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(Resenha) Fúria Vermelha – Pierce Brown – Livro 01

Conheci Fúria Vermelha através da Danii (O Clube do Farol) e mesmo com algumas explicações dela, com certeza eu não estava esperando o que me alcançou ao ler o primeiro livro da trilogia Red Rising. Em um misto de Jogos Vorazes e Percy Jackson, a obra de Pierce Brown apesar de imperfeita, não deve ser ignorada.

Título: Fúria Vermelha | Titulo original: Red Rising| Série:  Red Rising #01| Autor: Pierce Brown| Editora: Globo Livros | Ano: 2014| Páginas; 468 | Avaliação: ⭐⭐⭐⭐ | Encontre: Saraiva | Skoob | Amazon
Fúria Vermelha

Sinopse: Fúria Vermelha é o primeiro volume da trilogia Red Rising, e revive o romance de ficção científica que critica com inteligência a sociedade atual. Em um futuro não tão distante, o homem já colonizou Marte e vive no planeta em uma sociedade definida por castas. Darrow é um dos jovens que vivem na base dessa pirâmide social, escavando túneis subterrâneos a mando do governo, sem ver a luz do sol. Até o dia que percebe que o mundo em que vive é uma mentira, e decide desvendar o que há por trás daquele sistema opressor. Tomado pela vingança e com a ajuda de rebeldes, Darrow vai para a superfície e se infiltra para descobrir a verdade.

A morte não é vazia como você afirma ser. Vazia é a vida sem liberdade, Darrow.  Vazio é viver acorrentado pelo medo, pelo medo das perdas, pelo medo da morte. Digo que a gente precisa romper essas correntes. Rompa as correntes do medo e você estará rompendo as correntes que prendem a gente aos Ouros, à Sociedade

Entre tantos pontos positivos, a narrativa de Pierce Brown é minha única ressalva nesta obra. Muito embora e eu tenha apreço por jogos sangrentos, força avassaladora e sentimentos conflitantes dos quais o autor cumpriu cada um desses pré-requisitos, sua escrita lenta deixou a história cansativa. Momentos de ação são realizados em no máximo duas páginas, enquanto narrativas sobre convívio estendem-se mais do do que o necessário. A união das duas coisas resultou em uma escrita plácida e as vezes irritante, pois não há um crescimento gradual que dificulta a manutenção do foco.

Mas se Brown peca na narrativa, o enredo e os personagens conseguem dar o embalo para que não abandonemos a leitura. É certo afirmar que o livro não tem novidades para com o gênero e talvez grande parte disso seja a época que foi lançada. Estamos falando de uma distopia publicada em 2014, no auge do gênero onde morte, jogos e uma sociedade dividida por castas sociais eram determinantes. Mas quando o autor escreve Fúria Vermelha, não se deixa levar apenas por tais estigmas. Existe uma prerrogativa inevitável na obra que faz o lançamento de seus personagens aos extremos.

O homem não pode ser libertado pela mesma injustiça que o escravizou

Como seres sociais, nós seres humanos temos certas tendencias em acreditar no que a sociedade nos diz, já que nos sentir parte e ser aceito se torna uma espécie de meta. Mas se Matrix serve de exemplo, nem tudo que reluz é ouro, nem todo governo é transparente e nem toda realidade é como vemos. Partindo desse conceito, Brown constrói um mundo perverso rodeado por paredes invisíveis feitas da mentira contada para os vermelhos habitantes de Marte. Somos levados a acreditar em coisas, mas principalmente absorvê-las como cultura.

Só que a mentira não dura para sempre, e quando esta se quebra, surge algo novo no seu lugar. Darrow, protagonista da obra, é um tanto hedonista, mas nem por isso é arrogante ou presunçoso. Ele simplesmente sabe de todas suas forças usando-as ao seu bel prazer. Ao decorrer do livro, Darrow cresce como pessoa e aprende a natureza do ser político, onde extermínio e política não são a mesma coisa.

Entretanto, o grande xeque do livro são os personagens secundários que dão as aparências sociais que o livro necessita para ser mais profundo. Ora, se a sociedade não é aquilo que esperamos para ela, as pessoas também não deve ser. Em suas individualidades, os ouros e vermelhos que margeiam o livro para demonstrar o mais cruel ou o mais gentil. Mustang, Sevro e Cassius foram provavelmente meus personagens favoritos pela audácia que Brown teve em humanizar até seus aspectos mais cruéis.

Vocês não me seguem porque eu sou o mais forte. Pax é o mais forte. Vocês não me seguem porque eu sou o mais inteligente. Mustang é a mais inteligente. Vocês me seguem porque não sabem para onde estão indo. Eu sei.

Fúria Vermelha é uma obra espetacular que deveria ser lida por todas as pessoas. Muito embora encontre-se em uma grande falha, seus méritos não devem ser ignorados, pois Pierce Brown traz uma sociedade que engloba várias ideologias. Fascismo, comunismo e ditadura fazem parte da abordagem do autor. E para o momento que não só o Brasil, mas o mundo tem vivido de intolerância e medo, Fúria Vermelha é um ótimo prenúncio do que podemos virar.

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(Resenha) Corte de Gelo e Estrelas – Livro 3.5 – Sarah J. Maas.

Antes de ler esse livro, estava na minha mente que eu não deveria fazê-lo. Nunca leio livros spin-off de alguma coisa, principalmente quando são voltadas aos mesmos personagens sem trazer nada mais de novo. Mas, quando a oportunidade de Corte de Gelo e Estrelas (ou Corte de Gelo e Luz Estelar no original) eu pensei: porque não? É um livro curto, talvez me surpreenda. Mas a verdade é que estou chocada em ver como a Sarah J. Maas simplesmente deixou que o capitalismo falasse mais alto nos apresentando uma história esdruxula que me arrependo amargamente de ter lido.

Título: Corte de Gelo e Estrelas | Título original: A Court of Frost and Starlight| Série: Corte de Espinhos e Rosas 3.5| Autor: Sarah J. Maas | Editora: Galera Record | Páginas:  238 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ | Encontre: SkoobSaraivaAmazon

ACOFAS_BrasilSinopse: O aguardado spin-off da série Corte de Espinhos e Rosas.
Feyre, Rhys e seu círculo íntimo de amigos ainda estão ocupados reconstruindo a Corte Noturna e tentando manter a paz, conquistada a base de muito esforço e perdas pessoais, após a queda da muralha. Mas o Solstício de Inverno finalmente está próximo e, com isso, um alívio merecido. Compras, festas, celebração e a promessa de dias tranquilos. A atmosfera festiva não consegue, entretanto, impedir que as sombras da guerra se aproximem. Em seu primeiro Solstício como Grã-Senhora, Feyre ainda lidando com os horrores do passado recente, e percebe que seu parceiro e sua família têm mais cicatrizes do que ela esperava – cicatrizes que podem impactar o futuro, e a paz, de sua Corte.

– Você nasceu na noite mais longa do ano. Era seu destino estar ao meu lado desde o começo.

A narrativa de Sarah J. Mass, em termos de escrita ainda é uma das melhores. Apesar da pouca história, a autora consegue prender o leitor até o final do livro e eu diria que esse é um dos poucos méritos de ACOFAS. Se bem que é um eufemismo da minha parte chamar de pouca história o que Sarah fez quando, na verdade, não existe história alguma. Eu não consigo entender como uma autora tão brilhante quanto Sarah escreveu 238  páginas sobre compras e presentes. Sim, porque a história todo – exceto poucos capítulos – é voltada a essa encheção de linguiça.

De primeira, já é assustador o fato que Rhysand deixa Feyre em casa para cuidar de papéis quando ele vai resolver assuntos políticos para além da corte. Apesar de entender que a Sarah estava trilhando responsabilidades diferentes para cada personagem, a escolha de Rhys é misógina que não está nem um pouco próxima ao que ele fez quando a escolheu como sua grã-senhora. E claro que não posso esquecer que foi exatamente o que Tamlin fez com Feyre.

Falando no grão-senhor da Corte Primaveril, se eu posso acrescenta a longa lista de coisas que senti raiva nesse livro foi a maneira com o qual Rhys chutou cachorro-morto. Vejam bem, eu nunca fui exatamente fã do Tamlin nem mesmo quando este era o “mocinho”. Mas acredito que ele deve ter sua chance de redenção ou pelo menos seguir sua vida. De modo, que deveria bastar o fato que Feyre conseguiu com que todos deixassem a Corte Primaveril e Tamlin se encontra em um mausoléu para lidar com sua própria cólera. Então me digam: qual a necessidade do Rhysand ir até lá com um propósito e terminar saindo pisando no Tamlin? É tão incrivelmente mesquinho e completamente arrogante, que boa parte do respeito que tinha pelo Rhysand se foi nesse ponto. Boa parte, porque o resto… Ah! O que dizer do que aconteceu…

“Para a abençoada escuridão da qual cada um de nós nasceu, e para a qual retornaremos algum dia.”

