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( Resenha ) Perdido Em Marte · Andy Weir

Olá Corujinhas. Apertem os cintos e vejam se o veiculo especial está em perfeito que hoje nossa viagem será pelas terras vermelhas de um planeta longínquo em uma aventura pela sobrevivência de um astronauta.

perdido em marte

Título: Perdido Em Marte
Título original: The Martian
Autora: Andy Weir
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Ano: 2014
Avaliação: 🍁🍁🍁🍁
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate. Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico e um senso de humor inabalável , ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência. Para isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá. Com um forte embasamento científico real e moderno, Perdido em Marte é um suspense memorável e divertido, impulsionado por uma trama que não para de surpreender o leitor.

Então, esta é a situação: estou perdido em Marte. Não tenho como me comunicar com a Hermes nem com a Terra. Todos acham que estou morto. Estou em um Hab projetado para durar 31 dias.
Se o oxigenador quebrar, vou sufocar. Se o reaproveitador de água quebrar, vou morrer de sede. Se o Hab se romper, vou explodir. Se nada disso acontecer, vou ficar sem alimento e acabar morrendo de fome.
Então, é isso mesmo. Estou ferrado.

Quando encontrei o livro Perdido Em Marte já tinha visto uma uma porção de vezes. Sempre fui um tanto aficionada por ficções cientificas de modo que me apaixonei pela película. De modo que mesmo antes de começar o livro já tinha expectativas sobre o que poderia me aguardar bem como certezas sobre o caminho percorrido por Mark Watney. Mas como todos sabem, expectativa e realidade são oposto de modo que fico feliz em dizer que, mesmo sabendo o que me aguardava, o livro foi maravilhoso e de certa forma surpreendente.

Perdido Em Marte é narrado em primeira pessoa a principio. O autor busca exploras as primeiras resoluções de Mark de como é estar sozinho a beira da morte. Vale ressaltar que apesar da primeira parte ser praticamente um monólogo, a narrativa é super bem humorada deixando tudo mais leve. Mesmo com suas profundas reflexões, Mark mantém, a cabeça no lado engraçado de tudo como forma para não entrar em desespero. Muito bem construído como um personagem sólido e corajoso para enfrentar as loucuras do que esta por vir.

A leitura é envolta de muita ciencia que acontece de modo quase real. Todos os cálculos e testes envolvidos são tão bem sustentados pela ciência que torna a leitura verídica à ponto de você parar e pensar: se pudesse ser realmente testado, teria dado certo. Dessa forma, não só a sobrevivência de Mark ganha mais sentido, como a realidade da Nasa o estar ajudando aliado as maiores mentes do mundo. E é justamente essa constante ajuda de todos que faz de Perdido Em Marte uma leitura sensacional. Muito além de uma ficção cientifica, -este livro é um misto emoções cruamente humanas que nos faz querer ajudar o próximo mesmo que isto nos custe alguma coisa. É coragem de se arriscar para trazer alguém para casa sã e salvo mesmo contra todas as expectativas. Somos feitos de compaixão, mesmo que as vezes acreditemos que o mundo só tem maldade.

O custo da minha sobrevivência deve ter sido de centenas de milhões de dólares. Tudo para salvar um botânico bobão. Para que se dar o trabalho? Tudo bem, eu sei qual é a resposta. Em parte, pode ser o que eu represento: progresso, ciência e o futuro interplanetário com o qual sonhamos há séculos. Mas, na verdade, fizeram isso porque todo ser humano tem um instinto básico de ajudar os outros. Talvez não pareça ser assim às vezes, mas é verdade. Se um excursionista se perde nas montanhas, as pessoas organizam uma busca. Se um trem colide, as pessoas fazem fila para doar sangue. Se um terremoto arrasa uma cidade, as pessoas em todo o mundo mandam suprimentos de emergência. Isso é tão fundamentalmente humano que é encontrado em todas as culturas, sem exceção. Sim, existem babacas que não se importam, mas são uma ínfima minoria. E, por causa disso, bilhões de pessoas ficaram do meu lado.

 

O que me incomodou na leitura foi a demora com o qual as passagens foram realizadas que tiveram muito o aspecto de procrastinação. Cenas demoradas que sim, serviram para mostrar partes da sobrevivência do personagem principal, mas que também deixaram o livro mais tedioso de ser lido. Essa leitura de quase uma semana poderia ser facilmente tragada para uma três se o autor não tivesse criado tantas e tantas situações para dificultar a vida de seu personagem principal.

Mas críticas à parte, Perdido Em Marte é uma leitura divertida que agracia os fãs do gênero com um personagem inesquecível, tiradas inteligentes e muita ciência. Se você gosta desses três elementos, está é uma obra excelente para você.

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| Resenha | A Garota Que Você Deixou Para Trás – JoJo Moyes

Oii Corujinhas, espero que esteja tudo numa boa com cada um de vocês e que as o leituras estejam sendo maravilhosas. Recentemente, uma amiga da faculdade me indicou o livro A Garota Que Você Deixou Para Trás da JoJo Moyes afirmando que era o melhor livro da autora. Depois de ler Como Eu Era Antes de Você e O Som do Amor e ter abandonado A Última Carta de Amor da autora, não estava nos meus planos ler nada mais da autora tão cedo. Mas peguei o livro despretensiosamente em um sábado e quando o domingo chegou e finalizei a leitura. E tenho que dizer ão houve como não ficar mais do que satisfeita por ter dado uma chance à obra.

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Título: A Garota Que Você Deixou Para Trás.
Título original: The Girl You Left Behind.
Autor: JoJo Moyes
Editora: Intrínseca
Ano: 2014
Páginas: 384
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 ❤
Encontre: Skoob || Saraiva || Amazon

Sinopse: Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo a família, a reputação e a vida na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

Comecei a ler A Garota Que Você Deixou Para Trás por indicação de uma amiga da faculdade. Depois de tanto ouvir falar dela que este era o melhor livro da JoJo Moyes comecei a pensar: porque não? Dito isso, ao iniciar o livro possuía altas expectativas que estavam mescladas ao temor de acabar não gostando do livro mesmo assim. Mas a poética e emocionante história fez meu coração bater mais forte sem me deixar largar a leitura por um instante.

Primeiramente tenho que admitir que não consigo achar a escrita de Moyes fluente. Pelo contrário, acho-a exaustiva pois tenho a impressão que quanto mais eu leio, menos passo as páginas. Assim costumo demorar mais do que o usual para finalizar seus livros. Mas, graças ao deus dos livros, o “A Garota…” foi uma leitura bem rápida apesar de eu ter demorado para pegar o ritmo. Foi algo que me pegou desprevinida pela clareza com o qual os sentimentos foram expostos além de todo o mistério envolvendo a trama.

