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(Algo à Ver) – Para Todos Os Garotos Que Eu Já Amei – Susan Johnson

As vezes, simplesmente não faz seu estilo ver filmes de adaptações porque você sente que vai se decepcionar. Outras, é tão impossível não assistir que tudo que você quer é rever um milhão de vezes. Mês passado, na Netflix lançou Para Todos Os Garotos Que Já Amei vulgo, Lara Jean. Baseado no livro homônimo de Jenny Han, claro que estávamos todos ansiosos por essa adaptação. Mas para não contrariar minha mania de descobrir coisas muito tempo depois que o restante do mundo, assisti o longa semana passada e agora me arrependo bastante de não ter feito isso antes.

Título: Para Todos Os Garotos Que Já Amei | Título original: For All Boys I Loved| Diretor: Susan Johnson | Elenco: Lara Condor, Noah Centineo e Israel Broussard| Distribuição: Netflix | Duração: 99m| Ano: 2018 | Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬

toalltheboys_vertical-main_pre_usSinopse: Lara Jean (Lana Condor) guarda suas cartas de amor em uma caixa azul que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Quando essas cartas são misteriosamente enviadas aos destinatários, a vida de Lara Jean vira do avesso pois o ex-namorado de sua irmã é também a recebe e a garota não sabe o que fazer. Mas uma proposta de alguém inesperado, faz com que Lara Jean não somente encontre coragem para tomar o rumo de sua própria vida, como também o amor que jamais imaginou ser possível.

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Em meio a tantos filmes baseados em livros que nós gostaríamos de fechar os olhos e esquecer, Para Todos Os Garotos Os Garotos Que Eu Já Amei é uma prova que mesmo com sutis mudanças o espírito de uma obra pode se manter em adaptações. Pois toda fofura, todos os sentimentos e todas os medos de Lara Jean são mostrados com graça e leveza. E acredito que estes seja o pontos mais positivos da película, tanto para a atuação de Lana Condor quanto para a produção de elenco.

Esse foi meu primeiro contato com Lana Condor. Muito embora a atriz tenha o rosto conhecido por sua interpretação na franquia X-Men, essa foi a primeira vez que a notei. Lara Jean sempre foi uma queridinha dos livros para mim por não ser extraordinária ou subestimável como é o típico das adolescentes do gênero, mas por ser ela mesma pura e completamente. Condor traduz o espírito da nossa Laranjinha e mais fofo que isso seria impossível. Mesmo que no longa todos os seus medos apareçam pouco explorados em termos dialógicos, é no gestual que Lana os transmite nos aproximando de sua protagonista. Ela é Lara Jean.

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Além de Lana, os outros personagens brilharam no filme com atuações dignas de nota. Começando por Peter Kavinsky (Noah Centineo), fiquei um tanto abismada com ele no filme e mais apaixonada pelo rapaz que nos livros (mas meu coração ainda é do John). Noah deu vida a Peter com a serenidade, a macheza e o romantismo próprios do rapaz.

E também não podemos esquecer da família da Lara Jean que fica no top-top do personagens favoritos. O pai da Lara Jean, Dan (John Corbett que eu tenho uma queda desde Casamento Grego eu sou velha assim) que foi meigo e incrível com a filha sendo o exemplo de pai que todos queremos ter. Margot e Kitty que apesar de eu não gostar de ambas, ainda sim foram bem interessantes pelos contrastes que deram ao filme. Além disso, foi legal perceber como a família influencia na personalidade Lara Jean.

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Para Todos Os Garotos Que Eu Já Amei foi um filme bem fofo, clichê do gênero mas que atinge todas as expectativas. Muito embora modificado, toda a essência da obra de Jenny Han está presente e não é atoa que a obra tenha virado um fenômeno entre todos que assistiram e que logo a Netflix tenha anunciado a continuação. Espero ansiosamente por P. S. Ainda Amo Você e pela chegada do meu incrível John Ambrose McLaren.

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(Algo À Ver) Com Amor, Simon – Greg Berlanti

Assistir Love, Simon não era exatamente um grande plano.. Vejam bem, eu gosto de ver adaptações de livros para cinema, contudo, não quanto se trata de Young Adult ou New Adult. Isso porque normalmente acho os filmes do gênero bastante chatos pela pouca ação e previsibilidade do enredo. Mas ao ver esse filme, fui fisgada de uma maneira que não esperava. Divertido, Com Amor, Simon capturou a essência do livro de Becky Albertali e transformou em algo ainda maior.

Título: Com Amor, Simon | Título original: Love, Simon | Diretor: Greg Berlanti | Elenco: Nick Robinson, Jennifer Garner, Josh Duhamel e  Katherine Langford | Distribuição:  Fox Film do Brasil| Duração: 109m | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤

com-amor-simonSinopseAos 17 anos, Simon Spier (Nick Robinson) aparentemente leva uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: nunca revelou ser gay para sua família e amigos. Um dia quando decidi trocar confidencias com um anonimo da escola, Simon começa a se apaixonar. Mas tudo fica complicado, quando colega de Simon descobre seu segredo e decidi chantageá-lo para que ele ajude a conquistar uma de suas amigas. A partir daí Simon começa a se questionar o quanto é válido manter esse segredo e quais são as implicações disso acima daqueles que ele mais ama.

A medida que os anos vão passando e a sociedade lentamente evoluí, as representações ganham mais força onde antes parecia impossível. Ver um filme chegar aos cinemas com pum protagonista talvez seja maior prova disso. Com tato, sutileza e uma grande proximidade com os jovens que não somente são homossexuais mas que se vêem jogados dentro de uma vida que não desejam, Com Amor, Simon cumpre um papel de grande importância para retratar a obviedade da validação de toda as formas de amor.

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O filme possui uma narrativa bastante clássica. Primeiro somos apresentados amistosamente aos protagonistas, que tem prerrogativas comuns aos de sua idade. Em seguida conhecemos o segredo de Simon, o início de sua paixão e o erro que levou a sua chantagem. Tudo isso, sendo colocado de maneira simples em termos de luz, texturas e sonoplastia. Sem carregações a efeitos visuais e cores vibrantes, o diretor Greg Berlanti deixa claro que o foco do filme será Simon e todas as dúvidas que envolvem se revelar ou não. Acredito que isto, e o roteiro foram meus pontos favoritos na narrativa. Porque tive a grande percepção que o diretor mostrou que Simon não é diferente de outro adolescente por ser gay. Mas sim um garoto capaz de de se apaixonar como todos os outros.

