalço. O Marquês de Eversley está convicto de que Lady Sophie Talbot invadiu sua carruagem para forçá-lo a se casar com ela e conquistar um título de futura duquesa. Já Sophie tenta provar que não se casaria com ele nem que fosse o último homem da cristandade. Mas e quando o perigo tem olhos verdes, cabelos claros e a língua afiada? Essa viagem será mais longa do que eles imaginam…

“Não existe, afinal, encarada mais óbvia do que a que evita seu objeto. Isso é verdade comprovada, em especial, quando os objetos em questão são tão difíceis de ignorar.”

Sarah MacLean é minha queridinha nos Romances de Época. Quem me acompanha aqui no blog sabe o quanto tenho lido obras da autora (das quais ainda não enjoei, para registro) e como tenho gostado do desenvolvimento de suas histórias. Desde os personagens peculiares até a narrativa fluída, cada livro à sua maneira me encanta e me faz desejar ler ainda mais dessa brilhante escritora. Apesar de não poder dizer que Cilada Para Um Marquês não é meu favorito da escritora, também não posso dizer que foi de total decepção pois se trata de uma perspectiva praticamente única para o contexto.

A narrativa de Sarah MacLean dispensa apresentações. Com uma escrita leve, irreverente e cheia de toques emocionais, a autora desenvolve livros exaltando a força. Não que isso seja incomum, afinal de contas de mocinhas fortes os romances de épocas estão cheios, mas a maneira de MacLean fazer é impressionante. Não há exageros nem irrealidades, a apenas o desejo de ser bem mais do que a sociedade espera. É certo dizer que quase todos romances de época costumam seguir um prospecto parecido. Mocinhas fora do padrão, homens que sofreram no passado e não desejam o amor, uma família amorosa e escândalos envolvendo ambas as partes. Tudo isso, é encontrado nesta obra mas que se desenvolve para além do cliché.

Nossa mocinha não é fora do padrão porque simplesmente não é bela ou tem um comportamento excessivamente impróprio, mas sim porque ela rechaça qualquer ligação com uma sociedade que está disposta a usar qualquer artíficio para esnobar sua família. Sophie tem como aspecto principal a sua necessidade encontrar um caminho próprio que não tem a ver com privilégios de uma sociedade que vive de aparências, e sim com a simplicidade de apenas ser feliz. Por ser de família simples que ascendeu a sociedade quando seus pais decidiram comprar um título de nobreza, Sophie sabe o verdadeiro significado de felicidade e tudo que deseja é tomá-la para si.

“Sophie, contudo, não adorava nada daquilo. Na verdade, ela amarrotou o jornal com fervor e refletiu sobre as opções de que dispunha. Opções, não. Opção. No singular. Porque a verdade era que as mulheres, na Inglaterra de 1833, não tinham opções. Elas tinham um caminho que deveriam trilhar. Que eram obrigadas a trilhar. E que deveriam se sentir gratas por serem obrigadas a trilhar esse caminho.”

Por criar uma família que não pertence aos padrões, MacLean desenvolve um cenário ao mesmo tempo divertido e critico onde demonstra as injustiças e as regras ridículas da sociedade preconceituosa que era (e ainda é) estabelecida no período em que o livro se passa. Um dos pontos principais dos livros de Sarah como um todo é justamente a critica que ela faz aos padrões de modo atual sobre como nós, mulheres, somos determinadas a seguir algo porque a sociedade é machista de mais para acreditar que podemos ser muito mais que flores frágeis e necessitadas. Tal critica é desenvolvida abertamente, tanto em favor da personalidade de Sophie quanto do romance que ela tem com Rei.

Falando em romance, eu achei fantástico que a maior parte dele tenha sido dada em uma viagem que foi bem divertida onde os persionagens se “conheceram”, já que ali eles tomaram tempo para entender os medos e os desejos um do outro. Rei é um personagem que não me agradou como um todo, mas não posso negar que seu ar mau humorado que reclama, reclama mas que é incapaz de não embarcar nas loucuras proporcionadas pela perigosíssima Sophie.

Meu único problema com a obra foi o final que achei um tanto dramático de mais, ao mesmo tempo que foi resolvido fácil de mais. Não que tenha sido ruim, apenas foi comum ao ponto que eu esperava algo mais bem elaborado. Mesmo assim, para você que ainda não leu Sarah MacLean mas que deseja começar, essa obra é perfeita por ser a menos sensual e aquela que contém muito da força feminina que tanto amamos na autora. E para quem já leu e quer mais de Sarah MacLean é um livro que vai te deixar ainda mais apaixonado(a) por essa escritora magnifica.

“Ela não ligava se ele a aprovava ou não. Nem ligava para o que ele pensava dela. Ou o que o resto do mundo tolo, horrível e insípido em que ele vivia pensava dela. Na verdade, se toda a Sociedade a considerava desdivertida, por que ela deveria se importar?”

 

( Livrosofia ) Os Gêneros Através da História

Olá Corujinhas. Eu tenho falado bastante sobre os gêneros e como eles se configuram na perspectiva maior do Romance, mas até agora foram todas de modo bem pessoal. Por isso no post de hoje irei falar dos gêneros literários de uma perspectiva histórica e como as classificações evoluíram através dos séculos. Espero que gostem.

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A literatura é uma manifestação artística que nasce da mente dos autores e se modifica pela interpretação dos leitores tornando-se impossível conceituá-la como um todo. Por esse motivo, é importante ressaltar que mesmo que essas classificações históricas tenham caráter de maior importância, não podemos colocá-las como fonte principal de estudos ou mesmo classificações. Gêneros são apenas guias para uma melhor direção do que estás a se procurar.

