Arquivo da categoria: Fantasia

( Resenha ) A Rainha de Tearling – Érika Johansen – Livro Um.

Eu conheci A Rainha de Tearling através do Bookstagram. Muito embora não estivesse nas minhas considerações para este mês ou mesmo este ano, em uma leitora conjunta com a Keth (Parabatai Books), acabei pegando o livro e fiquei surpresa com a quantidade de história que existe sobre as páginas de Érika Johansen.

Título: A Rainha de Tearling | Título Original: The Queen Of Teaeling| Autora: Érica Johansen | Editora: Novo Conceito | Páginas: 352 | Ano: 2017 | Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️| Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir.pngSinopse: Quando a rainha Elyssa morre, a princesa Kelsea é levada para um esconderijo, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar. Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta. Mesmo sendo a rainha de direito e estando de posse da safira Tear – uma joia de imenso poder –, Kelsea nunca se sentiu mais insegura e despreparada para governar. Em seu desespero para conseguir justiça para um povo oprimido há décadas, ela desperta a fúria da Rainha Vermelha, uma poderosa feiticeira que comanda o reino vizinho, Mortmesne. Mas Kelsea é determinada e se torna cada dia mais experiente em navegar as políticas perigosas da corte. Sua jornada para salvar o reino e se tornar a rainha que deseja ser está apenas começando. Muitos mistérios, intrigas e batalhas virão antes que seu governo se torne uma lenda… ou uma tragédia.

Sempre que leio livros de fantasia ou distopia, que envolvem a criação de novos mundos seja desde o princípio seja com base na nossa sociedade atual, um dos pontos que mais me atraem é a história pré-narrativa: a história do antes que gera um agora e então um depois. À exemplo, temos pré-histórias sensacionais como em Divergente, Jogos Vorazes e A Maldição do Vencedor. Assim sendo, vocês devem imaginar minha grande felicidade ao perceber que a história de Érika Johansen envolve tanto do passado quanto do presente, para criar uma expectativa real do que se pode esperar no futuro.

A narrativa de Johansen prende do começo ao fim. Muito embora seja mais lenta, isso se deve ao fato de que a autora busca quase que constantemente dar ao leitor as bases de seu novo mundo, o que torna tudo mais fácil de ser compreendido quando chega o momento. Deve-se ressaltar que o mundo ao qual Kelsea vive é pós o nosso, muito embora percebamos uma grande regressão no que diz respeito à conhecimento e tecnologia. Eu mesma demorei a entender isso, e sem a densidade da narrativa, suponho que não teria compreendido.

Além disso, é admirável o trato que Johansen dá aos seus personagens em um sentido totalitário da história. Ninguém é cem por cento bom ou ruim, e até mesmo o poder é bem colocado entre a rainha de Tearling e quem a cerca. Essa estrutura narrativa me lembra George R. R. Martin e A Guerra dos Tronos, pois tanto Johansen quanto Martin contam a história de um reino e não de um personagem, muito embora para Tearling tenha um número reduzido de personagens em comparação.

Entretanto, o maior crédito da obra está na personagem principal e sua construção. Kelsea não é forte à princípio apesar de sua busca para ser amada pelo povo e assim se tornar digna de usar a coroa Tear muito alem do sangue. É uma personagem forte, intrigante e que trilha um grande caminho para conquista da anti-estima. E talvez isso tenha sido um grande marco na obra. A fixação que Kelsea tem com beleza que a torna diferente das protagonistas lindas e maravilhosas existem aos montes.

A Rainha de Tearling é um começo excepcional para uma trilogia que caminha para se tornar inesquecível. Um livro forte que trás ensinamentos sobre poder, mas principalmente sobre a coragem que devemos ter para alcançar aquilo que acreditamos.

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( Resenha ) O Trono Lobo Gris – Cinda Williams Chima – Livro 03

O terceiro livro da série iniciada em O Rei Demônio acabou sendo uma grande decepção. Não seria uma eufemismo dizer que tudo poderia ser resumido em dois capítulos e estou estarrecida com a maneira com o qual Cinda Williams Chima deu continuidade à brilhante história que tinha em mãos.

Título:  A Coroa Escarlate | Título Original: | Autora:  Cinda Williams Chima | Editora:  Suma | Páginas: 256 | Ano: 2016 | Avaliação: ⭐ ⭐  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

images440867043.jpegSinopse: Han Alister pensou que já havia perdido todas as pessoas que amava, mas, ao encontrar Rebecca Morley à beira da morte nas Montanhas Espirituais, percebe que nada é mais importante do que salvá-la. O preço que paga por isso é alto, e nada poderia preparar Han para o que descobre em seguida: a garota que ele conhece pelo nome de Rebecca é, na verdade, Raisa ana’Marianna, a princesa-herdeira de Fells. Magoado e se sentindo traído, Han tem certeza de que não há futuro para ele ao lado da herdeira do trono. Além do mais, ainda nutre ódio pela família real, que permitiu que sua mãe e irmã fossem assassinadas. Enquanto isso, forças parecem se unir para impedir que Raisa suba ao trono. A cada atentado contra sua vida, ela se pergunta quanto tempo terá até que seus inimigos vençam. Com ameaças surgindo de todos os lados, Raisa só pode contar com sua inteligência e força de vontade para sobreviver – e mesmo isso pode não ser o bastante quando a força do destino é cruel e inevitável.

A narrativa de Chima é bastante curiosa. Muito embora eu não tenha gostado da maneira com o qual a evolução dessa obra se deu, ainda sim gostei bastante da escrita da autora. Em realidade, foi uma das poucas coisas que me fizeram ativas durante a leitura. A necessidade de ter sempre mais da obra colocada em prática, o que claro deixa tudo mais fácil de ser digerido.

E ironicamente, esse foi um dos meus maiores problemas com a obra. Essa sensação de necessidade costuma levar à um apice da leitura. Quando esse apice não chega, vem uma frustração e o sentimento da obra não ter sido frutífera ou algo que valesse à pena de ser. E muito embora A Coroa Escarlate tenha seus méritos, essa espera  que nunca acontece aliada o final adrupto dá a sensação de que tudo poderia ser resumido em alguns poucos capítulos.