Eu nunca antes havia tido contato com Nick Robison, bem como com a maioria dos personagens (exceto os pais de Simon). E devo admitir que alguns deles foram bastante surpreendentes. Nick, que dá vida ao Simon é bastante carismático e encantador. O jovem ator tem domínio de suas emoções transformando-se em Simon e garantindo nossa amizade ao protagonista. Já Katherine Langford foi a que mais se destacou como a insegura Leah. Não posso dizer que esse foi seu melhor trabalho, mas posso confirmar que  atriz tem potencial para se destacar mais no cinema. Pois seu texto não chega a ser totalmente imprevisível ou difícil e mesmo assim a atriz consegue dar um toque de vida e graça a sua personagem.

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Outro ponto que me chamou bastante a atenção, foi a família de Simon. Na maior parte das vezes, os relacionamentos familiares costumam ser meu ponto principal em obras sejam em livros e filmes. Por isso, ver a interação de Simon com seus pais e irmã foi emocionante e de certo modo avassalador. Emily (Jennifer Gardner) representa a mãe que só deseja a felicidade do filho, independente de suas escolhas. Já Jack (Josh Duhamel) é o pai másculo que tem que aprender a aceitar seu filho e o continuar amando por mais que pareça difícil aceitar quem ele é.

Com Amor, Simon foi um filme reflexivo que agora eu me arrepende de ter demorado quatro meses para assistir. Levantando questões importantes com a seriedade necessária, a adaptação do livro de Becky Albertalli foi surpreendentemente bem feita. Um filme que quebra tabus, que dá força aqueles que se encontram na mesma situação e demonstra que todos nós estamos aptos a viver uma grande e inesquecível história de amor.

(Algo À Ver) Os Incríveis 2 – Brad Bird

Quem me conhece, sabe que eu tenho um amor incondicional por animações. Não importa qual seja, basta ter uma boa história que é capaz dela entrar na minha lista de favoritos. Mas apesar disso, acredite ou não, esta leitora-cinéfila que vos fala, não esperou 14 anos pela continuação de Os Incríveis contrariando a perspectiva geral. Isso porquê, diferente da maioria das pessoas, não faço questão de continuações quando os primeiros filmes são realmente muito bons.

O motivo é o evite de decepções, já que – a não ser em raras exceções – elas estão atreladas a nostalgia. Se por um lado as lembranças de um bom filme nos faz pensar nele com carinho, por outro também implica em uma inevitável comparação. E muito embora eu não tenha detestado a continuação mais esperada do ano no mundo das animações, também não posso dizer que ela superou a sua origem.

Título: OS Incríveis 2 | Título original: The Incredibles | Direção:  Brad Bird | Duração: 119m | Ano: 2018 | Distribuição: Walt Disney Pixar Studios | Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬

y3EEb7o6NxK0pl0WsOswCos663y.jpgSinopse: No segundo filme de Os Incríveis, a família Pêra esta ameaçada pelas mesmas questões que os levaram a se esconder. As pessoas acreditam não precisam de heróis que causam mais destruição do que salvamentos. Quando tudo parece estar indo por água abaixo, Helena é chamada de volta para lutar contra o crime como a super heroína Mulher-Elástica. Desse modo, caberá ao seu marido, Roberto, a tarefa de cuidar das crianças, especialmente o bebê Zezé. O que ele não esperava era que o caçula da família também tivesse poderes, tornando sua tarefa ainda mais complicada. Além disso, Roberto não deixa de se perguntar se realmente sua missão é cuidar das crianças e não sair por aí salvando o mundo. 

Os estúdios da Pixar ao longo dos anos, têm demonstrado uma característica que parece faltar aos outros: são apaixonados pelo que fazem e sempre almejam traçar o seu melhor. Mas o que diferencia a Pixar dos demais é capacidade quase inata que têm de levantarem críticas sociais através dos gestuais infantis. Com sagacidade e sutileza, Os Incriveis 2 retrata um bom número de levantes contra a humanidade e o que ela está se tornando. As duas maiores são o preconceito e o machismo enraizados em qualquer lugar, mesmo entre as mais poderosas pessoas.

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A premissa inicial do filme é uma velha conhecida, ainda mais se você é fã da Marvel ou DC Comics. Os heróis não são bem vistos pela sociedade, mas sim rechaçados pelas suas diferenças que não deixam de ser meramente culpa da biologia. Num mundo governado por pessoas comuns, tudo aquilo que é diferente é rebaixado a inferior. Por esse motivo, a família Pêra precisa se esconder e viver uma vida simples sem demonstrar seus poderes. Afinal de contas, a sociedade ao qual almejam proteger não está interessada em ficar a mercê daqueles que não podem controlar.

Baseada nessa primeira crítica, que é a premissa geral da história, surge a segunda. Helena é chamada para trabalhar como Mulher-Elástica e assim, quem sabe, conseguir restaurar a legalidade dos heróis. O problema é Beto que não fica satisfeito pela esposa estar trabalhando de modo que ele tenha que ficar em casa e cuidar das crianças. Então a Pixar inverte a situação apresentada no primeiro filme para acompanhar o ciclo revolucionário atual das questões de gênero. Se antes Beto era o herói-protagonista, hoje Helena que desempenha essa função e caberá ao marido (seu forte e imponente marido) cuidar de Violeta, Flecha e Zezé. É seguro dizer que a Pixar vai ainda mais longe do mero machismo que envolve toda a questão de quem trabalha vs quem sustenta a casa: o diretor, Brad Bird, procura demonstrar que as tarefas domésticas são igualmente difíceis ao salvamento da pátria, o que é comumente tratado como algo fácil. Com isso, Bird demonstra que os papeis de esposa e marido são igualitários, não sendo o gênero que influencia sobre eles.

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O filme se equilibra entre as cenas de ação e vida cotidiana. A qualidade técnica da obra é impressionante. Com uma boa mistura de cores e texturas, o filme garante ótimos efeitos visuais acompanhado de uma bela sonoplastia. Mas muito a qualidade técnica deva ser louvada, o mesmo não pode-se dizer do roteiro que apresenta uma única falha, porém bastante considerável.