Por falar em Rhys e Feyre, mais ou menos desde Corte de Asas e Ruína já estava um tanto enjoada do casal. Eu amo Feysand (ou amava), mas o propósito da Sarah J. Maas nunca foi exatamente o romance ao meu ver. Ele deveria ser algo a parte, principalmente no terceiro livro quando o foco era a guerra contra o rei de Hybern. Então, ao ler mais sobre o casal em ACOFAS o sentimento de desgosto apenas aumentou. O fato é que Feysand já deu. Sua história já foi encerrada. O foco deveria ser os outros personagens que não tiveram voz nos outros livros.

De modo que minha outra e única parte positiva nesse livro está na narração dos outros personagens que ganharam um pequeno espaço. Morrigan teve dois capítulos e posso dizer que não foram excelentes, mas também não foram desperdiçados. Quero dizer, nós temos um resgate de seus sentimentos em favor do seu passado mais contado por ela que deixam um sabor de quero mais. Já Cassian, que de longe foi o que teve mais destaque com três capítulos, mostrou o que podemos esperar de seu spin-off. Cassian sempre foi meu macho predileto, e porque não? Sua imperfeição e seu jeito sarcástico me soam os mais atrativos pelas camadas que o personagem possui e que não encobrem a perfeição mais algo mais denso e mais intrigante que isso.

“Ela rasgou a escuridão com garras e dentes. Dilacerou e destruiu. A escuridão eterna ao redor dela estremeceu e se debateu. Ela riu enquanto aquele poder tentava recuar.”

Mas foi Nestha que fez tudo valer a pena. Nestha sempre foi minha personagem favorita por tudo que pode trazer para a história, por todo enredo que tem emaranhado em suas entranhas. Ela é forte de uma maneira que ninguém é pois carrega dentro de si a escuridão desde antes de ser Feita. Em um único capítulo, Nestha me desfez em pedaços e me reconstruiu para que eu amasse ainda mais; para que eu a quisesse protegê-la de tudo, mas principalmente de todos. Porque, pelo Caldeirão, como o ódio me consumiu a cada vez que Feyre e Rhys se referiam a ela. Principalmente Feyre.

No segundo livro, Feyre sofreu como uma condenada pela dor absolvia depois do acontecido Sob A Montanha. Mas agora, quando sua irmã precisa dela ela se mostra incapaz de ajudar. Nestha, talvez não mereça ajuda pelo modo como a tratou em cada um dos volumes. Mas ela merece pelo menos respeito à sua dor, ao que viu, ao que sentiu. Em cada uma de suas aparições era gritante que como Nestha implorava por ajuda, mas estavam todos tão envolvidos com suas próprias felicidades, Feyre tão disposta a ignorar os sentimentos da Nestha para ter o seu feriado perfeito, que ela foi ignorada. .

E sinceramente, acho que não vou mencionar o preview que teve do próximo livro porque é capaz de eu cometer um crime de ódio contra Maas. Pois o pior de tudo é a ironia do fato que Feyre acusou Tamlin de tê-la tratado como sua propriedade e é exatamente isso que ela faz com a Nestha, se aproveitando do fato que a irmã precisa do dinheiro dela para compeli-la a fazer coisas que não deseja.

Corte de Gelo e Estrelas foi uma leitura amarga. Uma fanfic teria sido melhor. De todas as maneiras que consigo pensar, Feysand perdeu meu respeito. A melhor parte da obra foi o que não era dessa história, pois dar uma espiada no primeiro capítulo de “Nessian” valeu pelo gosto do que está por vir. Eu só espero que Feysand não volte a narrar e que minha Nestha, minha querida e poderosa Nestha, obtenha toda a glória, toda vingança e toda felicidade que ela merece.

“Cassian nomeara pelo menos doze poses para Nesta até aquele momento. Começando em Eu Vou Comer Seus Olhos no Café-da-Manhã até Eu Não Quero que Cassian Saiba que Estou Lendo Livros Eróticos. A última era sua favorita.”

(Resenha) Corte de Asas e Ruína – Sarah J. Maas – Livro 03

Corte de Asas e Ruína.é o desfecho de uma história e um prelúdio para as outras que virão. Existe guerra, existe amor, existe dor. O anseio pelo que está por vir é só a ponta do iceberg para o verdadeiro caos de emoções que é sua história. E Sarah J Maas mostra porque é um das autoras mais amadas da atualidade.

Título: Corte de Asas e Ruína | Título Orginal: A Court Of Wins And Ruins | Série: Corte de Espinhos e Rosas #03 | Autora: Sarah J Maas | Editora: Galera Record |Ano: 2017 | Avaliação:  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

sssssssssssssssssssSinopse: O terceiro volume da série best-seller Corte de Espinhos e Rosas, da mesma autora da saga Trono de Vidro em “Corte de Asas e Ruína” a guerra se aproxima, um conflito que promete devastar Prythian. Em meio à Corte Primaveril, num perigoso jogo de intrigas e mentiras, a Grã-Senhora da Corte Noturna esconde seu laço de parceria e sua verdadeira lealdade. Tamlin está fazendo acordos com o invasor, Jurian recuperou suas forças e as rainhas humanas prometem se alinhar aos desejos de Hybern em troca de imortalidade. Enquanto isso Feyre e seus amigos precisam aprender em quais Grãos-Senhores confiar, e procurar aliados nos mais improváveis lugares. Porém, a Quebradora da Maldição ainda tem uma ou duas cartas na manga antes que sua ilha queime.

“Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

O que me faz gostar dos livros de Sarah J. Maas é a narrativa carregada de sentimentos. Certas vezes, fico impressionada com sua capacidade de nos fazer sentir como parte do seu mundo por conta das descrições e do modo com o qual os sentimentos são postos. Muito embora neste livro tenha percebido uma leve procrastinação da autora, ainda sim a escrita foi esplêndida para me manter viva na leitura. Foram dois dias intensos, e eu me lembro perfeitamente — mesmo depois de meses de ter lido — da necessidade que sempre precisar de mais da obra. Dormir, foi um martírio pois minha mente voltava aos acontecimentos e as surpresas que estavam por vir.

– A grande alegria e honra de minha vida foi conhecê-los. Chamar vocês de minha família. E sou grato, mais do que posso expressar, por ter recebido esse tempo com vocês.

Dentro da escrita, uma das minhas partes favoritas é o fato de Sarah usar o constante intertexto em suas páginas. A autora consegue trilhar caminhos diferentes para histórias que já conhecemos. Nas costas do livro, e como uma arma utilizada por Feyre contra o rei de Hybern, o espelho de Ourobouro é o nome dado ao mesmo objeto na Branca de Neve (espelho, espelho meu…) que ganha um novo sentido na narrativa. Outro é a história da rainha Vassa que sofreu uma maldição que a transforma em um mulher durante e um pássaro de fogo durante a noite, relembrando outra história famosa eternizada pela Disney. Isso, pode parecer estranho, mas ajuda na hora da construção do sentido do texto que não foi explicado. E claro me faz soltar uns Ahs! de administração para a criatividade da autora.

Além disso, podemos encontrar no texto um crescimento gradual da narrativa com o resgate das pequenas coisas. Os minúsculos fatos costumam ser perdidos em séries muito grandes pois novos acontecimentos são inseridos à todo momento. Quando o resgate acontece, soa genial pelo sentido que toda leitura valeu a pena. Tudo faz sentido e todas as peças são encaixadas.  A série de Maas, principalmente este último livro é uma prova de que tais resgastes são essenciais as obras, pois ao mesmo tempo que Sarah expõe um novo acontecimento ela o liga à um do passado conectando a história e todas as outras que vieram póstumas a ela.

“Sempre considerei a morte como um tipo de boas-vindas pacífico; uma cantiga doce e triste que me atrairia para o que quer que esperasse depois.”

