Arquivo da categoria: Supense

( Resenha ) O Jardim das Borboletas – Dot Hutchison

Esqueça quem você é e entre no Jardim das Borboletas. Esqueça suas convicções e esteja preparado para choque de um relato sobre a face mais hedionda e psicótica da humanidade.

O Jardim das BorboletasTítulo: O Jardim das Borboletas
Título original: The Butterfly Garden
Série: The Colector #01
Autora: Dot Hutchison
Editora: Planeta
Páginas: 304
Ano: 2017
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro. Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas… e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.

Mas, quando eu adormecesse, o pesadelo ainda estaria lá. Quando eu acordasse, o pesadelo ainda estaria lá. Todos os dias, durante três anos e meio, o pesadelo sempre, sempre estaria lá, e não havia conforto para isso. Mas, por algumas horas, eu podia fingir. Eu podia ser a menininha dos fósforos e jogar minhas ilusões contra a parede, perdida no calor até a luz diminuir e me levar de volta ao Jardim.

Uma das vantagens de se começar obras sem saber absolutamente nada sobre elas é a falta de expectativa. Eu já disse várias vezes em outras resenhas como me decepcionei com livros que pareciam ser uma coisa na sinopse e no fim das contas foram outra, não por serem totalmente diferentes, mas por apresentarem divergências sutis que acabam por contribuir para a decepção. Quando comecei O Jardim das Borboletas eu não tinha noção do que poderia esperar. Tudo na capa apresenta certa dualidade que se enquadraria em vários gêneros. Se eu soubesse que se tratava de um suspense teria formulado milhares de suposições. Mas ao em vez disso, fui presenteada com surpresas dadas pela ignorância. E assim o livro de Dot Hutchison me prendeu por sua sagacidade dramática e pela maneira com o qual os personagens foram desenvolvidos de modo a serem implacavelmente doentios e realistas.

Você parece sempre imaginar que fui uma criança perdida, como se tivessem me largado na rua como lixo. Mas as crianças como eu nunca estão perdidas. Talvez sejamos as únicas que nunca se perdem. Sempre sabemos exatamente quem somos e aonde podemos ir. E aonde não podemos ir, é claro.

A história é contada de forma branda não possuindo momentos de tensão caracteristicos de um thriller. Contudo  não considero isso algo ruim porque pela vista geral da obra não era estritamente necessário. O enredo é contado de modo póstumo ao fato fazendo com o que o leitor já entre na leitura sabendo que de modo que as cativeiras sobreviveram. Baseado nisso, posso afirmar que a questão do livro não é a fuga, mas a vida das Borboletas no Jardim. Por isso não espere nada eletrizante por conta de uma tensão factual, mas sim por causa de uma tensão sentimental.

Eu estava lá dentro, sem chance de escapar, sem ter como voltar à vida que conhecia, então por que me apegaria a isso? Por que causar a mim mesma mais dor lembrando-me daquilo que não possuía mais?

A configuração da narrativa é feita por duas pessoas em dois tempos  verbais. No presente, não temos o domínio da emoção nas falas de VictorEddison (os investigadores), pois, apesar dos homens verem reflexos de suas histórias na  da adolescente, ambos se privam de expressar sentimentos pela necessidade da realização de seu um trabalho para descobrir qual segredo a entrevistada esconde. Assim, o relato presente é uma condução mais aberta da narrativa. São passagens rápidas que ajudam o leitor a entender por meio de explicações mais diretas o que estava acontecendo de verdade. Quando a narrativa corta para o passado, Maya conta como era sua vida antes e depois de parar no cativeiro. Neste ponto sim temos o emaranhamento de sentimentos à contagem da história. Maya não se torna apenas a locutora dos fatos, mas também uma janela entre a mente das garotas sequestradas e o homem que havia feito isso. Através desses dois pontos contrários a autora amplia o poder da narrativa. Ao mesmo tempo em que Hutchison te bombardeia com emoções ela também te dá tempo para processar o significado daquilo causando um efeito devastador.

É uma forma de pragmatismo, acho eu. Pessoas carinhosas e amorosas que precisam desesperadamente da aprovação dos outros acabam sendo vítimas da síndrome de Estocolmo, já o resto de nós se rende ao pragmatismo. Por já ter vivenciado as duas possibilidades, sou a favor do pragmatismo.

A originalidade da história concentra-se nos personagens que a autora criou de modo tão crível. Antes de ler O Jardim das Borboletas nunca tinha tido contato com a mente de uma vítima de um psicopata de maneira tão clara e pavorosa em um sentido mais humanistico da coisa. Quando dá vida a protagonista, a autora se preocupa em explorar todos os antes e todos os depois que levaram Maya a se tornar tão introspectiva ao mesmo tempo tão corajosa. De certo modo, Hutchison parece criar duas histórias ao mesmo tempo com a finalidade de fortalecer sua heroína e fazer com que ela passasse pelo cativeiro de modo senil. Qualquer outra garota que não tivesse o passado tão conturbado teria se desesperado, mas a experiência faz com que Maya assuma o controle de sua mente. Assim a narrativa permanece lúdica e plausível e a protoganista torna-se inesquecível.

Algumas pessoas desabam e nunca mais levantam. Outras recolhem os próprios cacos e os colam com as partes afiadas viradas para fora.

Assim  como a principal, os personagens secundários também brilham dentro da narrativa. É interessante perceber como Hutchison não desperdiçou nomes e descrições  se delimitando a criar tipos consistentes que contribuem para a evolução do enredo. As outras Borboletas, por exemplo, são muitas mulheres embora grande parte delas seja apenas um borrão em uma multidão. A autora só deixa em contato com o leitor aquelas que possuem relevância para o enredo. Eu diria que aqui fica um dos pontos mais altos da narrativa pois Hutchison emoldura seu jardim com mulheres que variam suas emoções desde a raiva e o desespero à alegria e submisão. Cada qual lutando da melhor maneira que pode para se sobreviver aos horrores daquele lugar.

A beleza perde o sentido quando nos cerca em grande abundância.

Entre os personagens secundários que mais merecem destaque estão o Jardineiro e seus filhos que apresentaram personalidadades bastante controversas auxiliando o leitor a ter uma visão geral dos tipos existentes de sequestradores. Começando pelo Jardineiro, eu diria que ele é o mais assustador dos três. Isto porque é carinhoso com “suas” Borboletas e parece realmente acreditar que as garotas, quando transformadas  nos espécimes através das tatuagens, passam a ser sua propriedade. Mais que isso, ele acredita que está salvando-as do esquecimento e lhe dando uma vida perfeita. Cuida delas exatamente como quem cuida de animais. Parece gostar de seus espíritos diferentes, percebe a beleza delas, mas nunca as deixa sair do cativeiro. O Jardineiro é um maníaco obsessivo, a representação de um maníaco obsesseivo cheio de sentimentos loucos e doentios.

A covardia pode ser um estado natural nosso, mas ainda assim é uma escolha.

Os filhos do Jardineiro, Avery e Desmond são opostos. Avery é um psicopata verdadeiro não apresentando empatia alguma pelas garotas. Suas ações são feitas para provocar dor porque ele simplesmente gosta disso. Gosta de sentir o medo que emana de seus poros e da submissão que vem com ela. Ja Desmond é apenas um covarde que não consegue ir contra os pais. De certo modo, o rapaz representa uma parcela da sociedade que vê o que está errado mas não tem coragem suficiente para dizer alguma coisa. Desmond foi sem sombras de dúvida o vilão que eu mais odiei pela sua impotência covarde. Da tríade, é o pior porque é o único que apresenta sanidade intacta mas que por conta de seu egoísmo só serve a si mesmo.

