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(Resenha) Desaparecido Para Sempre – Harlan Coben

Minhas queridas Corujinhas, em uma tempestade de emoções imersas à um suspense de tirar o folêgo, Harlan Coben mostra porque é um dos autores mais aclamados da atualidade em um livro que te surpreende até as últimas palavras.

Desaparecido para sempre

 

Titulo: Desaparecido Para Sempre
Titulo Original: Gone for Good
Autora: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Ano: 2010
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐ ❤
Encontre: Skoob |  Saraiva  |  Amazon

Sinopse: No leito de morte, a mãe de Will Klein lhe faz uma revelação: seu irmão mais velho, Ken, desaparecido há 11 anos e acusado do assassinato de sua vizinha Julie Miller, estaria vivo. Embora a polícia o considere um fugitivo, a família sempre acreditou em sua inocência. Ainda aturdido por essa descoberta e tentando entender o que realmente aconteceu com seu irmão, Will se depara com outro mistério: Sheila, seu grande amor, some de repente, e o FBI suspeita do envolvimento dela no assassinato de dois homens. Apesar de estarem juntos há quase um ano, Sheila nunca revelou muito sobre o seu passado.Enquanto isso, Philip McGuane e John Asselta, dois criminosos que foram amigos de infância de Ken, passam inexplicavelmente a rondar a vida de Will. Para descobrir a verdade por trás desses acontecimentos, ele conta apenas com a ajuda de Squares – seu colega de trabalho em uma fundação de assistência a jovens carentes e proprietário de uma escola de ioga famosa entre as celebridades, o que lhe garante acesso a topo tipo de pessoas e de informações.

Ela me olhou, e eu pensei que aquele talvez fosse o jeito como eu costumava olhar para Ken, com uma mistura de esperança, adoração e confiança. Tentei parecer corajoso, mas nunca fui do tipo heroico.

Uma das coisas que mais me orgulho e também mais sinto raiva na minha vida de leitora, é minha capacidade de desvendar mistérios dos livros de suspense. Com o tempo, passei a não me importar tanto com os vilões e sim suas motivações. Mas a verdade é que eu gosto de ser enganada e sempre tem um sabor amargo quando descubro alguma coisa de determinado livro. Por esse motivo, posso dizer com todas as letras que Desaparecido Para Sempre é meu livro favorito de Harlan Coben. Por que se eu gosto de não saber quem é o vilão, imagine só ser “otariana” também nas motivações. Pois, meu caro leitor de asas, se está pensando que é fácil descobrir ambas as coisas neste livro, está redondamente enganado e pode ter certeza que Coben está em algum lugar rindo maleficamente de você.

A narrativa de Coben normalmente é baseada na ação com uma pitada satisfatória de drama. Nesta obra, porém, pelo contexto que o autor cria em sua obra podemos perceber que o autor tem mais enfoque no drama que na comédia. Isso ajudo a construir um aspecto bem mais perigoso para a trama, que com as inúmeras reviravoltas, transforma-se em algo ao mesmo tempo pesado e fluído. Você parece que leu mais de mil páginas, mas mesmo assim não consegue parar de ler o livro.

Para tornar ainda mais inesquecível o livro, Coben cria personagens que possuem conflitos e pensamentos reais que se adequam à eles por mais estranhos que possam parecer. Um irmão lutando pela inocência do outro é tão forte que mesmo que quando nós leitores duvidamos da verdade sobre Ken, também não podemos de ressaltar a razão que acompanha Will em sua luta.  Da mesma maneira que isso torna o livro mais verrossímel, também funciona para aproximar o leitor da obra ao criar uma motivação mais realística para os personagens.

Um dos pontos mais fortes deste livro, são os plot’s que o autor vai fazendo ao longo da narrativa. Dizer que temos uma para cada capítulo esta longe de ser um exagero pois é exatamente isto. A cada novo capítulo em que uma pequena peça se encaixa, outras são jogadas de lado. Não posso contar quantas vezes reformulei minha teoria que nunca conseguiu chegar próxima ao plot twist final. Foi arrebatador como Harlan jogou na minha cara (me estapeou) as inúmeras vezes que ele me mostrou o que tinha realmente acontecido e como ele agiu como um mágico verdadeiro: o segredo é sempre olhar para onde não está acontecendo o espetáculo principal.

Muitos leitores afirmaram que as reviravoltas são forçadas, mas devo dizer que em meu ponto de vista Harlan simplesmente brincou com a verdade que enxergamos. Imagine que somos uma sociedade que julga tanto por aparências como por boatos (veja o exemplo dos jornais sensacionalistas que fazem sucesso à custa de fofocas alheias), por isso que, de certa forma, esta obra também foi uma crítica ao senso de superioridade da sociedade que é formado a partir de concepções pré-estipuladas. Harlan te apresenta pontos de vistas sobre determinados personagens, para somente depois mostrar quem eles são de verdade.

Por inúmeros motivos, Desaparecido Para Sempre é uma leitura que vale super à pena. Para aqueles que não gostam de suspense: tem doses de romance. Para aqueles que nunca leram o gênero: é surpreendente. E para quem já é fã, é uma oportunidade única de saborear uma obra prima da literatura.

 

 

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( Resenha ) Em Casa Para O Natal – Cally Taylor

Minhas caras Corujinhas. Na vida as coisas podem acontecer como um turbilhão mesmo quando tudo parece estar acontecendo as mil maravilhas. Nossa história de hoje será sobre uma mulher que precisa aprender à se amar e encontrar seu destino através de suas próprias pernas.

Em Casa Para o Natal

Titulo: Em Casa Para O Natal
Titulo Original: Home for Christmas
Autora: Cally Taylor
Editora: Bertrand
Páginas: 350
Encontre: Skoob| Amazon| Saraiva
Avaliação:⭐ ⭐ ⭐ ⭐

Sinopse: Ela tem a vida quase perfeita. Seu único desgosto é nunca ter ouvido as três palavras mágicas: eu amo você. Beth Prince sempre adorou contos de fadas e acredita que está prestes a viver um final feliz: tem o emprego dos sonhos em um charmoso cinema independente e um namorado maravilhoso chamado Aiden. Ela faz parte de um grupo privilegiado de pessoas que trabalha com o que ama, e o entusiasmo pelos filmes intensifica a busca por seu próprio “felizes para sempre”. Só há um problema: nenhum homem jamais declarou seu amor por ela. E, apesar de acreditar que Aiden é o príncipe encantado, a protagonista desconfia de que ele tem medo de dizer “eu amo você”. Desesperada para escutar essas palavras mágicas pela primeira vez, ela resolve assumir as rédeas do destino — e acaba se arrependendo. Com Em casa para o Natal, Cally Taylor brinda o leitor com uma deliciosa comédia romântica que tem como pano de fundo o espetacular universo do cinema e os tempos festivos do Natal. 

