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(Resenha) Jornada Para Além das Fronteiras – Raphael Freaman – Livro 01

Oi Corujinhas. Finalmente este ser humano que vos fala finalizou o primeiro livro da série Krystallo, apesar de todos os empecilhos da minha vida pessoal, mas como nada de ruim dura para sempre, a Jornada Para Além das Fronteiras trouxe um momento de felicidade com sua leitura arrebatadora.

Título: Krystallo: Jornada Para Além das Fronteiras | Série: Krystallo #01 | Autor: Raphael Freaman | Ano: 2018 | Páginas: 390 | Encontre: Skoob | Amazon

43586992_172661046988384_7358997647866200064_nSinopse: As duas maiores potências de Emperon travam uma guerra secular para garantir o controle dos cristais de energia. Foi por causa de um atentado em Econ que Tomé Stalmer começou a suspeitar da verdade que o governo apregoava. E é no dia de seu aniversário que Gray Frost é forçada a deixar Opus, o seu lar. As jornadas para além das fronteiras narram uma história de piratas e soldados de elite, inteligência e mistério, confiança e tragédia. Cada um luta para sobreviver ao mesmo tempo em que busca compreender os segredos por trás dos acontecimentos que mudaram o curso da História.

Conheci a saga Krystallo através de um convite do autor para a leitura do livro em uma apresentação bem diferente do que estou acostumada, que me deixou fascinada pela leitura muito antes de me entregar a ela. As semanas se passaram e a medida que ia lendo, percebi a grande história que se emaranhava dentre as palavras do autor. Então quarta-feira passada decidi recomeçar a leitura para não perder nenhum detalhe, e imaginem minha surpresa quando terminei o livro em menos de vinte-quatro horas sem ao menos notar.

A narrativa de Raphael é gradativa e bem elaborada. É muito difícil encontrar autores que conseguem resgatar detalhes minúsculos do início da narrativa e fazer com que eles cresçam. Fraeman consegue esse feito, criando uma fantasia com ares de distopia. Dessa forma, além dos elementos fantásticos e a guerra iminente, na leitura também existem jogos políticos que fazem meu coração bater mais forte. E tudo isso crescendo para se tornar uma coisa maior e não somente um punhado de palavras.

Mas, é certo afirmas que personagens são o que carregam as narrativas e que costuma fazer tudo valer a pena. Eu digo isso, porque muito antes de um bom enredo, eu prezo mais personagens bem construídos. Fraeman parece então ter escrito esse livro para mim, pois o personagens apresentam uma construção excelente não se pretendendo aos esteriótipos dos heróis que tanto me irritam. Divido em dois pontos de vista, o de Tomé e o de Gray, podemos observar que cada um tem seu diferentes desafios. Eu não irei muito sobre os personagens, porque como eu disse o livro tem muita construção e tenho a impressão que falar abertamente de cada um deles seria uma especie de spoiler.

Contudo, duas coisas me causaram certo incômodo durante a leitura, mas que não foram cruciais ao enredo. A primeira foram os estrangeirismos (como mencionei no post de primeiras impressões) que me causam um certo “asco” porque as vejo como desvalorização da literatura nacional. Não nacionalista, mas nacional em que as nossas riquezas (no sentido de palavra) são explorados. E a segunda, as constantes quebras no pensamento do autor. Eu gosto de livros que são abordados em diferentes pontos de vistas, mas quando existe linearidade e parte dela parece ter sido perdida em Krystallo, e muito disso se deve a uma repetição dos fatos pelos dois personagens em alguns pontos.

Apesar da minha ressalva, indico sim a obra de Raphael Fraeman a todos, principalmente as pessoas que gostam uma fantasia que aborda também as situações políticas. É uma obra que supera as expectativas e que deixa um gosto de quero mais para os próximos livros. As consequências, as aventuras e o singelo romance, devem ainda melhor trabalhados na continuação da obra.                      .

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(Resenha) Fúria Vermelha – Pierce Brown – Livro 01

Conheci Fúria Vermelha através da Danii (O Clube do Farol) e mesmo com algumas explicações dela, com certeza eu não estava esperando o que me alcançou ao ler o primeiro livro da trilogia Red Rising. Em um misto de Jogos Vorazes e Percy Jackson, a obra de Pierce Brown apesar de imperfeita, não deve ser ignorada.

Título: Fúria Vermelha | Titulo original: Red Rising| Série:  Red Rising #01| Autor: Pierce Brown| Editora: Globo Livros | Ano: 2014| Páginas; 468 | Avaliação: ⭐⭐⭐⭐ | Encontre: Saraiva | Skoob | Amazon
Fúria Vermelha

Sinopse: Fúria Vermelha é o primeiro volume da trilogia Red Rising, e revive o romance de ficção científica que critica com inteligência a sociedade atual. Em um futuro não tão distante, o homem já colonizou Marte e vive no planeta em uma sociedade definida por castas. Darrow é um dos jovens que vivem na base dessa pirâmide social, escavando túneis subterrâneos a mando do governo, sem ver a luz do sol. Até o dia que percebe que o mundo em que vive é uma mentira, e decide desvendar o que há por trás daquele sistema opressor. Tomado pela vingança e com a ajuda de rebeldes, Darrow vai para a superfície e se infiltra para descobrir a verdade.

A morte não é vazia como você afirma ser. Vazia é a vida sem liberdade, Darrow.  Vazio é viver acorrentado pelo medo, pelo medo das perdas, pelo medo da morte. Digo que a gente precisa romper essas correntes. Rompa as correntes do medo e você estará rompendo as correntes que prendem a gente aos Ouros, à Sociedade

Entre tantos pontos positivos, a narrativa de Pierce Brown é minha única ressalva nesta obra. Muito embora e eu tenha apreço por jogos sangrentos, força avassaladora e sentimentos conflitantes dos quais o autor cumpriu cada um desses pré-requisitos, sua escrita lenta deixou a história cansativa. Momentos de ação são realizados em no máximo duas páginas, enquanto narrativas sobre convívio estendem-se mais do do que o necessário. A união das duas coisas resultou em uma escrita plácida e as vezes irritante, pois não há um crescimento gradual que dificulta a manutenção do foco.

Mas se Brown peca na narrativa, o enredo e os personagens conseguem dar o embalo para que não abandonemos a leitura. É certo afirmar que o livro não tem novidades para com o gênero e talvez grande parte disso seja a época que foi lançada. Estamos falando de uma distopia publicada em 2014, no auge do gênero onde morte, jogos e uma sociedade dividida por castas sociais eram determinantes. Mas quando o autor escreve Fúria Vermelha, não se deixa levar apenas por tais estigmas. Existe uma prerrogativa inevitável na obra que faz o lançamento de seus personagens aos extremos.

O homem não pode ser libertado pela mesma injustiça que o escravizou

Como seres sociais, nós seres humanos temos certas tendencias em acreditar no que a sociedade nos diz, já que nos sentir parte e ser aceito se torna uma espécie de meta. Mas se Matrix serve de exemplo, nem tudo que reluz é ouro, nem todo governo é transparente e nem toda realidade é como vemos. Partindo desse conceito, Brown constrói um mundo perverso rodeado por paredes invisíveis feitas da mentira contada para os vermelhos habitantes de Marte. Somos levados a acreditar em coisas, mas principalmente absorvê-las como cultura.

