Arquivo da categoria: drama

| Resenha | A Queda – Marcelo Pereira Rodrigues.

Olá Corujinhas! Na última resenha do ano trago para vocês mais um livro que mistura filosofia com realidade do autor brasileiro Marcelo Pereira Rodrigues. Com profundidade, o autor explora o caminho que o amor toma para redimir os homens, lhes dar sentido à vida e entender o que nos faz completos. 

image

Título: A Queda.
Autor: Marcelo Pereira Rodrigues.
Páginas: 362
Ano: 2017
Editora: MPR Edições.
Avaliação: 👑 👑 👑 👑

SINOPSE: O lançamento do livro de Gregório é o ponto de partida da trama, aliás, o momento que se encontram alguns dos principais personagens. Ali presentes para tratar do sentido da vida passam do debate teórico suscitado pela ocasião do lançamento real de existir. Entre os temas que cruzam a vida dos personagens, uma crítica a religião, uma reflexão sobre o suicídio e questões relativas as transcendências. Todos os temas existencialistas trazidos ao romance com a leveza possível porque tocam questões de enorme profundidade. Os relacionamentos sexuais estão presentes na trama e aparecem com força e intensidade como nas outras obras do autor.

É preciso provocar um mundo que está em escombros. Pensar as coisas não apenas como o fato de que teremos que trabalhar amanhã, comermos amanhã, nos deitarmos amanhã. Pensar sobre as mesmas coisas, refletir sobre a nossa existência, procurar um sentido para a vida.

Para ler Marcelo Pereira Rodrigues você precisa entender logo de cara que o autor não tem foco em romances e aventuras, mas sim nos questionamentos da vida. Comecei A Queda com ansiedade pela ótima leitura que eu havia feito com Corda Sobre O Abismo. E posso dizer que as indagações que o autor propõe assumem um caráter maior pela grandeza com qual são colocados.

A Queda apresenta contextos que de primeira soam artificiais pela brevidade com o qual cada aspecto é tomado. Fiquei encucada com o propósito da primeira cena: ela nos apresenta diversos personagens e suas aflições, para então ser finalizada sem nenhuma resposta explícita, o que me deu necessidade de entender mais sobre todas aquelas personas. Dessa forma, o livro é envolvente desde o seu princípio pois a medida que avançamos na leitura nos encontramos novamente com os personagens não somente para entendê-los, mas para também e principalmente questionar os acontecimentos junto com eles.

E são suas personagens que dão a obra um ar excepcional, pois as situações colocadas estão dentro do comum e da medida do possível. Marcelo enreda por um caminho onde expõe que nas coisas mais simples da vida estão os maiores porquês. Nos brindando com personagem complexos que possuem medos e desejos. Dessa forma, foram bastante palpáveis os diálogos criados na obra. Para cada persona, suas falas fluíam de modo diferentes pois nós somos seres humanos diferentes. E em vários momentos me enxerguei dentro de alguns deles: na timidez, no falta de interação social, na culpa do que não se tem culpa… Isto me proporcionou uma experiência de encontrar na obra perguntas que nunca soube fazer.

Essa é uma obra para levantar questionamentos, não para construir respostas. Marcelo Pereira Rodrigues constrói su’A Queda como uma forma de fazer seus leitores recriarem seus olhares sobre aquilo que chamam tão levianamente de vida. O que nos faz donos de nós mesmos e quais caminhos precisamos trilhar para encontrar a verdade sobre a nossa existência.

Anúncios

| Resenha | A Garota Que Você Deixou Para Trás – JoJo Moyes

Oii Corujinhas, espero que esteja tudo numa boa com cada um de vocês e que as o leituras estejam sendo maravilhosas. Recentemente, uma amiga da faculdade me indicou o livro A Garota Que Você Deixou Para Trás da JoJo Moyes afirmando que era o melhor livro da autora. Depois de ler Como Eu Era Antes de Você e O Som do Amor e ter abandonado A Última Carta de Amor da autora, não estava nos meus planos ler nada mais da autora tão cedo. Mas peguei o livro despretensiosamente em um sábado e quando o domingo chegou e finalizei a leitura. E tenho que dizer ão houve como não ficar mais do que satisfeita por ter dado uma chance à obra.

image

Título: A Garota Que Você Deixou Para Trás.
Título original: The Girl You Left Behind.
Autor: JoJo Moyes
Editora: Intrínseca
Ano: 2014
Páginas: 384
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑 ❤
Encontre: Skoob || Saraiva || Amazon

Sinopse: Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo a família, a reputação e a vida na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

Comecei a ler A Garota Que Você Deixou Para Trás por indicação de uma amiga da faculdade. Depois de tanto ouvir falar dela que este era o melhor livro da JoJo Moyes comecei a pensar: porque não? Dito isso, ao iniciar o livro possuía altas expectativas que estavam mescladas ao temor de acabar não gostando do livro mesmo assim. Mas a poética e emocionante história fez meu coração bater mais forte sem me deixar largar a leitura por um instante.

Primeiramente tenho que admitir que não consigo achar a escrita de Moyes fluente. Pelo contrário, acho-a exaustiva pois tenho a impressão que quanto mais eu leio, menos passo as páginas. Assim costumo demorar mais do que o usual para finalizar seus livros. Mas, graças ao deus dos livros, o “A Garota…” foi uma leitura bem rápida apesar de eu ter demorado para pegar o ritmo. Foi algo que me pegou desprevinida pela clareza com o qual os sentimentos foram expostos além de todo o mistério envolvendo a trama.

O mais legal de ler livros dos quais não sabemos quase nada sobre eles é o quão mais fácil você consegue se surpreender pela qualidade da história. JoJo Moyes criou uma obra que me deixou abismada e ao mesmo tempo extasiada com o que se passava. Em variados momentos eu me vi torcendo pelos personagens emocionada por sua trajetória. Neste livro, a escrita da JoJo Moyes bem como a maneira com o qual ela conduziu o enredo foram mais que suficientes: foram extraordinárias.

As personagens principais da trama são, com toda certeza o ponto mais alto do livro. É um eufemismo dizer o quão carismática suas duas mulheres foram fazendo parte da lista das personagens que mais me deixaram apegadas à sua trajetória. Em primeiro plano, Sophie foi uma mulher cheia de coragem, mas também de dúvidas. Consegui enxergar com clareza as atitudes que ela tomava e seu único desejo de rever seu marido, mesmo sempre que tentando manter sua família sã e salva. Já Liv, mesmo sentindo raiva dela por diversas vezes, me cativou pelo mesmo motivo que Sophie: vi verdade no que ela fazia mesmo que não concordasse com tudo.