Mas como nem tudo nesse livro foram flores, tenho que admitir que um dos meus pontos favoritos, também e controversamente, foi um dos seus pecados. A narrativa de Sarah muitas vezes perdeu o tino pela inserção de momentos que não eram exatamente necessários à história. O principal é quantidade alucinante de cenas de sexo. Acredito que já tenha comentado que romance em fantasias não é meu foco pela perda de história para adição de tal prerrogativa. Mesmo gostando de Feysand, em Corte de Asas e Ruína a perda não é diferente mas no sentido de tempo. Considerando que estamos falando de guerra, uma tensão surgida após  a firmação do romance entre Feyre e Rhysand no livro anterior, as cenas de sexo me pareceram forçadas no contexto da história pela falta de necessidade. Exceto quando Feyre retorna para casa, a continuidade de cenas do tipo foi enjoativa e olha que eu amo (ou amava) o casal Feysand. Mas aqui não acredito que cabia. Tanto, que se retirarmos as cenas de sexo o livro diminuiria pelo menos umas cem páginas e tornaria a leitura mais fluída e sagaz.

 “Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

Outras cem seriam facilmente cortadas se não fosse a adição de outra coisa supérflua a narrativa de Feyre aprendendo a voar. Mas Jessica, issoo é interessante? Claro que é, contanto que tenha papel na ativo no enredo, pois do contrário, torna-se apenas uma informação à mais como um tipo de aposto: esta lá, mas não era necessário.  Pois eu não me lembro — se tiver por favor me diga nos comentários — dessa situação de vôo aparecer em batalha ou de algum modo pertinente ao enredo. Se não considerarmos a história que Azriel conta a Feyre em uma de suas aulas (que cá entre nós, poderia sim ter sido feito em outra situação) estas foram encheção de linguiça. Mas, talvez eu só seja antipática mesmo.

“Se Rhysand era a Noite Triunfante, eu era a estrela que só brilhava graças a sua escuridão, a luz apenas visível por sua causa.”

Retornando aos pontos positivos, o romance de Feysand atingiu um bom nível de cumplicidade nessa obra, mas e é separadamente que Rhysand e Feyre ganham meu coração. Muito embora não costume gostar de personagens perfeitos, Rhysand é um macho que gostaria de ter em minha vida como amigo. Inteligente e justo, Rhys é um retrato do heroico de quando o amor é existe ele pode se manifestar de vários modos. Já Feyre terminar sua jornada para abraçar o poder que conquistou nas obras anteriores. É fantástico perceber como Feyre cresceu. Se em ACOTAR Feyre era uma garota assustada e em ACOMAF um projeto de Girl Power, em ACOMAF Feyre encontra sua verdadeira força ao se tornar uma mulher poderosa. Sua construção foi feita tijolo por tijolo e esse é o principal crédito da trilogia como um todo. Em tempo onde as Girls Powers nascem da arrogância e da síndrome estou-certa-e-você-errado, ver uma força sendo construída e não jogada é sensacional.

– Apenas você pode decidir o que a destrói, Quebradora da Maldição

E igualmente a construção de Feyre e Rhysand, os outros personagens foram dignamente tomados. Morrigan e Azriel não enchem meus olhos, mas assim como o que é referente a Lucien possuo certa expectativa do que suas amarguradas histórias ainda podem revelar. Elain… Bom, o que dizer de Elain? Bom… Sendo absolutamente sincera acho-a um tanto sonsa, mas não tenho sentimentos negativos ou positivos com ela. A verdade é que se olharmos para as irmãs de Feyre quando as duas se recusaram a ajudar a irmã, Nestha por ser mais grossa recebe os créditos da ruindade. Mas Elain faz a mesma coisa mas é relevada por sua doçura, o que ao meu ver, e como se ela se fizesse de sonsa (cadê o emoji levantando os braços quando a gente precisa.)

“Se Elain era uma flor naquele acampamento de guerra, então Nestha… ela era uma espada recém-forjada, esperando para tirar sangue.”

E por falar em Nestha, como não amar Nestha e tudo que essa personagem pode trazer? A minha protagonista — percebam o nível do meu amor — é tudo que eu espero e mais um pouco sempre me surpreendendo. Nesse livro, esta ainda mais impressionante audaciosa. Marcada pelo caldeirão e com uma família quebrada mais refeita, Nestha provoca sem revelar muito sobre si. Sua esfera de poder é ao mesmo tempo a cruz que carrega. E mesmo que não possa dizer que não a entenda, ainda sim posso falar que absolvi o seu ódio como meu. Nestha é fogo, ódio e dor. É ressentimento, amor e medo. É tudo é não é nada. E cada vez que a leio, me encontro capaz de chorar pela sua complexidade. Eu preciso de mais de Nestha Archeron, de todas as maneiras que Maas puder me dar.

“Cassian estava avaliando Nesta, um brilho em seus olhos que eu só podia interpretar como um guerreiro encontrando-se diante de um novo e interessante oponente.”

Por tudo isto, posso dizer que Corte de Asas e Ruínas é um marco na minha vida. Em breve serão lançados spin-offs para completar os arcos de cada personagem. Claro que o livro de Nestha e Cassian é o mais aguardado para mim, mas espero gostar de todos os volumes que estão por vir. Sarah J. Maas é uma das melhores escritoras de seu tempo, e espero ansiosamente por mais e mais dela.

 

( Resenha ) Lirio Azul, Azul Lírio – Maggie Stiefwather – Livro 03

A série Os Garotos Corvos está fazendo parte da minha vida de uma maneira marcante. Quando li o primeiro livro da série, eu sabia que essa leitura seria diferente de tudo aquilo que conheci. Mas Maggie Stiefvater conseguiu ir além e provar que as histórias não precisam ser iguais, e que o simples pode se tornar extraordinário.

Está resenha não conterá spoilers do livro anterior.
Para isso pule a sinopse.
Titulo: Lírio Azul, Azul Lirio | Título Original : Li | Série: Os Garotos Corvos 02 |Autora: Maggie Stiefvater| Editora Galera Record| Ano: 2016 | Avaliação ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐️ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir (1)Sinopse: Blue Sargent encontrou coisas. Pela primeira vez na vida, ela tem amigos em quem pode confiar e um grupo ao qual pertencer. Os garotos corvos a acolheram como se ela fosse um deles. Os infortúnios deles tornaram-se dela e vice-versa. O problema de coisas encontradas, porém, é a facilidade com que podem se perder. Amigos podem trair. Mães podem desaparecer. Visões podem iludir. Certezas podem se desfazer. Em Lírio azul, azul lírio, o leitor vai descobrir para onde Blue, Gansey, Adam, Ronan e Noah serão levados em sua jornada para encontrar o lendário rei galês Glendower.

 

O coração de um covarde não é um prêmio, mas o homem de valor merece o seu capacete reluzente.

A série iniciada em Os Garotos Corvos e continuada em Ladrões de Sonhos, ganha novos ares. Existem certos determinantes que podem nos fazer gostar ou não de uma determinada série. Para mim, a renovação dos contextos sempre é um ponto favorável, pois a mesmice costuma ser enfadonha. De modo que é sempre bom encontrar autores que não somente tenham coragem de criar, mas que também possam recria-las e transforma-las em algo maior.

Nesse terceiro livro, Maggie Stiefvater reune os aspectos principais das obras anteriores. Pegando como exemplo três peças importante apresentadas no livro um, podemos notar a maldição de Blue Sargent ainda existe, o espírito de liderança de Gansey III está presente e o atormentado Adam Parrish continua em dubiedade para o bem ou para o mal. Mas se antes nós tínhamos coisas comuns a medida do possível, agora absolvemos concepções mais abrangentes das “tarefas” que permeiam cada um. Blue quer enfretar seu destino. Gansey que ser bem mais que o líder. E Adam não está disposto a ser condenado com tanta facilidade. Temos Ronan Lynch sem parte da rebeldia pelo entendimento de que o mundo não é só seu. E o doce Noah Czern tem muito mais a oferecer que um espírito sem cor. Dessa forma, Maggie refaz cada personagem e cada segredo para que a imprevisibilidade seja parte de seu mundo.

Mas tal recontagem, não impõe dizer que os desenvolvimentos realizados nos volumes anteriores são perdidos, mas sim refeitos à novos significados. Nas resenha de Ladrões de Sonhos, havia comentado que Maggie criou duas obras que não tinham relação uma com a outra de uma forma mais geral. Isso porque a autora cria em nos livros anteriores construções. Como se os outros fossem os alicerces da casa que será construída.

Ao dar vida a Lírio Azul, Azul Lírio, Maggie estabelece pontos convergentes a história. O principal deles é ver que os grupo d’Os Garotos Corvos e Blue Sargent estão se tornando uma coisa só. Suas ações parecem sincronizadas e como a própria autora diz: eles estão apaixonados uns pelos outros, de modo que suas vidas estão entrelaçadas. A amizade está mais forte do que nunca mesmo com todos os empecilhos que surgem em seu caminho.