É importante, antes de tudo, ressaltar que na literatura, as uma denotações acerca dos gêneros não  ultrapassam as noções de espécies sendo exclusivas do agrupamento de caracteristicas em uma obra artística. No caminho para conceituar os gêneros, Platão postula no Livro III de A República que a obra literária era parte da cateogoria mimética imitando a realidade diferenciando os gêneros a trágedia, a comédia e o épico. Há também uma tentativa de sistematização das “formas” literárias, mas sua Poética ficou incompleta. Desse modo, temos uma ideia aproximada do que seriam os gêneros. Apenas mais a frente com Aristóteles, existe a primeira tentativa de uma sistematização das formas literárias que adiquiram a classicação tripartida: dramático (onde se estabelece a comédia e tragédia), épico e lirico. Isso, porque para Aristóteles, os gêneros estavam de acordo os meios, os objetos e os modos miméticos sendo sua divisão apresentada ora por elementos relativos ao conteúdo, ora em elementos referentes à forma.

Foi apenas na Idade Média divisão dos gêneros foi difundiu-se ao mundo muito embora apresentassem as mesmas ideias básicas da fala de Platão. Como todos sempre se fundamentavam na ideia de que a mímese era o ponto fundamental de toda obra, os gêneros eram vistos como ideias fixas que deveriam ter sempre as mesmas características. Por esse motivo, do Renascimento até o Barroco, essa classificação tripartida dos gêneros foi considerada uma verdade inquestionavél. Nessa época, entendiam-se os gêneros como formas fixas, mantidas por regras inflexíveis às quais os escritores deveriam obedecer. Assim, cada gênero (dramático, épico e lírico) se subdividia em gêneros menores, mas que se distinguiam uns dos outros pelo rigor de regras que incidiam nos aspectos formais, estilísticos e temáticos.  Além dessa classificação de gêneros, também tinha-se a variação de importância e hierarquização que definia o um gênero sendo maior ou menor que outro.

Somente no Romantismo e as ideias libertadoras que a classificação dos gêneros sofreu mudanças significativas havendo a condenação daquilo que era chamado a pureza dos gêneros. No século XIX, houve defesas de que os gêneros literários não eram imortalis sendo um organismo vivo possuindo todos os estágios de sua mudança: nascimento, amadurecimento, envelhecimento e morte, isto sendo condicionado ao domínio dos gêneros mais fortes. Tal concepção foi combatida posteriormente por Benedetto Croce que defendia a ideia de que cada obra era única expressando um estado de vida individual.

Mas é certo afirmar que mesmo com todas as discussões de gêneros dos séculos anteriores, o problema continua indefinido pela falta de aceitação do hibridismo dos gêneros. A concepção de gênero é fundamentada na ideia de categoria, ou seja, de pertencimento a ideia de família. O critico, que antes de ser critico é também um homem, sempre esteve acostumado a classificar as coisas e dar nomes a elas como forma de convencimento que assim poderá entender melhor o mundo que o cerca. Cria-se  estruturas repetidas e repetíveis que se perpetuam ao longo dos tempos. Porém, sabemos que o enunciador também pode modificar essas estruturas, pode movimentar-se e construir enunciados, ora estáveis, ora moventes, mutáveis, modificados, híbridos.

Contudo, para a literatura entender tal mutação é uma tarefa difícil pois a tradição ainda é o pano de fundo que enxerga em suas obras. Em ponto de vista pessoal, tal perspectiva se torna infundada pela modificação que as obra literárias sofreram ao longo do tempo principalmente com o nascimento do Romance. Assim, não se deve levar somente em consideração o valor hierárquico do material para a determinação da forma artística, mas também a relação entre autor e o texto, bem como o fato do ouvinte exercer influência sobre os outros dois.

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Como vocês devem notar, a literatura é de certo modo arcaica. Não se deve levar em consideração só gêneros como fundamento especifico de uma obra, pois tudo deverá ser condicionado ao leitor, ao texto e o autor.

 Espero que tenham gostado. Beijos

(Motive-se à ler) Trilogia Millennium – Stieg Larsson

Oii Corujinhas. Estou criando mais uma categoria no blog pois tenho percebido que têm muitos livros independentes, séries e trilogias que ainda não fiz resenha para vocês pois realizei leitura antes mesmo de criar o blog. De modo que a Motive-se À Ler será uma categoria onde vou apresentar motivos para que vocês leiam minhas obras favoritas ao longo da minha vida de leitora. 

Espero que gostem.

Títulos: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, A Menina Que Brincava Com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar. | Título original: Män Som Hatar Kvinnor,  Flickan Som Lekte Med Elden e Luftslottett Som SprängdesTrilogia: Millennium (Original)Editora: Companhia das LetrasPáginas: 528, 608 e 688Anos: 2010Encontre: Amazon | SaraivaAvaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤

trilogia millenium

Conheci essa trilogia ao comprar um exemplar de Millennium na Leitura. Naquele dias, estava tendo uma daquelas promoções bombásticas (na Leitura, gente, na Leitura!) e eu saí de lá com três livros (Millenium e os dois primeiros volumes da Trilogia dos Espinhos) gastando menos de 60 reais. Mas como mamãe sempre diz, a ganância é uma cegueira, o que se aplicava a mim pois se eu tivesse olhado direito para tudo e não só para o preço teria percebido que estava comprando o segundo volume de uma série e não uma obra única como bem imaginava (francamente, eram 600 páginas e não tinha nenhuma obra meramente parecida ao redor). Então dei aquela leve broxada, mas para minha surpresa, meu amado irmão naquele mesmo dia trouxera o filme sueco referente ao primeiro livro da trilogia para casa. Então sim, assisti o filme e em seguida passei a obra e caramba! Foi espetacular… Havia gostado tanto que algumas semanas mais tarde, adquiri o primeiro e o segundo volume lendo-os logo em seguida. A conclusão foi que a ganância me ajudou a ler uma das melhores trilogias da vida e

E agora vou te dar cinco motivos para te que vai ser uma das melhores da sua também.

1 – Uma narrativa lenta, mas que funciona.