Além de suas personagens principais, devo ressaltar o mistério muito bem construído proposto por JoJo que me deixou à ponto de arrancar os cabelos. Foi maravilhoso ver o mistério em torno do quadro, mas principalmente o ensinamento que o objeto deixou para trás. O ponto de união dessas duas histórias foi justamente esse ensinamento que fez com que tanto Sophie, quanto Liv percebessem que não eram mais “as garotas deixadas par trás” mas algo à mais que elas.

A Garota Que Você Deixou Para Trás é um livro que inspira coragem e amadurecimento. Apesar de não ter chorado, o livro me tocou pelas verdades de suas palavras. Vencer e ter não é o essencial, mas sim deixar ser levado pelas coisas boas que a vida pode nos trazer.

| RESENHA | O Ódio Que Você Semeia – Angie Thomas.

Ler um livro que fala sobre preconceito no mundo intolerante de hoje é assustadoramente real. Tenho feito um punhado de leituras com esse tema durante os últimos meses e todos os livros me impactaram de alguma forma. O Ódio Que Você Semeia não foi diferente colocando-se entre os melhores. A história é um perfeito manifesto em virtude de todas pessoas que necessitam saber que suas vozes devem ser ouvidas.

image

Título: O Ódio Que Você Semeia
Título Original: The Hate U Give
Autora: Angie Thomas
Editora: Galera Record
Ano: 2017
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑
Encontre: Skoob || Saraiva || Submarino || Amazon

Thug Life era sigla de The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody, “o ódio que você passa pras criancinhas fode com todo mundo”

Sinopse: Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos. Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra. Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos – no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa. Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.

A verdade gera uma sombra na cozinha; pessoas como nós em situações assim viram hashtags, mas raramente conseguem ter justiça. Mas acho que todos esperamos que essa vez chegue; a vez em que tudo vai acabar da forma certa.

O Ódio Que Você Semeia está entre as melhores leituras que realizei esse ano. Pensar em racismo, remete a pensar em que tipo de sociedade iremos deixar para nossos filhos visto quão perigoso o mundo está hoje e quem apoiamos para ocupar os cargos de poder. Pensar em racismo é ligar a TV e ver as notícias de atentados em todos os lugares do mundo ou crianças sendo ensinadas a odiar aqueles que lhe são diferentes. Ler um livro como de Angie Thomas é ver que tipo de legado estamos dispostos a deixar para trás.

— Todo mundo está com raiva porque Um-Quinze não foi acusado — explico —, mas também porque ele não é o primeiro a fazer uma coisa assim e se safar. Sempre acontece, e as pessoas vão continuar se rebelando até mudar. Então, o sistema ainda está semeando ódio, e todo mundo ainda está se fodendo?
Papai ri e me dá um soco na mão.
— Minha menina. Olha a boca suja, mas, é, é isso. E a gente nunca vai parar de se foder enquanto isso não mudar. Essa é a chave. Tem que mudar.

O Ódio Que Você Semeia foi um livro diferente do que eu esperava para ele. Quando leio livros que abordam temas mais pesados sempre penso que eles vão vir recheados de carga dramática sem alívios cômicos. Mas o livro de Thomas fugiu a regra ao se mostrar tenso nas horas certas e dramático nas horas certas, mas também fazer uso de uma linguagem fácil repleta de humor. Thomas conseguiu mostrar com perfeição que não é preciso ser pesado para falar sobre assuntos polêmicos, pois estes estão inseridos em todos os lugares de nossas vidas idependente de qualquer situação. Mais do que isso, Thomas cria um mundo adolescente real onde desenvolve uma narrativa que mistura a vida e a tecnologia. O mundo geek, o mundo nerd, o mundo que vivemos está representado dentro deste livro. Nunca antes eu tinha lido uma obra com tantas interações da internet ou citações atuais dentro de uma obra. É como se a autora colocasse para todos verem que o racismo pode estar em todas plataformas. Não nego que às vezes de forma um tanto forçada, sim, mas que definitivamente fazem sentido dentro do contexto do livro.

Papai alega que as casas de Hogwarts são gangues, na verdade. Têm suas próprias cores, seus esconderijos e estão sempre brigando umas com as outras, como gangues. Harry, Rony e Hermione nunca deduram um ao outro, assim como integrantes de gangues. Os Comensais da Morte têm tatuagens iguais. E veja Voldemort. Eles têm medo de dizer o nome dele. Falando sério,o papo de “Aquele Que Não Pode Ser Nomeado” é a mesma coisa quedar um nome de rua para ele. É coisa de gangue mesmo.

Os personagens são diferentes um dos outros de modo que não dá para confundi-los. Por uns, criei certa antipatia enquanto por outros sinto como se fosse amiga de infância. Tal dualidade me proporcionou maior proximidade com a história. Consigo enxergar ali as pessoas ao meu redor: a garota que tem medo, o homem que percebeu os erros do seu passado, a menina que por estar tão acostumada aquilo que não percebe suas atitudes racistas, a mãe… um irmão… um amigo… Tantos personagens com medos, aflições e alegrias diferentes que produziram efeitos variados de amor e ódio durante a leitura.

Mas é engraçado como funciona com os adolescentes brancos. É maneiro ser negro até ser difícil ser negro.

Starr é uma personagem extremamente cativante. A garota é uma adolescente comum com à qualquer menina de sua idade. Mas com uma pitada que não existe à outras adolescentes fora do mundo “negro: Todas as garotas têm medo de apresentar o namorado ao pai, mas Starr tem que apresentar um namorado que acima tudo é branco; Todas as garotas sofrem com crise de autoconhecimento, mas Starr tem que aprender a ser uma pessoa diferente para não ser taxada como do gueto. Dessa forma, a medida que vamos nos afundando na vida de Starr e a conhecendo melhor, é possível entender o seu medo e o porquê de estar tão presa aos estigmas da sociedade. Não é fraqueza que a menina colocou em si mesma e sim uma barreira gigantesca que o mundo atira em suas costar. Starr poderia ser normal, se as pessoas não lhe olhassem diferente.

Esse é o problema. Nós deixamos as pessoas dizerem coisas, e elas dizem tanto que se torna uma coisa natural para elas e normal para nós. Qual é o sentido de ter voz se você vai ficar em silêncio nos momentos que não deveria?

Os personagens secundários são igualmente cativantes. Começando pela família de Starr consigo perceber neles duas coisas: a primeira é a imagem inicial de que eles juntos são felizes e fortes como em um comercial de margarina. Sorriem e se apoiam sempre querendo o melhor e dando força um para o outro. Mas eu também percebo que esses personagens possuem uma carga dramática imensa para compor esse misto de felicidade exarcebaba e preocupações: O pai de Starr, Maverick foi preso e perdeu os primeiros anos do nascimento de sua filha além de ter tido um filho fora do casamento. Assim sua família teve que lidar com sua ausência em anos difíceis tendo o amparo de um tio para seguir em frente; Seven, meio irmão de Starr, tem que lidar com o fato de sua mãe namorar o chefe da gangue do bairro e ver elas e suas irmãs à mercê dessa situação. Dessa forma, ao mesmo tempo que Angie mostra situações difíceis, também ressalta como eles são uma família como qualquer outra. Como ser negros não significa que eles tem que ser uma família miserável, destruída e sem destino certo. Porque esse é apenas mais um estereótipo que a sociedade os envolveria.