Como se não bastasse tudo isso, Maggie ainda trabalha com a quebra dos esteriótipos. O garoto rico não busca uma meta por não ter uma família que não o ama. O rapaz gay não é a alma mais alegre do grupo (vale ressaltar que a Maggie trabalho muito bem a sexualidade nesse livro). A menina feminista não é uma arrogante que acredita não precisar de ajuda para nada. O cara que tem uma família cruel não é o bandido, até porque a maldade não está perfeitamente definida.

Dessa forma, com todos esses elementos aliados a personagens secundários inesquecíveis (mulheres da Rua Fox, 300 eu amo vocês) Maggie Stiefvater cria uma obra espetacular. Ela mostra ao leitor que segredos e finais bombástico não são tudos dentro de uma obra. Com uma narrativa poderosa e envolvente, a autora abre portas para um quarto livro que promete ultrapassar as vias do magnífico.

Amizade do tipo inabalável. Uma amizade que você podia contar para valer. Que poderia passar pelas maiores dificuldades e voltar mais forte que antes.

( Resenha ) As Crônicas Lunares – Marissa Meyer

Oii amores. Essa resenha vai ser um pouco diferente do que normalmente eu faço. Como vocês podem perceber, será relacionada a uma série completa de livros e não referente a cada componente dela. O motivo de estar fazendo desse modo é a percepção que adquiri sobre As Crônicas Lunares que cada livro está intimamente relacionado ao anterior, tanto de um ponto de vista de história quanto de um ponto de vista de personagens. Explicando melhor: o que acontece em Cinder influencia na história de Scarlet que influencia na história de Cress que se finaliza na história de Winter. Desse modo, seria impossivel fazer resenha desses livros sem dar spoiler do anterior. Assim, mesmo sabendo que essa resenha vai ficar um tanto longa, também vai ser spoiler free como bem gostamos.

Titulos: Cinder, Scarlet, Cress e WinterSérie: As Crônicas LunaresAutora: Marissa MeyerEditora: RoccoPáginas: 448, 480, 496 e 688 Anos: 2013, 2014, 2015 e 2016 | Avaliação:  ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤

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“Uma garota. Uma máquina. Uma aberração.”
– CINDER –

A  série As Cronicas Lunares é uma releitura dos clássicos contos-de-fadas que todos conhecemos. Acredito que tenha sido uma das poucas séries dentro desse contexto de releitura que realmente tenha usado as histórias originais e não os filmes Disney como base para sua construção. Assim, estamos lidando com novas versões (e põe novas nisso!) de Cinderella, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel e Branca de Neve. Um dos pontos mais atrativos desses livros, foi justamente a capacidade da autora de recriar um mundo conhecido em algo completamente novo. De certo modo, eu diria que Marissa se equipara a J. K. Rowling nesse sentido de inovação. Ambas as autoras usam de bases batidas (no caso de Rowling o mundo mágico e Marissa contos-de-fada), mas colocam sob roupagens novas que as deixam inesquecíveis. Por isso, se você pretende ler o livro de Meyer, não fique com medo de encontrar mais do mesmo pois a autora vai te surpreender em diversas raias diferentes.

“Tudo que Cinder sempre quis foi liberdade. Liberdade da madrasta e de suas regras dominadoras. Liberdade de uma vida de trabalho constante sem nenhum reconhecimento. Liberdade dos olhares de desprezo e palavras de ódio de estranhos que não confiavam na garota ciborgue. Agora, conquistara a liberdade, mas não era nem um pouco como tinha imaginado.”
– SCARLET – 

A narrativa não poderia ser mais encantadora e forte. Por estar lidando com um novo universo que praticamente não tem semelhanças com o nosso, a autora equilibra a narrativa entre sentimentos, ações e explicações para manter o nível de mistério sem nunca jogar uma grande quantidade de informações em cima do leitor. Assim os livros ganham bastante fluidez pois concentram-se no que é relevante e não expõe o leitor ao marasmo que normalmente poderíamos encontrar em livros tão grandes. Além disso, a narrativa além de ser flúida, ela também cresce de modo grandativo cheio de conexões de um livro para outro. Basta dizer que os livros ganham massa a medida que novos personagens são inseridos. Não estamos falando sobre personagens inseridos simplesmente para encher tigela, mas sim de personagens relevantes que completam o sentido da história que está sendo contada, sejam eles vilões, sejam eles mocinhos. 

“Cress se sentia um pássaro cujas asas foram cortadas e que foi jogado em uma gaiola, mais uma gaiola, nojenta e podre. Ela viveu em uma gaiola a vida toda. De alguma forma, nunca esperou encontrar uma horrível assim na Terra.”
– CRESS

Em relação aos personagens é possível enxergar nesse livro a quantidade de referencias aos clássicos originais que realmente os insere nessa gama, mas mesmo assim com quantidade significativa de mudança que os torna para além da releitura. Nós temos uma Cinderella que não precisa de fada madrinha para ser corajosa. Uma Chapeuzinho que não é tão facilmente enganada pelo lobo mau. Uma Rapunzel sonhadora presa em um satélite. Uma Branca de Neve negra que é bondosa não porque nasceu assim, mas por ter percebido os horrores que poderia causar se usasse seus dons para o mal. Além disto, desta transgressão de personalidade, a autora enlaça as histórias das protagonistas com coragem para mudar o rumo delas pelas mãos da amizade, muito além do amor. Eu achei fantástico perceber que não estamos lidando com garotas bobinhas, mas sim mulheres fortes que tomaram muitos “socos” da vida para dependerem dos outros. Mesmo Cress que sonha em viver um romance de novela é corajosa quando o momento lhe pede para ser. 

“Ela teve esperança de que o incidente fosse passar despercebido. Mas devia ter sabido. A esperança era a ferramenta do tolo.”
– WINTER –

Cinder
Capa vietnamita.

Cinder foi um começo excepcional para uma série maravilhosa. O livro em si tem menos história e menos surpresa que os outros, mas por ser introdutório da história da “personagem principal” eu diria que foi um choque perceber o quão além a autora poderia ir. A personagem que dá nome ao enredo foi minha segunda favorita. Forte e determinada, Cinder representa a garota que não se entrega as ilusões da vida. Ela não fica refém de uma determinada situação, mas se torna alguém que busca a melhor maneira de contorna-la usando a criatividade e inteligência para sair dela. 

Scarlet
Capa vietnamita.

Scarlet em termos de obra foi uma ótima continuação que teve plots twists na medida certa mantendo alinhado tanto ao novo enfoque do enredo como ao que se deu do livro passado. Apesar disso, Scarlet não foi um de meus livros favoritos muito devido a personagem que dá nome a obra. A protagonista Scarlet para mim foi intragável. Dona de uma personalidade que acredito que a autora desejava que fosse forte, tive um encontro com Scarlet que mais me deixou com raiva do que impressionada. Diferente de Cinder, Scarlet é bastante presunçosa e me lembra bastante as mocinhas dos YA que normalmente tem um nariz empinado e que sempre me remetem a infantilidade. Isso que me fez pegar ranço da protagonista, logo eu torci o nariz toda vez que ela entrava em jogo. 

Cress
Capa vietnamita.

Cress tanto como livro como personagem foram meus favoritos. O livro em si foi de constantes reviravoltas além de possuir aquela que acredito ser a história melhor trabalhada. Com novos segredos e enfim caminhando para algo maior que todas as protagonista juntas. essa obra culminou em uma profusão de sentimentos que me prenderam durante um dia inteiro. Como personagem, Cress simplesmente ganhou meu coração. Sendo a mais ingênua e sonhadora, a loira tinha tudo para ser uma das personagens mais chatas. Mas Cress mostra que timidez não é um fator que coíbe a coragem, mas sim que a propulsiona para lutar por aquilo que acredita. Além de ter sido minha personagem favorita, ela e seu par Thorne foram meus shipps do ano, basicamente. Os dois juntos foram uma explosão de sentimentos. 

Winter
Capa vietnamita

Winter finalizou a série de modo digno. Eu acredito que Meyer não poderia ter feito de uma maneira melhor cheia de surpresas e com muitas reviravoltas. Foi meu segundo favorito da série pela rapidez dos acontecimentos, mas principalmente pela maneira com o qual a autora conseguiu entrelaçar as histórias. Winter como personagem não teve muito destaque, acredito que tenha sido a protagonista que menos apareceu. Mas apesar de estar meio apagada, fez aparições fantásticas sendo o ponto de calmaria no livro. Mesmo em sua loucura, ela representou o equilíbrio para a história. 