Só que a mentira não dura para sempre, e quando esta se quebra, surge algo novo no seu lugar. Darrow, protagonista da obra, é um tanto hedonista, mas nem por isso é arrogante ou presunçoso. Ele simplesmente sabe de todas suas forças usando-as ao seu bel prazer. Ao decorrer do livro, Darrow cresce como pessoa e aprende a natureza do ser político, onde extermínio e política não são a mesma coisa.

Entretanto, o grande xeque do livro são os personagens secundários que dão as aparências sociais que o livro necessita para ser mais profundo. Ora, se a sociedade não é aquilo que esperamos para ela, as pessoas também não deve ser. Em suas individualidades, os ouros e vermelhos que margeiam o livro para demonstrar o mais cruel ou o mais gentil. Mustang, Sevro e Cassius foram provavelmente meus personagens favoritos pela audácia que Brown teve em humanizar até seus aspectos mais cruéis.

Vocês não me seguem porque eu sou o mais forte. Pax é o mais forte. Vocês não me seguem porque eu sou o mais inteligente. Mustang é a mais inteligente. Vocês me seguem porque não sabem para onde estão indo. Eu sei.

Fúria Vermelha é uma obra espetacular que deveria ser lida por todas as pessoas. Muito embora encontre-se em uma grande falha, seus méritos não devem ser ignorados, pois Pierce Brown traz uma sociedade que engloba várias ideologias. Fascismo, comunismo e ditadura fazem parte da abordagem do autor. E para o momento que não só o Brasil, mas o mundo tem vivido de intolerância e medo, Fúria Vermelha é um ótimo prenúncio do que podemos virar.

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(Resenha) Corte de Gelo e Estrelas – Livro 3.5 – Sarah J. Maas.

Antes de ler esse livro, estava na minha mente que eu não deveria fazê-lo. Nunca leio livros spin-off de alguma coisa, principalmente quando são voltadas aos mesmos personagens sem trazer nada mais de novo. Mas, quando a oportunidade de Corte de Gelo e Estrelas (ou Corte de Gelo e Luz Estelar no original) eu pensei: porque não? É um livro curto, talvez me surpreenda. Mas a verdade é que estou chocada em ver como a Sarah J. Maas simplesmente deixou que o capitalismo falasse mais alto nos apresentando uma história esdruxula que me arrependo amargamente de ter lido.

Título: Corte de Gelo e Estrelas | Título original: A Court of Frost and Starlight| Série: Corte de Espinhos e Rosas 3.5| Autor: Sarah J. Maas | Editora: Galera Record | Páginas:  238 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ | Encontre: SkoobSaraivaAmazon

ACOFAS_BrasilSinopse: O aguardado spin-off da série Corte de Espinhos e Rosas.
Feyre, Rhys e seu círculo íntimo de amigos ainda estão ocupados reconstruindo a Corte Noturna e tentando manter a paz, conquistada a base de muito esforço e perdas pessoais, após a queda da muralha. Mas o Solstício de Inverno finalmente está próximo e, com isso, um alívio merecido. Compras, festas, celebração e a promessa de dias tranquilos. A atmosfera festiva não consegue, entretanto, impedir que as sombras da guerra se aproximem. Em seu primeiro Solstício como Grã-Senhora, Feyre ainda lidando com os horrores do passado recente, e percebe que seu parceiro e sua família têm mais cicatrizes do que ela esperava – cicatrizes que podem impactar o futuro, e a paz, de sua Corte.

– Você nasceu na noite mais longa do ano. Era seu destino estar ao meu lado desde o começo.

A narrativa de Sarah J. Mass, em termos de escrita ainda é uma das melhores. Apesar da pouca história, a autora consegue prender o leitor até o final do livro e eu diria que esse é um dos poucos méritos de ACOFAS. Se bem que é um eufemismo da minha parte chamar de pouca história o que Sarah fez quando, na verdade, não existe história alguma. Eu não consigo entender como uma autora tão brilhante quanto Sarah escreveu 238  páginas sobre compras e presentes. Sim, porque a história todo – exceto poucos capítulos – é voltada a essa encheção de linguiça.

De primeira, já é assustador o fato que Rhysand deixa Feyre em casa para cuidar de papéis quando ele vai resolver assuntos políticos para além da corte. Apesar de entender que a Sarah estava trilhando responsabilidades diferentes para cada personagem, a escolha de Rhys é misógina que não está nem um pouco próxima ao que ele fez quando a escolheu como sua grã-senhora. E claro que não posso esquecer que foi exatamente o que Tamlin fez com Feyre.

Falando no grão-senhor da Corte Primaveril, se eu posso acrescenta a longa lista de coisas que senti raiva nesse livro foi a maneira com o qual Rhys chutou cachorro-morto. Vejam bem, eu nunca fui exatamente fã do Tamlin nem mesmo quando este era o “mocinho”. Mas acredito que ele deve ter sua chance de redenção ou pelo menos seguir sua vida. De modo, que deveria bastar o fato que Feyre conseguiu com que todos deixassem a Corte Primaveril e Tamlin se encontra em um mausoléu para lidar com sua própria cólera. Então me digam: qual a necessidade do Rhysand ir até lá com um propósito e terminar saindo pisando no Tamlin? É tão incrivelmente mesquinho e completamente arrogante, que boa parte do respeito que tinha pelo Rhysand se foi nesse ponto. Boa parte, porque o resto… Ah! O que dizer do que aconteceu…

“Para a abençoada escuridão da qual cada um de nós nasceu, e para a qual retornaremos algum dia.”

Por falar em Rhys e Feyre, mais ou menos desde Corte de Asas e Ruína já estava um tanto enjoada do casal. Eu amo Feysand (ou amava), mas o propósito da Sarah J. Maas nunca foi exatamente o romance ao meu ver. Ele deveria ser algo a parte, principalmente no terceiro livro quando o foco era a guerra contra o rei de Hybern. Então, ao ler mais sobre o casal em ACOFAS o sentimento de desgosto apenas aumentou. O fato é que Feysand já deu. Sua história já foi encerrada. O foco deveria ser os outros personagens que não tiveram voz nos outros livros.

De modo que minha outra e única parte positiva nesse livro está na narração dos outros personagens que ganharam um pequeno espaço. Morrigan teve dois capítulos e posso dizer que não foram excelentes, mas também não foram desperdiçados. Quero dizer, nós temos um resgate de seus sentimentos em favor do seu passado mais contado por ela que deixam um sabor de quero mais. Já Cassian, que de longe foi o que teve mais destaque com três capítulos, mostrou o que podemos esperar de seu spin-off. Cassian sempre foi meu macho predileto, e porque não? Sua imperfeição e seu jeito sarcástico me soam os mais atrativos pelas camadas que o personagem possui e que não encobrem a perfeição mais algo mais denso e mais intrigante que isso.

“Ela rasgou a escuridão com garras e dentes. Dilacerou e destruiu. A escuridão eterna ao redor dela estremeceu e se debateu. Ela riu enquanto aquele poder tentava recuar.”

Mas foi Nestha que fez tudo valer a pena. Nestha sempre foi minha personagem favorita por tudo que pode trazer para a história, por todo enredo que tem emaranhado em suas entranhas. Ela é forte de uma maneira que ninguém é pois carrega dentro de si a escuridão desde antes de ser Feita. Em um único capítulo, Nestha me desfez em pedaços e me reconstruiu para que eu amasse ainda mais; para que eu a quisesse protegê-la de tudo, mas principalmente de todos. Porque, pelo Caldeirão, como o ódio me consumiu a cada vez que Feyre e Rhys se referiam a ela. Principalmente Feyre.

