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( Livrosofia ) Os Gêneros Através da História

Olá Corujinhas. Eu tenho falado bastante sobre os gêneros e como eles se configuram na perspectiva maior do Romance, mas até agora foram todas de modo bem pessoal. Por isso no post de hoje irei falar dos gêneros literários de uma perspectiva histórica e como as classificações evoluíram através dos séculos. Espero que gostem.

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A literatura é uma manifestação artística que nasce da mente dos autores e se modifica pela interpretação dos leitores tornando-se impossível conceituá-la como um todo. Por esse motivo, é importante ressaltar que mesmo que essas classificações históricas tenham caráter de maior importância, não podemos colocá-las como fonte principal de estudos ou mesmo classificações. Gêneros são apenas guias para uma melhor direção do que estás a se procurar.

É importante, antes de tudo, ressaltar que na literatura, as uma denotações acerca dos gêneros não  ultrapassam as noções de espécies sendo exclusivas do agrupamento de caracteristicas em uma obra artística. No caminho para conceituar os gêneros, Platão postula no Livro III de A República que a obra literária era parte da cateogoria mimética imitando a realidade diferenciando os gêneros a trágedia, a comédia e o épico. Há também uma tentativa de sistematização das “formas” literárias, mas sua Poética ficou incompleta. Desse modo, temos uma ideia aproximada do que seriam os gêneros. Apenas mais a frente com Aristóteles, existe a primeira tentativa de uma sistematização das formas literárias que adiquiram a classicação tripartida: dramático (onde se estabelece a comédia e tragédia), épico e lirico. Isso, porque para Aristóteles, os gêneros estavam de acordo os meios, os objetos e os modos miméticos sendo sua divisão apresentada ora por elementos relativos ao conteúdo, ora em elementos referentes à forma.

Foi apenas na Idade Média divisão dos gêneros foi difundiu-se ao mundo muito embora apresentassem as mesmas ideias básicas da fala de Platão. Como todos sempre se fundamentavam na ideia de que a mímese era o ponto fundamental de toda obra, os gêneros eram vistos como ideias fixas que deveriam ter sempre as mesmas características. Por esse motivo, do Renascimento até o Barroco, essa classificação tripartida dos gêneros foi considerada uma verdade inquestionavél. Nessa época, entendiam-se os gêneros como formas fixas, mantidas por regras inflexíveis às quais os escritores deveriam obedecer. Assim, cada gênero (dramático, épico e lírico) se subdividia em gêneros menores, mas que se distinguiam uns dos outros pelo rigor de regras que incidiam nos aspectos formais, estilísticos e temáticos.  Além dessa classificação de gêneros, também tinha-se a variação de importância e hierarquização que definia o um gênero sendo maior ou menor que outro.

Somente no Romantismo e as ideias libertadoras que a classificação dos gêneros sofreu mudanças significativas havendo a condenação daquilo que era chamado a pureza dos gêneros. No século XIX, houve defesas de que os gêneros literários não eram imortalis sendo um organismo vivo possuindo todos os estágios de sua mudança: nascimento, amadurecimento, envelhecimento e morte, isto sendo condicionado ao domínio dos gêneros mais fortes. Tal concepção foi combatida posteriormente por Benedetto Croce que defendia a ideia de que cada obra era única expressando um estado de vida individual.

Mas é certo afirmar que mesmo com todas as discussões de gêneros dos séculos anteriores, o problema continua indefinido pela falta de aceitação do hibridismo dos gêneros. A concepção de gênero é fundamentada na ideia de categoria, ou seja, de pertencimento a ideia de família. O critico, que antes de ser critico é também um homem, sempre esteve acostumado a classificar as coisas e dar nomes a elas como forma de convencimento que assim poderá entender melhor o mundo que o cerca. Cria-se  estruturas repetidas e repetíveis que se perpetuam ao longo dos tempos. Porém, sabemos que o enunciador também pode modificar essas estruturas, pode movimentar-se e construir enunciados, ora estáveis, ora moventes, mutáveis, modificados, híbridos.

Contudo, para a literatura entender tal mutação é uma tarefa difícil pois a tradição ainda é o pano de fundo que enxerga em suas obras. Em ponto de vista pessoal, tal perspectiva se torna infundada pela modificação que as obra literárias sofreram ao longo do tempo principalmente com o nascimento do Romance. Assim, não se deve levar somente em consideração o valor hierárquico do material para a determinação da forma artística, mas também a relação entre autor e o texto, bem como o fato do ouvinte exercer influência sobre os outros dois.

