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( Resenha ) A Heroína da Alvorada – Alwyn Hamilton – Livro 03

No terceiro livro da série A Rebelde do Deserto, Alwyn Hamilton presenteia o leitor com o uma obra espetacular que fecha com chave de ouro uma trilogia que ficou marcada como uma das melhores que tive o prazer de ler.

Título: A Heroína da Alvorada | Título Original: Hero At The Fall| Autora: Alwyn Hamilton | Editora: Seguinte | Páginas: 384| Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon
A Heroína da AlvoradaSinopse: No último volume da trilogia A Rebelde do Deserto, Amani vai se deparar com a escolha mais difícil que já teve que fazer: entre si mesma e seu país.
Quando a atiradora Amani Al-Hiza escapou da cidadezinha em que morava, jamais imaginava se envolver numa rebelião, muito menos ter de comandá-la. Depois que o cruel sultão de Miraji capturou as principais lideranças da revolta, a garota se vê obrigada a tomar as rédeas da situação e seguir até Eremot, uma cidade que não existe em nenhum mapa, apenas nas lendas — e onde seus amigos estariam aprisionados.
Armada com sua pistola, sua inteligência e seus poderes, ela vai atravessar as areias impiedosas para concluir essa missão de resgate, acompanhada do que restou da rebelião. Enquanto assiste àqueles que ama perderem a vida para soldados inimigos e criaturas do deserto, Amani se pergunta se pode ser a líder de que precisam ou se está conduzindo todos para a morte certa.

“— Tudo o que sou, entrego a você, e tudo o que tenho é seu. Porque o dia da nossa morte não será amanhã”

Engraçado que, as vezes, quando estamos lendo livros muito bons, temos um momento de epifania em que paramos e pensamos: Caramba, estou lendo algo extraordinário! Se eu disser que essa sensação me aconteceu enquanto eu lia A Heroína da Alvorada, seria um eufemismo.

A narrativa de Alwyn Hamilton é maravilhosa. A autora conseguiu pontuar as diversidades dos personagens, reinventar seu romance e ainda sim não perder o foco da guerra iminente. Entre reviravoltas e romances, Hamilton desenvolve sonhos e esperanças, que estão perdidas ao longe destoadas pelas perdas recentes dos rebeldes. Nunca o lema “Uma nova alvorada, um novo deserto” fez tanto sentido: A alvorada tem que vir para que o deserto se erga novamente nas mãos de Ahmed e enfim o mundo de Amani se torne novo e cheio de possibilidades.

“Éramos todos mais egoístas que Ahmed. Por isso ele nos liderava. E estava certo. Não estávamos na rebelião por nós mesmos. Mas pelo que poderíamos fazer pelo futuro. O resto de nós podia morrer pela causa. Mas Ahmed precisava viver.”

Falando em diversidade, os personagens foram muito bem construídos. Amani evoluiu muito no decorrer das obras, mas nesta adquiriu um brilho especial. Acho que finalmente consegui me apegar a garota, pois senti verdade em suas atitudes. Amani tem medo, mas não abaixa a cabeça. Ela sabe que seus companheiros estão ansiosos por ela, por suas decisões, mesmo que isso possa causar suas mortes. Mas mesmo assim, a cada momento em que é derrotada, Amani se reergue e tenta de novo: segue em frente, por mais difícil que possa parecer.

Os personagens secundários são igualmente cativantes. Shazad ainda é minha favorita, mas diria que Jin e Hala ganharam um espaço no meu coração. O Sultão continua tendo bons motivos, e apesar de toda sua crueldade é impossível não entender suas motivações. Ahmed, continua como um idealizador, mas agora uma nova faceta é revelada. A humanidade que está presente em cada suspiro, em cada decisão que precisa tomar.

“Era uma vez um garoto do mar que se apaixonou por uma garota do deserto.”

Mas o meu ponto favorito na trama foi a mitologia criada por Hamilton, tão bem elaborada que acredito que nunca mais vou ver o céu da mesma maneira. Os deuses, a magia e tudo que envolve a criação do mundo foram muito bem pensados. Alwyn não reduz seu mundo a fatos isolados, mas usa dos seus próprios recursos para engrandecer sua obra. A finalização é arrebatadora. Hamilton não somente apresente uma conclusão como o que acontece depois no bom estilo historiadora. O último capítulo deixa o sentimento de esperança que acalenta apesar de todo acontecido.

A Heroína da Alvorada é uma obra fantástica. Um finalização épica para uma trilogia que evoluiu a cada livro. E sempre que observar as estrelas irei pensar: Uma Nova Alvorada, Um Novo Deserto. 

 

 

 

( Resenha ) O Destino de Tearling – Erika Johansen – Livro 03

O último de Erika Johansen me trouxe sentimentos dúbios. Engraçado pensar que nem sempre as séries nota máxima são as que nos marcam. Pois muito embora a finalização da série iniciada em A Rainha de Tearling não tenha sido como eu esperava, sua história foi marcante pelas certezas sobre o futuro que Johansen apresentou.

Título: O Destino de Tearling| Título Original: The Fate of the Tearling| Autora: Erika Johansen| Editora: Plataforma 21 | Páginas: 360| Ano: 2018| Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir (3).jpgSinopse: Desde que assumiu o trono de Tearling, Kelsea Glynn passou de princesa inexperiente a rainha destemida. Sua busca por justiça fez com que todo o reino mudasse com ela, mas quando os inimigos que fez ao longo do caminho ameaçam destruir seu povo, ela toma uma decisão inimaginável: se rende à Rainha Vermelha em troca de salvar Tearling. Sem as safiras, sem seus homens de confiança e trancafiada em Mortmesne, Kelsea precisa de novo recorrer ao passado, às experiências de mulheres que viveram antes dela, buscando em suas histórias a saída para uma situação impossível. O jogo está para terminar, e o futuro de Tearling será revelado de uma vez por todas. Com O Destino de Tearling, Erika Johansen traça o clímax inesquecível dessa aventura cheia de magia e emoção.

