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( Resenha ) Perdido Em Marte · Andy Weir

Olá Corujinhas. Apertem os cintos e vejam se o veiculo especial está em perfeito que hoje nossa viagem será pelas terras vermelhas de um planeta longínquo em uma aventura pela sobrevivência de um astronauta.

perdido em marte

Título: Perdido Em Marte
Título original: The Martian
Autora: Andy Weir
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Ano: 2014
Avaliação: 🍁🍁🍁🍁
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate. Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico e um senso de humor inabalável , ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência. Para isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá. Com um forte embasamento científico real e moderno, Perdido em Marte é um suspense memorável e divertido, impulsionado por uma trama que não para de surpreender o leitor.

Então, esta é a situação: estou perdido em Marte. Não tenho como me comunicar com a Hermes nem com a Terra. Todos acham que estou morto. Estou em um Hab projetado para durar 31 dias.
Se o oxigenador quebrar, vou sufocar. Se o reaproveitador de água quebrar, vou morrer de sede. Se o Hab se romper, vou explodir. Se nada disso acontecer, vou ficar sem alimento e acabar morrendo de fome.
Então, é isso mesmo. Estou ferrado.

Quando encontrei o livro Perdido Em Marte já tinha visto uma uma porção de vezes. Sempre fui um tanto aficionada por ficções cientificas de modo que me apaixonei pela película. De modo que mesmo antes de começar o livro já tinha expectativas sobre o que poderia me aguardar bem como certezas sobre o caminho percorrido por Mark Watney. Mas como todos sabem, expectativa e realidade são oposto de modo que fico feliz em dizer que, mesmo sabendo o que me aguardava, o livro foi maravilhoso e de certa forma surpreendente.

Perdido Em Marte é narrado em primeira pessoa a principio. O autor busca exploras as primeiras resoluções de Mark de como é estar sozinho a beira da morte. Vale ressaltar que apesar da primeira parte ser praticamente um monólogo, a narrativa é super bem humorada deixando tudo mais leve. Mesmo com suas profundas reflexões, Mark mantém, a cabeça no lado engraçado de tudo como forma para não entrar em desespero. Muito bem construído como um personagem sólido e corajoso para enfrentar as loucuras do que esta por vir.

A leitura é envolta de muita ciencia que acontece de modo quase real. Todos os cálculos e testes envolvidos são tão bem sustentados pela ciência que torna a leitura verídica à ponto de você parar e pensar: se pudesse ser realmente testado, teria dado certo. Dessa forma, não só a sobrevivência de Mark ganha mais sentido, como a realidade da Nasa o estar ajudando aliado as maiores mentes do mundo. E é justamente essa constante ajuda de todos que faz de Perdido Em Marte uma leitura sensacional. Muito além de uma ficção cientifica, -este livro é um misto emoções cruamente humanas que nos faz querer ajudar o próximo mesmo que isto nos custe alguma coisa. É coragem de se arriscar para trazer alguém para casa sã e salvo mesmo contra todas as expectativas. Somos feitos de compaixão, mesmo que as vezes acreditemos que o mundo só tem maldade.

O custo da minha sobrevivência deve ter sido de centenas de milhões de dólares. Tudo para salvar um botânico bobão. Para que se dar o trabalho? Tudo bem, eu sei qual é a resposta. Em parte, pode ser o que eu represento: progresso, ciência e o futuro interplanetário com o qual sonhamos há séculos. Mas, na verdade, fizeram isso porque todo ser humano tem um instinto básico de ajudar os outros. Talvez não pareça ser assim às vezes, mas é verdade. Se um excursionista se perde nas montanhas, as pessoas organizam uma busca. Se um trem colide, as pessoas fazem fila para doar sangue. Se um terremoto arrasa uma cidade, as pessoas em todo o mundo mandam suprimentos de emergência. Isso é tão fundamentalmente humano que é encontrado em todas as culturas, sem exceção. Sim, existem babacas que não se importam, mas são uma ínfima minoria. E, por causa disso, bilhões de pessoas ficaram do meu lado.

 

O que me incomodou na leitura foi a demora com o qual as passagens foram realizadas que tiveram muito o aspecto de procrastinação. Cenas demoradas que sim, serviram para mostrar partes da sobrevivência do personagem principal, mas que também deixaram o livro mais tedioso de ser lido. Essa leitura de quase uma semana poderia ser facilmente tragada para uma três se o autor não tivesse criado tantas e tantas situações para dificultar a vida de seu personagem principal.

Mas críticas à parte, Perdido Em Marte é uma leitura divertida que agracia os fãs do gênero com um personagem inesquecível, tiradas inteligentes e muita ciência. Se você gosta desses três elementos, está é uma obra excelente para você.

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( Resenha ) A Queda dos Reinos · Morgan Rhodes · Livro 01

Olá Corujinhas. Abram suas e vistam suas armaduras que hoje iremos sobrevoar os reinos de Paelsia, Limeros Aureanos para que nossos mais profundos desejos sejam concebidos.

A queda dos reinos capa

 

Título: A Queda dos Reinos
Título original: Falling Kingdoms
Autora: Morgan Rhodes
Editora: Seguinte
Páginas: 400
Ano: 2013
Avaliação: 🍁 🍁 🍁 🍁
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

 

Sinopse: Numa terra em que a magia havia sido esquecida e a paz reinara durante séculos, uma agitação perigosa ganha forma quando três reinos começam a lutar pelo poder. Entre traições, negociações e batalhas, quatro jovens terão seus destinos entrelaçados para sempre: Cleo, a filha mais nova do rei de Auranos; Magnus, o primogênito do rei de Limeros; Jonas, um camponês rebelde de Paelsia; e Lucia, uma garota adotada pela família real de Limeros que busca a verdade sobre seu passado. E, A Queda dos Reinos, Morgan Rhodes constrói uma mitologia complexa e fascinante, que mistura amor proibido, intrigas políticas e profecias milenares. Narrado pelos pontos de vista de quatro protagonistas, este é o primeiro volume da série.

A busca pelo poder, pelo poder supremo, é a razão por trás da maioria dos males que o mundo testemunhou.