Logo cedo, eu aprendi que as pessoas cometem erros, e você tem que decidir se os erros são maiores do que seu amor por elas.

Vale ressaltar também a evolução que Starr consegue ter no livro. Ela começa como uma personagem amedrontada para então se tornar uma personagem corajosa. Starr aprende como usar sua voz e os motivos pelos quais ela merece ser ouvida. Ela deixa para trás a dupla identidade para então se encontrar e ser à si mesma em seus dois mundos.

— Ter coragem não quer dizer que você não esteja com medo, Starr — diz ela. — Quer dizer que você segue em frente apesar de estar com medo. E você está fazendo isso.

Esse livro de Angie Thomas foi tudo que eu não esperava e mais um pouco. É sim uma das leituras mais gratificantes do ano. É um apelo para que todos nós percebamos por quais caminhos estamos percorrendo e demonstrando às nossas crianças. Um manifesto pela igualdade que nos deixa com raiva, emocionados e felizes. Mas principalmente que nos motiva a lembrar de Gandhi e sermos as mudanças que queremos e podemos ser no mundo.

Às vezes, as coisas dão errado mas o importante é continuar fazendo o certo.

| RESENHA | Entre E O Agora E O Nunca – J. A. Redmerski – Livro Um.

Olá tudo bom com você? Bom dia, boa tarde ou boa noite seja a hora que você esteja lendo este post. Mês passado fiz um post explicando um pouco sobre o Desafio Literário Cultura e como prometido vou começar a postar resenhas das minhas leituras este mês. Como não pretendo postar na ordem de leitura, então vou postar primeiro as leituras mais frescas em minha mente. Para começar será do livro Entre O Agora E O Nunca de J. A. Redmerski. Estou lendo esse livro para cumprir o ítem Um livro em que o protagonista foge.

 — Acho que o amor nunca acaba de verdade quando a gente ama alguém — digo, e vejo um pensamento passar por seus olhos. — Acho que quando você se apaixona, quando ama de verdade, é amor pra vida inteira. Todo o resto são só experiências e ilusões.
– Andrew.

 

 Download-Livro-Entre-o-Agora-e-o-Nunca-J.-A.Redmerski-em-ePUB-mobi-e-PDF

Título: Entre O Agora E O Nunca
Título Original:
Autora: J. A. Redmerski
Editora:
Ano:
Avaliação:
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino.

 

SINOPSE; Camryn Bennett é uma jovem de 20 anos que desistiu do amor desde que Ian, seu namorado, morreu num acidente de carro há um ano. Sua melhor amiga, Natalie, é a única capaz de animá-la. Mas a relação entre as duas fica abalada quando o namorado de Nat revela à Camryn que está apaixonado por ela. Perdida, sem saber o que fazer, Camryn vai para rodoviária e pega o primeiro ônibus interestadual, sem se importar com o destino. Com uma carteira, um celular e uma pequena bolsa com alguns itens indispensáveis, Camryn embarca para Idaho. Mas o que ela não esperava era conhecer Andrew Parrish, um jovem sedutor e misterioso, a caminho para visitar o pai, que está morrendo de câncer. Andrew se aproxima da companheira de viagem, primeiro para protegê-la, mas logo uma conexão irresistível se forma entre os dois. Camryn tenta lutar contra o sentimento, já que jurou nunca mais se apaixonar desde a morte de Ian. Andrew também tenta resistir, motivado pelos próprios segredos. Narrado em capítulos que alternam as vozes de Andrew e Camryn, Entre O Agora e O Nunca é uma história de amor e sexo, na qual os personagens testam seus limites, exploram seus desejos e buscam o caminho que os levará à felicidade.

 Detesto te dizer isso, mas na vida as merdas acontecem mesmo. Você precisa superar. Derrotar isso fazendo coisas que te deixam feliz. – Camryn.

Uma coisa que todos sabemos quando lemos livros é que a bagagem que trazemos influenciam bastante no decorrer da história. De certa forma, podemos chamar isso de Maturidade Literária onde de certa forma, com cada leitura enriquecendo a nossa mente, acabamos por nos ater mais as novidades do que de histórias passadas. Histórias essas que no fundo da nossa mente sabemos que gostaríamos mais se tivéssemos lidos um pouco antes ou talvez um pouco. Talvez seja por esse motivo que a história de Entre O Agora E O Nunca não me cativou tanto deixando-me com uma sensação um tanto amarga que minha mente não consegue mais lidar com clichês adolescentes. A leitura, ao qual posso dizer que foi fácil mas não fluída, muitas vezes deixou a desejar. E mesmo não considerando a obra ruim, não conseguir deixar de me incomodar com vários pontos da leitura.

 Não sou maria vai com as outras. Nunca fui. Mas com certeza topo me tornar alguém que não sou por algumas horas se isso vai ajudar a me misturar, em vez de parecer a esquisita e chamar a atenção. – Camryn.

Começando pela narrativa, posso dizer que senti certa dualidade de emoções ao passo que ia passando pelas palavras de Redmeski. A princípio gostei do modo como a autora conduziu a história. Há profundidade em Camryn que a deixa com uma personalidade mais plausível, muito embora tal personalidade seja mais identificável em uma garota de 16 anos do que de 20, mas como nem todos são iguais e nem amadurecem ao mesmo tempo, a gente releva. Por tal motivo, devido a sua profundidade, Camryn foi de longe que eu mais gostei. De tão verossímil pude enxergar com mais clareza suas atitudes e seus pensamentos. Mas ao mesmo tempo que amei Camryn, eu fiquei apática em relação a Andrew porque ele é o típico mocinho sexy e rock and roll dos Young Adult. Perfeito e sem defeitos aparentes, Andrew me deixou com aquele pensamento para a autora que pode ser resumido em “na boa, você esta mesmo tentando me convencer que esse cara existe?”. E, acho que vocês ja me conhecem o suficiente para saber que o meu tipo favorito de personagem é o palpável. Ele precisa de defeitos, defeitos reais, que lhe deem essa aparência verossímil.

 Aprendi há muito tempo que o futuro e a vida são meus, e não posso me forçar a viver do jeito que outra pessoa quer que eu viva. – Andrew.