Um dos grandes diferenciais da trilogia de Stieg Larsson é a maneira com o qual se dá a narrativa centralizada na vida de seus protagonistas. Feita em terceira pessoa, relata  a a história de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist através do gênero supense dramático. Mas devo admitir que é um tanto procrastinada pois o autor sempre se atém aos detalhes mínimos durante os retratos de vida e locações ao redor dos personagens. São 600 páginas em média que sem tantos detalhes poderiam facilmente ter 400. Apesar de não ser o tipo de leitora que curte essas enrolações, acabei não ligando para esse detalhe porque conseguir perceber que Larsson não estava apenas contando determinado suspense, mas sim dramatizando as situações de vida como um todo, de modo que assim ele conseguiu aproximar ainda mais o leitor da história.

Não existem inocentes, existem variados graus de responsabilidade. 

2. Enredos.

Em Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, a história gira em torno da busca por Harriet Vanger, uma mulher desaparecida vinte anos antes no interior da Suécia. Esse primeiro livro é independente, ou seja, não tem relação direta com o enredo dos volumes seguintes. De certo modo, é como se Larsson estivesse apenas introduzindo os personagens para que o leitor consiga formar opinião sobre cada um. Para muitos, esse é o mehor livro da trilogia por apresentar um suspense mais focado na ação. Eu particularmente amo esse primeiro, mas percebo que ele não é tão complexo como os outros o que acaba não me fazendo considerá-lo como um dos melhores. Mas mesmo assim é uma história que vale a pena conhecer pois ele ressalta insere quais os pontos terão maior abordagem na série: Lisbeth, Mikael e mulheres em situações de abuso.

O segundo volume, A Menina que Brincava Com Fogo inicia um ano após os acontecimentos de seus antecessor. A história refere-se a um casal que estava prestes a fazer uma denúncia ao ministério público sobre o tráfico de mulheres que é brutalmente assassinado em seu apartamento no dia anterior. Lisbeth se torna a principal suspeita do assassinato e Mikael é o único que acredita em sua inocência. Esse livro apresenta um crime, e o livro posterior A Rainha do Castelo de Ar irá trazer as consequências deles. Assim, diferente do anterior, torna-se crucial que esses dois volumes sejam ser lidos na sequência para que o time da história não seja perdido. 

Ações impulsivas levariam a problemas, e problemas poderiam ter conseqüências desagradáveis

3. Personagens.

Com vidas conturbadas, Mikael e Lisbeth não poderiam ser mais diferentes. 

Mikael Blomkvist é jornalista. Receptivo, bem humorado e fiel a princípios o protagonista masculino apresenta o lado heroico do livro, onde o mocinho consegue se manter acima das necessidades individuais do homem. Muito embora Larsson não o fundamente como um personagem perfeito, Mikael tem suas particularidades que acabam por transformá-lo em um herói típico do suspense ao qual os leitores vão ter mais acesso ao que está acontecendo em histórias paralelas ao redor da trama principal. 

Lisbeth Salander, por outro lado, toma um caminho que extremamente oposto do de Mikael. Esquiva, fria e calculista não é amistosa jamais demonstrando apreço por outras pessoas ou quaisquer traços de empatia. Ela é uma anti-heroína que não tem apego aos princípios morais muito embora também não cause danos à ninguém. No decorrer dos três livros, principalmente do segundo, a história de Lisbeth vai sendo revelada para que nós entendamos o passado da hacker que é essencial para o conjunto de sua personalidade tão atípica. 

Eu tive muitos inimigos ao longo dos anos. Se há uma coisa que aprendi, é que você nunca deve se envolver em uma briga que você certamente perderá. Por outro lado, nunca deixe ninguém que tenha insultado você se safar. Aguarde seu tempo e revide quando estiver em uma posição de força, mesmo que você não precise mais, é hora de revidar.

4. Críticas sociais. 

Além do suspense que envolve a obra, os três livros apresentam críticas sociais não que são raramente discutidas em nossa sociedade muito embora sejam presentes nela. Corrupção, negligenciamento de menores e assassinatos por religiosidade são apenas alguns dos pontos levantados por Larsson. Mas a principal crítica são os abusos e a violência física e moral que as mulheres sofrem simplesmente por serem mulheres. No decorrer das três obras, o autor dá duros golpes em toda e qualquer sociedade machista que é omissa a esses comportamentos. Acredito que esse seja o motivo pelos qual a série é tão famosa. As críticas levantadas pelos autor são objetos de discussões que nos ajudam a refletir sobre a falta de postura contra os opressores. Em cada livro, Larsson coloca um ponto de vista ideológico diferente sobre a questão do abuso: No primeiro, o homem que abusa porque a mulher é dependente dele; No segundo, porque ela é ludibriada e todos os seus direitos como cidadã são perdidos; E no terceiro, porque a Justiça muitas vezes se nega a simplesmente acreditar na palavra de uma mulher tratando-a como propulsora do crime e não como vítima dele. 

Todo mundo tem segredos. É apenas uma questão de descobrir o que eles são.

5. Produção cinematográfica. 

A trilogia Millennium foi adaptada duas vezes para as telonas. A primeira adaptação foi realizada pela produtora Yellow Bird que adaptou os três livros em 2009. Já a produtora americana Sony Pictures o fez em 2010. Existem certas divergências entre as duas obras, mas o cerne do livro é mantido e muito bem explorado pelos diretores das películas. O destaque vai para Noomi Rapace e Rooney Mara que deram a vida brilhantemente a Lisbeth Salander considerada pela crítica especializada uma das melhores personagens femininas do cinema mundial. Assistam o trailer:

 

Então é isso Corujinhas. Espero que vocês tenham gostado do primeiro Motive-se e em breve teremos muito mais do meus clássicos pessoais para vocês. Beijos. 