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Como vocês devem notar, a literatura é de certo modo arcaica. Não se deve levar em consideração só gêneros como fundamento especifico de uma obra, pois tudo deverá ser condicionado ao leitor, ao texto e o autor.

 Espero que tenham gostado. Beijos

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( Livrosofia ) Contruções de subgêneros.

Oii amores. Bem vindos à mais um Livrosofia e hoje vou dar continuidade ao post anterior sobre gêneros literários. Antes de mais nada, gostaria eu de colocar para vocês que esses posts não possuem caráter informativo, mas sim artigos de opinião já que não tenho (mesmo que ainda) a formação e o estudo necessário sobre os gêneros literários para afirmar qualquer coisa. Essa nota de esclarecimento é por causa dos títulos que tenho usado que estão inseridos na aréa da literatura, mas essa é a única parte totalmente cientifica deste artigo. Obrigado.

Palavra puxa palavra, uma ideia traz a outra, e assim se faz um livro, ou uma revolução.
– Machado de Assis.

No post anterior, eu tinha mencionado sobre os gêneros de forma bastante superficial, denotando que são gêneros e o que podemos esperar deles em suas entrelinhas. Eu segui apenas as linhas gerais do Romance – a mesma que trabalharei aqui – já que os livros que nós lemos hoje em dia são fundamentados nessa base. Para dar continuidade à isto, hoje vou falar um pouco sobre os subgêneros que ajudam a compor os livros já que estes são fundamentais para o contexto geral de uma história.

Numa perspectiva histórica, Aristóteles fundamenta na Poética que os gêneros são apenas caminhos que tomamos para classificar os livros sem que devamos obter a preocupação de tomá-los ao pé da letra. Dessa forma, ao traçar o parâmetro dos gêneros, deve-se ter em mente que esta é apenas uma  maneira de gerir este conhecimento e criar categorias para coloca-los em um determinado contexto. Trazendo para a atualidade, pode-se dizer que os subgêneros do romance se incluem nesta categoria. Pois apesar de terem suas premissas parecidas, a construção total do texto se dá pela maneira com o qual um autor resolve abordar determinada questão. E muito disso se deve ao gênero subsequente que determina o tipo de narrativa que o livro toma.

Tomando como base autores de suspense, quem conhece Gyllian Flynn (Objetos Cortantes) e Harlan Coben (Sem Deixar Rastros) sabe o quão diferente estes autores trabalham suas histórias. Enquanto Coben se firma mais pela ação, Flynn opta pelo caminho do drama. Isto porque apesar dos dois usarem do mesmo gênero como princípio da obra terminam por modificar sua estrutura narrativa em favor do subgênero.

Esse tipo de construção pode ser observado nos diferentes gêneros que são predominantes nas estruturas narrativas aos quais estamos acostumados. É interessante perceber que apesar da pouca quantidade de gêneros básicos mais recorrentes, o modo com o qual estes são combinados com os subsequentes auxiliam a criar o mundo diversificado de leituras que conhecemos. É como se fossem os alimentos que combinados geram uma explosão de múltiplos sabores.

Na literatura, os subgnêros são considerados de baixa importância pois eles não são considerados importantes para o fazer de uma narrativa que se modifica não por eles e sim pela maneira diferente com o qual cada autor tem de enxergar o mundo. Não nego que isto tenha sua verdade: afinal de contas, cada autor tem sua maneira única de enxergar sua literatura e fazê-la funcionar. Porém, não acredito que se exclua totalmente o viés do subgênero, pois – querendo ou não –, todo autor busca nestes certa base para criar seus mundos.

Para finalizar, devo ressaltar que a leitura é um ato individual (como falei tantas outras vezes em outros textos) de modo que a literatura, mesmo com seus fundamentos em seios comuns, acaba por ter formas e virtudes diferentes para cada leitor. Dessa forma, meu entendimento particular de subgêneros vem das inúmeras leituras que realizei durante os anos e das percepções que absorvi em todo este tempo. Por isso, tenho uma pergunta a te fazer: Como você enxerga o subgênero narrativo???

Espero que tenham gostado. Em breve vou trazer uma literatura mais completa dos gêneros e seu estudo através da história. Beijos.

