Arquivo da categoria: Ficção Científica

( Resenha ) Perdido Em Marte · Andy Weir

Olá Corujinhas. Apertem os cintos e vejam se o veiculo especial está em perfeito que hoje nossa viagem será pelas terras vermelhas de um planeta longínquo em uma aventura pela sobrevivência de um astronauta.

perdido em marte

Título: Perdido Em Marte
Título original: The Martian
Autora: Andy Weir
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Ano: 2014
Avaliação: 🍁🍁🍁🍁
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate. Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico e um senso de humor inabalável , ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência. Para isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá. Com um forte embasamento científico real e moderno, Perdido em Marte é um suspense memorável e divertido, impulsionado por uma trama que não para de surpreender o leitor.

Então, esta é a situação: estou perdido em Marte. Não tenho como me comunicar com a Hermes nem com a Terra. Todos acham que estou morto. Estou em um Hab projetado para durar 31 dias.
Se o oxigenador quebrar, vou sufocar. Se o reaproveitador de água quebrar, vou morrer de sede. Se o Hab se romper, vou explodir. Se nada disso acontecer, vou ficar sem alimento e acabar morrendo de fome.
Então, é isso mesmo. Estou ferrado.

Quando encontrei o livro Perdido Em Marte já tinha visto uma uma porção de vezes. Sempre fui um tanto aficionada por ficções cientificas de modo que me apaixonei pela película. De modo que mesmo antes de começar o livro já tinha expectativas sobre o que poderia me aguardar bem como certezas sobre o caminho percorrido por Mark Watney. Mas como todos sabem, expectativa e realidade são oposto de modo que fico feliz em dizer que, mesmo sabendo o que me aguardava, o livro foi maravilhoso e de certa forma surpreendente.

Perdido Em Marte é narrado em primeira pessoa a principio. O autor busca exploras as primeiras resoluções de Mark de como é estar sozinho a beira da morte. Vale ressaltar que apesar da primeira parte ser praticamente um monólogo, a narrativa é super bem humorada deixando tudo mais leve. Mesmo com suas profundas reflexões, Mark mantém, a cabeça no lado engraçado de tudo como forma para não entrar em desespero. Muito bem construído como um personagem sólido e corajoso para enfrentar as loucuras do que esta por vir.

A leitura é envolta de muita ciencia que acontece de modo quase real. Todos os cálculos e testes envolvidos são tão bem sustentados pela ciência que torna a leitura verídica à ponto de você parar e pensar: se pudesse ser realmente testado, teria dado certo. Dessa forma, não só a sobrevivência de Mark ganha mais sentido, como a realidade da Nasa o estar ajudando aliado as maiores mentes do mundo. E é justamente essa constante ajuda de todos que faz de Perdido Em Marte uma leitura sensacional. Muito além de uma ficção cientifica, -este livro é um misto emoções cruamente humanas que nos faz querer ajudar o próximo mesmo que isto nos custe alguma coisa. É coragem de se arriscar para trazer alguém para casa sã e salvo mesmo contra todas as expectativas. Somos feitos de compaixão, mesmo que as vezes acreditemos que o mundo só tem maldade.

O custo da minha sobrevivência deve ter sido de centenas de milhões de dólares. Tudo para salvar um botânico bobão. Para que se dar o trabalho? Tudo bem, eu sei qual é a resposta. Em parte, pode ser o que eu represento: progresso, ciência e o futuro interplanetário com o qual sonhamos há séculos. Mas, na verdade, fizeram isso porque todo ser humano tem um instinto básico de ajudar os outros. Talvez não pareça ser assim às vezes, mas é verdade. Se um excursionista se perde nas montanhas, as pessoas organizam uma busca. Se um trem colide, as pessoas fazem fila para doar sangue. Se um terremoto arrasa uma cidade, as pessoas em todo o mundo mandam suprimentos de emergência. Isso é tão fundamentalmente humano que é encontrado em todas as culturas, sem exceção. Sim, existem babacas que não se importam, mas são uma ínfima minoria. E, por causa disso, bilhões de pessoas ficaram do meu lado.

 

O que me incomodou na leitura foi a demora com o qual as passagens foram realizadas que tiveram muito o aspecto de procrastinação. Cenas demoradas que sim, serviram para mostrar partes da sobrevivência do personagem principal, mas que também deixaram o livro mais tedioso de ser lido. Essa leitura de quase uma semana poderia ser facilmente tragada para uma três se o autor não tivesse criado tantas e tantas situações para dificultar a vida de seu personagem principal.

Mas críticas à parte, Perdido Em Marte é uma leitura divertida que agracia os fãs do gênero com um personagem inesquecível, tiradas inteligentes e muita ciência. Se você gosta desses três elementos, está é uma obra excelente para você.

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( Resenha ) A Queda dos Reinos · Morgan Rhodes · Livro 01

Olá Corujinhas. Abram suas e vistam suas armaduras que hoje iremos sobrevoar os reinos de Paelsia, Limeros Aureanos para que nossos mais profundos desejos sejam concebidos.

A queda dos reinos capa

 

Título: A Queda dos Reinos
Título original: Falling Kingdoms
Autora: Morgan Rhodes
Editora: Seguinte
Páginas: 400
Ano: 2013
Avaliação: 🍁 🍁 🍁 🍁
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

 

Sinopse: Numa terra em que a magia havia sido esquecida e a paz reinara durante séculos, uma agitação perigosa ganha forma quando três reinos começam a lutar pelo poder. Entre traições, negociações e batalhas, quatro jovens terão seus destinos entrelaçados para sempre: Cleo, a filha mais nova do rei de Auranos; Magnus, o primogênito do rei de Limeros; Jonas, um camponês rebelde de Paelsia; e Lucia, uma garota adotada pela família real de Limeros que busca a verdade sobre seu passado. E, A Queda dos Reinos, Morgan Rhodes constrói uma mitologia complexa e fascinante, que mistura amor proibido, intrigas políticas e profecias milenares. Narrado pelos pontos de vista de quatro protagonistas, este é o primeiro volume da série.