“Andava por Tear havia mais de trezentos anos e às vezes sentia que não era um homem, só uma coleção de fases, vários homens diferentes com suas próprias vidas.”

Erika Johansen tem uma narrativa extensa e bastante significativa. Muito embora em O Destino de Tearling o desenvolvimento tenha sido mais lento e mais divagador que os outros livros, a história alcançou um teto brilhante que se equilibra entre as indagações dos múltiplos narradores e o jogo político que os cerca. Mas, ironicamente, o maior problema da autora foi o enredo que mesmo sendo construído à perfeição, em seus últimos momentos parece ter sido concluído em um infarto fulminante.

Embora esse final funcione para algumas pessoas, a conclusão da trilogia para mim acabou ficando aberta de mais, mesmo que – ironicamente – não houvesse quaisquer possibilidades de maiores explicações. Entretanto, não pude deixar de notar que a autora deixou o instigante para optar por uma saída fácil permitida pelo contexto narrativo de um modo geral, mas que se perde quando focamos nas particularidades. As respostas que eu esperei não vieram, o que me deixou frustada já que as esperei no decorrer da trilogia.

“Não haveria mais magia, não mais; a realidade era aquela carroça poeirenta, deslizando inexoravelmente para a frente levando-a para longe de casa.”

Partindo dessa análise, você pode se perguntar: Mas Jessica, porque mesmo assim esse livro (a série) valeu a pena?

Bom, a resposta parece concentrada na “obra secundária” concentrada dentro do enredo principal. Na resenha de A Invasão de Tearling, eu fiz um um longo comentário sobre o mundo pré-Kelsea e as implicações dele, que foram minhas partes favoritas na trama. Nesse último volume, Erika dá continuidade ao que aconteceu após a Travessia mas dessa vez expondo os motivos que quebraram o Tearling. Neste ponto, a autora nos presenteia com um texto impecável que denota porque uma sociedade recomeçada do zero nunca conseguiria alcançar a utopia imaginada por William Tear. Algo que se aplicaria à nossa sociedade que parece acreditar que podemos começar de novo sem corrigir os erros do passado, o que seria impossível. 

Embora seja um comentário duro, o fato é que a sociedade possuí uma grande ilusão sobre o significado de política. O sonho utópico é quase uma constante entre os seres humanos que veem o sitema como uma saída para os desastres. Isto é natural devido não somente ao discurso político como ao religioso, pelos quais somos levados a acreditar que se apenas os justos vivessem e governassem sobre o planeta, teríamos uma sociedade igualitária. E apesar de entender o significado dessa questão e concordar com ela, claramente temos um problema na prática pois devemos presumir que uma sociedade não pode começar do zero e dar certo, já os vícios que acompanham os homens não serão esquecidos. Assim sendo, Johansen traça uma linha excepcional ressaltando a necessidade da cura antes da criação do novo mundo. Não somos nós capazes de decidir quem é merecedor de estar ou não em uma sociedade justa, mas sim a própria evolução da sociedade que deve alçar seus habitantes aos conhecimentos que evocam justiça e igualdade.

“O erro da utopia é presumir que tudo vai ser perfeito. A perfeição pode ser a definição, mas nós somos humanos, e mesmo para a utopia levamos nossas dores, erros, invejas e desgostos.”

Outro ponto que merece destaque são os personagens que conseguiram se tornar algo a mais na trama e carregaram bons significados para o enredo. De certa forma, não parece existir apenas um protagonista na trama, mas variados que erguem uma boa parede de personalidades que juntas erguem os pilares do livro.

O Destino de Tearling  é uma obra com defeitos, mas que cumpre seu papel em finalizar a trilogia. Eu indico essa série para momentos que vocês desejarem refletir, pois muito embora a fantasia faça parte da obra, é apenas um meio para um fim, não a construção  totalitária do enredo.

( Resenha ) Garotas de Neve e Vidro – Melissa Bashardoust

Engraçado como mesmo inicialmente não gostando de determinado gêneros, acaba gostando de algumas obras o que te leva a ir atrás de outras. Depois da leitura de As Crônicas Lunares, fiquei ansiosa para ler outras releituras que trouxessem um manifesto diferente dos clássicos infantis. Nesse interim conheci a obra Garotas de Neve e Vidro através do canal Geek Freak e me interessei pela leitura. E sinceramente, foi uma das melhores obras que li nesse começo de ano sendo um manifesto não só pelo feminismo, mas pelo amor fraternal ameaçado.