( Resenha ) Predestinadas · As Crônicas das Irmãs Bruxas · Livro 03

Olá feiticeiras Corujinhas. Depois de muitos anos, finalmente as bruxas estão retornando ao poder, mas confiança não é uma opção pois os segredos que elas escondem podem devastar verdadeiramente todo o mundo. Será que estamos preparadas para esta conclusão?

download (2)Título: Predestinadas
Título original:
 Sister’s Fate
Série: As Crônicas das Irmãs Bruxas
Autora: Jessica Spotswood
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2015
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Cate Cahill acabou de ser apagada da memória de Finn, o grande amor de sua vida. A responsável por essa traição foi Maura, uma de suas irmãs, e Cate está certa de que nunca vai conseguir perdoá-la. Enquanto isso, Tess, a caçula, está às voltas com visões cada vez mais assustadoras. Como se não bastasse, a Nova Inglaterra vem sendo tomada por uma febre mortal sem precedentes. Preocupada, Cate quer ajudar a todos, mas é impossível fazer isso sem revelar seus poderes e, assim, aumentar a fúria dos Irmãos da Fraternidade, os implacáveis caçadores de bruxas. Em meio a desavenças com suas aliadas em potencial, Cate terá que se desdobrar para conseguir prestar o auxílio que deseja, proteger Tess e Finn e lutar por uma nova ordem que permita que as bruxas sejam representadas no governo de sua cidade e não precisem mais se esconder. Predestinadas é o desfecho de uma saga permeada de delicadeza, cores, magia e fortes emoções. As irmãs Cahill terão que enfrentar os maiores desafios de sua vida, e o amor que sentem uma pela outra será fundamental nessa jornada.

Nunca achei que existiria em algo em mim, algo pequeno, obscuro e vergonhoso, que ficaria contente em ferir minha própria irmã.

Com o final arrebatador de Amaldiçoadas eu esperava bastante da continuação da série iniciada em Enfeitiçadas. Maura havia se provado a mais egoísta de todas as pessoas, Tess perdeu sua inocência muito embora ainda pareça pequena e assustada e Cate tomou para si uma raiva grotesca que poderia lhe fazer causar danos àqueles que ela sempre tentou proteger. A ideia base para fazer Predestinadas funcionar (uma sociedade machista em todas vertentes que podemos pensar) também estava bem alinhada prometendo criar grandes conflitos. Por esses motivos, apesar de não poder dizer que não foi uma boa conclusão para uma trilogia especial, senti que faltou a maior propagação de quase tudo nas páginas desse livro. Quer dizer, a autora focou tanto em uma parte da obra que pareceu se esquecer da outra acabando por deixar o livro descompassado.

A narrativa de Spotswood continua firme e decidida. Uma coisa muito atraente em sua escrita é o fato que ela não enrola e nem alonga mais do que o necessário em seus cenários sejam eles descritivos, sejam eles emocionais. Eu gosto dessa brandura, acho que ajuda o livro a fluir com mais facilidade mesmo que seja um pouco incomum que os autores utilizem desse artificio. A autora consegue prender o leitor a narrativa de modo que nos permite sentir tudo e ver tudo ao mesmo tempo.

Assim como na narrativa, Jessica tem um trato especial quantos aos personagens. Minha personagem favorita continua sendo Tess com toda sua meiguice, inteligência e força. Apesar de ainda não gostar de Maura, não posso negar que o ceguismo da personagem de sempre querer ser a mais amada e notável das irmãs foi muito bem trabalhado. Cate, que antes tinha medo até da própria sombra passou a ser uma mulher mais forte e mais confiante, não somente pelos dissabores do passado mas também, e talvez principalmente, porque aquilo que ela precisa lutar. Desse modo, Spotswood consegue criar uma evolução ótima para as três personagens sem nunca perder o compasso em favor de uma ou de outra.

Mas o grande charme dos personagens, entretanto, está nos secundários que roubam a cena. Fynn continua um cavalheiro, muito embora pareça ter bem mais atividade na história. Sache e Rory abalam a trama com suas tiradas engraçadas. Mas é Irmã Inez, a maior ameaça dentro da fraternidade, que dá um gostinho a mais na obra. Poucas vezes encontrei uma vilã tão convincente que eu não somente odiei, como entendi suas necessidades. Poderosa e com uma mente brilhante, Irmã Inez demonstra o real significado do ser radical e do desejo de vingança.

O que me incomodou, e bastante, na trama. Foram às coisas terem acontecido rápido de mais em termos de história. Apesar da narrativa fluída de Spotswood, a autora não conseguiu dar a profundidade que o livro precisava em contexto maior que apenas o esperado. Tornou-se previsível pelo fato que o final é pautado pelo caminho que foi mais fácil e não pela tentativa de qualquer inovação.

Apesar do fator negativo, a leitura de As Crônicas das Irmãs Bruxas vale super a pena por todos os ensinamentos que a autora coloca em suas páginas bem como as críticas sociais que ela faz a sociedade machista que vivemos. A grande a justificativa do livro é mostrar que a força vem dos lugares que mais duvidamos onde a união nos matém fortes para lutarmos por tudo aquilo que desejamos e contra todos aqueles que nos oprimirem.

( Resenha ) Amaldiçoadas · Jessica Spotswood · As Crônicas das Irmãs Bruxas · Livro 02

Olá feiticeiras Corujinhas. Preparem-se para uma aventura sem precedentes onde o destino será seu pior inimigo. Pois três irmãs nasceram capazes de fazer bruxaria e todas são capazes de fazer magia mental. Uma delas terá visões e será a mais poderosa de todas. O problema é que apenas uma sobreviverá a virada do século pois uma irmã matará a outra.