Não fazer uma escolha é uma escolha. Neutralidade é um conceito, não um fato. Ninguém vive a vida desse jeito, não realmente.

A única coisa que me incomodou no livro foi a reviravolta final. Não que tenha sido ruim, mas achei um tantinho inverossímel de mais me dando a sensação de estar faltando peças para que o conjunto fizesse sentido. Talvez possa ser explicado por conta da protagonista que tentou esconder o fato durante toda a narrativa. Contudo, mesmo sabendo disso, não consegui entender as motivações de modo que acabei perdendo a sintonia com a obra: o encanto do poderia ser verdade foi arruinado naquele momento.

Não é bem assim. Digamos que eu seja mais uma criança esquecida e negligenciada do que problemática. Sou o ursinho de pelúcia acumulando poeira embaixo da cama, não o soldado de uma perna só.

Contudo, vendo pelo aspecto geral da obra e de tudo que ela me proporcionou, afirmo que O Jardim das Borboletas vai acabar se tornando uma das melhores leituras do ano. Dotado de profundas reflexões e de uma narrativa espetacular, o livro de Dot Hutchison é original e cativante ao seu modo doentio. Ao aproximar-se dessa obra, você verá o horror como nunca viu antes. Se serve de sugestão, esqueça tudo que você já leu, dispa-se de quem é e não vá atrás de explicações simplórias. Apenas observe esse mundo doentio não trazendo para a leitura nada de fora dele.

 

 

Anúncios

( Resenha ) Um de Nós Está Mentindo – Karen M. McManus

Cinco jovens, quatro segredos e uma morte. Esteja preparado para juntar os pedaços desse quebra-cabeça ou você estará fadado a se perder neste jogo onde as mentiras podem valeram sua própria vida.

um de nos esta mentindoTitulo: Um de Nós Esta Mentindo
Titulo Original: One Of Us Is Lying
Autora: Karen M. McManus
Editora: Galera Record
Páginas: 384
Ano: 2018
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon 

Sinopse: Cinco alunos entram em detenção na escola e apenas quatro saem com vida. Todos são suspeitos e cada um tem algo a esconder. Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? O que realmente importa é até onde você iria para proteger os seus.

De qualquer forma, a culpa é das pessoas. Se elas não mentissem e traíssem, eu estaria na rua.

Um de Nós Está Mentindo é o livro perfeito para todos aqueles que precisam de um choque de realidade sobre a perversão das mídias sociais que estão tomando conta do mundo. Mas não se engane, essa obra não se trata de um thriller como subtendido na sinopse, mas sim como um drama estruturado através do suspense. Existem partes tensas e segredos dentro da narrativa, mas o ponto principal do enredo são os segredos dos personagens e a maneira com o qual lidam com eles. Sua vida, a adolescência e as provações que todo jovem passa ao chegar na idade de decidir o futuro é o verdadeiro foco de Karen M. McManus que apesar de não construir um livro perfeito, consegue nos deixar as mais diversas reflexões.

Algumas pessoas são tóxicas de mais para viver. Simplesmente são.

O livro é narrado em primeira pessoa pelos quatro personagens principais que acredito terem sido meus maiores problemas com a trama. Começando pela narração, eu senti certa incapacidade de McManus em construir personalidades divergentes. Muitas vezes acabei me perdendo no contexto da obra porque as narrações eram muito parecidas, mesmo com os nomes acima do capítulo indicando quem estava contando naquele momento, tanto que várias vezes tive que me guiar pelo círculo de personagens secundários em volta dos protagonistas. Isso tornou tudo confuso de um jeito negativo pois eu demorei a ganhar um ritmo para com a história.

Ainda em relação a falta de divergências dos personagens, apesar de ter gostado da maneira com o qual cada um lidou com suas questões particulares, tenho que admitir que tive certa decepção ao perceber que nenhum foi além do clichê. De certo modo, acredito que a autora planejava diferencia-los apenas não conseguiu o efeito desejado. Tanto que antes de morrer, Simon comenta que todos integrantes daquela detenção é o esteriótipo de alguma coisa: uma nerd, a gostosona, o astro do time e o bad boy misterioso. Assim quando a autora faz a inversão de suas personalidades através do segredos de cada um, ao invés de inovar e criar contextos que tragam surpresas, ela retoma o clichê não conseguindo alcançar as expectativas, pois se McManus queria mostrar que ninguém é o que parece, ela fez isso usando um clássico de cometerem “crimes” que vão ao oposto das aparências.

– Ela é uma princesa, e você, um atleta – responde ele, apontando para Bronwyn e depois para Nate, – E você é um crânio. E também um criminoso. Vocês são todos estereótipos ambulantes de filmes de adolescentes

Mas como sou uma pessoa do contra, apesar dessas primeiras falhas, não posso negar que o que me manteve presa a narrativa foi a evolução dos personagens, principalmente de Addy e Cooper.  De certo modo, foram elas que deram sentido a narrativa apresentando críticas sociais muito importantes para o cenário geral da obra que envolviam os amigos, família e relacionamentos amorosos. Acredito na importância desse tipo inserção no enredo porque ajuda a edificar o livro tornando-o bem mais sustentável. Não vou falar um pouco de cada protagonista porque para isso teria que dar spoilers dos segredos que eles escondem, mas é interessante perceber que essas críticas sociais estão presentes na obra de forma consciente aos próprios personagens. São elas que regem os segredos e as ações, pois é o medo das críticas geradas pela exposição que os mantem mentindo.

Porém, o que mais me chamou a atenção dentro da narrativa foi a percepção que autora teve em relação as mídias sociais e como estas afetam diretamente a vida de todos. De certo modo, o Falando Nisso – aplicativo criado por Simon – é basicamente a crueldade humana personificada. Ninguém faz fofoca porque quer ajudar, mas sim pela humilhação que ela propõe. As mídias sociais como um todo participam ativamente da propagação dessa crueldade. Quantas vezes não pudemos observar pessoas caindo ou sendo exaltadas por simples boatos levantados em fotos ou trends-topics? Ninguém realmente se preocupa em investigar apenas acreditam no que veem por terem a noção de que, se está em alta logo deve ser verdade. Por esse motivo, a exposição dos segredos assusta tanto os protagonistas. Pois caso apareça uma nota sobre eles no Falando Nisso, ninguém iria pensar que se tratavam de boatos, mas sim de verdade absolutas que poderiam destruir suas vidas.

Todas essas redes sociais… é como se você não pudesse cometer um erro, não é? Elas te seguem por toda parte. O tribunal é bem indulgente com jovens impressionáveis que agem as pressas quando têm muito a perder.

Apesar dos contrapontos, eu indico sim a leitura de Um de Nós Está Mentindo pelas reflexões que a autora coloca em suas páginas. Apesar de ser confuso, não é livro difícil de ler, tanto que o fiz em um único dia. É uma obra que tem significância ao abordar tantos assuntos que estão presentes em nosso dia-a-dia. Karen McManus te implica a pensar em como você julga as pessoas, como manter segredos é difícil e essencialmente como a vida pessoal pertence unicamente ao individuo.