Em relação a narrativa devo dizer que fiquei em um certo hiato. Não foi a melhor das narrativas da minha vida, mas também não foi das piores – tanto que finalizei o livro ao invés de abandona-lo. Minha parte favorita, foi com certeza as reflexões que a autora fez sobre a vida, aos quais vocês podem ver minhas frases favoritas espalhadas por este post. Também gostei do modo com o qual a autora conduziu sua história. É um clichê respeitado que segue o caminho não tão óbvio para a conclusão, mas também não surpreendente e mesmo assim ainda foi o mais acertado. Porém, ao mesmo tempo que gostei dessa condução, também me senti incomodada pelo linguajar usado pela autora para descrever cenas de cunho sexual. Achei um tanto pesado mesmo para um livro que envolve sexo. Em opinião o romance deixou de daquela doçura que possuía ao abusar de uma linguagem com maior cara de pornográfica.

 Se você fica se prendendo no passado, não consegue seguir em frente. Se passa muito tempo planejando o futuro, você se empurra pra trás ou fica estagnada no mesmo lugar a vida toda. — Seus olhos encontram os meus. — Viva o momento — ele diz,  como se estivesse dizendo algo sério — aqui, onde tudo está certo, vá com calma e limite suas más lembranças e você chegará ao seu destino, seja qual for, muito mais rápido e com menos acidentes de percurso. – Andrew.

E para finalizar essa enxurrada de críticas sinceras, quero apenas ressaltar que essa opinião é minha e muito pessoal. Se você quer ler esse livro simplesmente vai fundo. Apesar de que eu senti falta de algumas coisas, talvez você leia e depois pense que eu sou apenas uma louca 😂. Mas como o meu juramento oficial de blogueira me diz que eu devo dizer a verdade nada além da verdade, ressalto que se ninguém vê igual nem todos leram igual. Por isso te desejo uma ótima leitura ou caso já tenha lido, ótimas lembranças.

Sinto que estou fazendo tudo certo; pela primeira vez em muito tempo, sinto que minha vida está voltando aos eixos, só que seguindo um rumo bem diferente, cujo destino eu desconheço. Não sei explicar… só que, bem, como eu disse: sinto que está certo. – Camryn

| RESENHA | A Resposta – Kathryn Stockett – Histórias Cruzadas.

Oii gente! Tudo bom com vocês? Há uns dois anos mais ou menos eu vi um filme chamado Histórias Cruzadas. Durante muito tempo, fiquei abismada com a força que o ele possuía e sobre o que ele falava. Segregação. Uma palavra feia; uma mancha na história não só dos estadunidenses, mas também na de todo o Mundo. Será mesmo que as pessoas de cor precisavam ser tratadas com tamanho desrespeito? Será mesmo que elas são diferentes que nós? Será mesmo que elas devem ser tratadas como inferiores? A resposta, é claro, é não. Elas não mereciam nada daquilo. A cor da pele não nos faz diferente. Somos todos seres humanos feitos de carne, ossos e sentimentos.

Então, lá estava eu assistindo um filme que falava justamente desse tipo de abominação e refletindo sobre como era a vida de uma mulher negra trabalhando para uma mulher branca em tempos de racismo legalizado. Mas pensando melhor, trabalhando não, criando o filho de uma mulher branca enquanto é sujeitada à humilhações. Entretanto, certamente não foi apenas isto que me deixou com vontade de ler a obra e sim a verdade que estava sendo contada. Ninguém nunca se deu o trabalho de perguntar a uma empregada como ela sentia, como era ser uma negra criando um mulher branca enquanto seus filhos eram cirados por outra pessoa. E muito além do filme brilhante, posso afirmar com toda a certeza, que foi esta pergunta me fez ler o livro que só posso chamar de extraordinário.

image

Título: A Resposta
Título Original: The Help
Autora: Kathryn Stockett
Editora: Bertrand
Ano: 2010
Avaliação: 👑👑👑👑👑💜
Encontre: Skoob || Amazon || Saraiva || Submarino.

SINOPSE: Três mulheres especiais estão prestes a dar um passo extraordinário… Skeeter, 22 anos de idade, acabou de voltar para a casa dos pais após graduar-se na universidade Ole Miss. Possui um diploma, mas o ano é 1962, a cidade é Jackson, no Mississippi, e sua mãe não vai sossegar até ver a filha com um anel de noivado no dedo. Aibileen é uma empregada que já está criando sua décima sétima criança branca. Algo mudou dentro dela depois da perda do filho, morto enquanto seus patrões faziam vista grossa. Aibileen é devotada à menininha de quem cuida, apesar de saber que ambas correm um sério risco de se magoarem nessa relação. Minny finalmente encontra serviço – sua boca suja não a permite ficar muito tempo em um emprego – trabalhando para uma mulher que acabou de chegar à cidade e por conta disso não sabe da reputação da criada. Embora bastante diferentes umas das outras, essas mulheres vão unir forças num projeto clandestino que colocará todas em perigo. Por quê? Porque estão se sentindo sufocadas pelos limites e pelas regras que as norteiam e pela época em que vivem. E também porque limites, algumas vezes, foram feitos para serem ultrapassados. Em vozes perfeitamente recriadas, Kathryn Stockett nos apresenta três mulheres fora de série cuja determinação de dar início a um movimento transforma uma cidade e a maneira como as mulheres — mães, filhas, empregadas domésticas, amigas — veem umas as outras. Romance profundamente enternecedor, tocante, cheio de humor e esperança, A Resposta é uma história atemporal e universal sobre os limites que respeitamos e sobre aqueles os quais precisamos ultrapassar.
image

Se eu fosse definir uma palavra que define A Resposta seria FORTE. Apesar de saber o que me esperava durante a leitura, pois já havia visto o filme, ler o livro me causou um impacto maior. Porque no filme podemos apenas tentar imaginar quais são os sentimentos dos personagens. Mas no livro conseguimos sentir cada um pois estão exposta nus e crus pois tudo que foi posto na obra veio para nos fazer sentir tudo a nossa volta. E, com minhas mais sinceras palavras, só posso dizer que foi foda! Passei do limite da raiva ao desespero, da revolta à tristeza. Kathryn deu vida aos personagens de modo tão verdadeiro, que me tornei melhor amiga de Aibileen, Minny e Skeeter vendo como elas evoluiram no livro me fazendo a evoluir também.

