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( Resenha ) Identidade Roubada — Chevy Stevens

Livros de suspense estão entre meus favoritos. Na verdade, meu consumo literário (apesar da vivacidade do blog) normalmente é voltado para as questões mais sombrias localizadas entre o suspense e o terror. Por esse motivo, muitas vezes sou capaz de pegar livros de suspense sem nem mesmo ler a sinopse. Baseada na capa e no comentário que normalmente acompanham os livros, decido se a obra vale meu tempo. Foi exatamente isto que aconteceu quando decidi ler Identidade Roubada de Chevy Stevens. E apesar de não poder dizer que foi um dos meus favoritos, ainda sim foi uma leitura que valeu a pena pelas interrogativas colocadas pelo autor.

Titulo: Identidade Roubada Título Original: Still Missing Autor: Chevy Stevens Editora: Arqueiro Ano: Paginas: Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ Encontre:| Amazon | Skoob

Identidade-Roubada-203x300Sinopse: Era para ser um dia como outro qualquer na vida de Annie O’Sullivan. A corretora de imóveis levanta da cama com três objetivos: vender uma casa, fazer as pazes com a mãe e não se atrasar para o jantar com o namorado. Naquele domingo, aparecem poucas pessoas interessadas em visitar o imóvel. Quando Annie está prestes a ir embora, uma van estaciona diante da casa e um homem sorridente vem em sua direção. A corretora tem certeza de que será seu dia de sorte. Mas o inferno está apenas começando. Sequestrada por um psicopata, Annie fica presa durante um ano inteiro em um chalé nas montanhas, onde vive um pesadelo que deixará marcas profundas.

Narrado em passado e presente por primeira pessoa nas duas situações, Identidade Roubada tem prerrogativas bem interessantes que precisam ser discutidas nos dias de hoje. Cada vez mais, somos surpreendidos por crimes violentos contra as mulheres. Contra homens também, mas a expressividade entre crimes de sequestro é expressiva enquanto tratada sob o hall do feminino. Muito embora o livro de Stevens não seja exatamente uma luta do feminismo, também não podemos desconsiderar essa possibilidade pela invocação do sentimento de revolta que nos rodeia quando entramos no seu universo.

Eu nunca havia lido nada da autora. Conheci sua obra através do canal da Pam Gonçalves em um vídeo de book-shell-of-tour. De primeira a capa e o título me chamaram bastante atenção, pois gosto bastante gênero e a criatividade do título despertaram em mim o sintoma de necessidade. Mas só realizei leitura muitos anos depois, quando, passeando entre os livros revi seu título e pensei: porque não? E posso dizer que apesar de não ter me surpreendido com a obra, a história que Chevy tem a oferecer é fantástica.

Narrado em primeira pessoa por Annie, a história se desenvolve bem pela escrita suave de Stevens. A autora não peca em dar mais detalhes do que o necessário, e sim construir ambientações e sentimentalismos que criam todo o aspecto inovador do livro. Afinal de contas, tal narração é feita através das cessões de Annie com um terapeuta. E muito embora isso deixe de lado uma parte do suspense da obra, ajuda a entender melhor como a personagem lidou com o sequestro-cativeiro e agora tenta retornar à sua vida normal.

Um dos pontos mais favoráveis ao livro, é com certeza Annie. A protagonista é carismática, um tanto cínica e incrivelmente humana. Poucas vezes me apeguei tanto a uma personagem na literatura. Isso se deve não somente ao grau de proximidade com a realidade trazida por Stevens. Exagerada e um pouco egocêntrica, Annie tem defeitos que muitas vezes julgamos, mas que fazem parte da vida de quem passou por abusos. É doloroso acompanhar cada um dos seus choros se tornando impossível não sentir empatia pela personagem.

O único defeito do livro foi o final. Mesmo que haja um bom plot-twist este não é bem desenvolvido dando a impressão que fora largado ao meio do caminho. As questões tão bem levantadas pela autora perdem espaço para uma válvula de escape simples e contraditória. Os motivos do livro deveriam ter sido melhor trabalhados para fechar tudo com chave de outro.

Identidade Roubada é uma leitura de altos e baixos que vale a pena pela realidade imposta pela autora. Um livro real sobre a hedionidade humana e suas implicações no contexto total da sociedade.

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( Resenha ) Fique Comigo – Harlan Coben

Existem alguns autores que não importa quantos livros você leia dele que jamais irá cansar ou ficar com aquela sensação incomoda de mais do mesmo. Harlan Coben é um desses autores em minha vida. Sempre com dinamismo, o Mestre das Noites Em Claro faz jus ao título em Fique Comigo. Um suspense arrebatador que nos mostra como é impossível fugir do passado.

Título: Fique Comigo | Título original: Stay Close| Autor: Harlan Coben | Editora:  Arqueiro | Páginas: 384| Ano: 2014| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐| Encontre: Skoob SaraivaAmazon

FIQUE_COMIGO_1363735233PSinopse: A vida de Megan Pierce nem sempre foi um mar de rosas. Houve uma época em que ela nunca sabia como seria o dia seguinte. Mas hoje é mãe de dois filhos, tem um marido perfeito e a casa dos sonhos de qualquer mulher- e, apesar disso, se sente cada vez mais insatisfeita. Ray Levine já foi um fotógrafo respeitado, mas agora, aos 40 anos, tem um emprego em que finge ser paparazzo para massagear o ego de jovens endinheirados obcecados em se tornar celebridades. Broome é um detetive incapaz de esquecer um caso que nunca conseguiu resolver: há 17 anos, um pai de família desapareceu sem deixar rastros. Todos os anos ele visita a casa em que a mulher e os filhos do homem esperam seu retorno. Essas pessoas levam vidas que nunca desejaram. Agora, um misterioso acontecimento fará com que seus caminhos se cruzem, obrigando-as a lidar com terríveis consequências de fatos que pareciam enterrados havia muito tempo. E, à medida que se deparam com a faceta sombria do sonho americano – o tédio dos subúrbios, a angústia da tentação, o desespero e os anseios que podem se esconder nas mais belas fachadas -, elas chegarão à chocante conclusão de que talvez não queiram deixar o passado para trás.

A inquietude voltaria. Era inevitável. Sofrimento, medo, paixão, os segredos mais obscuros – nada durava para sempre. Mas talvez, se respirasse fundo e aguentasse firme, Megan pudesse manter essa sensação pelo menos por mais algum tempo.

Harlan Coben tem uma das melhores narrativas que eu conheço. Não é atoa que já passei da casa dos vinte em números de obras que já li de sua autoria. O ponto que sempre me faz retornar ao seus livros é a capacidade que tem de dar detalhes sem ser maçante. De construir narrativas que são cheias de significados ao mesmo tempo que estão tomadas de ação. Harlan não é um autor da mesmice, mas alguém que busca inovar e trazer sempre aos seus leitores uma obra que seja para além do que nós esperamos.

Nós lutamos pela liberdade, não foi? E então o que fazemos com essa liberdade toda? Nos prendemos a bens materiais, dívidas e, bem, à outras pessoas.

Nessa obra, narrada em terceira pessoa, Harlan desconstrói o sonho americano: ter uma casa grande, um carro na garagem, um cônjuge que lhe ama e filhos bem educados. Parece ser uma vida dos sonhos, mas quando Harlan se aprofunda nisso percebemos que perfeição não é exatamente aquilo que está em jogo, pois uma vida assim seria completamente sem emoções. E o que para algumas pessoas significa felicidade eterna, para outras são algemas que prendem aos preceitos da sociedade que negam a plenitude de se viver como queremos. Pois precisamos desejar as mesmas coisas, ter as mesmas vidas para sermos normais. Almejar uma vida dos sonhos, mesmo que aquele não seja o nosso.

– Todos nós representamos personagens diferentes para pessoas diferentes.