( Livrosofia ) Uma Questão de Gênero

Oi Corujinhas. Tudo bom?? Hoje é um dia super especial que marca a volta do meu, do seu, do nosso Livrosofia (👏). Ah como estava com saudade de conversar sobre livros e leituras com vocês. Mas também precisava descansar meus dedos um pouquinho certo? Na volta desta categoria vou falar um pouco sobre construção de gêneros literários, para em breve levantar uma questão mais da literatura de como se inaugurou os gêneros e as primeiras resoluções sobre eles.

Na literatura clássica sabemos que existe uma quantidade enorme de gêneros da poesia à prosa que fazem dela tão diversificada. Mas por uma visão menos conservadora e mais atual é bem certo que os subgêneros do Romance trabalham como modelos na construção dos livros que costumeiramente lemos. Este gênero é classificado como qualquer obra literária que apresenta narrativa em prosa, normalmente longa, com fatos criados ou relacionados a personagens, que vivem diferentes conflitos ou situações dramáticas, numa sequência de tempo relativamente ampla. A partir do que se concebe por Romance, como uma grande árvore genealógica, surgem ramificações denominadas subgêneros que por sua ver irão criar mais subs fazendo assim uma grande cadeia de classificação. De imediato existe a divisão de conto versus novela seguidos da não-ficção e ficção. Neste post, irei tomar apenas este último para conteúdo.

Dentro das Ficções existem cinco grandes divisões que caracterizam os demais subgêneros. O Romântico, o Suspense, a Fantasia, o Terror e a Ficção Científica. Quando lemos demais de um mesmo gênero podemos ressaltar semelhanças entre os livros que partilham uma mesma construção de enredo caracterizando-os como pertencentes à uma família ou a outra. Na fantasia entram os elementos fantásticos para revelar a disputa entre o herói e o vilão; no romance o casal se conhece, se apaixona, se separa, mas em n’s casos retomam; no suspense o vilão é o que aparenta mais inocência; no terror a luta é contra o mal personificado. Mas, por mais óbvias que esses enredos pareçam, como não perceber uma camada mais afundo em cada um deles que o torna tão especial?

A grande questão dos gêneros contemporâneos não é o que se espera em sua obviedade, mas o que pode-se encontrar em seu cerne. Depois de tanto tempo lendo obras diversas criei certa expectativa entre os gêneros que acabam por definir também o que espero dos livros. Por não ler sinopses tento não julgar pela capa ou pelo título, mas é quase impossível não o fazer pelo gênero. Acabo entendendo gêneros como uma necessidade de explorar questões próprias à eles.

Começando pelas Fantasias é certo que o universo ambientado esta sempre permeado pelos jogos de poder. Mesmo que se trate de uma luta entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, vê-se sempre disputas pelo controle de algo em seu enredo. O poder é uma versão de política onde quem controla o mundo controla à todos. Em Harry Potter e Percy Jackson esta luta se dá entre duas pessoas, já em Game Of Thrones e A Maldição do Vencedor os reinos é que tomam forma como denominadores disputas. Dessa maneira, disputas de poder são sempre centralizadas em sua história.

O Drama vem de forma mais reflexiva para nos fazer pensar em nossa existência. Em realidade para nos fazer entender nossas ações e seus significados. Em vários livros com essa temática, suas personagens são levadas a situações extremas dentro da psiquê. Pelo conflito que provoca, é um gênero pautado para provocar a queda e sucessetivamente superação quando se entende o que se é verdadeiramente.

O Terror possuí os medos da sociedade personificados. O terror costuma horrorizar seus leitores em uma amostra perfeita das verdadeira atrocidades do ser humano. O objetivo é horrorizar o leitor lhe mostrando que o mal não é feito de criaturas monstruosas, mas do próprio homem que é possui essa natureza.

Já nos caminhos da Ficção Cienifica, pode-se ressaltar que ela segue pelo mesmo viés existencialista do Drama, muito embora não apele para situações extremas sendo bem mais sútil que o irmão. Pois existencialismo da sci-fi é mundial enquanto o do drama é pessoal. O gênero costuma usar da tecnologia como perigo para a sociedade pois estamos cada vez mais à sua mercê. O espaço das relações humanas perde cada vez mais espaço para o mundo virtual e como não pensar no que o mundo pode se tornar quando cada vez mais frios ficamos?