A busca pelo poder, pelo poder supremo, é a razão por trás da maioria dos males que o mundo testemunhou.

Conheci A Queda dos Reinos através das minhas googadas na busca por novas ficções. Sempre gostei de procurar por mim mesma novas histórias de modo que fiquei extasiada ao encontrar a capa do livro e ler seu título. Por isso assim que saiu os desafios da #Fantastona2017 logo o encaixei em minhas leituras cheia de expectativas pelo que poderia me esperar já que por não saber de nada sobre a obra — não faço o tipo que lê sinopses — e tudo que eu sabia era apenas mergulharia em um novo mundo contendo. E apesar de não ter achado a história impactante à ponto de tirar o fôlego, também não posso dizer que foi do meu total desagrado. Vi no livro potential que me deu certeza que vou dar continuidade à série.

De todos os pontos que me agradaram nesta a obra, a narrativa que é essencial não foi uma delas. Apesar da leveza e agilidade com que tudo transcorria, o modo com o qual a autora conduziu tudo foi fraco. Houve uma inversão de papéis onde, no que a autora deveria ter evoluído ficou de lado e o que deveria ter sido deixado de lado acabou tomando mais espaço na narrativa. Em uma obra maior e mais densa tal erro poderia ser perdoado pois teria-se dado espaço para a não breveidade das coisas. Mas em um espaço curto de tempo como o que a autora propõe ficaram fora dos eixos. Posso dizer que muita das vezes acabei achando o texto infinitamente infantil, uma coisa que me incomodou bastante durante a leitura. Sempre detestei longos diálogos em virtude provar a razão sobre tudo. Em uma narrativa focada na raiva, a autora usou e abusou dessa característica.

Mas, apesar de ter tido um impacto negativo com esse primeiro encontro com a obra, todo o aspecto restante de sua composição foi agradável. A forma ao qual Rhodes conseguiu aprofundar uma nova mitologia no contexto da obra foi sensacional. Me vi sedenta e expectante pelas respostas aos enigmas deixados pela autor sobre tudo que poderia ser tragado e conquistado pelos personagens. Apesar de, em um contexto inicial certas coisas parecerem refletir uma conclusão clichê e sem graça, Rhodes tomou pelas mãos e recriou dando novas dimensões ao futuro dos três reinos.

Quanto aos personagens, apesar de tê-los achado estranhos devido a infantilidade explicada na narrativa, também enxerguei neles algo mais o que me mostra como o ser humano pode ter duas faces. Cleo, a princesa de Auranos, apesar de toda a arrogância e Insatisfação mostra também um lado disposto à ser mais que uma donzela em perigo. Jonas, um rapaz pobre de Limeros, apesar da raiva e do sentimento de vingança mostra-se inteligente o suficiente para encontrar a justiça acima de tudo. Lúcia esta envolta de doçura, mas isto não significa que ela não tem força para ser forte quando necessário. E Magnus, dentre todos é o mais coativamente pela maneira sofrida ao qual precisa deixar de lado em favor do ódio para não simplesmente sucumbir à ela.

Dessa maneira, A Queda dos Reinos foi um livro que me proporcionou um turbilhão de emoções. Fui levada da raiva à surpresa, e apesar das falhas do enredo não perco minhas esperanças na série. E mal posso esperar pelo próximo volume.

Até mesmo na pessoa mais sombria e cruel ainda há uma ponta de bondade. E dentro do virtuoso mais perfeito também existem trevas. A questão é: a pessoa cederá às trevas ou à luz? É algo que decidimos com cada escolha que fazemos, todos os dias de nossa existência. O que pode não ser maldade para você, pode ser para outro. Saber disso nos torna poderosos mesmo sem magia.

( Resenha ) Mil Pedaços de Você · Claudia Gray · Firebird 01

Oii Corujinhas. Abram suas asas, peguem seus firebirds que hoje iremos saltar no tempo para descobrir que o amor e o destino estão ligados em todas as dimensões. Basta acreditar e seguir em frente.

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Título: Mil Pedaços de Você
Título original: A Thousand Pieces Of You
Autora: Claudia Gray
Editora: Agir Now
Páginas: 288
Ano: 2015
Avaliação: 🍁🍁
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

 

Sinopse: Marguerite Caine cresceu cercada por teorias científicas revolucionárias graças aos pais, dois físicos brilhantes. Mas nada chega aos pés da mais recente invenção de sua mãe — um aparelho chamado Firebird, que permite que as pessoas alcancem dimensões paralelas. Quando o pai de Marguerite é assassinado, todas as evidências apontam para a mesma pessoa: Paul, o brilhante e enigmático pupilo dos professores. Antes de ser preso, ele escapa para outra realidade, fechando o ciclo do que parece ser o crime perfeito. Paul, no entanto, não considerou um fator fundamental: Marguerite. A filha do renomado cientista Henry Caine não sabe se é capaz de matar, mas, para vingar a morte de seu pai, está disposta a descobrir. Com a ajuda de outro estudante de física, a garota persegue o suspeito por várias dimensões. Em cada novo mundo, Marguerite encontra outra versão de Paul e, a cada novo encontro, suas certezas sobre a culpa dele diminuem. Será que as mesmas dúvidas entre eles estão destinadas a surgirem, de novo e de novo, em todas as vidas dos dois? Em meio a tantas existências drasticamente diferentes — uma grã-duquesa na Rússia czarista, uma órfã baladeira numa Londres futurista, uma refugiada em uma estação no meio do oceano —, Marguerite se questiona: entre todas as infinitas possibilidades do universo, o amor pode ser aquilo que perdura?