Através de seus três personagens principais, Harlan insere para seus leitores perspectives diferentes do que podemos considerar felicidade. O detetive Broome fica de frente com um caso antigo do passado ainda não resolvido. E é a partir que vislumbramos a primeira crítica de Coben: Será mesmo que nossos maridos ou esposas são exatamente aquilo que conhecemos deles? Podemos afirmar que eles não tem segredos ou lados obscuros que rodeiam suas vidas? A resposta é claro, é não. Nunca saberemos quem nos acompanham por não podermos ler mentes. Mas o questionamento também não é devido. Devemos confiar, não cegamente, mas entender o que torna especial a pessoa que escolhemos para nós.

 –Todo mundo parece feliz no Facebook

Megan, minha personagem favorita, demonstra as diretrizes de ser aquilo que não deseja. De certo modo, Megan conseguiu escapar de amarras para ser segurada por outras. Muito embora seu mundo passado e o atual são sejam iguais, também não podemos ressaltar que são completamente diferentes. Megan parece necessitar da adrenalina que possuía trocada por uma vida simples. Uma vida que muitos desejam e correm atrás, e aqueles que não querem são obrigados pela sociedade a fingirem estar feliz com elas. Megan se torna então um reflexo da existência obrigatória de ser parte da qual parece incapaz de ser totalmente feliz.

A efemeridade de nossa existência é a única certeza que podemos ter.

Fique Comigo é uma obra reflexiva que mais uma vez nos prova a capacidade que Harlan Coben tem de se superar. Muito embora o desfecho da narrativa aconteça de forma rápida de mais, ainda sim é um livro necessário por trazer a luz questionamentos tão tabus para nossa sociedade. Eu sempre irei recomendar os livros do autor que cada vez mais me prova porque ele é um mestre do suspense.

Havia aprendido a grande diferença entre os que têm tudo e os que não têm nada. Era uma questão de sorte e privilégio. E, quanto mais sorte você tinha e quanto mais portas se abriam por causa de seus privilégios, mais você precisava convencer os outros de que havia alcançado o sucesso devido à sua inteligência e ao seu esforço.O mundo,no fim das contas, se resumia a problemas de baixa autoestima.

(Resenha) O Aliciador – Donato Carissi

Em meu primeiro contato com o autor italiano Donato Carissi, a apresentação vem através de um jogo onde o mais cruel dos homens está dando as cartas. Para entender a mente do criminoso, precisamos nos despir de qualquer humanidade e enxergar – através dessas páginas – as escolhas que os seres-humanos fazem quando não estão sendo observados.

Título: O Aliciador | Título original:  Il Suggeritore| Série: Mila Vasquez| Autor: Donato Carissi| Editora: Record| Páginas: 434| Ano: 2009| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐  | Encontre: SkoobSaraivaAmazon

22029588Sinopse: O criminologista Goran Gavila e a equipe de homicídios enfrentam um caso perturbador, que exige toda a habilidade dos policiais do Esquadrão Especial: seis braços direitos são desenterrados em um bosque, cinco meninas entre 9 e 13 anos estão desaparecidas. Liderada por Gavila e pelo Capitão Roche, a equipe segue as pistas do caso e, um a um, os corpos das garotinhas emergem, deixando evidente que o culpado é um serial killer cuja frieza e ferocidade não têm limites. As esperanças de que uma sexta menina esteja viva provocam uma corrida contra o tempo, mas as pistas, em vez de levarem a equipe ao culpado, revelam-se parte de um plano friamente arquitetado pela mente cruel e brilhante do assassino, que parece estar sempre um passo à frente. Em cada cena de crime, novas evidências levam os detetives a acreditar que não se trata de apenas um, mas de vários assassinos, agindo em conjunto. É quando se junta a eles a investigadora Mila Vasquez, especialista em casos de sequestro.Aos poucos a polícia descobre que seu alvo é capaz de assumir as aparências mais variadas, colocando-os à prova incessantemente. Nesse caso, cada vez que o mal vem à luz, traz consigo um agouro, obrigando os detetives a enfrentar sobretudo a escuridão que carregam dentro de si. A investigação se transforma em um jogo de pesadelos habilmente velados, um desafio contínuo.

Mila acreditava que cada um tem seu caminho. Um caminho que leva para casa, para as pessoas mais caras, as quais somos mais ligados. Em geral, o caminho é sempre esse, aprendido na infância, e cada um o segue a vida inteira. Mas algumas vezes esse caminho se quebra. Às vezes recomeça em outro lugar ou, depois de desenhar um percurso tortuoso, retorna ao ponto em que tinha se quebrado. Ou fica em suspenso. As vezes, porém, ele se perde na escuridão.

Donato Carissi tem um narrativa que causa estranheza em seus prós e contras. Apesar de ter gostado da escrita do autor no modo com qual ele expunha os detalhes técnicos do livro em todas suas gamas factuais, o decorrer da narrativa em ganchos reduzia o impacto destes pois constantemente quebrava o ritmo da leitura. Existem autores que sabem trabalhar com narrativas em diversos pontos de vista, mas não posso dizer que Carissi se enquadra nesse time. As cenas colocadas entre os capítulos e dentro deles, muitas vezes não faziam sentido na complexidade da obra e me deixavam com um ponto de interrogação enfeitado na testa.

Outro problema que tive com a narrativa foi a mecanicidade que tudo pareceu transcorrer. Sempre gostei de obras que sejam bem detalhadas, mas isso exige certo grau de sentimentalismo se não acaba por se tornar maçante. Muito embora o livro em si seja dotado de fatos que deixam a história mais próxima do real (o que eu achei o máximo), o modo com o qual eles transcorreram foi pasmem. Mesmo tendo terminado o livro no período de dois dias, admito que foi com bastante esforço para manter a concentração e descobrir a verdade por trás da brutalidade dos assassinatos contra crianças inocentes.

As crianças não veem a morte, porque sua  vida dura um dia, da hora em que acordam a hora em que vão dormir.

Os personagens são bem construídos apesar de me revelarem pouca empatia. Mila, apelido de Maria Helena, é uma policial forte que tem traços perturbadores a revelar. Corajosa, tem disposição a fazer de tudo para encontrar os desaparecidos e apesar de aparentar grande quantidade presunção, não vejo isso como um problema já que esse é um aspecto importante para quem busca fazer extraordinários. Apesar disso, assim como com Goran, Stern, Bóris e Sarah (os outros componentes da equipe) não posso dizer que torci por ela. A falta de emoção do autor comprometeu meu grau de aproximação. O robotismo não me fez ver cada um deles reais.

O que me agradou no livro contudo, foi a permissão que o autor nos deu de imaginar as coisas a medida que a equipe avançava no caso. Por estarmos falando de serial killer, no gênero é mais fácil receber as coisas mastigadas. Somos levados a ver tudo através de binóculos: vemos como se estivéssemos de perto, mas estamos separados por um mar de distância. Aqui, ao contrário, podemos perceber que o autor vai inserindo perguntas que serão respondidas mais à frente, mas que abrem um espaço para que o leitor tente encontrar suas respostas tornando o livro desafiante.

Outro ponto que achei positivo, foi a maneira com o qual as peças foram colocadas. O livro tem vários pontos desencadeadores de ações, a começar pelas meninas sequestradas e mortas que estão sempre a apontar mistérios escondidos. Contudo, como nem tudo são flores, o final acabou ficando mau costurado apesar da crescente perfeita. Donato pareceu não saber como terminar e jogou duas de três peças a grande esmero inserindo dois outros contextos que pelo tom da obra ficaram perdidos. Apesar de que um grande segredo revelado ao fim tenha sido bastante forte e verossímil, o modo com o qual o assassino foi capturado e o epílogo deixaram a desejar pois despedaçou o que poderia ser um fim magnífico. A lição do livro fica, mas tudo mais que poderíamos manter se tornou obsoleto.