O mais legal de ler livros dos quais não sabemos quase nada sobre eles é o quão mais fácil você consegue se surpreender pela qualidade da história. JoJo Moyes criou uma obra que me deixou abismada e ao mesmo tempo extasiada com o que se passava. Em variados momentos eu me vi torcendo pelos personagens emocionada por sua trajetória. Neste livro, a escrita da JoJo Moyes bem como a maneira com o qual ela conduziu o enredo foram mais que suficientes: foram extraordinárias.

As personagens principais da trama são, com toda certeza o ponto mais alto do livro. É um eufemismo dizer o quão carismática suas duas mulheres foram fazendo parte da lista das personagens que mais me deixaram apegadas à sua trajetória. Em primeiro plano, Sophie foi uma mulher cheia de coragem, mas também de dúvidas. Consegui enxergar com clareza as atitudes que ela tomava e seu único desejo de rever seu marido, mesmo sempre que tentando manter sua família sã e salva. Já Liv, mesmo sentindo raiva dela por diversas vezes, me cativou pelo mesmo motivo que Sophie: vi verdade no que ela fazia mesmo que não concordasse com tudo.

Além de suas personagens principais, devo ressaltar o mistério muito bem construído proposto por JoJo que me deixou à ponto de arrancar os cabelos. Foi maravilhoso ver o mistério em torno do quadro, mas principalmente o ensinamento que o objeto deixou para trás. O ponto de união dessas duas histórias foi justamente esse ensinamento que fez com que tanto Sophie, quanto Liv percebessem que não eram mais “as garotas deixadas par trás” mas algo à mais que elas.

A Garota Que Você Deixou Para Trás é um livro que inspira coragem e amadurecimento. Apesar de não ter chorado, o livro me tocou pelas verdades de suas palavras. Vencer e ter não é o essencial, mas sim deixar ser levado pelas coisas boas que a vida pode nos trazer.

| RESENHA | It: A Coisa – Stephen King

Oii gente. Tudo bom com vocês? No mês passado em um longo, mas fascinante projeto literário contemplei o livro It – A Coisa de Stephen King. A Vivi (O Senhor dos Livros) me convidou para fazer parte do projeto #LendoACoisa que aceitei por dois motivos: primeiro porque é sempre bom ter alguém com quem partilhar uma leitura e segundo pois esta leitura já era um desejo antigo de realizar. De modo que durante mais ou menos três meses me afundei nos horrores de Derry através dos olhos de sete corajosas crianças-adultas: Bill, Richie, Beverly, Ben, Mike, Eddie e Stan. Sete pessoas que conheceram o mais profundo medo e através do poder da amizade lutaram contra ele. Por isso neste 31 de Outubro, minha resenha será esta obra fantástica de Stephen King.

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Título: It – A Coisa
Titulo Original: It
Autor: Stephen King
Editora: Suma das Letras
Ano: 1986
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 💜
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino

Mas é bom pensar assim por um tempo no silêncio limpo da manhã, pensar que a infância tem seus segredos doces e confirma a mortalidade, e que a mortalidade define toda a coragem e todo o amor. Pensar que o que já ansiou pelo futuro também precisa olhar para trás, e que cada vida faz sua própria imitação da imortalidade: uma roda.
• Bill Denbrough.

SINOPSE: Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e… do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Em ‘It – A Coisa’, clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

Diferente de quase todas as pessoas que já leram It – A Coisa (e apesar de ser o Dia das Bruxas) não considero este livro como terror propriamente dito. Na verdade, sinto-o mais como um livro criado aos moldes da realidade fantástica. Isto, porque o livro não chegou a me aterrorizar visto que nas cenas de maior frenesi não senti nem medo e nenhum tipo de aflição. Mas muito embora neste ponto narrativa não tenha sido suficiente não posso afirmar que influenciou em minha opinião final sobre a leitura. Pois apesar de não ter sido aterrorizada pela obra, fiquei sim horrorizada pelas atitudes de quase todos os personagens. De certo modo, considero que o livro de King procurava muito mais horrorizar o leitor monstrando-lhe as profundezas das maldades humanas, do que aterroriza-lo com um monstro no fim do túnel.

E, quase sem querer, em uma espécie de pensamento paralelo, Eddie descobriu uma das grandes verdades de sua infância. Os adultos são os verdadeiros monstros, pensou ele.
• Eddie Kaspbrak

Ler um livro gigantesco, por mais que a leitura seja fluída, requer certa disciplina. É um livro que dispõe tempo e precisa ser muito bem escrito para que o leitor sinta-se motivado para continuar. It – A Coisa têm essa característica pois me fez querer virar a página e dar continuidade a leitura. Apesar de ser um calhamaço, a obra possui a qualidade de ser muito bem produzida em que mal me dei conta das páginas virando. Se eu contasse só os dias que passei lendo o livro sem levar em consideração outras que li ao finalizar cada uma das cinco partes, demorei no máximo sete dias para finalizar a obra. Por esse motivo, se você tem medo da quantidade de páginas que formam It não se preocupe. O livro é  super gostoso de ler.

Ainda levando em consideração os aspectos de composição da obra, estes ajudam à dar uma certa leveza ao livro. Divido em cinco partes King criou uma ponte densa entra cada uma, mas que se assemelham às que os autores criam em séries de livros separados. Você sabe que tem muito mais história por vir, mas o que lhe foi contato naquela parte por enquanto é o suficiente permitindo dar uma pausa na obra para então retomá-la sem problemas em um momento seguinte. Aqui se insere um dos pontos que mais gostei na obra de King que eram as pequenas retomadas que ele fazia relembrando pontos importantes para que nada fosse perdido. Consegui ter uma dimensão maior de tudo, ao relembrar e dar maior crédito à algumas coisas que de primeira passaram despercebidas.

Talvez, pensou ele, não existam coisas como amigos bons ou ruins. Talvez existam só amigos, pessoas que ficam ao seu lado quando você se machuca e que ajudam você a não se sentir muito sozinho. Talvez valha a pena sentir medo por eles, sentir esperança por eles e viver por eles. Talvez valha a pena morrer por eles também, se chegar a isso. Não amigos bons. Não amigos ruins. Só pessoas com quem você quer e precisa estar; pessoas que constroem casas no seu coração.
• Eddie Kaspbrak

Em relação aos personagens, It – A Coisa conseguiu me fazer ter uma sensação que pouquíssimos livros já o fizeram. Apesar da sobrenaturalidade que envolve todos os personagens, também é possível perceber a realidade que cada um possuí. Começando pelo lado infantil, as crianças realmente aparentam ser crianças. Existem muitas obras infantis em que os pequenos parecem muito mais adultos que crianças da sua idade. King, por outro lado, conseguiu explorar com genialidade os medos e as personalidades dos integrantes do Clube dos Otários de modo que estes nunca fugiram dos pensamentos comuns à sua idade durante boa parte da obra. Boa parte, pois, ao mesmo tempo que percebemos esta característica, também é possível observar que as crianças amadurecem ao longo do livro e vão cada vez mais demonstrando quais personalidades irão assumir quando adultos.