Conheci A Queda dos Reinos através das minhas googadas na busca por novas ficções. Sempre gostei de procurar por mim mesma novas histórias de modo que fiquei extasiada ao encontrar a capa do livro e ler seu título. Por isso assim que saiu os desafios da #Fantastona2017 logo o encaixei em minhas leituras cheia de expectativas pelo que poderia me esperar já que por não saber de nada sobre a obra — não faço o tipo que lê sinopses — e tudo que eu sabia era apenas mergulharia em um novo mundo contendo. E apesar de não ter achado a história impactante à ponto de tirar o fôlego, também não posso dizer que foi do meu total desagrado. Vi no livro potential que me deu certeza que vou dar continuidade à série.

De todos os pontos que me agradaram nesta a obra, a narrativa que é essencial não foi uma delas. Apesar da leveza e agilidade com que tudo transcorria, o modo com o qual a autora conduziu tudo foi fraco. Houve uma inversão de papéis onde, no que a autora deveria ter evoluído ficou de lado e o que deveria ter sido deixado de lado acabou tomando mais espaço na narrativa. Em uma obra maior e mais densa tal erro poderia ser perdoado pois teria-se dado espaço para a não breveidade das coisas. Mas em um espaço curto de tempo como o que a autora propõe ficaram fora dos eixos. Posso dizer que muita das vezes acabei achando o texto infinitamente infantil, uma coisa que me incomodou bastante durante a leitura. Sempre detestei longos diálogos em virtude provar a razão sobre tudo. Em uma narrativa focada na raiva, a autora usou e abusou dessa característica.

Mas, apesar de ter tido um impacto negativo com esse primeiro encontro com a obra, todo o aspecto restante de sua composição foi agradável. A forma ao qual Rhodes conseguiu aprofundar uma nova mitologia no contexto da obra foi sensacional. Me vi sedenta e expectante pelas respostas aos enigmas deixados pela autor sobre tudo que poderia ser tragado e conquistado pelos personagens. Apesar de, em um contexto inicial certas coisas parecerem refletir uma conclusão clichê e sem graça, Rhodes tomou pelas mãos e recriou dando novas dimensões ao futuro dos três reinos.

Quanto aos personagens, apesar de tê-los achado estranhos devido a infantilidade explicada na narrativa, também enxerguei neles algo mais o que me mostra como o ser humano pode ter duas faces. Cleo, a princesa de Auranos, apesar de toda a arrogância e Insatisfação mostra também um lado disposto à ser mais que uma donzela em perigo. Jonas, um rapaz pobre de Limeros, apesar da raiva e do sentimento de vingança mostra-se inteligente o suficiente para encontrar a justiça acima de tudo. Lúcia esta envolta de doçura, mas isto não significa que ela não tem força para ser forte quando necessário. E Magnus, dentre todos é o mais coativamente pela maneira sofrida ao qual precisa deixar de lado em favor do ódio para não simplesmente sucumbir à ela.

Dessa maneira, A Queda dos Reinos foi um livro que me proporcionou um turbilhão de emoções. Fui levada da raiva à surpresa, e apesar das falhas do enredo não perco minhas esperanças na série. E mal posso esperar pelo próximo volume.

Até mesmo na pessoa mais sombria e cruel ainda há uma ponta de bondade. E dentro do virtuoso mais perfeito também existem trevas. A questão é: a pessoa cederá às trevas ou à luz? É algo que decidimos com cada escolha que fazemos, todos os dias de nossa existência. O que pode não ser maldade para você, pode ser para outro. Saber disso nos torna poderosos mesmo sem magia.

( Resenha ) The Kiss Of Deception · Mary E. Pearson · As Crônicas de Amor e Ódio 01

Olá Corujinhas. Abram suas asas, sintam a brisa da liberdade e preparem seus corações para diferentes emoções porque hoje nossa aventura será pelo coração de uma princesa e as límpidas terras de seu reino.
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Título: The Kiss Of Deception
Trilogia: As Crônicas de Amor e Ódio #01
Autora: Mary E. Pearson
Editora: Darkside Books
Páginas: 406
Ano: 2014
Avaliação: 🍁 🍁 🍁
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse:Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro? Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor. O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo.

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Quando comecei a ler The Kiss Of Deception como parte da #Fantastona2017, eu tinha altas espectativas com o estaria me aguardando. Já havia começado as três primeiras páginas uma porção de vezes, embora nunca tenha me empolgado com a leitura. Mas influenciada pelo tanto de falares bem sobre a obra, adicionei o livro na minha tbr para finalmente contempla-lo. Porém, a verdade é que acabei recebendo mesmo um beijo de decepção pois não consegui gostar da obra achando-a apenas um pouco mais que razoável.

Isso não é o bastante para disfarçar o que está dentro de você. Você sempre será você, Lia. Não há como fugir disso.

Mary E. Pearson tem uma narrativa morna e cansativa. O livro não fluiu com facilidade pelo exagero de detalhes que possui. Escrever cenas descritivas é um trabalho no mínimo complexo. Principalmente em livros de características fantásticas que por natureza — por serem um mundo novo — acabam exigindo mais do escritor pela falta de base que possuí. É preciso ter cuidado para não ficar nem muito breve, nem muito pesado. Pearson enreda pelo segundo caminho oferecendo tantos detalhes desnecessários que dificultam o caminhar da obra. Empurrei com a barriga boa parte do livro por essa característica.

Pode-se levar anos para moldar um sonho, mas é preciso apenas umafração de segundo para despedaçá-lo.

Outro grande problema do livro são os personagens principais. Narrado em primeira pessoa por Lia, o Príncipe e o Assassino eu não senti muita diferença entre as narrações assim como nas personalidades dos três principalmente os rapazes. Faltou (além da motivação de cada um) características pessoais mostrassem o que os fizessem diferentes. De certo modo, não consegui me apegar à nenhum personagem por conta disso.

Se a gente não pode confiar em uma pessoa no amor, não se pode confiar nela para nada. Algumas coisas não podem ser perdoadas.