Mais da metade do livro se passa para que Han encontre Raisa e os dois possam retornar à Fells. Como se em um círculo vicioso, voltamos ao livro dois os eventos parecem se repetir. Nesse meio tempo, acredito que a autora poderia ter expandido seu círculo narrativo pois tudo ficou bastante reduzido sem nada de relevante acontecendo. Sabe aquela cena do Dr. Doolittle quando o cachorro diz: faixa-faixa-faixa-faixa? Basicamente aqui nós temos um dejavu: floresta-cavalo-floresta-cavalo.

Quando finalmente nós conseguimos sair do círculo, a Chima conseguiu destruir meu respeito pelo seu melhor personagem. A atitude foi tão hipócrita que não consigo mensurar. Imaginem vocês que existe algo que vocês escondem pois poderia ser perigoso para os outros se eles soubessem. Quando você encontra alguém na mesma situação, o certo seria dar apoio e não julgar. E é exatamente isso o que o personagem faz fazendo-me criar um ranço tão grande que seria capaz de matá-lo.

Mas para não dizer que A Coroa Escarlate foi uma leitura perdida, o vislumbre do jogo pelo trono que está por vir no último volume deixou-me ansiosa para a continuação. Eu só espero que Chima tenha muito mais à apresentar que florestas e cavalos.

 

( Resenha ) Arquidata: A Dama da Espada e O Segredo do Medalhão – Raquel Cassiano – Livro Um.

Quando surgiu a oportunidade de ler o livro de Raquel Cassiano, a sinopse prontamente me agradou, e muito embora alguns pontos não tenham me agradado tanto, foi uma leitura excepcional de uma série que promete ficar cada vez melhor.

Título: Arquidata – A Dama da Espada e O Segredo do Medalhão | Autora: Raquel Cassiano | Editora: Chiado Books| Páginas: 333 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Skoob | Saraiva 

AF_ArquidataSinopse: A jovem, pode-se dizer, não teve muita sorte na vida….Ainda criança, foi encontrada no mar sem nenhuma lembrança de quem era, de onde vinha ou de como chegara até ali. O nome que, supostamente era seu, estava num lenço encontrado em suas roupas, do qual ela nada sabia. Acabou sendo deixada em Aura, uma cidade pequena, mas muito inquieta. Enviada ao orfanato local, a menina sem memória tem de se adaptar as condições quase sub-humanas de sua nova vida atendendo aos desmandos da Senhora Oliver, a dona do lugar. Uma mulher que apesar do nome doce, era tão amarga quanto fel. Ranzinza, rude e mesquinha ela dedicava seus dias a fazer da vida dos internos um inferno. Gaia, como árvore no deserto, sobrevive ao descaso e amargura da velha senhora. Seu prêmio? Trabalhar, como criada, na escola de  Vale Verde, a única da cidade. Lá, mais uma vez, ela se depara com humilhações e maus tratos, até que conhece Meredith Walorne, uma professora destemida e misteriosa que fará sua vida pacata e sem expectativas tomar um rumo inesperado.

A narrativa de Raquel Cassiano é sem dúvidas o ponto mais forte desse livro. Fluída e ao mesmo tempo madura, Arquidata – A Dama da Espada e O Segredo do Medalhão se torna aquele livro que você lê em uma sentada. Narrado em terceira pessoa, o livro nada em situações que nos levam a refletir sobre diversos assuntos necessários ao círculo mundial,  além de nos imergir em uma aventura sobre coragem e amizade. É certo que eu esperava dizer uma maior exploração na ambientação do livro, mas ainda sim o espaço da narrativa é bem utilizado para criar uma boa dinâmica entre os dois.

Por falar em assuntos necessários, Cassiano tem um foco muito interessante no trabalho infantil e nas condições que este é realizado. Foi um ponto importante para a construção do enredo, principalmente no que se refere aos personagens e suas personalidades dando-nos visão do significado futuro de suas atitudes.

Apesar disso, não posso dizer que gostei dos personagens a ponto de me apegar à algum deles. Mas acredito que seja em virtude do meu olhar pessoal do que realmente para com obra. Gaia, por exemplo, foi um contraponto. Alguns autores costuma imprimir uma personalidade mais forte para crianças, e mesmo que seja parte do enredo, isso costuma dar uma certa “adultificação” ao personagem que particularmente não gosto. Algo que se perpetuou mesmo com enquanto Gaia ficava mais velha.

O arco narrativo do livro se desenvolve em certas fases, que acompanham Gaia desde sua chegada na cidade. Embora a primeira fase seja um tanto lenta, a segunda atinge o ápice do livro finalmente apresentando as questões que nos levam a leitura. Apesar disso, achei o final um tanto adrupto. Como se faltasse respostas. Mas isso deve-se ao fato de ser o primeiro livro de uma série.

Arquidata – A Dama da Espada e O Segredo do Medalhão é uma obra interessante de uma série que deve alcançar boas proporções. Para todos aqueles que amam fantasia é um livro maravilhoso e para quem começar  o gênero.

( Resenha ) Angústia Na Cidade do Caos: Crônicas de uma era indecente — Lennon Lima.

Oi Corujinhas. Há um mês recebi um pequeno presente adiantado de natal, por assim dizer. Fui convidada pelo autor Lennon Lima à ler seu livro, e muito embora não estivesse esperando nada para a obra, o livro foi surpreendente de maneira que jamais poderia esperar.

E também, assim que possível, avaliar o livro no Skoob e GoodRead, caso tenha perfil:

Título: Angústia Na Cidade do Caos: Crônicas de Uma Era Indecente | Autor: Lennon Lima | Editora: Multifoco | Ano: 2018 | Páginas: 348 | Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️❤️  | Encontre: Goodreads | Skoob |Multifoco

Sinopse: “Jamais esqueceria o riacho de sangue que se formava.” E a Angústia veio a cair na Cidade do Caos. Revestida de carne humana e trajes civis. A carne, caucasiana. Os trajes, masculinos. O semblante? Banal. Estirada no capinal costeiro a um cemitério clandestino, é descoberta pelo coveiro de uma comunidade miserável assolada pelo poder paralelo. Ferida, mas não ensanguentada. Confusa, mas sã. Preocupada, mas determinada. Sem recursos, sem identidade, sem passado. Acolhida na casa do jardim de cadáveres, inicia busca para desvendar os mistérios que envolvem o seu passado e a causa de se encontrar em ambiente tão árido – e perverso. Conforme testemunha fenômenos perturbadores ao interagir com os habitantes da favela, descobre-se em uma jornada que excede os limites do consenso de realidade, que desafiará a sua aptidão de permanecer imune aos silvos ardilosos da loucura.