“Todos os peões dela se encontravam em posição, e o ataque final estava prestes a começar.”
– WINTER

Com personagens secundários igualmente bem trabalhados e uma vilã digna de ter o título de Rainha Má, Marrissa Meyer parte de uma releitura para criar uma obra inesquecível. Depois de uma semana inteira com esses personagens maravilhosos, eu com certeza voi sentir muita falta desse universo que me conquistou e já entrou para lista das melhores séries que eu li na vida. Uma obra sem falhas, que vai te mostrar realmente o significado de recriar de uma maneira que você nunca viu antes. 

( Resenha ) Ladrões de Sonhos – Maggie Stiefvather – Livro 02

Minhas caras Corujinhas. Existem muitos segredos esperando para serem revelados. Em Ladrões de Sonhos Maggie Stiefvater vai te mostrar que o primeiro passo de tudo é acreditar no inacreditável que tudo pode se tornar possível.

ladrões de sonhos

Titulo: Ladrões de Sonhos
Titulo Original: The Dreams Thieves
Série: A Saga dos Corvos #02
Autora: Maggie Stiefvater
Editora: Verus
Páginas: 429
Ano: 2014
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Ladrões de sonhos, o segundo volume da Saga dos Corvos, traz de volta a imaginação selvagem e as reviravoltas eletrizantes que somente uma autora original como Maggie Stiefvater é capaz de criar. Ao lado de Blue, os garotos corvos — o privilegiado Gansey, o torturado Adam, o espectral Noah e o sombrio e perigoso Ronan — continuam sua busca pelo lendário rei galês Glendower. Mas suas explorações enfrentam um duro contratempo conforme segredos, sonhos e pesadelos começam a enfraquecer a linha ley — um canal invisível de energia que conecta lugares sagrados e que pode levá-los até o rei. Será por isso que a floresta mística de Cabeswater sumiu inexplicavelmente? Quem é o misterioso Homem Cinzento e por que ele está procurando o Greywaren, uma relíquia que permite tirar objetos de sonhos? E o que isso tem a ver com o indecifrável Ronan? Conforme Blue e os garotos corvos procuram respostas a essas e outras questões, o perigo que os envolve se torna cada vez mais real, e será preciso apostar todas as fichas nessa aventura enigmática.

Esta resenha não conterá spoilers do livro anterior.

Com sua narrativa poética e personagens singulares, Maggie Stiefvater conduz um livro diferente de tudo. Aliados as novas descobertas, Os Garotos Corvos possuem um ciclo devastador de mistério, aspereza, amor e solidão traçando caminhos que levam tanto eles como o leitor para além do que se possa imaginar.

Às vezes, algumas raras vezes, um segredo permanece desconhecido porque é algo grande demais para a mente guardar. Estranho demais, vasto demais, aterrorizador demais para ser contemplado. Todos nós temos segredos na vida. Nós os guardamos ou temos alguns guardados de nós, jogamos ou somos jogados. Segredos e baratas — é o que restará no fim de tudo.

Os Garotos Corvos foram evoluídos. Gansey parece mais isolado dos amigos durante sua busca por Glendower, mas isso não o torna frívolo. Eu diria que ele apenas se tornou pensativo pois sua busca se tornou que o desejo pela recompensa e sim pelas verdades que deseja descobrir. Adam que sempre foi um personagem ansiador pelo poder esta divido pela percepção que suas ações podem prejudicar os amigos. De longe, Adam foi o personagem mais forte, que ao tentar lutar contra o passado, prejudica seu futuro mesmo que não precise ser transformado em um vilão para isto. Blue foi um tanto controversa, muito embora continue perspicaz e independente, mas de todos eu diria que foi a que menos cresceu. Noah está instável pela inconstância  da linha ley, mas vai se tornando mais corajoso a medida que o livro passa, o que é surpreendente se levarmos em consideração suas atitudes no volume anterior. Já Ronan é ainda mais imersivo em seu próprio mundo, mas se antes ele parecia ter necessidade de guia agora caminha para uma independência quase que sem limites.

Por esses motivos, meu ponto favorito da história é a peculiaridade dos personagens. Eu poderia completar dizendo que não são clichês do gênero, mas com certeza estaria mentindo. A questão porém não é eles o serem, mas o modo como vão para além disto. É uma visão que você tem do livro anterior mas acredito que só pude ter uma visão clara e aperfeiçoada do que foram os personagens de Maggie durante essa obra. Cada um apresentou uma mudança significativa em sua personalidade que o fez se tornar ainda mais palpável, pois quanto mais denso um determinado personagem se constrói, mais força ele toma dentro da narrativa.

Ele podia se lembrar de toda sorte de nomes para ela agora, e todos pareciam mais adequados. Estrada das fadas. Caminho espiritual. Linha de canções. O velho caminho. Linha de dragões. Caminho dos sonhos. O caminho dos corpos.

Dizer que Maggie Stiefvater tem uma maneira única de contar seria um eufemismo. Ao narrar em terceira pessoa por inúmeros personagens diferentes, a autora sequencia os atos de modo encadeado para que estes se tornem quase que um processo químico onde nada se perde, tudo se transforma. Conceitos que foram apresentados são refeitos. Existe uma redução do que parecia ter sido importante e um aumento aos pequenos detalhes que não havíamos dado importância. É fantástico perceber o crescimento da história, muito embora deva ressaltar que esse segundo livro toma muito mais a característica de obra única do que continuação. Isto porque o foco da história teve uma mudança significativa.

Ao iniciar Ladrões de Sonhos você percebe que o primeiro plano de narrativa não está mais na busca por Glendower, mas sim na revelação feita por Ronan no volume anterior. Eu não tinha maiores explicações do porque havia ocorrido essa mudança de foco, de modo que no início fiquei confusa pois tive a sensação que Maggie havia perdido a linha de raciocínio. Contudo, ao perceber a obra como um todo nata-se que tal mudança foi bastante necessária já que apenas através dela o arco de explicações referentes aos acontecimentos desse volume pudessem serem plenamente concluídos e assim não comprometessem o entendimento geral da saga do leitor.

Em uma postagem no tumblrStiefvater comentou sua saga não havia começado com Os Garotos Corvos e Blue Sargent; mas sim com Ladrões de Sonhos, e Ronan Lynch. Dessa maneira Ladrões de Sonhos é anterior ao primeiro volume da série. Pode parecer estranho que Maggie tenha optado por começar sua saga do segundo volume e então retornar ao primeiro, mas vejo como uma ótima criação de fluidez a saga. O que não foi explicado no primeiro livro é feito no segundo, e o que poderia causar estranheza no leitor neste,  já havia sido devidamente explicado no primeiro. Portanto, estamos lidando com uma obra muito mais estruturada em termos narrativos, conectivos e explicativos que apesar de começar e terminar aqui, é fundamental para compreensão de tudo que já aconteceu e tudo que está por vir.

Naquele momento, Blue estava um pouco apaixonada por todos eles. Pela magia deles. Pela busca deles. Pela voracidade e pela estranheza deles. Seus garotos corvos.

Ladrões de Sonhos foi um livro que mudou minha perspectiva sobre A Saga dos Corvos. Maggie Stiefvater conseguiu dar uma continuação e um recomeço maravilhoso de todos os modos que podemos pensar. Apesar da minha confusão inicial, tudo que foi adicionado deixou um gosto de quero mais. Acredito que a partir desse ponto, essa saga tem tudo para se tornar uma das favoritas da vida. Afinal de contas, tenho a impressão que além das diversas surpresas que esse livro vai me trazer, a narrativa e os personagens devem continuar sendo tão espetacularmente peculiares.

A questão sobre Ronan Lynch, Adam havia descoberto, era que ele não gostava de — ou não conseguia — se expressar com palavras. Então cada emoção tinha de ser soletrada de alguma outra maneira. Um punho, um fogo, uma garrafa. (…) e ele precisava extravasar sozinho com seu corpo. Pela janela traseira, Adam viu Ronan pegar uma pedra no acostamento e jogá-la no mato

( Resenha ) O Rei Demônio – Cinda Williams Chima – Livro 01

Minhas caras Corujinhas. Preparem-se para uma aventura inesquecível. Um prenúncio da grande história que esta por vir. Pois era uma vez um ladrão e uma princesa com segredos escondidos e mistérios em seus corações que prometem abalar os alicerses de seu mundo.