Título: Garotas de Neve e Vidro | Título Original: Girls Made of Snow and Glass | Autora: Melissa Bashardoust| Editora: Plataforma 21 | Páginas: 424 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

Garotas de Neve e VidroSinopse: Mina é filha de um mago cruel e sua mãe está morta. Aos dezesseis anos, seu coração nunca bateu apaixonado por ninguém – na verdade, ele jamais bateu de forma alguma, e Mina sempre achou esse silêncio normal. Ela nunca suspeitou que o pai arrancara seu coração e, no lugar, colocara um coração de vidro. Então, quando Mina chega ao castelo de Primavera Branca e vê o rei pela primeira vez, ela cria um plano: ganhar o coração dele, tornar-se rainha e finalmente conhecer o amor. A única desvantagem desse plano, ao que tudo indica, é que ela se tornará madrasta. Lynet tem quinze anos e é a imagem de sua falecida mãe. Um dia, ela descobre a verdadeira razão disso: a partir da neve, um mago a criou à semelhança da rainha morta.
Mas, apesar de ser a projeção visual perfeita da falecida rainha, Lynet preferiria ser forte e majestosa como sua madrasta, Mina. E Lynet realiza seu desejo quando o pai a torna rainha dos territórios do sul, tomando assim o lugar de Mina. A madrasta, então, começa a olhar para a enteada com algo que se assemelha ao ódio, e Lynet precisa decidir o que fazer – e quem quer ser – para ter de volta a única mãe que de fato conheceu… ou simplesmente vencer Mina de uma vez por todas. Garotas de Neve e Vidro traça a relação de duas mulheres fadadas a serem rivais desde o princípio – a não ser que redescubram a si mesmas e deem novo significado à história que lhes foi imposta.

Melissa Bashardoust possuí uma escrita fascinante. Muito embora esteja lidando com universo pautado em um conto enraizado nos primórdios da sociedade-contemporânea (Quem não conhece a Branca de Neve?), a autora influi para construir algo inteiramente novo em termos simbólicos e conceituais. O enredo transcende do irreal ao real criando um misto de emoções verdadeiras e palpáveis. Melissa não parece disposta a apenas narrar uma porção de acontecimentos que levam seus personagens a chegarem em determinado lugar, mas sim a refletir sobre assuntos diversos que recriam a vida e o tempo, que muito embora sejam a parte do nosso, refletem nosso medos, anseios e sonhos.

Suas personagens são exemplos de tal determinância. Lynet, a protagonista secundária da obra (Mina certamente é a moral), tem uma espécie de relutância em aceitar aquilo que lhe impõem. O que me fez gostar imediatamente da personagem, pois sua força é bem estruturada na maneira com o qual foi criada envolta de uma psicologia reversa: treinada para ser uma perfeita dama da sociedade, Lynet quer algo mais que se tornar uma garota de porcelana, deixando para trás as semelhanças com a mãe (antiga rainha) a fim de criar algo maior para si. Além disso, Lynet não faz o clássico garota badass que termina sendo arrogante e não poderosa. Mas a personagem cresce e muito durante a trama por saber ouvir o que aqueles ao seu redor têm a lhe dizer.

Mina, por outro lado, foi uma personagem mais desenvolvida ao seu emocional. O modo como a rainha estabelece relações com os outros personagens cresceu de modo gradativo e doloroso. Mina deseja proximidade, sobretudo amor. Entretanto, mas não consegue pelos abusos mentais mentais e verdades “absolutas” dados pelo pai: Mina tem um coração de vidro, é incapaz de amar de alguém. Dessa forma, tudo que Mina deseja é que vejam sua beleza e a amem por ela, sem nunca mostrar seu verdadeiro já que não consegue suportar a ideia de lhe odiarem. Dessa forma, a construção da personagem vai para além do que conhecemos sobre um vilão, se é que podemos classificar a madrasta nesse ponto. Mina se torna muito mais aprofundada que um esteriótipo, de modo a aprender a ter confiança em si mesma e fugir das ideias arcaicas do seu passado.

“Estava ciente demais que era um espelho que a amava, e espelhos viam apenas a superfície.” 

Minha ressalva a obra foi a inconstância da narrativa que a deixou pesada. Li poucas páginas com a impressão que estava lendo muitas. Isso se deve a carga dramática que muitas vezes se tornou excessiva na trama, passando um aspecto incongruente com a proposta.

Ademais, Garotas de Neve e Vidro está entre as melhores obras que li neste ano. A autora toca em temas importantes, mas principalmente quebra a rivalidade feminina que já não deveria existir entre nós. Se você ainda não sabe o que é sororidade – palavra tão marcante em nosso contexto atual, essa obra é um perfeito conceito disto. 

( Resenha ) A Invasão de Tearling – Érica Johansen – Livro Dois

O segundo livro da trilogia escrita por Érica Johansen atingiu um novo patamar deixando a promessa de uma grande finalização. A história evoluiu para nos deixar com água na boca e promover uma leitura inesquecível de uma série que pode entrar para as melhores que já li.

Esta resenha não terá spoiler.
Para garantir isto pule a sinopse.

Título:  A Invasão de Tearling | Título Original: The Invasion of the Tearling| Autora: Érica Johansen | Editora: Suma| Páginas:  400 | Ano:  2017|  Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ❤️ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir (1).jpgSinopse: Kelsea Glynn é a rainha de Tearling. Apesar de ter apenas dezenove anos e nenhuma experiência no trono, Kelsea ficou rapidamente conhecida como uma monarca justa e corajosa. No entanto, o poder é uma faca de dois gumes. Ao interromper o comércio de escravos com o reino vizinho e tentar conseguir justiça para seu povo, ela enfurece a Rainha Vermelha, uma feiticeira poderosa com um exército imbatível. Agora, à beira de ver o Tearling invadido pelas tropas inimigas, Kelsea precisa recorrer ao passado, aos tempos de antes da Travessia, para encontrar respostas que podem dar ao seu povo uma chance de sobrevivência. Mas seu tempo está acabando… Nesta continuação de A rainha de Tearling, a incrível heroína construída por Erika Johansen volta para outra aventura cheia de magia e reviravoltas.

“Eu acho que esse é o ponto crítico do mal neste mundo, Majestade; os que se sentem no direito de fazer o que quiserem, de ter o que quiserem. Pessoas assim nunca se perguntam se têm direito. Não consideram o custo para ninguém além de si mesmas.”