Por falar em adultos, King também fez um trabalho fantásticos com não só os Otários mas como também com os outros personagens que permeiam a obra. Há uma diferença absolutamente palpável entre eles onde cada um tem sua personalidade e seu modo de ser de maneira que não da para confundir suas falas e ações. King construiu um mundo de pessoas divergentes umas das outras em seus medos, angústias, paixões e desafios. Derry se torna uma cidade quase real pois cada um de seus habitantes realmente poderiam existir e estar ao nosso lado.

Acho que é isso que queremos dizer quando falamos sobre a persistência da memória, isso ou alguma coisa assim, uma coisa que você vê na hora certa do ângulo certo, uma  imagem que desperta emoções como um motor. Você vê tão claramente que todas as coisas que aconteceram no meio-tempo somem.
Se o desejo é o que fecha o círculo entre o mundo e a vontade, então o círculo fechou.
• Bill Denbrough.

Emocionalmente, apesar de não ter sentido medo durante a leitura de A Coisa posso dizer que fui tocada pelas palavras de King em diversos pontos. Nessa história criada para horrorizar o leitor, os moradores de Derry cumpriram seu papel mostrando o quão cruel um ser humano pode ser. Desde ao que mães podem fazer para proteger seus filhos à o que pais podem fazer para maltrata-los, King traça uma linha em qual expõe os seres humanos modo nu e cru. Eu senti raiva, vergonha e medo do que os homens são capazes de fazer. It me deu um sentimento de que quase todos somos vis e cruéis quando temos a oportunidade. Somos feitos de carne, ossos e maldade. Como se esperassemos uma brecha, um motivo para ser atrozes.

Durante toda a leitura de A Coisa, não posso contar em dedos quantas vezes situações desesperadoras foram criadas, não pelo monstro e sim pela própria humanidade. Racismo, sexismo, violência, intolerância… Sentimentos que repetiram-se continuamente durante a leitura provocando-me a pensar que todos somos a própria Coisa no mundo. Nos alimentamos da tristeza dos nossos semelhantes de modo à sermos a doença que fere o mundo. Um tumor que cresce à medida que fazemos a maldade como que tambem fechamos os olhos ao que acontece ao nosso redor.

Essa qualidade da imaginação deixava os alimentos muito suculentos. Os dentes da Coisa destroçavam carne dura de tantos terrores exóticos e medos voluptuosos: eles sonhavam com animais noturnos e lamas em movimento; contra a própria vontade, eles contemplavam abismos infinitos.
• A Coisa

Mas, ao mesmo tempo em somos o câncer do mundo, It também nos mostra que somos a cura através de Bill, Richie, Beverly, Mike, Eddie e Stan. O amor e amizade sempre poderão nos salvar de qualquer mal se deixarmos que ele faça isso. Curamos quando ficamos unidos e nos deixamos ser curados. Essa é a maior lição de A Coisa. É a percepção de que sim existe coisas maiores que nós que puxam ou para o bem ou para o mal. Tais formas porém apenas nos dão as ferramentas para que possamos agir, mas apenas se acreditarmos no que fazemos é que conseguiremos encontrar o caminho para longe das mazelas e da escuridão.

Ler It – A Coisa foi sem dúvidas diferente de tudo que eu esperava que poderia acontecer. Fui levada do medo à esperança e deixada as margens de uma humanidade terrível mas também sonhadora. É um livro que sempre vou lembrar de ter lido por ter me dado muito mais do que um monstro, mas ter me mostrado quem são os verdadeiros. Somos nós, ao mesmo tempo que podemos ser a luz no fim do túnel, basta olharmos para quem somos e assim nos perguntar se estamos fazendo juz à crianças que éramos um dia.

Você não precisa olhar para trás para ver essas crianças; parte de sua mente vai vê-las para sempre, vai viver com elas para sempre, vai amar com elas para sempre. Elas não são necessariamente a melhor parte de você, mas já foram o depósito de tudo que você poderia se tornar.
• Bill Denbrough

| RESENHA | Coraline — Neil Gaiman.

Olá leitores como vão? Hoje a resenha está saindo mais tarde, mas livros mais psíquicos merecem não. É o mês das bruxas e as leituras estão à todo vapor. Contudo, como eu dei uma pequena pausa no terror para ler Corte de Névoa e Fúria com algumas amigas, a resenha de hoje é de um dos meus queridinhos do passado. Coraline do Neil Gaiman que foi o primeiro livro nessa linha ficção psicológica que li e que até hoje me assombra.

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Título: Coraline
Autor: Neil Gaiman
Editora: Rocco
Ano: 2002
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 💜
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino.

 

SINOPSE:A história de Coraline é de provocar calafrios. A narrativa dá muitas voltas e percorre longas distâncias, criando um ‘outro’ mundo onde todos os aspectos de vida são pervertidos e desvirtuados para o macabro. Ao mesmo tempo sutil e cruel, o autor gosta de desafiar as imagens simples dos livros infantis tradicionais. No livro, a jovem Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, a menina consegue abrir uma porta que sempre estivera trancada na sala de visitas de casa e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais. Na verdade, aquele parece ser um “outro” mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.

Coraline é o tipo de livro infantil que todos sabemos que foi feito para um adulto ler. Somente nós, jovens e adultos conseguimos entender por entre as linhas da história criada tanto para encantar como para assombrar por Neil Gaiman. É um livro que conduzido através da sutileza que relembra os medos da infância e os desejos mais profundos do seu coração. Todos nós em algum momento da vida já pensamos em querer morar em um mundo perfeito. Um mundo onde não há cobranças e tudo é extremamente divertido. Um mundo onde as pessoas são incríveis e nada de ruim pode nos alcançar. Neil Gaiman te mostra que esse mundo talvez exista e que talvez ele esteja ali dentro do seu armário. E para entrar nele, você só precisa girar a chave e pagar o preço que ele exige.