Mais do que os sucessos, são as tragédias humanas que unem  as pessoas

Deixando de lado os problemas de narrativa e finalização, posso ressaltar que a prerrogativa do livro é pesada mas bastante válida. Muito embora o título revele pelo menos 40% da obra, é interessante notar como Carissi constrói o Aliciador para que este tenha um papel ativo em sua história mesmo estando tão “longe”. Palavras são fortes e podem despertar os mais terríveis sentimentos. O ser humano contudo não é fraco, mas precisa de empurrãozinho para ceder ao lado obscuro da natureza. O que somos capazes de fazer quando ninguém está olhando define quem somos. Pois é a sensação de poder, de nunca sermos descobertos, é o que nos faz atroz.

O Aliciador é um livro com falhas, mas que vale a pena pelo conceito abordado por Donato Carissi em suas mais de quatrocentas páginas. Todos homens são capazes de escolher e todos podemos ser influenciáveis, mas o que nos define é a capacidade de dizer não para todo mal que causamos no mundo.

(Motive-se à ler) Trilogia Millennium – Stieg Larsson

Oii Corujinhas. Estou criando mais uma categoria no blog pois tenho percebido que têm muitos livros independentes, séries e trilogias que ainda não fiz resenha para vocês pois realizei leitura antes mesmo de criar o blog. De modo que a Motive-se À Ler será uma categoria onde vou apresentar motivos para que vocês leiam minhas obras favoritas ao longo da minha vida de leitora. 

Espero que gostem.

Títulos: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, A Menina Que Brincava Com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar. | Título original: Män Som Hatar Kvinnor,  Flickan Som Lekte Med Elden e Luftslottett Som SprängdesTrilogia: Millennium (Original)Editora: Companhia das LetrasPáginas: 528, 608 e 688Anos: 2010Encontre: Amazon | SaraivaAvaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤

trilogia millenium

Conheci essa trilogia ao comprar um exemplar de Millennium na Leitura. Naquele dias, estava tendo uma daquelas promoções bombásticas (na Leitura, gente, na Leitura!) e eu saí de lá com três livros (Millenium e os dois primeiros volumes da Trilogia dos Espinhos) gastando menos de 60 reais. Mas como mamãe sempre diz, a ganância é uma cegueira, o que se aplicava a mim pois se eu tivesse olhado direito para tudo e não só para o preço teria percebido que estava comprando o segundo volume de uma série e não uma obra única como bem imaginava (francamente, eram 600 páginas e não tinha nenhuma obra meramente parecida ao redor). Então dei aquela leve broxada, mas para minha surpresa, meu amado irmão naquele mesmo dia trouxera o filme sueco referente ao primeiro livro da trilogia para casa. Então sim, assisti o filme e em seguida passei a obra e caramba! Foi espetacular… Havia gostado tanto que algumas semanas mais tarde, adquiri o primeiro e o segundo volume lendo-os logo em seguida. A conclusão foi que a ganância me ajudou a ler uma das melhores trilogias da vida e

E agora vou te dar cinco motivos para te que vai ser uma das melhores da sua também.

1 – Uma narrativa lenta, mas que funciona.

Um dos grandes diferenciais da trilogia de Stieg Larsson é a maneira com o qual se dá a narrativa centralizada na vida de seus protagonistas. Feita em terceira pessoa, relata  a a história de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist através do gênero supense dramático. Mas devo admitir que é um tanto procrastinada pois o autor sempre se atém aos detalhes mínimos durante os retratos de vida e locações ao redor dos personagens. São 600 páginas em média que sem tantos detalhes poderiam facilmente ter 400. Apesar de não ser o tipo de leitora que curte essas enrolações, acabei não ligando para esse detalhe porque conseguir perceber que Larsson não estava apenas contando determinado suspense, mas sim dramatizando as situações de vida como um todo, de modo que assim ele conseguiu aproximar ainda mais o leitor da história.

Não existem inocentes, existem variados graus de responsabilidade. 

2. Enredos.

Em Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, a história gira em torno da busca por Harriet Vanger, uma mulher desaparecida vinte anos antes no interior da Suécia. Esse primeiro livro é independente, ou seja, não tem relação direta com o enredo dos volumes seguintes. De certo modo, é como se Larsson estivesse apenas introduzindo os personagens para que o leitor consiga formar opinião sobre cada um. Para muitos, esse é o mehor livro da trilogia por apresentar um suspense mais focado na ação. Eu particularmente amo esse primeiro, mas percebo que ele não é tão complexo como os outros o que acaba não me fazendo considerá-lo como um dos melhores. Mas mesmo assim é uma história que vale a pena conhecer pois ele ressalta insere quais os pontos terão maior abordagem na série: Lisbeth, Mikael e mulheres em situações de abuso.

O segundo volume, A Menina que Brincava Com Fogo inicia um ano após os acontecimentos de seus antecessor. A história refere-se a um casal que estava prestes a fazer uma denúncia ao ministério público sobre o tráfico de mulheres que é brutalmente assassinado em seu apartamento no dia anterior. Lisbeth se torna a principal suspeita do assassinato e Mikael é o único que acredita em sua inocência. Esse livro apresenta um crime, e o livro posterior A Rainha do Castelo de Ar irá trazer as consequências deles. Assim, diferente do anterior, torna-se crucial que esses dois volumes sejam ser lidos na sequência para que o time da história não seja perdido. 

Ações impulsivas levariam a problemas, e problemas poderiam ter conseqüências desagradáveis

3. Personagens.

Com vidas conturbadas, Mikael e Lisbeth não poderiam ser mais diferentes. 

Mikael Blomkvist é jornalista. Receptivo, bem humorado e fiel a princípios o protagonista masculino apresenta o lado heroico do livro, onde o mocinho consegue se manter acima das necessidades individuais do homem. Muito embora Larsson não o fundamente como um personagem perfeito, Mikael tem suas particularidades que acabam por transformá-lo em um herói típico do suspense ao qual os leitores vão ter mais acesso ao que está acontecendo em histórias paralelas ao redor da trama principal. 

Lisbeth Salander, por outro lado, toma um caminho que extremamente oposto do de Mikael. Esquiva, fria e calculista não é amistosa jamais demonstrando apreço por outras pessoas ou quaisquer traços de empatia. Ela é uma anti-heroína que não tem apego aos princípios morais muito embora também não cause danos à ninguém. No decorrer dos três livros, principalmente do segundo, a história de Lisbeth vai sendo revelada para que nós entendamos o passado da hacker que é essencial para o conjunto de sua personalidade tão atípica. 

Eu tive muitos inimigos ao longo dos anos. Se há uma coisa que aprendi, é que você nunca deve se envolver em uma briga que você certamente perderá. Por outro lado, nunca deixe ninguém que tenha insultado você se safar. Aguarde seu tempo e revide quando estiver em uma posição de força, mesmo que você não precise mais, é hora de revidar.

4. Críticas sociais. 

Além do suspense que envolve a obra, os três livros apresentam críticas sociais não que são raramente discutidas em nossa sociedade muito embora sejam presentes nela. Corrupção, negligenciamento de menores e assassinatos por religiosidade são apenas alguns dos pontos levantados por Larsson. Mas a principal crítica são os abusos e a violência física e moral que as mulheres sofrem simplesmente por serem mulheres. No decorrer das três obras, o autor dá duros golpes em toda e qualquer sociedade machista que é omissa a esses comportamentos. Acredito que esse seja o motivo pelos qual a série é tão famosa. As críticas levantadas pelos autor são objetos de discussões que nos ajudam a refletir sobre a falta de postura contra os opressores. Em cada livro, Larsson coloca um ponto de vista ideológico diferente sobre a questão do abuso: No primeiro, o homem que abusa porque a mulher é dependente dele; No segundo, porque ela é ludibriada e todos os seus direitos como cidadã são perdidos; E no terceiro, porque a Justiça muitas vezes se nega a simplesmente acreditar na palavra de uma mulher tratando-a como propulsora do crime e não como vítima dele. 