Falando individualmente, a única pessoa que me proporcionar sentimentos foi Lia, mas estes também não se mostram positivos. Lia foi uma personagem mimada e egoísta desde o princípio. Não a odeio, mas também não gostei de suas atitudes. Não é preciso ser um gênio para descobrir o que humilhação e quebra de contratos podem acarretar, ainda mais em um mundo de reinados. Por esse motivo, quando finalmente Lia entende as consequências de sua fuga só consegui pensar: Agora? Sério? Dessa forma, apesar de — como mulher — entender os motivos de Lia, não consigo lhe dar razão. Fugir quando as reações só se jogam contra você é uma coisa, mas quando afetam outras pessoas é outros quinhentos.

Você não está vivendo nem mesmo uma vida. É um assassino. Você se alimenta do infortúnio de outras pessoas e rouba vidas que não lhe pertencem.

Os pontos positivos de The Kiss Of Deception estão infelizmente nos laços que ela não teve muita preocupação em desenvolver. Apesar do motivo fútil de origem para a história, o desenrolar dos acontecimentos e as perguntas que vêm com ele fazem o livro pular de razoável para bom. Existe história por baixo de tudo aquilo pois os reinos envolvidos parecem ter abundantes segredos à enfrentar. Apesar da minha insatisfação com várias coisas, também fiquei ansiosa para o que estava por vir e o que seria revelado. Foi essa curiosidade que me manteve na leitura.

“Vejo apenas lembretes de que nada dura para sempre, nem mesmo agrandeza.”
“Algumas coisas duram.”
Encarei-o.
“É mesmo? E exatamente que
coisas seriam essas?”
“As coisas que importam.”

Como podem perceber, The Kiss Of Deception foi uma leitura de mais baixos que altos. Não tenho certeza se um dia vou ler a continuação, mas se o fizer espero mais do próximo. Por enquanto, só posso dizer que pessoas são diferentes: se você quiser ler o livro vai em frente! Eu te desejo uma experiência literária bem melhor que a minha.

( Resenha ) A Rosa e a Adaga · Renée Ahdieh · Livro 02.

Oii Corujinhas. Abram suas asas, montem em seus cavalos e apertem bem as shaminas contra seus corpos que nossa viagem será mágica e exuberante, através do deserto e de terras distantes para quebrar uma maldição assombrosa.

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Título: A rosa e a adaga
Título Original: The rose and the dagger
Autora: Renée Ahdieh
Editora: Globo Alt
Paginas:  366
Ano: 2017
Avaliação: 🍁 🍁 🍁 🍁 🍁 
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva.

 

Sinopse: Sherazade chegou a acreditar que seu marido, Khalid, o califa de Khorasan, fosse um monstro. Mas por trás de seus segredos, ela descobriu um homem amável, atormentado pela culpa e por uma terrível maldição, que agora pode mantê-los separados para sempre. Refugiada no deserto com sua família e seu antigo amor, Tariq, ela é quase uma prisioneira da lealdade que deve às pessoas que ama. Mas se recusa a ficar inerte e elabora um plano. Enquanto seu pai, Jahandar, continua a mexer com forças mágicas que ele ainda não entende, Sherazade tenta dominar a magia crescente dentro dela. Com a ajuda de um tapete velho e um jovem sábio e tempestuoso, ela concentrará todas as suas forças para quebrar a maldição e voltar a viver com seu verdadeiro amor.

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Apenas fugimos daquilo que realmente nos assusta!

Quem me acompanha aqui no blog sabe que minha relação com a história de Renée Adhied foi caótica para dizer o mínimo. Eu havia detestado a personagem principal e achado o enredo bastante comum em relação ao que poderia ser feito. Mas, começando antecipadamente meus planos de ler continuações para desafogar minha lista do eu preciso, comecei A Rosa e A Agada com poucas expectativas. Por isso, acredito, que minha leitura foi bastante gratificante e até mesmo maravilhosa, apesar de alguns detalhes.

Era porque ambos eram as duas metades de uma só coisa. Ele não pertencia a ela. E ela não pertencia a ele. Ninguém pertencia a ninguém. Ambos eram um só.

Com uma escrita fluída e um contexto bem formalizado, Ahdieh eleva sua releitura à um outro nível. Tudo começa a fazer mais sentido e funcionar melhor no conjunto. Se antes a autora focava em dar personalidades – irritantes diga-se de passagem -, agora ela se preocupa em realmente criar e evoluir a história de todo seu reino e os segredos que eles escondem. Um dos principais pontos para eu ter gostado desse segundo livro, foi justamente o cuidado maior que a autora teve em desfocar do romance e apresentar mais firmemente os outros personagens e o enredo principal. Tudo ganhou novas dimensões ao invés de se prender à um único viés.

Era porque ambos eram as duas metades de uma coisa. Ele não pertencia a ela. E ela não pertencia à ele. Ninguém pertencia à ninguém. Ambos eram um só.

Sobre os personagens, também consegui sentir bastante evolução nas suas trasjetórias. Sherazade por exemplo, cresceu como pessoa deixando de lado, não toda, mas parte de sua arrogância em prol do bem maior. Ainda não posso dizer que a moça é uma das minhas personagens favoritas da literatura, mas com certeza não a chamaria mais de detestável. Comecei a apoiar suas decisões e não apenas revirar os olhos a elas.

Porque é fácil ser bom e gentil em tempos de fartura. Os tempos difíceis eram os que definiam um homem. E o amor? O amor era algo que podia mudar muito uma pessoa. Trazia tanto alegria como sofrimento, e trazia no seu bojo os momentos que definiam o caráter. O amor dava vida aos que não viviam. Era o maior poder de todos. No entanto, como em todas as coisas, o amor também tinha o seu lado negro.

Mas, apesar de ter gostando tanto desta segunda obra, meu lado chatamente perfeccionista viu erros estrondosos por assim dizer. Achei que algumas coisas aconteceram muito rápido e sem tantas explicações. Relacionados Khalid e o que ele fez em seu passado  – mesmo que fizesse parte de uma maldição -, certos fatos foram tão mal explicados que sinceramente fiquei chocada. Pois se eu for sincera comigo mesma, sei que não o perdoaria tão facilmente.

O início e o fim de todas as coisas. A esperança que algo floresça, mesmo nas sombras.