Título: AmaldiçoadasAMALDICOADAS_1411600687B
Título original:
Star Cursed
Série: As Crônicas das Irmãs Bruxas
Autora: Jessica Spotswood
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2014
Avaliação: 🍁 🍁 🍁 🍁 🍁
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Após escolher servir à Irmandade e abandonar sua posição social, sua família e Finn, seu grande amor, Cate Cahill vai enfrentar dilemas muito maiores. Os Irmãos da Fraternidade estão cada vez mais ávidos por controle. Eles não apenas continuam fazendo de tudo para exterminar as bruxas, como agora também desejam acabar com a autonomia de todas as mulheres, por meio de um decreto que as proíbe de trabalhar e estudar. Quando Sachi, amiga de Cate, é mandada para o Hospício de Harwood por executar magia em público, o cerco se fecha em torno da Irmandade e Cate começa a sentir a pressão para manifestar os poderes anunciados na profecia, aquela que aponta uma das irmãs Cahill como a bruxa mais poderosa em muitos séculos. Mais do que nunca, Cate precisa proteger suas irmãs, Maura e Tess, que acabam indo morar com ela em Nova Londres. No entanto, a reaproximação se torna um revés quando Maura demonstra grande interesse em deter o maior poder de todos. As consequências podem ser terríveis e incluir uma guerra cruel capaz de separar de vez as irmãs Cahill.

Destino. A palavra soa tão grandiosa e, no entanto, promete uma sina tão horrível. Uma de nós não vai viver para ver o século XX. Uma de nós vai matar a outra.

O segundo livro da trilogia As Cronicas das Irmãs Bruxas conseguiu elevar a série à um novo patamar. Talvez porquê neste livro a autora se preocupou muito mais com a história em si do que com o contexto social, Amaldiçoadas deu novos constrastes a trama demonstrando a capacidade Jessica Spotswood de remodelar e surpreender o leitor.

Amaldiçoadas , diferentemente do primeiro livro que focou na relação entre as irmãs, vêm com um contexto mais voltado para a política e as tramas de poder. Por esse motivo acredito que acabei gostando bem mais desse segundo enredo pois houve uma grande evolução dos viés da trama. A porta aberta em Amaldiçoadas ganhou notoriedade e força Enfeitiçadas onde toda obra passou a ter uma pretensão a mais de onde gostaria de chegar e quais caminhos precisaria tomar para alcançar seus objetivos.

Cate, Maura e Tessa continuam como as grandes protagonistas de personalidades distintas. Para mim, os sentimentos do passado possuiá em relação as três irmãs apenas se intensificaram. Cate começou a me dar raiva pela bobice e falta de atitude. Entendo que muito do que a garota fazia era proteger suas irmãs, mas as vezes achei-a exagerada de mais principalmente com Tess que não precisa sempre ser tratada como criança. Maura passou de irritante à odiosa por querer sempre ser a mais em absolutamente. Sua necessidade de ser o centro das atenções finalmente lhe corrompeu e parece que nem mesmo as irmãs são mais importantes em sua vida. E Tess ganhou de vez meu coração. É a mais jovem mas com toda certeza a mais sensata. Além de guiar ambas as irmãs, possui um coração nobre capaz de sentir as necessidades de todos sem nunca esquecer de si mesma. Três personalidades distintas que completam toda a obra.

Em suma, Amaldiçoadas foi um livro que me surpreendeu bastante desde os enredos base até mesmo o grande plot twist do final que promete ainda mais para a conclusão da trilogia. O que posso dizer é leiam. Por todas suas nuances entre críticas sociais, romance, amor fraternal e ação, essa obra vale super à pena.

( Resenha ) Enfeitiçadas · Jessica Spotswood · As Crônicas das Irmãs Bruxas · Livro 01

Olá feiticeiras Corujinhas. Abram suas asas que o destino nos espera com um preságio de poder. Em um jogo definido pela maldade dos irmãos e pela submissão das mulheres, três irmãs estão destinadas a um futuro grandioso e perigoso que pode dar fim à uma era ou iniciar um novo ciclo de terror.

download (3)Título: Enfeitiçadas 
Título original: 
Born Wicked
Série: As Crônicas das Irmãs Bruxas 01
Autora: Jessica Spotswood
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Ano: 2013
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: No leito de morte de sua mãe, Cate Cahill fez uma importante promessa: proteger a todo custo suas irmãs mais novas, Maura e Tess. Essa tarefa é mais difícil do que parece, afinal, as irmãs guardam um importante segredo: elas são bruxas. Em uma sociedade governada pela Fraternidade, instituição que pune qualquer suspeita de bruxaria com a prisão, a internação num hospício ou a morte, ser bruxa significa estar constantemente em perigo. Aos 17 anos, faltando apenas algumas semanas para que Cate decida entre se casar ou abraçar a Irmandade – braço feminino da Fraternidade -, talvez ela não consiga manter sua promessa, principalmente depois de encontrar o diário da mãe, que revela um segredo capaz de levar a família à destruição. Desesperada para descobrir alternativas, Cate começa a vasculhar livros proibidos e a encontrar ajuda em novos amigos rebeldes, tudo isso enquanto precisa lidar com eventos sociais, propostas de casamento e um romance proibido com o inadequado jardineiro da família. Se o que sua mãe escreveu for verdade, as garotas Cahill não estão a salvo – nem da Fraternidade, nem da Irmandade, nem delas mesmas.

A Fraternidade é bastante firme em relação ao papel das mulheres. Devemos ser vistas, e não ouvidas.

Eu sempre gostei bastante de obras que envolvem seu enredo alguns dos momentos históricos mais importantes que passamos. Seja esse envolvimento como inspiração para sua estrutura ou mesmo como parte dela. Por esse motivo, quando conheci o enredo de Enfeitiçadas fiquei encantada pela premissa que apresentava pois nunca antes eu havia lido uma obra que ressaltasse a época da inquisição de caça as bruxas. E apesar desta não ser uma ficção histórica, posso dizer que o livro foi perfeitamente embasado com uma fundamentação espetacular neste momento.