E por fim o Romântico que envolve de modo tão simbolicamente as questões sentimentais. Esse gênero é provalvelmente o que melhor costurado por seu empirismo. O amor é tão abrangente que pode ser encontrado em diversos lugares. O Romântico desenrola-se através pela nem tão simples perguntas do que nos faz amar, como amamos e porque merecemos ser amados. Entre familias, casais e amigos cada livro busca a ponte para responder essa questão.

Gêneros Literários Contemporâneos não podem ser rotulados apenas pelo óbvio mas devem ser entendidos pelas perguntas que trazem. Mas obviamente nunca conseguirei expressar ao fundo tudo sobre gêneros. Cada livro é traz uma coisa nova mantendo a literatura em uma constante mutação. Entender uma pequena peça de sua construção é somente um passo para sua compreensão.

Esse foi o Livrosofia de hoje. Espero que tenham gostado. Em breve terá bem mais.

| LIVROSOFIA | Não Tenha Vergonha.

Oii amores, como vão? Espero que o mês de outubro tenha sido recheados de leituras e que esse mês de novembro seja melhor ainda. Hoje é dia de mais um Livrosofia e o post de hoje vai ser mais curto que os anteriores, contudo, vai ser também mais crítico. Como venho falando sobre gêneros, amadurecimento literário e afins, o assunto de hoje é relacionado aos leitores, mas principalmente uma crítica aos julgadores e aqueles que se sentem intimidados por elas.

Ler um livro é uma tarefa única. Somos convidado à mergulhar em um mar de ideias, novas ou não. Procuramos sempre livros que nos atraiam e nossa bagagem nos faz gostar de um determinado livro ou não. Isso tudo, faz que toda leitura seja uma tarefa pessoal. Somos nós em toda nossa plenitudade que realizamos a leitura com colocando nosso tempo, nossas mentes e nossas experiências à favor de determinado livro. E mesmo assim ainda existe aquele leitor chato que tenta nos fazer sentir vergonha de termos lido certos livros. E de certa forma, talvez pareça estranho separar um dia no blog para tocar nesse assunto, mas realmente acredito que vergonha literária seja um assunto que deve ser tocado.

Quando vivemos em sociedade devemos estar preparados para sermos julgados. O humano é um ser crítico, mas sempre tem pessoas que estão dispostas à serem mais que isso, muitas vezes maldosas e arrogantes. Dentro do mundo dos leitores, era de se esperar que pessoas tão bem formadas ou nesse curso de formação fossem superiores à tais perspectivas, mas pelo contrário, é assombroso o quanto existem pessoas (inclusive leitores) por aí que se sentem no direito de julgar as outras pelo que elas andam lendo. E pior, o quão os próprios leitores às vezes sentem coagidos à ficarem envorganhados com suas leituras.

Para quem, como eu, costuma ler dos mais variados gêneros sem se preocupar com estilos e classificações de todo tipo, costuma receber aqueles olhares clássicos de não acredito que você gosta desse tipo de livros de pessoas que estão ali apenas para lhe colocar. Um exemplo clássico é o do livro erótico, mas acreditem quando digo que não é somente ele. Se você gosta de histórias mais infantis, por exemplo, costuma ser taxado de infantil; se gosta de ler clássicos, então é um careta metido; se gosta de ler romances então é uma garota boba. Todos esses esteriótipos ditos com aquela malicia velada características dos comentários maldosos.

Há também aquele tipo de situação que mesmo sem perceber os leitores hajem como se tivesem vergonha de certas leituras que tenham feito. Não necessariamente você, mas basta olhar ao redor para ver alguém encolhendo os ombros e dizendo não acredito que li isso e gostei! descartando uma leitura que fez parte de sua vida. Talvez por querer se sentirem mais maduros à si ou aos olhos de outra pessoa.

O grande erro nestes dois tipos de vergonha literária é justamente a nescessidade que o próprio leitor parece ter em relação à sua estada com outras pessoas se esquecendo do quão pessoal é o ato de ler. Nossas leituras são importantes para nossa vidas independente de termos gostado ou não – de ainda gostarmos ou não, pois elas são o reflexo de tudo que fomos e do caminho que percorremos para nos tornar leitores. Sentir ou deixar que alguem nos faça sentir vergonha tambem é manchar esse caminho.

Então, finalizando essse texto com uma frase de Ray Carson; Não importa é 50 Tons de Cinza, Crepúsculo ou Guerra e Paz. NUNCA deixe ninguém fazer você sentir vergonha de algo que você ama ler.