Todo mundo tem segredos. É apenas uma questão de descobrir o que eles são.

5. Produção cinematográfica. 

A trilogia Millennium foi adaptada duas vezes para as telonas. A primeira adaptação foi realizada pela produtora Yellow Bird que adaptou os três livros em 2009. Já a produtora americana Sony Pictures o fez em 2010. Existem certas divergências entre as duas obras, mas o cerne do livro é mantido e muito bem explorado pelos diretores das películas. O destaque vai para Noomi Rapace e Rooney Mara que deram a vida brilhantemente a Lisbeth Salander considerada pela crítica especializada uma das melhores personagens femininas do cinema mundial. Assistam o trailer:

 

Então é isso Corujinhas. Espero que vocês tenham gostado do primeiro Motive-se e em breve teremos muito mais do meus clássicos pessoais para vocês. Beijos. 

( Resenha ) O Jardim das Borboletas – Dot Hutchison

Esqueça quem você é e entre no Jardim das Borboletas. Esqueça suas convicções e esteja preparado para choque de um relato sobre a face mais hedionda e psicótica da humanidade.

O Jardim das BorboletasTítulo: O Jardim das Borboletas
Título original: The Butterfly Garden
Série: The Colector #01
Autora: Dot Hutchison
Editora: Planeta
Páginas: 304
Ano: 2017
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro. Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas… e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.

Mas, quando eu adormecesse, o pesadelo ainda estaria lá. Quando eu acordasse, o pesadelo ainda estaria lá. Todos os dias, durante três anos e meio, o pesadelo sempre, sempre estaria lá, e não havia conforto para isso. Mas, por algumas horas, eu podia fingir. Eu podia ser a menininha dos fósforos e jogar minhas ilusões contra a parede, perdida no calor até a luz diminuir e me levar de volta ao Jardim.

Uma das vantagens de se começar obras sem saber absolutamente nada sobre elas é a falta de expectativa. Eu já disse várias vezes em outras resenhas como me decepcionei com livros que pareciam ser uma coisa na sinopse e no fim das contas foram outra, não por serem totalmente diferentes, mas por apresentarem divergências sutis que acabam por contribuir para a decepção. Quando comecei O Jardim das Borboletas eu não tinha noção do que poderia esperar. Tudo na capa apresenta certa dualidade que se enquadraria em vários gêneros. Se eu soubesse que se tratava de um suspense teria formulado milhares de suposições. Mas ao em vez disso, fui presenteada com surpresas dadas pela ignorância. E assim o livro de Dot Hutchison me prendeu por sua sagacidade dramática e pela maneira com o qual os personagens foram desenvolvidos de modo a serem implacavelmente doentios e realistas.

Você parece sempre imaginar que fui uma criança perdida, como se tivessem me largado na rua como lixo. Mas as crianças como eu nunca estão perdidas. Talvez sejamos as únicas que nunca se perdem. Sempre sabemos exatamente quem somos e aonde podemos ir. E aonde não podemos ir, é claro.

A história é contada de forma branda não possuindo momentos de tensão caracteristicos de um thriller. Contudo  não considero isso algo ruim porque pela vista geral da obra não era estritamente necessário. O enredo é contado de modo póstumo ao fato fazendo com o que o leitor já entre na leitura sabendo que de modo que as cativeiras sobreviveram. Baseado nisso, posso afirmar que a questão do livro não é a fuga, mas a vida das Borboletas no Jardim. Por isso não espere nada eletrizante por conta de uma tensão factual, mas sim por causa de uma tensão sentimental.

Eu estava lá dentro, sem chance de escapar, sem ter como voltar à vida que conhecia, então por que me apegaria a isso? Por que causar a mim mesma mais dor lembrando-me daquilo que não possuía mais?

A configuração da narrativa é feita por duas pessoas em dois tempos  verbais. No presente, não temos o domínio da emoção nas falas de VictorEddison (os investigadores), pois, apesar dos homens verem reflexos de suas histórias na  da adolescente, ambos se privam de expressar sentimentos pela necessidade da realização de seu um trabalho para descobrir qual segredo a entrevistada esconde. Assim, o relato presente é uma condução mais aberta da narrativa. São passagens rápidas que ajudam o leitor a entender por meio de explicações mais diretas o que estava acontecendo de verdade. Quando a narrativa corta para o passado, Maya conta como era sua vida antes e depois de parar no cativeiro. Neste ponto sim temos o emaranhamento de sentimentos à contagem da história. Maya não se torna apenas a locutora dos fatos, mas também uma janela entre a mente das garotas sequestradas e o homem que havia feito isso. Através desses dois pontos contrários a autora amplia o poder da narrativa. Ao mesmo tempo em que Hutchison te bombardeia com emoções ela também te dá tempo para processar o significado daquilo causando um efeito devastador.

É uma forma de pragmatismo, acho eu. Pessoas carinhosas e amorosas que precisam desesperadamente da aprovação dos outros acabam sendo vítimas da síndrome de Estocolmo, já o resto de nós se rende ao pragmatismo. Por já ter vivenciado as duas possibilidades, sou a favor do pragmatismo.

A originalidade da história concentra-se nos personagens que a autora criou de modo tão crível. Antes de ler O Jardim das Borboletas nunca tinha tido contato com a mente de uma vítima de um psicopata de maneira tão clara e pavorosa em um sentido mais humanistico da coisa. Quando dá vida a protagonista, a autora se preocupa em explorar todos os antes e todos os depois que levaram Maya a se tornar tão introspectiva ao mesmo tempo tão corajosa. De certo modo, Hutchison parece criar duas histórias ao mesmo tempo com a finalidade de fortalecer sua heroína e fazer com que ela passasse pelo cativeiro de modo senil. Qualquer outra garota que não tivesse o passado tão conturbado teria se desesperado, mas a experiência faz com que Maya assuma o controle de sua mente. Assim a narrativa permanece lúdica e plausível e a protoganista torna-se inesquecível.

Algumas pessoas desabam e nunca mais levantam. Outras recolhem os próprios cacos e os colam com as partes afiadas viradas para fora.

Assim  como a principal, os personagens secundários também brilham dentro da narrativa. É interessante perceber como Hutchison não desperdiçou nomes e descrições  se delimitando a criar tipos consistentes que contribuem para a evolução do enredo. As outras Borboletas, por exemplo, são muitas mulheres embora grande parte delas seja apenas um borrão em uma multidão. A autora só deixa em contato com o leitor aquelas que possuem relevância para o enredo. Eu diria que aqui fica um dos pontos mais altos da narrativa pois Hutchison emoldura seu jardim com mulheres que variam suas emoções desde a raiva e o desespero à alegria e submisão. Cada qual lutando da melhor maneira que pode para se sobreviver aos horrores daquele lugar.

A beleza perde o sentido quando nos cerca em grande abundância.

Entre os personagens secundários que mais merecem destaque estão o Jardineiro e seus filhos que apresentaram personalidadades bastante controversas auxiliando o leitor a ter uma visão geral dos tipos existentes de sequestradores. Começando pelo Jardineiro, eu diria que ele é o mais assustador dos três. Isto porque é carinhoso com “suas” Borboletas e parece realmente acreditar que as garotas, quando transformadas  nos espécimes através das tatuagens, passam a ser sua propriedade. Mais que isso, ele acredita que está salvando-as do esquecimento e lhe dando uma vida perfeita. Cuida delas exatamente como quem cuida de animais. Parece gostar de seus espíritos diferentes, percebe a beleza delas, mas nunca as deixa sair do cativeiro. O Jardineiro é um maníaco obsessivo, a representação de um maníaco obsesseivo cheio de sentimentos loucos e doentios.

A covardia pode ser um estado natural nosso, mas ainda assim é uma escolha.