Às vezes sinto como se houvesse algo errado comigo. Se não, por que os homens tomam tudo o que ofereço e depois me dão um pé na bunda? É como se eu não fosse boa o suficiente ou algo do gênero. Às vezes tenho a sensação de que quanto mais eu corro atrás do amor, mais rápido ele foge de mim.

Ler livros de comédia romântica é um desafio para mim. Isto, porque eu nunca consigo rir onde deveria acabando por terminar o livro com aquela sensação li errado, vou ter que ler de novo. Por isso sempre evitei novos autores para livros deste tipo fixando apenas naqueles que já estava acostumada. Até que em dezembro, numa linda promoção das lojas americanas, adquiri um exemplar de Em Casa Para O Natal de Cally TaylorUm dos meus projetos era até resenhá-lo para o natal, mas sabe como é a preguiça foi mais forte (kkk). De modo que acabei lendo ele somente em Fevereiro. E, para minha surpresa, foi uma leitura super gratificante que me deixou bastante satisfeita no final.

Como o bom chik-lit que é, Em Casa Para O Natal tem uma leitura que é pautada pela simplicidade de uma moça atrapalhada. Apesar do clichê clássico do gênero, nossa heroína acaba por ter uma personalidade bem complexa que vai além do esperado. Diferente da maioria, Beth não chega a ser uma mulher dotada de força e independência mas sim o oposto: ela precisa da aprovação de outras pessoas para se sentir mais plena. Chega à ser assustadora essa necessidade da personagem pois demonstra como o ser humano consegue ser frágil e insatisfeito consigo mesmo. Por isso, a partir disto, a autora toma para si a necessidade de mostrar a evolução da personagem. De frágil e desamparada, Beth transforma-se numa mulher independente para lutar por aquilo que deseja.

Um dos meus pontos favoritos da história foram os personagens secundários que carregaram a leveza na obra e os ensinamentos à serem passados para Beth. Tanto seu par romântico, como sua melhor amiga e também sua mãe trazem algo de novo a protagonista. O amor não deve ser fantasioso, a amizade não deve ter mentiras e a força de uma mulher está naquilo que ela – por si própria – é capaz de conquistar.

Em Casa Para O Natal deve ser um livro tomado sem nenhuma expectativa. Não é um livro de romance apesar de ele existir dentro da obra. É um livro sobre amadurecimento, sobre se encontrar. Um livro que realmente pode ser lido em todas as épocas do ano.

( Resenha ) O Conto da Aia – Margareth Atwood

Minhas caras Corujinhas. Para algumas pessoas, o mundo é preto e branco forjado naquilo que elas alimentam como verdade absoluta. Digo isso para que vocês possam se preparar para entrarem em uma sociedade onde a verdade que tentaram esconder de nós esta em pleno movimento.

o conto da aiaTítulo: O Conto da Aia
Título original:
 The Handmaid’s Tale
Autora: Margareth
Editora: Rocco
Páginas: 368
Ano: 2017
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐❤
Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

Sinopse: Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano

Observações: Este post vai ser metade resenha e metade spoiler. Haverá sinalização de onde a segunda começa. 

Antes de mais nada, quero de cara pedir desculpas. Esse vai ser, com toda certeza, um dos mais longos posts do blog. Eu não costumo fazer isso, mas pelo conteúdo de O Conto da Aia e pelas minhas considerações durante a leitura e pós, me sinto a vontade para falar de modo mais aberto possível o que vai resultar em uma longa discussão.

Conheci O Conto da Aia pelo blog da Vivi (O Senhor dos Livros) através uma resenha fabulosa dela, que me deixou bastante interessada em ler esta obra. Dessa forma, quando tive a oportunidade de ler livro por intermédio da minha amiga Cris, não perdi a oportunidade e corri pra obra. E ao finalizar a leitura, ganhei a certeza de ter sido um dos melhores livros de minha vida. É uma ficção com cara de real que me fez pensar muito além daquilo que estou acostumada.

Quando pensamos no passado são as coisas bonitas que escolhemos sempre. Queremos acreditar que tudo era assim.

O Conto da Aia é, antes de tudo, um livro sobre a humanidade. De certo modo, representa com clareza os seres primitivos que somos. Acima de tudo nosso egoísmo, nossa dependencia e nossa vontade de fazer nossas verdades mais fortes que as de outrem. Com uma narrativa lenta, mas profunda, Margareth Atwood demonstra como a República de Gilead está terrivelmente próxima à nossa. Não somente pelo tempo, mas pela maneira com que os cidadãos pensam sobre papéis de uma pessoa em sociedade.

O livro é pautado através dos preceitos biblicos interpretados ao pé da letra. É estranho ver como a autora se apropria de pedaços da Biblia para embasar a teoria que rege sua república. Pois do mesmo modo que podemos perceber a verdade de suas palavras, também é possível o tendecionalismo que a envolve. Isto simplifica então o verdadeiro paramêtro do livro: o machismo que predomina para retirar das mulheres o direito delas de serem livres pela premissa que isso não é digno delas.

Aquilo a que chamo de mim mesma é uma coisa que agora tenho que compor, como se compõe um discurso. O que tenho de apresentar é uma coisa feita, não algo nascido.

De todas as formas que consegue, então, a autora busca demonstrar como nós mulheres somos rejeitadas como individuos nessa sociedade. Deixamos de ser nossas, e passamos à pertencer aos comandantes. Isto é tão forte que você passa a si ver como componente da obra e não mais como somente um leitor. Somos levados a nos colocar na pele daquelas mulheres para sentir o que elas sentem. Os choques são nossos bem como o ódio pela situação imposta.

Os personagens propostos por Atwood são opostos com versões diferentes de um mesmo pensamento. É interessante perceber que mesmo narrado em primeira pessoa por Offred, a autora tem o trabalho de deixar pistas sobre o que os personagem refletem sobre o que está acontecendo. Mas muito mais do que isso, como existe um cuidado especial dela em colocar as filosofias dos personagens a mostra de maneira que não somente possamos entendê-las, mas conceber os caminhos que levaram esses personagens a terem essas verdades. Esse ponto é um dos fundamentais de Atwood: você entende – mesmo não concordando – e é levado a refletir os motivos pelos quais consgue ou não dar razão a estas pessoas.

Margaret Atwood escreveu um livro que merece ser lido por razões inúmeras. A principal dela, diria eu, é entender que certas concepções por mais que as neguemos ainda estão infiltradas no seio da nossa sociedade como se esperassem o momento certo para nos dominarem como aconteceu com a República de Gilead. Recomendo este livro à todos aqueles que almejam refletir sobre a importância de mudar e não aceitar nenhum tipo de destratar.