O Rei DemonioTítulo: O Rei Demônio
Título original: The Demon King
Serie: Os Sete Reinos – 01
Autora: Cinda Williams Chima
Editora: Suma das Letras
Páginas: 284
Ano: 2014
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: O jovem ladrão reformado Han Alister é capaz de quase qualquer coisa para garantir o sustento da mãe e da irmã, Mari. Ironicamente, a única coisa valiosa que ele possui não pode ser vendida: largos braceletes de prata, marcados com runas, adornam seus pulsos desde que nasceu. São claramente enfeitiçados — cresceram conforme ele crescia, e o rapaz nunca conseguiu tirá-los. Enquanto isso, Raisa ana’Marianna, princesa herdeira de Torres, enfrenta suas próprias batalhas. Ela poderá se casar ao completar 16 anos, mas ela não está muito interessada em trocar essa liberdade por aulas de etiqueta e bailes esnobes. Almeja ser mais que um enfeite, ela aspira ser como Hanalea, a lendária rainha guerreira que matou o Rei Demônio e salvou o mundo. Em O Rei Demônio, primeiro de quatro livros, os Sete Reinos tremerão quando as vidas de Han e Raissa colidirem nesta série emocionante da autora Cinda Williams Chima.

Há mil anos, havia uma poderosa casa de feiticeiros chamada Casa Waterlow. Sua insígnia era um corvo, e o brasão de feiticeiro era uma serpente enroscada.

Sempre quando você lê a sinopse de uma determinada obra, espera no mínimo que o que está escrito aconteça. Por esse motivo, eu não costumo ler sinopses pois volta e meia uma editora erra de modo considerável na descrição do livro gerando euforia que normalmente resulta  em decepção. Por esse motivo, não levem ao pé da letra o que foi descrito sobre O Rei Demônio já que, apesar de não ser completamente diferente, não faz juz a história de Cinda Williams Chima.

Narrado em terceira pessoa, o livro faz sua narrativa quase que exclusivamente por meio de seus dois personagens principais. Se trata de uma alta fantasia ambientada em um ambiente completamente novo e cheio de magia, mistério e disputas por poder. Dona de uma narrativa única, Chima conduz sua obra de modo que o leitor se sinta envolto por uma camada não somente de descoberta mas também de suspense que vem junto à ela. É uma narrativa muito fácil de lidar, que não é nem carregada nem leve de mais funcionando como um meio termo que nos auxilia a construir cada pedacinho da obra. Mas o mais encantador é que Chima tem o cuidado de fazer com que seu livro flua não se perdendo no tempo da narrativa: há uma construção de acontecimentos evolutivos que são caminhos para o culmino da grande reviravolta final.

Havia algo de malévolo, mas fascinante, naquele amuleto. Ele emanava poder como o calor de um fogão num dia de frio.

Mas o mais encantador dentro da narrativa, foi perceber que, apesar de ser um mundo novo e em quase todos os aspectos que podemos pensar, a autora não tratou o leitor como ingênuo que precisava de explicações em favor de tudo que dizia. Não, ela formou pontos de referência de modo a sempre deixar que o leitor fosse o construtor das significâncias do livro. Assim, a obra perdeu uma parte do quê de obviedade que normalmente é impregnado aos primeiros livros de uma determinada série. Na verdade, ela ganhou outra vertente que é a de conectar verdadeiramente o leitor a obra.

Em relação aos personagens principais, posso dizer que ainda não cai de amores por nenhum muito embora tenha lá minhas preferência. Contudo, existe a liberdade da afirmação que ambos foram muito bem trabalhados para ganharem contexto e ir além dele. Tanto Han com Raisa apresentam características unitárias que os levam a si tornarem personagem bem difundidos dentro da literatura fantástica.  Se Cinda não se prende à enrolação na narrativa, com seus personagens ela além saindo do clichê de heróis de personalidade incorrigível. Não estou dizendo que estamos lidando com anti-heróis ou algo do tipo, mas sim que não estamos presos a personagens que tem tanta preocupação com a honra que esquecem do resto. Pois a autora se prontifica a criar pessoas reais, com sonhos e medos reais, capazes de lutar por eles utilizando de todas as armas que têm. É brilhante perceber que Chima não cria mais do que cada personagem pode oferecer, mas que também luta para que eles tenham o máximo de liberdade que na situação em que vivem podem possuir.

– Uma vocação não é algo que você consegue cobrir ou disfarçar, como uma camada de tinta, e trocar sempre que quiser. Se tentar fazer outra coisa, você fracassa.

A única coisa que me incomodou surgiu nas páginas derradeiras que foi a previsibilidade. Eu sei que disse que a obra perdeu a obviedade, mas naquele sentido, seria como um todo do que esperar das ações dos personagens em determinadas situações. Contudo, para o fechamento do livro em si, a autora optou pelo caminho mais fácil que consequentemente retirou parte do arrebatamento que poderia causar caso o final tivesse sido outro.

Apesar do ponto contrário, gostei bastante do livro como um todo que se tornou uma grande descoberta para mim no gênero fantasia. Mas posso ressaltar que não importa de qual gênero estamos falando, Cinda Williams Chima consegue inovar O Rei Demônio através dele com um pouco de tudo: romance, suspense, e bastante ação são apenas indícios do enredo magnífico que se pode esperar.

“O vale reluzia como uma esmeralda incrustada no alto das montanhas – protegido pelo picos que, diziam, eram as habitações das rainhas das terras altas, mortas havia muito tempo. Era aquecido durante todo o ano pelas fontes termais que borbulhavam sob o solo e irrompiam através de fissuras na terra.”

( Resenha ) Nunca Julgue Uma Dama Pela Aparência – Sarah MacLean – O Clube dos Canalhas – Livro 04

Minhas caras Corujinhas preparem-se para um livro de amores sensuais, mentiras perfeitas e amor à toda prova, pois se existe três coisas que unem os protagonistas deste livro são estas aliadas ao escândalo e a rendenção de dois corações.

Nunca julgue uma dama pela aparenciaTitulo: Nunca Julgue Uma Dama Pela Aparência
Titulo Original: Never Judge A Lady By Her Cover
Autora: Sarah MacLean
Editora: Gutemberg
Páginas: 320
Ano: 2016
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐ ❤
Encontre: SkoobSaraiva  | Amazon

Sinopse: Duncan West, assim como todos os homens, enxerga apenas o que quer… Mas ele estava prestes a ver o que não queria. Para a aristocracia, Lady Georgiana é a pobre irmã de um duque, rejeitada pela família após ter sido arruinada no pior tipo de escândalo possível: uma mulher que fez escolhas infelizes ao entregar-se de corpo e alma para um rapaz que todos desconhecem. Mas a verdade é sempre muito mais chocante! Nos recônditos mais obscuros de Londres, Lady Georgiana é uma das mulheres mais poderosas da cidade fazendo parte da elite do Anjo Caído, o clube mais exclusivo de todo o reino. Circulando disfarçada pelos corredores como a prostituta Anna, ela sabe dos piores segredos dos figurões da sociedade e tem todos os poderosos na palma de sua mão, mas durante anos os seus próprios mistérios nunca foram descobertos… Até agora! Brilhante, inteligente e bonito como o pecado, o jornalista Duncan West está intrigado com a linda mulher – que de alguma forma está ligada a um mundo de trevas e perdição. Ele sabe que Georgiana é muito mais do que parece e promete desvendar todos os seus segredos, expondo seu passado, ameaçando seu presente e arriscando tudo o que ela tem de mais precioso. Inclusive seu coração.

– Eu caso, eu escolho você.
– Quando?
– Agora. Amanhã. Semana que vem. Para sempre.
– Para sempre, eu escolho para sempre.

Antes de começar Nunca Julgue Uma Dama Pela Aparência, um livro que eu já queria ler muito antes dos três anteriores, deixei a série de lado para perder toda a euforia em relação à obra. Esperar de mais sempre é um problema pelo amargo sabor da decepção que vêm quando algo não atende as expectativas. Aliado a isso, no skoob vi várias resenhas negativas em que Sarah MacLean havia criado um livro bem fora da casinha com atitudes discrepantes de seus personagens. De modo que ao ler a obra fiquei não somente surpresa pelo desenrolar da trama, como acho que por estar preparada à tudo fui além das páginas e entendi ainda mais sobre o mundo e a vida de mulheres que viveram naquela época. Ao contrário da decepção que eu esperava, Sarah MacLean me deu um livro maravilhosamente bem escrito que apesar de não ter sido meu favorito da autora, está sim entre os três livros que mais gostei dela.