Existem certos livros que você não começa com muitas expectativas de ser surpreendido ou mesmo arrebatado. Ironicamente, esses livros por quem você não nutria esperanças são justamente os que se transformam nas suas melhores leituras. Isto porque somos abraçados por um ar de mistério em que a cada página só nos deixa sedento por mais. Angústia Na Cidade Do Caos é um desses livros. 

A escrita de Lennon Lima é um tipo de droga viciante. Muito embora eu tenha demorado para finalizar essa obra, isso se deve bem mais à minha vida universitária do que a qualquer lentidão promovida pelo autor. Na verdade, por ser um escritor recente, admito que não esperava encontrar uma escrita repleta de maturidade. Em meio à tantos conflitos (é bem acertado o título do livro), o Lima promove reflexões acerca de si mesmo não apenas de seu protagonista como também ao leitor. Será que nós também não ignoramos nossa própria existência ao mesmo tempo que fingimos não nos importar com o futuro? Eis a questão.

Dessa maneira, a história corre em uma velocidade de compassada que denota um certo dinamismo atípico. O protagonista é a peça central da metade de um enredo, onde este vai muito além de uma pessoa, sendo construído sobre passagens que poderiam ser muito bem reais, criados para causar frisson no leitor. E muito embora o autor deixe claro que se trata de uma obra de ficção, não pude deixar de pensar em como a realidade caótica do nosso mundo é exposta nessas páginas. Os personagens são movidos por desejos pessoais, principalmente ambição e egocentrismo. Como não enxegar neles o mal que tanto aflinge nossa humanidade? São questões muito bem trabalhadas por Lennon, que parece não tentar expô-las num ato de brilhantismo; mas que surgem naturalmente à medida que seu protagonista e seus diversos personagens se emaranham à trama.

A chave de ouro, contudo, está no brasileirismo do livro. Toda vez que leio uma obra de um autor brasileiro, costumo reclamar de certas apropriações culturais de outros países. Dessa forma, imaginem a minha alegria o pegar um livro brasileiro que tem um cenário bem nosso e uma linguagem ainda mais nossa? Foi incrível me deparar com tanta cultura, tanta vida tão próxima de mim nessas páginas.

Eu gostaria de falar mais sobre os personagens, mas acredito que isso deva ficar para o livro dois (é uma trilogia “VIVAS”). Afinal não quero estragar para vocês o que considero ser um dos pontos mais importantes: a diversificação dos personagens e suas múltiplas facetas em si mesmos. 

Angústia Na Cidade Do Caos: Crônicas de Uma Era Indecente é uma obra surpreendente que vai te deixar no limite das suas próprias resoluções. Não poderia ter finalizado as resenhas de 2018 de uma maneira melhor. Uma obra sensacional que nos mostra como somos efêmeros às nossas próprias convicções.

(Resenha) Jornada Para Além das Fronteiras – Raphael Freaman – Livro 01

Oi Corujinhas. Finalmente este ser humano que vos fala finalizou o primeiro livro da série Krystallo, apesar de todos os empecilhos da minha vida pessoal, mas como nada de ruim dura para sempre, a Jornada Para Além das Fronteiras trouxe um momento de felicidade com sua leitura arrebatadora.

Título: Krystallo: Jornada Para Além das Fronteiras | Série: Krystallo #01 | Autor: Raphael Freaman | Ano: 2018 | Páginas: 390 | Encontre: Skoob | Amazon

43586992_172661046988384_7358997647866200064_nSinopse: As duas maiores potências de Emperon travam uma guerra secular para garantir o controle dos cristais de energia. Foi por causa de um atentado em Econ que Tomé Stalmer começou a suspeitar da verdade que o governo apregoava. E é no dia de seu aniversário que Gray Frost é forçada a deixar Opus, o seu lar. As jornadas para além das fronteiras narram uma história de piratas e soldados de elite, inteligência e mistério, confiança e tragédia. Cada um luta para sobreviver ao mesmo tempo em que busca compreender os segredos por trás dos acontecimentos que mudaram o curso da História.

Conheci a saga Krystallo através de um convite do autor para a leitura do livro em uma apresentação bem diferente do que estou acostumada, que me deixou fascinada pela leitura muito antes de me entregar a ela. As semanas se passaram e a medida que ia lendo, percebi a grande história que se emaranhava dentre as palavras do autor. Então quarta-feira passada decidi recomeçar a leitura para não perder nenhum detalhe, e imaginem minha surpresa quando terminei o livro em menos de vinte-quatro horas sem ao menos notar.

A narrativa de Raphael é gradativa e bem elaborada. É muito difícil encontrar autores que conseguem resgatar detalhes minúsculos do início da narrativa e fazer com que eles cresçam. Fraeman consegue esse feito, criando uma fantasia com ares de distopia. Dessa forma, além dos elementos fantásticos e a guerra iminente, na leitura também existem jogos políticos que fazem meu coração bater mais forte. E tudo isso crescendo para se tornar uma coisa maior e não somente um punhado de palavras.

Mas, é certo afirmas que personagens são o que carregam as narrativas e que costuma fazer tudo valer a pena. Eu digo isso, porque muito antes de um bom enredo, eu prezo mais personagens bem construídos. Fraeman parece então ter escrito esse livro para mim, pois o personagens apresentam uma construção excelente não se pretendendo aos esteriótipos dos heróis que tanto me irritam. Divido em dois pontos de vista, o de Tomé e o de Gray, podemos observar que cada um tem seu diferentes desafios. Eu não irei muito sobre os personagens, porque como eu disse o livro tem muita construção e tenho a impressão que falar abertamente de cada um deles seria uma especie de spoiler.

Contudo, duas coisas me causaram certo incômodo durante a leitura, mas que não foram cruciais ao enredo. A primeira foram os estrangeirismos (como mencionei no post de primeiras impressões) que me causam um certo “asco” porque as vejo como desvalorização da literatura nacional. Não nacionalista, mas nacional em que as nossas riquezas (no sentido de palavra) são explorados. E a segunda, as constantes quebras no pensamento do autor. Eu gosto de livros que são abordados em diferentes pontos de vistas, mas quando existe linearidade e parte dela parece ter sido perdida em Krystallo, e muito disso se deve a uma repetição dos fatos pelos dois personagens em alguns pontos.