Jessica Spotswood tem o tipo de narrativa que normalmente não me agrada em fantasias. A autora parte do principio de narrar muito mais os sentimentos personagens do que construir  as descrições do mundo. Contudo, acabei não sentindo falta desta segunda característica na obra da autora. Pois a história é ambientada no século XX e mesmo sabendo que não se trata da mesma realidade que conhecemos da época, acabei associando uma coisa a outra. Assim, fui muito mais feliz em minha leitura pois ao entender melhor os sentimentos de cada personagem, em especial Cate que narra o livro, consegui me aprofundar mais nos momentos proporcionados.

Os personagens de Spotswood foram também muito bem trabalhados de modo que cada um tivesse sua personalidade bem definida. Cate, a mais velha das irmãs, é insegura quanto ao que esperar do seu futuro porque esta sempre a caminho de proteger as outras. É uma personagem um tanto sensível de mais pro meu gosto, admito, mas eu percebo que existe muita explicação para essa sensibilidade. Cate fez uma promessa difícil e esta sempre tentando mantê-la mesmo que sua própria felicidade esteja em risco. Maura (capa) é a mais instável das irmas e consequentemente a mais detestável, É orgulhosa precisa ser a mais amada, a mais bonita e mais qualquer-coisa para se sentir feliz e superior as outras. Já Tess foi de longe minha favorita. Apesar de seus doze anos, é a mais sensata e diplomática das irmãs. É difícil conceber uma única característica a Tess pois ela conseguiu ultrapassar a linha entre ficção e realidade se tornando quase uma amiga.

O único ponto negativo que posso ressaltar na trama, foi o desenvolvimento lendo que a história percorreu. O começo do livro é pontuado por diversas facetas sobre a Irmandade e como ela age com a sociedade e as mulheres. Apesar de ter gostado desse trabalho que a autora teve em desenvolver a base de seu mundo, não pude deixar de sentir que houve uma extensão um tanto desnecessária do assunto. Esses pontos poderiam ser desenvolvidos no decorrer do livro de modo que ficasse mais equilibrado os dois vórtices da narrativa.

Enfeitiçadas é uma obra para todos aqueles que gostam de uma boa fantasia com um toque de realidade. Recheado de criticas sociais, o livro se torna também um lar de protesto contra o machismo que parece tão enraizado em nossa sociedade. Além disso, a toques de romantismo e ação que deixam a história ainda mais emocionante. Com o grande plot twist do final, é certo que podemos esperar uma evolução fantástica onde as crônicas das irmãs bruxas devem ganhar um rumo ainda mais avassalador.

( Resenha ) O Beijo do Vencedor · Marie Rutkoski · Livro 03

Minhas guerreiras Corujinhas, abram suas asas e empunhem suas espadas porque hoje nossa viagem pelos segredos do vencedor chegará ao fim em uma batalha épica onde a maior arma será sua astúcia.

OBeijoDoVencedor

 

Titulo: O Beijo do Vencedor
Titulo Original: The Winner’s Kiss
Série: A Trilogia do Vencedor #03
Autora: Marie Rutkoski
Editora: Plataforma 21
Ano: 2017
Páginas: 448
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐
Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

Sinopse: A guerra começou. Arin está à frente dela com novos aliados e o império como inimigo. Embora tenha convencido a si mesmo de que não ama mais Kestrel, Arin ainda não a esqueceu. Mas também não consegue esquecer como ela se tornou o tipo de pessoa que ele despreza. A princesa se importava mais com o império do que com a vida de pessoas inocentes – e, sem dúvida, menos ainda com ele. Pelo menos é o que Arin pensa. Enquanto isso, no gélido norte, Kestrel é prisioneira em um campo de trabalhos forçados. Ela deseja desesperadamente escapar. Deseja que Arin saiba o que sacrificou por ele. E deseja fazer com que o império pague pelo que fizeram a ela. Mas ninguém consegue o que quer apenas desejando. Conforme a guerra se intensifica, Kestrel e Arin descobrem que o mundo já não é mais o mesmo. O oriente está contra o ocidente, e os dois se encontram no meio de tudo isso. Com tanto a perder, é possível alguém realmente ser o vencedor?

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O final que tanto aguardei para A Trilogia do Vencedor veio recheado de tudo aquilo que eu esperava para ele. Apesar de já ter a obra em mãos, esperei quase três semanas para lê-la. Minha expectativa estava bem alta e eu sabia que simplesmente ia estragar toda minha diversão. Mas assim que comecei tudo começou a borbulhar dentro de mim e o sentimento de estar lendo algo extraordinário só cresceu assim como a trilogia o fez a cada livro.

Marie Rutkoski criou uma história narrada para se tornar épica. De modo fluído, flexível e arrebatador a autora envolve-nos para que o peso das páginas não seja sentido. Foram horas de leitura, mas o cansaço não me tomou. Houve uma grande evolução na maneira de relatar os fatos. Mais densa e poética, Marie renovou sua história mantendo todas as peças em seu lugar dando ainda mais forma ao brilhante jogo de poder criou. O que era uma narrativa mais simples em sentimentos e ações, se tornou mais pesada em pensamentos e estratégias sem nunca deixar de lado a natureza energética que guiou toda trilogia. O livro traduz batalhas incríveis com armas ou não, traduz o amor mesmo quando nada esta a seu favor, mas principalmente traduz a coragem de se levantar depois de ser destruído porque desistir não deve ser uma opção quando lutamos por aquilo que achamos ser o certo.

Uma menina orgulhosa. De coração duro, nobre. E cheia de mentiras e mentiras.