A apresentação do vilão tem se tornado batida. Ou você introduz de cara o personagem  malvado (a exemplo de A Origem dos Guardiões), ou a pessoa gentil se mostra como vil. Tal obviedade aparece nessa película – mas não irei afirmar qual – o que reduz a surpresa para o comum retirando parte da magia. Contudo, isso não é suficiente para tirar todo o encanto da obra, apenas para deixar um certo sabor amargo misturado ao doce total.

Os dois principais personagens de alívio cômico, o bebê Zezé e a estilista Edna Moda, tem pouca participação dentro do enredo principal, mas não considero isso um problema. Em mais uma comparação, Edna se assemelha aos Minions presentes em Meu Malvado Favorito (Universal Pictures). Sua graça esta em roubar a cena. Tanto que no primeiro filme sua aparição minúscula fez sucesso pelas frases icônicas e a irreverencia. Já Zezé, que pelo teaser sabíamos que teria mais destaque nessa película que na anterior, aparece bastante mas não de maneira fundamental ao enredo. Entretanto, a posição de Zezé na história pode ser facilmente alegada pela sua idade. Zezé não passa de um bebê de modo que não devemos esperar uma decisão incrivelmente inteligente  e estratégica de sua parte.

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Outro ponto que merece destaque é a dublagem brasileira. Certas piadas que foram realizadas pelo roteiro original não seriam tão facilmente entendidas pelos nacionais. Deve-se lembrar que o público alvo da Pixar é também o infantil de modo que piadas sobre o Texas e a Oprah não fariam muito sentido pra maioria nossas crianças (e para boa parte dos adultos também). Dessa maneira, posso dizer que foi uma decisão acertada da dublagem em mudar o sentido original e torna-la mais próxima dos receptores garantindo o lado cômico que envolve a obra.

Os Incríveis 2 não foi a melhor das continuações, mas ainda sim vale super a pena assistir pelas criticas sociais, piadas, cenas de ação e até mesmo pela nostalgia. O filme não surpreende, mas também não foi uma decepção. Os Incriveis 2 consegue, pelo bem e pelo mau, ser muito mais que apenas extramente divertido.

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(Algo À Ver) Estrelas Além do Tempo – Theodore Melfi

Assistir filmes que retratam períodos históricos marcantes quase sempre me demonstra certo comodismo pela falta da busca de sair do esteriótipo das cargas dramáticas. Filmes como estes chegam aos montes e logo são esquecidos seja pela falta de talento dos diretores e roteiristas seja pela simploriedade das atuações. A questão que alcança barreiras e ultrapassa o esquecimento  para o cinema e para qualquer história nunca foram os sobreviventes, mas sim os guerreiros incapazes de abaixar a cabeça. Por esse motivo, é certo afirmar que Estrelas Além do Tempo é um filme que consegue se tornar maior do que uma mera crítica pois não somente a realiza, como cria pontes para que nós como pessoas, independente do sexo ou cor, possamos ter a coragem de lutar por aquilo que queremos e acreditamos. 

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Titulo: Estrelas Além do Tempo
Titulo Original: Hidden Figures
Diretor: Theodore Melfi
Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe
Distribuição: Fox Filme do Brasil
Duração:
167m
Ano: 2017
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬

 

Sra. Mitchel: Sabe Dorothy… ao contrário do que possa pensar eu não tenho nada contra vocês.
Dorothy: Eu sei… que você provavelmente acredita nisto. 

Ambientados nos anos 1961, Estrelas Além do Tempo baseado no livro homônimo de Margot  Lee Shetterly, e narra a história de três mulheres brilhantes que trabalharam na NASA durante o período da Guerra Fria e a corrida espacial. Em termos narrativos, a produção realizada por Melfi é excelente e consegue transmitir os aspectos principais da trama. A fotografia aliada a trilha sonora, que mesmo em silêncio consegue transmitir grandes emoções, transformam a simplicidade de cores e efeitos em algo extraordinário. Chega ser até estranho perceber como tão poucos efeitos ainda conseguem se sobressair a um mundo cinematográfico dominado por explosões e magia sobre-humana. Mas com sua simplicidade carismática e som impecável, o filme se manisfesta para dar destaque ao principal normalmente esquecido pelas grandes produções: a história.

cms-image-000538694Apesar do claro foco em Katherine Goble (Henson) e sua luta para ser reconhecida em um terrenos de homens brancos (no sentido mais pejorativo da expressão), o filme é feliz em conciliar a história de três mulheres em sua grande trajetória pelo destaque naquilo que são naturalmente boas e capazes. Mary (Monaé) quer se tornar engenheira mas para isso precisa estudar em uma escola apenas para brancos. Já Dorothy (Spencer) deseja apenas ser afirmada no cargo que já trabalha, pois mesmo fazendo o ofício de um supervisor o departamento não consegue perceber isso e nem acreditar no potencial da mulher. Mesmo seguindo uma linha de raciocínio óbvia que converge para maneira mais correta de contar determinada história, Melfi ao não introduzir nada realmente novo no filme deixa a cargo de suas três protagonistas a leva do filme à algo mais. Com atuações impecáveis, a força e a inteligência dessas três mulheres é mostrada para que os espectadores absorvam não somente as críticas como a coragem que elas apresentam.

estrelas-alc3a9m-do-tempo-2.jpgO grande trunfo do filme são as atuações que por todo o elenco arrecadaram momento inesquecíveis. Taraji P. Henson é extraordinária em criar uma personagem forte ao mesmo tempo que precisa se submeter aos desmandos da sociedade. De forma nem um pouco caricata de piedismos ou arrogância, Henson demonstra uma Katherine forte e precisa com trejeitos que expressam sua coragem em todos os lugares. Janelle Monaé foi uma grande surpresa para mim, pois mesmo nunca tendo atuado antes (a mulher fez nome como cantora) apresentou um bom domínio de suas emoções ao dar vida a Mary. Já Octavia Spencer que é uma das minhas queridinhas desde seu papel como Minnie em Histórias Cruzadas, mais uma vez conseguiu ser resplandecente. De todas as personagens, Dorothy foi sem dúvida a minha favorita e muito se deve a atuação de Spencer e seu olhar penetrante que conseguiu ultrapassar a quarta parece e tocar meu coração.