A Rosa e A Adaga, apesar da imperfeição. é uma sequência e um final digno para uma duologia que não havia começado tão bem. Mais aventuras, mais emoções e mais crescimentos  enriquecem a leitura lhe dando um maior significado. Um livro que nos remete a pensar no que é realmente importante, e se as fúrias do passado são fortes o suficiente para destruírem nossas auroras.

( Resenha ) Mil Pedaços de Você · Claudia Gray · Firebird 01

Oii Corujinhas. Abram suas asas, peguem seus firebirds que hoje iremos saltar no tempo para descobrir que o amor e o destino estão ligados em todas as dimensões. Basta acreditar e seguir em frente.

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Título: Mil Pedaços de Você
Título original: A Thousand Pieces Of You
Autora: Claudia Gray
Editora: Agir Now
Páginas: 288
Ano: 2015
Avaliação: 🍁🍁
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

 

Sinopse: Marguerite Caine cresceu cercada por teorias científicas revolucionárias graças aos pais, dois físicos brilhantes. Mas nada chega aos pés da mais recente invenção de sua mãe — um aparelho chamado Firebird, que permite que as pessoas alcancem dimensões paralelas. Quando o pai de Marguerite é assassinado, todas as evidências apontam para a mesma pessoa: Paul, o brilhante e enigmático pupilo dos professores. Antes de ser preso, ele escapa para outra realidade, fechando o ciclo do que parece ser o crime perfeito. Paul, no entanto, não considerou um fator fundamental: Marguerite. A filha do renomado cientista Henry Caine não sabe se é capaz de matar, mas, para vingar a morte de seu pai, está disposta a descobrir. Com a ajuda de outro estudante de física, a garota persegue o suspeito por várias dimensões. Em cada novo mundo, Marguerite encontra outra versão de Paul e, a cada novo encontro, suas certezas sobre a culpa dele diminuem. Será que as mesmas dúvidas entre eles estão destinadas a surgirem, de novo e de novo, em todas as vidas dos dois? Em meio a tantas existências drasticamente diferentes — uma grã-duquesa na Rússia czarista, uma órfã baladeira numa Londres futurista, uma refugiada em uma estação no meio do oceano —, Marguerite se questiona: entre todas as infinitas possibilidades do universo, o amor pode ser aquilo que perdura?

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Mil Pedaços De Você é um livro com um fundo literário novo para mim. Nunca havia lido nada que envolvesse dimensões, embora não possa dizer que o enredo não me fosse familiar. Existem muitos animes que lidam com dimensões, mas nunca havia encontrado algo assim na literatura. O grande problema de ler livros com novas temáticas é a necessidade da construção perfeita deles. Não sou do tipo que precisa de detalhes extenuantes, mas preciso de um fundo sólido para acreditar que a teoria existe. Dessa maneira, apesar de todos os furos que encontrei na história, o livro de Claudia Gray foi ótimo nesse sentido pois a teoria dos multiversos foi bem apresentada e pude ver com clareza a lógica de tudo. Conseguir entender os pontos chaves de base do enredo como o que faz as dimensões se dividirem e quais são os limites entre os pulos entre dimensões.

A cada possibilidade, a cada vez que o destino decide algo jogando uma moeda, o universo divide as dimensões de novo, e de novo, criando cada vez mais camadas de realidade. E assim sucessivamente, ad infinitum. Essas dimensões não estão no espaço longínquo. Estão literalmente à nossa volta, ou até mesmo dentro de nós, mas por existirem em outra realidade, não somos capazes de percebê-las.

Começando pela escrita da autora, achei-a super fraca. Escrever exige detalhe idepedente do que se escreva: se você passa rápido de mais pela coisa acaba deixando o livro com um aspecto superficial. Por esse motivo, pela superficialidade com que a autora trata de narrar o livro, em vários momentos fiquei confusa sem entender muito bem os motivos de tudo. A vingança da protagonista foi infantil, por exemplo que parece não saber o que fazer e principalmente no que acreditar. Caramba! Se você esta arriscando sua vida precisa no mínimo saber de uma dessas duas coisas. Incertezas tão graúdas que acabaram por deixar Marguerite insossa e irritante como também comprometeu a leitura bastante arrastada. Apesar de ter demorado três dias pra finalizar a obra, se tivesse empolgada teria demorado apenas um. Isso porque Marguerite parece estar sempre voltando para o mesmo lugar.

Meu ódio é mais forte que as dimensões, mais forte que a memória, mais forte que o tempo. Meu ódio é agora a parte mais verdadeira do que eu sou.

Por não ter conseguido criar empatia pelos personagens, também não consegui enxergar romance no romance o que potencializou o meu desgostar. Primeiro, vale ressaltar que Gray tinha um ótimo mundo — ótimos mundos no caso — para explorar e ir além do clássico. Mas ao invés disso, prefiriu focar no romance, o que até aí tudo bem já que não tenho nada contra um bom romance. Entretando nesse ponto a história deixou de ser diferente e se tornou comum pela obviedade assumida deixando o romance mal construído. Teoricamente, temos um triângulo amoroso (mais um para lista), mas pela facilidade em que fui ligando os pontos ficou na cara quem Marguerite iria escolher então nem houve sofrimento ou ilusão. Mas o que mais me irritou na obra foi quanto ao relacionamento de Marguerite com seu escolhido pois ficou extremamente ilógico. Resumindo, como você pode se apaixonar por pedaços de uma pessoa? Você não deveria amar tudo nela e não somente o que lhe convém, certo? Eu sinceramente me senti zuada porque no contexto do livro se torna algo como; ela gosta daquele que não é aquele mas sim uma parte daquele — o que traduzindo significa; masoq?

Eu estava sendo sincera quando disse que não acreditava em amor à primeira vista. Leva tempo para se apaixonar realmente por alguém. Mas acredito em momentos. O momento em que você descobre a verdade sobre alguém e vislumbram a verdade dentro de você. Nesse momento, você não pertence mais a si mesma, não completamente. Parte de você pertence a ele, e parte dele pertence a você. Depois disso não há como voltar atrás, não importa o quanto você queira nem o quanto tente.

Minha opinião sobre esse livro poderia ser pior se não fosse as teorias que a autora propôs. É realmente uma pena que Cláudia Gray tenha optado pelo caminho mais fácil. Se a autora tivesse trabalhado mais o enredo eu poderia ter gostado mais e talvez pudesse Mil Pedaços de Você estivesse nos meus favoritos. A trilogia para mim termina aqui.