Não sei porque é tão difícil para as pessoas assumirem que às vezes elas são idiotas que estragam tudo por acharem que nunca vão ser pegas.

( Resenha ) Garota Exemplar – Gyllian Flynn

Minhas caras Corujinhas. Vou apresentar à vocês duas escolhas: vocês podem odiar esse livro ou amar cada uma de suas páginas. Mas o segredo de tudo é entender que nem tudo  (e todos) é perfeito como todos gostaríamos de ver (ou ser).

Garota ExemplarTitulo: Garota Exemplar
Titulo Original:Gone Girl
Autora: Gyllian Flynn
Editora: Intrinseca
Páginas: 446
Ano: 2013
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐ ❤
Encontre: SkoobSaraiva  | Amazon

SinopseUma das mais aclamadas escritoras de suspense da atualidade, Gillian Flynn apresenta um relato perturbador sobre um casamento em crise. Com 4 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo – o maior sucesso editorial do ano, atrás apenas da Trilogia Cinquenta tons de cinza –, “Garota Exemplar” alia humor perspicaz a uma narrativa eletrizante. O resultado é uma atmosfera de dúvidas que faz o leitor mudar de opinião a cada capítulo. Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública – e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy –, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino? Com sua irmã gêmea Margo a seu lado, Nick afirma inocência. O problema é: se não foi Nick, onde está Amy? E por que todas as pistas apontam para ele?

O amor faz você querer ser um homem melhor, mas talvez o amor, o verdadeiro amor, também te dá a permissão para ser simplesmente o homem que você é.

Existem livros, que não importa quanto tempo passe que você sempre vai amar porque ele foi um divisor de aguas na sua vida. Há quase quatro anos, em uma época onde eu estava triste com as pessoas que me rodeavam conheci Garota Exemplar através do filme homônimo lançado no mesmo ano. Quem se lembra daquela época, sabe o bum que o filme fez quando foi lançado e como as pessoas tinham tido reações controversas à história. Teve quem amou, teve quem detestou. E eu como a boa leitora que sou fiquei confusa: os motivos dos personagens do filme pareceram mal explicados de modo que precisei ler o livro e entender as verdades de Garota Exemplar. Faz anos que realizei essa leitura, e como nunca fiz resenha aqui no blog (dá pra acreditar?), mas mesmo assim o livro não sai dos meus pensamentos, hoje vai ser o dia do post quilométrico onde eu vou apresentar a vocês todos os meus motivos para ser apaixonada por essa história.

Um erro comum de quem conhece Garota Exemplar é imaginar o livro como um baita suspense. Com todo respeito, se você pensa isto desta obra está redondamente enganado. Este livro tem uma pegada mais pesada que emerge desde o drama do comum à reflexão do existencialismo que todos devemos ter. O suspense se encaixa na obra apenas como o ponto de partida e ligação entre os acontecimentos, quando na verdade a autora está te contando a história de um casal e o que levou-os aquele ponto.

Como passar por uma porta. Nosso relacionamento imediatamente se transformou em tom sépia: o passado.

Gyllian Flynn não tem uma narrativa fluída que você lê por horas sem perceber. Na verdade a autora utiliza de uma trama intensa e um tanto confusa para te apresentar personagens que definitivamente são reais e profundamente mentirosos. Não esteja preparado para reduções de ser uma obra de ficção ou uma obra que está ali para te demonstrar um puro reflexo de uma sociedade, mas perceba que ali existe um texto que está entre os dois para te mostrar o que nos faz cruelmente e dolorosamente humanos dando forma as reflexões sobre amar verdadeiramente alguém.

O livro todo é narrado em duas pessoas. Nick conta a história ao mesmo tempo em que Amy. Mas, mais uma vez, não se deixe levar por uma redução óbvia que a autora só estava pensando em passar um prospecto interino da obra. O objetivo real é te dar duas versões de um mesmo mundo montado em um começo antagônico: Se por um lado Nick descreve Amy como distante e ele como deixado de lado, Amy faz o caminho inverso destacando Nick como alheio as suas tentativas de restaurar um casamento quebrado. Desta maneira o papel do leitor é determinar quem está mentindo e por fim determinar quem poderia ter dado um sumiço a Amy.

Minha mãe sempre disse a seus filhos: Se você está prestes a fazer algo e quer saber se é uma má ideia, imagine ela impressa para o mundo todo ver.

Eu não vou me ater aos personagens nesta parte inicial do post porque se dissesse o que acho de Nick e Amy de  seria um tremento spoiler. E já que não posso falar sobre eles, quero ressaltar uma crítica social (uma das, no caso) que a autora faz na obra. Sensacionalismo jornalístico é um mal que vêm corroendo a sociedade ao longo da última década pelo motivo claro de que todos que seguem essa linha querem simplesmente ganhar dinheiro sem se preocupar com a veracidade das suas informações. Enquanto uns são transformados em santos outros são transformados em demônios. Por esse motivo, assim como Flynn eu levanto uma bandeira: cuidado com o que você ouve e nunca tente ser nem o juiz nem o carrasco de nenhuma situação. Existem mais faces de uma história que o jornalismo sensacionalista se sente no dever de mostrar.

Garota Exemplar é um livro para ser lido. Odiando ou não, é impossível sair desta obra sem ter alguma reflexão de mundo seja de um aspecto social, seja de um aspecto individual. É um livro que fortalece nossas bases por se fixar em demonstrar que não somos todos idênticos aos outros e não podemos julgar ninguém sem conhecer verdadeiramente uma pessoa. Somos feitos de carne, ossos, segredos e personalidades distintas. Somos feitos para ser livres e amar aqueles que estão dispostos à entender cada um de nossos defeitos.

A partir deste ponto, esta resenha terá spoilers.

amyVocês que já leram este livro ou viram o filme podem dizer que sou absolutamente doida, mas a verdade é que Amy Elliot Dunne é minha personagem favorita da literatura. Entre todas as mulheres literárias que já tive contato, Amy é a mais psicótica sim, mas isso não significa que ela não tenha razão sobre o questionamento para além de relacionamentos que faz neste livro. Ser mulher na nossa sociedade é uma tarefa difícil convenhamos, mas ser mulher em um relacionamento na nossa sociedade é quase brutal. Somos levadas a perder nossa personalidade e nos tornar outras meninas. Somos obrigadas a mudar nosso ser para nos tornarmos aquilo Amy classifica brilhantemente de Garota Legal programadas para ter os defeitos, as qualidades e o corpo certo e claro: nunca reclamar das besteiras que nossos homens fazem.

E se você não é aquela garota, não existe nada de errado com o cara, existe algo de errado com você. 

Na época que li esse livro, nesse ponto, na virada da primeira parte à segunda foi quando eu pensei: Caramba, estou lendo um livro da p****. O texto em que Amy explica suas motivações para estar fingindo seu assassinato e jogando a culpa em seu marido, apesar de ser radical não é inverdade. E posso confirmar isso a vocês das inúmeras vezes em que vi mulheres, amigas minhas, mudarem quem elas são para ficarem com homens que não estavam realmente interessados nelas e sim numa garota inventada e perfeita, que de todas as maneiras que você pode pensar não existe. Mas o cruel não é pensar que o homem quer uma Garota Legal e sim como nós, mulheres, nos damos o luxo de representa-la para entrar em relacionamento que por ser baseado em uma mentira está fadado ao fracasso.