A partir deste ponto esta resenha conterá spoilers.

Melhor nunca significa melhor para todos… sempre significa pior para alguns.

Ler O Conto da Aia me trouxe alguns sentimentos estranhos e diria até que fundamentais. Certas coisas, certas compreensões todos sabemos que estão presentes em nosso cotidiano. E por mais que saibamos disto, é sempre difícil falar sobre o assunto. Geram discussões que a maioria busca evitar pela dor de cabeça que traz. Mas a verdade é que muitos de nós ficamos acovardados em lutar ou achamos infrutíferos o fazer. Por isso que ao ler esse livro tomei mais uma vez uma percepção de como as lutas são importantes, como precisamos criar novos permancer fortes perante aqueles que desejam nos subjulgar. E baseando-se na atual estrutura política não somente do país bem como de todo mundo, lutar pelo feminismo e contra o totalitarismo nunca foi tão importante.

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No cartaz: “O Conto da Aia não é um manual de instruções.” – Fonte: HuffPost Brasil.

O nome do livro já demonstra uma luta. Uma Aia em termos históricos é uma serva sem voz. Ela pertence aos seus donos e não tem posicionamento social ou político. Dessa maneira, a autora já deixa uma pista sobre não se calar, ser ouvida mesmo quando não podemos abrir a boca. Contar nossa versão da história mesmo quando formos levadas à não sermos ouvidas. Outro ponto que ressalta a importância de não se calar é o prefixo e radical dos nomes das mulheres: todas começam com Of  que em inglês significa De associada ao nome do Comandante ao qual elas pertencem. Isto é explicado no livro, mas também deixa margem para pensar sobre o desligamento. Afinal se fosse um diminutivo de Off  poderia ser interpretado como a perda em relação à si mesmo como pensante. Elas não tem mais autonomia sobre sua própria mente. Você não está mais online em si mesmo, sim offline para receber os pensamentos de outras pessoas.

Um rato em um labirinto é livre para ir onde quiser, desde que permaneça nesse labirinto

Causa certa estranheza entender como uma sociedade se deixa chegar ao ponto de ser subjulgada de tal modo. Mas devemos perceber que temos aqui, o funcionamento da lei do mais forte e daqueles que acreditam passos que apenas se adequam à sua trajetória, não levando em consideração o que eles querem dizer em realidade. As mulheres perderam muito porque machismo – e aqui incluo também as mulheres que também pensam dessa forma – foi retirando aos poucos seus direitos começando dos mais essenciais aos mais importantes. Nas memórias do passado de Offred é perceptivel como foram sutis as mudanças, sendo estas bem aceitas pela parcela da sociedade que queria ter o domínio sobre as vidas de todos. Como o pensamento de inferioridade feminina esteve – e está – presente em cada ação que todos tomam.

A maior ponte de ilustração em como a sociedade anterior já possuía aquele pensamento antes deste ser homologado vem do marido de Offred. Este homem sempre fez comentários machistas dissimulados em forma de brincadeiras. Isto apenas se prova quando ele fica extasiado ao saber que as contas das mulheres, inclusive a da sua, foram congeladas; que ela perdeu o emprego tomando para si o sentimento antiquado de importância, onde sua esposa voltará a depender dele para tudo. É tão revoltante isso, porque é cruelmente real. Quantos homens hoje em dia não acreditam mesmo que o lugar da mulher é em casa? Quantos não gostariam que as mulheres fossem impedidas de trabalhar?  Somos frutos desse pensamento, sim e como a própria autora afirma, é uma concepção que queremos acreditar que foi extinta mas que se faz presente em cada momento de nossas vidas.

Além desta questão feminista que Atwood denota em sua obra, também não podemos esquecer a fé radical que rege a República de Gilead. A autora toma como princípio para a fundação deste país a biblía e uma fala de Raquel que deseja que seu marido tome sua empregada como amante para que assim os dois tenham filhos. De modo à demonstrar como a ignorância é perigosa, a autora transforma o contexto dessa passagem outra. Ela é tomada ao pé da letra para que os habitantes sejam atraídos por esse pensar, sem que haja desconfiança do verdadeiro próposito opressão que o governo está se tornando. Em tempos atuais como não enxergar isso como o terrorismo e xenofobia? Pois existem tantas passagens de fé que são deturpadas para se tornarem armas daqueles que apenas precisam de um induto para cometer um crime. Não é uma verdade, mas sim uma desculpa fajuta para se tornar um radical de suas próprias opiniões.

Dessa forma, de todas as formas que consegue, Margareth Atwood transforma um livro provocativo. O mundo parece ter se perdido mais uma vez em suas ideias retrógradas onde somos levados à ser uma coisa ou outra: lascivos ou puritanos, forte ou fraco, direita ou esquerda. Não existe mais tolerância apenas raiva contra quem julgamos ser diferentes. Desse modo, O Conto da Aia se torna obrigatório por ser um manual de instruções daquilo que não devemos aceitar. Um livro que usa do passado para construir um futuro e com o intuito de modificar o nosso presente.

Como todos os historiadores sabem, o passado é uma escuridão, e repleta de ecos. Vozes podem nos alcançar a partir de lá; mas o que dizem é imbuído da obscuridade da matriz da qual elas vêm; e por mais que tentemos, nem sempre podemos decifrá-las precisamente à luz mais clara de nosso próprio tempo.

( Resenha ) Guerra À Ruína · Jonas de Souza

Minhas caras Corujinhas. Abram suas asas e se preparem pois vamos embarcar em uma aventura época destinada a mudar vidas para sempre.

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Título: Guerra À Ruína

Autor: Jonas de Souza

Páginas: 521

Ano: 2018

Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐

Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

 

Sinopse: Com o avanço tecnológico, finalmente os corajosos desbravadores puderam explorar, pela primeira vez, o extremo norte do planeta de Asatna, mas o que descobriram naquele, até então pensado como ermo e vazio bloco de gelo, foi um novo e poderoso recurso mágico, de energia aparentemente ilimitada, que jogaria, pela primeira vez na história, todo o mundo de Asatna e seus países e continentes numa acalorada disputa pelo valiosíssimo e finito recurso. No caos da guerra que então rege o mundo, três homens em posições bastante distintas, Octávio, Álex e Azai, seguem com seus próprios objetivos e decisões, enfrentando as próprias batalhas, encarando verdades obscuras e fazendo descobertas que mudarão com suas vidas para sempre, sem saber, porém, que suas ações ditarão também com o destino de seus países, da guerra, do futuro e de toda a Asatna.