Agora sei que luto é uma pedra de amolar que afia todo amor, todas as suas memórias mais felizes, e os transforma em lâminas que nos cortam de dentro para fora. Alguma coisa em mim foi rasgada, algo que nunca mais vai cicatrizar, nunca, não importa até quando eu viva.

( Resenha ) A Rebelde do Deserto · Alwyn Hamilton · Livro 01

Oii Corujinhas. Abram suas asas, sintam a brisa quente do deserto e preparem seus corações pois hoje vamos voar através do mar de areia. Entre segredos e mentiras, A Rebelde do Deserto vai te levar por caminhos tortuosos e situações fantásticas.

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Título: A Rebelde do Deserto
Título original: The Rabel Of Sands
Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Páginas: 312
Ano: 2016
Avaliação: 🍁 🍁 🍁
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.

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O instagram é um lugar ótimo para descobrir sobre livros novos. É incrível a quantidade de descobertas por mês e cada vez mais venho me interessando pelas indicações. A Rebelde do Deserto de Alwyn Hamilton é uma dessas descobertas criando em mim curiosidade a seu favor. Apesar do título pouco inteligente, a simplicidade da capa fez saltar em mim aquela nescessidade de ler o livro. Aproveitando a #Fantastona2017 que rolou no instagram em dezembro do ano passado, finalmente contemplei a obra. E apesar de não poder afirmar com todas as letras que essa obra foi perfeita, vejo nela um ótimo enredo repleto de possibilidades maravilhosas.

Uma nova alvorada. Um novo deserto.

A escrita de Alwyn Hamilton têm características boas e ruins dentro de uma só, ou seja, sua narrativa depõe a favor e contra a autora. O ponto positivo é a facilidade com que tudo flui. De maneira pouco detalhista, Alwyn não se entrega a enrolação; tudo acontece pois tem necessidade de acontecer para se ter o efeito dominó onde uma situação leva à outra. O ponto negativo da escrita de Alwyn é, também, o minimalismo. Apesar de gostar da agilidade em que as coisas acontecem, percebo também o vaguismo que o livro acabou se tornando. As cenas se tornaram superficiais e qualquer sentimento se tornou neutro em seus contextos. Tempo é algo essencial dentro de qualquer obra. Assim como não deve ser muito estendido também não pode ser abreviado. A palavra de ordem é equilíbrio.

A garota que aprendeu sozinha a atirar. Até que pudesse derrubar uma fileira de latas como se elas não fossem nada, e a arma fosse tudo.

Toda vez que penso em um livro sobre rebeldia, sempre penso nos personagens insuportáveis que já me deparei pela capacidade enjoativa de quererem sempre serem os donos da razão. Uma das grandes surpresas deste livro, é o fato que Amani foge a lógica da rebeldia sendo absolutamente tudo menos intransigente. Dona de uma personalidade forte e um espírito livre, Amani luta com unhas, dentes, armas e inteligência para se livrar de sua realidade que é no mínimo maldita. E especificamente sua capacidade de pensar antes de agir — na maioria dos casos pelo menos — mostra sua capacidade de evolução em relação a história contada, quanto ao que está por vir nos livros seguintes.

— Você é uma ótima mentirosa. Para alguém que não mente.

A Rebelde Do Deserto é um livro que me empolga para sua continuação. Percebo o grande enredo de crítica e ação que Alwyn Hamilton tem para oferecer em sua história. Posso dizer que espero uma forte evolução de escrita na próxima obra. A trilogia tem tudo para se tornar ainda maior.

| Resenha | A Queda – Marcelo Pereira Rodrigues.

Olá Corujinhas! Na última resenha do ano trago para vocês mais um livro que mistura filosofia com realidade do autor brasileiro Marcelo Pereira Rodrigues. Com profundidade, o autor explora o caminho que o amor toma para redimir os homens, lhes dar sentido à vida e entender o que nos faz completos. 

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Título: A Queda.
Autor: Marcelo Pereira Rodrigues.
Páginas: 362
Ano: 2017
Editora: MPR Edições.
Avaliação: 👑 👑 👑 👑

SINOPSE: O lançamento do livro de Gregório é o ponto de partida da trama, aliás, o momento que se encontram alguns dos principais personagens. Ali presentes para tratar do sentido da vida passam do debate teórico suscitado pela ocasião do lançamento real de existir. Entre os temas que cruzam a vida dos personagens, uma crítica a religião, uma reflexão sobre o suicídio e questões relativas as transcendências. Todos os temas existencialistas trazidos ao romance com a leveza possível porque tocam questões de enorme profundidade. Os relacionamentos sexuais estão presentes na trama e aparecem com força e intensidade como nas outras obras do autor.

É preciso provocar um mundo que está em escombros. Pensar as coisas não apenas como o fato de que teremos que trabalhar amanhã, comermos amanhã, nos deitarmos amanhã. Pensar sobre as mesmas coisas, refletir sobre a nossa existência, procurar um sentido para a vida.

Para ler Marcelo Pereira Rodrigues você precisa entender logo de cara que o autor não tem foco em romances e aventuras, mas sim nos questionamentos da vida. Comecei A Queda com ansiedade pela ótima leitura que eu havia feito com Corda Sobre O Abismo. E posso dizer que as indagações que o autor propõe assumem um caráter maior pela grandeza com qual são colocados.

A Queda apresenta contextos que de primeira soam artificiais pela brevidade com o qual cada aspecto é tomado. Fiquei encucada com o propósito da primeira cena: ela nos apresenta diversos personagens e suas aflições, para então ser finalizada sem nenhuma resposta explícita, o que me deu necessidade de entender mais sobre todas aquelas personas. Dessa forma, o livro é envolvente desde o seu princípio pois a medida que avançamos na leitura nos encontramos novamente com os personagens não somente para entendê-los, mas para também e principalmente questionar os acontecimentos junto com eles.