A narrativa de Érika Johansen é peculiar. Somos trajados por uma escrita diferenciada, cadenciada e com descrições que fundamentam e parafraseiam a trama. Mesmo se tratando de uma fantasia com uma personagem adolescente, seu texto envolve pouca ação e quase nenhum romance, onde a política se sobressai. Parece algo que George R. R. Martin teria escrito, com o diferencial que Johansen tem os pés fixados em nosso mundo – e não na alta-fantasia -, para recriar a realidade que conhecemos para torná-la algo mais.

Mas muito embora a política de Tearling seja um dos grandes focos da trama, esse livro em questão trata bem mais do passado do que da atualidade. A Invasão de Tearling vai ser pautada dentro dos episódios que levaram à construção do país e, consequentemente ao seu declínio. Assim sendo, Johansen traz explicações sobre A Travessia, fato muito falado mas pouco explicado no livro anterior, mas aonde estão alocados os princípios para a fundação da sociedade utópica idealizada por William Tear que se tornou “do passado”, distópica e tão mais próxima do que o futuro nos reserva hoje.

“Nós sempre pensamos que sabemos o que coragem quer dizer. Se eu fosse escolhido, nós dizemos, eu atenderia ao chamado. Eu não hesitaria. Até o momento que chega nossa vez, e aí percebemos que as exigências de verdadeira coragem são bem diferentes do que tínhamos imaginado, muito tempo antes, naquela manhã clara em que nos sentimos corajosos.”

O livro recomeça alguns dias depois de onde A Rainha de Tearling foi finalizado. Kelsea Glynn está lidando com as consequências de suas escolhas. É bom ressaltar que Johansen não cria uma princesa irreal, que não entende os problemas de suas ações ou que os descobre depois de ser tarde de mais. Mas sim uma personagem sábia, criada para ser rainha que coloca seu povo em primeiro lugar. Por esse motivo, diria que Kelsea é uma das minhas personagens favoritas. Sua presença e sua força são verdadeiras, e suas ideias políticas poderiam realmente dar certo.

Mas como havia aludido anteriormente, o livro tem um foco maior nos acontecimentos pré-Tearling. Na primeira obra existem algumas menções à fatos do nosso presente que haviam causado estranhamento. Como uma sociedade medieval poderia ter acesso aos livros de J. K. Rowling? A única explicação seria ser uma sociedade póstuma. De modo que a pergunta mudou para: como a nossa sociedade moderna mudou para uma sociedade medieval?

Assim, com a prerrogativa de Kelsea precisar entender o antes para enfim conquistar um futuro glorioso, somos apresentados à visões do passado pelos olhos de Lily. Foi doloroso acompanhar a história e adianto a vocês que conteúdos pesados – cenas de violência e estupro – surgiram na trama.

O mundo futurístico manifesta-se como um aprofundamento da sociedade patriarcal. Os homens literalmente dominaram o mundo através dos preceitos religiosos tornando-se donos da mulheres. Lily é casada e tem grande estabilidade econômica. Entretanto, tem que suportar as ameaças veladas do marido que ter os filhos que Lily não deseja. Tudo mundo quando ela descobre um movimento, idealizado por William Tear em busca de um horizonte melhor.

Dessa forma, entre presente e passado Joahansen insere um belo paradoxo que envolve as ações de ambas as mulheres: será que o futuro glorioso, quando liderado por alguém de visão, pode ser seguro?

“O sucesso de uma grande migração humana depende do encaixe de muitas peças individuais. Deve haver descontentamento comum status quo desagradável, talvez até intolerável. Deve haver idealismo para motivar o movimento, uma crença poderosa em uma vida melhor além do horizonte. Deve haver grande coragem diante de probabilidades terríveis. Mas, mais do que tudo, toda migração precisa de um líder, a figura indispensável e carismática que até homens e mulheres apavorados vão seguir sem pestanejar em direção ao abismo.”

A Invasão de Tearling é uma obra surpreendente, cheia de política e desafios. Eu não somente indico o livro para os fãs do gênero, como digo que para todos aqueles que precisam de um vislumbre de para onde a sociedade atual está nos levando, esta obra é um horizonte assustador.

( RESENHA ) Sete Pinturas: A Lenda do Fim do Mundo – Landulfo Almeida

Conheci o livro Sete Pinturas: A Lenda do Fim do Mundo no final do ano passado. Como sempre, ignorei a sinopse e olhei diretamente para a capa procurando algo que me chamasse atenção. Pelo título, poderia jurar que se tratava de um livro de romance. Dessa forma, para meu total espanto, quando pus os olhos na imagem de divulgação havia um homem armado, despertando o desejo de entender os aspectos visuais que invocam a obra. E posso dizer que, mesmo tendo demorado mais que o previsto para realizar leitura do livro, valeu a pena cada minuto que passei na Floresta Amazônica.