Todos que me conhecem sabem o quanto sou apaixonada por fantasia. Existem histórias que são tão bem feitas que você acredita que são reais, que podem ter existido de verdade. Guerra À Ruína de Jonas de Souza foi um livro que entrou nesse parâmetro por simplesmente ter sido diferente do que esperava para ele. A obra me surpreendeu em todos os aspectos, me proporcionando uma leitura fantástica com todas as faces que a palavra permite.

Livros únicos são uma coisa rara e quase nunca conseguem ser totalmente bem-feitos principalmente se tratando de uma fantasia (e de ficção-científica que marca grande presença neste livro). É fácil acabar uma obra nesse molde e ficar com aquela sensação de estar faltando algo. Mas em Guerra À Ruína, isso não ocorre assim como não ocorre a velha procrastinação que muitos autores se permitem. O autor soube dosar bem o número de páginas pela história que estava contando. Dessa forma, consegui me aprofundar melhor na história seja lidando com o lado mais ativo das ações do personagem, seja pela passividade que vem pelos pensamentos.

Mas o ponto que mais me deixou entusiasmada com a narrativa, por incrível que pareça, foi a história “não-contada”: a história que aconteceu antes do livro. Sempre gostei muito da maneira com o qual uma história se inicia contando como se chegou naquele ponto. A história de Asatana e todo o contexto que proporcionou o início da guerra foi espetacular. Foi onde o autor mais me surpreendeu, ele não se poupou à repetir um clichê, mas sim inovar transformando algo normal em extraordinário.

E por fim, mas não menos importante, gostaria de dar ênfase nos personagens. Quando um autor escreve partilhando o protagonismo sem criar casal, normalmente se perde uma característica essencial que é a singularidade.  Octávio, Álex e Azai não caem nessa cilada parecendo um conjunto de alguma coisa. Cada um mantém a personalidade. Talvez pela disparidade social entre eles, absorvem o mundo e a guerra de modos diferentes. Isso cria no livro um efeito de multiverso: Não são todos iguais, são homens forjados a enxergar diferente e consequentemente à lutar por coisas diferentes.

Guerra À Ruína foi um livro surpreendente. Falando fracamente, não esperava tanto da obra e estou grata por isso. Eu indico essa obra a todos aqueles que gostam de fantasia, mas principalmente aqueles que querem algo à mais no gênero.

( Resenha ) Quando A Noite Cai · Carina Rissi

Minhas sonhadoras Corujinhas, fechem seus olhos e deitem em suas camas pois hoje vamos navegar através de sonhos e descobrir uma história de amor mais forte que a morte.

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Título: Quando A Noite Cai
Autora: Carina Rissi
Editoras: Verus
Páginas:
Ano: 2017
Avaliação: ⭐⭐⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

 

Sinopse: Briana Pinheiro sabe que não é a pessoa mais sortuda do mundo. Sempre que ela está por perto algo vai mal, especialmente no trabalho. Por isso é tão difícil manter um emprego. E a garota realmente precisa de grana, já que a pensão da família não anda nada bem. Mas esse não é o único motivo pelo qual Briana anda perdendo o sono. Quando a noite cai e o sono vem, ela é transportada para terras distantes: um mundo com espadas, castelos e um guerreiro irlandês que teima em lhe roubar os sonhos… e o coração. Depois de ser demitida — pela terceira vez no mês! —, Briana reúne coragem e esperanças e sai em busca de um novo trabalho. É quando Gael O’Connor cruza seu caminho. O irlandês de olhar misterioso e poucas palavras lhe oferece uma vaga em uma de suas empresas. Só tem um probleminha: seu novo chefe é exatamente igual ao guerreiro dos seus sonhos. Enquanto tenta manter a má sorte longe do escritório, Briana acaba por misturar realidade e fantasia e se apaixona pelo belo, irresistível e enigmático Gael. Em uma viagem à Irlanda, a paixão explode e, com ela, o mundo de Briana, pois a garota vai descobrir que seu conto de fadas está em risco — e que talvez nem mesmo o amor verdadeiro seja capaz de triunfar…

Não era qualquer olhar, mas aquele que devassa a alma, que não é capaz de fugir nem de esconder nada, pois a intensidade destróitodas as barreiras.

 

Carina Rissi é uma das minhas autoras nacionais favoritas e seus chick-lits sempre me fazem chorar de rir. Quando A Noite Cai é o sétimo livro que leio da autora. Normalmente não costumo comparar obras com semelhantes, mas quando se trata de autores, não consigo evitar comparar a construção de um livro para outro. Por esse motivo acredito que não caí de amores por este livro. Depois de tantas obras lidas da autora e sabendo da sua capacidade de surpreender, eu realmente esperei muitos mais elaboração em certos aspectos e me decepcionei com este livro.

Dona de uma escrita fluída e divertida, Rissi continua me fazendo rir bastante, o que é incomum já que poucos autores conseguem esse efeito. Dosado de maneira correta, existe leveza e dureza nas horas que ambas as coisas precisam acontecer. Por isso, a narrativa do livro  se torna bem construída por dar ao leitor ao leitor aquilo que ele precisa sem nocauteá-lo com elementos desnecessários. Nesse ritmo, ela vai nos apresentando seus personagens que vêm de modo cativante. Em meio a contextos, que variam as situações mais cômicas aos escuros segredos dos personagens, o livro se desenolve de modo rico e criativo não somente pelo humor, mas também por toda mitologia envolvida.

Essa é a diferença entre fantasia e realidade: a vida te frustra a todo instante enquanto a fantasia te entorpece com suaves doses de falsas esperanças.

Contudo, estamos falando de um romance, certo? E por esse motivo acabei não gostando tanto do livro. Apesar de ter amado conhecer Briana e Gael separadamente, juntos não tive o mesmo efeito. Não consegui shippar o casal de modo que não me perdi nas linhas e muito menos soltei coraçãozinhos pelos olhos. Por se tratar quase que um amor à primeira vista, acabei não tendo a emoção de me apaixonar por eles ao mesmo tempo que ambos o faziam. Foi como observar de longe o amor de dois passarinhos: é muito fofo, mas apenas isso. O romance foi a parte mais fraca do enredo, onde senti o muito do mesmo e bem pouca originalidade.

O que mais me agradou no livro, foram os sonhos de Briana e toda mitologia envolta deles. Esta em especial foi muito bem aprofundada onde fiquei de queixo caído com algumas histórias e louca para conhecer a Irlanda (mais um país para lista ☺). E quanto aos sonhos, foram muito bem criados, e para uma história contada em tão poucos capítulos — são oito ou nove que cumprem esse papel —, foram suficientes para não apenas dar mais amparo a história principal como também atiçar ainda mais a curiosidade do leitor.

Quando A Noite Cai foi uma leitura gostosa mesmo se tratando de um clichê. É um livro para quem gosta de romance e drama, mas principalmente de alegrias e boas risadas. É um livro de ficção para todas as idades e claro, para todos aqueles que amam um bom conto de fadas.