No segundo livro, Feyre sofreu como uma condenada pela dor absolvia depois do acontecido Sob A Montanha. Mas agora, quando sua irmã precisa dela ela se mostra incapaz de ajudar. Nestha, talvez não mereça ajuda pelo modo como a tratou em cada um dos volumes. Mas ela merece pelo menos respeito à sua dor, ao que viu, ao que sentiu. Em cada uma de suas aparições era gritante que como Nestha implorava por ajuda, mas estavam todos tão envolvidos com suas próprias felicidades, Feyre tão disposta a ignorar os sentimentos da Nestha para ter o seu feriado perfeito, que ela foi ignorada. .

E sinceramente, acho que não vou mencionar o preview que teve do próximo livro porque é capaz de eu cometer um crime de ódio contra Maas. Pois o pior de tudo é a ironia do fato que Feyre acusou Tamlin de tê-la tratado como sua propriedade e é exatamente isso que ela faz com a Nestha, se aproveitando do fato que a irmã precisa do dinheiro dela para compeli-la a fazer coisas que não deseja.

Corte de Gelo e Estrelas foi uma leitura amarga. Uma fanfic teria sido melhor. De todas as maneiras que consigo pensar, Feysand perdeu meu respeito. A melhor parte da obra foi o que não era dessa história, pois dar uma espiada no primeiro capítulo de “Nessian” valeu pelo gosto do que está por vir. Eu só espero que Feysand não volte a narrar e que minha Nestha, minha querida e poderosa Nestha, obtenha toda a glória, toda vingança e toda felicidade que ela merece.

“Cassian nomeara pelo menos doze poses para Nesta até aquele momento. Começando em Eu Vou Comer Seus Olhos no Café-da-Manhã até Eu Não Quero que Cassian Saiba que Estou Lendo Livros Eróticos. A última era sua favorita.”

(Resenha) Corte de Asas e Ruína – Sarah J. Maas – Livro 03

Corte de Asas e Ruína.é o desfecho de uma história e um prelúdio para as outras que virão. Existe guerra, existe amor, existe dor. O anseio pelo que está por vir é só a ponta do iceberg para o verdadeiro caos de emoções que é sua história. E Sarah J Maas mostra porque é um das autoras mais amadas da atualidade.

Título: Corte de Asas e Ruína | Título Orginal: A Court Of Wins And Ruins | Série: Corte de Espinhos e Rosas #03 | Autora: Sarah J Maas | Editora: Galera Record |Ano: 2017 | Avaliação:  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

sssssssssssssssssssSinopse: O terceiro volume da série best-seller Corte de Espinhos e Rosas, da mesma autora da saga Trono de Vidro em “Corte de Asas e Ruína” a guerra se aproxima, um conflito que promete devastar Prythian. Em meio à Corte Primaveril, num perigoso jogo de intrigas e mentiras, a Grã-Senhora da Corte Noturna esconde seu laço de parceria e sua verdadeira lealdade. Tamlin está fazendo acordos com o invasor, Jurian recuperou suas forças e as rainhas humanas prometem se alinhar aos desejos de Hybern em troca de imortalidade. Enquanto isso Feyre e seus amigos precisam aprender em quais Grãos-Senhores confiar, e procurar aliados nos mais improváveis lugares. Porém, a Quebradora da Maldição ainda tem uma ou duas cartas na manga antes que sua ilha queime.

“Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

O que me faz gostar dos livros de Sarah J. Maas é a narrativa carregada de sentimentos. Certas vezes, fico impressionada com sua capacidade de nos fazer sentir como parte do seu mundo por conta das descrições e do modo com o qual os sentimentos são postos. Muito embora neste livro tenha percebido uma leve procrastinação da autora, ainda sim a escrita foi esplêndida para me manter viva na leitura. Foram dois dias intensos, e eu me lembro perfeitamente — mesmo depois de meses de ter lido — da necessidade que sempre precisar de mais da obra. Dormir, foi um martírio pois minha mente voltava aos acontecimentos e as surpresas que estavam por vir.

– A grande alegria e honra de minha vida foi conhecê-los. Chamar vocês de minha família. E sou grato, mais do que posso expressar, por ter recebido esse tempo com vocês.

Dentro da escrita, uma das minhas partes favoritas é o fato de Sarah usar o constante intertexto em suas páginas. A autora consegue trilhar caminhos diferentes para histórias que já conhecemos. Nas costas do livro, e como uma arma utilizada por Feyre contra o rei de Hybern, o espelho de Ourobouro é o nome dado ao mesmo objeto na Branca de Neve (espelho, espelho meu…) que ganha um novo sentido na narrativa. Outro é a história da rainha Vassa que sofreu uma maldição que a transforma em um mulher durante e um pássaro de fogo durante a noite, relembrando outra história famosa eternizada pela Disney. Isso, pode parecer estranho, mas ajuda na hora da construção do sentido do texto que não foi explicado. E claro me faz soltar uns Ahs! de administração para a criatividade da autora.

Além disso, podemos encontrar no texto um crescimento gradual da narrativa com o resgate das pequenas coisas. Os minúsculos fatos costumam ser perdidos em séries muito grandes pois novos acontecimentos são inseridos à todo momento. Quando o resgate acontece, soa genial pelo sentido que toda leitura valeu a pena. Tudo faz sentido e todas as peças são encaixadas.  A série de Maas, principalmente este último livro é uma prova de que tais resgastes são essenciais as obras, pois ao mesmo tempo que Sarah expõe um novo acontecimento ela o liga à um do passado conectando a história e todas as outras que vieram póstumas a ela.

“Sempre considerei a morte como um tipo de boas-vindas pacífico; uma cantiga doce e triste que me atrairia para o que quer que esperasse depois.”

Mas como nem tudo nesse livro foram flores, tenho que admitir que um dos meus pontos favoritos, também e controversamente, foi um dos seus pecados. A narrativa de Sarah muitas vezes perdeu o tino pela inserção de momentos que não eram exatamente necessários à história. O principal é quantidade alucinante de cenas de sexo. Acredito que já tenha comentado que romance em fantasias não é meu foco pela perda de história para adição de tal prerrogativa. Mesmo gostando de Feysand, em Corte de Asas e Ruína a perda não é diferente mas no sentido de tempo. Considerando que estamos falando de guerra, uma tensão surgida após  a firmação do romance entre Feyre e Rhysand no livro anterior, as cenas de sexo me pareceram forçadas no contexto da história pela falta de necessidade. Exceto quando Feyre retorna para casa, a continuidade de cenas do tipo foi enjoativa e olha que eu amo (ou amava) o casal Feysand. Mas aqui não acredito que cabia. Tanto, que se retirarmos as cenas de sexo o livro diminuiria pelo menos umas cem páginas e tornaria a leitura mais fluída e sagaz.

 “Eu teria esperado quinhentos anos mais por você. Mil anos. E, se esse foi todo o tempo que nos foi permitido… a espera valeu a pena.”