Apesar da minha ressalva, indico sim a obra de Raphael Fraeman a todos, principalmente as pessoas que gostam uma fantasia que aborda também as situações políticas. É uma obra que supera as expectativas e que deixa um gosto de quero mais para os próximos livros. As consequências, as aventuras e o singelo romance, devem ainda melhor trabalhados na continuação da obra.                      .

(Resenha) Fúria Vermelha – Pierce Brown – Livro 01

Conheci Fúria Vermelha através da Danii (O Clube do Farol) e mesmo com algumas explicações dela, com certeza eu não estava esperando o que me alcançou ao ler o primeiro livro da trilogia Red Rising. Em um misto de Jogos Vorazes e Percy Jackson, a obra de Pierce Brown apesar de imperfeita, não deve ser ignorada.

Título: Fúria Vermelha | Titulo original: Red Rising| Série:  Red Rising #01| Autor: Pierce Brown| Editora: Globo Livros | Ano: 2014| Páginas; 468 | Avaliação: ⭐⭐⭐⭐ | Encontre: Saraiva | Skoob | Amazon
Fúria Vermelha

Sinopse: Fúria Vermelha é o primeiro volume da trilogia Red Rising, e revive o romance de ficção científica que critica com inteligência a sociedade atual. Em um futuro não tão distante, o homem já colonizou Marte e vive no planeta em uma sociedade definida por castas. Darrow é um dos jovens que vivem na base dessa pirâmide social, escavando túneis subterrâneos a mando do governo, sem ver a luz do sol. Até o dia que percebe que o mundo em que vive é uma mentira, e decide desvendar o que há por trás daquele sistema opressor. Tomado pela vingança e com a ajuda de rebeldes, Darrow vai para a superfície e se infiltra para descobrir a verdade.

A morte não é vazia como você afirma ser. Vazia é a vida sem liberdade, Darrow.  Vazio é viver acorrentado pelo medo, pelo medo das perdas, pelo medo da morte. Digo que a gente precisa romper essas correntes. Rompa as correntes do medo e você estará rompendo as correntes que prendem a gente aos Ouros, à Sociedade

Entre tantos pontos positivos, a narrativa de Pierce Brown é minha única ressalva nesta obra. Muito embora e eu tenha apreço por jogos sangrentos, força avassaladora e sentimentos conflitantes dos quais o autor cumpriu cada um desses pré-requisitos, sua escrita lenta deixou a história cansativa. Momentos de ação são realizados em no máximo duas páginas, enquanto narrativas sobre convívio estendem-se mais do do que o necessário. A união das duas coisas resultou em uma escrita plácida e as vezes irritante, pois não há um crescimento gradual que dificulta a manutenção do foco.

Mas se Brown peca na narrativa, o enredo e os personagens conseguem dar o embalo para que não abandonemos a leitura. É certo afirmar que o livro não tem novidades para com o gênero e talvez grande parte disso seja a época que foi lançada. Estamos falando de uma distopia publicada em 2014, no auge do gênero onde morte, jogos e uma sociedade dividida por castas sociais eram determinantes. Mas quando o autor escreve Fúria Vermelha, não se deixa levar apenas por tais estigmas. Existe uma prerrogativa inevitável na obra que faz o lançamento de seus personagens aos extremos.

O homem não pode ser libertado pela mesma injustiça que o escravizou

Como seres sociais, nós seres humanos temos certas tendencias em acreditar no que a sociedade nos diz, já que nos sentir parte e ser aceito se torna uma espécie de meta. Mas se Matrix serve de exemplo, nem tudo que reluz é ouro, nem todo governo é transparente e nem toda realidade é como vemos. Partindo desse conceito, Brown constrói um mundo perverso rodeado por paredes invisíveis feitas da mentira contada para os vermelhos habitantes de Marte. Somos levados a acreditar em coisas, mas principalmente absorvê-las como cultura.

Só que a mentira não dura para sempre, e quando esta se quebra, surge algo novo no seu lugar. Darrow, protagonista da obra, é um tanto hedonista, mas nem por isso é arrogante ou presunçoso. Ele simplesmente sabe de todas suas forças usando-as ao seu bel prazer. Ao decorrer do livro, Darrow cresce como pessoa e aprende a natureza do ser político, onde extermínio e política não são a mesma coisa.

Entretanto, o grande xeque do livro são os personagens secundários que dão as aparências sociais que o livro necessita para ser mais profundo. Ora, se a sociedade não é aquilo que esperamos para ela, as pessoas também não deve ser. Em suas individualidades, os ouros e vermelhos que margeiam o livro para demonstrar o mais cruel ou o mais gentil. Mustang, Sevro e Cassius foram provavelmente meus personagens favoritos pela audácia que Brown teve em humanizar até seus aspectos mais cruéis.

Vocês não me seguem porque eu sou o mais forte. Pax é o mais forte. Vocês não me seguem porque eu sou o mais inteligente. Mustang é a mais inteligente. Vocês me seguem porque não sabem para onde estão indo. Eu sei.

Fúria Vermelha é uma obra espetacular que deveria ser lida por todas as pessoas. Muito embora encontre-se em uma grande falha, seus méritos não devem ser ignorados, pois Pierce Brown traz uma sociedade que engloba várias ideologias. Fascismo, comunismo e ditadura fazem parte da abordagem do autor. E para o momento que não só o Brasil, mas o mundo tem vivido de intolerância e medo, Fúria Vermelha é um ótimo prenúncio do que podemos virar.

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(Resenha) Corte de Gelo e Estrelas – Livro 3.5 – Sarah J. Maas.

Antes de ler esse livro, estava na minha mente que eu não deveria fazê-lo. Nunca leio livros spin-off de alguma coisa, principalmente quando são voltadas aos mesmos personagens sem trazer nada mais de novo. Mas, quando a oportunidade de Corte de Gelo e Estrelas (ou Corte de Gelo e Luz Estelar no original) eu pensei: porque não? É um livro curto, talvez me surpreenda. Mas a verdade é que estou chocada em ver como a Sarah J. Maas simplesmente deixou que o capitalismo falasse mais alto nos apresentando uma história esdruxula que me arrependo amargamente de ter lido.