005 Kirsten Dunst as Vivian MitchellAlém das três protagonistas, Kevin Costner e Kristen Dunst merecem destaque por seus papeis, principalmente nossa eterna Mary Jane. Antes, já havia tido contato com Costner personificando homens de terno, inteligentes e impactantes, mas perceber Kristen usar a máscara de dureza e preconceito da sra. Mitchel foi bastante interessante, pois mesmo tendo consciência do seu potencial como atriz, nada que tenha feito antes demonstrou isso. Posso dizer que Dunst conseguiu se sobressair encontrando uma ponte para mostrar que pode ser muito mais que uma mocinha indefesa.

Estrelas Alem do Tempo é uma obra emocionante sobre força, luta e feminismo. Não digo que é o melhor filme com tema central sobre racismo que eu assisto, mas sim que é um filme que não deve ser ignorado. Com um bom roteiro e atuações excepcionais, essa obra nos leva a refletir quais são os maiores desafios de nossa vida e o quanto nos estamos dispostos a arriscar para enfrentá-los. 

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(Algo à Ver) Três Anúncios Para Um Crime – Martin McDonagh

Existem filmes que você demora a assistir seja por medo de decepção, seja porque a história em primeiro momento não seja tão atrativa quanto deveria. Ao ver a sinopse de Três Anúncios Para Um Crime alguns meses atrás essas duas prerrogativas estavam pairando sob a filme. Mas agora, após ver a película e perceber a grandeza do filme de Martin McDonagh, estou com aquela sensação de que já deveria ter feito isso há muitos meses.

Tres Anuncios Para Um CrimeTitulo: Três Anúncios Para Um Crime
Titulo Original:  Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Diretor: Martin McDonagh
Elenco: Frances McDormandWoody Harrelson e Sam Rockwell
Duração: 116 m
Ano: 2018
Distribuição: Fox Films
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬 ❤

Se enganará quem pensar em assistir esse filme como um excelente suspense de tirar o folego com cenas impactantes de lutas e tiroteios. Pois apesar de poder ser exaltado como excelente, se não um dos melhores filmes do ano, Três Anúncios Para Um Crime vai muito além das aparências sendo construído sobre o drama afim de ressaltar o poder quer a dor, em todos os sentidos da palavra, tem fazer das pessoas tornarem-se reféns do ódio.

O filme se passa em uma pequena pacata cidade do Missouri no sul dos Estados Unidos e conhecido por ser um estado de grande conservadorismo, fato que influencia diretamente dentro da trama. A trajetória a ser explorada é a saga de uma mãe, Mildred Hayes (Frances McDormand), que inconformada com o modo relapso(?) que a polícia vem tratando o caso de estrupo e assassinato de sua filha sete meses antes decidi cobrar mais efetividade do departamento alugando três outdoors em uma estrada pouco movimentada explanando o caso. Fato que influencia diretamente no trabalho do chefe Bill Willoughby (Woody Harrelson) e de seu companheiro Jason Dixon (Sam Rockwell).

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Mildred Hayes (Frances McDormand)

Apesar da certa obviedade de todo o contexto da trama, o filme é comovente pela saga que se propõe e consegue apresentar em dualidades impostas naquilo que podemos chamar de certo ou errado. Os diálogos, as expressões e a sonoplastia ajudam a criar um filme de grandes proporções que deixa a cargo do espectador decidir quem está com a razão ou mesmo se ela existe. Porque apesar de nós podermos enxergar precisamente os desejos de uma mãe ferrenha em encontrar e prender o assassino de sua filha, também adquirimos empatia pelos policiais, em especial o chefe Willoughby, que estão de mãos atadas por todas as burocracias que envolvem a investigação. De modo que muito antes de ser um filme de suspense, pois sim ele existe no contexto geral da trama, o drama é claro logo nos primeiros minutos ao mostrar que não se trata de encontrar um assassino e sim ir profundamente para além dos sentimentos daqueles que foram marcados pelo meio em qual vivem.

Nunca antes eu tinha assistido um filme estrelado por McDormand, então posso não estar muito segura de afirmar que esse tenha sido seu papel mais marcante porque simplesmente me deixou com a sensação de necessitar de figurinhas e canecas com seu rosto estampado. Dando vida a Hayes de uma forma implacável, a atriz personifica a personagem tomando para si todas suas emoções. Mesmo quando não abre a boca, os sentimentos ficam estampados sob as rugas de seu rosto. É como se aquilo que marcou sua personagem tivesse lhe marcado também, logo, deixamos de ver apenas um filme e vemos verdadeiramente a história daquela mulher.

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Bill Willoughby (Woody Harrelson) e Hayes.

Falando em atuações extraordinárias é impossível criticar esse filme sem citar Sam Rockwell que foi um coadjuvante com veias de protagonistas. Acredito que tenha sido o personagem com mais variações dentro da trama e que carregou muitos significados consigo. Sendo um policial racista e violento, seu personagem tem exatamente todas as características das quais ao longo dos anos vem se criticando em termos comportamentais dos oficiais americanos. Mas ao invés de roteirizar um vilão, os roteiristas demonstram o começo de sua redenção. Jason Dixon é levado a perceber que o ódio que carrega no peito nunca será capaz de levá-lo a lugar. Lição que nele fica mais clara do que em Hayes, muito embora ambas não chegam a ser conclusivas pelo filme.

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Jason Dixon (Sam Rockwell)

Pela solução apresentada em no filme para toda a questão de ódio e racismo, houve muitas polêmicas em torno da obra quanto a facilidade que tudo foi resolvido. Afinal de contas, estamos falando de décadas opressão que parecem ser solucionadas em duas horas. Mas ao contrário do que muitos pensam, o filme não é conclusivo e muito menos solucionador. É um filme que mostra um caminho a ser seguido, não necessariamente o único que é capaz disso. Basta observar a trajetória de Dixon e perceber que apesar de seus ensinamentos, o homem não parece totalmente convencido. E é nesse instante que entra o brilhantismo do filme que se encontra no que é dito entrelinhas e nas indagações que são direcionadas ao expectador.

Três Anúncios Para Um Crime é um filme emocionante que com certeza entrará para a lista de melhores filmes do ano e da minha vida. Intenso, cheio de perguntas e de atuações memoráveis, o filme é extraordinário e não deve ser ignorado ou subestimado. Mesmo sendo inconclusivo, acreditem quando digo isso para mim é um problema e tanto, o filme não peca por que sua natureza não é ter todas as respostas, mas sim direcionar todas as perguntas.