Até a próxima corujinhas.

| LIVROSOFIA | Componentes Literários.

Oii amores, tudo bom com vocês? Hoje é dia de mais um livrosofia. Espero que vocês estejam gostando dos temas das postagens. Hoje, vou livrosofar sobre os componentes da narrativa tão importantes na construção do universo dos livros. Esse post será de longe o mais pessoal da categoria porque tenho certeza que esses integrantes se comportam de maneiras diferentes para os leitores.

Quando comecei a ler, eu tinha quatro anos (viva minha mãe!), mas só me tornei uma uma leitora voraz muito depois quando ganhei meu primeiro smartphone aos dezesseis. Foi quando descobri os livros online e posteriormente os digitais. Naquela época, os livros me ganhavam com facilidade pois eram mundos extremamente novos. Mas a medida que os anos foram passando, eu lia cada vez mais de modo que fui mudando meus conceitos e adquiria maior criticidade com o que estava lendo. Não era mais toda obra que me chamava atenção nem toda que me surpreendia. Resgatando o que falei no mês passado, cresci literariamente e os componentes foram ganhando outra proporção ao passo que criei novos parâmetros sobre o que considerava importante em um livro. Meus componentes literários amadureceram junto comigo.

O primeiro ponto que me faz gostar ou não de um livro é a sua narrativa de um modo geral. Esta tem que conquistar provocando minha vontade de continuar lendo. Hoje em dia não tenho mais problemas em abandonar obras pois como sabem a vida é muito curta para ler livros ruins. Já abandonei um par de livros que pareciam ter uma boa história, mas não fluentes por terem uma narrativa fraca ou repetitiva. Não que eu espere que toda leitura seja fácil, mas se não existe ali um real sentimento de ler não o farei. Sempre procuro ir até o fim de leitoras que me estimulem, afinal de contas se eu não amar o que estiver lendo, não faz o menor sentido continuar. Dentro da narrativa, a maneira com o qual o autor irá conduzir a história em termos de escrita também me influência à continuar lendo o livro. Em uma questão de detalhismo, sou do tipo de leitora que gosta de uma execução mais minimalista ou no quesito ambiente, ou no quesito emoção: quando encontro livros que trazem um trabalho maior detalhes é como se eu fizesse parte da história já que consigo me ver dentro dela.

Se o primeiro ponto é a narrativa, o segundo será com certeza a construção dos personagens. Existem variados tipos de pessoas no mundo, mas a perfeita não é uma delas. Se tem uma coisa que me deixa bastante irritada com um livro é a construção de personagens perfeitos. Em uma consideração de obras que li e percebi essa perfeição, posso dizer que em suma maioria acabei não gostando dos livros. A perfeição tira o credível de qualquer obra, o que — mesmo em ficções — é um ponto chave para uma boa leitura. Se não mergulhamos e não acreditamos no que estamos lendo, não faz muito sentido continuar lendo. Por esse motivo, para personagens, algo que ajuda em sua construção é a pré-história que eles carregam. Se todo leitor tem bagagem, obviamente todo personagem também deve ter a sua que é nada mais nada menos que toda sua trajetória de vida até ali. Não importa se um determinado personagem começa a contar sua história aos cinquenta anos, ele precisa ter nascido e crescido em dados momento para ganhar personalidade, afinal de contas ninguém nasce, cresce e morre com as mesmas ideias. Quanto mais um personagem tem sua história de vida trabalhada mais profundo e plausível ele ficará.

Seguramente, a narrativa volta à ser o foco principal dessa discussão quando penso nos motivos do autor. Se todo livro tem uma coisa em comum é que todos têm um motivo para serem escritos. Não estou falando aqui da moral da história ou o ensinamento que o autor quer passar ao fim de tudo — já que considero estas apenas consequências de uma boa narrativa do que algo feito de caso pensado; bons livros falam por si só —, mas sim daquele enorme xis da questão. (Dando um exemplo de um clássico: Qual motivo de Peter Pan? Um(a) autor(a) criou um mundo para falar sobre o medo de se perder a inocência com a chegada da maturidade). Dessa forma, se eu disser que o motivo da história é importante seria um eufemismo. O xis da questão é normalmente uma base que vai guiar todo o caminho traçado pelo autor. É o ponto inicial que vai definir os caminhos com os quais a história poderá ser desenvolvida.