Título: Corte de Gelo e Estrelas | Título original: A Court of Frost and Starlight| Série: Corte de Espinhos e Rosas 3.5| Autor: Sarah J. Maas | Editora: Galera Record | Páginas:  238 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ | Encontre: SkoobSaraivaAmazon

ACOFAS_BrasilSinopse: O aguardado spin-off da série Corte de Espinhos e Rosas.
Feyre, Rhys e seu círculo íntimo de amigos ainda estão ocupados reconstruindo a Corte Noturna e tentando manter a paz, conquistada a base de muito esforço e perdas pessoais, após a queda da muralha. Mas o Solstício de Inverno finalmente está próximo e, com isso, um alívio merecido. Compras, festas, celebração e a promessa de dias tranquilos. A atmosfera festiva não consegue, entretanto, impedir que as sombras da guerra se aproximem. Em seu primeiro Solstício como Grã-Senhora, Feyre ainda lidando com os horrores do passado recente, e percebe que seu parceiro e sua família têm mais cicatrizes do que ela esperava – cicatrizes que podem impactar o futuro, e a paz, de sua Corte.

– Você nasceu na noite mais longa do ano. Era seu destino estar ao meu lado desde o começo.

A narrativa de Sarah J. Mass, em termos de escrita ainda é uma das melhores. Apesar da pouca história, a autora consegue prender o leitor até o final do livro e eu diria que esse é um dos poucos méritos de ACOFAS. Se bem que é um eufemismo da minha parte chamar de pouca história o que Sarah fez quando, na verdade, não existe história alguma. Eu não consigo entender como uma autora tão brilhante quanto Sarah escreveu 238  páginas sobre compras e presentes. Sim, porque a história todo – exceto poucos capítulos – é voltada a essa encheção de linguiça.

De primeira, já é assustador o fato que Rhysand deixa Feyre em casa para cuidar de papéis quando ele vai resolver assuntos políticos para além da corte. Apesar de entender que a Sarah estava trilhando responsabilidades diferentes para cada personagem, a escolha de Rhys é misógina que não está nem um pouco próxima ao que ele fez quando a escolheu como sua grã-senhora. E claro que não posso esquecer que foi exatamente o que Tamlin fez com Feyre.

Falando no grão-senhor da Corte Primaveril, se eu posso acrescenta a longa lista de coisas que senti raiva nesse livro foi a maneira com o qual Rhys chutou cachorro-morto. Vejam bem, eu nunca fui exatamente fã do Tamlin nem mesmo quando este era o “mocinho”. Mas acredito que ele deve ter sua chance de redenção ou pelo menos seguir sua vida. De modo, que deveria bastar o fato que Feyre conseguiu com que todos deixassem a Corte Primaveril e Tamlin se encontra em um mausoléu para lidar com sua própria cólera. Então me digam: qual a necessidade do Rhysand ir até lá com um propósito e terminar saindo pisando no Tamlin? É tão incrivelmente mesquinho e completamente arrogante, que boa parte do respeito que tinha pelo Rhysand se foi nesse ponto. Boa parte, porque o resto… Ah! O que dizer do que aconteceu…

“Para a abençoada escuridão da qual cada um de nós nasceu, e para a qual retornaremos algum dia.”

Por falar em Rhys e Feyre, mais ou menos desde Corte de Asas e Ruína já estava um tanto enjoada do casal. Eu amo Feysand (ou amava), mas o propósito da Sarah J. Maas nunca foi exatamente o romance ao meu ver. Ele deveria ser algo a parte, principalmente no terceiro livro quando o foco era a guerra contra o rei de Hybern. Então, ao ler mais sobre o casal em ACOFAS o sentimento de desgosto apenas aumentou. O fato é que Feysand já deu. Sua história já foi encerrada. O foco deveria ser os outros personagens que não tiveram voz nos outros livros.

De modo que minha outra e única parte positiva nesse livro está na narração dos outros personagens que ganharam um pequeno espaço. Morrigan teve dois capítulos e posso dizer que não foram excelentes, mas também não foram desperdiçados. Quero dizer, nós temos um resgate de seus sentimentos em favor do seu passado mais contado por ela que deixam um sabor de quero mais. Já Cassian, que de longe foi o que teve mais destaque com três capítulos, mostrou o que podemos esperar de seu spin-off. Cassian sempre foi meu macho predileto, e porque não? Sua imperfeição e seu jeito sarcástico me soam os mais atrativos pelas camadas que o personagem possui e que não encobrem a perfeição mais algo mais denso e mais intrigante que isso.

“Ela rasgou a escuridão com garras e dentes. Dilacerou e destruiu. A escuridão eterna ao redor dela estremeceu e se debateu. Ela riu enquanto aquele poder tentava recuar.”

Mas foi Nestha que fez tudo valer a pena. Nestha sempre foi minha personagem favorita por tudo que pode trazer para a história, por todo enredo que tem emaranhado em suas entranhas. Ela é forte de uma maneira que ninguém é pois carrega dentro de si a escuridão desde antes de ser Feita. Em um único capítulo, Nestha me desfez em pedaços e me reconstruiu para que eu amasse ainda mais; para que eu a quisesse protegê-la de tudo, mas principalmente de todos. Porque, pelo Caldeirão, como o ódio me consumiu a cada vez que Feyre e Rhys se referiam a ela. Principalmente Feyre.

No segundo livro, Feyre sofreu como uma condenada pela dor absolvia depois do acontecido Sob A Montanha. Mas agora, quando sua irmã precisa dela ela se mostra incapaz de ajudar. Nestha, talvez não mereça ajuda pelo modo como a tratou em cada um dos volumes. Mas ela merece pelo menos respeito à sua dor, ao que viu, ao que sentiu. Em cada uma de suas aparições era gritante que como Nestha implorava por ajuda, mas estavam todos tão envolvidos com suas próprias felicidades, Feyre tão disposta a ignorar os sentimentos da Nestha para ter o seu feriado perfeito, que ela foi ignorada. .

E sinceramente, acho que não vou mencionar o preview que teve do próximo livro porque é capaz de eu cometer um crime de ódio contra Maas. Pois o pior de tudo é a ironia do fato que Feyre acusou Tamlin de tê-la tratado como sua propriedade e é exatamente isso que ela faz com a Nestha, se aproveitando do fato que a irmã precisa do dinheiro dela para compeli-la a fazer coisas que não deseja.