 

 

( Resenha ) Os 27 Crushes de Molly – Becky Albertalli

Quem nunca se apaixonou e ficou com medo de se declarar que atire a primeira pedra. Em Os 27 Crushes de Molly, Becky Albertalli vai te cativar com a sutileza de uma história sobre amadurecimento, amor e muita representatividade.

os 27 crushes de mollyTítulo: Os 27 Crushes de Molly
Título original: The Upside of Unrequited
Autora: Becky Albertalli
Editora: Intrínseca
Páginas:
Ano: 2017
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Molly já viveu muitas paixões, mas só dentro de sua cabeça. E foi assim que, aos dezessete anos, a menina acumulou vinte e seis crushes. Embora sua irmã gêmea, Cassie, viva dizendo que ela precisa ser mais corajosa, Molly não consegue suportar a possibilidade de levar um fora. Então age com muito cuidado. Como ela diz, garotas gordas sempre têm que ser cautelosas. Tudo muda quando Cassie começa a namorar Mina, e Molly pela primeira vez tem que lidar com uma solidão implacável e sentimentos muito conflitantes. Por sorte, um dos melhores amigos de Mina é um garoto hipster, fofo e lindo, o vigésimo sétimo crush perfeito e talvez até um futuro namorado. Se Molly finalmente se arriscar e se envolver com ele, pode dar seu primeiro beijo e ainda se reaproximar da irmã. Só tem um problema, que atende pelo nome de Reid Wertheim, o garoto com quem Molly trabalha. Ele é meio esquisito. Ele gosta de Tolkien. Ele vai a feiras medievais. Ele usa tênis brancos ridículos. Molly jamais, em hipótese alguma, se apaixonaria por ele. Certo? Em Os 27 Crushes de Molly, a perspicácia, a delicadeza e o senso de humor de Becky Albertalli nos conquistam mais uma vez, em uma história sobre amizade, amadurecimento e, claro, aquele friozinho na barriga que só um crush pode provocar.

É uma coisa bem incrível não se importar de verdade com o que as pessoas pensam de você. Muita gente diz que não se importa. Ou age como se não se importasse. Mas acho que a maioria se importa muito. Eu sei que eu me importo.

Nunca fui o tipo de pessoa que se prende totalmente à representatividade como marco de toda obra. Não me entenda mal, não é que não ache importante, mas apenas creio que não seja o mais importante. Principalmente porque sempre percebo que acabamos por perder o real significado de representar. Explicando melhor: no meu ponto de vista, o simbolismo deve ser colocado de maneira natural, sem estardalhaço. Pois quando ao contrário, torna-se forçado e o contexto parece ser reduzido. Não estamos mais falando de uma história de superação que consequentemente se torna um manifesto de igualdade, mas passamos a ver a obra como uma procuração que tem o sentido apenas de representar. Exemplificando, depois do lançamento do filme Pantera Negra vi muitas pessoas comentando ser o melhor filme da Marvel por conta disto, afinal pela primeira vez tínhamos um herói negro nas telonas. Mais uma vez não é que eu considere inválido o argumento, mas sinceramente, Pantera Negra não devia ser o melhor filme porque apresenta a melhor história?

Nunca contei para ninguém, nem para minhas mães e para Cassie, mas é o que me dá mais medo: não ter importância. Existir em um mundo que não liga para quem eu sou. É um outro nível de solidão.

Partindo desse princípio, quando comecei a ler Os 27 Crushes de Molly, já sabia que se tratava da história de uma mulher acima do peso ideal (isso existe?), por isso havia me preparado para uma revolução em favor da quebra de determinados tabus. Mas para minha grata surpresa, Becky Albertalli chega com uma narrativa cheia de sutilezas. Ela não cria aquele plot twist de início, mas sim situações reais que tem o propósito de nos mostrar que somos todos humanos de carne e osso. Podemos passar pelas mesma situações e ter os mesmos sentimentos. Não será nossa aparência que determina se somos capazes disso ou daquilo, muito menos de orientação sexual. Ao criar um livro cheio de representatividade, Becky Albertalli não impõe nada por conta dela, mas sim expõe a normalidade que todos deveriam saber.

Odeio estar pensando nisso. Odeio odiar meu corpo. Na verdade, nem odeio meu corpo. Só fico com medo de todo mundo odiar. Porque garotas gordinhas não têm namorados e claro que não fazem sexo. Não nos filmes, não de verdade, a não ser que seja piada. E eu não quero ser piada.

Quando Becky começa seu livro, deixa claro que não estamos falando de uma obra surpreendente cheia de drama adolescente, mas sim de uma história dotada de conflitos que todo adolescente sente, principalmente os mais inseguros. Na época que eu fazia ensino médio, apesar de não ser gorda, nunca me considerei exatamente bonita: era magrela de mais, buchuda de mais (sim as duas coisas existem juntas!), cabelo alto de mais. No entanto nada disso me impediu de ter meus crushes, que apesar de não serem 27, foram paixonites importantes, mas eu também nunca tive coragem de falar com nenhum deles. Dessa forma, ao conhecer Molly me identifiquei facilmente com ela por conta da Jessica do passado. Nós duas achávamos que nunca nos apaixonaríamos e, apesar de sermos felizes assim, queríamos saber qual era a sensação. Não é questão de ser dependente de romance, mas sim de querer ter um tipo de sentimento que parece que todo mundo a sua volta tem menos você.

Passo muito tempo pensando em amor e beijos e namorados e todas as outras coisas para as quais as feministas não tinham que dar muita bola. E eu sou feminista. Mas não sei. Tenho dezessete anos e só quero saber como é beijar alguém.

Pelo fato de ter me visto na protagonista (de uma forma que poucas vezes, ou mesmo nunca, havia acontecido) me conectei a obra ao fundo. Tanto pelo fator inicial de insegurança quanto pela trajetória da personagem para ganhar auto-confiança. Mais uma vez, Becky é sútil ao evoluir sua personagem sem nunca mudá-la. Para tanto, Molly  vai aos poucos percebendo as qualidades que possui entendendo que de modo que o amor não virá apesar de ser gorda, mas sim ciente e acima disto aceitando-a. Afinal de contas, o corpo é só uma casca e muitas outras coisas a definem não existindo motivo para Molly ser rejeitada, ainda mais por padrões de sociedade que nem sequer deveriam existir.