Dono de uma linguagem sutil e poética, Neil Gaiman escreve um livro grandioso com simplicidade. Ele te diz o básico para que com aliadas à essas informações sua própria mente termine de criar as situações e as imagens. Gaiman brinca então com seu próprio imaginário. Você é dono do monstro atrás da porta que é moldado como um Frankstein; feito de variadas partes do seu próprio medo. Assim Gaiman cria uma história onde tudo é possível buscando nossas raízes em uma escrita sutilmente tenebrosa.

Neil Gaiman também cria bastante profundidade em seus personagens mesmo se tratando de um livro curto. Com frases pequenas, mas muito dito nelas, cada um consegue se tornar inesquecível ao seu modo. Ao criar dois mundos diferentes, Gaiman cria personagens que também são muito diferentes. Há tanta dualidade em cada um que é impossível não se pegar pensando no que cada pessoa esconde. Se o limite entre o real e o imaginário é uma porta, então talvez o limite entre uma boa pessoa e uma má sejam as convenções sociais. Em um mundo onde não há regras, cada um de nós poderíamos ser o que quiséssemos seja bom ou não. Tal perspectiva é deixada a vista do leitor durante todo o livro. Para que ele perceba e se pergunte o que é ou não real em nosso mundo.

Coraline
é um livro que marcou minha vida como leitora e como pessoa. Neil Gaiman é um dos maiores nomes da fantasia porque trás o mundo real de forma sutil para dentro de suas páginas. Ler este livro é como abrir o armário dos medos e finalmente enfrentá-los.

| RESENHA | A Resposta – Kathryn Stockett – Histórias Cruzadas.

Oii gente! Tudo bom com vocês? Há uns dois anos mais ou menos eu vi um filme chamado Histórias Cruzadas. Durante muito tempo, fiquei abismada com a força que o ele possuía e sobre o que ele falava. Segregação. Uma palavra feia; uma mancha na história não só dos estadunidenses, mas também na de todo o Mundo. Será mesmo que as pessoas de cor precisavam ser tratadas com tamanho desrespeito? Será mesmo que elas são diferentes que nós? Será mesmo que elas devem ser tratadas como inferiores? A resposta, é claro, é não. Elas não mereciam nada daquilo. A cor da pele não nos faz diferente. Somos todos seres humanos feitos de carne, ossos e sentimentos.

Então, lá estava eu assistindo um filme que falava justamente desse tipo de abominação e refletindo sobre como era a vida de uma mulher negra trabalhando para uma mulher branca em tempos de racismo legalizado. Mas pensando melhor, trabalhando não, criando o filho de uma mulher branca enquanto é sujeitada à humilhações. Entretanto, certamente não foi apenas isto que me deixou com vontade de ler a obra e sim a verdade que estava sendo contada. Ninguém nunca se deu o trabalho de perguntar a uma empregada como ela sentia, como era ser uma negra criando um mulher branca enquanto seus filhos eram cirados por outra pessoa. E muito além do filme brilhante, posso afirmar com toda a certeza, que foi esta pergunta me fez ler o livro que só posso chamar de extraordinário.

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Título: A Resposta
Título Original: The Help
Autora: Kathryn Stockett
Editora: Bertrand
Ano: 2010
Avaliação: 👑👑👑👑👑💜
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino.

SINOPSE: Três mulheres especiais estão prestes a dar um passo extraordinário… Skeeter, 22 anos de idade, acabou de voltar para a casa dos pais após graduar-se na universidade Ole Miss. Possui um diploma, mas o ano é 1962, a cidade é Jackson, no Mississippi, e sua mãe não vai sossegar até ver a filha com um anel de noivado no dedo. Aibileen é uma empregada que já está criando sua décima sétima criança branca. Algo mudou dentro dela depois da perda do filho, morto enquanto seus patrões faziam vista grossa. Aibileen é devotada à menininha de quem cuida, apesar de saber que ambas correm um sério risco de se magoarem nessa relação. Minny finalmente encontra serviço – sua boca suja não a permite ficar muito tempo em um emprego – trabalhando para uma mulher que acabou de chegar à cidade e por conta disso não sabe da reputação da criada. Embora bastante diferentes umas das outras, essas mulheres vão unir forças num projeto clandestino que colocará todas em perigo. Por quê? Porque estão se sentindo sufocadas pelos limites e pelas regras que as norteiam e pela época em que vivem. E também porque limites, algumas vezes, foram feitos para serem ultrapassados. Em vozes perfeitamente recriadas, Kathryn Stockett nos apresenta três mulheres fora de série cuja determinação de dar início a um movimento transforma uma cidade e a maneira como as mulheres — mães, filhas, empregadas domésticas, amigas — veem umas as outras. Romance profundamente enternecedor, tocante, cheio de humor e esperança, A Resposta é uma história atemporal e universal sobre os limites que respeitamos e sobre aqueles os quais precisamos ultrapassar.
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Se eu fosse definir uma palavra que define A Resposta seria FORTE. Apesar de saber o que me esperava durante a leitura, pois já havia visto o filme, ler o livro me causou um impacto maior. Porque no filme podemos apenas tentar imaginar quais são os sentimentos dos personagens. Mas no livro conseguimos sentir cada um pois estão exposta nus e crus pois tudo que foi posto na obra veio para nos fazer sentir tudo a nossa volta. E, com minhas mais sinceras palavras, só posso dizer que foi foda! Passei do limite da raiva ao desespero, da revolta à tristeza. Kathryn deu vida aos personagens de modo tão verdadeiro, que me tornei melhor amiga de Aibileen, Minny e Skeeter vendo como elas evoluiram no livro me fazendo a evoluir também.

Narrado em primeira pessoa pelas três mulheres, o livro que tinha tudo para ser confuso foi bem desenvolvido. Stockett criou personagens muito diferentes uma da outra de modo que não da pra confundir quem esta narrando. Não somente pelo nome da narradora que precede as partes, mas pelo modo com o qual cada uma apresenta seu ponto de vista. Aibileen é sábia e está sempre motivada a pensar no que acontece à sua volta. Minny é bem espirituosa criando uma bolha de alegria em sua realidade escura. Já Skeeter é doce, mas também pragmática constantemente se perguntando o motivo das coisas serem como são. Além disto, a autora se preocupou em reduzir palavras e motivar erros (como por exemplo o verbo estar conjulgado como tou e tava) o que exemplificava bem as diferenças de escolaridade entre as mulheres. Vale ressaltar que apesar de possuir um estilo de escrita brilhante, o livro não é fácil de ler. Não chega a ser uma leitura fluída pois envolve muita reflexão. De algumas tomadas a outra é necessário parar e tentar absorver a obra. Mas mesmo não possuindo aqua fluidez de você não sentir as páginas irem embora, o livro continua impossível de deixar de lado. Precisamos saber o que vai acontecer, quais serão as consequências.