Outras cem seriam facilmente cortadas se não fosse a adição de outra coisa supérflua a narrativa de Feyre aprendendo a voar. Mas Jessica, issoo é interessante? Claro que é, contanto que tenha papel na ativo no enredo, pois do contrário, torna-se apenas uma informação à mais como um tipo de aposto: esta lá, mas não era necessário.  Pois eu não me lembro — se tiver por favor me diga nos comentários — dessa situação de vôo aparecer em batalha ou de algum modo pertinente ao enredo. Se não considerarmos a história que Azriel conta a Feyre em uma de suas aulas (que cá entre nós, poderia sim ter sido feito em outra situação) estas foram encheção de linguiça. Mas, talvez eu só seja antipática mesmo.

“Se Rhysand era a Noite Triunfante, eu era a estrela que só brilhava graças a sua escuridão, a luz apenas visível por sua causa.”

Retornando aos pontos positivos, o romance de Feysand atingiu um bom nível de cumplicidade nessa obra, mas e é separadamente que Rhysand e Feyre ganham meu coração. Muito embora não costume gostar de personagens perfeitos, Rhysand é um macho que gostaria de ter em minha vida como amigo. Inteligente e justo, Rhys é um retrato do heroico de quando o amor é existe ele pode se manifestar de vários modos. Já Feyre terminar sua jornada para abraçar o poder que conquistou nas obras anteriores. É fantástico perceber como Feyre cresceu. Se em ACOTAR Feyre era uma garota assustada e em ACOMAF um projeto de Girl Power, em ACOMAF Feyre encontra sua verdadeira força ao se tornar uma mulher poderosa. Sua construção foi feita tijolo por tijolo e esse é o principal crédito da trilogia como um todo. Em tempo onde as Girls Powers nascem da arrogância e da síndrome estou-certa-e-você-errado, ver uma força sendo construída e não jogada é sensacional.

– Apenas você pode decidir o que a destrói, Quebradora da Maldição

E igualmente a construção de Feyre e Rhysand, os outros personagens foram dignamente tomados. Morrigan e Azriel não enchem meus olhos, mas assim como o que é referente a Lucien possuo certa expectativa do que suas amarguradas histórias ainda podem revelar. Elain… Bom, o que dizer de Elain? Bom… Sendo absolutamente sincera acho-a um tanto sonsa, mas não tenho sentimentos negativos ou positivos com ela. A verdade é que se olharmos para as irmãs de Feyre quando as duas se recusaram a ajudar a irmã, Nestha por ser mais grossa recebe os créditos da ruindade. Mas Elain faz a mesma coisa mas é relevada por sua doçura, o que ao meu ver, e como se ela se fizesse de sonsa (cadê o emoji levantando os braços quando a gente precisa.)

“Se Elain era uma flor naquele acampamento de guerra, então Nestha… ela era uma espada recém-forjada, esperando para tirar sangue.”

E por falar em Nestha, como não amar Nestha e tudo que essa personagem pode trazer? A minha protagonista — percebam o nível do meu amor — é tudo que eu espero e mais um pouco sempre me surpreendendo. Nesse livro, esta ainda mais impressionante audaciosa. Marcada pelo caldeirão e com uma família quebrada mais refeita, Nestha provoca sem revelar muito sobre si. Sua esfera de poder é ao mesmo tempo a cruz que carrega. E mesmo que não possa dizer que não a entenda, ainda sim posso falar que absolvi o seu ódio como meu. Nestha é fogo, ódio e dor. É ressentimento, amor e medo. É tudo é não é nada. E cada vez que a leio, me encontro capaz de chorar pela sua complexidade. Eu preciso de mais de Nestha Archeron, de todas as maneiras que Maas puder me dar.

“Cassian estava avaliando Nesta, um brilho em seus olhos que eu só podia interpretar como um guerreiro encontrando-se diante de um novo e interessante oponente.”

Por tudo isto, posso dizer que Corte de Asas e Ruínas é um marco na minha vida. Em breve serão lançados spin-offs para completar os arcos de cada personagem. Claro que o livro de Nestha e Cassian é o mais aguardado para mim, mas espero gostar de todos os volumes que estão por vir. Sarah J. Maas é uma das melhores escritoras de seu tempo, e espero ansiosamente por mais e mais dela.

 

(Resenha) Amada Imortal – Cate Tiernan – Livro 01

Ler Amada Imortal estava nos meus planos à anos por conta do título e da capa. E fico satisfeita de não ter lido a sinopse que não ajuda muito em revelar qual o verdadeiro propósito da história. Mas apesar de ser surpreendente, alguns pontos críticos me fizeram ter um pé atrás com os próximos livros da trilogia. Pois apesar da premissa muito interessante, o desenvolvimento não conseguiu esta à sua altura.

Título: Amada Imortal | Título original: Immortal Beloved| Série: Amada Imortal 01 | Autora: Cate Tiernan| Editora: Galera Record| Páginas: 280| Ano: 2012| Avaliação: ⭐ ⭐  | Encontre: SkoobSaraivaAmazon

 

amada-imortal-cair-das-trevas-inimigo-sombrio-cate-tiernan-D_NQ_NP_738211-MLB20510785078_122015-F.jpgSinopse: Primeiro livro da bem-sucedida trilogia, mistura fantasia sobre imortais a uma história moderna de uma jovem em busca de si mesma e de redenção. Questões de identidade e moralidade aparecem na trama, protagonizada pela imortal Nastasya. Nascida em 1551, acostumada a beber e sair para baladas cada vez mais loucas, ela perdeu o rumo. Suas conexões com outros imortais, interessados apenas em suas habilidades mágicas, a fazem partir em busca de um propósito. E o encontra em uma espécie de clínica de reabilitação para os de sua espécie, onde conhece um pouco mais sobre o próprio passado e cria importantes laços para o futuro.

A coisa boa de ser imortal é que não dá pra beber até morrer literalmente, como acontece com alguns universitários. A coisa ruim de ser imortal é que não dá pra beber até morrer literalmente, então você acorda na manhã seguinte, ou talvez dois dias depois, e sente tudo o que não precisaria sentir se tivesse tido a sorte de morrer.

Narrado em primeira pessoa, a escrita de Cate Tiernan é dotada de simplicidade. No princípio, há certa demora no desenvolvimento pois os capítulos iniciais são voltados a fuga de Nastasya. Somente depois da sexagésima página o enredo principal se desenvolve. Entretanto, Cate peca em dar mais notoriedade ao romance que ao enredo principal.

Na verdade, o romance assume o papel principal dentro do livro. Engraçado como esse é um problema comum a maioria dos autores, principalmente dentro do gênero sobrenatural. Não me entendam mal, eu gosto do romance. Mas quando ele é equilibrado com os outros viés da trama. Afinal, se fosse para ler romance por romance, eu procuraria um drama ou chick-lit. De modo que parte da minha decepção com o livro foi a perda de história e o favorecimento de casal, quando na verdade a vida de Nastasya e seus poderes imortais pediam maior destaque e elaboração.

O romance em si não chega a ser dos mais apaixonante. Mas talvez seja porque o livro se nortei pelo clichê do gênero gato e rato adicionado ao passado sombrio. De forma que o casal protagonista não me faz vibrar quando juntos, mas quando separados se tornam outros quinhentos. Cate construiu personalidades muito fortes que – literalmente – levaram anos para serem construídas.