Os filhos do Jardineiro, Avery e Desmond são opostos. Avery é um psicopata verdadeiro não apresentando empatia alguma pelas garotas. Suas ações são feitas para provocar dor porque ele simplesmente gosta disso. Gosta de sentir o medo que emana de seus poros e da submissão que vem com ela. Ja Desmond é apenas um covarde que não consegue ir contra os pais. De certo modo, o rapaz representa uma parcela da sociedade que vê o que está errado mas não tem coragem suficiente para dizer alguma coisa. Desmond foi sem sombras de dúvida o vilão que eu mais odiei pela sua impotência covarde. Da tríade, é o pior porque é o único que apresenta sanidade intacta mas que por conta de seu egoísmo só serve a si mesmo.

Não fazer uma escolha é uma escolha. Neutralidade é um conceito, não um fato. Ninguém vive a vida desse jeito, não realmente.

A única coisa que me incomodou no livro foi a reviravolta final. Não que tenha sido ruim, mas achei um tantinho inverossímel de mais me dando a sensação de estar faltando peças para que o conjunto fizesse sentido. Talvez possa ser explicado por conta da protagonista que tentou esconder o fato durante toda a narrativa. Contudo, mesmo sabendo disso, não consegui entender as motivações de modo que acabei perdendo a sintonia com a obra: o encanto do poderia ser verdade foi arruinado naquele momento.

Não é bem assim. Digamos que eu seja mais uma criança esquecida e negligenciada do que problemática. Sou o ursinho de pelúcia acumulando poeira embaixo da cama, não o soldado de uma perna só.

Contudo, vendo pelo aspecto geral da obra e de tudo que ela me proporcionou, afirmo que O Jardim das Borboletas vai acabar se tornando uma das melhores leituras do ano. Dotado de profundas reflexões e de uma narrativa espetacular, o livro de Dot Hutchison é original e cativante ao seu modo doentio. Ao aproximar-se dessa obra, você verá o horror como nunca viu antes. Se serve de sugestão, esqueça tudo que você já leu, dispa-se de quem é e não vá atrás de explicações simplórias. Apenas observe esse mundo doentio não trazendo para a leitura nada de fora dele.

 

 

( Resenha ) Um de Nós Está Mentindo – Karen M. McManus

Cinco jovens, quatro segredos e uma morte. Esteja preparado para juntar os pedaços desse quebra-cabeça ou você estará fadado a se perder neste jogo onde as mentiras podem valeram sua própria vida.

um de nos esta mentindoTitulo: Um de Nós Esta Mentindo
Titulo Original: One Of Us Is Lying
Autora: Karen M. McManus
Editora: Galera Record
Páginas: 384
Ano: 2018
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon 

Sinopse: Cinco alunos entram em detenção na escola e apenas quatro saem com vida. Todos são suspeitos e cada um tem algo a esconder. Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? O que realmente importa é até onde você iria para proteger os seus.

De qualquer forma, a culpa é das pessoas. Se elas não mentissem e traíssem, eu estaria na rua.

Um de Nós Está Mentindo é o livro perfeito para todos aqueles que precisam de um choque de realidade sobre a perversão das mídias sociais que estão tomando conta do mundo. Mas não se engane, essa obra não se trata de um thriller como subtendido na sinopse, mas sim como um drama estruturado através do suspense. Existem partes tensas e segredos dentro da narrativa, mas o ponto principal do enredo são os segredos dos personagens e a maneira com o qual lidam com eles. Sua vida, a adolescência e as provações que todo jovem passa ao chegar na idade de decidir o futuro é o verdadeiro foco de Karen M. McManus que apesar de não construir um livro perfeito, consegue nos deixar as mais diversas reflexões.

Algumas pessoas são tóxicas de mais para viver. Simplesmente são.

O livro é narrado em primeira pessoa pelos quatro personagens principais que acredito terem sido meus maiores problemas com a trama. Começando pela narração, eu senti certa incapacidade de McManus em construir personalidades divergentes. Muitas vezes acabei me perdendo no contexto da obra porque as narrações eram muito parecidas, mesmo com os nomes acima do capítulo indicando quem estava contando naquele momento, tanto que várias vezes tive que me guiar pelo círculo de personagens secundários em volta dos protagonistas. Isso tornou tudo confuso de um jeito negativo pois eu demorei a ganhar um ritmo para com a história.

Ainda em relação a falta de divergências dos personagens, apesar de ter gostado da maneira com o qual cada um lidou com suas questões particulares, tenho que admitir que tive certa decepção ao perceber que nenhum foi além do clichê. De certo modo, acredito que a autora planejava diferencia-los apenas não conseguiu o efeito desejado. Tanto que antes de morrer, Simon comenta que todos integrantes daquela detenção é o esteriótipo de alguma coisa: uma nerd, a gostosona, o astro do time e o bad boy misterioso. Assim quando a autora faz a inversão de suas personalidades através do segredos de cada um, ao invés de inovar e criar contextos que tragam surpresas, ela retoma o clichê não conseguindo alcançar as expectativas, pois se McManus queria mostrar que ninguém é o que parece, ela fez isso usando um clássico de cometerem “crimes” que vão ao oposto das aparências.

– Ela é uma princesa, e você, um atleta – responde ele, apontando para Bronwyn e depois para Nate, – E você é um crânio. E também um criminoso. Vocês são todos estereótipos ambulantes de filmes de adolescentes

Mas como sou uma pessoa do contra, apesar dessas primeiras falhas, não posso negar que o que me manteve presa a narrativa foi a evolução dos personagens, principalmente de Addy e Cooper.  De certo modo, foram elas que deram sentido a narrativa apresentando críticas sociais muito importantes para o cenário geral da obra que envolviam os amigos, família e relacionamentos amorosos. Acredito na importância desse tipo inserção no enredo porque ajuda a edificar o livro tornando-o bem mais sustentável. Não vou falar um pouco de cada protagonista porque para isso teria que dar spoilers dos segredos que eles escondem, mas é interessante perceber que essas críticas sociais estão presentes na obra de forma consciente aos próprios personagens. São elas que regem os segredos e as ações, pois é o medo das críticas geradas pela exposição que os mantem mentindo.

Porém, o que mais me chamou a atenção dentro da narrativa foi a percepção que autora teve em relação as mídias sociais e como estas afetam diretamente a vida de todos. De certo modo, o Falando Nisso – aplicativo criado por Simon – é basicamente a crueldade humana personificada. Ninguém faz fofoca porque quer ajudar, mas sim pela humilhação que ela propõe. As mídias sociais como um todo participam ativamente da propagação dessa crueldade. Quantas vezes não pudemos observar pessoas caindo ou sendo exaltadas por simples boatos levantados em fotos ou trends-topics? Ninguém realmente se preocupa em investigar apenas acreditam no que veem por terem a noção de que, se está em alta logo deve ser verdade. Por esse motivo, a exposição dos segredos assusta tanto os protagonistas. Pois caso apareça uma nota sobre eles no Falando Nisso, ninguém iria pensar que se tratavam de boatos, mas sim de verdade absolutas que poderiam destruir suas vidas.

Todas essas redes sociais… é como se você não pudesse cometer um erro, não é? Elas te seguem por toda parte. O tribunal é bem indulgente com jovens impressionáveis que agem as pressas quando têm muito a perder.

Apesar dos contrapontos, eu indico sim a leitura de Um de Nós Está Mentindo pelas reflexões que a autora coloca em suas páginas. Apesar de ser confuso, não é livro difícil de ler, tanto que o fiz em um único dia. É uma obra que tem significância ao abordar tantos assuntos que estão presentes em nosso dia-a-dia. Karen McManus te implica a pensar em como você julga as pessoas, como manter segredos é difícil e essencialmente como a vida pessoal pertence unicamente ao individuo.

Não sei porque é tão difícil para as pessoas assumirem que às vezes elas são idiotas que estragam tudo por acharem que nunca vão ser pegas.

( Resenha ) Garota Exemplar – Gyllian Flynn

Minhas caras Corujinhas. Vou apresentar à vocês duas escolhas: vocês podem odiar esse livro ou amar cada uma de suas páginas. Mas o segredo de tudo é entender que nem tudo  (e todos) é perfeito como todos gostaríamos de ver (ou ser).