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Mil Pedaços De Você é um livro com um fundo literário novo para mim. Nunca havia lido nada que envolvesse dimensões, embora não possa dizer que o enredo não me fosse familiar. Existem muitos animes que lidam com dimensões, mas nunca havia encontrado algo assim na literatura. O grande problema de ler livros com novas temáticas é a necessidade da construção perfeita deles. Não sou do tipo que precisa de detalhes extenuantes, mas preciso de um fundo sólido para acreditar que a teoria existe. Dessa maneira, apesar de todos os furos que encontrei na história, o livro de Claudia Gray foi ótimo nesse sentido pois a teoria dos multiversos foi bem apresentada e pude ver com clareza a lógica de tudo. Conseguir entender os pontos chaves de base do enredo como o que faz as dimensões se dividirem e quais são os limites entre os pulos entre dimensões.

A cada possibilidade, a cada vez que o destino decide algo jogando uma moeda, o universo divide as dimensões de novo, e de novo, criando cada vez mais camadas de realidade. E assim sucessivamente, ad infinitum. Essas dimensões não estão no espaço longínquo. Estão literalmente à nossa volta, ou até mesmo dentro de nós, mas por existirem em outra realidade, não somos capazes de percebê-las.

Começando pela escrita da autora, achei-a super fraca. Escrever exige detalhe idepedente do que se escreva: se você passa rápido de mais pela coisa acaba deixando o livro com um aspecto superficial. Por esse motivo, pela superficialidade com que a autora trata de narrar o livro, em vários momentos fiquei confusa sem entender muito bem os motivos de tudo. A vingança da protagonista foi infantil, por exemplo que parece não saber o que fazer e principalmente no que acreditar. Caramba! Se você esta arriscando sua vida precisa no mínimo saber de uma dessas duas coisas. Incertezas tão graúdas que acabaram por deixar Marguerite insossa e irritante como também comprometeu a leitura bastante arrastada. Apesar de ter demorado três dias pra finalizar a obra, se tivesse empolgada teria demorado apenas um. Isso porque Marguerite parece estar sempre voltando para o mesmo lugar.

Meu ódio é mais forte que as dimensões, mais forte que a memória, mais forte que o tempo. Meu ódio é agora a parte mais verdadeira do que eu sou.

Por não ter conseguido criar empatia pelos personagens, também não consegui enxergar romance no romance o que potencializou o meu desgostar. Primeiro, vale ressaltar que Gray tinha um ótimo mundo — ótimos mundos no caso — para explorar e ir além do clássico. Mas ao invés disso, prefiriu focar no romance, o que até aí tudo bem já que não tenho nada contra um bom romance. Entretando nesse ponto a história deixou de ser diferente e se tornou comum pela obviedade assumida deixando o romance mal construído. Teoricamente, temos um triângulo amoroso (mais um para lista), mas pela facilidade em que fui ligando os pontos ficou na cara quem Marguerite iria escolher então nem houve sofrimento ou ilusão. Mas o que mais me irritou na obra foi quanto ao relacionamento de Marguerite com seu escolhido pois ficou extremamente ilógico. Resumindo, como você pode se apaixonar por pedaços de uma pessoa? Você não deveria amar tudo nela e não somente o que lhe convém, certo? Eu sinceramente me senti zuada porque no contexto do livro se torna algo como; ela gosta daquele que não é aquele mas sim uma parte daquele — o que traduzindo significa; masoq?

Eu estava sendo sincera quando disse que não acreditava em amor à primeira vista. Leva tempo para se apaixonar realmente por alguém. Mas acredito em momentos. O momento em que você descobre a verdade sobre alguém e vislumbram a verdade dentro de você. Nesse momento, você não pertence mais a si mesma, não completamente. Parte de você pertence a ele, e parte dele pertence a você. Depois disso não há como voltar atrás, não importa o quanto você queira nem o quanto tente.

Minha opinião sobre esse livro poderia ser pior se não fosse as teorias que a autora propôs. É realmente uma pena que Cláudia Gray tenha optado pelo caminho mais fácil. Se a autora tivesse trabalhado mais o enredo eu poderia ter gostado mais e talvez pudesse Mil Pedaços de Você estivesse nos meus favoritos. A trilogia para mim termina aqui.

Agora sei que luto é uma pedra de amolar que afia todo amor, todas as suas memórias mais felizes, e os transforma em lâminas que nos cortam de dentro para fora. Alguma coisa em mim foi rasgada, algo que nunca mais vai cicatrizar, nunca, não importa até quando eu viva.

| RESENHA | Mestre das Chamas – Joe Hill

Oii Corujinha, tudo bom? Esses últimos meses do ano têm sido recheados de grandes leituras. Mestre das Chamas de Joe Hill foi com certeza uma delas. Em uma ficção científica — mas intrigantemente classificado também como terror — o autor cria um universo apocalíptico onde o medo e a incerteza são peças chaves para o enredo.