Esperei pacientemente — anos — para que o pêndulo oscilasse para o outro lado, para que os homens começassem a ler Jane Austen, aprendessem a tricotar, fingissem amar a revista Cosmopolitan, organizassem festas de scrapbooks e dessem uns amassos entre si enquanto nós assistíamos, babando. E então diríamos: É, ele é um Cara Legal. Mas isso nunca aconteceu. Em vez disso, mulheres de todos os Estados Unidos conspiraram para nossa degradação! Em pouco tempo a Garota Legal se tornou a garota-padrão. Os homens acreditaram que ela existia — não era apenas uma garota dos sonhos em um milhão.

E obviamente, depois de tudo, comecei a pensar no que faz uma mulher querer ser a Garota Legal de alguém. Não acredito que seja inteiramente culpa da sociedade, mas sim da necessidade que o ser humano tem de estar no contato com outras pessoas. No começo desse post eu tinha dito que esse livro me mudou e foi justamente aqui que eu percebi o que foi feito de mim, como Flynn me bateu e em seguida me mostrou o caminho para enfermaria: Eu era dependente das pessoas; queria ter contato com elas para ser feliz de modo que sempre me decepcionava. A dependência destrói o ser humano porque te motiva a tentar ser perfeito para alguém; mas a perfeição, bem como todas as palavras que demonstram o significado de ser sempre o melhor, não existe e nunca vai existir.

Movendo-se no mesmo ritmo que o rio, uma comprida fila indiana de homens, os olhos voltados para os pés, ombros tensos, caminhava resolutamente para lugar nenhum.

A grande lição de Garota Exemplar é nunca mudar por alguém, mas principalmente ser independente de todas as pessoas. Não estou incitando ninguém deixar todos para trás, apenas modificando uma frase muito famosa, mas que têm um sentido digamos incompleto: Todo homem é uma ilha, mas você precisa trabalhar para manter-se sobre a água contra toda a maré e decidir quem merece construir uma ponte para te conhecer profunda e verdadeiramente.

É uma era muito difícil em que ser uma pessoa, só uma pessoa real, atual, em vez de ser uma coleção de traços de personalidade, de personagens automáticos.

( Resenha ) Pretty Little Liars · Primeiro Arco · Sarah Sheppard

Minhas caras Corujinhas, vocês estão prestes a embarcar na vida de quatro garotas lindas, pequenas e mentirosas onde os segredos dela podem custar a reputação de muitas pessoas, mas principalmente sua vida em Rosewood Day.

image

Titulos: Maldosas, Impecavéis, Perfeitas e Inacreditaveis
Titulos originais: Pretty Little Liars, Flawless,  PerfectUnbelievable
Série: Pretty Little Liars – Primeiro Arco
Autora: Sarah Sheppard
Editora: Rocco: Jovens Leitores
Ano: 2011
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐

SINOPSE: Era uma vez quatro garotas que eram invisiveis em sua escola até serem resgatadas pela linda e popular Alison DiLaurentis. Então de uma hora para outra, naquele verão essas meninas se tornaram tão populares que mandavam nos corredores da escola. Até que em uma noite, Ali simplesmente desaparece o quinteto se desfaz. Alguns anos tarde quando todas estão de volta a Rosewood, segredos que as meninas acreditavam estar apenas entre Alison começam a ser ameaçados de serem revelados. Em uma narrativa de suspense e muitas mentiras, Sarah Sheppard nos mostra que até o menor dos segredos pode ter as mais graves consequências. 

Antes de ler Pretty Little Liars tinha um certo preconceito com o gênero. Já havia lido vários livros com o tema e sempre tinha os achado um tanto bobinhos de mais. Ao ler, Pretty Little Liars no entanto me surpreendi não somente com o enredo que a autora apresentou, como também com os temas levantados tão comuns aos adolescente em geral. De todas as maneiras, Sarah Sheppard conseguiu transformar uma série que tinha tudo para ser clichê em uma obra extraordinária.

A série composta por dezesseis livros e dois extras parece gigante pela quantidade, mas em realidade são livros pequenos que se completam em arcos. A cada livro existe um pequeno plot que conduz a trama rumo ao seguinte, mas o twist só é realizado no final de cada arco. Desta maneira, a condução da série é homogênea. Vale dizer também que a editora Rocco publicou os livros na mesma época em formato separado, mas também em box o que ajuda bastante na hora de adquirir os exemplares.

Seguindo com uma boa narração sem exageradismo, Sarah Sheppard nos apresenta quatro garotas diferentes entre si com problemas que todos temos ou conhecemos alguém que tenha. Achei muito interessante o fato que, apesar de lidar com adolescentes, a autora não se limita a diálogos infantis apesar de recorrer a situações desse cunho. Isto criou um tipo incomum de verdade no livro: somos todos sujeitos a situações constrangedora, mas o que nos defini são as atitudes que vamos tomar quando elas ocorrerem. Por isso, posso afirmar que não existem clichês totais em PLL pois as atitudes são aquelas que você não espera.

O quarteto de personagens principais foram minha maior positividade no livro.

Seguindo a ordem das bonecas representadas nas capas, Hanna Marin quase alcançou o status de personagem favorita. É uma personagem de face dupla: se por um lado Hanna é abelha rainha da escola por outro é insegura em perder tudo aquilo por ter sido, em suas palavras, uma perdedora gorda e feia. Hanna é fútil e egoísta, sem aquele papo de um grande coração. Em realidade, acredito que todas as personagens de PLL sejam exatamente como aparentam em suas faces como se autora dissesse que aquelas garotas não mentiam para si mesmas.

Emily Fields têm um futuro promissor na natação, pais rigorosos e está apaixonada pela vizinha que corresponde seus sentimentos. Mas como Emily pode dar vazão à esse amor se tudo e todos ao seu redor vão condena-la? Eu acredito que Emily seja a típica adolescente modelo que não é tão modelo assim. Em seus pensamentos é perceptível a vontade que tem de agradar seus pais deixando de lado à si própria garantindo-se uma vida sem graça. Apesar de tê-la achado um tanto dramática de mais, tambem não culpo a autora pelo uso da melodramaticidade já que a personagem parecia precisar daquilo.

Arya Montgomery, me desculpem mundo, foi a personagem que menos gostei. Em todos os quatros livros não senti evolução em sua história mesmo quando parecia estritamente necessário. Pelo contrário, por ela (e apenas ela) devo retirar o que disse sobre o lado infantil pois não encontrei sensatez em suas atitudes. Entendo o fato de Arya não querer expor o caso extra conjugal de seu pai, mas francamente, suas atitudes para com a amante foram indignas ressaltando um lado um pejorativo do adolescente rebelde sem causa. Foi frustante acompanhar os capítulos de sua narração.

E por fim temos Spencer Hastings que ganhou o título de personagem favorita. Das quatro, acredito que Spencer foi minha favorita em todos os sentidos inclusive nos defeitos. Spencer é a nerd que faz de tudo para agradar os pais sem sucesso participando de uma disputa nada amigável para preferência dos projenitores com sua irmã Melissa. Durante os capítulos de Spencer eu senti de tudo um pouco: amor, ódio, carinho, pena… A relação familiar da garota que houve momentos que quis entrar no livro apenas para estapear seus pais. De todas as formas possíveis sr. e sra. Hastings foram desprezíveis com Spencer, que tudo que gostaria era ser tratada de maneira igualitária. Tão complexo e tão avassalador que eu achava que estava acontecendo comigo.