Título: Sete Pinturas: A Lenda do Fim do Mundo  | Autor: Landulfo Almeida | Publicação independente | Páginas: 408| Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤| Encontre: Skoob | Amazon

51A-bR7vaYLSinopse: Em um passado distante, estranhas pinturas rupestres são encontradas em uma caverna oculta no coração da Amazônia. Considerado sagrado pelos índios, o local está associado a uma lenda ancestral e a uma descoberta fantástica. Ao longo dos anos o segredo é mantido por uma única família e confere a ela grande poder e fortuna. Nos dias atuais, apenas dois homens, Raphael Roman Dummas e Marcos Cleanfield, têm completo conhecimento sobre a verdadeira natureza da descoberta e ambos têm interpretações diferentes sobre a lenda e suas ramificações. A morte, sem explicação científica, de milhares de pássaros e uma tentativa de assassinato alteram o equilíbrio pacífico de forças sustentado até então por Raphael e Marcos.  Dois amigos, Daniel e Érica, criados em um orfanato como irmãos, sem perceber são catapultados ao epicentro do conflito e se verão cada vez mais embrenhados em uma rede de intrigas e espionagem.  Uma mulher misteriosa, dotada de habilidades incomuns, um inimigo desconhecido, atentados, estranhos eventos naturais, paixões e morte farão com que alianças sejam criadas e destruídas. Dilemas éticos e morais, e a dificuldade de definir onde está a verdade permeiam a história e cada decisão de seus personagens. Na floresta amazônica, durante um confronto repleto de ação, uma revelação aterradora transformará a luta entre Raphael e Marcos em uma batalha pela salvação da humanidade.

Posso contar nos dedos quantos livros nacionais realmente me trouxeram leituras impactantes. Muitas dessas obras, são escondidas sob o véu do anonimato. Ou seja, os autores publicam-se de forma independente, e não importa quanto talento possuam, as editoras deixam que o dinheiro fale mais alto. Não cabe a mim julgar, mas posso dizer que Landulfo Almeida é a prova que muitas vezes talento está escondido atrás dos holofotes, ao invés de à frente deles. O autor é dono de uma escrita poderosa, relevante que criam um misto de surpresas incapazes de deixar o leitor desatento às suas páginas. Sete Pinturas é uma pérola da escrita nacional, calcada para ser inesquecível por aqueles que se deixarem ir além das obras mais famosas.

Sete Pinturas é narrado em terceira pessoa e sempre tive um afinco maior com obras das quais os autores prezam por detalhar imagens, sentimentos e consequentemente situações. Landulfo tem uma escrita detalhista, um tanto rebuscada, mas fluida que ajudam e muito na criação do cenário. Mas principalmente, preenchem as lacunas necessárias a construção do enredo, que por sua vez é muito bem intrincado. Inicialmente, parece que nada faz sentido, até que sucessivamente as peças se encaixam para surpreender o leitor  seguindo um caminho longe do esperado.

Mas o ponto alto da obra, foram os personagens e os dilemas morais compatíveis ao da sociedade atual. Os personagens são palpáveis, cheios de dualidade. Não podemos em ambos, Raphael e Marcos separadamente, mas sim nos dois juntos como parte de um todo. Ambos são carismáticos a ponto de envolverem o leitor em um jogo de mocinho e vilão. Poucas vezes, falando da literatura como um todo, vi personagens tão bem elaborados. E muito embora não sejam apenas eles os donos da trama, para mim. todo brilho e louros da obra são direcionados as suas aparições.

Sete Pinturas: A Lenda do Fim do Mundo é uma obra sensacional dotada de peculiaridades que deixaram o leitor de queixo caído. Eu recomendo bastante essa obra, não somente pelo suspense, mas por toda a brasilidade que ele apresenta.

 

( Resenha ) A Rainha de Tearling – Érika Johansen – Livro Um.

Eu conheci A Rainha de Tearling através do Bookstagram. Muito embora não estivesse nas minhas considerações para este mês ou mesmo este ano, em uma leitora conjunta com a Keth (Parabatai Books), acabei pegando o livro e fiquei surpresa com a quantidade de história que existe sobre as páginas de Érika Johansen.

Título: A Rainha de Tearling | Título Original: The Queen Of Teaeling| Autora: Érica Johansen | Editora: Novo Conceito | Páginas: 352 | Ano: 2017 | Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️| Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

transferir.pngSinopse: Quando a rainha Elyssa morre, a princesa Kelsea é levada para um esconderijo, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar. Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta. Mesmo sendo a rainha de direito e estando de posse da safira Tear – uma joia de imenso poder –, Kelsea nunca se sentiu mais insegura e despreparada para governar. Em seu desespero para conseguir justiça para um povo oprimido há décadas, ela desperta a fúria da Rainha Vermelha, uma poderosa feiticeira que comanda o reino vizinho, Mortmesne. Mas Kelsea é determinada e se torna cada dia mais experiente em navegar as políticas perigosas da corte. Sua jornada para salvar o reino e se tornar a rainha que deseja ser está apenas começando. Muitos mistérios, intrigas e batalhas virão antes que seu governo se torne uma lenda… ou uma tragédia.

Sempre que leio livros de fantasia ou distopia, que envolvem a criação de novos mundos seja desde o princípio seja com base na nossa sociedade atual, um dos pontos que mais me atraem é a história pré-narrativa: a história do antes que gera um agora e então um depois. À exemplo, temos pré-histórias sensacionais como em Divergente, Jogos Vorazes e A Maldição do Vencedor. Assim sendo, vocês devem imaginar minha grande felicidade ao perceber que a história de Érika Johansen envolve tanto do passado quanto do presente, para criar uma expectativa real do que se pode esperar no futuro.

A narrativa de Johansen prende do começo ao fim. Muito embora seja mais lenta, isso se deve ao fato de que a autora busca quase que constantemente dar ao leitor as bases de seu novo mundo, o que torna tudo mais fácil de ser compreendido quando chega o momento. Deve-se ressaltar que o mundo ao qual Kelsea vive é pós o nosso, muito embora percebamos uma grande regressão no que diz respeito à conhecimento e tecnologia. Eu mesma demorei a entender isso, e sem a densidade da narrativa, suponho que não teria compreendido.