Nastasya, apesar da idade, tem uma personalidade um tanto infantil mesmo tendo passado por muitas provações. Mas isso pode ser explicado pois a protagonista não criou responsabilidades ao se impedir de amar e ter relações com mortais. Rein, por outro lado, é dúbio e tem um passado pesado quando descobrimos. O que coloca um ponto fantástico sobre os moldes de sua personalidade em termos de quem ele é e o que pode se tornar. Mas (essa resenha é cheia de poréns infelizmente), a autora não consegue finalizar e dar continuidade a isso de maneira satisfatória, quebrando mais uma vez a narrativa. Pois o final pareceu jogado e as personalidades mudadas. Foi estranho perceber como tudo pareceu em vão, salvo algumas poucas coisas.

Amada Imortal foi um livro de mais baixos do que altos. A autora tinha uma grande história em mãos que foi mal desenvolvida a ponto de se tornar facilmente esquecível. Não me vejo lendo os próximos volumes da série num futuro próximo. Recomendo que a leitura seja feita sem expectativas para aqueles que desejam tirar suas próprias conclusões.

O principal nessa vida é não ser bom o tempo todo. É ser tão bom quanto se pode ser. Ninguém é faz a coisa certa o tempo todo. Não é assim que a vida é.

( Resenha ) Lirio Azul, Azul Lírio – Maggie Stiefwather – Livro 03

A série Os Garotos Corvos está fazendo parte da minha vida de uma maneira marcante. Quando li o primeiro livro da série, eu sabia que essa leitura seria diferente de tudo aquilo que conheci. Mas Maggie Stiefvater conseguiu ir além e provar que as histórias não precisam ser iguais, e que o simples pode se tornar extraordinário.

Está resenha não conterá spoilers do livro anterior.
Para isso pule a sinopse.
Titulo: Lírio Azul, Azul Lirio | Título Original : Li | Série: Os Garotos Corvos 02 |Autora: Maggie Stiefvater| Editora Galera Record| Ano: 2016 | Avaliação ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐️ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir (1)Sinopse: Blue Sargent encontrou coisas. Pela primeira vez na vida, ela tem amigos em quem pode confiar e um grupo ao qual pertencer. Os garotos corvos a acolheram como se ela fosse um deles. Os infortúnios deles tornaram-se dela e vice-versa. O problema de coisas encontradas, porém, é a facilidade com que podem se perder. Amigos podem trair. Mães podem desaparecer. Visões podem iludir. Certezas podem se desfazer. Em Lírio azul, azul lírio, o leitor vai descobrir para onde Blue, Gansey, Adam, Ronan e Noah serão levados em sua jornada para encontrar o lendário rei galês Glendower.

 

O coração de um covarde não é um prêmio, mas o homem de valor merece o seu capacete reluzente.

A série iniciada em Os Garotos Corvos e continuada em Ladrões de Sonhos, ganha novos ares. Existem certos determinantes que podem nos fazer gostar ou não de uma determinada série. Para mim, a renovação dos contextos sempre é um ponto favorável, pois a mesmice costuma ser enfadonha. De modo que é sempre bom encontrar autores que não somente tenham coragem de criar, mas que também possam recria-las e transforma-las em algo maior.

Nesse terceiro livro, Maggie Stiefvater reune os aspectos principais das obras anteriores. Pegando como exemplo três peças importante apresentadas no livro um, podemos notar a maldição de Blue Sargent ainda existe, o espírito de liderança de Gansey III está presente e o atormentado Adam Parrish continua em dubiedade para o bem ou para o mal. Mas se antes nós tínhamos coisas comuns a medida do possível, agora absolvemos concepções mais abrangentes das “tarefas” que permeiam cada um. Blue quer enfretar seu destino. Gansey que ser bem mais que o líder. E Adam não está disposto a ser condenado com tanta facilidade. Temos Ronan Lynch sem parte da rebeldia pelo entendimento de que o mundo não é só seu. E o doce Noah Czern tem muito mais a oferecer que um espírito sem cor. Dessa forma, Maggie refaz cada personagem e cada segredo para que a imprevisibilidade seja parte de seu mundo.

Mas tal recontagem, não impõe dizer que os desenvolvimentos realizados nos volumes anteriores são perdidos, mas sim refeitos à novos significados. Nas resenha de Ladrões de Sonhos, havia comentado que Maggie criou duas obras que não tinham relação uma com a outra de uma forma mais geral. Isso porque a autora cria em nos livros anteriores construções. Como se os outros fossem os alicerces da casa que será construída.

Ao dar vida a Lírio Azul, Azul Lírio, Maggie estabelece pontos convergentes a história. O principal deles é ver que os grupo d’Os Garotos Corvos e Blue Sargent estão se tornando uma coisa só. Suas ações parecem sincronizadas e como a própria autora diz: eles estão apaixonados uns pelos outros, de modo que suas vidas estão entrelaçadas. A amizade está mais forte do que nunca mesmo com todos os empecilhos que surgem em seu caminho.

Como se não bastasse tudo isso, Maggie ainda trabalha com a quebra dos esteriótipos. O garoto rico não busca uma meta por não ter uma família que não o ama. O rapaz gay não é a alma mais alegre do grupo (vale ressaltar que a Maggie trabalho muito bem a sexualidade nesse livro). A menina feminista não é uma arrogante que acredita não precisar de ajuda para nada. O cara que tem uma família cruel não é o bandido, até porque a maldade não está perfeitamente definida.

Dessa forma, com todos esses elementos aliados a personagens secundários inesquecíveis (mulheres da Rua Fox, 300 eu amo vocês) Maggie Stiefvater cria uma obra espetacular. Ela mostra ao leitor que segredos e finais bombástico não são tudos dentro de uma obra. Com uma narrativa poderosa e envolvente, a autora abre portas para um quarto livro que promete ultrapassar as vias do magnífico.

Amizade do tipo inabalável. Uma amizade que você podia contar para valer. Que poderia passar pelas maiores dificuldades e voltar mais forte que antes.

(Resenha) A Traidora do Trono – Alwyn Hamilton – Livro Dois

No segundo livro da trilogia A Rebelde do Deserto, Alwyn Hamilton vai te apresentar uma nova face da revolução que irá questionar todas as suas certezas.

“Esta resenha não conterá spoilers do 1ª livro.
Para isto, pule a sinopse.”

transferirTítulo: A Traidora do Trono
Título original:
Série: A Rebelde do Deserto #02
Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Plataforma 21
Ano: 2017
Páginas: 440
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
Encontre: Saraiva | Amazon

Sinopse: Amani Al’Hiza mal pôde acreditar quando finalmente conseguiu fugir de sua cidade natal, montada num cavalo mágico junto com Jin, um forasteiro misterioso. Depois de pouco tempo, porém, sua maior preocupação deixou de ser a própria liberdade. A garota descobriu ter muito mais poder do que imaginava e acabou se juntando à rebelião, que quer livrar o país inteiro do domínio do sultão. Em meio às perigosas batalhas ao lado dos rebeldes, Amani é traída quando menos espera e se vê prisioneira no palácio. Enquanto pensa em um jeito de escapar, ela começa a espionar o sultão. Mas quanto mais tempo passa ali, mais Amani questiona se o governante de fato é o vilão que todos acreditam.

“Tempos atrás, no reino desértico de Miraji, havia um príncipe que desejava assumir o trono do pai. O jovem era movido pela crença de que o pai era um governante fraco e de que ele mesmo desempenharia melhor o papel de sultão”

Apesar de não ter ficado satisfeita com A Rebelde do Deserto, nutri certas expectativas para A Traidora do Trono. Ouvi muitos comentários sobre a evolução da história de Amani e dos rebeldes do deserto de Miraji, acabando por ter um certo pressentimento que iria gostar bem mais desse segundo livro. Talvez, muito disso seja porque sempre tenho tendência a me apaixonar por segundos volumes que parecem fazer a história ganhar massa a medida que os fatores inciais são deixados para trás. Por falar em massa, A Traidora do Trono realmente evolui e mesmo não me apaixonando pela obra, ainda sim percebo que o contexto foi mais evoluído ao ponto de ser intrigante e inesperado.