Narrado em primeira pessoa pelas três mulheres, o livro que tinha tudo para ser confuso foi bem desenvolvido. Stockett criou personagens muito diferentes uma da outra de modo que não da pra confundir quem esta narrando. Não somente pelo nome da narradora que precede as partes, mas pelo modo com o qual cada uma apresenta seu ponto de vista. Aibileen é sábia e está sempre motivada a pensar no que acontece à sua volta. Minny é bem espirituosa criando uma bolha de alegria em sua realidade escura. Já Skeeter é doce, mas também pragmática constantemente se perguntando o motivo das coisas serem como são. Além disto, a autora se preocupou em reduzir palavras e motivar erros (como por exemplo o verbo estar conjulgado como tou e tava) o que exemplificava bem as diferenças de escolaridade entre as mulheres. Vale ressaltar que apesar de possuir um estilo de escrita brilhante, o livro não é fácil de ler. Não chega a ser uma leitura fluída pois envolve muita reflexão. De algumas tomadas a outra é necessário parar e tentar absorver a obra. Mas mesmo não possuindo aqua fluidez de você não sentir as páginas irem embora, o livro continua impossível de deixar de lado. Precisamos saber o que vai acontecer, quais serão as consequências.

O que mais me deixou encantada com leitura de A Resposta foram as personagens colocadas. Não somente das principais, mas também das secundárias. Cada uma possuía seus medos e seus segredos tornando a leitura mais verossímil:

image

• Aibileen com toda sua honestidade demonstra um lado da mulher negra de 1960 que não conhecemos, pois ela é sonhadora e ela acredita que nem todas as pessoas são más. Cuida como uma devota a sua Nenezinha da vez May Mobley provando que amor não tem cor ensinando a criança a verdade que sabe que sua menininha vai esquecer ao se tornar uma adulta branca: Ela é boa, ela é corajosa, ela é especial, mas acima de tudo elas são iguais de cor diferente;

image

• Minny tem a força que costumeiramente vemos nas representações negra da literatura e do cinema, mas também é mais do que isso. Minny tem suas aflições. Ela quer um futuro melhor para seus filhos embora os ensine que a justiça esta do lado dos brancos e não dos negros. Ao mesmo tempo, apesar de toda sua raiva dos brancos, aprende com sua patroa Célia Foot que nem todos à desprezam e que uma boa amizade vem dos lugares mais improváveis.

image

• Skeeter teve a coragem de ver além do seu mundo. Que enxergou nas atitudes das pessoas à sua volta a pior natureza do ser humano. Ao mesmo tempo, em que tentava transparecer ser a mulher perfeita da sociedade. A mulher que queria um marido embora também quisesse ser independente. A mulher que não ligava ou pelo menos fingia não ligar para os absurdos de sua melhor amiga Hilly Holbrook, tão vil e mesquinha e ao mesmo tempo tão real que é impossível não sentir vergonha de seus atos tão bons representantes do horror da nossa sociedade.

A Resposta de Kathryn Stockett foi um livro que me marcou profundamente. Não somente por falar do racismo em uma época que este era chamado bom senso, mas por ter a característica atemporal de lembrar o ser humano do quão cruel ele pode ser, ao mesmo tempo que nos conduz a pensar no caminho que estamos tomando hoje. Qualquer um sabe que o racismo ainda existe enraizado no seio de uma sociedade com mania de supremacia branca. Mas Stockett nos ensina através de Aibileen, Skeeter e Minny que com um pouco de coragem é possível abrir os horizontes e atravessar os limites para construir um mundo melhor.

image

| RESENHA | Antes Que Eu Vá – Lauren Oliver.

Oii gente. Hoje estou aqui para fazer resenha de um livro ótimo escrito por Lauren Oliver. Antes Que Eu Vá foi adaptado para o cinema e eu como uma boa leitura resolvi que leria o livro antes do filme, mesmo achando que possivelmente não gostaria porque o acabaria achando clichê. O filme teve lançamento no dia 18 do mês passado e pretendo assisti-lo em breve.

image

Título: Antes Que Eu Vá.
Título Original: Before I Fall.
Autora: Lauren Oliver.
Editora: Intrínseca.
Ano: 2011.
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟
Onde comprar: Saraiva | Submarino | Amazon

SINOPSE: Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no Thomas Jefferson, o colégio que frequenta — da melhor mesa do refeitório à vaga mais bem-posicionada do estacionamento. Aquela sexta-feira, 12 de fevereiro, deveria ser apenas mais um dia de sua vida mágica e perfeita. Em vez disso, acaba sendo o último. Mas ela ganha uma segunda chance. Sete “segundas chances”, na verdade. E, ao reviver aquele dia vezes seguidas, Samantha desvenda o mistério que envolve sua morte — descobrindo, enfim, o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder. … Em uma noite chuvosa de fevereiro, Sam é morta em um acidente de carro horrível. Mas em vez de se ver em um túnel de luz, ela acorda na sua própria cama, na manhã do mesmo dia. Forçada a viver com os mesmos eventos ela se esforça para alterar o resultado, mas acorda novamente no dia do acidente. O que se segue é a história de uma menina que ao longo dos dias, descobre através de insights desoladores, as consequências de cada ação dela. Uma menina que morreu jovem, mas no processo aprende a viver. E que se apaixona um pouco tarde demais.

Eu li em um livro uma vez¹ que o tempo se cura sozinho. Não importa se temos o poder de voltar no tempo, nunca vamos conseguir muda-lo pois um acontecimento que muda hoje, será reconstruído no amanhã. Por esse motivo, por mais que tente mudar o que acontece naquele 12 de ferveiro, Sam não consegue acordar no dia 13. Mas talvez essa regrinha não se aplique no último de seu último dia e o que parecia impossível de primeira, poderá ser mudado no fim das contas.

Você acha que eu estava sendo tola? Ingênua?
Tente não me julgar. Lembre-se de que somos iguais eu e você.
Também pensei que iria viver para sempre.

A palavra que pode definir a história narrada com maestria por Lauren Oliver é evolução. Durante todo o livro, Sam evolui. Eu não diria que ela simplesmente muda do vinho para água, mas evolui a cada dia para se tornar uma pessoa melhor. No começo da obra temos um convite da autora para odiar Sam. De todas as formas que conseguia, a personagem era uma vaca. Sem censura, ela simplesmente não prestava. Todas as suas atitudes são voltadas para si mesma e para suas amigas. Ela não se importa com quem e como vai atingir os outros por sua maneira de agir sendo altamente fútil e preconceituosa como a garota que quer apenas ser popular e ter tudo fácil na vida. Mas de certo modo, desta maneira a autora nos dá um parâmetro com nossos atos. Ela nos faz pensar no que fazemos com as pessoas ao redor e se somos melhores do que Sam. Pois podemos nunca ter ferido ninguém, mas com certeza talvez também nunca tenhamos nos preocupado em ajudar alguém que precisava. Quantos de nós estenderam a mão para alguém que precisava? Quantos de nós enxergamos para o outro ao invés de pensar no próprio umbigo?

Agora sou a primeira a escolher tudo. E daí? É assim mesmo.
Ninguém disse que a vida era justa.