E são suas personagens que dão a obra um ar excepcional, pois as situações colocadas estão dentro do comum e da medida do possível. Marcelo enreda por um caminho onde expõe que nas coisas mais simples da vida estão os maiores porquês. Nos brindando com personagem complexos que possuem medos e desejos. Dessa forma, foram bastante palpáveis os diálogos criados na obra. Para cada persona, suas falas fluíam de modo diferentes pois nós somos seres humanos diferentes. E em vários momentos me enxerguei dentro de alguns deles: na timidez, no falta de interação social, na culpa do que não se tem culpa… Isto me proporcionou uma experiência de encontrar na obra perguntas que nunca soube fazer.

Essa é uma obra para levantar questionamentos, não para construir respostas. Marcelo Pereira Rodrigues constrói su’A Queda como uma forma de fazer seus leitores recriarem seus olhares sobre aquilo que chamam tão levianamente de vida. O que nos faz donos de nós mesmos e quais caminhos precisamos trilhar para encontrar a verdade sobre a nossa existência.

| Resenha | Sob Os Olhos do Delírio – Fábio de Andrade.

À algumas semanas, Fábio de Andrade me convidou para ler os três contos que compunham Sob Os Olhos Do Delírio. Com um sorriso de orelha à orelha, aceitei lê-los mesmo não sendo a mais fanática do gênero. O resultado foi uma leitura em três níveis diferentes sobre a composição humana. O que somos e quais são os perigos que nossa própria psiquê nos impõe.

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Título: Sob Os Olhos do Delírio.
Autor: Fábio Andrade
Páginas: 26
Ano: 2017
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑

Sinopse: O que um senhor solitário assistindo uma garotinha sendo dilacerada por um demônio saltitante, um velho apaixonado e Nikolai, o enfermeiro de um hospício russo, têm em comum? Nessa antologia, Fábio De Andrade afoga seus leitores em um mar de agonia enquanto os três infelizes protagonistas só conseguem distinguir a vida da morte enquanto houver apenas tristeza em seus corpos. Dilemas de desespero, amor e horror são expostos da forma mais simples e poética da palavra, trazendo três situações em que ele deixa na mão do leitor decidir: A tristeza é causa ou consequência? Deixem que José de Alencar, o enfermeiro Nikolai e o velho marido de Lúcia lhe mostrem o real significado da melancolia em momentos que convergem no sentimento mais antigo e verdadeiro que a raça humana possui: o medo.

Narrados em primeira pessoa, os três contos conseguem ser diferentes um dos outros pela estilística que Fábio de Andrade utilizou em cada um. É visível as diferenças entre as narrativas que nos levam à imaginar cada situação de uma maneira diferente. Toma-se forma aqui a personalidade de cada personagem dando realidade aos acontecimentos. Entre emoções tão diversas, Fábio exibe por meio de três personas o medo, bem como o que o supera, mas principalmente o que o da forma.

O TRISTE FIM DE JOSÉ DE ALENCAR: Quando Andrade nos apresenta o conto, informa que o nome que dá à suas personagens são em realidade jogos de palavras, onde a sonoridade — e acrescento aqui a poética — como fundamentais para a construção da história. Enquanto lia o primeiro conto e imaginava a pessoa que o contava, pude perceber o encaixe de ambas as coisas: o personagem e a história narrada. De certa forma, tudo me remete à curiosidade que acaba por se tornar mais forte que o próprio medo. O autor busca explorar o fato — mais do que comum ao homem — que nossa curiosidade é potencialmente mais forte que o terror. Somos movidos pela necessidade de saber sem levar em consideração as consequências e principalmente à razão. De certo modo, esse conto caminha à nós com o sentido de nos mostrar os perigos de nossa própria curiosidade.

São esses momentos que refutam a ideia de que um destino premedita a vida de todos; o ser humano apenas toma decisões erradas quando as corretas são óbvias.

EM CASA: É o conto mais simples, mas nem por isso menos bom. Antes de tudo, é uma história de amor e saudade. O que nos faz estar em casa não são os confortos ou o teto, são as pessoas que nos aguardam. Alfredo, nosso herói, nos mostra isso: a verdade por detrás de quem somos e com quem queremos estar pela certza de ser aquilo que nos completa verdadeiramente.

OBMEN – 01: Fábio de Andrade ressalta na apresentação do texto que este é seu conto favorito e sem dúvidas devo concordar com ele. O conto se passa em um hospício e, obviamente, a loucura está presente em cada canto da obra. O que mais me deixa estupefata porém não essa loucura, mas o que vem com ela. Pois mais uma vez, Andrade brinca com o que acreditamos. O que nos faz presentes e seguro de nós mesmos é nossa mente e percepção do mundo. Quando isto é nos tirado, não resta nada exceto a progressão da incerteza. Mas especialmente, nos resta nada exceto um punhado de mentiras e a decisão frágil do que escolher acreditar.

Para finalizar, só posso dizer que o texto de Fábio de Andrade é o tipo que você precisa ler para entender com veracidade tudo que ele trata. Partindo de um misto de emoções, o autor te leva a pensar no que você é em todas as suas formas. O medo é parte de todos os homens pois é um estado da nossa natureza. Mas o que nos motiva à ter medo? O que nos faz ter coragem de enfrenta-lo? É isso que Andrade expõe em sua narrativa. A verdade que esta enraizada Sob Os Olhos Do Delirio: o que nós escolhemos enxergar quando todas as condições à nossa volta estão à nos enlouquecer.