Além disso, é admirável o trato que Johansen dá aos seus personagens em um sentido totalitário da história. Ninguém é cem por cento bom ou ruim, e até mesmo o poder é bem colocado entre a rainha de Tearling e quem a cerca. Essa estrutura narrativa me lembra George R. R. Martin e A Guerra dos Tronos, pois tanto Johansen quanto Martin contam a história de um reino e não de um personagem, muito embora para Tearling tenha um número reduzido de personagens em comparação.

Entretanto, o maior crédito da obra está na personagem principal e sua construção. Kelsea não é forte à princípio apesar de sua busca para ser amada pelo povo e assim se tornar digna de usar a coroa Tear muito alem do sangue. É uma personagem forte, intrigante e que trilha um grande caminho para conquista da anti-estima. E talvez isso tenha sido um grande marco na obra. A fixação que Kelsea tem com beleza que a torna diferente das protagonistas lindas e maravilhosas existem aos montes.

A Rainha de Tearling é um começo excepcional para uma trilogia que caminha para se tornar inesquecível. Um livro forte que trás ensinamentos sobre poder, mas principalmente sobre a coragem que devemos ter para alcançar aquilo que acreditamos.

( Resenha ) O Trono Lobo Gris – Cinda Williams Chima – Livro 03

O terceiro livro da série iniciada em O Rei Demônio acabou sendo uma grande decepção. Não seria uma eufemismo dizer que tudo poderia ser resumido em dois capítulos e estou estarrecida com a maneira com o qual Cinda Williams Chima deu continuidade à brilhante história que tinha em mãos.

Título:  A Coroa Escarlate | Título Original: | Autora:  Cinda Williams Chima | Editora:  Suma | Páginas: 256 | Ano: 2016 | Avaliação: ⭐ ⭐  | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

images440867043.jpegSinopse: Han Alister pensou que já havia perdido todas as pessoas que amava, mas, ao encontrar Rebecca Morley à beira da morte nas Montanhas Espirituais, percebe que nada é mais importante do que salvá-la. O preço que paga por isso é alto, e nada poderia preparar Han para o que descobre em seguida: a garota que ele conhece pelo nome de Rebecca é, na verdade, Raisa ana’Marianna, a princesa-herdeira de Fells. Magoado e se sentindo traído, Han tem certeza de que não há futuro para ele ao lado da herdeira do trono. Além do mais, ainda nutre ódio pela família real, que permitiu que sua mãe e irmã fossem assassinadas. Enquanto isso, forças parecem se unir para impedir que Raisa suba ao trono. A cada atentado contra sua vida, ela se pergunta quanto tempo terá até que seus inimigos vençam. Com ameaças surgindo de todos os lados, Raisa só pode contar com sua inteligência e força de vontade para sobreviver – e mesmo isso pode não ser o bastante quando a força do destino é cruel e inevitável.

A narrativa de Chima é bastante curiosa. Muito embora eu não tenha gostado da maneira com o qual a evolução dessa obra se deu, ainda sim gostei bastante da escrita da autora. Em realidade, foi uma das poucas coisas que me fizeram ativas durante a leitura. A necessidade de ter sempre mais da obra colocada em prática, o que claro deixa tudo mais fácil de ser digerido.

E ironicamente, esse foi um dos meus maiores problemas com a obra. Essa sensação de necessidade costuma levar à um apice da leitura. Quando esse apice não chega, vem uma frustração e o sentimento da obra não ter sido frutífera ou algo que valesse à pena de ser. E muito embora A Coroa Escarlate tenha seus méritos, essa espera  que nunca acontece aliada o final adrupto dá a sensação de que tudo poderia ser resumido em alguns poucos capítulos.

Mais da metade do livro se passa para que Han encontre Raisa e os dois possam retornar à Fells. Como se em um círculo vicioso, voltamos ao livro dois os eventos parecem se repetir. Nesse meio tempo, acredito que a autora poderia ter expandido seu círculo narrativo pois tudo ficou bastante reduzido sem nada de relevante acontecendo. Sabe aquela cena do Dr. Doolittle quando o cachorro diz: faixa-faixa-faixa-faixa? Basicamente aqui nós temos um dejavu: floresta-cavalo-floresta-cavalo.

Quando finalmente nós conseguimos sair do círculo, a Chima conseguiu destruir meu respeito pelo seu melhor personagem. A atitude foi tão hipócrita que não consigo mensurar. Imaginem vocês que existe algo que vocês escondem pois poderia ser perigoso para os outros se eles soubessem. Quando você encontra alguém na mesma situação, o certo seria dar apoio e não julgar. E é exatamente isso o que o personagem faz fazendo-me criar um ranço tão grande que seria capaz de matá-lo.

Mas para não dizer que A Coroa Escarlate foi uma leitura perdida, o vislumbre do jogo pelo trono que está por vir no último volume deixou-me ansiosa para a continuação. Eu só espero que Chima tenha muito mais à apresentar que florestas e cavalos.

 

( Resenha ) Arquidata: A Dama da Espada e O Segredo do Medalhão – Raquel Cassiano – Livro Um.

Quando surgiu a oportunidade de ler o livro de Raquel Cassiano, a sinopse prontamente me agradou, e muito embora alguns pontos não tenham me agradado tanto, foi uma leitura excepcional de uma série que promete ficar cada vez melhor.