Porque eu queria marcar alguém dessa forma. Continuar existindo mesmo depois do fim. E me peguei pensando que os alquimistas não tinham entendido. Não existia um elixir da vida que trouxesse a imortalidade. É o amor que torna alguém imortal.

( Resenha ) Em Algum Lugar Nas Estrelas · Clare Vanderpool

Minhas sonhadoras Corujinhas, abram suas asas para alçar vôo aos céus para uma jornada pelas estrelas e pelos desejos que se escondem no coração de dois garotos que precisam se descobrir e se encontrar.

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Título: Em Algum Lugar Nas Estrelas
Título original: Navigating Early
Autora: Clare Vanderpool
Editora: Darkside Books
Páginas: 272
Ano: 2017
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐❤
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Jack Baker se vê praticamente ao fim da Segunda Guerra Mundial, mas sem motivos para comemorar. Sua mãe morreu e seu pai… bem, seu pai nunca demonstrou se preocupar muito com o filho. Jack é então levado para um internato no Maine onde conhece o enigmático Early Auden.
O que começa como uma improvavel amizade, acaba por se tornar algo mais quando os dois partem em uma jornada ao encontro do lendário Urso Apalache em uma aventura Em Algum Lugar Nas Estrelas. Esta é uma daquelas grandes histórias que permanecem com você por muito tempo, perfeita para ler entre amigos ou passar de pai para filho. Tudo que é real pode ser uma grande fantasia ou uma coincidência inevitável. Somos muito mais que um simples desejo do acaso.

☆ ゜・。。・ ゜ ★ ゜・。。・゜ ☆

Então percebi meu próprio reflexo no vidro. Meu rosto era diferente. Não só por ser mais jovem. Não só porque não sorria. Mas porque o verão passado me ensinou uma lição que, pelo que eu via, o capitão da equipe ainda não havia aprendido: a vida não cabe em uma taça, e nada dura para sempre.

Ler Em Algum Lugar Nas Estrelas estava em minhas meta desde que me deparei com a sinopse do livro em uma resenha no blog Parabatai Books que me deixou encantada com enredo proposto por Clare Vanderpool. É muito raro eu me aventurar pela literatura infanto juvenil pois sempre busco livros com maior profundidade em seu enredo. Mas agora percebo que talvez tenha julgado o gênero um tanto precipitadamente já que tão forte como o nome, este livro me proporcionou uma leitura espetacular sobre o significado real de uma jornada. O livro é narrado de forma simples com maior detalhismo em sentimentos que em situações. Sem tantos diálogos e com parágrafos extensos, a autora conseguiu dar ao leitor uma leitura longe de ser pesada. Essa foi uma das características do livro que mais me surpreendeu. Por ser um livro puxado pro infantil imaginei que seria mais raso, quando percebi menos diálogos e mais sentimentos pensei que ocorreria o contrário; mas ocorreu justamente um meio-termo que deixou a leitura gostosa de ser realizada.

Jack e Early tem uma amizade linda e bem construída onde ambos — principalmente Jack — aprendem um com outro sobre o poder que esse sentimento têm e como ele capaz de nos ajudar a ter uma vida melhor. Tanto Jack como Early tem grandes perdas em seu passado bem como desafios para lidar com a própria vida futuro. Ambos são peixes fora d’água em um mundo onde à sua maneira são diferentes dos que lhe rodeiam. Mas enquanto Jack sente necessidade de se enquadrar, Early sente-se seguro agindo como lhe faz feliz. Quando os dois se encontram, encontram também alguém com quem possam partilhar a virtude de serem eles mesmos. Pois a amizade deve fazer sentir à vontade com aqueles que escolhemos.

Encontrar o caminho não significa que você sempre sabe o que está fazendo. Saber encontrar o caminho de volta para casa que é importante.

O ponto alto do livro é a jornada que Jack e Early que percorrem. Crescer é sempre difícil, pois não é fácil sair do conforto dos laços mágicos da infância e descobrir a vida como ela é em realidade. O crescimento de Jack e Early está unido justamente ambos têm na necessidade de deixar o conforto para trás e perceber que o mundo esta além da ficção. Não que esses laços sejam ruins, mas porque eles nos impedem de seguir em frente. E crescer é amadurecer de todas as maneira todos os dias, pois coisas ruins e perdas aconteceram, mas será nossa decisão descobrir que temos que abandonar antigos sentimentos para abrir caminhos para novos.

Em Algum Lugar Nas Estrelas traz lições para toda vida através da doçura de duas crianças. Entre amizade e procuras, Clare Vanderpool traça uma obra única através dos números e de novas descobertas. É um livro para ser lido em todas as idades porque nunca é tarde de mais para sonhar com as estrelas.

Você precisa procurar as coisas que nos conectam. Encontrar os jeitos com que nossos caminhos se cruzam, nossas vidas se interceptam e nossos corações se encontram.

( Resenha ) A Cidade Murada · Ryan Graudin

Minhas aventureiras Corujinhas, abram suas asas para os ventos do oriente pois hoje nossa viagem será pelas muralhas de uma cidade vertical e inóspita para desvendar seus segredos e descobrir o que se esconde sobre a escuridão de seus prédios.

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Título: A Cidade Murada
Título original: The Walled City
Autora: Ryan Graudin
Editora: Seguinte
Páginas: 400
Ano: 2015
Avaliação:⭐⭐⭐⭐⭐❤Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: A Cidade Murada é um terreno com ruas estreitas e sujas, onde vivem traficantes, assassinos e prostitutas. É também onde mora Dai, um garoto com um passado que o assombra. Para alcançar sua liberdade, ele terá de se envolver com a principal gangue e formar uma dupla com alguém que consiga fazer entregas de drogas muito rápido. Alguém como Jin, uma garota ágil e esperta que finge ser um menino para permanecer em segurança e procurar sua irmã. Mei Yee está mais perto do que ela imagina: presa num bordel, sonhando em fugir… até que Dai cruza seu caminho.
Inspirado num lugar que existiu, este romance cheio de adrenalina acompanha três jovens unidos pelo destino numa tentativa desesperada de escapar desse labirinto.

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Conheci o livro A Cidade Murada através do canal do Victor Almeida, o Geek Freak. Apesar da capa horrosa e sem graça, o título despertou minha curiosidade pois realmente quis descobrir o que era a cidade murada e que tipo de segredos ela guardava. O que não podia esperar era que a história fosse ser tão real. Imaginava que seria uma ficção, mas encontrei um drama arrebatador sobre a humanidade.