O que mais me deixou encantada com leitura de A Resposta foram as personagens colocadas. Não somente das principais, mas também das secundárias. Cada uma possuía seus medos e seus segredos tornando a leitura mais verossímil:

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• Aibileen com toda sua honestidade demonstra um lado da mulher negra de 1960 que não conhecemos, pois ela é sonhadora e ela acredita que nem todas as pessoas são más. Cuida como uma devota a sua Nenezinha da vez May Mobley provando que amor não tem cor ensinando a criança a verdade que sabe que sua menininha vai esquecer ao se tornar uma adulta branca: Ela é boa, ela é corajosa, ela é especial, mas acima de tudo elas são iguais de cor diferente;

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• Minny tem a força que costumeiramente vemos nas representações negra da literatura e do cinema, mas também é mais do que isso. Minny tem suas aflições. Ela quer um futuro melhor para seus filhos embora os ensine que a justiça esta do lado dos brancos e não dos negros. Ao mesmo tempo, apesar de toda sua raiva dos brancos, aprende com sua patroa Célia Foot que nem todos à desprezam e que uma boa amizade vem dos lugares mais improváveis.

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• Skeeter teve a coragem de ver além do seu mundo. Que enxergou nas atitudes das pessoas à sua volta a pior natureza do ser humano. Ao mesmo tempo, em que tentava transparecer ser a mulher perfeita da sociedade. A mulher que queria um marido embora também quisesse ser independente. A mulher que não ligava ou pelo menos fingia não ligar para os absurdos de sua melhor amiga Hilly Holbrook, tão vil e mesquinha e ao mesmo tempo tão real que é impossível não sentir vergonha de seus atos tão bons representantes do horror da nossa sociedade.

A Resposta de Kathryn Stockett foi um livro que me marcou profundamente. Não somente por falar do racismo em uma época que este era chamado bom senso, mas por ter a característica atemporal de lembrar o ser humano do quão cruel ele pode ser, ao mesmo tempo que nos conduz a pensar no caminho que estamos tomando hoje. Qualquer um sabe que o racismo ainda existe enraizado no seio de uma sociedade com mania de supremacia branca. Mas Stockett nos ensina através de Aibileen, Skeeter e Minny que com um pouco de coragem é possível abrir os horizontes e atravessar os limites para construir um mundo melhor.

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| RESENHA | Antes Que Eu Vá – Lauren Oliver.

Oii gente. Hoje estou aqui para fazer resenha de um livro ótimo escrito por Lauren Oliver. Antes Que Eu Vá foi adaptado para o cinema e eu como uma boa leitura resolvi que leria o livro antes do filme, mesmo achando que possivelmente não gostaria porque o acabaria achando clichê. O filme teve lançamento no dia 18 do mês passado e pretendo assisti-lo em breve.

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Título: Antes Que Eu Vá.
Título Original: Before I Fall.
Autora: Lauren Oliver.
Editora: Intrínseca.
Ano: 2011.
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Amazon

SINOPSE: Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no Thomas Jefferson, o colégio que frequenta — da melhor mesa do refeitório à vaga mais bem-posicionada do estacionamento. Aquela sexta-feira, 12 de fevereiro, deveria ser apenas mais um dia de sua vida mágica e perfeita. Em vez disso, acaba sendo o último. Mas ela ganha uma segunda chance. Sete “segundas chances”, na verdade. E, ao reviver aquele dia vezes seguidas, Samantha desvenda o mistério que envolve sua morte — descobrindo, enfim, o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder. … Em uma noite chuvosa de fevereiro, Sam é morta em um acidente de carro horrível. Mas em vez de se ver em um túnel de luz, ela acorda na sua própria cama, na manhã do mesmo dia. Forçada a viver com os mesmos eventos ela se esforça para alterar o resultado, mas acorda novamente no dia do acidente. O que se segue é a história de uma menina que ao longo dos dias, descobre através de insights desoladores, as consequências de cada ação dela. Uma menina que morreu jovem, mas no processo aprende a viver. E que se apaixona um pouco tarde demais.

Eu li em um livro uma vez¹ que o tempo se cura sozinho. Não importa se temos o poder de voltar no tempo, nunca vamos conseguir muda-lo pois um acontecimento que muda hoje, será reconstruído no amanhã. Por esse motivo, por mais que tente mudar o que acontece naquele 12 de ferveiro, Sam não consegue acordar no dia 13. Mas talvez essa regrinha não se aplique no último de seu último dia e o que parecia impossível de primeira, poderá ser mudado no fim das contas.

Você acha que eu estava sendo tola? Ingênua?
Tente não me julgar. Lembre-se de que somos iguais eu e você.
Também pensei que iria viver para sempre.

A palavra que pode definir a história narrada com maestria por Lauren Oliver é evolução. Durante todo o livro, Sam evolui. Eu não diria que ela simplesmente muda do vinho para água, mas evolui a cada dia para se tornar uma pessoa melhor. No começo da obra temos um convite da autora para odiar Sam. De todas as formas que conseguia, a personagem era uma vaca. Sem censura, ela simplesmente não prestava. Todas as suas atitudes são voltadas para si mesma e para suas amigas. Ela não se importa com quem e como vai atingir os outros por sua maneira de agir sendo altamente fútil e preconceituosa como a garota que quer apenas ser popular e ter tudo fácil na vida. Mas de certo modo, desta maneira a autora nos dá um parâmetro com nossos atos. Ela nos faz pensar no que fazemos com as pessoas ao redor e se somos melhores do que Sam. Pois podemos nunca ter ferido ninguém, mas com certeza talvez também nunca tenhamos nos preocupado em ajudar alguém que precisava. Quantos de nós estenderam a mão para alguém que precisava? Quantos de nós enxergamos para o outro ao invés de pensar no próprio umbigo?

Agora sou a primeira a escolher tudo. E daí? É assim mesmo.
Ninguém disse que a vida era justa.

Assim, a cada dia que passa, pude notar a evolução de Sam. Ela começa a perceber o quão mesquinha ela e suas amigas são. O quão pequenas são as picuinhas que inventam para atormentar as pessoas a sua volta. Como se a cada dia, mesmo que não posta em palavras, entendessemos que ao fim do tempo de Sam existe um lição a ser aprendida. O mundo não se trata apenas de nós, mas também das pessoas que nos cercam. E não só das próximas, mas até daquelas que de tão distantes parecem pequenininhas.