| RESENHA | Uma Noite Para Se Entregar – Tessa Dare – Spindle Cove 01

Olá corujinhas! Tudo bom com vocês? Há alguns dias li um primeiro livro da Tessa Dare. Sou uma fã incondicional de romances de época e quase sempre estou à ler livros do gênero. Mas ler Tessa Dare foi bem diferente do que estou acostumada. A autora, apesar de não o ter feito um livro perfeito, conseguiu me deliciar com um romance envolvente e personagens fortes.
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Título: Uma Noite Para Se Entregar
Título original: A Night To Surrender
Autora: Tessa Dare
Editora: Arqueiro
Páginas:
Ano:
Avaliação: 👑 👑 👑
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Spindle Cove é o destino de certos tipos de jovens-mulheres: bem-nascidas, delicadas, tímidas, que não se adaptaram ao casamento ou que se desencantaram com ele, ou então as que se encantaram demais com o homem errado. Susanna Finch, a linda e extremamente inteligente filha única do Conselheiro Real, Sir Lewis Finch, é a anfitriã da vila. Ela lidera as jovens que lá vivem, defendendo-as com unhas e dentes, pois tem o compromisso de transformá-las em grandes mulheres descobrindo e desenvolvendo seus talentos. O lugar é bastante pacato, até o dia em que chega o tenente-coronel do Exército Britânico, Victor Bramwell. O forte homem viu sua vida despedaçar-se quando uma bala de chumbo atravessou seu joelho enquanto defendia a Inglaterra na guerra contra Napoleão. Como sabe que Sir Lewis Finch é o único que pode devolver seu comando, vai pedir sua ajuda. Porém, em vez disso, ganha um título não solicitado de lorde, um castelo que não queria, e a missão de reunir doze homens da região, equipá-los, armá-los e treiná-los para estabelecer uma milícia respeitável. Susanna não quer aquele homem invadindo sua tranquila vida, mas Bramwell não está disposto a desistir de conseguir o que deseja. Então os dois se preparam para se enfrentar e iniciar uma intensa batalha! O que ambos não imaginam é que a mesma força que os repele pode se transformar em uma atração incontrolável.

Não mulheres, nem homens, mas o que há entre duas pessoas que precisam uma da outra mais do que precisam respirar. Você pode discutir comigo tudo o que quiser, mas não pode negar isso. Eu sei que você sente.

O mais interessante de ler livros aos quais não sabemos nada é a capacidade de que estes tem de nos surpreender. Em Uma Noite Para Se Entregar, fiquei surpresa pelo modo feminista e empoderado com o qual a história foi conduzida. Tessa Dare possuí uma escrita clássica e fluída. Criou cenas de tirar o fôlego pela dinamicidade de seus diálogos. Mas principalmente foi brilhante o modo com o qual o poder feminino esteve presente em toda obra. Susanna Finch foi uma personagem tempestuosa, mas forte que soube mostrar à todo momento sua capacidade de tomar decisões e não se deixar ser submetida. Esse detalhe de feminismo presente na obra de Tessa foi com certeza o fato que eu mais gostei. Pois não foi algo jogado em cima de nós, mas sim conduzido de modo natural fazendo parte do contexto da obra como parte inexorável da história. Se Susanna não fosse tão forte e determinada nada daquilo faria sentido: é sua força que move as pessoas à sua volta.

Se o feminismo foi um dos pontos chaves da obra, os personagens foram importantíssimos para dar continuidade a esse conjunto. Cada um à sua maneira fez o poder feminino parecer natural, sejam os personagens à favor que já estavam acostumados aquilo ou os contra que viram na situação um absurdo. De todo modo, eu vi realidade nas ações dos personagens. Mesmo para uma época onde nós mulheres deveríamos seguir esteriótipos, as ações que levaram os personagens à sair dele tiveram seu grau de verdade dando credibilidade ao livro.

Você é humano. Todos temos medo, cada um de nós. Medo de viver, de amar e de morrer. Talvez marchar o dia todo em colunas organizadas distraia você da verdade. Mas e quando o sol se põe? Ficamos todos tropeçando na escuridão, tentando sobreviver a mais uma noite.

Mas se um dos meus pontos favoritos foi justamente à parte crível da história, o negativo foi os pontos de irrealidade que ficaram gritantes durante o enredo. O romance foi bem elaborado e bastante sensual. Não posso dizer que eu tenha caído de amores pela relação de Susanna e Bramwell ou encontrado nele o crush dos sonhos, mas também não devo negar que houve momentos que torci pelo casal. Contudo, houveram cenas — de sexo principalmente — aos quais não consegui ver a menor possibilidade daquilo acontecer. Pois ficou distante de mais do possível e de certo modo até exageradas. Não tenho certeza essas cenas foram inseridas apenas para quebrar o choque de realidade, mas seja como for, não conseguiram surtir em mim os efeitos desejados.

Críticas à parte, Uma Noite Para Se Entregar foi uma leitura que me surpreendeu pelo contexto criado durante à obra. É muito raro ver romances de época que optem por ir além do amor mas inseram questões no contexto. Afinal a literatura, clássica ou contemporânea, é uma ponte para divertir, emocionar e discutir assuntos que precisam ser discutidos.

Nossa casa é onde as pessoas precisam de nós.

| RESENHA | Mestre das Chamas – Joe Hill

Oii Corujinha, tudo bom? Esses últimos meses do ano têm sido recheados de grandes leituras. Mestre das Chamas de Joe Hill foi com certeza uma delas. Em uma ficção científica — mas intrigantemente classificado também como terror — o autor cria um universo apocalíptico onde o medo e a incerteza são peças chaves para o enredo.

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Título: Mestre das Chamas
Título original: The Fireman
Autor: Joe Hill
Editora: Arqueiro
Páginas: 592
Ano: 2017
Avaliação: 👑 👑 👑 👑
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Ninguém sabe exatamente como nem onde começou. Uma pandemia global de combustão espontânea está se espalhando como rastilho de pólvora, e nenhuma pessoa está a salvo. Todos os infectados apresentam marcas pretas e douradas na pele e a qualquer momento podem irromper em chamas. Nos Estados Unidos, uma cidade após outra cai em desgraça. O país está praticamente em ruínas, as autoridades parecem tão atônitas e confusas quanto a população e nada é capaz de controlar o surto. O caos leva ao surgimento dos impiedosos esquadrões de cremação, patrulhas autodesignadas que saem às ruas e florestas para exterminar qualquer um que acreditem ser portador do vírus. Em meio a esse filme de terror, a enfermeira Harper Grayson é abandonada pelo marido quando começa a apresentar os sintomas da doença e precisa fazer de tudo para proteger a si mesma e ao filho que espera. Agora, a única pessoa que poderá salvá-la é o Bombeiro – um misterioso estranho capaz de controlar as chamas e que caminha pelas ruas de New Hampshire como um anjo da vingança. Do aclamado autor de A estrada da noite, este livro é um retrato indelével de um mundo em colapso, uma análise sobre o efeito imprevisível do medo e as escolhas desesperadas que somos capazes de fazer para sobreviver.