É inegável dizer que MacLean tem um formato único para modelar suas histórias. Desde os segredos que a envolvem até as criticas que ela faz nunca estamos falando de apenas um romance, mas sim de personalidade, sobre querer ser mais do que a sociedade nos impõe. Desde a época em que a trilogia Os Números do Amor, percebi que Sarah tem um quê de diferente ao trazer seus romances ao mundo. Isto se deve ao fato de suas mocinhas nunca serem dependentes de ninguém, e mesmo quando são sua trajetória é travada para que elas se tornem maiores e mais fortes. Apesar disto, não posso classificar suas personagens como feitas para serem mulheres empoderadas, porque na verdade, elas são feitas para mostrarem os dois lados do ser feminino: a força que toda mulher tem e a vontade de amar e ser amada. Parecem dois sentimentos contraditórios, mas Sarah te mostra que na verdade eles se completam, pois ao oposto do que muitos pensam um não exclui o outro.

 A Sociedade odiava as mais lindas quase tanto quanto odiava as feias. Era a beleza que tornava o escândalo tão envolvente – afinal, se Eva não fosse tão linda, quem sabe a serpente a teria deixado em paz. Mas foi Eva quem se tornou a vilã da história, não a serpente. Assim como era a mulher quem perdia a honra, nunca o homem.

Em livros de época, normalmente não se tem personagens desonradas de acordo com as regras morais da sociedade. Normalmente são mulheres que nunca viveram uma aventura ou querem fazer isso, mas nunca aquelas que já viveram alguma coisa. Um dos grandes diferenciais dessa obra é justamente o fato de Georgiana já ser uma mulher vivida e, como consequência dessa vivência, ter sido duramente rechaçada pela sociedade. Seu propósito então não é viver o amor ou uma aventura, mas se casar para fazer com que a sociedade esqueça o seu amor e sua aventura do passado para que sua filha tenha a oportunidade de se tornar uma bela aristocrata. Pode parecer estranho que Georgiana queira essas coisas, mas partindo do principio que ela vive em um mundo onde o que importa sobre mulheres é quão integra sua virgindade se encontra, não parece existir alternativa razoável para que ela dê à sua filha a vida que esta merece. Chega ser bastante revoltante tal situação, pois, assim como Georgiana esta carregada dos pesos da sociedade, nós mulheres hoje em dia estamos também sujeitas aos olhos do povo. A única diferença é que temos mais liberdade (muito embora esta pareça pouca) para escolhermos a vida que queremos.


Baseando-se nesse contexto que MacLean constrói três pilares para o livro. Em primeiro plano, Georgiana quer ser mais forte e mais poderosa que todos aqueles que um dia ousam lhe julgar. É bastante presunçoso de sua parte, obviamente, mas também é o que todas as mulheres desejariam. Mostrar que não são os erros que te definem, mas sim o modo como você dá a volta por cima. O segundo é a incapacidade dela de conseguir a totalidade o primeiro; ora, se uma mulher não pode ter uma filha do casamento, imagine participar de um cassino? Soa irônico perceber que por mais que Georgiana tenha poder ela parece nunca conseguir exercê-lo com sua verdadeira personalidade, pois caso o fizesse sua ruína e consequentemente a de sua filha estariam perdidas para sempre. E por último, o amor que é tão próximo de Georgiana mas que jamais ela poderia acreditar que um dia irá ter. Em sua perspectiva, o amor destrói como fez com ela a tantos anos antes.

Aprendi, por experiência, que existem poucas coisas que valem ser salvas. Quando um homem encontra uma, ele deve fazer seu melhor para mantê-la em segurança.

Em qualquer outra obra, uma mocinha que nega a verdade do amor normalmente me irrita ainda mais quando ela foge dele. Contudo, o fato de Georgiana ter amado e ter se ferrado por conta disto (de todos os modos possíveis) torna o livro bastante plausível. O romance que ela tem com West fica mais interessante, pois mesmo sabendo do seu desejo de não se apaixonar também é possível enxergar o caminho que ela trilha para chegar a isso. Contudo aqui também não se trata de amor, desejo ou ódio a primeira vista porque os dois já se conheciam e Georgiana já desejava estar com Duncan (de um lado puramente sexual, acredite), mas ele jamais a tinha enxergado antes de perceber quem ela era realmente. Fiquei bastante encantada por esse lado da história, pois Georgiana tem dois pontos que a transformam na heroína de época mais inusitada de todos os tempos. O primeiro é que o amor não faz parte de seus planos e o segundo que apesar disso abrir mão dos suas fantasias não esta na linha de descarte, mesmo que ela deseje estar apenas com este determinado jornalista.

Duncan também tem seu brilho próprio, contudo acho mais interessante que você leitor (a) descubra os segredos e a personalidade dele por si mesmo, posso apenas adiantar que ele é tão inteligente quanto bonito e que existe bem sobre sua casca de canalha do que podemos imaginar. Por isso, para finalizar esta resenha só lhe digo uma coisa: não tenha medo de ler Sarah MacLean e se decepcionar, porque mesmo que este não sejam os melhores livros da sua vida, eles vão com toda certeza mudar seu ponto de vista sobre inúmeras coisas, mas principalmente sobre o que é ser uma mulher forte, determinada e ainda sim permanecer feminina.

Amor. A matéria prima dos sonetos e galanteios e contos de fadas e romances. Amor. A emoção ardilosa que faz homens chorarem e cantarem e arderem com desejo e paixão.

( Resenha ) Os Garotos Corvos – Maggie Stiefvater – Livro 01

Minhas caras Corujinhas preparem-se para entrar em uma aventura épica através de cinco mentes e uma linha mística. O desafio é encontrar o que esta perdido, mas suas chances serão remotas e haverá um mundo de tormenta para tentar impedi-las.

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Título: Os Garotos Corvos
Título original: The Raven Boys
Série: A Saga dos Corvos #01
Autora: Maggie Stiefvater
Editora: Verus Editora
Páginas: 376
Ano: 2013
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Todo ano, na véspera do Dia de São Marcos, Blue Sargent vai com sua mãe clarividente até uma igreja abandonada para ver os espíritos daqueles que vão morrer em breve. Blue nunca consegue vê-los — até este ano, quando um garoto emerge da escuridão e fala diretamente com ela. Seu nome é Gansey, e ela logo descobre que ele é um estudante rico da Academia Aglionby, a escola particular da cidade. Mas Blue se impôs uma regra: ficar longe dos garotos da Aglionby. Conhecidos como garotos corvos, eles só podem significar encrenca. Gansey tem tudo — dinheiro, boa aparência, amigos leais —, mas deseja muito mais. Ele está em uma missão com outros três garotos corvos: Adam, o aluno pobre que se ressente de toda a riqueza ao seu redor; Ronan, a alma perturbada que varia da raiva ao desespero; e Noah, o observador taciturno, que percebe muitas coisas, mas fala pouco. Desde que se entende por gente, as médiuns da família dizem a Blue que, se ela beijar seu verdadeiro amor, ele morrerá. Mas ela não acredita no amor, por isso nunca pensou que isso seria um problema. Agora, conforme sua vida se torna cada vez mais ligada ao estranho mundo dos garotos corvos, ela não tem mais tanta certeza. De Maggie Stiefvater, autora do aclamado A Corrida de Escorpião, esta é uma nova série fascinante, em que a inevitabilidade da morte e a natureza do amor nos levam a lugares nunca antes imaginado.

“Destino,” Blue replicou, encarando sua mãe, “é uma palavra muito pesada para se dizer no café da manhã.”

Sempre fui do tipo de leitora que ama uma boa fantasia. O lado místico me envolve bastante principalmente quando têm magia e mitologia. Então imaginem meu estado eufórico em ler Os Garotos Corvos de Maggie Stiefvater que envolve ambas as coisas, aliadas à uma escrita sensacional. Eu não estava esperando gostar tanto da obra, mas me senti bastante à vontade e plena com a leitura.

Stiefavater tem o tipo de narrativa que normalmente tenho tendência a detestar. Isto porquê não existe preocupação da autora em cortar cenas desnecessárias que antecedem as de grande importância. Desse modo, a autora tem um ritmo descompassado que por vezes soa bastante lento. Trazendo para nossa língua ela procastina e como. Entretanto, não consegui me irritar com isso, porque retirei muito mais coisas das entrelinhas do que acima delas. Maggie teve o trabalho de não apenas contar uma determinada história, mas também criar personagens com vidas além dela. São vidas individuais entrelaçadas à algo maior, mas que nunca deixam de lado essa característica de unidade. Dessa forma existe muita poesia sobre viver através de uma fantasia sobre o que se quer alcançar.

“Você busca um deus. Você não suspeitou que também há um diabo?”