Corte de Gelo e Estrelas foi uma leitura amarga. Uma fanfic teria sido melhor. De todas as maneiras que consigo pensar, Feysand perdeu meu respeito. A melhor parte da obra foi o que não era dessa história, pois dar uma espiada no primeiro capítulo de “Nessian” valeu pelo gosto do que está por vir. Eu só espero que Feysand não volte a narrar e que minha Nestha, minha querida e poderosa Nestha, obtenha toda a glória, toda vingança e toda felicidade que ela merece.

“Cassian nomeara pelo menos doze poses para Nesta até aquele momento. Começando em Eu Vou Comer Seus Olhos no Café-da-Manhã até Eu Não Quero que Cassian Saiba que Estou Lendo Livros Eróticos. A última era sua favorita.”

(Resenha) Corte de Asas e Ruína – Sarah J. Maas – Livro 03

Corte de Asas e Ruína.é o desfecho de uma história e um prelúdio para as outras que virão. Existe guerra, existe amor, existe dor. O anseio pelo que está por vir é só a ponta do iceberg para o verdadeiro caos de emoções que é sua história. E Sarah J Maas mostra porque é um das autoras mais amadas da atualidade.

Título: Corte de Asas e Ruína | Título Orginal: A Court Of Wins And Ruins | Série: Corte de Espinhos e Rosas #03 | Autora: Sarah J Maas | Editora: Galera Record |Ano: 2017 | Avaliação:  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

sssssssssssssssssssSinopse: O terceiro volume da série best-seller Corte de Espinhos e Rosas, da mesma autora da saga Trono de Vidro em “Corte de Asas e Ruína” a guerra se aproxima, um conflito que promete devastar Prythian. Em meio à Corte Primaveril, num perigoso jogo de intrigas e mentiras, a Grã-Senhora da Corte Noturna esconde seu laço de parceria e sua verdadeira lealdade. Tamlin está fazendo acordos com o invasor, Jurian recuperou suas forças e as rainhas humanas prometem se alinhar aos desejos de Hybern em troca de imortalidade. Enquanto isso Feyre e seus amigos precisam aprender em quais Grãos-Senhores confiar, e procurar aliados nos mais improváveis lugares. Porém, a Quebradora da Maldição ainda tem uma ou duas cartas na manga antes que sua ilha queime.

“Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

O que me faz gostar dos livros de Sarah J. Maas é a narrativa carregada de sentimentos. Certas vezes, fico impressionada com sua capacidade de nos fazer sentir como parte do seu mundo por conta das descrições e do modo com o qual os sentimentos são postos. Muito embora neste livro tenha percebido uma leve procrastinação da autora, ainda sim a escrita foi esplêndida para me manter viva na leitura. Foram dois dias intensos, e eu me lembro perfeitamente — mesmo depois de meses de ter lido — da necessidade que sempre precisar de mais da obra. Dormir, foi um martírio pois minha mente voltava aos acontecimentos e as surpresas que estavam por vir.

– A grande alegria e honra de minha vida foi conhecê-los. Chamar vocês de minha família. E sou grato, mais do que posso expressar, por ter recebido esse tempo com vocês.

Dentro da escrita, uma das minhas partes favoritas é o fato de Sarah usar o constante intertexto em suas páginas. A autora consegue trilhar caminhos diferentes para histórias que já conhecemos. Nas costas do livro, e como uma arma utilizada por Feyre contra o rei de Hybern, o espelho de Ourobouro é o nome dado ao mesmo objeto na Branca de Neve (espelho, espelho meu…) que ganha um novo sentido na narrativa. Outro é a história da rainha Vassa que sofreu uma maldição que a transforma em um mulher durante e um pássaro de fogo durante a noite, relembrando outra história famosa eternizada pela Disney. Isso, pode parecer estranho, mas ajuda na hora da construção do sentido do texto que não foi explicado. E claro me faz soltar uns Ahs! de administração para a criatividade da autora.

Além disso, podemos encontrar no texto um crescimento gradual da narrativa com o resgate das pequenas coisas. Os minúsculos fatos costumam ser perdidos em séries muito grandes pois novos acontecimentos são inseridos à todo momento. Quando o resgate acontece, soa genial pelo sentido que toda leitura valeu a pena. Tudo faz sentido e todas as peças são encaixadas.  A série de Maas, principalmente este último livro é uma prova de que tais resgastes são essenciais as obras, pois ao mesmo tempo que Sarah expõe um novo acontecimento ela o liga à um do passado conectando a história e todas as outras que vieram póstumas a ela.

“Sempre considerei a morte como um tipo de boas-vindas pacífico; uma cantiga doce e triste que me atrairia para o que quer que esperasse depois.”

Mas como nem tudo nesse livro foram flores, tenho que admitir que um dos meus pontos favoritos, também e controversamente, foi um dos seus pecados. A narrativa de Sarah muitas vezes perdeu o tino pela inserção de momentos que não eram exatamente necessários à história. O principal é quantidade alucinante de cenas de sexo. Acredito que já tenha comentado que romance em fantasias não é meu foco pela perda de história para adição de tal prerrogativa. Mesmo gostando de Feysand, em Corte de Asas e Ruína a perda não é diferente mas no sentido de tempo. Considerando que estamos falando de guerra, uma tensão surgida após  a firmação do romance entre Feyre e Rhysand no livro anterior, as cenas de sexo me pareceram forçadas no contexto da história pela falta de necessidade. Exceto quando Feyre retorna para casa, a continuidade de cenas do tipo foi enjoativa e olha que eu amo (ou amava) o casal Feysand. Mas aqui não acredito que cabia. Tanto, que se retirarmos as cenas de sexo o livro diminuiria pelo menos umas cem páginas e tornaria a leitura mais fluída e sagaz.

 “Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

Outras cem seriam facilmente cortadas se não fosse a adição de outra coisa supérflua a narrativa de Feyre aprendendo a voar. Mas Jessica, issoo é interessante? Claro que é, contanto que tenha papel na ativo no enredo, pois do contrário, torna-se apenas uma informação à mais como um tipo de aposto: esta lá, mas não era necessário.  Pois eu não me lembro — se tiver por favor me diga nos comentários — dessa situação de vôo aparecer em batalha ou de algum modo pertinente ao enredo. Se não considerarmos a história que Azriel conta a Feyre em uma de suas aulas (que cá entre nós, poderia sim ter sido feito em outra situação) estas foram encheção de linguiça. Mas, talvez eu só seja antipática mesmo.