Pretty Little Liars> é uma série para sair da zona de conforto. São livros que chocam, divertem e emocionam. Tanto, que esse primeiro arco li ainda no ano passado, mas impactou-me tanto que não consigo me esquecer dele. Eu amei essa obra. E super indico a todos que querem um livro muito além do esperado também.

( Resenha ) Pequenas Grandes Mentiras ・ Liane Moriarty

Minhas caras corujinhas, todos sabemos que mentira tem perna curta e que a pior delas é quando mentimos à nós mesmos. Em nossa aventura de hoje vamos conhecer três mulheres com segredos pequenos que se tornaram grandes pois suas mentiras se tornaram tão fortes quanto os mistérios em torno de um assassinato.

download (1)

 

Título: Pequenas Grandes Mentiras
Título original: Big Little Liers
Autora: Liane Moriarty
Editora: Intrinseca
Páginas: 400
Ano: 2015
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Todos sabem, mas ainda não se elegeram os culpados. Enquanto o misterioso incidente se desdobra nas páginas de Pequenas grandes mentiras, acompanhamos a história de três mulheres, cada uma diante de sua encruzilhada particular. Madeline é forte e passional. Separada, precisa lidar com o fato de que o ex e a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline, parecem estar conquistando também sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o marido bem-sucedido têm tudo para reinar entre os pais. Mas a realeza cobra seu preço, e ela não sabe se continua disposta a pagá-lo. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade que guarda para si certas reservas com relação ao filho. Madeline e Celeste decidem fazer dela sua protegida, mas não têm ideia de quanto isso afetará a vida de todos. Reunindo na mesma cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos domésticos, o novo romance de Liane Moriarty explora com habilidade os perigos das meias verdades que todos contamos o tempo inteiro.

Era só um pequeno problema de relacionamento de resto perfeito. Toda relação tinha pequenos problemas. Seus altos e baixos.

Quando comecei a ler Pequenas Grandes Mentiras de Liane Moriarty, tinha sido avisada da complexidade incrível que a autora tem ao traçar suas histórias. Dotada de uma escrita poderosa sempre indo ao x da questão, Liane construiu uma obra sobre as mentiras que contamos para nós e que desesperadamente tentamos acreditar. Através dos olhos de três grandes mulheres, este livro nos mostra o quão perigo as mentirinhas inocentes (ou nem tão inocentes assim) podem se tornar.

Madeline, Celeste e Jane são mulheres comuns com problemas comuns à medida do possível. Madeline tem uma adolescente rebelde em casa, Celeste precisa lidar com seus gêmeos e Jane é mãe solteira. Todas mães e cheias de singularidades.

Madeline é a minha personagem favorita apesar de não ter sido a mais complexa da obra. Ela realmente representa a figura mais comum do ser mulher-mãe que acreditamos existir. Dotada de um humor brilhante, Madeline figura como o alicerse do trio, muito embora esteja fragilizada pelo fato de sua filha mais velha querer sair de casa para morar com um pai que abandou as duas tempos antes. Madeline carrega os traços de força e sonoridade que as mães desempenham com tanta frequência, mesmo que esteja fingindo estar bem quando na verdade tem o coração destruído.

Jane é a mais jovem e de certo modo acaba por representar o medo mais comum às mães de primeiras viagem: por mais que se esforce para ser perfeita para o filho. O mais interessante da personagem é que Jane aparenta ser a mais humana, como fosse o espectro da mãe apavorada com as novas atividades. Jane é o oposto de Madeline trazendo consigo o lado de não somente querer aparentar ser forte, como também as incertezas de conseguir isto.

Celeste, por fim, tem a vida quase perfeita se não contar o fato de que vive um relacionamento abusivo violento. Todos os dias, Celeste acorda acreditando que seu marido não vai machuca-la novamente. Diferente de Madeline e Jane, Celeste cumpre o papel de representar a mulher que vêm antes da mãe, mas que esquece disto acabando por pensar nos filhos antes de si. Seu casamento se torna mais perigoso a medida que passa, mas pelos filhos (ou pelo menos é que diz a si mesma), Celeste continua presa ao marido. Desse modo, das três narrativas que Moriarty nos presenteia, a de Celeste é a que chega para chocar onde a autora tece a partir daqui um livro que impacta a cada pequena grande mentira que Celeste insiste em contar para si mesma.

“Digitou as palavras “terapeuta de casal” no Google. Então parou. Apagou as palavras. Não. Já havia tentado isso. Não era uma questão de trabalho doméstico e mágoas. Ela precisava falar com alguém que soubesse que as pessoas agiam daquela forma; alguém que fizesse as perguntas certas. Ela sentia as bochechas queimando quando digitou as duas palavras vergonhosas: “violência” “doméstica”. 

O livro todo é construído sobe o acontecimento de um crime durante uma festa infantil que parece ter culminado por conta da prática de bullying dos filhos dos acusados. Para narrar os acontecimentos tanto do passado quanto do presente, a autora usa da narração em terceira pessoa. Dessa maneira, Moriarty auxilia o leitor a entender melhor as situações como um todo. A cada capitulo que conta uma parte do passado, a autora insere um trecho de depoimento que com a visão dos personagens não envolvidos no crime sobre o que eles achavam sobre o acontecido. Foi interessante ver como o uso desse artificio fez com que o texto evoluísse pelo simples fato de conversar entre si. O suspense tomou grandes proporções dificultando a descoberta de quem matou e quem morreu.

De varias maneiras, Pequenas Grandes Mentiras consegue arrebatar o leitor pelas verdades que dissemina em suas paginas. E um livro que evoca diferentes sensações provocando o leitor a pensar com clareza sobre o impacto de suas mentiras pequeninas na sua vida e na daqueles que lhe cercam.

Talvez ela pudesse ficar. Era sempre um alívio muito grande quando ela se permitia acreditar que podia ficar

| RESENHA | Coraline — Neil Gaiman.

Olá leitores como vão? Hoje a resenha está saindo mais tarde, mas livros mais psíquicos merecem não. É o mês das bruxas e as leituras estão à todo vapor. Contudo, como eu dei uma pequena pausa no terror para ler Corte de Névoa e Fúria com algumas amigas, a resenha de hoje é de um dos meus queridinhos do passado. Coraline do Neil Gaiman que foi o primeiro livro nessa linha ficção psicológica que li e que até hoje me assombra.

image

 

Título: Coraline
Autor: Neil Gaiman
Editora: Rocco
Ano: 2002
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 💜
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino.

 

SINOPSE:A história de Coraline é de provocar calafrios. A narrativa dá muitas voltas e percorre longas distâncias, criando um ‘outro’ mundo onde todos os aspectos de vida são pervertidos e desvirtuados para o macabro. Ao mesmo tempo sutil e cruel, o autor gosta de desafiar as imagens simples dos livros infantis tradicionais. No livro, a jovem Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, a menina consegue abrir uma porta que sempre estivera trancada na sala de visitas de casa e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais. Na verdade, aquele parece ser um “outro” mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.

Coraline é o tipo de livro infantil que todos sabemos que foi feito para um adulto ler. Somente nós, jovens e adultos conseguimos entender por entre as linhas da história criada tanto para encantar como para assombrar por Neil Gaiman. É um livro que conduzido através da sutileza que relembra os medos da infância e os desejos mais profundos do seu coração. Todos nós em algum momento da vida já pensamos em querer morar em um mundo perfeito. Um mundo onde não há cobranças e tudo é extremamente divertido. Um mundo onde as pessoas são incríveis e nada de ruim pode nos alcançar. Neil Gaiman te mostra que esse mundo talvez exista e que talvez ele esteja ali dentro do seu armário. E para entrar nele, você só precisa girar a chave e pagar o preço que ele exige.