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Título: Mestre das Chamas
Título original: The Fireman
Autor: Joe Hill
Editora: Arqueiro
Páginas: 592
Ano: 2017
Avaliação: 👑 👑 👑 👑
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Ninguém sabe exatamente como nem onde começou. Uma pandemia global de combustão espontânea está se espalhando como rastilho de pólvora, e nenhuma pessoa está a salvo. Todos os infectados apresentam marcas pretas e douradas na pele e a qualquer momento podem irromper em chamas. Nos Estados Unidos, uma cidade após outra cai em desgraça. O país está praticamente em ruínas, as autoridades parecem tão atônitas e confusas quanto a população e nada é capaz de controlar o surto. O caos leva ao surgimento dos impiedosos esquadrões de cremação, patrulhas autodesignadas que saem às ruas e florestas para exterminar qualquer um que acreditem ser portador do vírus. Em meio a esse filme de terror, a enfermeira Harper Grayson é abandonada pelo marido quando começa a apresentar os sintomas da doença e precisa fazer de tudo para proteger a si mesma e ao filho que espera. Agora, a única pessoa que poderá salvá-la é o Bombeiro – um misterioso estranho capaz de controlar as chamas e que caminha pelas ruas de New Hampshire como um anjo da vingança. Do aclamado autor de A estrada da noite, este livro é um retrato indelével de um mundo em colapso, uma análise sobre o efeito imprevisível do medo e as escolhas desesperadas que somos capazes de fazer para sobreviver.

Comecei Mestre das Chamas com uma pitada de incerteza sobre o que poderia me esperar no caminho. Conheci o livro através de uma resenha fantástica da Bia do blog Literatura Estrangeira (clique aqui para ler a resenha dela também) e fiquei com a obra na cabeça desde então. Em tempos cada vez mais assombrosos onde parece que estamos sempre a beira de um colapso, ler um livro que retrata o apocalipse parece ser obrigatório. É como vislumbrar o poder que a humanidade têm de ser bondosa e gentil ao mesmo tempo que é capaz de atrocidades para salvar a própria pele. Por isso, ao me deparar com a narrativa de Joe Hill sabia que teria um caminho permeado por verdades cruéis sobre quem somos e o que podemos ser. O livro não é apenas uma estória do mundo acometido pelo caos, mas uma quase história de porque esse caos existe.

Existe algo de terrivelmente injusto no fato de morrer no meio de uma boa história, antes de  ter oportunidade de ver como tudo acaba. Em certo sentido, claro, eu acho que todo mundo sempre morre no meio de uma boa história. Da sua própria história. Ou da história dos seus filhos. Ou dos netos. A morte é sempre dureza para os viciados em narrativas.

Joe Hill tem uma narrativa ao mesmo tempo lenta e fluída. Aquele tipo que você vai ler durante horas sem cansar, mas que vai precisar de tempo para diregir o que esta sendo contado. Usando de uma linguagem comum e referências maravilhosas, em uma camada superficial Joe dá um mundo comum apesar da doença que se espalha. É perceptível aqui como o autor tenta ligar o leitor à narrativa como se dissesse: Hey, esse mundo aqui um dia foi o seu. Foi uma maneira absurdamente brilhante de conectar os fatos presentes no livro à vida do leitor. Quando você percebe a camada de referências entende-se também como parte da história. Poderia ser sua mente fazendo ligações aqui e lá.

A morte e a ruína são o ecossistema preferido do homem. Já leu sobre a bactéria que prospera dentro dos vulcões, bem à margem da rocha fervente? Somos nós. A humanidade é um germe que prospera bem na fronteirada catástrofe.

Mas apesar de ter gostado do modo como o autor conduziu seu enredo tenho que admitir que senti uma certa proscastinada em suas páginas. O livro poderia facilmente ter umas cem páginas a menos. Entendo que boa parte dessa procrastinação foi a criação de aliserce da obra mais seguro da obra ou a enfatização de certos pensamentos, mas também percebo que o mesmo efeito teria sido produzido de uma forma ou de outra.

Desespero é apenas um sinônimo de consciência, e demolição é quase o mesmo que arte.

Em relação aos personagens, foi interessante ver como a abordagem de suas ações foi comum. Todas as decisões tomadas foram frutos de algo que realmente poderia ter acontecido. Ao ler livros, uma coisa que me irrita bastante é quando o personagem toma uma decisão bem viajada, daquele tipo que qualquer um pode notar que se fosse na vida real não teria sido feita. Então fico feliz em dizer os personagens de Mestre das Chamas não se entregam à esse erro. Pelo contrario, suas ações — idiotas ou não — provém dos pensamentos de personalidades verossímeis sendo guiadas pelo medo e pelo instinto de sobrevivência.

O medo não tende a fazer as pessoas moderarem seu uso de táticas extremas.

O medo é uma das — se não a — condição mais pura do homem. O medo nos faz crianças tolas que precisam de um guia ou adultos cruéis que faram de tudo para sobreviver. Quando estamos amendrontados viramos um produto do instinto de sobrevivência. A racionalidade se extingue e somos dominados pela vontade simples e pura de continuar vivendo. É exatamente isso que Joe Hill vai expor em seu apocalipse. O medo é o elemento central que irá guiar todos os outros, pois sempre que existe uma criança tola existe um adulto cruel para lhe guiar. Hill demonstra como ficamos a mercê de qualquer pessoa querendo acreditar que tudo aquilo é para o nosso bem ou tudo que fazemos é para o bem de quem amamos.

Mas aí penso, ué, mesmo antes da Escama do Dragão a maioria das vidas humanas era injusta, brutal, cheia de perda, tristeza e confusão. A maioria das vidas humanas era e é curta demais. A maioria das pessoas passou a vida faminta e descalça, fugindo de uma guerra aqui, de uma fome ali, de uma epidemia aqui, de uma enchente acolá. Mas as pessoas mesmo assim precisam cantar. Até mesmo um bebê que não come há dias para de chorar e olha em volta quando ouve alguém cantar de alegria. Quando você canta, é como dar de beber à quem tem sede. Uma gentileza. Isso faz você brilhar.