Uma teoria que ouvi falar – e que eu pensava com frequência quando era miudinha – diz que tudo que esta às nossas costas não existe e que as pessoas deixavam de existir assim que viramos de costa, mas isto é baboseira. Os sete dias de Sam nos mostram exatamente isso. As pessoas existem e elas tem sentimentos. Em hipótese alguma fira alguém simplesmente porque você pode: você não sabe que tipo de impacto vai causar.

Se você ultrapassa um limite e nada acontece, o limite perde sentido.

Dentre todos o personagens, na minha opinião as que me deixaram mais intrigadas foram Juliet e Lindsay. Juliet por  ser altamente misteriosa e Lindsay por odia-la. Se teve uma coisa que eu quis saber sobre esse livro era a verdade por trás das duas. Ninguém odeia ninguém a toa. E o que descobri sobre as duas foi o que mais fez a leitura ser gratificante. Não por Lindsay, mas por Juliet. Como ela conseguiu lidar com a situação, como nunca feriu ninguém, como Juliet se manteve fiel porque os laços do passado às vezes são tão fortes que é impossível apaga-los. Juliet me ensinou muito mais do que qualquer coisa que Sam, de certa maneira. Ela me deu esperança de que nem tudo está perdido.

Mas para alguns de nós só existe o hoje. Essa é a verdade. Nunca se sabe.

A única coisa que realmente me incomoda no livro foi o aberto do final. Faltou um pedaço do livro. Faltou uma explicação para o que vinha depois do sétimo dia. Fiquei frustada por isso não acontecer e pelas verdades não ditas continuarem não ditas. Esperava que houvesse algo mais, algo mais especificado. Algo que me mostrasse que tudo aquilo não foi em vão.

Mas as coisas mudam quando você morre – acho que morrer é a coisa mais solitária que se pode fazer.

Mas críticas a parte, Antes Que Eu Vá foi uma leitura intrigante, questionadora. O livro nos faz pensar nas pessoas como elas são de verdade, mas principalmente o que nós somos de verdade. Uma leitura talvez obrigatória, para todos àqueles que não percebem o quão preciosos são os nossos últimos segundos e o que fazemos com eles.

Fico imaginando se é possível saber a verdade sobre a outra pessoa, ou se o melhor que podemos fazer é tropeçarmos uns sobre os outros, com as cabeças baixadas torcendo para evitar uma colisão.

Continuar lendo | RESENHA | Antes Que Eu Vá – Lauren Oliver.

| RESENHA | A Vila dos Pecados – Soraya Abuchaim.

Olá pessoa que esta lendo esta matéria, como vai? Hoje é dia de resenha aqui no blog do livro maravilhoso da Soraya Abuchaim que foi lançado ontem e que fez o maior sucesso. E gentilmente ela cedeu um desses exemplares ao blog e eu li no início dessa semana.

Título: A Vila dos Pecados.
Autora: Soraya Abuchaim
Editora: Coerência.
Ano: 2017
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟
Onde comprar: Site da Autora

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SINOPSE: Final do século XIX. Enquanto o mundo passa por transformações importantes, existe uma vila inóspita, que vive à margem da civilização e que tem as suas próprias e estranhas leis. Lendas escuras a rondam e histórias macabras sobre Ponta Poente povoam o imaginário popular. Quando o padre Alfonso Anes, um exemplo vivo de amor e resignação, chega à vila para substituir o seu antecessor, depara-se com segredos que o farão duvidar da própria sanidade, e uma onda de mortes trará o caos para aquele lugar ermo. Quem estará a salvo? Serão estes segredos o fim de quem os esconde? O que esse universo tenebroso revelará para o mundo?

A Vila dos Pecados foi uma leitura cheia de emoções e que me deixou praricamente abobalhada com a natureza humana. Soraya Abuchaim conseguiu fazer com que meus sentimentos partissem da revolta e da paixão em diversos momentos, pois as características apresentadas por seus personagens durante o livro iam das mais odiosas as mais esperançosas. A psiquê humana foi incrivelmente bem detalhada, de modo que ficou verossímel as atitudes daquelas pessoas nas determinadas situações. E eu diria que um dos pontos que mais me impressionaram durante a leitura, foi o modo com o qual essas pessoas se desenvolveram durante o livro. Soraya demonstra em A Vila dos Pecados que nem todo mal é realmente feito apenas de coisas ruins. Assim como até as mais puras almas não são feitas apenas de bondade. Dentro da mente e do coração de cada ser humano existe a bondade e a maldade lutando entre si, e o que define quem nós somos é para qual lado vamos dar a medalha de campeão.

“Tudo se desenrola na escuridão, quando os justos e os honestos dormem. Ninguém é santo, não. Quem mais venerava o falecido era quem mais temia que seus segredos fossem descobertos.”

Em uma pequena comparação com o livro anterior Até Eu Te Possuir este teve uma evolução no quesito escrita, o que eu admito que fiquei absmada pois não achava possível. Mas na questão do detalhamento das emoções e das atitudes dos personagens, mesmo possuindo a plena consciência que são dois universos com histórias completamente diferentes, eu pude notar que as situações propostas pela autora saíram bastante do comum para a proposta da obra. No livro Ate Eu Te Possuir a situação comum de ciúmes e namoros foi um modo de enfatizar aquilo que Abuchaim proprunha no livro. Afinal de contas eram situações presentes naquele tipo de relação. Mas em A Vila dos Pecados houve uma exploração maior do extremo, onde cada situação criada, era um ápice dos sentimentos como se estes fossem elevados à milésima potência. Isso elevou o livro à um nova plataforma, onde o mistério se desenrolou com o drama e os sentimentos de medo, angústia, desejo e cumplicidade ganharam destaque.

“Ninguém chora as escondidas e lamenta o que passou se não viveu intensamente; mas tambem ninguém se recusa a comentar o passado se não tem algo à esconder.”

A única coisa que me deixou realmente apagada no decorrer da leitura, foi o fato de que o final, muito antes o meio do livro se tornou óbvio para mim. Eu sempre leio bastante livros de suspense. Além da ficção, esse é um dos meus gêneros favoritos. De modo, que quando você lê muitos livros de um mesmo gênero você acaba descobrindo certas lógicas que vão guiar ele. Na verdade é basicamente o esqueleto de um livro que irá definir o livro como pertencente de um gênero tal. Em A Vila do Pecados eu sabia que se tratava de um suspense e dessa maneira fui criando minhas suposições – todo mundo dá uma Sherlock Holmes nesse tipo de obra – com base no pré-determinado. E em dado momento, a sucessão de acontecimentos foram brotando quase como uma prova de que eu estava certa. Assim diminuiu o o ritmo da coisa e admito que fiquei com uma pontade de decepção quando fechei o livro e a teoria foi confirmada. Eu esperava um choque que infelizmente não veio. E vocês sabem meus amigo, suspenses precisam de um choque.