Assim, a cada dia que passa, pude notar a evolução de Sam. Ela começa a perceber o quão mesquinha ela e suas amigas são. O quão pequenas são as picuinhas que inventam para atormentar as pessoas a sua volta. Como se a cada dia, mesmo que não posta em palavras, entendessemos que ao fim do tempo de Sam existe um lição a ser aprendida. O mundo não se trata apenas de nós, mas também das pessoas que nos cercam. E não só das próximas, mas até daquelas que de tão distantes parecem pequenininhas.

Uma teoria que ouvi falar – e que eu pensava com frequência quando era miudinha – diz que tudo que esta às nossas costas não existe e que as pessoas deixavam de existir assim que viramos de costa, mas isto é baboseira. Os sete dias de Sam nos mostram exatamente isso. As pessoas existem e elas tem sentimentos. Em hipótese alguma fira alguém simplesmente porque você pode: você não sabe que tipo de impacto vai causar.

Se você ultrapassa um limite e nada acontece, o limite perde sentido.

Dentre todos o personagens, na minha opinião as que me deixaram mais intrigadas foram Juliet e Lindsay. Juliet por  ser altamente misteriosa e Lindsay por odia-la. Se teve uma coisa que eu quis saber sobre esse livro era a verdade por trás das duas. Ninguém odeia ninguém a toa. E o que descobri sobre as duas foi o que mais fez a leitura ser gratificante. Não por Lindsay, mas por Juliet. Como ela conseguiu lidar com a situação, como nunca feriu ninguém, como Juliet se manteve fiel porque os laços do passado às vezes são tão fortes que é impossível apaga-los. Juliet me ensinou muito mais do que qualquer coisa que Sam, de certa maneira. Ela me deu esperança de que nem tudo está perdido.

Mas para alguns de nós só existe o hoje. Essa é a verdade. Nunca se sabe.

A única coisa que realmente me incomoda no livro foi o aberto do final. Faltou um pedaço do livro. Faltou uma explicação para o que vinha depois do sétimo dia. Fiquei frustada por isso não acontecer e pelas verdades não ditas continuarem não ditas. Esperava que houvesse algo mais, algo mais especificado. Algo que me mostrasse que tudo aquilo não foi em vão.

Mas as coisas mudam quando você morre – acho que morrer é a coisa mais solitária que se pode fazer.

Mas críticas a parte, Antes Que Eu Vá foi uma leitura intrigante, questionadora. O livro nos faz pensar nas pessoas como elas são de verdade, mas principalmente o que nós somos de verdade. Uma leitura talvez obrigatória, para todos àqueles que não percebem o quão preciosos são os nossos últimos segundos e o que fazemos com eles.

Fico imaginando se é possível saber a verdade sobre a outra pessoa, ou se o melhor que podemos fazer é tropeçarmos uns sobre os outros, com as cabeças baixadas torcendo para evitar uma colisão.

Continuar lendo | RESENHA | Antes Que Eu Vá – Lauren Oliver.

| RESENHA | A Vila dos Pecados – Soraya Abuchaim.

Olá pessoa que esta lendo esta matéria, como vai? Hoje é dia de resenha aqui no blog do livro maravilhoso da Soraya Abuchaim que foi lançado ontem e que fez o maior sucesso. E gentilmente ela cedeu um desses exemplares ao blog e eu li no início dessa semana.

Título: A Vila dos Pecados.
Autora: Soraya Abuchaim
Editora: Coerência.
Ano: 2017
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟
Onde comprar: Site da Autora

image

SINOPSE: Final do século XIX. Enquanto o mundo passa por transformações importantes, existe uma vila inóspita, que vive à margem da civilização e que tem as suas próprias e estranhas leis. Lendas escuras a rondam e histórias macabras sobre Ponta Poente povoam o imaginário popular. Quando o padre Alfonso Anes, um exemplo vivo de amor e resignação, chega à vila para substituir o seu antecessor, depara-se com segredos que o farão duvidar da própria sanidade, e uma onda de mortes trará o caos para aquele lugar ermo. Quem estará a salvo? Serão estes segredos o fim de quem os esconde? O que esse universo tenebroso revelará para o mundo?

A Vila dos Pecados foi uma leitura cheia de emoções e que me deixou praricamente abobalhada com a natureza humana. Soraya Abuchaim conseguiu fazer com que meus sentimentos partissem da revolta e da paixão em diversos momentos, pois as características apresentadas por seus personagens durante o livro iam das mais odiosas as mais esperançosas. A psiquê humana foi incrivelmente bem detalhada, de modo que ficou verossímel as atitudes daquelas pessoas nas determinadas situações. E eu diria que um dos pontos que mais me impressionaram durante a leitura, foi o modo com o qual essas pessoas se desenvolveram durante o livro. Soraya demonstra em A Vila dos Pecados que nem todo mal é realmente feito apenas de coisas ruins. Assim como até as mais puras almas não são feitas apenas de bondade. Dentro da mente e do coração de cada ser humano existe a bondade e a maldade lutando entre si, e o que define quem nós somos é para qual lado vamos dar a medalha de campeão.

“Tudo se desenrola na escuridão, quando os justos e os honestos dormem. Ninguém é santo, não. Quem mais venerava o falecido era quem mais temia que seus segredos fossem descobertos.”

Em uma pequena comparação com o livro anterior Até Eu Te Possuir este teve uma evolução no quesito escrita, o que eu admito que fiquei absmada pois não achava possível. Mas na questão do detalhamento das emoções e das atitudes dos personagens, mesmo possuindo a plena consciência que são dois universos com histórias completamente diferentes, eu pude notar que as situações propostas pela autora saíram bastante do comum para a proposta da obra. No livro Ate Eu Te Possuir a situação comum de ciúmes e namoros foi um modo de enfatizar aquilo que Abuchaim proprunha no livro. Afinal de contas eram situações presentes naquele tipo de relação. Mas em A Vila dos Pecados houve uma exploração maior do extremo, onde cada situação criada, era um ápice dos sentimentos como se estes fossem elevados à milésima potência. Isso elevou o livro à um nova plataforma, onde o mistério se desenrolou com o drama e os sentimentos de medo, angústia, desejo e cumplicidade ganharam destaque.

“Ninguém chora as escondidas e lamenta o que passou se não viveu intensamente; mas tambem ninguém se recusa a comentar o passado se não tem algo à esconder.”

A única coisa que me deixou realmente apagada no decorrer da leitura, foi o fato de que o final, muito antes o meio do livro se tornou óbvio para mim. Eu sempre leio bastante livros de suspense. Além da ficção, esse é um dos meus gêneros favoritos. De modo, que quando você lê muitos livros de um mesmo gênero você acaba descobrindo certas lógicas que vão guiar ele. Na verdade é basicamente o esqueleto de um livro que irá definir o livro como pertencente de um gênero tal. Em A Vila do Pecados eu sabia que se tratava de um suspense e dessa maneira fui criando minhas suposições – todo mundo dá uma Sherlock Holmes nesse tipo de obra – com base no pré-determinado. E em dado momento, a sucessão de acontecimentos foram brotando quase como uma prova de que eu estava certa. Assim diminuiu o o ritmo da coisa e admito que fiquei com uma pontade de decepção quando fechei o livro e a teoria foi confirmada. Eu esperava um choque que infelizmente não veio. E vocês sabem meus amigo, suspenses precisam de um choque.