Mas se Joe nos mostra o lado fraco da humanidade, ele também nos mostra como supera-lo. Foi tocante ler cenas de compaixão em meio à tanta raiva. Desvendar que se para dez pessoas horríveis existe uma que se levanta contra. O medo não possui somente um lado. Com ele vem também a coragem para lutar por um dia melhor. Não precisamos nos ajoelhar, como também devemos lutar por quem acreditamos. Alguns de personagens nos guiam a acreditar nisso. Harper, por exemplo, tanto quer proteger seu filho como também zelar pelas pessoas que conheceu. A monstruosidade lhe faz ter medo, mas o amor lhe da coragem.

A sua personalidade não é só uma questão do que você sabe, mas do que os outros sabem sobre você. Você é uma pessoa com sua mãe, outra com seu par, e uma terceira com seu filhoou filha. Essas outras pessoas criam você tanto quanto você mesmo se cria, elas lhe dão seu acabamento. Quando você se vai, aqueles que deixou para trás guardam a mesma parte sua que sempre tiveram.

Em meio a todos esses contextos, Mestre das Chamas é um livro supreendene pela proeza de nos fazer pensar. O mundo acabou pela primeira vez em água e pela segunda pode ser em chamas. Mas ambos talvez tenham em comum a maldade do homem como sua própria ruína. Não é a natureza em si que nos matará, mas a verdadeira natureza do homem que sempre o conduz rumo à sua destruição. A diferença entre viver ou morrer esta em quem todos iremos ser quando este tempo chegar.

Estilhaça-Me – Tahereh Mafi

Juliette nunca se sentiu como uma pessoa normal. Nunca foi como as outras meninas de sua idade. O motivo: ela não podia tocar ninguém. Seu toque era capaz de ferir e até matar. Durante anos, Juliette feriu e, segundo seus pais, arruinou o que estava à sua volta com um simples toque, o que a levou a ser presa numa cela. Todo dia era escuro e igual para Juliette até a chegada de um companheiro de cela, Adam. Dentro do cubículo escuro, Juliette não tinha notícias do mundo lá fora. Adam ia atualizando-a de tudo. Juliette não entendeu bem o que estava acontecendo quando foi retirada daquela cela e supostamente libertada, ao lado de Adam, e se vê em uma encruzilhada, com a possibilidade de retomar sua vida, mas por caminhos tortuosos e totalmente desconhecidos. “Estilhaça-me” é um romance fantástico, que intriga, angustia e prende o leitor até a última página com uma história surreal que mistura amor, medo, aventura e mistério e traz um desfecho surpreendente.

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Descobri Estilhaça-Me em um grupo no Whatsapp e apesar da capa deste livro ser bem feinha ele me chamou muito atenção pela sinopse que possuía. Embora eu já estivesse acostumada com o esquema de publicação que uns anos atrás esteve tão na moda (trilogia/distópica e que ainda esta meio na moda), eu estava procurando um novo tipo de contexto e passei por alguns livros bem decepcionantes até chegar neste. E apesar de ter achado o final da trilogia um pouco forçoso eu fiquei abismada com o conteúdo e as “perguntas” deixadas pela autora durante a história.

Juliette é uma personagem, eu diria, um pouco típica de mais de enredos distópicos. Ela de cara apresenta fraqueza mais vai evoluindo conforme a história fica mais forte. Porém também é uma moça de atitude que chega a raiar a inconsequência. De menininha fragil posso perceber que aos poucos ela caminha para se tornar uma mulher forte que seus poderes podem transforma-la.

Admito que fiquei bastante perplexa com a complexidade da história que, não só por ser uma trilogia, me deixa com a sensação de que existe muito mais entre as linhas do que a autora deixa aparecer. E isso me motiva a um dia quem sabe dar prosseguimento a trilogia, que por ter sido tão decepcionante no final não me deu gás para continuar. Mas quem sabe um dia…

Título: Estilhaça-me
Título Original: Shater-me
Autora: Tahereh Mafi
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟

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2ª capa publicada com base na orginal

A Hospedeira – Stephenie Meyer

Nosso planeta foi dominado por um inimigo que não pode ser detectado. Os humanos se tornaram hospedeiros dos invasores: suas mentes são extraídas, enquanto seus corpos permanecem intactos e prosseguem suas vidas aparentemente sem alteração. A maior parte da humanidade sucumbiu a tal processo. Quando Melanie, um dos humanos “selvagens” que ainda restam, é capturada, ela tem certeza de que será seu fim. Peregrina, a “alma” invasora designada para o corpo de Melanie, foi alertada sobre os desafios de viver dentro de um ser humano: as emoções irresistíveis, o excesso de sensações, a persistência das lembranças e das memórias vívidas. Mas há uma dificuldade que Peregrina não esperava: a antiga ocupante de seu corpo se recusa a desistir da posse de sua mente. Peregrina investiga os pensamentos de Melanie com o objetivo de descobrir o paradeiro dos remanescentes da resistência humana. Entretanto, Melanie ocupa a mente de sua invasora com visões do homem que ama: Jared, que continua a viver escondido. Incapaz de se separar dos desejos de seu corpo, Peregrina começa a se sentir intensamente atraída por alguém a quem foi submetida por uma espécie de exposição forçada. Quando os acontecimentos fazem de Melanie e Peregrina improváveis aliadas, elas partem em uma busca incerta e perigosa do homem que ambas amam.

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Eu queria acreditar no que ele dizia. Eu considerei a palavra expatriada… Tentando me convencer que não era nada pior.