Tem alguma coisa em momentos assim, quando esse fiozinho tênue me liga a um total estranho. É o tipo de coisa que faz o universo parecer menor. Adoro isso.

Outro ponto que me fez amar o livro foram os personagens secundários que realmente fizeram a diferença no enredo. Realmente detesto livros em que os secundários vêm apenas para encher linguiça. Quando li Simon Vs A Agenda do Homosapiens  meu incômodo com foi a criação de tantos personagens que acabaram não tendo relevância no contexto principal. Como que para corrigir seu erro, Becky não perde ninguém e demonstra como a amizade e a família são importantes para a aceitação de si mesmo. Nadine e Patty (mães de Molly e Cassie geradas por meio da proveta) são lésbicas (obviamente né, Jéssica?) evidenciam o primeiro passo: se aceitar e ser feliz sozinhos. Reid (crushe 27) revela o segundo: somente aquele que nos aceita merece estar em nosso amor. E Cassie, Mina, OliviaAbby (lembra dela em Simon?) apresentam o  último sobre amizade e o modo com o qual elas nos mantém de pé.

A amizade é assim: nem sempre é determinada pelo que as pessoas têm em comum.

De todas as maneiras que consigo pensar, Os 27 Crushes de Molly foi um livro espetacular, diria que é um dos melhores livros no gênero e da vida. Becky Albertalli não se prende ao esteriótipo e nem sequer trata seus personagens como absolutamente especiais por apenas serem diferente. Somos naturalmente divergentes um dos outros devemos entender e respeitar isso, mas sobretudo nos aceitar e sermos felizes pela abundância de vida refletida em nós.

( Algo À Ver ) Viva: A Vida É Uma Festa

Eu sou apaixonada por animações e não canso de repetir isso. Feitos para tocar o coração, estes filmes conseguem me fazer chorar e rir como nenhum outro. Ao assistir Viva: A Vida É Uma Festa da Disney & Pixar transbordei em emoções pelo alto nivel de apresentação da animação. Com todas as caracteristicas necessárias,  Lee Unkrich e Adrian Molina conseguiram não somente abrir espaço a outras culturas, como também surpreender pela forma simples e cheia de vida que o universo da morte apresenta.

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Titulo: Viva: A Vida É Uma Festa
Titulo Original: Coco
Diretores: Lee Unkrich e Adrian Molina
Distribuição: Disney & Pixar
Duração: 105m
Ano: 2017
Avaliação: 🎬🎬🎬🎬🎬❤

Sinopse: Miguel é um garotinho que nasceu em uma família que vê a música como destruição por conta de seus antepassados. Mesmo assim, o maior sonho do menino é ser um grande músico como seu ídolo Ernesto De La Cruz. No dia dos Mortos, de tradição simbólica no México, Miguel é acaba sendo levado a este mundo. Em busca não só de sua vida, como tamém de seus sonhos, Miguel parte em uma jornada que vai mudar toda sua vida.

A morte é um tema pouco retratado em animações. Quando o feito, normalmente vem daquele modo caricato meio tolo sem tanta profundidade. Contudo, os produtores de Viva: A Vida É Uma Festa conseguiram dar um tom a mais ao retratar a morte nos mais variados aspectos sem nunca perder a leveza, afinal de contas, Viva é – antes de tudo – um filme criado para mundo infantil. De certo modo, os diretores conseguiram suavizar o assunto mostrando que a morte é apenas o passo seguinte e que ficamos vivos na mente daqueles que nos amam. Foi extraordinário perceber toda a poesia, música e afeto familiar no enredo que ajudou a construir uma boa metafora sobre o que podemos esperar da vida após a morte.

viva-capaAo entrar no mundo dos mortos, Miguel entra em contato com seus antepassados e consequentemente com as verdades que fizeram sua familia tanto detestar a música. Isso deu ao filme um tom que foge do lado emocional e encontra-se mais com a razão, pois apesar de querer fugir da morte, Miguel não pretende abandonar seus sonhos para tanto. Aqui surge uma das peças mais importantes na construção do enredo da animação, o não desistir de alguma coisas aliado ao encontro daquilo que é mais importante. Apesar da lição do filme ser um tanto caricata, a sutileza com que os produtores a determinam , os espectadores conseguem absorver com naturalidade essa questão. Não é mais um clichê, mas sim algo concreto que realmente viva-filme-6faz parte das nossas vidas.

A fotografia do filme é espetacular. Desde o mundo dos vivos ao dos mortos, existe um misto de cores que auxilia na criação da misticidade e felicidade do filme. Houve o uso de um conjunto destoante de cores para impressionar o espectador. Não existe aqui aquela vontade de criar um mundo mais realitico possivel, mas sim idealizar uma fotografia que retrate sentimentos. Bem como a sonoplastia que não se atem a preencher silêncios com melodias infinitamente melosas, mas deixando-o falar por si mesmo e consequentemente tocando o coração.

Não posso dizer que Viva é o filme mais inovador dos ultimos tempos, mas sim que ele cumpre aquilo que se dispõe. Eu mesma não consegui segurar as lágrimas no fim da cessão que tocou minha alma pela sutileza e pelo amor envolvido na trama. É um filme que retrata a morte em todas suas camadas, mas principalmente quem somos e o que estamos dispostos a fazer por lutar pelo que desejamos e por quem amamos.

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( Algo À Ver ) O Touro Ferdinando · Carlos Saldanha

Sou do tipo de pessoa que não pensa duas vezes antes de ver uma animação no cinema. O Touro Ferdinando é um clássico da literatura infantil, mas eu nunca havia visto sua história ser contada. Dessa forma, ao ver o cartaz da animação fiquei super empolgada para assistir. E com certeza o filme se provou melhor que a encomenda sendo emocionante na medida certa.