Outro ponto bastante encantador sobre a obra foram os personagens criados pela autora que apesar de não fugirem ao clichê programado para eles, também não são espelhos de uma única coisa. Blue é a única personagem feminina de modo que também é feminista e guerreira, mas isso não significa que não tenha medos e desejos como qualquer pessoa. Blue é uma garota que luta e age como uma garota. Gansey é o personagem rico que não é mauricinho, mas que também não nega os privilégios que possui. Na verdade, Gansey os aceita usando ao seu favor sem se preocupar com o que isto pode parecer. Ronan é o bad boy que lá no fundo tem coração, mas não se engane pensando que ele é um fofo inrustido: Lynch é as duas coisas demonstrando seu lado mais gentil apenas aqueles que merecem. Noah é misterioso e talvez o mais dificil de definir, mas nem por isso o mais complexo. Como se autora dissesse: nem sempre os mais tímidos são os mais complicados de entender. Já Adam é o menino pobre que está no meio de riqueza odiando e desejando-a. Em um sentimento duo, Adam é instavél e de certa forma o menos confiavél porque não consigo deixar de me perguntar o que ele seria capaz de fazer para conquitar o que deseja.

Dessa maneira, uma das qualidades mais promissoras do livro foi o desenvolvimento dos personagens. Apesar da sinopse ser bastante diminuta e apresentar Gansey e Blue como principais, o corretor é pensar em cada personagem como fio de uma teia. Se você puxa um, inevitavelmente atrai outro. Mais uma vez não estamos falando de contar apenas uma história de um casal ou de um individuo, mas sim de todos os que compõe o enredo com mesmisso grau de importância.

Ela reconheceu a estranha felicidade que vinha de amar algo sem saber por quê, aquela estranha felicidade que às vezes era tão grande que parecia tristeza. Era a maneira como ela se sentia quando olhava para as estrelas.

Além de tudo isto, não podemos esquecer de toda mitologia que envolve o livro. A sinopse é bastante diminuta ao tentar retratar o livro e eu diria que não é nem dez por cento do que iremos encontrar.  O livro se aprofunda em questões mágicas que norteiam os cinco em uma busca. Não pretendo lhe dizer que busca é esta, porque apesar de não achar que seria spoiler, acredito que seria mais legal para quem ler descobrir o que é esta caçada por si mesmo. O que posso adiantar é que mesmo se tratando de uma base existente (como Percy Jackson utiliza da base grega), a autora inova no modo com o qual ela se dá e interage na história.

De todas as formas possíveis, Os Garotos Corvos é uma obra surpreendente que parece trazer à nós não somente uma batalha épica mas também um novo horizonte de pensamentos e caminhos à serem traçados. É um livro de beleza e mistério que não se prende ao comum inovando em todos os seus âmbitos.

Gansey descobrira que a chave era acreditar que essas coisas existiam; você tinha de se dar conta de que elas eram parte de algo maior. Alguns segredos se mostravam apenas para aqueles que se provavam merecedores

( Resenha ) Pretty Little Liars · Primeiro Arco · Sarah Sheppard

Minhas caras Corujinhas, vocês estão prestes a embarcar na vida de quatro garotas lindas, pequenas e mentirosas onde os segredos dela podem custar a reputação de muitas pessoas, mas principalmente sua vida em Rosewood Day.

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Titulos: Maldosas, Impecavéis, Perfeitas e Inacreditaveis
Titulos originais: Pretty Little Liars, Flawless,  PerfectUnbelievable
Série: Pretty Little Liars – Primeiro Arco
Autora: Sarah Sheppard
Editora: Rocco: Jovens Leitores
Ano: 2011
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐

SINOPSE: Era uma vez quatro garotas que eram invisiveis em sua escola até serem resgatadas pela linda e popular Alison DiLaurentis. Então de uma hora para outra, naquele verão essas meninas se tornaram tão populares que mandavam nos corredores da escola. Até que em uma noite, Ali simplesmente desaparece o quinteto se desfaz. Alguns anos tarde quando todas estão de volta a Rosewood, segredos que as meninas acreditavam estar apenas entre Alison começam a ser ameaçados de serem revelados. Em uma narrativa de suspense e muitas mentiras, Sarah Sheppard nos mostra que até o menor dos segredos pode ter as mais graves consequências. 

Antes de ler Pretty Little Liars tinha um certo preconceito com o gênero. Já havia lido vários livros com o tema e sempre tinha os achado um tanto bobinhos de mais. Ao ler, Pretty Little Liars no entanto me surpreendi não somente com o enredo que a autora apresentou, como também com os temas levantados tão comuns aos adolescente em geral. De todas as maneiras, Sarah Sheppard conseguiu transformar uma série que tinha tudo para ser clichê em uma obra extraordinária.

A série composta por dezesseis livros e dois extras parece gigante pela quantidade, mas em realidade são livros pequenos que se completam em arcos. A cada livro existe um pequeno plot que conduz a trama rumo ao seguinte, mas o twist só é realizado no final de cada arco. Desta maneira, a condução da série é homogênea. Vale dizer também que a editora Rocco publicou os livros na mesma época em formato separado, mas também em box o que ajuda bastante na hora de adquirir os exemplares.

Seguindo com uma boa narração sem exageradismo, Sarah Sheppard nos apresenta quatro garotas diferentes entre si com problemas que todos temos ou conhecemos alguém que tenha. Achei muito interessante o fato que, apesar de lidar com adolescentes, a autora não se limita a diálogos infantis apesar de recorrer a situações desse cunho. Isto criou um tipo incomum de verdade no livro: somos todos sujeitos a situações constrangedora, mas o que nos defini são as atitudes que vamos tomar quando elas ocorrerem. Por isso, posso afirmar que não existem clichês totais em PLL pois as atitudes são aquelas que você não espera.

O quarteto de personagens principais foram minha maior positividade no livro.

Seguindo a ordem das bonecas representadas nas capas, Hanna Marin quase alcançou o status de personagem favorita. É uma personagem de face dupla: se por um lado Hanna é abelha rainha da escola por outro é insegura em perder tudo aquilo por ter sido, em suas palavras, uma perdedora gorda e feia. Hanna é fútil e egoísta, sem aquele papo de um grande coração. Em realidade, acredito que todas as personagens de PLL sejam exatamente como aparentam em suas faces como se autora dissesse que aquelas garotas não mentiam para si mesmas.

Emily Fields têm um futuro promissor na natação, pais rigorosos e está apaixonada pela vizinha que corresponde seus sentimentos. Mas como Emily pode dar vazão à esse amor se tudo e todos ao seu redor vão condena-la? Eu acredito que Emily seja a típica adolescente modelo que não é tão modelo assim. Em seus pensamentos é perceptível a vontade que tem de agradar seus pais deixando de lado à si própria garantindo-se uma vida sem graça. Apesar de tê-la achado um tanto dramática de mais, tambem não culpo a autora pelo uso da melodramaticidade já que a personagem parecia precisar daquilo.

Arya Montgomery, me desculpem mundo, foi a personagem que menos gostei. Em todos os quatros livros não senti evolução em sua história mesmo quando parecia estritamente necessário. Pelo contrário, por ela (e apenas ela) devo retirar o que disse sobre o lado infantil pois não encontrei sensatez em suas atitudes. Entendo o fato de Arya não querer expor o caso extra conjugal de seu pai, mas francamente, suas atitudes para com a amante foram indignas ressaltando um lado um pejorativo do adolescente rebelde sem causa. Foi frustante acompanhar os capítulos de sua narração.

E por fim temos Spencer Hastings que ganhou o título de personagem favorita. Das quatro, acredito que Spencer foi minha favorita em todos os sentidos inclusive nos defeitos. Spencer é a nerd que faz de tudo para agradar os pais sem sucesso participando de uma disputa nada amigável para preferência dos projenitores com sua irmã Melissa. Durante os capítulos de Spencer eu senti de tudo um pouco: amor, ódio, carinho, pena… A relação familiar da garota que houve momentos que quis entrar no livro apenas para estapear seus pais. De todas as formas possíveis sr. e sra. Hastings foram desprezíveis com Spencer, que tudo que gostaria era ser tratada de maneira igualitária. Tão complexo e tão avassalador que eu achava que estava acontecendo comigo.

Pretty Little Liars> é uma série para sair da zona de conforto. São livros que chocam, divertem e emocionam. Tanto, que esse primeiro arco li ainda no ano passado, mas impactou-me tanto que não consigo me esquecer dele. Eu amei essa obra. E super indico a todos que querem um livro muito além do esperado também.