Partindo disso, chegamos então ao ponto crucial de toda obra. Aquele momento que simplesmente vai definir se eu realmente gostei da obra ou não. Afinal, se toda obra tem os motivos que irão definir o caminho traçado, então todo livro deverá ter um bom porquê para lhe dar fundamento à sua argumentação. O caminho traçado pelo autor ao fim de tudo terá que fazer sentido quando ele enfim juntar todas perguntas que nos fazemos ao ler uma obra (Porquê o casal resolveu ficar junto ou não; porquê aquele personagem decidiu cometer um crime). O porquê de um livro é o ponto onde vamos decidir se aquela obra valeu a pena. Se todo caminho percorrido do começo ao fim fez sentido.

Os componentes literários não são moldes que se adequam a todos os livros. Não posso dizer que a falta de uma ou outra coisa influenciem completamente em minhas leituras. Mas estes são pontos de partida para eu analisar o impacto que aquela obra teve sobre mim em seus mais variados aspectos. Dessa maneira, gosto de pensar que livros são como roupas. Um autor irá desenha-la, planeja-la, corta-la e custurar ela da maneira com o qual achar melhor. Mas ao fim de tudo, será o leitor que escolherá se a aquela obra serviu-lhe ou não.

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Bem amores, esse foi o Livrosofia de hoje. Espero tenham gostado. Mês que vem vou trazer um pouco de História para vocês sobre os gêneros e sua classificação. Lembrando que vocês podem ver os outros posts da categoria através da aba aqui do lado. Mas enquanto isso, deixem comentários sobre os seus componentes literários. Eu ia amar saber o que conquista vocês livros.

Mil beijos. Até o próximo.

| LIVROSOFIA | Amadurecimento literário.

Oii gente, tudo bom com vocês?! Hoje é dia de mais um livrosofia, segundo post dessa série e admito que tenho me segurado para não ir postando tudo de uma vez. Já tive maravilhosas ideias minhas e de amigos para construção de postagens e por isso sei que esta série vai ter uma longa vida. Além disso, de vez em quando vou postar alguns trabalhos das minhas aulas de literatura aplicada da faculdade, pois já que somos leitores e nossa good vibes é literatura, nada mais justo que compartilhar com vocês algumas coisinhas sobre gêneros e quem sabe discussões sobre os papéis dos personagens e da própria literatura em contextos humanos. Então, como recadinho se vocês tiverem alguma ideia de discussões para essa aba, fiquem a vontade para comentar ou mandar um email. Eu adoraria saber mais um pouco sobre o que vocês gostariam de ver aqui no blog.

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Na semana passada falei um pouco sobre indicações literárias e como cada leitura é diferente para cada pessoa. Por isso, o livrsofia de hoje será sobre a bagagem que o leitor carrega e que vai aumentando com as situações ao longo do tempo. Mais especificamente será sobre o amadurecimento literário que todos nós temos a medida que vamos mergulhando cada vez mais no mundo dos livros.

Em todas as fazes de nossa vida, a medida que passamos por diversas situações, vamos aprendendo e evoluindo com elas. No mundo literário as coisas funcionam da mesma maneira, onde, através de cada obra, nossas formas de ver os livros vão mudando e se reinventando. Os leitores, principalmente os de longa data, podem perceber que certos tipos de obras não são mais tão prazerosas ou significativas como poderiam ter sido se houvesse sido lidas em uma época passada ou mesmo em uma futura. Os livros que lemos por obrigação nos tempos de escola não nos dizem muita coisa talvez pelo simples fatos de não estarmos preparados para eles. E os livros menos trabalhados, que não chegam a trazer uma história realmente bem construída as vezes parecem deixar uma sensação de nostalgia onde sentimos saudades de uma época onde sabemos que esta história funcionaria melhor. Não que isto se aplique a todas as obras, mas em parte delas, naquelas em que não conseguimos sentir seu impacto porque não estamos mais ou não chegamos ao momento de entender elas em sua plenitude.