Garota ExemplarTitulo: Garota Exemplar
Titulo Original:Gone Girl
Autora: Gyllian Flynn
Editora: Intrinseca
Páginas: 446
Ano: 2013
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐ ❤
Encontre: SkoobSaraiva  | Amazon

SinopseUma das mais aclamadas escritoras de suspense da atualidade, Gillian Flynn apresenta um relato perturbador sobre um casamento em crise. Com 4 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo – o maior sucesso editorial do ano, atrás apenas da Trilogia Cinquenta tons de cinza –, “Garota Exemplar” alia humor perspicaz a uma narrativa eletrizante. O resultado é uma atmosfera de dúvidas que faz o leitor mudar de opinião a cada capítulo. Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública – e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy –, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino? Com sua irmã gêmea Margo a seu lado, Nick afirma inocência. O problema é: se não foi Nick, onde está Amy? E por que todas as pistas apontam para ele?

O amor faz você querer ser um homem melhor, mas talvez o amor, o verdadeiro amor, também te dá a permissão para ser simplesmente o homem que você é.

Existem livros, que não importa quanto tempo passe que você sempre vai amar porque ele foi um divisor de aguas na sua vida. Há quase quatro anos, em uma época onde eu estava triste com as pessoas que me rodeavam conheci Garota Exemplar através do filme homônimo lançado no mesmo ano. Quem se lembra daquela época, sabe o bum que o filme fez quando foi lançado e como as pessoas tinham tido reações controversas à história. Teve quem amou, teve quem detestou. E eu como a boa leitora que sou fiquei confusa: os motivos dos personagens do filme pareceram mal explicados de modo que precisei ler o livro e entender as verdades de Garota Exemplar. Faz anos que realizei essa leitura, e como nunca fiz resenha aqui no blog (dá pra acreditar?), mas mesmo assim o livro não sai dos meus pensamentos, hoje vai ser o dia do post quilométrico onde eu vou apresentar a vocês todos os meus motivos para ser apaixonada por essa história.

Um erro comum de quem conhece Garota Exemplar é imaginar o livro como um baita suspense. Com todo respeito, se você pensa isto desta obra está redondamente enganado. Este livro tem uma pegada mais pesada que emerge desde o drama do comum à reflexão do existencialismo que todos devemos ter. O suspense se encaixa na obra apenas como o ponto de partida e ligação entre os acontecimentos, quando na verdade a autora está te contando a história de um casal e o que levou-os aquele ponto.

Como passar por uma porta. Nosso relacionamento imediatamente se transformou em tom sépia: o passado.

Gyllian Flynn não tem uma narrativa fluída que você lê por horas sem perceber. Na verdade a autora utiliza de uma trama intensa e um tanto confusa para te apresentar personagens que definitivamente são reais e profundamente mentirosos. Não esteja preparado para reduções de ser uma obra de ficção ou uma obra que está ali para te demonstrar um puro reflexo de uma sociedade, mas perceba que ali existe um texto que está entre os dois para te mostrar o que nos faz cruelmente e dolorosamente humanos dando forma as reflexões sobre amar verdadeiramente alguém.

O livro todo é narrado em duas pessoas. Nick conta a história ao mesmo tempo em que Amy. Mas, mais uma vez, não se deixe levar por uma redução óbvia que a autora só estava pensando em passar um prospecto interino da obra. O objetivo real é te dar duas versões de um mesmo mundo montado em um começo antagônico: Se por um lado Nick descreve Amy como distante e ele como deixado de lado, Amy faz o caminho inverso destacando Nick como alheio as suas tentativas de restaurar um casamento quebrado. Desta maneira o papel do leitor é determinar quem está mentindo e por fim determinar quem poderia ter dado um sumiço a Amy.

Minha mãe sempre disse a seus filhos: Se você está prestes a fazer algo e quer saber se é uma má ideia, imagine ela impressa para o mundo todo ver.

Eu não vou me ater aos personagens nesta parte inicial do post porque se dissesse o que acho de Nick e Amy de  seria um tremento spoiler. E já que não posso falar sobre eles, quero ressaltar uma crítica social (uma das, no caso) que a autora faz na obra. Sensacionalismo jornalístico é um mal que vêm corroendo a sociedade ao longo da última década pelo motivo claro de que todos que seguem essa linha querem simplesmente ganhar dinheiro sem se preocupar com a veracidade das suas informações. Enquanto uns são transformados em santos outros são transformados em demônios. Por esse motivo, assim como Flynn eu levanto uma bandeira: cuidado com o que você ouve e nunca tente ser nem o juiz nem o carrasco de nenhuma situação. Existem mais faces de uma história que o jornalismo sensacionalista se sente no dever de mostrar.

Garota Exemplar é um livro para ser lido. Odiando ou não, é impossível sair desta obra sem ter alguma reflexão de mundo seja de um aspecto social, seja de um aspecto individual. É um livro que fortalece nossas bases por se fixar em demonstrar que não somos todos idênticos aos outros e não podemos julgar ninguém sem conhecer verdadeiramente uma pessoa. Somos feitos de carne, ossos, segredos e personalidades distintas. Somos feitos para ser livres e amar aqueles que estão dispostos à entender cada um de nossos defeitos.

A partir deste ponto, esta resenha terá spoilers.

amyVocês que já leram este livro ou viram o filme podem dizer que sou absolutamente doida, mas a verdade é que Amy Elliot Dunne é minha personagem favorita da literatura. Entre todas as mulheres literárias que já tive contato, Amy é a mais psicótica sim, mas isso não significa que ela não tenha razão sobre o questionamento para além de relacionamentos que faz neste livro. Ser mulher na nossa sociedade é uma tarefa difícil convenhamos, mas ser mulher em um relacionamento na nossa sociedade é quase brutal. Somos levadas a perder nossa personalidade e nos tornar outras meninas. Somos obrigadas a mudar nosso ser para nos tornarmos aquilo Amy classifica brilhantemente de Garota Legal programadas para ter os defeitos, as qualidades e o corpo certo e claro: nunca reclamar das besteiras que nossos homens fazem.

E se você não é aquela garota, não existe nada de errado com o cara, existe algo de errado com você. 

Na época que li esse livro, nesse ponto, na virada da primeira parte à segunda foi quando eu pensei: Caramba, estou lendo um livro da p****. O texto em que Amy explica suas motivações para estar fingindo seu assassinato e jogando a culpa em seu marido, apesar de ser radical não é inverdade. E posso confirmar isso a vocês das inúmeras vezes em que vi mulheres, amigas minhas, mudarem quem elas são para ficarem com homens que não estavam realmente interessados nelas e sim numa garota inventada e perfeita, que de todas as maneiras que você pode pensar não existe. Mas o cruel não é pensar que o homem quer uma Garota Legal e sim como nós, mulheres, nos damos o luxo de representa-la para entrar em relacionamento que por ser baseado em uma mentira está fadado ao fracasso.

Esperei pacientemente — anos — para que o pêndulo oscilasse para o outro lado, para que os homens começassem a ler Jane Austen, aprendessem a tricotar, fingissem amar a revista Cosmopolitan, organizassem festas de scrapbooks e dessem uns amassos entre si enquanto nós assistíamos, babando. E então diríamos: É, ele é um Cara Legal. Mas isso nunca aconteceu. Em vez disso, mulheres de todos os Estados Unidos conspiraram para nossa degradação! Em pouco tempo a Garota Legal se tornou a garota-padrão. Os homens acreditaram que ela existia — não era apenas uma garota dos sonhos em um milhão.