Título: Arquidata – A Dama da Espada e O Segredo do Medalhão | Autora: Raquel Cassiano | Editora: Chiado Books| Páginas: 333 | Ano: 2018 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Skoob | Saraiva 

AF_ArquidataSinopse: A jovem, pode-se dizer, não teve muita sorte na vida….Ainda criança, foi encontrada no mar sem nenhuma lembrança de quem era, de onde vinha ou de como chegara até ali. O nome que, supostamente era seu, estava num lenço encontrado em suas roupas, do qual ela nada sabia. Acabou sendo deixada em Aura, uma cidade pequena, mas muito inquieta. Enviada ao orfanato local, a menina sem memória tem de se adaptar as condições quase sub-humanas de sua nova vida atendendo aos desmandos da Senhora Oliver, a dona do lugar. Uma mulher que apesar do nome doce, era tão amarga quanto fel. Ranzinza, rude e mesquinha ela dedicava seus dias a fazer da vida dos internos um inferno. Gaia, como árvore no deserto, sobrevive ao descaso e amargura da velha senhora. Seu prêmio? Trabalhar, como criada, na escola de  Vale Verde, a única da cidade. Lá, mais uma vez, ela se depara com humilhações e maus tratos, até que conhece Meredith Walorne, uma professora destemida e misteriosa que fará sua vida pacata e sem expectativas tomar um rumo inesperado.

A narrativa de Raquel Cassiano é sem dúvidas o ponto mais forte desse livro. Fluída e ao mesmo tempo madura, Arquidata – A Dama da Espada e O Segredo do Medalhão se torna aquele livro que você lê em uma sentada. Narrado em terceira pessoa, o livro nada em situações que nos levam a refletir sobre diversos assuntos necessários ao círculo mundial,  além de nos imergir em uma aventura sobre coragem e amizade. É certo que eu esperava dizer uma maior exploração na ambientação do livro, mas ainda sim o espaço da narrativa é bem utilizado para criar uma boa dinâmica entre os dois.

Por falar em assuntos necessários, Cassiano tem um foco muito interessante no trabalho infantil e nas condições que este é realizado. Foi um ponto importante para a construção do enredo, principalmente no que se refere aos personagens e suas personalidades dando-nos visão do significado futuro de suas atitudes.

Apesar disso, não posso dizer que gostei dos personagens a ponto de me apegar à algum deles. Mas acredito que seja em virtude do meu olhar pessoal do que realmente para com obra. Gaia, por exemplo, foi um contraponto. Alguns autores costuma imprimir uma personalidade mais forte para crianças, e mesmo que seja parte do enredo, isso costuma dar uma certa “adultificação” ao personagem que particularmente não gosto. Algo que se perpetuou mesmo com enquanto Gaia ficava mais velha.

O arco narrativo do livro se desenvolve em certas fases, que acompanham Gaia desde sua chegada na cidade. Embora a primeira fase seja um tanto lenta, a segunda atinge o ápice do livro finalmente apresentando as questões que nos levam a leitura. Apesar disso, achei o final um tanto adrupto. Como se faltasse respostas. Mas isso deve-se ao fato de ser o primeiro livro de uma série.

Arquidata – A Dama da Espada e O Segredo do Medalhão é uma obra interessante de uma série que deve alcançar boas proporções. Para todos aqueles que amam fantasia é um livro maravilhoso e para quem começar  o gênero.

( Resenha ) Angústia Na Cidade do Caos: Crônicas de uma era indecente — Lennon Lima.

Oi Corujinhas. Há um mês recebi um pequeno presente adiantado de natal, por assim dizer. Fui convidada pelo autor Lennon Lima à ler seu livro, e muito embora não estivesse esperando nada para a obra, o livro foi surpreendente de maneira que jamais poderia esperar.

E também, assim que possível, avaliar o livro no Skoob e GoodRead, caso tenha perfil:

Título: Angústia Na Cidade do Caos: Crônicas de Uma Era Indecente | Autor: Lennon Lima | Editora: Multifoco | Ano: 2018 | Páginas: 348 | Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️❤️  | Encontre: Goodreads | Skoob |Multifoco

Sinopse: “Jamais esqueceria o riacho de sangue que se formava.” E a Angústia veio a cair na Cidade do Caos. Revestida de carne humana e trajes civis. A carne, caucasiana. Os trajes, masculinos. O semblante? Banal. Estirada no capinal costeiro a um cemitério clandestino, é descoberta pelo coveiro de uma comunidade miserável assolada pelo poder paralelo. Ferida, mas não ensanguentada. Confusa, mas sã. Preocupada, mas determinada. Sem recursos, sem identidade, sem passado. Acolhida na casa do jardim de cadáveres, inicia busca para desvendar os mistérios que envolvem o seu passado e a causa de se encontrar em ambiente tão árido – e perverso. Conforme testemunha fenômenos perturbadores ao interagir com os habitantes da favela, descobre-se em uma jornada que excede os limites do consenso de realidade, que desafiará a sua aptidão de permanecer imune aos silvos ardilosos da loucura.

Existem certos livros que você não começa com muitas expectativas de ser surpreendido ou mesmo arrebatado. Ironicamente, esses livros por quem você não nutria esperanças são justamente os que se transformam nas suas melhores leituras. Isto porque somos abraçados por um ar de mistério em que a cada página só nos deixa sedento por mais. Angústia Na Cidade Do Caos é um desses livros. 

A escrita de Lennon Lima é um tipo de droga viciante. Muito embora eu tenha demorado para finalizar essa obra, isso se deve bem mais à minha vida universitária do que a qualquer lentidão promovida pelo autor. Na verdade, por ser um escritor recente, admito que não esperava encontrar uma escrita repleta de maturidade. Em meio à tantos conflitos (é bem acertado o título do livro), o Lima promove reflexões acerca de si mesmo não apenas de seu protagonista como também ao leitor. Será que nós também não ignoramos nossa própria existência ao mesmo tempo que fingimos não nos importar com o futuro? Eis a questão.