O amadurecimento literário ocorre gradualmente sem ao menos nós percebemos. A medida que os componentes literários das obras vão se tornando mais importantes passamos a ter uma maior criticidade com o que estamos lendo. Assim, vamos ganhando personalidade crescendo em nossas leituras reconhecendo o novo do que já havia sido dito. Dessa forma, ao pensar que existe variados tipos de livros pois existem variados tipos de pessoas, inserimos aqui que existem variados tipos de leitores porque quando eles amadureceram literariamente o fizeram de modo diferente um dos outros.
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Essa evolução gradual ocorre porquê o leitor começa a sentir necessidade de uma maior construção na história tanto a favor de seu enredo como também de seus personagens. Não que busquemos isso arduamente, mas sim sendo algo que simplesmente acontece com todos porque nossa mente se torna mais complexa e para nos manter interessados também precisamos de livros mais complexos.

Amadurecer é tornar-se mais desenvolvido e complexo. É criar uma identidade, ser mais crítico e ponderado. No mundo literário, crescer é muito mais que começar a ler obras “intelectuais” ou mundialmente conhecidas. É principalmente discernir o que nos fazia feliz na literatura do início do que nos faz feliz hoje. É se tornar crítico não para os padrões da sociedade, mas aos nossos próprios criando assim autenticidade e reconhecimento sobre nossas leituras.

| LIVROSOFIA | Porque é difícil indicar um livro?

Oii gente, como vão? Hoje é dia de post novo no blog que vem recheado de novidades para os próximos meses. No “Livrosofia”, como o próprio nome sugere, vou filosofar um pouco sobre os livros, leituras e leitores todo esse universo mágico que amamos! Serão posts que vão falar de tudo um pouquinho: desde a história de como foi surgindo os livros e o poder que eles tem, até as curiosidades mais loucas passando também pelas dificuldades, desafios e manias dos leitores. Espero que todos vocês gostem desses posts novos e se divirtam conosco.

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Para iniciar, vou começar com um tópico que a primeira vista parece bem estranho: dificuldades em indicar livros. Apesar quando sempre somos perguntados a famosa frase me indica um bom livro? temos uma obra na ponta da língua, é difícil saber ao certo se a pessoa se interessou ou não, ou se ela gostou ou não gostou mesmo modo que a gente. A não ser que você conheça bem os gostos de alguém, indicar é sempre um desafio, pois ficamos sempre pensando em que tipo de obra agrada aquela pessoa. Afinal de contas, todo mundo pensa diferente e gosta de coisas variadas (essa é a graça da vida, certo?).

Existem livros diferentes porque existem diferentes tipos de pessoa. A não ser que alguém seja um mundo de ecleticidade, ela não vai gostar de tudo que põe as mãos e os olhos. Os pontos que compõe o livro têm uma função diferente para cada leitor. Seja gênero, desenvolvimento, personagens e moral da história, cada um desses ítens irá ter um papel fundamental para a concepção do que é um livro bom ou não. A exemplo disto, pode-se afirmar que nem todos os leitores que gostam do gênero suspense suspense vão gostar de todas as obras que lêem. Pois, um leitor que gosta de um suspense que tenha bastantes ações a nível de periculosidade, dificilmente irá gostar de um suspense mais dramático onde a narração além de mais pesada é concentrada nos personagens e em seus sentimentos. Além disto, quem nunca encontrou aquele leitor que diz não gostar de uma obra famosíssima e ficou chocado por isso? Como alguém pode não gostar daquela obra que amamos com todo o coração?

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Cada um pensa de uma maneira diferente e ninguém é obrigado a seguir a regra da maioria e gostar de algo que esta fazendo sucesso. Nós somos formadores de nossa própria opinião pois é nosso cérebro e coração que estão trabalhando arduamente para entender os rumos de uma história. Mesmo que alguém nos indique uma obra fantástica, não significa dizer que precisamos gostar dela. Significa apenas que temos personalidade para ir contra a opinião. E a pessoa que indica o livro precisa saber que o receptor da indicação tem suas próprias nuances aceitando sua concepção final.

Dessa maneira, indicar um livro é uma tarefa ao mesmo tempo simples e complicada. Dizer o nome de uma obra boa é fácil, mas fazer com que ela surta o efeito esperado é difícil. Não digo que devemos deixar de indicar livros ou parar de pedir indicação, afinal de contas é isso que eu mesma faço neste blog para todos meus amigos. Mas informo que cabe aos que desejam uma indicação filtrar as palavras dos indicadores, para que encontre seu livro perfeito e não sofra decepções.

Bem gente. O post de hoje foi este, espro que tenham gostado, mês que vem tem mais um Livrosofia e em breve vou deixar a categoria clicável para vocês. Beijos!