E obviamente, depois de tudo, comecei a pensar no que faz uma mulher querer ser a Garota Legal de alguém. Não acredito que seja inteiramente culpa da sociedade, mas sim da necessidade que o ser humano tem de estar no contato com outras pessoas. No começo desse post eu tinha dito que esse livro me mudou e foi justamente aqui que eu percebi o que foi feito de mim, como Flynn me bateu e em seguida me mostrou o caminho para enfermaria: Eu era dependente das pessoas; queria ter contato com elas para ser feliz de modo que sempre me decepcionava. A dependência destrói o ser humano porque te motiva a tentar ser perfeito para alguém; mas a perfeição, bem como todas as palavras que demonstram o significado de ser sempre o melhor, não existe e nunca vai existir.

Movendo-se no mesmo ritmo que o rio, uma comprida fila indiana de homens, os olhos voltados para os pés, ombros tensos, caminhava resolutamente para lugar nenhum.

A grande lição de Garota Exemplar é nunca mudar por alguém, mas principalmente ser independente de todas as pessoas. Não estou incitando ninguém deixar todos para trás, apenas modificando uma frase muito famosa, mas que têm um sentido digamos incompleto: Todo homem é uma ilha, mas você precisa trabalhar para manter-se sobre a água contra toda a maré e decidir quem merece construir uma ponte para te conhecer profunda e verdadeiramente.

É uma era muito difícil em que ser uma pessoa, só uma pessoa real, atual, em vez de ser uma coleção de traços de personalidade, de personagens automáticos.

( Resenha ) Pretty Little Liars · Primeiro Arco · Sarah Sheppard

Minhas caras Corujinhas, vocês estão prestes a embarcar na vida de quatro garotas lindas, pequenas e mentirosas onde os segredos dela podem custar a reputação de muitas pessoas, mas principalmente sua vida em Rosewood Day.

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Titulos: Maldosas, Impecavéis, Perfeitas e Inacreditaveis
Titulos originais: Pretty Little Liars, Flawless,  PerfectUnbelievable
Série: Pretty Little Liars – Primeiro Arco
Autora: Sarah Sheppard
Editora: Rocco: Jovens Leitores
Ano: 2011
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐

SINOPSE: Era uma vez quatro garotas que eram invisiveis em sua escola até serem resgatadas pela linda e popular Alison DiLaurentis. Então de uma hora para outra, naquele verão essas meninas se tornaram tão populares que mandavam nos corredores da escola. Até que em uma noite, Ali simplesmente desaparece o quinteto se desfaz. Alguns anos tarde quando todas estão de volta a Rosewood, segredos que as meninas acreditavam estar apenas entre Alison começam a ser ameaçados de serem revelados. Em uma narrativa de suspense e muitas mentiras, Sarah Sheppard nos mostra que até o menor dos segredos pode ter as mais graves consequências. 

Antes de ler Pretty Little Liars tinha um certo preconceito com o gênero. Já havia lido vários livros com o tema e sempre tinha os achado um tanto bobinhos de mais. Ao ler, Pretty Little Liars no entanto me surpreendi não somente com o enredo que a autora apresentou, como também com os temas levantados tão comuns aos adolescente em geral. De todas as maneiras, Sarah Sheppard conseguiu transformar uma série que tinha tudo para ser clichê em uma obra extraordinária.

A série composta por dezesseis livros e dois extras parece gigante pela quantidade, mas em realidade são livros pequenos que se completam em arcos. A cada livro existe um pequeno plot que conduz a trama rumo ao seguinte, mas o twist só é realizado no final de cada arco. Desta maneira, a condução da série é homogênea. Vale dizer também que a editora Rocco publicou os livros na mesma época em formato separado, mas também em box o que ajuda bastante na hora de adquirir os exemplares.

Seguindo com uma boa narração sem exageradismo, Sarah Sheppard nos apresenta quatro garotas diferentes entre si com problemas que todos temos ou conhecemos alguém que tenha. Achei muito interessante o fato que, apesar de lidar com adolescentes, a autora não se limita a diálogos infantis apesar de recorrer a situações desse cunho. Isto criou um tipo incomum de verdade no livro: somos todos sujeitos a situações constrangedora, mas o que nos defini são as atitudes que vamos tomar quando elas ocorrerem. Por isso, posso afirmar que não existem clichês totais em PLL pois as atitudes são aquelas que você não espera.

O quarteto de personagens principais foram minha maior positividade no livro.

Seguindo a ordem das bonecas representadas nas capas, Hanna Marin quase alcançou o status de personagem favorita. É uma personagem de face dupla: se por um lado Hanna é abelha rainha da escola por outro é insegura em perder tudo aquilo por ter sido, em suas palavras, uma perdedora gorda e feia. Hanna é fútil e egoísta, sem aquele papo de um grande coração. Em realidade, acredito que todas as personagens de PLL sejam exatamente como aparentam em suas faces como se autora dissesse que aquelas garotas não mentiam para si mesmas.

Emily Fields têm um futuro promissor na natação, pais rigorosos e está apaixonada pela vizinha que corresponde seus sentimentos. Mas como Emily pode dar vazão à esse amor se tudo e todos ao seu redor vão condena-la? Eu acredito que Emily seja a típica adolescente modelo que não é tão modelo assim. Em seus pensamentos é perceptível a vontade que tem de agradar seus pais deixando de lado à si própria garantindo-se uma vida sem graça. Apesar de tê-la achado um tanto dramática de mais, tambem não culpo a autora pelo uso da melodramaticidade já que a personagem parecia precisar daquilo.

Arya Montgomery, me desculpem mundo, foi a personagem que menos gostei. Em todos os quatros livros não senti evolução em sua história mesmo quando parecia estritamente necessário. Pelo contrário, por ela (e apenas ela) devo retirar o que disse sobre o lado infantil pois não encontrei sensatez em suas atitudes. Entendo o fato de Arya não querer expor o caso extra conjugal de seu pai, mas francamente, suas atitudes para com a amante foram indignas ressaltando um lado um pejorativo do adolescente rebelde sem causa. Foi frustante acompanhar os capítulos de sua narração.

E por fim temos Spencer Hastings que ganhou o título de personagem favorita. Das quatro, acredito que Spencer foi minha favorita em todos os sentidos inclusive nos defeitos. Spencer é a nerd que faz de tudo para agradar os pais sem sucesso participando de uma disputa nada amigável para preferência dos projenitores com sua irmã Melissa. Durante os capítulos de Spencer eu senti de tudo um pouco: amor, ódio, carinho, pena… A relação familiar da garota que houve momentos que quis entrar no livro apenas para estapear seus pais. De todas as formas possíveis sr. e sra. Hastings foram desprezíveis com Spencer, que tudo que gostaria era ser tratada de maneira igualitária. Tão complexo e tão avassalador que eu achava que estava acontecendo comigo.

Pretty Little Liars> é uma série para sair da zona de conforto. São livros que chocam, divertem e emocionam. Tanto, que esse primeiro arco li ainda no ano passado, mas impactou-me tanto que não consigo me esquecer dele. Eu amei essa obra. E super indico a todos que querem um livro muito além do esperado também.

( Resenha ) Pequenas Grandes Mentiras ・ Liane Moriarty

Minhas caras corujinhas, todos sabemos que mentira tem perna curta e que a pior delas é quando mentimos à nós mesmos. Em nossa aventura de hoje vamos conhecer três mulheres com segredos pequenos que se tornaram grandes pois suas mentiras se tornaram tão fortes quanto os mistérios em torno de um assassinato.

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Título: Pequenas Grandes Mentiras
Título original: Big Little Liers
Autora: Liane Moriarty
Editora: Intrinseca
Páginas: 400
Ano: 2015
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Todos sabem, mas ainda não se elegeram os culpados. Enquanto o misterioso incidente se desdobra nas páginas de Pequenas grandes mentiras, acompanhamos a história de três mulheres, cada uma diante de sua encruzilhada particular. Madeline é forte e passional. Separada, precisa lidar com o fato de que o ex e a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline, parecem estar conquistando também sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o marido bem-sucedido têm tudo para reinar entre os pais. Mas a realeza cobra seu preço, e ela não sabe se continua disposta a pagá-lo. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade que guarda para si certas reservas com relação ao filho. Madeline e Celeste decidem fazer dela sua protegida, mas não têm ideia de quanto isso afetará a vida de todos. Reunindo na mesma cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos domésticos, o novo romance de Liane Moriarty explora com habilidade os perigos das meias verdades que todos contamos o tempo inteiro.