“É muito mais fácil ser conivente com o mal do que lutar contra ele.”

Contudo, livros para mim são somatório de coisas boas. E o livro da Soraya me deixou mais instigada que outra coisa. É uma leitura que realmente vale muito a pena. A autora nos convida a refletir sobre o que é realmente pecado, o que é errado, o que é certo, quais segredos nós escondemos e o que estamos dispostos para mantê-los assim. A Vila dos Pecados pergunta a cada um de nós se somos fiéis a nós mesmos ou reféns as situações e pessoas que nos cercam.

| RESENHA | Sr Daniels – Brittainy C. Cherry

Uma pergunta: Quero estar vivo, e não tenho ideia de por que, vendo como hedionda a vida é, às vezes. Talvez seja a crença, a esperança e a paixão, tudo embrulhado dentro do meu peito. Talvez meu coração esteja apenas rezando por um amanhã melhor para substituir todos os ontens de merda. Então, para responder à sua pergunta de forma muito deprimente, cheia de angústia adolescente, quero estar vivo quando crescer. Então, agora eu pergunto, Sr. D. O que você quer ser quando crescer? Porque nunca paramos de crescer, e raramente deixamos de sonhar.
– Ryan.

Oii gente! Recentemente (uns três meses mais ou menos) saiu resenha aqui no blog do livro O Ar Que Ele Respira da autora Brittainy C. Cherry. Então resolvi fazer resenha de um livro anterior dela chamado Sr. Daniels que para mim ainda é o melhor livro da autora. Isto porquê a história de Daniel & Ashlyn foi realmente bem escrita e não consigo me lembrar de falhas no enredo ou algo que tenha detestado.

image

Título: Sr. Daniels.
Título Original: Mr. Daniels.
Autora: Brittainy C. Cherry
Editora: Galera Record
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟🌹
Onde Comprar: Saraiva Submarino Amazon

Sinopse: Depois de perder a irmã gêmea para a leucemia, Ashlyn Jennings vê sua vida mudar completamente. Além de ter de aprender a conviver sem parte de si mesma, ela precisa se adaptar a uma nova rotina. Enviada pela mãe para a casa do pai, com quem mal conviveu até então, ela viaja de trem para Edgewood, Wisconsin, carregando poucos pertences, muitas lembranças e uma caixa misteriosa deixada pela irmã. Na estação de trem Ashlyn conhece o músico Daniel, um rapaz lindo e gentil, e a atração é imediata. Os dois compartilham não só o amor pela música e por William Shakespeare mas também a dor provocada por perdas irreparáveis. Ao sentir-se esperançosa quanto a sua nova vida, Ashlyn começa o ano letivo na escola onde o pai é diretor. E não consegue acreditar quando descobre, no primeiro dia de aula, que Daniel, o belo músico de olhos azuis com quem já está completamente envolvida, é o Sr. Daniels, seu professor de inglês. Desorientados, eles precisam manter seu amor em segredo, e são forçados a se ver como dois desconhecidos na escola. E, como se isso já não fosse difícil o bastante, eles ainda precisam tentar de todas as formas superar os antigos problemas e sobreviver a novos e inesperados conflitos.

Simplesmente não consegue compreender as diferentes formas de amor. Formas que só nós, adolescentes, podemos entender antes que o mundo da vida adulta tire a nossa magia, o nosso encanto. Ser adolescente é uma maldição e um presente ao mesmo tempo. É a idade em que contos de fadas e o Papai Noel deixam de existir, mas partes de nossos corações querem dizer: E se…
– Ryan.

Dizer que gostei desse livro de Brittainy C. Cherry seria um eufemismo. O li com rapidez praticamente não deixando a obra de lado. Meu coração murchou em algumas partes, se alegrou em outras e se estilhaçou várias vezes. Durante todo o livro, até a cena final, a autora conseguiu me fazer crer no felizes para sempre antes de me tira-lo sem dó nem piedade. O que é realmente bom, porque foi essa carga dramática pesada no livro, que conseguiu transformar a obra de um clichê adolescente em algo mais. Algo que realmente vale a pena ser lido. Não somente pelos personagens principais. Mas também pelos secundários que fizeram toda a diferença.

Eu me perguntava se as pessoas que morriam sabiam que quem fica para trás daria tudo para ouvir suas vozes mais uma vez.
– Ashlyn.

O livro é narrado através de dois pontos de vista, mas sempre em primeira pessoa. Daniel e Ashlyn se intercalam para contar sua proíbida história de amor. Mas arrisco a dizer que a história tem três pontos de vistas. Afinal de contas, durante toda a obra, as cartas que Gabby (irmã falecida de Ashlyn) deixa para trás figuram comonpersongens no enredo. Mas explicando melhor, Gabby escreve uma lista de coisas que a irmã tem que fazer antes de morrer acompanhada de uma penca de cartas. A cada ítem cumprido da lista, uma carta correspondente deverá ser aberta. Um ítem diz que Ashlyn deve se apaixonar, o que convenhamos, ela o faz bem, mas de maneira super enrolada.

Você está indo muito bem garota.
<- Gabby.

Indos aos pontos que me fizeram gostar irremediavelmente da história, o fato de Cherry não recorrer a paixões extras entre o casal principal. Não tenho costume em gostar de triangulosos amorosos, em que tal personagem se sente dividido entre o que sentem um pelo outro e também a um terceiro. Ashlyn e Daniel portanto irão pertencer um ao outro sem dúvidas, sem mimimi. Apesar de que existe sim outras pessoas apaixonadas pelos personagens, o casal não consegue se ver longe um do outro amando estas apenas como irmão ou como uma garota que fez parte do seu passado, sem nunca porem seus sentimentos em xeque para tentar um relaciomento com outra pessoa.

Eu odiava o quão próximos estávamos e o tão distantes que nos sentíamos.
– Daniel.

Outro ponto alto do livro é a interação dos personagens secundários que não só ajudam a compor o cenário, como também mostram-se importantes dentro dele. O pai de Ashlyn por exemplo é carinhoso com ela, mas não consegue vencer a barreira dos anos que viveram separados. Hailey é uma jovem quase gótica, quase patricinha (bugante não?) que tem o desejo de se tornar mulher no sentido sexual da coisa, mesmo sabendo que seu namorado não há ama tanto assim.  E por fim temos Ryan, que de longe foi meu personagem favorito. De alguma forma eu me aproximei dele. Tavez fossem suas palavras e seus pensamentos ou talvez a angústia que ele tinha. Mas ele era incrível. De todos os personagens, Ryan conseguiu tocar melhor meu coração.