Dono de uma linguagem sutil e poética, Neil Gaiman escreve um livro grandioso com simplicidade. Ele te diz o básico para que com aliadas à essas informações sua própria mente termine de criar as situações e as imagens. Gaiman brinca então com seu próprio imaginário. Você é dono do monstro atrás da porta que é moldado como um Frankstein; feito de variadas partes do seu próprio medo. Assim Gaiman cria uma história onde tudo é possível buscando nossas raízes em uma escrita sutilmente tenebrosa.

Neil Gaiman também cria bastante profundidade em seus personagens mesmo se tratando de um livro curto. Com frases pequenas, mas muito dito nelas, cada um consegue se tornar inesquecível ao seu modo. Ao criar dois mundos diferentes, Gaiman cria personagens que também são muito diferentes. Há tanta dualidade em cada um que é impossível não se pegar pensando no que cada pessoa esconde. Se o limite entre o real e o imaginário é uma porta, então talvez o limite entre uma boa pessoa e uma má sejam as convenções sociais. Em um mundo onde não há regras, cada um de nós poderíamos ser o que quiséssemos seja bom ou não. Tal perspectiva é deixada a vista do leitor durante todo o livro. Para que ele perceba e se pergunte o que é ou não real em nosso mundo.

Coraline
é um livro que marcou minha vida como leitora e como pessoa. Neil Gaiman é um dos maiores nomes da fantasia porque trás o mundo real de forma sutil para dentro de suas páginas. Ler este livro é como abrir o armário dos medos e finalmente enfrentá-los.

| RESENHA | Sem Deixar Rastros — Harlan Coben — Série Myron Bolitar — Livro 03.

Oii amores. Tudo bom com vocês? Hoje é dia de mais uma resenha aqui no blog de um livro magnífico do Harlan Coben. Quase todos os que tive a oportunidade de ler do autor foram excelentes e Sem Deixar Rastros foi um deles. Um livro que fugiu me deixou arrebatada já nas primeiras páginas. Harlan Coben se mostrou não só um maiores dos mestres do suspense, mas também um escritor com a sensibilidade para trazer ao leitor uma avalanche de emoções.

image 

Título: Sem Deixar Rastros
Título Original: Fade Away
Autor: Harlan Coben
Serie: Myron Bolitar — 03
Editora: Arqueiro
Ano: 2012
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 💜
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino.

SINOPSE: Myron Bolitar parecia destinado a uma carreira de sucesso na NBA quando uma lesão no joelho o afastou das quadras para sempre. Porém, 10 anos depois, o agente esportivo e detetive particular com passagem pelo FBI está de volta ao jogo – não para cumprir seu destino como astro do basquete, mas para desvendar mais um mistério. O ídolo dos Dragons de Nova Jersey, Greg Downing, maior adversário de Myron na época da faculdade, desapareceu sem deixar rastros pouco antes das finais do campeonato nacional. À frente do caso, com a ajuda de seus dois fiéis escudeiros, Win e Esperanza, Myron trabalhará infiltrado entre os jogadores para tentar obter informações capazes de levar ao paradeiro do antigo rival, com quem também competiu pelo amor de uma mulher. 

Os sonhos nunca morrem. Às vezes achamos que eles estão mortos, mas estão apenas hibernando como um urso velho. E quando a hibernação é muito longa, o urso acorda bravo e faminto.

Harlan Coben é um autor viciante onde dificilmente somos capazes de deixar suas obras de lado. Sem Deixar Rastros é o terceiro livro da série Myron Bolitar que tem se mostrado cada livro melhor. O grande diferencial desta série é que apesar de ser suspense investigativo não é feita nos moldes do policial. Myron é um agente esportivo e seus clientes são os alvos de sua investigação. De certa forma é como se o autor procurasse mostrar que a vida dos atletas, mesmos os dos mais altos níveis, não é feita apenas glamour podendo ter submundos obscuros por baixo delas. O que cada um desses atletas é capaz de fazer para chegar às alturas e ganhar reconhecimento. De maneira brilhante, Coben conduz um suspense em que adivinhar o motivos ou o vilões não é uma opção. Nada é o que parece e os segredos irão mudar tudo que achamos que sabemos 

E agora se achava naquela tênue fronteira entre o pesadelo e o despertar, aquela minúscula janela em que ainda estamos dormindo mas sabemos que se trata de um sonho e, apesar de todo o terror, queremos continuar e ver como tudo terminará, uma vez que estamos apenas sonhando e não corremos nenhum tipo de risco. Mas a realidade nunca mantém essa janela aberta por muito tempo.

Além da carga de suspense, neste livro — diferente de todos os outros — há também um apelo sentimental. Myron esta de volta às quadras para investigar o desaparecimento de um astro de modo que o agente esportivo tem também problemas que vão além de um mero caso à ser resolvido. O desaparecido Greg Dowing Também foi seu maior inimigo nos tempos dos jogos de faculdade em que ambos estavam no auge. Myron era uma promessa, assim como Greg. Dessa forma, ver tão de perto o mundo que ele perdeu e que seu adversário conquistou é doloroso como um vislumbre do que ele poderia ter dido. Adiciona-se à isso o fato Myron tem que lidar com à volta as quadras que também significa viver ou tentar viver um sonho que lhe foi tirado. 

Realmente acreditava que ninguém podia amá-lo, e isso é difícil para qualquer um. Traz insegurança. Faz com que a pessoa se esconda numa espécie de trincheira.

Sem Deixar Rastros foi um livro que me deixou sem fôlego e ansiosa para sua continuação. Bem humorado e brilhantemente bem escrito, Harlan Coben conseguiu mostrar mais uma vez porque é um dos maiores de suspense da atualidade. Um livro que recomendo à todos que amam um bom suspense.

| RESENHA | Até Você Ser Minha – Samantha Hayes

Oii pessoas. Tudo bom com vocês? No mês passado devido as minhas leituras da #MLi2017 e do Desafio Literário Cultura que está rolando aqui no blog, fiz diversas leituras maravilhosas de livros que não estavam e que estavam na minha TBR. Hoje vou fazer resenha de um desses livros que esteve presente nesses meus dois momentos literários: na MLi2017 foi o meu escolhido para compor Um livro de capa azul e no desafio literário compõe o tópico um livro narrado por dois pontos de vistas.
image

 Título: Até Você Ser Minha
Título Original: Until You’re Mine
Série: Scott e Fisher #01
Autor: Samantha Hayes
Editora: Intrínseca
Páginas: 336
Ano: 2015
Avaliação: 👑 👑 👑 👑

 

Sinopse: A assistente social Claudia Morgan-Brown está prestes a realizar o sonho de sua vida: vai dar à luz uma menininha. Apesar da ausência do marido ao longo da gravidez – James é oficial da Marinha e fica semanas e até meses longe de casa –, ela mal pode esperar para segurar seu bebê nos braços após várias tentativas e perdas. Porém, as diversas tarefas de Claudia, além da responsabilidade de cuidar dos gêmeos Oscar e Noah, filhos do primeiro casamento de James, deixam o casal preocupado. A próxima partida de James se aproxima, e eles decidem contratar uma babá. Zoe Harper quer muito o emprego. Com as melhores recomendações, ela conquista os gêmeos e se muda para o lar do casal. Mas Claudia logo percebe que a mulher tem outros motivos para se aproximar da família. As suspeitas de Claudia se transformam em verdadeiro terror quando começa a ocorrer uma série de ataques brutais a mulheres grávidas na cidade. Imersos em problemas familiares, os investigadores Lorraine Fisher e Adam Scott são forçados a deixar suas questões de lado e correr contra o tempo para encontrar o assassino antes que ele cometa mais um crime. Uma narrativa repleta de reviravoltas, Até você ser minha traz os desejos humanos mais intensos e mostra quão longe alguém pode chegar para conseguir o que quer.