Alwyn Hamilton tem uma narrativa ágil e de certo modo descompromissada. Um dos pontos que me incomodou no primeiro volume e que continua me incomodando neste, é o fato de Hamilton não conseguir estender-se quando necessário. Muitas situações, principalmente de batalhas, terminam quase tão rápido quanto são iniciadas. Eu sinto falta de profundidade pois tal rapidez não causa frison de medo e expectativa. O lado bom disto é o fato que Hamilton não procrastina, ou seja, ela não fica presa a uma determinada cena, alongando-a o máximo criando sem necessidade. Então de certa forma, a narrativa ficou em certo hiatus entre pontos positivos e negativos.

“Inteligência e sabedoria não são as mesmas coisas. Tampouco habilidade e conhecimento”

Os personagens são um universo a parte. Uma das coisas que mais gosto nessa trilogia, acredito que vai se manter no terceiro livro, é a maneira com o qual estamos sempre lidando com personalidades diversas que nunca são previsíveis mesmo quando deveriam ser. Amani é uma daquelas protagonistas fortes que nós temos orgulho somente de saber da sua existência. Apesar de volta e meia achar ela infantil, seus pensamentos são condizentes para o momento ao qual esta inserida. Sendo Amani a narradora, é possível perceber seus desafios como se fossem nossos, o que nos aproxima da personagem.

Outro personagem que tomou virtudes ainda maiores dentro da história, foi o Sultão que ganhou mais espaço dentro da narrativa. Acho que nessa parte entra o meu ponto favorito dentro do livro de Hamilton, a autora soube criar um vilão excelente que consegue convencer o leitor de suas palavras. Não apenas um vilão para encher linguiça por assim dizer, mas alguém que tem suas convicções e que está disposto de tudo para afirmá-las. O Sultão de certo modo me pareceu o personagem mais sensato também. Pois apesar de entender a guerra, que acabou acontecendo rápido de mais, não acreditei nos ideias do Príncipe Rebelde que me pareceram bons, mas não o suficiente para o governo de um reino. O que o Sultão afirma, sobre ser impiedoso, acaba por ter bem mais verdade que as palavras de Ahmed. Sendo “interliterária”, o Sultão personifica o príncipe de Maquiavel que sabe ser terrível para impedir que seu povo seja mais terrível ainda. Então, Hamilton deixa uma pergunta ao seu leitor sobre o Principe Rebelde: Será Ahmed, com sua nova alvorada, um novo deserto é capaz de ser forte quando necessário?

“— Meu filho é um idealista. Eles são ótimos lideres, mas nunca se saem bem como governantes.”

Com inúmeras reviravoltas e personagens espetaculares, A Traidora do Trono conseguiu ser tudo aquilo que o antecessor não foi. Posso dizer que me encontro ansiosa para o próximo livro e cheia da expectativas pelo que está por vir. Foi fantástico ver o desenrolar da trama e entender as motivações que envolvem o enredo. Além disso, ainda temos a mitologia única que Alwyn Hamilton colocou em suas páginas. O livro foi completo em quase todos os sentidos, e para todos aqueles que amam uma ótima aventura esse livro é uma ótima dica.

“Eu era uma garota do deserto. De onde eu vinha, o mar era feito de areia. E a areia me obedecia. “

( Resenha ) Ladrões de Sonhos – Maggie Stiefvather – Livro 02

Minhas caras Corujinhas. Existem muitos segredos esperando para serem revelados. Em Ladrões de Sonhos Maggie Stiefvater vai te mostrar que o primeiro passo de tudo é acreditar no inacreditável que tudo pode se tornar possível.

ladrões de sonhos

Titulo: Ladrões de Sonhos
Titulo Original: The Dreams Thieves
Série: A Saga dos Corvos #02
Autora: Maggie Stiefvater
Editora: Verus
Páginas: 429
Ano: 2014
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Ladrões de sonhos, o segundo volume da Saga dos Corvos, traz de volta a imaginação selvagem e as reviravoltas eletrizantes que somente uma autora original como Maggie Stiefvater é capaz de criar. Ao lado de Blue, os garotos corvos — o privilegiado Gansey, o torturado Adam, o espectral Noah e o sombrio e perigoso Ronan — continuam sua busca pelo lendário rei galês Glendower. Mas suas explorações enfrentam um duro contratempo conforme segredos, sonhos e pesadelos começam a enfraquecer a linha ley — um canal invisível de energia que conecta lugares sagrados e que pode levá-los até o rei. Será por isso que a floresta mística de Cabeswater sumiu inexplicavelmente? Quem é o misterioso Homem Cinzento e por que ele está procurando o Greywaren, uma relíquia que permite tirar objetos de sonhos? E o que isso tem a ver com o indecifrável Ronan? Conforme Blue e os garotos corvos procuram respostas a essas e outras questões, o perigo que os envolve se torna cada vez mais real, e será preciso apostar todas as fichas nessa aventura enigmática.

Esta resenha não conterá spoilers do livro anterior.

Com sua narrativa poética e personagens singulares, Maggie Stiefvater conduz um livro diferente de tudo. Aliados as novas descobertas, Os Garotos Corvos possuem um ciclo devastador de mistério, aspereza, amor e solidão traçando caminhos que levam tanto eles como o leitor para além do que se possa imaginar.

Às vezes, algumas raras vezes, um segredo permanece desconhecido porque é algo grande demais para a mente guardar. Estranho demais, vasto demais, aterrorizador demais para ser contemplado. Todos nós temos segredos na vida. Nós os guardamos ou temos alguns guardados de nós, jogamos ou somos jogados. Segredos e baratas — é o que restará no fim de tudo.

Os Garotos Corvos foram evoluídos. Gansey parece mais isolado dos amigos durante sua busca por Glendower, mas isso não o torna frívolo. Eu diria que ele apenas se tornou pensativo pois sua busca se tornou que o desejo pela recompensa e sim pelas verdades que deseja descobrir. Adam que sempre foi um personagem ansiador pelo poder esta divido pela percepção que suas ações podem prejudicar os amigos. De longe, Adam foi o personagem mais forte, que ao tentar lutar contra o passado, prejudica seu futuro mesmo que não precise ser transformado em um vilão para isto. Blue foi um tanto controversa, muito embora continue perspicaz e independente, mas de todos eu diria que foi a que menos cresceu. Noah está instável pela inconstância  da linha ley, mas vai se tornando mais corajoso a medida que o livro passa, o que é surpreendente se levarmos em consideração suas atitudes no volume anterior. Já Ronan é ainda mais imersivo em seu próprio mundo, mas se antes ele parecia ter necessidade de guia agora caminha para uma independência quase que sem limites.

Por esses motivos, meu ponto favorito da história é a peculiaridade dos personagens. Eu poderia completar dizendo que não são clichês do gênero, mas com certeza estaria mentindo. A questão porém não é eles o serem, mas o modo como vão para além disto. É uma visão que você tem do livro anterior mas acredito que só pude ter uma visão clara e aperfeiçoada do que foram os personagens de Maggie durante essa obra. Cada um apresentou uma mudança significativa em sua personalidade que o fez se tornar ainda mais palpável, pois quanto mais denso um determinado personagem se constrói, mais força ele toma dentro da narrativa.