Faz quase quatro anos que li A Hospedeira e ainda hoje foi um dos livros mais surpreendentes que eu encontrei na vida. Por ser escrito pela autora Stephenie Meyer, eu não achava que ele odeia me oferecer muita coisa, tendo em vista que já havia lido um livro da saga Crepúsculo (Lua Nova) e não ter gostado do cerne principal da história. Porém o enredo do livro se Meyer me chamou a atenção por eu nunca ter lido algo do gênero. Não a parte sobre um alienígena habitando o corpo de alguém, mas o foco não ser no hospedeiro em si e sim no alien, no caso, a alma.

Admito que a primeira parte do livro foi meio chata. Por ser um mundo grande e uma nova espécie, Meyer passou muito tempo nos explicando os detalhes do que são as almas e o que elas querem. Embora eu tenha gostado (e ainda goste) de saber ainda mais sobre as almas acho que isso parou a leitura um pouco que só fluiu de vez quando finalmente chegamos a evolução do livro assim que Peregrina (já amiga de Mel, apaixonada por Jared e se sentindo mãe de Jamie), foge para se encontrar com os humanos. A partir daí, durante toda a trajetória do livro eu sempre fiquei muito atenta aos detalhes e acho que devo parabenizar a autora por ter criado um enredo tão rico e bem estruturado. Peg faz descrições dos ambientes, dos personagens e dos sentimentos que me fizeram participar e sentir ativamente presente todo o livro.

Havia outra emoção crescendo nela que eu não reconhecia. Algo no limite da raiva, com uma ponta de desejo e uma porção de desespero.
Ciúme. Ela me esclareceu.

O que mais me chamou atenção durante o livro porém não foram os detalhes emotivos, e sim o grau de diferença quase perfeita das personalidades dos personagens. Começando por Peg e Mel (admito que desde sempre preferi a Peg por considerar Mel infantil e irracional), que são completamente opostas uma da outra. Entre elas está a diferença mais clara dos dois mundos de qual ambas vieram. Melanie é o exemplo claro da humanidade. Ela é egoista e manipuladora quando é necessário para proteger quem ama e especialmente violenta na maioria das vezes. Mel mostra de modo muito certeiro a vontade e o guerreirismo (se é que essa palavra existe) do ser humano. E muito embora eu não tenha gostado dela na maior parte do tempo, não pude deixar de admirar a garra de sua pessoa e sua mente. E Peregrina ao contrário é um amor de alma incapaz de fazer mal a alguma pessoa. É impressionantemente sagaz e astuta para compreender as coisas ao seu redor, e ainda aliada a isso, eu vejo nela a serenidade e a riqueza no senso de justiça que muitos humanos perderam com o passar dos anos.

Além dessas duas personagens principais, os outros personagens que posso destacar como essenciais para a história são Jared e Jamie é claro, alem do tio Jeb, Ian e Doc. Cada um deles me motivou a ler o livro de alguma forma pois eu fui me apaixonando por um ponto de especial de sua pessoa. Quero dizer de quase todos. Como sempre fui fã da Peregrina, odiei o Jared com todas as forças por sua incredulidade em relação a ela. O jeito como ele a tratava como “a coisa” e a repulsa que ele sentia dela me doíam bastante, mesmo que eu consiguisse entender que Peg representava a Jared – em uma prova visual constante – de sua perda sobre Melanie. Por outros lado temos uns apoiadores da causa “não vamos matar Peregrina”, como o pequeno Jamie que é irmão da hospedeira. É muito lindo ver que o amor que Jamie nutre por Melanie não o faz odiar Peg instantâneamente. Na verdade ele dá asas para que ela se torne sua amiga e também sua irmã. Exatamente o mesmo amor que Peg sente por ele e faria arriscar tudo pelo garoto.

Mas eu não consegueria segurar ele para sempre, ele escaparia de mim. Amanhã ou depois. E então eu morreria também. Sem Jamie eu não viveria.

Por fim temos Doc, Ian e Jeb. Doc é o personagem mais misterioso da história e também um dos mais gentis. Eu consigo enxergar a bondade e o interesse nele, assim como a justiça, porém ele comete erros como qualquer humano. Ian é o meu crush da história. Eu me apaixonei por ele aos poucos. Depois de todo o ódio inicial, ele se deixou conhecer e mudar tudo que acreditava sobre as almas através das palavras Peg. Então ele se transformou, aos meus olhos, em um dos personagens mais apaixonantes de todos os tempos. Jeb é o Dumbledore da história. Toda história tem um. A curiosidade a facilidade que ele tem de encaixar as pecinhas uma na outra. Como se tivesse um terceiro olho escondido em algum lugar.

Porquê sempre o consideramos loucos? Mel se perguntou. Ele vê tudo. Ele é um gênio.
Ele é as duas coisas.

Por último, eu quero destacar a comunidade dos sobreviventes. Como uma massa humana que tem vontades e que construíram uma sociedade onde todos vivem em paz e cumprem seus deveres. E que também depois do ódio inicial, conseguiram aceitar ou então tolerar a vivência de Peg entre eles, isto com uma bela ajudinha de Jeb.

– Eu os estava acostumando a vê-lá por aqui. Fazendo-os aceita-la sem que percebessem. É como cozinhar um sapo. (…) – Se você joga o sapo em uma panela de água quente ele pulará fora imediatamente. Mas se voce colocar o sapo em água fria e aquecer o sapo não perceber até ser tarde de mais. Sapo fervido. É só trabalhar os pontos.

Eu simplesmente amo este livro. Ele foi um dos livros que formaram a minha mente de leitora com certeza. Acho que quem leu e entendeu o que a história passa, quem da uma chance, me entende. E quem ainda não, leia, é um dos melhores livros que já li em toda minha vida.