A premissa da história é forte, mas é interessante ver como a autora não pesa na narrativa fazendo-a transcorrer livremente mas abastecida de significância. Fluída como água, Graudin expõe detalhes e sentimentos como poucas autoras na atualidade conseguem fazer. Uma coisa não se sobrepõe a outra e vice-versa. Existe um equilíbrio perfeito ao qual pequenos espaços surgem para serem preenchidos com respostas mais a frente. Isso acontece com tanta autoridade que o livro de 400 páginas têm peso de 200. Demorei apenas um dia para lê-lo, o que foi maravilhoso já que este é um daqueles livros para serem lidos de uma vez.

Narrado em contagem regressiva, a história se desenrola sem pressa e sem lerdeza contando a história de três diferente jovens. Mas basta aprofundar na leitura que percebe-se que o foco da autora não é realmente contar sobre suas vidas, e sim conta como suas vidas foram modificadas pelas muralhas de Khan Nam. A cidade está viva ganhando espaço para surgir como uma força avassaladora. Estamos em um mundo impermeável aos horizontes, criando suas próprias leis. Desse modo, o submundo das drogas e do tráfico presentes em nosso mundo ganham imersão em Khan Nam se tornando a primeira camada.

Nesse cenário devastado e esquecido surgem os personagens principais que apesar de novos (15-18 anos) são marcados por seus passados. De todas as coisas que me chocaram no livro, foi a realidade quase perfeita com o qual Graudin conseguiu trabalhar os três. Mesmo que não baseadas em fatos, os três enredos foram minimamente embasados no que sabemos sobre o mundo. Temos duas irmãs que sofriam nas mãos de um pai irado e bebado obrigadas a se separar, mas sem jamais desistirem uma da outra. E um rapaz rico que precisa enfrentar as consequências de suas escolhas. Dessa forma, realidade e ficção se unem para nos provar o quanto a literatura está próxima à nós.

A Cidade Murada de Ryan Graudin é uma obra para ser lida e absolvida. É uma ficção que transborda a realidade pela força que possuí. Indico essa obra à todos sem excessão, mas principalmente à todos aqueles que precisam de um choque de realidade.

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Curiosidade

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A Cidade Murada é baseada em uma cidade real conhecida como A Cidade Murada de Kowloon que existiu na China antes de ser demolida e transformada em um parque em meados dos anos 1990. Conhecida como a maior favela vertical já existente, a cidade era um grande bloco sólido de edifícios em ruínas, variando em altura possuindo cerca de 33 mil residentes dentro de seu território de apenas 0.3 km².

( Resenha ) Perdido Em Marte · Andy Weir

Olá Corujinhas. Apertem os cintos e vejam se o veiculo especial está em perfeito que hoje nossa viagem será pelas terras vermelhas de um planeta longínquo em uma aventura pela sobrevivência de um astronauta.

perdido em marte

Título: Perdido Em Marte
Título original: The Martian
Autora: Andy Weir
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Ano: 2014
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate. Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico e um senso de humor inabalável , ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência. Para isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá. Com um forte embasamento científico real e moderno, Perdido em Marte é um suspense memorável e divertido, impulsionado por uma trama que não para de surpreender o leitor.

Então, esta é a situação: estou perdido em Marte. Não tenho como me comunicar com a Hermes nem com a Terra. Todos acham que estou morto. Estou em um Hab projetado para durar 31 dias.
Se o oxigenador quebrar, vou sufocar. Se o reaproveitador de água quebrar, vou morrer de sede. Se o Hab se romper, vou explodir. Se nada disso acontecer, vou ficar sem alimento e acabar morrendo de fome.
Então, é isso mesmo. Estou ferrado.

Quando encontrei o livro Perdido Em Marte já tinha visto uma uma porção de vezes. Sempre fui um tanto aficionada por ficções cientificas de modo que me apaixonei pela película. De modo que mesmo antes de começar o livro já tinha expectativas sobre o que poderia me aguardar bem como certezas sobre o caminho percorrido por Mark Watney. Mas como todos sabem, expectativa e realidade são oposto de modo que fico feliz em dizer que, mesmo sabendo o que me aguardava, o livro foi maravilhoso e de certa forma surpreendente.

Perdido Em Marte é narrado em primeira pessoa a principio. O autor busca exploras as primeiras resoluções de Mark de como é estar sozinho a beira da morte. Vale ressaltar que apesar da primeira parte ser praticamente um monólogo, a narrativa é super bem humorada deixando tudo mais leve. Mesmo com suas profundas reflexões, Mark mantém, a cabeça no lado engraçado de tudo como forma para não entrar em desespero. Muito bem construído como um personagem sólido e corajoso para enfrentar as loucuras do que esta por vir.

A leitura é envolta de muita ciencia que acontece de modo quase real. Todos os cálculos e testes envolvidos são tão bem sustentados pela ciência que torna a leitura verídica à ponto de você parar e pensar: se pudesse ser realmente testado, teria dado certo. Dessa forma, não só a sobrevivência de Mark ganha mais sentido, como a realidade da Nasa o estar ajudando aliado as maiores mentes do mundo. E é justamente essa constante ajuda de todos que faz de Perdido Em Marte uma leitura sensacional. Muito além de uma ficção cientifica, -este livro é um misto emoções cruamente humanas que nos faz querer ajudar o próximo mesmo que isto nos custe alguma coisa. É coragem de se arriscar para trazer alguém para casa sã e salvo mesmo contra todas as expectativas. Somos feitos de compaixão, mesmo que as vezes acreditemos que o mundo só tem maldade.

O custo da minha sobrevivência deve ter sido de centenas de milhões de dólares. Tudo para salvar um botânico bobão. Para que se dar o trabalho? Tudo bem, eu sei qual é a resposta. Em parte, pode ser o que eu represento: progresso, ciência e o futuro interplanetário com o qual sonhamos há séculos. Mas, na verdade, fizeram isso porque todo ser humano tem um instinto básico de ajudar os outros. Talvez não pareça ser assim às vezes, mas é verdade. Se um excursionista se perde nas montanhas, as pessoas organizam uma busca. Se um trem colide, as pessoas fazem fila para doar sangue. Se um terremoto arrasa uma cidade, as pessoas em todo o mundo mandam suprimentos de emergência. Isso é tão fundamentalmente humano que é encontrado em todas as culturas, sem exceção. Sim, existem babacas que não se importam, mas são uma ínfima minoria. E, por causa disso, bilhões de pessoas ficaram do meu lado.

 

O que me incomodou na leitura foi a demora com o qual as passagens foram realizadas que tiveram muito o aspecto de procrastinação. Cenas demoradas que sim, serviram para mostrar partes da sobrevivência do personagem principal, mas que também deixaram o livro mais tedioso de ser lido. Essa leitura de quase uma semana poderia ser facilmente tragada para uma três se o autor não tivesse criado tantas e tantas situações para dificultar a vida de seu personagem principal.