Era só um pequeno problema de relacionamento de resto perfeito. Toda relação tinha pequenos problemas. Seus altos e baixos.

Quando comecei a ler Pequenas Grandes Mentiras de Liane Moriarty, tinha sido avisada da complexidade incrível que a autora tem ao traçar suas histórias. Dotada de uma escrita poderosa sempre indo ao x da questão, Liane construiu uma obra sobre as mentiras que contamos para nós e que desesperadamente tentamos acreditar. Através dos olhos de três grandes mulheres, este livro nos mostra o quão perigo as mentirinhas inocentes (ou nem tão inocentes assim) podem se tornar.

Madeline, Celeste e Jane são mulheres comuns com problemas comuns à medida do possível. Madeline tem uma adolescente rebelde em casa, Celeste precisa lidar com seus gêmeos e Jane é mãe solteira. Todas mães e cheias de singularidades.

Madeline é a minha personagem favorita apesar de não ter sido a mais complexa da obra. Ela realmente representa a figura mais comum do ser mulher-mãe que acreditamos existir. Dotada de um humor brilhante, Madeline figura como o alicerse do trio, muito embora esteja fragilizada pelo fato de sua filha mais velha querer sair de casa para morar com um pai que abandou as duas tempos antes. Madeline carrega os traços de força e sonoridade que as mães desempenham com tanta frequência, mesmo que esteja fingindo estar bem quando na verdade tem o coração destruído.

Jane é a mais jovem e de certo modo acaba por representar o medo mais comum às mães de primeiras viagem: por mais que se esforce para ser perfeita para o filho. O mais interessante da personagem é que Jane aparenta ser a mais humana, como fosse o espectro da mãe apavorada com as novas atividades. Jane é o oposto de Madeline trazendo consigo o lado de não somente querer aparentar ser forte, como também as incertezas de conseguir isto.

Celeste, por fim, tem a vida quase perfeita se não contar o fato de que vive um relacionamento abusivo violento. Todos os dias, Celeste acorda acreditando que seu marido não vai machuca-la novamente. Diferente de Madeline e Jane, Celeste cumpre o papel de representar a mulher que vêm antes da mãe, mas que esquece disto acabando por pensar nos filhos antes de si. Seu casamento se torna mais perigoso a medida que passa, mas pelos filhos (ou pelo menos é que diz a si mesma), Celeste continua presa ao marido. Desse modo, das três narrativas que Moriarty nos presenteia, a de Celeste é a que chega para chocar onde a autora tece a partir daqui um livro que impacta a cada pequena grande mentira que Celeste insiste em contar para si mesma.

“Digitou as palavras “terapeuta de casal” no Google. Então parou. Apagou as palavras. Não. Já havia tentado isso. Não era uma questão de trabalho doméstico e mágoas. Ela precisava falar com alguém que soubesse que as pessoas agiam daquela forma; alguém que fizesse as perguntas certas. Ela sentia as bochechas queimando quando digitou as duas palavras vergonhosas: “violência” “doméstica”. 

O livro todo é construído sobe o acontecimento de um crime durante uma festa infantil que parece ter culminado por conta da prática de bullying dos filhos dos acusados. Para narrar os acontecimentos tanto do passado quanto do presente, a autora usa da narração em terceira pessoa. Dessa maneira, Moriarty auxilia o leitor a entender melhor as situações como um todo. A cada capitulo que conta uma parte do passado, a autora insere um trecho de depoimento que com a visão dos personagens não envolvidos no crime sobre o que eles achavam sobre o acontecido. Foi interessante ver como o uso desse artificio fez com que o texto evoluísse pelo simples fato de conversar entre si. O suspense tomou grandes proporções dificultando a descoberta de quem matou e quem morreu.

De varias maneiras, Pequenas Grandes Mentiras consegue arrebatar o leitor pelas verdades que dissemina em suas paginas. E um livro que evoca diferentes sensações provocando o leitor a pensar com clareza sobre o impacto de suas mentiras pequeninas na sua vida e na daqueles que lhe cercam.

Talvez ela pudesse ficar. Era sempre um alívio muito grande quando ela se permitia acreditar que podia ficar

| RESENHA | Coraline — Neil Gaiman.

Olá leitores como vão? Hoje a resenha está saindo mais tarde, mas livros mais psíquicos merecem não. É o mês das bruxas e as leituras estão à todo vapor. Contudo, como eu dei uma pequena pausa no terror para ler Corte de Névoa e Fúria com algumas amigas, a resenha de hoje é de um dos meus queridinhos do passado. Coraline do Neil Gaiman que foi o primeiro livro nessa linha ficção psicológica que li e que até hoje me assombra.

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Título: Coraline
Autor: Neil Gaiman
Editora: Rocco
Ano: 2002
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 💜
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino.

 

SINOPSE:A história de Coraline é de provocar calafrios. A narrativa dá muitas voltas e percorre longas distâncias, criando um ‘outro’ mundo onde todos os aspectos de vida são pervertidos e desvirtuados para o macabro. Ao mesmo tempo sutil e cruel, o autor gosta de desafiar as imagens simples dos livros infantis tradicionais. No livro, a jovem Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, a menina consegue abrir uma porta que sempre estivera trancada na sala de visitas de casa e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais. Na verdade, aquele parece ser um “outro” mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.

Coraline é o tipo de livro infantil que todos sabemos que foi feito para um adulto ler. Somente nós, jovens e adultos conseguimos entender por entre as linhas da história criada tanto para encantar como para assombrar por Neil Gaiman. É um livro que conduzido através da sutileza que relembra os medos da infância e os desejos mais profundos do seu coração. Todos nós em algum momento da vida já pensamos em querer morar em um mundo perfeito. Um mundo onde não há cobranças e tudo é extremamente divertido. Um mundo onde as pessoas são incríveis e nada de ruim pode nos alcançar. Neil Gaiman te mostra que esse mundo talvez exista e que talvez ele esteja ali dentro do seu armário. E para entrar nele, você só precisa girar a chave e pagar o preço que ele exige.

Dono de uma linguagem sutil e poética, Neil Gaiman escreve um livro grandioso com simplicidade. Ele te diz o básico para que com aliadas à essas informações sua própria mente termine de criar as situações e as imagens. Gaiman brinca então com seu próprio imaginário. Você é dono do monstro atrás da porta que é moldado como um Frankstein; feito de variadas partes do seu próprio medo. Assim Gaiman cria uma história onde tudo é possível buscando nossas raízes em uma escrita sutilmente tenebrosa.

Neil Gaiman também cria bastante profundidade em seus personagens mesmo se tratando de um livro curto. Com frases pequenas, mas muito dito nelas, cada um consegue se tornar inesquecível ao seu modo. Ao criar dois mundos diferentes, Gaiman cria personagens que também são muito diferentes. Há tanta dualidade em cada um que é impossível não se pegar pensando no que cada pessoa esconde. Se o limite entre o real e o imaginário é uma porta, então talvez o limite entre uma boa pessoa e uma má sejam as convenções sociais. Em um mundo onde não há regras, cada um de nós poderíamos ser o que quiséssemos seja bom ou não. Tal perspectiva é deixada a vista do leitor durante todo o livro. Para que ele perceba e se pergunte o que é ou não real em nosso mundo.

Coraline
é um livro que marcou minha vida como leitora e como pessoa. Neil Gaiman é um dos maiores nomes da fantasia porque trás o mundo real de forma sutil para dentro de suas páginas. Ler este livro é como abrir o armário dos medos e finalmente enfrentá-los.