“Se Rhysand era a Noite Triunfante, eu era a estrela que só brilhava graças a sua escuridão, a luz apenas visível por sua causa.”

Retornando aos pontos positivos, o romance de Feysand atingiu um bom nível de cumplicidade nessa obra, mas e é separadamente que Rhysand e Feyre ganham meu coração. Muito embora não costume gostar de personagens perfeitos, Rhysand é um macho que gostaria de ter em minha vida como amigo. Inteligente e justo, Rhys é um retrato do heroico de quando o amor é existe ele pode se manifestar de vários modos. Já Feyre terminar sua jornada para abraçar o poder que conquistou nas obras anteriores. É fantástico perceber como Feyre cresceu. Se em ACOTAR Feyre era uma garota assustada e em ACOMAF um projeto de Girl Power, em ACOMAF Feyre encontra sua verdadeira força ao se tornar uma mulher poderosa. Sua construção foi feita tijolo por tijolo e esse é o principal crédito da trilogia como um todo. Em tempo onde as Girls Powers nascem da arrogância e da síndrome estou-certa-e-você-errado, ver uma força sendo construída e não jogada é sensacional.

– Apenas você pode decidir o que a destrói, Quebradora da Maldição

E igualmente a construção de Feyre e Rhysand, os outros personagens foram dignamente tomados. Morrigan e Azriel não enchem meus olhos, mas assim como o que é referente a Lucien possuo certa expectativa do que suas amarguradas histórias ainda podem revelar. Elain… Bom, o que dizer de Elain? Bom… Sendo absolutamente sincera acho-a um tanto sonsa, mas não tenho sentimentos negativos ou positivos com ela. A verdade é que se olharmos para as irmãs de Feyre quando as duas se recusaram a ajudar a irmã, Nestha por ser mais grossa recebe os créditos da ruindade. Mas Elain faz a mesma coisa mas é relevada por sua doçura, o que ao meu ver, e como se ela se fizesse de sonsa (cadê o emoji levantando os braços quando a gente precisa.)

“Se Elain era uma flor naquele acampamento de guerra, então Nestha… ela era uma espada recém-forjada, esperando para tirar sangue.”

E por falar em Nestha, como não amar Nestha e tudo que essa personagem pode trazer? A minha protagonista — percebam o nível do meu amor — é tudo que eu espero e mais um pouco sempre me surpreendendo. Nesse livro, esta ainda mais impressionante audaciosa. Marcada pelo caldeirão e com uma família quebrada mais refeita, Nestha provoca sem revelar muito sobre si. Sua esfera de poder é ao mesmo tempo a cruz que carrega. E mesmo que não possa dizer que não a entenda, ainda sim posso falar que absolvi o seu ódio como meu. Nestha é fogo, ódio e dor. É ressentimento, amor e medo. É tudo é não é nada. E cada vez que a leio, me encontro capaz de chorar pela sua complexidade. Eu preciso de mais de Nestha Archeron, de todas as maneiras que Maas puder me dar.

“Cassian estava avaliando Nesta, um brilho em seus olhos que eu só podia interpretar como um guerreiro encontrando-se diante de um novo e interessante oponente.”

Por tudo isto, posso dizer que Corte de Asas e Ruínas é um marco na minha vida. Em breve serão lançados spin-offs para completar os arcos de cada personagem. Claro que o livro de Nestha e Cassian é o mais aguardado para mim, mas espero gostar de todos os volumes que estão por vir. Sarah J. Maas é uma das melhores escritoras de seu tempo, e espero ansiosamente por mais e mais dela.

 

(Resenha) Amada Imortal – Cate Tiernan – Livro 01

Ler Amada Imortal estava nos meus planos à anos por conta do título e da capa. E fico satisfeita de não ter lido a sinopse que não ajuda muito em revelar qual o verdadeiro propósito da história. Mas apesar de ser surpreendente, alguns pontos críticos me fizeram ter um pé atrás com os próximos livros da trilogia. Pois apesar da premissa muito interessante, o desenvolvimento não conseguiu esta à sua altura.

Título: Amada Imortal | Título original: Immortal Beloved| Série: Amada Imortal 01 | Autora: Cate Tiernan| Editora: Galera Record| Páginas: 280| Ano: 2012| Avaliação: ⭐ ⭐  | Encontre: SkoobSaraivaAmazon

 

amada-imortal-cair-das-trevas-inimigo-sombrio-cate-tiernan-D_NQ_NP_738211-MLB20510785078_122015-F.jpgSinopse: Primeiro livro da bem-sucedida trilogia, mistura fantasia sobre imortais a uma história moderna de uma jovem em busca de si mesma e de redenção. Questões de identidade e moralidade aparecem na trama, protagonizada pela imortal Nastasya. Nascida em 1551, acostumada a beber e sair para baladas cada vez mais loucas, ela perdeu o rumo. Suas conexões com outros imortais, interessados apenas em suas habilidades mágicas, a fazem partir em busca de um propósito. E o encontra em uma espécie de clínica de reabilitação para os de sua espécie, onde conhece um pouco mais sobre o próprio passado e cria importantes laços para o futuro.

A coisa boa de ser imortal é que não dá pra beber até morrer literalmente, como acontece com alguns universitários. A coisa ruim de ser imortal é que não dá pra beber até morrer literalmente, então você acorda na manhã seguinte, ou talvez dois dias depois, e sente tudo o que não precisaria sentir se tivesse tido a sorte de morrer.

Narrado em primeira pessoa, a escrita de Cate Tiernan é dotada de simplicidade. No princípio, há certa demora no desenvolvimento pois os capítulos iniciais são voltados a fuga de Nastasya. Somente depois da sexagésima página o enredo principal se desenvolve. Entretanto, Cate peca em dar mais notoriedade ao romance que ao enredo principal.

Na verdade, o romance assume o papel principal dentro do livro. Engraçado como esse é um problema comum a maioria dos autores, principalmente dentro do gênero sobrenatural. Não me entendam mal, eu gosto do romance. Mas quando ele é equilibrado com os outros viés da trama. Afinal, se fosse para ler romance por romance, eu procuraria um drama ou chick-lit. De modo que parte da minha decepção com o livro foi a perda de história e o favorecimento de casal, quando na verdade a vida de Nastasya e seus poderes imortais pediam maior destaque e elaboração.