Mas críticas à parte, Perdido Em Marte é uma leitura divertida que agracia os fãs do gênero com um personagem inesquecível, tiradas inteligentes e muita ciência. Se você gosta desses três elementos, está é uma obra excelente para você.

| Resenha | A Garota Que Você Deixou Para Trás – JoJo Moyes

Oii Corujinhas, espero que esteja tudo numa boa com cada um de vocês e que as o leituras estejam sendo maravilhosas. Recentemente, uma amiga da faculdade me indicou o livro A Garota Que Você Deixou Para Trás da JoJo Moyes afirmando que era o melhor livro da autora. Depois de ler Como Eu Era Antes de Você e O Som do Amor e ter abandonado A Última Carta de Amor da autora, não estava nos meus planos ler nada mais da autora tão cedo. Mas peguei o livro despretensiosamente em um sábado e quando o domingo chegou e finalizei a leitura. E tenho que dizer ão houve como não ficar mais do que satisfeita por ter dado uma chance à obra.

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Título: A Garota Que Você Deixou Para Trás.
Título original: The Girl You Left Behind.
Autor: JoJo Moyes
Editora: Intrínseca
Ano: 2014
Páginas: 384
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 ❤
Encontre: Skoob || Saraiva || Amazon

Sinopse: Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo a família, a reputação e a vida na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

Comecei a ler A Garota Que Você Deixou Para Trás por indicação de uma amiga da faculdade. Depois de tanto ouvir falar dela que este era o melhor livro da JoJo Moyes comecei a pensar: porque não? Dito isso, ao iniciar o livro possuía altas expectativas que estavam mescladas ao temor de acabar não gostando do livro mesmo assim. Mas a poética e emocionante história fez meu coração bater mais forte sem me deixar largar a leitura por um instante.

Primeiramente tenho que admitir que não consigo achar a escrita de Moyes fluente. Pelo contrário, acho-a exaustiva pois tenho a impressão que quanto mais eu leio, menos passo as páginas. Assim costumo demorar mais do que o usual para finalizar seus livros. Mas, graças ao deus dos livros, o “A Garota…” foi uma leitura bem rápida apesar de eu ter demorado para pegar o ritmo. Foi algo que me pegou desprevinida pela clareza com o qual os sentimentos foram expostos além de todo o mistério envolvendo a trama.

O mais legal de ler livros dos quais não sabemos quase nada sobre eles é o quão mais fácil você consegue se surpreender pela qualidade da história. JoJo Moyes criou uma obra que me deixou abismada e ao mesmo tempo extasiada com o que se passava. Em variados momentos eu me vi torcendo pelos personagens emocionada por sua trajetória. Neste livro, a escrita da JoJo Moyes bem como a maneira com o qual ela conduziu o enredo foram mais que suficientes: foram extraordinárias.

As personagens principais da trama são, com toda certeza o ponto mais alto do livro. É um eufemismo dizer o quão carismática suas duas mulheres foram fazendo parte da lista das personagens que mais me deixaram apegadas à sua trajetória. Em primeiro plano, Sophie foi uma mulher cheia de coragem, mas também de dúvidas. Consegui enxergar com clareza as atitudes que ela tomava e seu único desejo de rever seu marido, mesmo sempre que tentando manter sua família sã e salva. Já Liv, mesmo sentindo raiva dela por diversas vezes, me cativou pelo mesmo motivo que Sophie: vi verdade no que ela fazia mesmo que não concordasse com tudo.

Além de suas personagens principais, devo ressaltar o mistério muito bem construído proposto por JoJo que me deixou à ponto de arrancar os cabelos. Foi maravilhoso ver o mistério em torno do quadro, mas principalmente o ensinamento que o objeto deixou para trás. O ponto de união dessas duas histórias foi justamente esse ensinamento que fez com que tanto Sophie, quanto Liv percebessem que não eram mais “as garotas deixadas par trás” mas algo à mais que elas.

A Garota Que Você Deixou Para Trás é um livro que inspira coragem e amadurecimento. Apesar de não ter chorado, o livro me tocou pelas verdades de suas palavras. Vencer e ter não é o essencial, mas sim deixar ser levado pelas coisas boas que a vida pode nos trazer.

| RESENHA | It: A Coisa – Stephen King

Oii gente. Tudo bom com vocês? No mês passado em um longo, mas fascinante projeto literário contemplei o livro It – A Coisa de Stephen King. A Vivi (O Senhor dos Livros) me convidou para fazer parte do projeto #LendoACoisa que aceitei por dois motivos: primeiro porque é sempre bom ter alguém com quem partilhar uma leitura e segundo pois esta leitura já era um desejo antigo de realizar. De modo que durante mais ou menos três meses me afundei nos horrores de Derry através dos olhos de sete corajosas crianças-adultas: Bill, Richie, Beverly, Ben, Mike, Eddie e Stan. Sete pessoas que conheceram o mais profundo medo e através do poder da amizade lutaram contra ele. Por isso neste 31 de Outubro, minha resenha será esta obra fantástica de Stephen King.

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Título: It – A Coisa
Titulo Original: It
Autor: Stephen King
Editora: Suma das Letras
Ano: 1986
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 💜
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino

Mas é bom pensar assim por um tempo no silêncio limpo da manhã, pensar que a infância tem seus segredos doces e confirma a mortalidade, e que a mortalidade define toda a coragem e todo o amor. Pensar que o que já ansiou pelo futuro também precisa olhar para trás, e que cada vida faz sua própria imitação da imortalidade: uma roda.
• Bill Denbrough.

SINOPSE: Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e… do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Em ‘It – A Coisa’, clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

Diferente de quase todas as pessoas que já leram It – A Coisa (e apesar de ser o Dia das Bruxas) não considero este livro como terror propriamente dito. Na verdade, sinto-o mais como um livro criado aos moldes da realidade fantástica. Isto, porque o livro não chegou a me aterrorizar visto que nas cenas de maior frenesi não senti nem medo e nenhum tipo de aflição. Mas muito embora neste ponto narrativa não tenha sido suficiente não posso afirmar que influenciou em minha opinião final sobre a leitura. Pois apesar de não ter sido aterrorizada pela obra, fiquei sim horrorizada pelas atitudes de quase todos os personagens. De certo modo, considero que o livro de King procurava muito mais horrorizar o leitor monstrando-lhe as profundezas das maldades humanas, do que aterroriza-lo com um monstro no fim do túnel.