Os personagens que antes transbordavam pelas palavras de Marie agora se tornaram físicos. Não tem como descrevê-los sem dizer o quão intensos eles se tornaram. Kestrel está marcada para sempre dentre minhas protagonista favoritas. O modo com o qual ela evoluiu foi extraordinário. Primeiro Kestrel era uma aristocrata arrogante refém do futuro que os outros esperavam, então virou princesa presa em uma torre que mais uma vez foi forjada por outras mãos. Mas sua jornada culmina para não somente ser uma prisioneira  como também para ser uma guerreira. Dessa forma, Kestrel vai de um sentimento à outro: força, fragilidade, medo, coragem, amor, ódio… Toda essa dualidade entra em conflito para quebra-la. Mas da junção dos cacos surge uma nova Kestrel mais forte e mais preparada para lidar com os desafios.

Não posso dizer que gostei de Arin do mesmo modo que de Kestrel. Houve mais baixos que altos à seu favor na trilogia. Mas não posso negar que ele foi inegavelmente bem construído. Apesar da sua cegueira, vejo bastante racionalidade em sua personalidade. Toda sua vida foi moldada para lhe despertar desconfiança. Então como confiar em alguém que deveria ser sua inimiga. Arin não sabe, mas a partir do momento que deixa de lado a razão e passa a confiar na sua intuição ele percebe que não é apenas o lugar de onde as pessoas vêm, mas sim quem eles  decidem querer ser.

Todos os pedaços dela sendo colocados no lugar, na imagem de um mundo perdido. O menino que descobria essa imagem. A menina que a via reluzir e cintilar, e entendeu, então, o que sentia.

Toda a trama é bem desenvolvida principalmente onde ela pede para ser assim. Começando pelo romance de Kestrel e Arin que foi apaixonante. Os dois se reencontram depois de tantas provações e diferente do que se possa imaginar não existe pressa em juntar o casal, pois não cabe acelerar o amor na história. Arin respeita ela esperando o tempo necessário para que Kestrel encontre sua força mais uma vez; ele a que inteiramente, não apenas uma parte de sua alma. E assim como não existe pressa no romance, o mesmo não se aplica a guerra que os envolve. Cada cena é e bem trabalhada para que nos sintamos parte dela, como guerreiros lutando por uma causa. O sentimento que fica é que apesar do medo, a esperança de conseguir uma vida melhor é mais pulsante em nossos corações.

O Beijo do Vencedor foi um livro fantástico mostrando a capacidade de Marie Rutkoski se reinventar para dar um final exuberante à sua trilogia. Os segredos e o romance vão inevitavelmente atrair o leitor. Entre mentiras e verdades, a trilogia evolui para surpreender. Indico esses livros a todos que querem ser arrancados de si mesmo, para tomarem as vidas dos personagens sentindo na pele cada uma de suas provações.

Às vezes, uma verdade nos oprime com tanta força que não dá para respirar.

( Resenha ) O Crime do Vencedor · Marie Rutkoski · Livro 02

Minhas caras Corujinhas, abram suas asas e preparem-se para uma aventuras entre segredos. traições, amores e mentiras pois hoje nossa viagem será pelos segredos e desafios de dois jovens maltratados por suas escolhas.

CAPA-O-crime-do-vencedor

 

Título: O Crime Do Vencedor
Título original: The Winners Curse
Série: A Trilogia do Vencedor — Livro 02.
Autora: Marie Rutkoski
Editora: Arqueiro
Páginas: 360
Ano: 2016
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐❤
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Existe a tentação e existe a coisa certa a se fazer. E está cada vez mais difícil para Kestrel fazer a melhor escolha.
Um noivado imperial significa uma celebração após a outra: cafés da manhã com cortesões e dignatários influentes, bailes, fogos de artifício e festas até o amanhecer. Para Kestrel, porém, significa viver numa gaiola forjada por ela mesma. Com a aproximação do casamento, ela deseja confessar a Arin, seu ex-escravo e atual governador de Herran: só aceitou se casar com o príncipe herdeiro do império em troca da liberdade dele, Arin. Mas será que Kestrel pode confiar nele? Ou, pior: será que pode confiar em si mesma?
No jogo do poder, Kestrel está se tornando perita em blefes. Age como uma espiã na corte. Se for pega, será desmascarada como traidora de seu próprio império. Ainda assim, ela não consegue deixar de buscar uma forma de mudar seu terrível mundo… e está muito perto de descobrir um segredo tenebroso.

Quando comecei a ler O Crime do Vencedor minhas expectativas estavam baixas porque seu antecessor não havia chegado as minhas expectativas.
E acredito que graças a isso, gostei tanto do livro que me surpreendeu positivamente com a evolução de seu enredo em ambos os lados dessa história que envolve não somente amor, mas política e rebeldia contra as regras mais odiosas da sociedade.

Às vezes, achamos que queremos uma coisa, quando precisamos é deixa-la para trás.

A escrita de Marie Rutkoski é maravilhosa. Ela narra o livro com propriedade e domínio deixando a mostra tudo que precisamos saber à medida do possível. De modo à sempre querer mostrar os sentimentos dos personagens durante suas ações, a autora também os coloca como verdadeiramente humanos à vistas de todos. Entre decisões difíceis segredos à serem revelados, o enredo não se reduz à atitudes tomadas por sem-almas, mas se constrói através de personalidades reais de uma narrativa sentimental e poderosa.

Kestrel não entendia como a verdade podia ter duas faces , igual a uma moeda. Tão preciosa – e tão terrível.

Muito embora as vezes tenha ficado com raiva deles, Kestrel e Arin formaram um casal cheio de altos e baixos que me fizeram torcer alucinadamente para que ficassem juntos. Os dois despertaram em mim sentimentos contraditórios. Mesmo quando implorava mentalmente que revelassem seus segredos um ao outro, também entendia o que os fazia não contar. Existe para os dois a vontade de mudar as leis que ditaram suas vidas durante tanto tempo, mas não é apenas isso: os destinos em suas mãos não é somente os seus, mas os de todos aqueles que lhes rodeiam. Por esse motivo é são tãos fortes as amarras que os mantem presos aos seus segredos.

Arin trocaria seu coração por um nó trançado de barbante se isso significasse que ele nunca mais precisaria ver Kestrel.