Ele podia se lembrar de toda sorte de nomes para ela agora, e todos pareciam mais adequados. Estrada das fadas. Caminho espiritual. Linha de canções. O velho caminho. Linha de dragões. Caminho dos sonhos. O caminho dos corpos.

Dizer que Maggie Stiefvater tem uma maneira única de contar seria um eufemismo. Ao narrar em terceira pessoa por inúmeros personagens diferentes, a autora sequencia os atos de modo encadeado para que estes se tornem quase que um processo químico onde nada se perde, tudo se transforma. Conceitos que foram apresentados são refeitos. Existe uma redução do que parecia ter sido importante e um aumento aos pequenos detalhes que não havíamos dado importância. É fantástico perceber o crescimento da história, muito embora deva ressaltar que esse segundo livro toma muito mais a característica de obra única do que continuação. Isto porque o foco da história teve uma mudança significativa.

Ao iniciar Ladrões de Sonhos você percebe que o primeiro plano de narrativa não está mais na busca por Glendower, mas sim na revelação feita por Ronan no volume anterior. Eu não tinha maiores explicações do porque havia ocorrido essa mudança de foco, de modo que no início fiquei confusa pois tive a sensação que Maggie havia perdido a linha de raciocínio. Contudo, ao perceber a obra como um todo nata-se que tal mudança foi bastante necessária já que apenas através dela o arco de explicações referentes aos acontecimentos desse volume pudessem serem plenamente concluídos e assim não comprometessem o entendimento geral da saga do leitor.

Em uma postagem no tumblrStiefvater comentou sua saga não havia começado com Os Garotos Corvos e Blue Sargent; mas sim com Ladrões de Sonhos, e Ronan Lynch. Dessa maneira Ladrões de Sonhos é anterior ao primeiro volume da série. Pode parecer estranho que Maggie tenha optado por começar sua saga do segundo volume e então retornar ao primeiro, mas vejo como uma ótima criação de fluidez a saga. O que não foi explicado no primeiro livro é feito no segundo, e o que poderia causar estranheza no leitor neste,  já havia sido devidamente explicado no primeiro. Portanto, estamos lidando com uma obra muito mais estruturada em termos narrativos, conectivos e explicativos que apesar de começar e terminar aqui, é fundamental para compreensão de tudo que já aconteceu e tudo que está por vir.

Naquele momento, Blue estava um pouco apaixonada por todos eles. Pela magia deles. Pela busca deles. Pela voracidade e pela estranheza deles. Seus garotos corvos.

Ladrões de Sonhos foi um livro que mudou minha perspectiva sobre A Saga dos Corvos. Maggie Stiefvater conseguiu dar uma continuação e um recomeço maravilhoso de todos os modos que podemos pensar. Apesar da minha confusão inicial, tudo que foi adicionado deixou um gosto de quero mais. Acredito que a partir desse ponto, essa saga tem tudo para se tornar uma das favoritas da vida. Afinal de contas, tenho a impressão que além das diversas surpresas que esse livro vai me trazer, a narrativa e os personagens devem continuar sendo tão espetacularmente peculiares.

A questão sobre Ronan Lynch, Adam havia descoberto, era que ele não gostava de — ou não conseguia — se expressar com palavras. Então cada emoção tinha de ser soletrada de alguma outra maneira. Um punho, um fogo, uma garrafa. (…) e ele precisava extravasar sozinho com seu corpo. Pela janela traseira, Adam viu Ronan pegar uma pedra no acostamento e jogá-la no mato

( Resenha ) O Rei Demônio – Cinda Williams Chima – Livro 01

Minhas caras Corujinhas. Preparem-se para uma aventura inesquecível. Um prenúncio da grande história que esta por vir. Pois era uma vez um ladrão e uma princesa com segredos escondidos e mistérios em seus corações que prometem abalar os alicerses de seu mundo.

O Rei DemonioTítulo: O Rei Demônio
Título original: The Demon King
Serie: Os Sete Reinos – 01
Autora: Cinda Williams Chima
Editora: Suma das Letras
Páginas: 284
Ano: 2014
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: O jovem ladrão reformado Han Alister é capaz de quase qualquer coisa para garantir o sustento da mãe e da irmã, Mari. Ironicamente, a única coisa valiosa que ele possui não pode ser vendida: largos braceletes de prata, marcados com runas, adornam seus pulsos desde que nasceu. São claramente enfeitiçados — cresceram conforme ele crescia, e o rapaz nunca conseguiu tirá-los. Enquanto isso, Raisa ana’Marianna, princesa herdeira de Torres, enfrenta suas próprias batalhas. Ela poderá se casar ao completar 16 anos, mas ela não está muito interessada em trocar essa liberdade por aulas de etiqueta e bailes esnobes. Almeja ser mais que um enfeite, ela aspira ser como Hanalea, a lendária rainha guerreira que matou o Rei Demônio e salvou o mundo. Em O Rei Demônio, primeiro de quatro livros, os Sete Reinos tremerão quando as vidas de Han e Raissa colidirem nesta série emocionante da autora Cinda Williams Chima.

Há mil anos, havia uma poderosa casa de feiticeiros chamada Casa Waterlow. Sua insígnia era um corvo, e o brasão de feiticeiro era uma serpente enroscada.

Sempre quando você lê a sinopse de uma determinada obra, espera no mínimo que o que está escrito aconteça. Por esse motivo, eu não costumo ler sinopses pois volta e meia uma editora erra de modo considerável na descrição do livro gerando euforia que normalmente resulta  em decepção. Por esse motivo, não levem ao pé da letra o que foi descrito sobre O Rei Demônio já que, apesar de não ser completamente diferente, não faz juz a história de Cinda Williams Chima.

Narrado em terceira pessoa, o livro faz sua narrativa quase que exclusivamente por meio de seus dois personagens principais. Se trata de uma alta fantasia ambientada em um ambiente completamente novo e cheio de magia, mistério e disputas por poder. Dona de uma narrativa única, Chima conduz sua obra de modo que o leitor se sinta envolto por uma camada não somente de descoberta mas também de suspense que vem junto à ela. É uma narrativa muito fácil de lidar, que não é nem carregada nem leve de mais funcionando como um meio termo que nos auxilia a construir cada pedacinho da obra. Mas o mais encantador é que Chima tem o cuidado de fazer com que seu livro flua não se perdendo no tempo da narrativa: há uma construção de acontecimentos evolutivos que são caminhos para o culmino da grande reviravolta final.

Havia algo de malévolo, mas fascinante, naquele amuleto. Ele emanava poder como o calor de um fogão num dia de frio.

Mas o mais encantador dentro da narrativa, foi perceber que, apesar de ser um mundo novo e em quase todos os aspectos que podemos pensar, a autora não tratou o leitor como ingênuo que precisava de explicações em favor de tudo que dizia. Não, ela formou pontos de referência de modo a sempre deixar que o leitor fosse o construtor das significâncias do livro. Assim, a obra perdeu uma parte do quê de obviedade que normalmente é impregnado aos primeiros livros de uma determinada série. Na verdade, ela ganhou outra vertente que é a de conectar verdadeiramente o leitor a obra.