Porque fingir ser feliz é quase como ser feliz. Até você lembrar que é apenas fingimento. Então você fica triste. Realmente triste. Porque usar uma máscara todos os dias da sua vida é a coisa mais difícil do mundo. E depois de um tempo, você tem um pouco de medo porque a máscara se torna você.
– Ryan.

Sr. Daniels é uma leitura viciante. Por vezes melancólica, outras vezes radiante é um livro que vai te provocar as mais diversas emoções que faz toda a diferença na sua vida no fim das contas. Pois ele te mostra como a vida, por mais complicada que aparente, pode ter uma luz no fim do túnel se você deixar as pessoas ao seu redor te guiarem.

A Resposta: Não quero ter medo do resultado da vida. Quero me lembrar de respirar enquanto sorrir, e valorizar as lágrimas. Quero mergulhar em esperança e cair no amor. Quero estar vivo quando crescer, porque… nunca estive vivo em toda a minha vida.
– Daniel.

| RESENHA | Corda Sobre O Abismo – Marcelo Pereira Rodrigues.

image

image

Título: Corda Sobre O Abismo.
Subtítulo: O Elogio da Desesperança.
Autor: Marcelo Pereira Rodrigues.
Editora: Chiado.
Ano: 2016
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟

Sinopse: Fictício, contemporâneo e urbano, o romance filosófico “Corda sobre o abismo” conta com altas doses de introspecção. Denizard é filósofo, professor, escritor diletante e crítico do mundo à sua volta. Sua aguda racionalidade contrasta-se com os encontros, sutis ou profundos, que acontecem numa São Paulo desvairada: trânsito caótico, violência, relacionamentos vazios e fúteis. Seu equilíbrio racional cai por terra após uma noite de bebedeira: sentindo que caminhava por uma tênue corda sobre um abismo, sua vida sofre uma derrocada. Esse fragilizar-se leva nosso personagem a reerguer-se e dentro desse processo surgem os diálogos surreais sonhando com escritores mortos, de Lima Barreto a Albert Camus, dentre outros.
A veia ferina e irônica de Denizard vai se humanizando aos poucos, os sentimentos e a razão acompanham seu crescimento e uma nova visão de mundo vai se descortinando. Um livro ágil e direto, engraçado e surreal em muitas de suas passagens, evidenciando que o salto em favor da obra é sempre uma fuga necessária.

O livro Corda Sobre O Abismo foi diferente do que eu esperava para ele. O ponto que mais me agradou foi o personagem principal, Denizard que de modo afiado crítica tudo e todos ao seu redor. Se você levar ao pé da letra o fato de que ele é um professor de filosofia em um romance filosófico, achará que o livro se tornará maçante pelas sempre reflexões profundas sobre todas as coisas. Mas ao contrário disso, como uma ótima surpresa, o livro se desenvolve de uma forma cômica e inteligente instingando o leitor à junto com Denizard, pensar sobre os acontecimentos mais que estranhos que estão pipocando ao passar das páginas.

O modo como a história se desenvolve é fora do padrão. De certo modo, mesmo com o pequeno comentário do autor sobre Birdman e uma explicação sobre o fato que levou nosso protagonista a ficar famoso, era certo que eu deveria no mínimo ter uma ideia sobre o que sucederia com o professor. Mas isto não aconteceu. Na verdade eu pensei que havia acontecido uma coisa, quando na verdade acontecera outra. Esse tipo de surpresa quanto ao enredo fez borbulhar as espectativas sobre o que mais eu poderia esperar até os atos finais, que também não me decepcionaram. O fechamento do livro foi tão bom quanto toda sua história, mantendo-se no padrão e sem cair de nível.

Eu queria falar sobre o livro e contar as divertidas tiradas de Denizard sobre os fatos que se sucedaram aquela bebedeira. Mas na minha concepção, acredito que seria um baita spoiler. Então para finalizar eu digo: se você nunca leu um romance filosófico Corda Sobre O Abismo é uma obra excelente para começar. O livro é leve, ágil e você consegue ler sem esforço nenhum em uma tarde. Foi uma surpresa agradável que deixou minha mente mais enriquecida e pensativa.

Beijos. Até o próximo post.

image

| RESENHA | O Caminho Do Poço Das Lágrimas – André Vianco.

Sinopse: O Caminho Do Poço Das Lágrimas conta a história de um pai que está preocupado com o bem estar de seus filhos. Jonas viajava com os filhos Ingrid e Bosco por uma estrada escura. De repente os três adormecem e, quando acordam, depois de muitos sonhos agitados, se dão conta de que estão em um vasto campo verde. O carro em que viajavam desapareceu e a única saída daquele campo é um caminho formado por pedras justapostas… é O Caminho do Poço das Lágrimas. Orientados para não saírem do caminho, a tarefa parece impossível. Ingrid tem curiosidade, Bosco tem sede e Jonas tem medo. Para onde os levará esse caminho? Que mistérios e perigos os esperam?

image

Emprestado pelo meu primo/melhor-amigo Kristhian, O Caminho do Poço das Lágrimas de André Vianco foi uma leitura que me surpreendeu por ao mesmo tempo ser simples e bem trabalhada. Pode parecer confuso dizer algo do tipo mas a verdade é que o livro de André Vianco apesar da história aparentemente simples e infantil, ele na verdade tem bastantes pontos que me deixaram sem palavras. Nas palavras de Kristhian, você vê que o céu é azul, André Vianco te convence que o céu é verde, para no fim você descobrir que estava certo desde do início. Confuso? Imagina a surpresa quando estava lendo.

O livro é reflexivo sobre a vida e a morte e os impactos que elas trazem em nossos corações. André Vianco fez uma pausa nos seus livros vampirescos, para nos trazer um significado maior. Pois apesar do terror e do suspense que fazerem parte desta história, o foco é tambem as lembranças que se enraizam nos perigos encontrados pela família. Jonas com o passar do tempo se aproxima mais dos filhos a quem tinha se afastado pelas obrigações da vida, tornando a história mais emocionante ao passar de suas páginas.

Eu amei este livro e apesar de ter lido em 2014, as memórias dele ainda estão em minha mente, pois André nos mostra que por mais que temamos a morte, todos um dia vamos passar por ela e devemos ter a consciência de que tivemos uma vida plena e feliz.

Título: O Caminho do Poço das Lágrimas
Autor: André Vianco
Ilustrações: Lese Pierre
Editora: Novo Século
Edição: 2008
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟⭐

image