Outro ponto que merece ser ressaltado pela importância que tem durante a construção do livro foi a politicagem que envolvia os jogos de poder da trama. Muito bem armada, essa politicagem foi o que deu ação ao enredo. Apesar de que costumeiramente associamos ação à batalhas e afins, jogos de política são — muitas vezes — a verdadeira face desta. Por isso, Rutkoski tece uma teia de jogos deixando a obra tensa porque sabemos que apenas um movimento em falso poderá trazer consequências catastróficas. Isso criou em mim uma espécie de torcida para que tudo desse certo, para que todos ficassem seguros.

Lembrou-se de quando erguera os olhos para a garota, sentindo um ódio que era tão duro quanto puro. Um diamante.

O Crime do Vencedor foi uma continuação excelente que abriu novos caminhos para o próximo livro. Foi um livro de amor, segredos e política que nos faz perguntar até onde seríamos capazes de ir para proteger aqueles que amamos.

( Resenha ) A Queda dos Reinos · Morgan Rhodes · Livro 01

Olá Corujinhas. Abram suas e vistam suas armaduras que hoje iremos sobrevoar os reinos de Paelsia, Limeros Aureanos para que nossos mais profundos desejos sejam concebidos.

A queda dos reinos capa

 

Título: A Queda dos Reinos
Título original: Falling Kingdoms
Autora: Morgan Rhodes
Editora: Seguinte
Páginas: 400
Ano: 2013
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

 

Sinopse: Numa terra em que a magia havia sido esquecida e a paz reinara durante séculos, uma agitação perigosa ganha forma quando três reinos começam a lutar pelo poder. Entre traições, negociações e batalhas, quatro jovens terão seus destinos entrelaçados para sempre: Cleo, a filha mais nova do rei de Auranos; Magnus, o primogênito do rei de Limeros; Jonas, um camponês rebelde de Paelsia; e Lucia, uma garota adotada pela família real de Limeros que busca a verdade sobre seu passado. E, A Queda dos Reinos, Morgan Rhodes constrói uma mitologia complexa e fascinante, que mistura amor proibido, intrigas políticas e profecias milenares. Narrado pelos pontos de vista de quatro protagonistas, este é o primeiro volume da série.

A busca pelo poder, pelo poder supremo, é a razão por trás da maioria dos males que o mundo testemunhou.

Conheci A Queda dos Reinos através das minhas googadas na busca por novas ficções. Sempre gostei de procurar por mim mesma novas histórias de modo que fiquei extasiada ao encontrar a capa do livro e ler seu título. Por isso assim que saiu os desafios da #Fantastona2017 logo o encaixei em minhas leituras cheia de expectativas pelo que poderia me esperar já que por não saber de nada sobre a obra — não faço o tipo que lê sinopses — e tudo que eu sabia era apenas mergulharia em um novo mundo contendo. E apesar de não ter achado a história impactante à ponto de tirar o fôlego, também não posso dizer que foi do meu total desagrado. Vi no livro potential que me deu certeza que vou dar continuidade à série.

De todos os pontos que me agradaram nesta a obra, a narrativa que é essencial não foi uma delas. Apesar da leveza e agilidade com que tudo transcorria, o modo com o qual a autora conduziu tudo foi fraco. Houve uma inversão de papéis onde, no que a autora deveria ter evoluído ficou de lado e o que deveria ter sido deixado de lado acabou tomando mais espaço na narrativa. Em uma obra maior e mais densa tal erro poderia ser perdoado pois teria-se dado espaço para a não breveidade das coisas. Mas em um espaço curto de tempo como o que a autora propõe ficaram fora dos eixos. Posso dizer que muita das vezes acabei achando o texto infinitamente infantil, uma coisa que me incomodou bastante durante a leitura. Sempre detestei longos diálogos em virtude provar a razão sobre tudo. Em uma narrativa focada na raiva, a autora usou e abusou dessa característica.

Mas, apesar de ter tido um impacto negativo com esse primeiro encontro com a obra, todo o aspecto restante de sua composição foi agradável. A forma ao qual Rhodes conseguiu aprofundar uma nova mitologia no contexto da obra foi sensacional. Me vi sedenta e expectante pelas respostas aos enigmas deixados pela autor sobre tudo que poderia ser tragado e conquistado pelos personagens. Apesar de, em um contexto inicial certas coisas parecerem refletir uma conclusão clichê e sem graça, Rhodes tomou pelas mãos e recriou dando novas dimensões ao futuro dos três reinos.

Quanto aos personagens, apesar de tê-los achado estranhos devido a infantilidade explicada na narrativa, também enxerguei neles algo mais o que me mostra como o ser humano pode ter duas faces. Cleo, a princesa de Auranos, apesar de toda a arrogância e Insatisfação mostra também um lado disposto à ser mais que uma donzela em perigo. Jonas, um rapaz pobre de Limeros, apesar da raiva e do sentimento de vingança mostra-se inteligente o suficiente para encontrar a justiça acima de tudo. Lúcia esta envolta de doçura, mas isto não significa que ela não tem força para ser forte quando necessário. E Magnus, dentre todos é o mais coativamente pela maneira sofrida ao qual precisa deixar de lado em favor do ódio para não simplesmente sucumbir à ela.

Dessa maneira, A Queda dos Reinos foi um livro que me proporcionou um turbilhão de emoções. Fui levada da raiva à surpresa, e apesar das falhas do enredo não perco minhas esperanças na série. E mal posso esperar pelo próximo volume.

Até mesmo na pessoa mais sombria e cruel ainda há uma ponta de bondade. E dentro do virtuoso mais perfeito também existem trevas. A questão é: a pessoa cederá às trevas ou à luz? É algo que decidimos com cada escolha que fazemos, todos os dias de nossa existência. O que pode não ser maldade para você, pode ser para outro. Saber disso nos torna poderosos mesmo sem magia.