Ganhado de presente de aniversário pela minha amiga Keth (Parabatai Books) nós lemos o livro juntas. Keth como sempre acabou a obra primeiro e pacientemente esperou que eu terminasse. Ao fim, ambas ficamos bastante surpresas com o final, muito embora não tenha sido com as mesmas coisas. Enquanto Keth ficou pasma com a revelação da persona assassina, fiquei abismada com a reviravolta em relação à uma personagem que parecia tudo, menos aquilo.

A construção do livro de Hayes foi uma coisa inexplicável. A autora conseguiu construir um crime perfeitamente bem elaborado. Os pedaços parecem encaixáveis e de cara o prólogo deixa aquela sensação de que “você” saber quem é e quais são da persona má. Tudo isto, para que no final a autora surpreenda mostrando aquele famoso não era isso meu caro, você está errado. E muito embora os motivos do vilão não tenham sido difíceis de decifrar, houve um impacto ao fim das páginas que me deixou abismada. De certa maneira, sendo resumido em uma única frase dita pela minha mãe: Ele não dá a capacidade de gerar filhos, aqueles que são capazes de roubar os filhos de outras pessoas.

As duas parsonagens principais tem vidas e histórias muito diferentes. Cláudia é uma mulher que perdeu vários rebentos ao longo dos anos, mas nunca desistiu do sonho de ser mãe. Agora com dois filhos adotivos, um marido que a ama e uma gravidez no oitavo mês de gestação, Cláudia tem tudo que sempre quis, muito embora ao mesmo tempo tenha medo de perder o que já foi conquistado. Zoe, por outro lado esta fracassada interna e profissionalmente. Ela não tem mais onde morar, sua companheira não deseja mais sua estada e assim como Claudia, quer ficar gravida, mas a tão sonhada notícia positiva nunca dá as caras. Destruída, os pensamentos de Zoe sempre retornam a gravidez que não tem e que seu interior grita desesperadamente que precisa conseguir.

Esta obra criada por Samantha Hayes foi maravilhosa. Antes de mais nada, esse livro trata sobre a angústia e sobre o sentimento de derrota que traz a tona os desejos das mulheres que não conseguem engravidar. Seus personagens e seu mundo estão rodeados pela incerteza. O medo de ser a próxima vítima está a porta e os horrores que cada personagem esconde são muito mais sombrios do que pode-se aparentar a primeira vista.

| RESENHA | A Vila dos Pecados – Soraya Abuchaim.

Olá pessoa que esta lendo esta matéria, como vai? Hoje é dia de resenha aqui no blog do livro maravilhoso da Soraya Abuchaim que foi lançado ontem e que fez o maior sucesso. E gentilmente ela cedeu um desses exemplares ao blog e eu li no início dessa semana.

Título: A Vila dos Pecados.
Autora: Soraya Abuchaim
Editora: Coerência.
Ano: 2017
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟
Onde comprar: Site da Autora

image

SINOPSE: Final do século XIX. Enquanto o mundo passa por transformações importantes, existe uma vila inóspita, que vive à margem da civilização e que tem as suas próprias e estranhas leis. Lendas escuras a rondam e histórias macabras sobre Ponta Poente povoam o imaginário popular. Quando o padre Alfonso Anes, um exemplo vivo de amor e resignação, chega à vila para substituir o seu antecessor, depara-se com segredos que o farão duvidar da própria sanidade, e uma onda de mortes trará o caos para aquele lugar ermo. Quem estará a salvo? Serão estes segredos o fim de quem os esconde? O que esse universo tenebroso revelará para o mundo?

A Vila dos Pecados foi uma leitura cheia de emoções e que me deixou praricamente abobalhada com a natureza humana. Soraya Abuchaim conseguiu fazer com que meus sentimentos partissem da revolta e da paixão em diversos momentos, pois as características apresentadas por seus personagens durante o livro iam das mais odiosas as mais esperançosas. A psiquê humana foi incrivelmente bem detalhada, de modo que ficou verossímel as atitudes daquelas pessoas nas determinadas situações. E eu diria que um dos pontos que mais me impressionaram durante a leitura, foi o modo com o qual essas pessoas se desenvolveram durante o livro. Soraya demonstra em A Vila dos Pecados que nem todo mal é realmente feito apenas de coisas ruins. Assim como até as mais puras almas não são feitas apenas de bondade. Dentro da mente e do coração de cada ser humano existe a bondade e a maldade lutando entre si, e o que define quem nós somos é para qual lado vamos dar a medalha de campeão.

“Tudo se desenrola na escuridão, quando os justos e os honestos dormem. Ninguém é santo, não. Quem mais venerava o falecido era quem mais temia que seus segredos fossem descobertos.”

Em uma pequena comparação com o livro anterior Até Eu Te Possuir este teve uma evolução no quesito escrita, o que eu admito que fiquei absmada pois não achava possível. Mas na questão do detalhamento das emoções e das atitudes dos personagens, mesmo possuindo a plena consciência que são dois universos com histórias completamente diferentes, eu pude notar que as situações propostas pela autora saíram bastante do comum para a proposta da obra. No livro Ate Eu Te Possuir a situação comum de ciúmes e namoros foi um modo de enfatizar aquilo que Abuchaim proprunha no livro. Afinal de contas eram situações presentes naquele tipo de relação. Mas em A Vila dos Pecados houve uma exploração maior do extremo, onde cada situação criada, era um ápice dos sentimentos como se estes fossem elevados à milésima potência. Isso elevou o livro à um nova plataforma, onde o mistério se desenrolou com o drama e os sentimentos de medo, angústia, desejo e cumplicidade ganharam destaque.

“Ninguém chora as escondidas e lamenta o que passou se não viveu intensamente; mas tambem ninguém se recusa a comentar o passado se não tem algo à esconder.”

A única coisa que me deixou realmente apagada no decorrer da leitura, foi o fato de que o final, muito antes o meio do livro se tornou óbvio para mim. Eu sempre leio bastante livros de suspense. Além da ficção, esse é um dos meus gêneros favoritos. De modo, que quando você lê muitos livros de um mesmo gênero você acaba descobrindo certas lógicas que vão guiar ele. Na verdade é basicamente o esqueleto de um livro que irá definir o livro como pertencente de um gênero tal. Em A Vila do Pecados eu sabia que se tratava de um suspense e dessa maneira fui criando minhas suposições – todo mundo dá uma Sherlock Holmes nesse tipo de obra – com base no pré-determinado. E em dado momento, a sucessão de acontecimentos foram brotando quase como uma prova de que eu estava certa. Assim diminuiu o o ritmo da coisa e admito que fiquei com uma pontade de decepção quando fechei o livro e a teoria foi confirmada. Eu esperava um choque que infelizmente não veio. E vocês sabem meus amigo, suspenses precisam de um choque.