“É muito mais fácil ser conivente com o mal do que lutar contra ele.”

Contudo, livros para mim são somatório de coisas boas. E o livro da Soraya me deixou mais instigada que outra coisa. É uma leitura que realmente vale muito a pena. A autora nos convida a refletir sobre o que é realmente pecado, o que é errado, o que é certo, quais segredos nós escondemos e o que estamos dispostos para mantê-los assim. A Vila dos Pecados pergunta a cada um de nós se somos fiéis a nós mesmos ou reféns as situações e pessoas que nos cercam.

| RESENHA | Sr Daniels – Brittainy C. Cherry

Uma pergunta: Quero estar vivo, e não tenho ideia de por que, vendo como hedionda a vida é, às vezes. Talvez seja a crença, a esperança e a paixão, tudo embrulhado dentro do meu peito. Talvez meu coração esteja apenas rezando por um amanhã melhor para substituir todos os ontens de merda. Então, para responder à sua pergunta de forma muito deprimente, cheia de angústia adolescente, quero estar vivo quando crescer. Então, agora eu pergunto, Sr. D. O que você quer ser quando crescer? Porque nunca paramos de crescer, e raramente deixamos de sonhar.
– Ryan.

Oii gente! Recentemente (uns três meses mais ou menos) saiu resenha aqui no blog do livro O Ar Que Ele Respira da autora Brittainy C. Cherry. Então resolvi fazer resenha de um livro anterior dela chamado Sr. Daniels que para mim ainda é o melhor livro da autora. Isto porquê a história de Daniel & Ashlyn foi realmente bem escrita e não consigo me lembrar de falhas no enredo ou algo que tenha detestado.

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Título: Sr. Daniels.
Título Original: Mr. Daniels.
Autora: Brittainy C. Cherry
Editora: Galera Record
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟🌹
Onde Comprar: Saraiva Submarino Amazon

Sinopse: Depois de perder a irmã gêmea para a leucemia, Ashlyn Jennings vê sua vida mudar completamente. Além de ter de aprender a conviver sem parte de si mesma, ela precisa se adaptar a uma nova rotina. Enviada pela mãe para a casa do pai, com quem mal conviveu até então, ela viaja de trem para Edgewood, Wisconsin, carregando poucos pertences, muitas lembranças e uma caixa misteriosa deixada pela irmã. Na estação de trem Ashlyn conhece o músico Daniel, um rapaz lindo e gentil, e a atração é imediata. Os dois compartilham não só o amor pela música e por William Shakespeare mas também a dor provocada por perdas irreparáveis. Ao sentir-se esperançosa quanto a sua nova vida, Ashlyn começa o ano letivo na escola onde o pai é diretor. E não consegue acreditar quando descobre, no primeiro dia de aula, que Daniel, o belo músico de olhos azuis com quem já está completamente envolvida, é o Sr. Daniels, seu professor de inglês. Desorientados, eles precisam manter seu amor em segredo, e são forçados a se ver como dois desconhecidos na escola. E, como se isso já não fosse difícil o bastante, eles ainda precisam tentar de todas as formas superar os antigos problemas e sobreviver a novos e inesperados conflitos.

Simplesmente não consegue compreender as diferentes formas de amor. Formas que só nós, adolescentes, podemos entender antes que o mundo da vida adulta tire a nossa magia, o nosso encanto. Ser adolescente é uma maldição e um presente ao mesmo tempo. É a idade em que contos de fadas e o Papai Noel deixam de existir, mas partes de nossos corações querem dizer: E se…
– Ryan.

Dizer que gostei desse livro de Brittainy C. Cherry seria um eufemismo. O li com rapidez praticamente não deixando a obra de lado. Meu coração murchou em algumas partes, se alegrou em outras e se estilhaçou várias vezes. Durante todo o livro, até a cena final, a autora conseguiu me fazer crer no felizes para sempre antes de me tira-lo sem dó nem piedade. O que é realmente bom, porque foi essa carga dramática pesada no livro, que conseguiu transformar a obra de um clichê adolescente em algo mais. Algo que realmente vale a pena ser lido. Não somente pelos personagens principais. Mas também pelos secundários que fizeram toda a diferença.

Eu me perguntava se as pessoas que morriam sabiam que quem fica para trás daria tudo para ouvir suas vozes mais uma vez.
– Ashlyn.

O livro é narrado através de dois pontos de vista, mas sempre em primeira pessoa. Daniel e Ashlyn se intercalam para contar sua proíbida história de amor. Mas arrisco a dizer que a história tem três pontos de vistas. Afinal de contas, durante toda a obra, as cartas que Gabby (irmã falecida de Ashlyn) deixa para trás figuram comonpersongens no enredo. Mas explicando melhor, Gabby escreve uma lista de coisas que a irmã tem que fazer antes de morrer acompanhada de uma penca de cartas. A cada ítem cumprido da lista, uma carta correspondente deverá ser aberta. Um ítem diz que Ashlyn deve se apaixonar, o que convenhamos, ela o faz bem, mas de maneira super enrolada.

Você está indo muito bem garota.
<- Gabby.

Indos aos pontos que me fizeram gostar irremediavelmente da história, o fato de Cherry não recorrer a paixões extras entre o casal principal. Não tenho costume em gostar de triangulosos amorosos, em que tal personagem se sente dividido entre o que sentem um pelo outro e também a um terceiro. Ashlyn e Daniel portanto irão pertencer um ao outro sem dúvidas, sem mimimi. Apesar de que existe sim outras pessoas apaixonadas pelos personagens, o casal não consegue se ver longe um do outro amando estas apenas como irmão ou como uma garota que fez parte do seu passado, sem nunca porem seus sentimentos em xeque para tentar um relaciomento com outra pessoa.

Eu odiava o quão próximos estávamos e o tão distantes que nos sentíamos.
– Daniel.

Outro ponto alto do livro é a interação dos personagens secundários que não só ajudam a compor o cenário, como também mostram-se importantes dentro dele. O pai de Ashlyn por exemplo é carinhoso com ela, mas não consegue vencer a barreira dos anos que viveram separados. Hailey é uma jovem quase gótica, quase patricinha (bugante não?) que tem o desejo de se tornar mulher no sentido sexual da coisa, mesmo sabendo que seu namorado não há ama tanto assim.  E por fim temos Ryan, que de longe foi meu personagem favorito. De alguma forma eu me aproximei dele. Tavez fossem suas palavras e seus pensamentos ou talvez a angústia que ele tinha. Mas ele era incrível. De todos os personagens, Ryan conseguiu tocar melhor meu coração.