Comecei Mestre das Chamas com uma pitada de incerteza sobre o que poderia me esperar no caminho. Conheci o livro através de uma resenha fantástica da Bia do blog Literatura Estrangeira (clique aqui para ler a resenha dela também) e fiquei com a obra na cabeça desde então. Em tempos cada vez mais assombrosos onde parece que estamos sempre a beira de um colapso, ler um livro que retrata o apocalipse parece ser obrigatório. É como vislumbrar o poder que a humanidade têm de ser bondosa e gentil ao mesmo tempo que é capaz de atrocidades para salvar a própria pele. Por isso, ao me deparar com a narrativa de Joe Hill sabia que teria um caminho permeado por verdades cruéis sobre quem somos e o que podemos ser. O livro não é apenas uma estória do mundo acometido pelo caos, mas uma quase história de porque esse caos existe.

Existe algo de terrivelmente injusto no fato de morrer no meio de uma boa história, antes de  ter oportunidade de ver como tudo acaba. Em certo sentido, claro, eu acho que todo mundo sempre morre no meio de uma boa história. Da sua própria história. Ou da história dos seus filhos. Ou dos netos. A morte é sempre dureza para os viciados em narrativas.

Joe Hill tem uma narrativa ao mesmo tempo lenta e fluída. Aquele tipo que você vai ler durante horas sem cansar, mas que vai precisar de tempo para diregir o que esta sendo contado. Usando de uma linguagem comum e referências maravilhosas, em uma camada superficial Joe dá um mundo comum apesar da doença que se espalha. É perceptível aqui como o autor tenta ligar o leitor à narrativa como se dissesse: Hey, esse mundo aqui um dia foi o seu. Foi uma maneira absurdamente brilhante de conectar os fatos presentes no livro à vida do leitor. Quando você percebe a camada de referências entende-se também como parte da história. Poderia ser sua mente fazendo ligações aqui e lá.

A morte e a ruína são o ecossistema preferido do homem. Já leu sobre a bactéria que prospera dentro dos vulcões, bem à margem da rocha fervente? Somos nós. A humanidade é um germe que prospera bem na fronteirada catástrofe.

Mas apesar de ter gostado do modo como o autor conduziu seu enredo tenho que admitir que senti uma certa proscastinada em suas páginas. O livro poderia facilmente ter umas cem páginas a menos. Entendo que boa parte dessa procrastinação foi a criação de aliserce da obra mais seguro da obra ou a enfatização de certos pensamentos, mas também percebo que o mesmo efeito teria sido produzido de uma forma ou de outra.

Desespero é apenas um sinônimo de consciência, e demolição é quase o mesmo que arte.

Em relação aos personagens, foi interessante ver como a abordagem de suas ações foi comum. Todas as decisões tomadas foram frutos de algo que realmente poderia ter acontecido. Ao ler livros, uma coisa que me irrita bastante é quando o personagem toma uma decisão bem viajada, daquele tipo que qualquer um pode notar que se fosse na vida real não teria sido feita. Então fico feliz em dizer os personagens de Mestre das Chamas não se entregam à esse erro. Pelo contrario, suas ações — idiotas ou não — provém dos pensamentos de personalidades verossímeis sendo guiadas pelo medo e pelo instinto de sobrevivência.

O medo não tende a fazer as pessoas moderarem seu uso de táticas extremas.

O medo é uma das — se não a — condição mais pura do homem. O medo nos faz crianças tolas que precisam de um guia ou adultos cruéis que faram de tudo para sobreviver. Quando estamos amendrontados viramos um produto do instinto de sobrevivência. A racionalidade se extingue e somos dominados pela vontade simples e pura de continuar vivendo. É exatamente isso que Joe Hill vai expor em seu apocalipse. O medo é o elemento central que irá guiar todos os outros, pois sempre que existe uma criança tola existe um adulto cruel para lhe guiar. Hill demonstra como ficamos a mercê de qualquer pessoa querendo acreditar que tudo aquilo é para o nosso bem ou tudo que fazemos é para o bem de quem amamos.

Mas aí penso, ué, mesmo antes da Escama do Dragão a maioria das vidas humanas era injusta, brutal, cheia de perda, tristeza e confusão. A maioria das vidas humanas era e é curta demais. A maioria das pessoas passou a vida faminta e descalça, fugindo de uma guerra aqui, de uma fome ali, de uma epidemia aqui, de uma enchente acolá. Mas as pessoas mesmo assim precisam cantar. Até mesmo um bebê que não come há dias para de chorar e olha em volta quando ouve alguém cantar de alegria. Quando você canta, é como dar de beber à quem tem sede. Uma gentileza. Isso faz você brilhar.

Mas se Joe nos mostra o lado fraco da humanidade, ele também nos mostra como supera-lo. Foi tocante ler cenas de compaixão em meio à tanta raiva. Desvendar que se para dez pessoas horríveis existe uma que se levanta contra. O medo não possui somente um lado. Com ele vem também a coragem para lutar por um dia melhor. Não precisamos nos ajoelhar, como também devemos lutar por quem acreditamos. Alguns de personagens nos guiam a acreditar nisso. Harper, por exemplo, tanto quer proteger seu filho como também zelar pelas pessoas que conheceu. A monstruosidade lhe faz ter medo, mas o amor lhe da coragem.

A sua personalidade não é só uma questão do que você sabe, mas do que os outros sabem sobre você. Você é uma pessoa com sua mãe, outra com seu par, e uma terceira com seu filhoou filha. Essas outras pessoas criam você tanto quanto você mesmo se cria, elas lhe dão seu acabamento. Quando você se vai, aqueles que deixou para trás guardam a mesma parte sua que sempre tiveram.

Em meio a todos esses contextos, Mestre das Chamas é um livro supreendene pela proeza de nos fazer pensar. O mundo acabou pela primeira vez em água e pela segunda pode ser em chamas. Mas ambos talvez tenham em comum a maldade do homem como sua própria ruína. Não é a natureza em si que nos matará, mas a verdadeira natureza do homem que sempre o conduz rumo à sua destruição. A diferença entre viver ou morrer esta em quem todos iremos ser quando este tempo chegar.