Dessa maneira, a história corre em uma velocidade de compassada que denota um certo dinamismo atípico. O protagonista é a peça central da metade de um enredo, onde este vai muito além de uma pessoa, sendo construído sobre passagens que poderiam ser muito bem reais, criados para causar frisson no leitor. E muito embora o autor deixe claro que se trata de uma obra de ficção, não pude deixar de pensar em como a realidade caótica do nosso mundo é exposta nessas páginas. Os personagens são movidos por desejos pessoais, principalmente ambição e egocentrismo. Como não enxegar neles o mal que tanto aflinge nossa humanidade? São questões muito bem trabalhadas por Lennon, que parece não tentar expô-las num ato de brilhantismo; mas que surgem naturalmente à medida que seu protagonista e seus diversos personagens se emaranham à trama.

A chave de ouro, contudo, está no brasileirismo do livro. Toda vez que leio uma obra de um autor brasileiro, costumo reclamar de certas apropriações culturais de outros países. Dessa forma, imaginem a minha alegria o pegar um livro brasileiro que tem um cenário bem nosso e uma linguagem ainda mais nossa? Foi incrível me deparar com tanta cultura, tanta vida tão próxima de mim nessas páginas.

Eu gostaria de falar mais sobre os personagens, mas acredito que isso deva ficar para o livro dois (é uma trilogia “VIVAS”). Afinal não quero estragar para vocês o que considero ser um dos pontos mais importantes: a diversificação dos personagens e suas múltiplas facetas em si mesmos. 

Angústia Na Cidade Do Caos: Crônicas de Uma Era Indecente é uma obra surpreendente que vai te deixar no limite das suas próprias resoluções. Não poderia ter finalizado as resenhas de 2018 de uma maneira melhor. Uma obra sensacional que nos mostra como somos efêmeros às nossas próprias convicções.

(Resenha) Jornada Para Além das Fronteiras – Raphael Freaman – Livro 01

Oi Corujinhas. Finalmente este ser humano que vos fala finalizou o primeiro livro da série Krystallo, apesar de todos os empecilhos da minha vida pessoal, mas como nada de ruim dura para sempre, a Jornada Para Além das Fronteiras trouxe um momento de felicidade com sua leitura arrebatadora.

Título: Krystallo: Jornada Para Além das Fronteiras | Série: Krystallo #01 | Autor: Raphael Freaman | Ano: 2018 | Páginas: 390 | Encontre: Skoob | Amazon

43586992_172661046988384_7358997647866200064_nSinopse: As duas maiores potências de Emperon travam uma guerra secular para garantir o controle dos cristais de energia. Foi por causa de um atentado em Econ que Tomé Stalmer começou a suspeitar da verdade que o governo apregoava. E é no dia de seu aniversário que Gray Frost é forçada a deixar Opus, o seu lar. As jornadas para além das fronteiras narram uma história de piratas e soldados de elite, inteligência e mistério, confiança e tragédia. Cada um luta para sobreviver ao mesmo tempo em que busca compreender os segredos por trás dos acontecimentos que mudaram o curso da História.

Conheci a saga Krystallo através de um convite do autor para a leitura do livro em uma apresentação bem diferente do que estou acostumada, que me deixou fascinada pela leitura muito antes de me entregar a ela. As semanas se passaram e a medida que ia lendo, percebi a grande história que se emaranhava dentre as palavras do autor. Então quarta-feira passada decidi recomeçar a leitura para não perder nenhum detalhe, e imaginem minha surpresa quando terminei o livro em menos de vinte-quatro horas sem ao menos notar.

A narrativa de Raphael é gradativa e bem elaborada. É muito difícil encontrar autores que conseguem resgatar detalhes minúsculos do início da narrativa e fazer com que eles cresçam. Fraeman consegue esse feito, criando uma fantasia com ares de distopia. Dessa forma, além dos elementos fantásticos e a guerra iminente, na leitura também existem jogos políticos que fazem meu coração bater mais forte. E tudo isso crescendo para se tornar uma coisa maior e não somente um punhado de palavras.

Mas, é certo afirmas que personagens são o que carregam as narrativas e que costuma fazer tudo valer a pena. Eu digo isso, porque muito antes de um bom enredo, eu prezo mais personagens bem construídos. Fraeman parece então ter escrito esse livro para mim, pois o personagens apresentam uma construção excelente não se pretendendo aos esteriótipos dos heróis que tanto me irritam. Divido em dois pontos de vista, o de Tomé e o de Gray, podemos observar que cada um tem seu diferentes desafios. Eu não irei muito sobre os personagens, porque como eu disse o livro tem muita construção e tenho a impressão que falar abertamente de cada um deles seria uma especie de spoiler.

Contudo, duas coisas me causaram certo incômodo durante a leitura, mas que não foram cruciais ao enredo. A primeira foram os estrangeirismos (como mencionei no post de primeiras impressões) que me causam um certo “asco” porque as vejo como desvalorização da literatura nacional. Não nacionalista, mas nacional em que as nossas riquezas (no sentido de palavra) são explorados. E a segunda, as constantes quebras no pensamento do autor. Eu gosto de livros que são abordados em diferentes pontos de vistas, mas quando existe linearidade e parte dela parece ter sido perdida em Krystallo, e muito disso se deve a uma repetição dos fatos pelos dois personagens em alguns pontos.

Apesar da minha ressalva, indico sim a obra de Raphael Fraeman a todos, principalmente as pessoas que gostam uma fantasia que aborda também as situações políticas. É uma obra que supera as expectativas e que deixa um gosto de quero mais para os próximos livros. As consequências, as aventuras e o singelo romance, devem ainda melhor trabalhados na continuação da obra.                      .