Título: A Hospedeira
Título Original: The Host
Autora: Stephenie Meyer
Editora: Intrisica
Ano: 2009
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

Estava me mudando, não a ela. Era quase um processo metalúrgico nas profundezas do ser que eu era, algo que já havia começado e estava quase terminado. Mas esse longo e ininterrupto beijo completou o trabalho – fundou essa nova criação. Inquebrável.

Delírio – Lauren Oliver – Livro 01.

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Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga todos os cidadãos a serem curados quando completam dezoito anos. As pessoas também enfrentam outras duras imposições das autoridades, como toque de recolher, fiscalização sobre as artes e intensivo controle através de escutas telefônicas e agentes nas ruas, sempre atentos a qualquer atividade suspeita. Lena Haloway acredita que todas essas regras são para o bem da população e aguarda ansiosamente o dia de sua intervenção. Essa é a coisa certa e esperada a se fazer. Mas tudo que ela conhecia e em que acreditava desmorona no momento em que Lena se apaixona por Alex. Faltando apenas noventa e cinco dias para sua intervenção, será que Lena ainda escolherá a cura?

Há uns dois anos li o primeiro livro da trilogia Delírio de Lauren Oliver. Em primeira estância achei que a trilogia era um pouco forçada por ser contra ao amor. Quer dizer, quem em sã consciência seria contra ao amor? Porém depois de pensar um pouco pude visualizar a lógica da questão. Sobre o que um governo é capaz de fazer para manter o controle sobre as pessoas e retirar aquilo que faz delas humanas é uma boa maneira de fazer isso.

Antes de começar a serie eu não tinha tido contato com alguma obra de Oliver. Agora, depois desse tempo eu não a considero uma ótima escritora e que me faz querer ler mais livros dela. A capacidade que ela tem de fazer o leitor pensar no que é certo e no que é errado e quais são limites para que o governo possa interferir na vida das pessoas. Fiquei muito impactada com a escrita da moça e muito satisfeita de tê-la conhecido.

A única ressalva que tenho quanto ao livro é a personagem principal Lena. Eu não gostei da personagem por acha-la antipatica e bem chatinha. Contudo isso não atrapalhou muito a desenvoltura do livro que é maravilhoso.

Título: Delírio
Titulo Original: Delirium
Autora: Lauren Oliver
Ano: 2012
Editora: Intrínseca
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟

Feios – Scott Westerfelds – Série Feios 01

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Séculos depois da destruição da civilização industrial em um apocalipse ecológico, a humanidade vive em cidades-bolha cercadas pela natureza selvagem. Lá, Tally Youngblood é feia. Não, isso não significa que ela é alguma aberração da natureza. Não. Ela simplesmente ainda não completou 16 anos. Em Vila Feia, os adolescentes ficam presos em alojamentos até o aniversário de 16 anos, quando recebem um grande presente do governo: uma operação plástica como nunca vista antes na história da humanidade. Suas feições são corrigidas à perfeição, a pele é trocada por outra, sem imperfeições ou – nem pense nisso – espinhas, seus ossos são substituídos por uma liga artificial, mais leve e resistente, os olhos se tornam grandes e os lábios, cheios e volumosos. Em suma, aos 16 anos todos ficam perfeitos.
Tally mal pode esperar pelo seu aniversário. Depois da operação, vai finalmente deixar Vila Feia e se mudar para Nova Perfeição, onde os perfeitos vivem, bebem, pulam de paraquedas, voam a bordo de suas pranchas magnéticas, e se divertem (o tempo todo). Seu único trabalho é aproveitar muito. Mas, enquanto espera que as poucas semanas até completar 16 anos passem, Tally precisa se distrair.
Uma noite, ela conhece Shay, uma feia que não está nem um pouco ansiosa para completar 16 anos. Pelo contrário: Shay pretende fugir dos limites da cidade e se juntar à Fumaça, um grupo de foras-da-lei que sobrevive retirando seu sustento da natureza.
Para Tally, isso é uma maluquice. Quem iria querer ficar feio para sempre, ou se arriscaria a voltar para a natureza e queimar árvores para se aquecer, em vez de viver com conforto em Nova Perfeição e se divertir à beça? Mas, quando sua amiga desaparece, os Especiais, autoridade máxima deste novo mundo, propõem um acordo com Tally: unir-se a eles contra os enfumaçados ou ficar feia para sempre. Tally, porém, acaba se envolvendo em uma conspiração e descobrirá que, por trás de tanta perfeição, se esconde um terrível segredo. Sua escolha irá mudar o mundo para sempre.

Imaginar um mundo perfeito onde todos os seres humanos são tratados como iguais é parte da vida de todo mundo. Quem nunca imaginou viver em uma sociedade justa igual para todos? Quando eu inicei a leitura de Feios eu tinha uma ideia errada do livro. Não esperava que fosse gostar tanto da história porque eu a imaginava cliché e sem um pingo de emoção. É claro que eu me enganei algo do tipo nã julgue um livro pela sinopse rs.

O mundo construído por Westfelds é aparentemente sem falhas imaginaveis e Tally é uma garota como qualquer outra com sonhos e aspirações que de cara não a levam mais do que a vida que sonha ter. Até que ela conhece Shay, que de todas as maneiras é diferente de Tally. E além disso, Shay a leva a conhecer uma vida e uma sabedoria que ela desconhecia.

Muito embora os personagens e a descoberta sejam os centros da história, não dá para pensar que Scott transmite de uma maneira nova o que hoje nós temos como o preço da beleza. A busca padrão. Pois embora todos sejam pessoas diferente, pelo padrão de cirurgia estabelecido – não pode haver uma cidade com Perfeitos mais Perfeitos que outra – tudo se mistura transformando a multidão em uma massa de rostos iguais. O que faz das pessoas especiais, as diferenças que as tornavam tão diferentes foram perdidas. Isso nos trás ao presente, onde muitos de nós, principalmente adolescentes temos a premissa que se não for no padrão não somos aceitos.