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Titulo: O Touro Ferdinando
Título Original: Ferdinand
Diretor: Carlos Saldanha
Elenco: John Cena, Lily Day, Raul Sparza e Jerrod Carmichael
Duração: 108 mins
Distribuição: Blues Sky Studios
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬

Sinopse: Ferdinando é um touro com um temperamento calmo e tranquilo, que prefere se sentar embaixo de uma árvore e relaxar ao invés de correr por aí bufando e batendo cabeça em outros como ele. Morando num centro que prepara touros de luta, Ferdinando que não deseja tornar-se um lutador. Ele vê sua vida destroçada quando seu pai é morto durante uma tourada. Assustado, Ferdinando foge indo para em uma fazenda de flores. Neste lugar pacífico, a medida em que vai crescendo se torna um animal forte e grande, mas com o mesmo pensamento de paz. Mas em um dia que deveria ser feliz, tudo sai de modo desastroso e Ferdinando acaba sendo mandado de volta para o centro onde nasceu. Em meio a disputas, tudo que Ferdinando deseja é voltar para seu verdadeiro lar, mas será que vai conseguir?

touroCarlos Saldanha é um grande diretor responsável por animações de sucesso como Rio e A Era do Gelo. Seus dois filmes anteriores foram maravilhosos dignos de grandes holofotes. Mas apesar do sucesso anterior, pode-se dizer que Saldanha atingiu o ápice com O Touro Ferdinando onde renovou uma história antiga em um tom perfeito de magia que a animação pedia. De todas as formas que consigo pensar, o longa conseguiu impactar entrando para o time das minhas animações favoritas. Entre tantas coisas que fizeram deste um filme espetacular, a mensagem passada deixou marcas profundas aos seus espectadores.

Antes de mais nada, criar uma animação é uma tarefa para os fortes.  Todas as cenas precisam passar uma mensagem de modo que os elementos que a compõe precisam unir-se para formar um bom cenário. Através das cores, os produtores do filme impuseram duas metades da história se encontram. Foi bem interessante perceber como as nuances de tons representavam os opostos que foram trabalhados no filme: de um lado a vivacidade da paz e de outro a sobriedade da luta. Dessa forma, os detalhes ajudaram — mesmo que de modo quase imperceptível — a compôr um mundo dividido por duas escolhas pequenas, mas bastante significativas.

1Por falar em escolhas, Ferdinando precisou constantemente fazer a sua. De um lado, ele pode ser um grande touro de luta como todos os outros e do outro ser apenas um touro que gosta de flores. Dessa maneira, em vários momentos existem tensões que servem para mostrar a todos o quão diferentes somos dos outros e como não há nada de ruim nisso. A medida que Ferdinando amadurece, nós espectadores amadurecemos junto com ele. O rito de passagem de Ferdinando é quase um grito mostrando o verdadeiro significado de fazer a diferença. Dessa forma, apesar da mensagem batida tão repetida ao longo da história do cinema, o touro Ferdinando tem um roteiro de raiar original sobre ser aceito mesmo quando tudo esta do contra.

O filme que brinca com os opostos, traz um personagem um tanto icônico para as telonas. Ferdinando é grande, maciço e que deveria parecer amendrontador quando na verdade tem o espírito delicado. É um personagem carismático e cheio de vida que nos contempla com reflexões profundas mesmo quando em silêncio. Aliás, como não se impressionar com a qualdade do roteiro e trilha sonora? Em diversos momentos do filme, a sintonia de ambos os elementos é admirável. Os produtores não pesaram a mão em emoções de falas ou música, mas deixaram o silêncio tomar forma para trazer os diferentes sentimentos ao expectador como que por conta própria.

jlwfqferdinando.pngMas dentre todos os papeis que O Touro Ferdinando assume, a alfinetada contra os toureiros talvez seja a mais importante. Considerada por varias autoridades (e por mim) uma das mais violentas formas de maltratos aos animais, as Touradas são duramente criticadas no filme que procura demonstrar que não existe embate entre touro e toureiro, mas sim um espetáculo que o animal não tem a mínima chance de vencer. É de causar repúdio ver as cenas que mostram o modo impiedoso com o qual estes animais são tratados.

O Touro Ferdindando foi um filme de contextos. Acredito que deva ser muito difícil assisti-lo sem absolver nenhuma grande lição das tantas que ele passa. Um filme que é destinado a todas as idades pois mesmos os pequenos entenderam o motivo da obra ter sido criada. Foi uma animação espetacular que super indico a todos, quer gostem de animação quer não.

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( Algo À Ver ) Jumanji: Bem Vindo A Selva

Olá Corujinhas. Fazia muito tempo que eu não fazia resenha de filmes para voces, mas desse em especial não podia simplesmente ignorar. Jumanji foi um filme que marcou minha infância na época em que eu nem sabia direito o que era um jogo. Com atuação de Robin Williams (eternamente: isto fica feliz em ser útil)  e um enredo envolvente, o filme do jogo de tabuleiro que se tornava real era um dos meus favoritos.  Por esse motivo e apesar de todo meu ser me dizer que não era uma boa ideia, que decidi assistir a  sua continuação tantos anos depois. E devo dizer que apesar de não ter amado a película com todas as minhas forças, com certeza o sentimento de nostalgia me fez gostar bastante da minha aventura no cinema.

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Título: Jumanji – Bem Vindo A Selva
Direção: Jake Kasdan
Roteiro: Scott Rosenberg, Jeff Pinkner, Erik Sommers e Chris McKenna
Distribuição:  Sony Pictures
Elenco: Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart e Karen Gillian
Ano: 2018
Avaliação: 🎬 🎬 🎬

Jumanji: Bem Vindo A Selva conta história de quatro jovens que são deixados em detenção por mau comportamento na escola. Cumprindo o castigo, encontram um game antigo. Mas quando começam o jogo, são sugados para dentro do mundo digital tomando a forma de seus avatares. De modo a recriar um genérico sobre aventura e comédia, cada um dos adolescentes vira o seu oposto. O nerd vira o fortão (Dwayne Johnson); o fortão vira uma versão franzina de si mesmo (Kevin Hart); a gostosona da turma vira um homem gordo (Jack Black); e a nerd da turma se torna a gostosona (Karen Gillian). E assim, agora personificados e dentro do lugar mais perigoso de todos, os quatro precisam descobrir como se tornar uma ótima equipe para conseguir completar todas as fases do jogo e assim retornar as suas vidas. Desse modo, o que deveria ser apenas uma brincadeira se torna mortal, pois se morrerem em Jumanji morreram para sempre.

Em um misto de comédia e aventura, o filme não consegue equilibrar de forma satisfatória os dois viés que poderia seguir. Optando muito mais pela comédia, as cenas de ações acabam perdidas no contexto deixando essa lado da película com um sentimento frustante. Mesmo sendo rodeado de explosões, lutas e tiros, o filme não perde um segundo para a piada não abrindo espaço para a tensão que cenas como esta precisavam.  Apesar de gostar bastante dessa proposta mais bem humorada, não pude deixar de sentir falta da incerteza que deveria traçar uma boa dose de suspense na trama.