O romance em si não chega a ser dos mais apaixonante. Mas talvez seja porque o livro se nortei pelo clichê do gênero gato e rato adicionado ao passado sombrio. De forma que o casal protagonista não me faz vibrar quando juntos, mas quando separados se tornam outros quinhentos. Cate construiu personalidades muito fortes que – literalmente – levaram anos para serem construídas.

Nastasya, apesar da idade, tem uma personalidade um tanto infantil mesmo tendo passado por muitas provações. Mas isso pode ser explicado pois a protagonista não criou responsabilidades ao se impedir de amar e ter relações com mortais. Rein, por outro lado, é dúbio e tem um passado pesado quando descobrimos. O que coloca um ponto fantástico sobre os moldes de sua personalidade em termos de quem ele é e o que pode se tornar. Mas (essa resenha é cheia de poréns infelizmente), a autora não consegue finalizar e dar continuidade a isso de maneira satisfatória, quebrando mais uma vez a narrativa. Pois o final pareceu jogado e as personalidades mudadas. Foi estranho perceber como tudo pareceu em vão, salvo algumas poucas coisas.

Amada Imortal foi um livro de mais baixos do que altos. A autora tinha uma grande história em mãos que foi mal desenvolvida a ponto de se tornar facilmente esquecível. Não me vejo lendo os próximos volumes da série num futuro próximo. Recomendo que a leitura seja feita sem expectativas para aqueles que desejam tirar suas próprias conclusões.

O principal nessa vida é não ser bom o tempo todo. É ser tão bom quanto se pode ser. Ninguém é faz a coisa certa o tempo todo. Não é assim que a vida é.

( Resenha ) Lirio Azul, Azul Lírio – Maggie Stiefwather – Livro 03

A série Os Garotos Corvos está fazendo parte da minha vida de uma maneira marcante. Quando li o primeiro livro da série, eu sabia que essa leitura seria diferente de tudo aquilo que conheci. Mas Maggie Stiefvater conseguiu ir além e provar que as histórias não precisam ser iguais, e que o simples pode se tornar extraordinário.

Está resenha não conterá spoilers do livro anterior.
Para isso pule a sinopse.
Titulo: Lírio Azul, Azul Lirio | Título Original : Li | Série: Os Garotos Corvos 02 |Autora: Maggie Stiefvater| Editora Galera Record| Ano: 2016 | Avaliação ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐️ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir (1)Sinopse: Blue Sargent encontrou coisas. Pela primeira vez na vida, ela tem amigos em quem pode confiar e um grupo ao qual pertencer. Os garotos corvos a acolheram como se ela fosse um deles. Os infortúnios deles tornaram-se dela e vice-versa. O problema de coisas encontradas, porém, é a facilidade com que podem se perder. Amigos podem trair. Mães podem desaparecer. Visões podem iludir. Certezas podem se desfazer. Em Lírio azul, azul lírio, o leitor vai descobrir para onde Blue, Gansey, Adam, Ronan e Noah serão levados em sua jornada para encontrar o lendário rei galês Glendower.

 

O coração de um covarde não é um prêmio, mas o homem de valor merece o seu capacete reluzente.

A série iniciada em Os Garotos Corvos e continuada em Ladrões de Sonhos, ganha novos ares. Existem certos determinantes que podem nos fazer gostar ou não de uma determinada série. Para mim, a renovação dos contextos sempre é um ponto favorável, pois a mesmice costuma ser enfadonha. De modo que é sempre bom encontrar autores que não somente tenham coragem de criar, mas que também possam recria-las e transforma-las em algo maior.

Nesse terceiro livro, Maggie Stiefvater reune os aspectos principais das obras anteriores. Pegando como exemplo três peças importante apresentadas no livro um, podemos notar a maldição de Blue Sargent ainda existe, o espírito de liderança de Gansey III está presente e o atormentado Adam Parrish continua em dubiedade para o bem ou para o mal. Mas se antes nós tínhamos coisas comuns a medida do possível, agora absolvemos concepções mais abrangentes das “tarefas” que permeiam cada um. Blue quer enfretar seu destino. Gansey que ser bem mais que o líder. E Adam não está disposto a ser condenado com tanta facilidade. Temos Ronan Lynch sem parte da rebeldia pelo entendimento de que o mundo não é só seu. E o doce Noah Czern tem muito mais a oferecer que um espírito sem cor. Dessa forma, Maggie refaz cada personagem e cada segredo para que a imprevisibilidade seja parte de seu mundo.

Mas tal recontagem, não impõe dizer que os desenvolvimentos realizados nos volumes anteriores são perdidos, mas sim refeitos à novos significados. Nas resenha de Ladrões de Sonhos, havia comentado que Maggie criou duas obras que não tinham relação uma com a outra de uma forma mais geral. Isso porque a autora cria em nos livros anteriores construções. Como se os outros fossem os alicerces da casa que será construída.

Ao dar vida a Lírio Azul, Azul Lírio, Maggie estabelece pontos convergentes a história. O principal deles é ver que os grupo d’Os Garotos Corvos e Blue Sargent estão se tornando uma coisa só. Suas ações parecem sincronizadas e como a própria autora diz: eles estão apaixonados uns pelos outros, de modo que suas vidas estão entrelaçadas. A amizade está mais forte do que nunca mesmo com todos os empecilhos que surgem em seu caminho.

Como se não bastasse tudo isso, Maggie ainda trabalha com a quebra dos esteriótipos. O garoto rico não busca uma meta por não ter uma família que não o ama. O rapaz gay não é a alma mais alegre do grupo (vale ressaltar que a Maggie trabalho muito bem a sexualidade nesse livro). A menina feminista não é uma arrogante que acredita não precisar de ajuda para nada. O cara que tem uma família cruel não é o bandido, até porque a maldade não está perfeitamente definida.

Dessa forma, com todos esses elementos aliados a personagens secundários inesquecíveis (mulheres da Rua Fox, 300 eu amo vocês) Maggie Stiefvater cria uma obra espetacular. Ela mostra ao leitor que segredos e finais bombástico não são tudos dentro de uma obra. Com uma narrativa poderosa e envolvente, a autora abre portas para um quarto livro que promete ultrapassar as vias do magnífico.

Amizade do tipo inabalável. Uma amizade que você podia contar para valer. Que poderia passar pelas maiores dificuldades e voltar mais forte que antes.