Em relação aos personagens principais, posso dizer que ainda não cai de amores por nenhum muito embora tenha lá minhas preferência. Contudo, existe a liberdade da afirmação que ambos foram muito bem trabalhados para ganharem contexto e ir além dele. Tanto Han com Raisa apresentam características unitárias que os levam a si tornarem personagem bem difundidos dentro da literatura fantástica.  Se Cinda não se prende à enrolação na narrativa, com seus personagens ela além saindo do clichê de heróis de personalidade incorrigível. Não estou dizendo que estamos lidando com anti-heróis ou algo do tipo, mas sim que não estamos presos a personagens que tem tanta preocupação com a honra que esquecem do resto. Pois a autora se prontifica a criar pessoas reais, com sonhos e medos reais, capazes de lutar por eles utilizando de todas as armas que têm. É brilhante perceber que Chima não cria mais do que cada personagem pode oferecer, mas que também luta para que eles tenham o máximo de liberdade que na situação em que vivem podem possuir.

– Uma vocação não é algo que você consegue cobrir ou disfarçar, como uma camada de tinta, e trocar sempre que quiser. Se tentar fazer outra coisa, você fracassa.

A única coisa que me incomodou surgiu nas páginas derradeiras que foi a previsibilidade. Eu sei que disse que a obra perdeu a obviedade, mas naquele sentido, seria como um todo do que esperar das ações dos personagens em determinadas situações. Contudo, para o fechamento do livro em si, a autora optou pelo caminho mais fácil que consequentemente retirou parte do arrebatamento que poderia causar caso o final tivesse sido outro.

Apesar do ponto contrário, gostei bastante do livro como um todo que se tornou uma grande descoberta para mim no gênero fantasia. Mas posso ressaltar que não importa de qual gênero estamos falando, Cinda Williams Chima consegue inovar O Rei Demônio através dele com um pouco de tudo: romance, suspense, e bastante ação são apenas indícios do enredo magnífico que se pode esperar.

“O vale reluzia como uma esmeralda incrustada no alto das montanhas – protegido pelo picos que, diziam, eram as habitações das rainhas das terras altas, mortas havia muito tempo. Era aquecido durante todo o ano pelas fontes termais que borbulhavam sob o solo e irrompiam através de fissuras na terra.”

( Resenha ) Predestinadas · As Crônicas das Irmãs Bruxas · Livro 03

Olá feiticeiras Corujinhas. Depois de muitos anos, finalmente as bruxas estão retornando ao poder, mas confiança não é uma opção pois os segredos que elas escondem podem devastar verdadeiramente todo o mundo. Será que estamos preparadas para esta conclusão?

download (2)Título: Predestinadas
Título original:
 Sister’s Fate
Série: As Crônicas das Irmãs Bruxas
Autora: Jessica Spotswood
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2015
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Cate Cahill acabou de ser apagada da memória de Finn, o grande amor de sua vida. A responsável por essa traição foi Maura, uma de suas irmãs, e Cate está certa de que nunca vai conseguir perdoá-la. Enquanto isso, Tess, a caçula, está às voltas com visões cada vez mais assustadoras. Como se não bastasse, a Nova Inglaterra vem sendo tomada por uma febre mortal sem precedentes. Preocupada, Cate quer ajudar a todos, mas é impossível fazer isso sem revelar seus poderes e, assim, aumentar a fúria dos Irmãos da Fraternidade, os implacáveis caçadores de bruxas. Em meio a desavenças com suas aliadas em potencial, Cate terá que se desdobrar para conseguir prestar o auxílio que deseja, proteger Tess e Finn e lutar por uma nova ordem que permita que as bruxas sejam representadas no governo de sua cidade e não precisem mais se esconder. Predestinadas é o desfecho de uma saga permeada de delicadeza, cores, magia e fortes emoções. As irmãs Cahill terão que enfrentar os maiores desafios de sua vida, e o amor que sentem uma pela outra será fundamental nessa jornada.

Nunca achei que existiria em algo em mim, algo pequeno, obscuro e vergonhoso, que ficaria contente em ferir minha própria irmã.

Com o final arrebatador de Amaldiçoadas eu esperava bastante da continuação da série iniciada em Enfeitiçadas. Maura havia se provado a mais egoísta de todas as pessoas, Tess perdeu sua inocência muito embora ainda pareça pequena e assustada e Cate tomou para si uma raiva grotesca que poderia lhe fazer causar danos àqueles que ela sempre tentou proteger. A ideia base para fazer Predestinadas funcionar (uma sociedade machista em todas vertentes que podemos pensar) também estava bem alinhada prometendo criar grandes conflitos. Por esses motivos, apesar de não poder dizer que não foi uma boa conclusão para uma trilogia especial, senti que faltou a maior propagação de quase tudo nas páginas desse livro. Quer dizer, a autora focou tanto em uma parte da obra que pareceu se esquecer da outra acabando por deixar o livro descompassado.

A narrativa de Spotswood continua firme e decidida. Uma coisa muito atraente em sua escrita é o fato que ela não enrola e nem alonga mais do que o necessário em seus cenários sejam eles descritivos, sejam eles emocionais. Eu gosto dessa brandura, acho que ajuda o livro a fluir com mais facilidade mesmo que seja um pouco incomum que os autores utilizem desse artificio. A autora consegue prender o leitor a narrativa de modo que nos permite sentir tudo e ver tudo ao mesmo tempo.

Assim como na narrativa, Jessica tem um trato especial quantos aos personagens. Minha personagem favorita continua sendo Tess com toda sua meiguice, inteligência e força. Apesar de ainda não gostar de Maura, não posso negar que o ceguismo da personagem de sempre querer ser a mais amada e notável das irmãs foi muito bem trabalhado. Cate, que antes tinha medo até da própria sombra passou a ser uma mulher mais forte e mais confiante, não somente pelos dissabores do passado mas também, e talvez principalmente, porque aquilo que ela precisa lutar. Desse modo, Spotswood consegue criar uma evolução ótima para as três personagens sem nunca perder o compasso em favor de uma ou de outra.

Mas o grande charme dos personagens, entretanto, está nos secundários que roubam a cena. Fynn continua um cavalheiro, muito embora pareça ter bem mais atividade na história. Sache e Rory abalam a trama com suas tiradas engraçadas. Mas é Irmã Inez, a maior ameaça dentro da fraternidade, que dá um gostinho a mais na obra. Poucas vezes encontrei uma vilã tão convincente que eu não somente odiei, como entendi suas necessidades. Poderosa e com uma mente brilhante, Irmã Inez demonstra o real significado do ser radical e do desejo de vingança.

O que me incomodou, e bastante, na trama. Foram às coisas terem acontecido rápido de mais em termos de história. Apesar da narrativa fluída de Spotswood, a autora não conseguiu dar a profundidade que o livro precisava em contexto maior que apenas o esperado. Tornou-se previsível pelo fato que o final é pautado pelo caminho que foi mais fácil e não pela tentativa de qualquer inovação.

Apesar do fator negativo, a leitura de As Crônicas das Irmãs Bruxas vale super a pena por todos os ensinamentos que a autora coloca em suas páginas bem como as críticas sociais que ela faz a sociedade machista que vivemos. A grande a justificativa do livro é mostrar que a força vem dos lugares que mais duvidamos onde a união nos matém fortes para lutarmos por tudo aquilo que desejamos e contra todos aqueles que nos oprimirem.