“É muito mais fácil ser conivente com o mal do que lutar contra ele.”

Contudo, livros para mim são somatório de coisas boas. E o livro da Soraya me deixou mais instigada que outra coisa. É uma leitura que realmente vale muito a pena. A autora nos convida a refletir sobre o que é realmente pecado, o que é errado, o que é certo, quais segredos nós escondemos e o que estamos dispostos para mantê-los assim. A Vila dos Pecados pergunta a cada um de nós se somos fiéis a nós mesmos ou reféns as situações e pessoas que nos cercam.

| RESENHA | Anjos e Demônios – Dan Brown – Série Robert Langdon

Oi leitores como vão? Hoje é dia de mais uma resenha no blog. Dessa vez escolhi um livro que esta em “meus clássicos” para falar um pouco, pois sou apaixonada por ele e mesmo tendo lido há varios anos – 3 pra ser mais exata -, sempre vou me lembrar dos detalhes que o tornou maravilhoso.
image

Título: Anjos e Demônios.
Título Original: Angels And Demons.
Autor: Dan Brown
Editora: Arqueiro
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟⭐

Sinopse: Antes de decifrar ‘O Código Da Vinci’, Robert Langdon, o famoso professor de simbologia de Harard, vive sua primeira aventura em Anjos e Demônios, quando tenta impedir que uma antiga sociedade secreta destrua a Cidade do Vaticano. Às vésperas do conclave que vai eleger o novo Papa, Langdon é chamado às pressas para analisar um misterioso símbolo marcado a fogo no peito de um físico assassinado em um grande centro de pesquisas na Suíça. Ele descobre indícios de algo inimaginável: a assinatura macabra no corpo da vítima – um ambigrama que pode ser lido tanto de cabeça para cima quanto de cabeça para baixo – é dos Illuminati, uma poderosa fraternidade considerada extinta há quatrocentos anos. A antiga sociedade ressurgiu disposta a levar a cabo a lendária vingança contra a Igreja Católica, seu inimigo mais odiado. De posse de uma nova arma devastadora, roubada do centro de pesquisas, ela ameaça explodir a Cidade do Vaticano e matar os quatro cardeais mais cotados para a sucessão papal. Correndo contra o tempo, Langdon voa para Roma junto com Vittoria Vetra, uma bela cientista italiana. Numa caçada frenética por criptas, igrejas e catedrais, os dois desvendam enigmas e seguem uma trilha que pode levar ao covil dos Illuminati – um refúgio secreto onde está a única esperança de salvação da Igreja nesta guerra entre ciência e religião. Em Anjos e Demônios , Dan Brown demonstra novamente sua extraordinária habilidade de entremear suspense com fascinantes informações sobre ciência, religião e história da arte, despertando a curiosidade dos leitores para os significados ocultos deixados em monumentos e documentos históricos.

” Sim, mas por volta de 1500, um grupo de homens em Roma revidou e lutou contra a Igreja. Alguns dos homens mais esclarecidos da Itália – físicos, matemáticos, astrônomos – começaram a promover encontros secretos para discutir suas preocupações sobre os ensinamentos errados difundidos pela Igreja. Temiam que o monopólio da “verdade” pela Igreja ameaçasse a difusão dos conhecimentos acadêmicos pelo mundo afora. Fundaram o primeiro think tank científico do mundo, chamando a si mesmos de “os esclarecidos ”

Li Anjos e Demônios um pouco depois de ler O Código Da Vinci e O Símbolo Perdido acabando por me apaixonar pelas obras de Dan Brown. Hoje o autor é um dos meus favorito do gênero suspense pois tem algo a mais: Dan é um mestre em enrolar em sua trama fatos reais dando um ar aos seus livros de obra prima, pois parecem tão reais que fica aquela sementinha plantada na sua cabeça para que lhe faz ter grandes questionamentos. Anjos e Demônios é meu livro favorito do autor pois acredito que ele se superou produzindo uma obra que não deixa margens a sua genialidade, sendo que já tive o prazer de ler todas as suas obras.

Robert Langdon é um simbologista. Não é um policial e nunca esteve metido com o mundo crime de qualquer maneira. Seu negócio é entender os símbolos, números e alegorias que deixam pistas sobre a verdadeira natureza das organizações secretas da sociedade. Por este motivo, o Vaticano não exita em chamar o professor para desvendar o mistério que cerca a morte do papa e os cardeiais raptados as vésperas do conclave. Além disso, Robert descobre que Leonardo Vettra, chefe de um departmento de fisica da suiça foi assassinado para conseguir a antimatéria. Tudo para que a antiga fraternidade Os Iluminatti consiga cumprir a tão antiga promessa feita a igreja:

“A cidade do Vaticano será consumida pela luz.”

Ler um livro do Dan Brown é ter uma plena consciência de que você vai ser enganado. Não importa de qual livro se trate nem de quantos outros suspenses você ja tenha lido, a não ser que você conheça a história, o autor irá te surpreender. Mas até mesmo se conhecer ele fará isto. Tanto que eu já havia assistido o filme baseado no livro, mas durante a leitura ainda tive um pouco de choque. Pois o livro é tão ardilosamente bem escrito que as palavras com o qual o autor o descreve nos deixam com uma pulga atrás da orelha. É uma realidade dentro da ficção.

Um dos pontos que tornam os livros de Dan Brown únicos, também, é o uso contínuo de fatos históricos durante a história. Em Anjos e Demônios, Dan faz o uso de diversas alusões à artistas e físicos citando suas obras e mesclando-as a sua história. Assim Dan consegue dar um significado maior a cada pedacinho do que escreve. Torna a obra mais completa. Além de proporcionar ao leitor aqueles fatos de história que são maravilhosos mas que não estudamos na aula de história. Mais uma prova que livros são cultura rsrs.

Michelangelo projetou a basílica e São Pedro.
Berline projetou a praça.

Mas dentre tudo que esta inserido na obra o que mais me chama a atenção são os personages. Dan Brown conseguiu fazer com que cada um dos personagens possuísse uma personalidade que realmente, entre atitudes e pensamento, soavam diferentes um do outro. Robert é calmo e inteligente, consegue ver as coisas com clareza onde qualquer outro só veria o caos. Vittória é tempestuosa, uma típica mulher italiana que não deixa que ninguém a menospreze por ser uma mulher na ciência. E o Carmerlengo é simples e gentil disposto a ajudar e fazer com que vejamos o bem nas mais difíceis situações.

Esse livro sempre será um dos meus favoritos. Não importando quantos anos passem será sempre o livro que não só me surpreendeu. Mas também me fez questionar a vida e aquilo que julgamos ser o bem e o mal: o anjo e o demônio.

Beijos. Até o próximo post.

۩۞۩───── ✧ ───── ۩۞۩

PS: Você sabia que Anjos e Demônios, o filme, não foi filmado dentro do Vaticano? Pois é. Devido o escândalo ocorrido dentro da igreja depois do filme O Código Da Vinci a igreja proibiu a entrada das câmeras de filmagem no lugar para proibir o uso dos domínios da igreja como set de gravação. Desse modo, o filme foi filmado em estúdio e também com projeções gráficas. Para você ver como a igreja é rancorosa as vezes. Antes que alguém diga algo, eu sou católica.