Porque fingir ser feliz é quase como ser feliz. Até você lembrar que é apenas fingimento. Então você fica triste. Realmente triste. Porque usar uma máscara todos os dias da sua vida é a coisa mais difícil do mundo. E depois de um tempo, você tem um pouco de medo porque a máscara se torna você.
– Ryan.

Sr. Daniels é uma leitura viciante. Por vezes melancólica, outras vezes radiante é um livro que vai te provocar as mais diversas emoções que faz toda a diferença na sua vida no fim das contas. Pois ele te mostra como a vida, por mais complicada que aparente, pode ter uma luz no fim do túnel se você deixar as pessoas ao seu redor te guiarem.

A Resposta: Não quero ter medo do resultado da vida. Quero me lembrar de respirar enquanto sorrir, e valorizar as lágrimas. Quero mergulhar em esperança e cair no amor. Quero estar vivo quando crescer, porque… nunca estive vivo em toda a minha vida.
– Daniel.

| RESENHA | Corda Sobre O Abismo – Marcelo Pereira Rodrigues.

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Título: Corda Sobre O Abismo.
Subtítulo: O Elogio da Desesperança.
Autor: Marcelo Pereira Rodrigues.
Editora: Chiado.
Ano: 2016
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

Sinopse: Fictício, contemporâneo e urbano, o romance filosófico “Corda sobre o abismo” conta com altas doses de introspecção. Denizard é filósofo, professor, escritor diletante e crítico do mundo à sua volta. Sua aguda racionalidade contrasta-se com os encontros, sutis ou profundos, que acontecem numa São Paulo desvairada: trânsito caótico, violência, relacionamentos vazios e fúteis. Seu equilíbrio racional cai por terra após uma noite de bebedeira: sentindo que caminhava por uma tênue corda sobre um abismo, sua vida sofre uma derrocada. Esse fragilizar-se leva nosso personagem a reerguer-se e dentro desse processo surgem os diálogos surreais sonhando com escritores mortos, de Lima Barreto a Albert Camus, dentre outros.
A veia ferina e irônica de Denizard vai se humanizando aos poucos, os sentimentos e a razão acompanham seu crescimento e uma nova visão de mundo vai se descortinando. Um livro ágil e direto, engraçado e surreal em muitas de suas passagens, evidenciando que o salto em favor da obra é sempre uma fuga necessária.

O livro Corda Sobre O Abismo foi diferente do que eu esperava para ele. O ponto que mais me agradou foi o personagem principal, Denizard que de modo afiado crítica tudo e todos ao seu redor. Se você levar ao pé da letra o fato de que ele é um professor de filosofia em um romance filosófico, achará que o livro se tornará maçante pelas sempre reflexões profundas sobre todas as coisas. Mas ao contrário disso, como uma ótima surpresa, o livro se desenvolve de uma forma cômica e inteligente instingando o leitor à junto com Denizard, pensar sobre os acontecimentos mais que estranhos que estão pipocando ao passar das páginas.

O modo como a história se desenvolve é fora do padrão. De certo modo, mesmo com o pequeno comentário do autor sobre Birdman e uma explicação sobre o fato que levou nosso protagonista a ficar famoso, era certo que eu deveria no mínimo ter uma ideia sobre o que sucederia com o professor. Mas isto não aconteceu. Na verdade eu pensei que havia acontecido uma coisa, quando na verdade acontecera outra. Esse tipo de surpresa quanto ao enredo fez borbulhar as espectativas sobre o que mais eu poderia esperar até os atos finais, que também não me decepcionaram. O fechamento do livro foi tão bom quanto toda sua história, mantendo-se no padrão e sem cair de nível.

Eu queria falar sobre o livro e contar as divertidas tiradas de Denizard sobre os fatos que se sucedaram aquela bebedeira. Mas na minha concepção, acredito que seria um baita spoiler. Então para finalizar eu digo: se você nunca leu um romance filosófico Corda Sobre O Abismo é uma obra excelente para começar. O livro é leve, ágil e você consegue ler sem esforço nenhum em uma tarde. Foi uma surpresa agradável que deixou minha mente mais enriquecida e pensativa.

Beijos. Até o próximo post.

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| RESENHA | O Caminho Do Poço Das Lágrimas – André Vianco.

Sinopse: O Caminho Do Poço Das Lágrimas conta a história de um pai que está preocupado com o bem estar de seus filhos. Jonas viajava com os filhos Ingrid e Bosco por uma estrada escura. De repente os três adormecem e, quando acordam, depois de muitos sonhos agitados, se dão conta de que estão em um vasto campo verde. O carro em que viajavam desapareceu e a única saída daquele campo é um caminho formado por pedras justapostas… é O Caminho do Poço das Lágrimas. Orientados para não saírem do caminho, a tarefa parece impossível. Ingrid tem curiosidade, Bosco tem sede e Jonas tem medo. Para onde os levará esse caminho? Que mistérios e perigos os esperam?

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Emprestado pelo meu primo/melhor-amigo Kristhian, O Caminho do Poço das Lágrimas de André Vianco foi uma leitura que me surpreendeu por ao mesmo tempo ser simples e bem trabalhada. Pode parecer confuso dizer algo do tipo mas a verdade é que o livro de André Vianco apesar da história aparentemente simples e infantil, ele na verdade tem bastantes pontos que me deixaram sem palavras. Nas palavras de Kristhian, você vê que o céu é azul, André Vianco te convence que o céu é verde, para no fim você descobrir que estava certo desde do início. Confuso? Imagina a surpresa quando estava lendo.

O livro é reflexivo sobre a vida e a morte e os impactos que elas trazem em nossos corações. André Vianco fez uma pausa nos seus livros vampirescos, para nos trazer um significado maior. Pois apesar do terror e do suspense que fazerem parte desta história, o foco é tambem as lembranças que se enraizam nos perigos encontrados pela família. Jonas com o passar do tempo se aproxima mais dos filhos a quem tinha se afastado pelas obrigações da vida, tornando a história mais emocionante ao passar de suas páginas.

Eu amei este livro e apesar de ter lido em 2014, as memórias dele ainda estão em minha mente, pois André nos mostra que por mais que temamos a morte, todos um dia vamos passar por ela e devemos ter a consciência de que tivemos uma vida plena e feliz.

Título: O Caminho do Poço das Lágrimas
Autor: André Vianco
Ilustrações: Lese Pierre
Editora: Novo Século
Edição: 2008
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟⭐

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