E, quase sem querer, em uma espécie de pensamento paralelo, Eddie descobriu uma das grandes verdades de sua infância. Os adultos são os verdadeiros monstros, pensou ele.
• Eddie Kaspbrak

Ler um livro gigantesco, por mais que a leitura seja fluída, requer certa disciplina. É um livro que dispõe tempo e precisa ser muito bem escrito para que o leitor sinta-se motivado para continuar. It – A Coisa têm essa característica pois me fez querer virar a página e dar continuidade a leitura. Apesar de ser um calhamaço, a obra possui a qualidade de ser muito bem produzida em que mal me dei conta das páginas virando. Se eu contasse só os dias que passei lendo o livro sem levar em consideração outras que li ao finalizar cada uma das cinco partes, demorei no máximo sete dias para finalizar a obra. Por esse motivo, se você tem medo da quantidade de páginas que formam It não se preocupe. O livro é  super gostoso de ler.

Ainda levando em consideração os aspectos de composição da obra, estes ajudam à dar uma certa leveza ao livro. Divido em cinco partes King criou uma ponte densa entra cada uma, mas que se assemelham às que os autores criam em séries de livros separados. Você sabe que tem muito mais história por vir, mas o que lhe foi contato naquela parte por enquanto é o suficiente permitindo dar uma pausa na obra para então retomá-la sem problemas em um momento seguinte. Aqui se insere um dos pontos que mais gostei na obra de King que eram as pequenas retomadas que ele fazia relembrando pontos importantes para que nada fosse perdido. Consegui ter uma dimensão maior de tudo, ao relembrar e dar maior crédito à algumas coisas que de primeira passaram despercebidas.

Talvez, pensou ele, não existam coisas como amigos bons ou ruins. Talvez existam só amigos, pessoas que ficam ao seu lado quando você se machuca e que ajudam você a não se sentir muito sozinho. Talvez valha a pena sentir medo por eles, sentir esperança por eles e viver por eles. Talvez valha a pena morrer por eles também, se chegar a isso. Não amigos bons. Não amigos ruins. Só pessoas com quem você quer e precisa estar; pessoas que constroem casas no seu coração.
• Eddie Kaspbrak

Em relação aos personagens, It – A Coisa conseguiu me fazer ter uma sensação que pouquíssimos livros já o fizeram. Apesar da sobrenaturalidade que envolve todos os personagens, também é possível perceber a realidade que cada um possuí. Começando pelo lado infantil, as crianças realmente aparentam ser crianças. Existem muitas obras infantis em que os pequenos parecem muito mais adultos que crianças da sua idade. King, por outro lado, conseguiu explorar com genialidade os medos e as personalidades dos integrantes do Clube dos Otários de modo que estes nunca fugiram dos pensamentos comuns à sua idade durante boa parte da obra. Boa parte, pois, ao mesmo tempo que percebemos esta característica, também é possível observar que as crianças amadurecem ao longo do livro e vão cada vez mais demonstrando quais personalidades irão assumir quando adultos.

Por falar em adultos, King também fez um trabalho fantásticos com não só os Otários mas como também com os outros personagens que permeiam a obra. Há uma diferença absolutamente palpável entre eles onde cada um tem sua personalidade e seu modo de ser de maneira que não da para confundir suas falas e ações. King construiu um mundo de pessoas divergentes umas das outras em seus medos, angústias, paixões e desafios. Derry se torna uma cidade quase real pois cada um de seus habitantes realmente poderiam existir e estar ao nosso lado.

Acho que é isso que queremos dizer quando falamos sobre a persistência da memória, isso ou alguma coisa assim, uma coisa que você vê na hora certa do ângulo certo, uma  imagem que desperta emoções como um motor. Você vê tão claramente que todas as coisas que aconteceram no meio-tempo somem.
Se o desejo é o que fecha o círculo entre o mundo e a vontade, então o círculo fechou.
• Bill Denbrough.

Emocionalmente, apesar de não ter sentido medo durante a leitura de A Coisa posso dizer que fui tocada pelas palavras de King em diversos pontos. Nessa história criada para horrorizar o leitor, os moradores de Derry cumpriram seu papel mostrando o quão cruel um ser humano pode ser. Desde ao que mães podem fazer para proteger seus filhos à o que pais podem fazer para maltrata-los, King traça uma linha em qual expõe os seres humanos modo nu e cru. Eu senti raiva, vergonha e medo do que os homens são capazes de fazer. It me deu um sentimento de que quase todos somos vis e cruéis quando temos a oportunidade. Somos feitos de carne, ossos e maldade. Como se esperassemos uma brecha, um motivo para ser atrozes.

Durante toda a leitura de A Coisa, não posso contar em dedos quantas vezes situações desesperadoras foram criadas, não pelo monstro e sim pela própria humanidade. Racismo, sexismo, violência, intolerância… Sentimentos que repetiram-se continuamente durante a leitura provocando-me a pensar que todos somos a própria Coisa no mundo. Nos alimentamos da tristeza dos nossos semelhantes de modo à sermos a doença que fere o mundo. Um tumor que cresce à medida que fazemos a maldade como que tambem fechamos os olhos ao que acontece ao nosso redor.

Essa qualidade da imaginação deixava os alimentos muito suculentos. Os dentes da Coisa destroçavam carne dura de tantos terrores exóticos e medos voluptuosos: eles sonhavam com animais noturnos e lamas em movimento; contra a própria vontade, eles contemplavam abismos infinitos.
• A Coisa

Mas, ao mesmo tempo em somos o câncer do mundo, It também nos mostra que somos a cura através de Bill, Richie, Beverly, Mike, Eddie e Stan. O amor e amizade sempre poderão nos salvar de qualquer mal se deixarmos que ele faça isso. Curamos quando ficamos unidos e nos deixamos ser curados. Essa é a maior lição de A Coisa. É a percepção de que sim existe coisas maiores que nós que puxam ou para o bem ou para o mal. Tais formas porém apenas nos dão as ferramentas para que possamos agir, mas apenas se acreditarmos no que fazemos é que conseguiremos encontrar o caminho para longe das mazelas e da escuridão.

Ler It – A Coisa foi sem dúvidas diferente de tudo que eu esperava que poderia acontecer. Fui levada do medo à esperança e deixada as margens de uma humanidade terrível mas também sonhadora. É um livro que sempre vou lembrar de ter lido por ter me dado muito mais do que um monstro, mas ter me mostrado quem são os verdadeiros. Somos nós, ao mesmo tempo que podemos ser a luz no fim do túnel, basta olharmos para quem somos e assim nos perguntar se estamos fazendo juz à crianças que éramos um dia.

Você não precisa olhar para trás para ver essas crianças; parte de sua mente vai vê-las para sempre, vai viver com elas para sempre, vai amar com elas para sempre. Elas não são necessariamente a melhor parte de você, mas já foram o depósito de tudo que você poderia se tornar.
• Bill Denbrough