Eu gostei bastante deste livro que tem um ritimo gostoso pela dinâmica da escrita. As emoções que eles me ensinaram são impressionantes e a abordagem do tema é espetacular.

Título: Feios
Série: Feios 01
Autor: Scott Westerfelds
Ano: 2010
Editora: Galera Record
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟

Gone – Michael Grant – Serie Gone 01

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Ido em tradução literal

Só restam os mais jovens: adolescentes e crianças. Nenhum adulto. Não existem mais professores, nem policiais, nem médicos, nem pais. E de repente, também não há telefones, nem internet, nem televisão. Não há como descobrir o que aconteceu. Nem como conseguir ajuda. A fome é uma ameaça. Os valentões tentam dominar todos os outros. Uma criatura sinistra está à espreita. Os animais estão sofrendo mutações, e os próprios jovens estão mudando, desenvolvendo novos talentos — poderes inimagináveis, perigosos, mortais —, que ficam mais evidentes a cada dia. É um mundo novo e aterrorizante. Cada um terá de escolher seu lado para a batalha que se aproxima. Os moradores locais contra os riquinhos de um internato nos arredores. Os fortes contra os fracos. As aberrações contra os normais. E o tempo está acabando: no dia do seu aniversário, você também pode desaparecer, como todos os outros.

Num piscar de olhos, todos desaparecem. Somem.

Estou chocada com esse livro. Ele foi incrivel do começo ao fim. Cada detalhe foi colocado no lugar certo e tudo se encaixou divinamente bem no final. Fiquei extramente surpresa com o desenrolar dos fatos e tenho a impressão que esta saga pode se tornar uma das minhas favoritas.

Apesar de não ser uma justificativa nova para uma história (Sob A Redoma foi a primeira que tinha ouvido falar), os elementos que dão vazão a história tornam ela única no tema. E o que mais me impressionou foi como o livro é sangrento e como isto, de certa forma, dá uma brilhante estrutura e realidade a história. Vemos como as pessoas realmente mudam por terem poderes e o que somos capazes de fazer para sobreviver.

— Eu machuquei meu padrasto. Machuquei o Drake. Posso ter matado o Drake. Não sei. E não sei o que vai acontecer agora. Mas sei o seguinte: quando machuco alguém, isso cria uma marca em mim. Como uma espécie de cicatriz. É que nem… — Ele procurou as palavras e ela o abraçou com força. — É como o meu joelho, quando Drake atirou emmim. Está totalmente curado, graças a Lana, como se aquilo nunca tivesse acontecido. Mas quando eu queimei Drake, sabe? A coisa está dentro de mim, na minha cabeça, e Lana não curou isso.

Os personagens de Gone também são uma profunda marca no livro. Tem uns que você gosta de cara e aqueles que você sabe que dali não vai sair coisa boa. Mas há uma característica comum neles: todos se mostram através do medo, as mascaras caem e a verdadeira natureza das pessoas aparecem e no fim das contas, isto nos lembramos que ninguem ali, por mais forte ou imperativo que tente ser, é mais do que uma criança.

Gone expressa muito o sentimento do que vamos nos tornar se o mundo que conhecemos mudar. Afinal de contas todos nós queremos sobreviver e sempre há o egoísmo que nos levará a atitudes impensáveis. É um livro impactante que nos faz refletir sobre muitas coisas.

Titulo Original: Gone
Serie: Gone Livro Um.
Autor: Michael Grant
Editora: Galera Record
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

A Rainha Vermelha – Victoria Aveyard – A Rainha Vermelha 01

Uma sociedade definida pelo sangue. Um jogo definido pelo poder.
O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?  Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.

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A Rainha Vermelha, embora tenha sido um livro que me surpreendeu em alguns pontos não foi uma história que eu tenha gostado por ser muito parecida com algumas no caminho. Qualquer pessoa que tenha lido Jogos Vorazes, A Seleção e Sombra e Ossos sabe exatamente do que estou falando. Não que elas sejam iguais, mas que pontos importantes dos livros foram inseridos no contexto do livro.

Mare, a personagem principal também não caiu nas minhas graças. Eu a achei chata e as vezes muito ingênua onde tinha raiva da personagem a ponto de querer entrar no livro só para bater nela. Mas não posso negar que algumas das vezes eu ficava ou triste ou feliz pela personagem, e nas cenas contra Evangeline (sua grande rival) torcia por ela. Os poderes de Mare, seu controle de eletricidade, se mostraram crescentes e que com certeza virão a se tornar um dos mais fortes do seu mundo.

A característica mais marcante de A Rainha Vermelha é provavelmente a escrita rápida  e sem muita enrolação da autora. Alguns pontos ficaram maus desenvolvidos, mas acho que se um dia eu ler os próximos livros da série, eles deveram ser mais bem trabalhados. Mas algumas coisas foram bem chamativas durante a leitura, principalmente o sentimento de revolta que o mundo divido traz a nós e que como, infelizmente, ele remete ao nosso mundo de verdade.

A Rainha Vermelha foi um livro que me decepcionou pelo tanto que havia falado dele. Mas acredito que exista muita gente que vai gostar, afinal, gosto é relativo. Espero que todos que leiam tenham uma experiência melhor que a minha.

Titulo Original: The Red Queen
Autora: Victoria Aveyard
Ano: 2014
Editora: Seguinte
Avaliação: 🌟🌟