Mas esse foi o único ponto que o filme pecou com força. A história apesar de não original é bem desenvolvida e os personagens carismáticos, a exceção de Kevin Hart que como sempre passou uma sensação forçada. Contudo, Jack BlackDwayne Johson brilham dando forma a personagens típicos mas bastante carismáticos sendo o segredo para o sucesso do filme que não se leva a serio.

O novo Jumanji não traz questões reflexivas sobre tecnologia ou juventude, apenas uma boa diversão com bastante besteirol. Uma dica é você não tentar fazer comparações com o primeiro filme, pois esse segue um caminho bem diferente. Não deixa de ser uma boa diversão, mas também não vai muito além disso.

( Algo À Ver ) Pantera Negra – Ryan Coogler

Assistir filmes no cinema é uma paixão, mas estréias não são para mim. Apesar disso, ontem contemplei o filme Pantera Negra com o coração afoito pois o esperei durante boa parte do ano passado. Se tornando o mais ambicioso dos filmes da Marvel, este teve o enredo que a muito esperávamos para os filmes da produtora. Seriedade e principalmente uma boa história que vai muito além do clássico para os filmes de heróis.image

Título: Pantera Negra
Título Original: Black Panther
Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordam, Andy Serkei, Lupita Nyong’o, Danai Gurira e Letitia Wride
Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Ryan Coogler
Distribuição: Marvel Comics
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬

Pantera Negra conta a história da cidade secreta de Wakanda, o El-Dorado que todos procuravam através dos tempos pelas riquezas e tecnologias que possui em seu meio. O príncipe herdeiro torna-se rei depois dos acontecimentos de Capitão América: Guerra Cívil quando seu pai foi assassinado em um atentado terrorista, assumindo também os desafios de seu povo. Ao tentar capturar um inimigo do passado, T’Challa (Chadwick Boseman) descobrirá segredos do passado de sua família que poderão mudar tudo em questão de segundos. Um desafio será lançado. Velhos inimigos se tornarão aliados, velhos aliados se tornaram inimigos. E o destino de Wakanda se entreleçara com o do mundo onde qualquer escorregão trará o caos.

A história de Pantera Negra segue um ritmo intenso mesmo que permeado pelas piadocas comuns aos grandes filmes da Marvel Comics. Para quem assistiu Thor: Ragnarok sabe o quão ridículo o excesso de piadas o deixou em um filme que poderia ter sido daqueles. Por isso devo admitir admitir que tinha um pouco de receio de Pantera Negra cometer os mesmo erros do antecessor transformando um herói representante de um mundo, em um engraçadinho com uma coroa. Mas com alegria, informo que houve um belo contrário, onde as cenas cômicas surgiram de modo natural para criar um impacto mais humano sob o protagonistas. T’Challa foi um personagem preparado para ser rei e deve agir como tal, mas isso não exclui seu lado humano que também é cheio de defeitos e medo como todos os outros. Aliado à isso, o humor não destrói o principal da história que precisa da tensão para ser levada à sério apenas a acompanhando e fazendo parte como em diversos momentos da vida. Dessa forma a película teve um efeito anestésico, o mundo parou e o tempo passou voando de tão imersa que fiquei na história.image

Por falar em história, poucas vezes a Marvel conseguiu tornar essenciais todas suas cenas e falas. De um gancho a outro para dar vazão aos acontecimentos, juntas elas se mostraram fortificantes aos contextos do filme. É de se parabenizar o diretor e os roterista Ryan Coogler que usou das 2h15m do longa-metragem com bastante domínio para que nada fosse disperdiçado ou alongado além das dimensões necessária. O enredo que se apoia em ação, emoção e surpreendentemente em política veio com força total para não somente criar herói, mas também para que críticas sociais importantíssimas sejam levantadas. A grande lição do filme é coragem para quebrar barreiras e paradigmas. Quando pudermos fazer alguma coisa devemos fazê-lo pelo mundo mesmo que não recebamos nada mais em troca. Um rei sábio é aquele que pensa no bem de todos não somente dos seus. Não devemos nos fechar as mazelas do mundo porque se não formos nós a salva-lo, em fogo e pólvora ele acabará.

Quando o mundo é tomado pelo caos, um homem inteligente abre as portas enquanto um tolo cria uma muralha ao seu redor.

Em todos esses contextos, o ápice de tudo são as personagens secundários apresentados poie modo muito bem construídos. Apesar de ter gostado bastante de T’Challa tanto em função de sua personalidade como da interpretação de Boseman, os coadjuvantes foram os que mais se destacaram pela individualidade única que possuem. Começando pelo vilões, são diferentes um ao outro como que para se completar. Enquanto o personagem Garra Sônica (Andy Serkei) é o vilão sarcástico que gosta de tirar sarro do herói o tempo todo, Eric Killmonger (Michael B. Jordam) apresenta um caráter determinado pelo passado conturbado. E aqui vale ressaltar o quanto seu ódio é real: Porque não fazer com que o que era escravo se tornar o senhor? Porque se ajoelhar quando você pode dominar? Um ódio cru fundado nas mazelas historicas que nos pertencem e de consequências que nunca tomamos. Além deles, a tríplice feminina apresenta a força que tanto queremos à essas mulheres. Nakia, Okoye e Shuri (Lupita Nyong’o  Danai Gurira e Letitia Wride) dão vida à três mulheres fortes e decidas que seguem seus propósitos sem precisarem abaixar a cabeça ou dependerem do herói. Em seus cinco principais coadjuvantes Pantera Negra deu uma representividade inédita à Marvel. Não pela raça, mas pela força que intrínseca que cada um possuí da verdade verossímil que apresentam.

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Com uma sonosplatia impecável, figurinos marcantes, cultura bem representada e fotografia espetacular, Pantera Negra foi um filme muito ambicioso que deixa um gostinho de quero mais. Com um início digno à história do herói, abre uma porta perfeita para a continuação ainda melhor. Com todos os elementos necessários o filme se torna um marco na história, mas principalmente nessa época de filmes em que tantos homens e mulheres capazes de salvar o mundo por apresentar muito mais que o desejo “puro” de ajudar. Um filme que vale muito à pena de ser visto.

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