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(Resenha) Duff – Kody Keplinge

Oi Corujinhas. Nesses últimos dias tenho lido livros que me indicaram a meses ou ano, mas que eu nunca realmente tinha parado para ler. Acredito que todo leitor tenha sua longa lista de procrastinação e comigo não é diferente. Mas acreditem quando digo que ler metas antigas pode ser gratificante de uma maneira diferente. De certa forma, é como nos reconectar com nossos “eus” do passado. E mesmo com suas falhas, foi exatamente isso que The Duff me proporcionou.

DUFF_1452889754547922SK1452889754BTítulo:  Duff | Titulo original: The Duff | Autor: Kody Keplinge| Editora:  Globo Alt| Ano: 2016 | Páginas: 328 | Avaliação: ⭐⭐⭐ | Encontre: Saraiva | Skoob | Amazon

Sinopse: Bianca Piper não é a garota mais bonita da escola, mas tem um grupo leal de amigas, é inteligente e não se importa com o que os outros pensam dela (ou ela acha). Ela também é muito esperta para cair na conversa mole de Wesley Rush – o cara bonito, rico e popular da escola – que a apelida de DUFF, sigla em inglês para Designated Ugly Fat Friend, a menos atraente do seu grupo de amigas. Porém a vida de Bianca fora da escola não vai bem e, desesperada por uma distração, ela acaba beijando Wesley. Pior de tudo: ela gosta. Como válvula de escape, Bianca se envolve em uma relação de inimizade colorida com ele. Enquanto o mundo ao seu redor começa a desmoronar, Bianca descobre, aterrorizada, que está se apaixonando pelo garoto que ela odiava mais do que tudo.

A narrativa de Keplinge foi um dos pontos que mais me chamaram atenção enquanto eu lia o Duff. Sem dar muitas abas aos melodramas, e ainda sim não esquecendo deles no contexto narrativo, a autora conseguiu dar o livro uma aparência única de sobriedade e paixão. Contudo, a essa sobriedade por vezes ficou em demasiada, já que Keplinge também não possui o espírito de alongar as coisas para além da história principal, deixando alguns pontos abertos até de mais que denotaram uma grande falha na narrativa.

Além disso, é certo afirmar que não shippei o casal principal como é típico de um romance adolescente. Pelo contrário, considero, o romance fraco e talvez um pouco apelativo no sentido sexual e sentimental da coisa. Contudo, os personagens separadamente são bastantes interessantes por si só. Principalmente Bianca. Wesley tem as características de um New Adult, de bad boy com vários problemas. Mas Bianca, traz para o livro Keplinge algo novo, que não se mantém no esteriótipo.

Ao entendermos que o foco principal de Keplinge não é apenas criar um romance e sim falar sobre adolescência e todos os medos esta pode nos trazer, Bianca ultrapassa as barreiras da ficção e se torna uma amiga, que nos confidencia seus segredos nos mostrando que o medo de não ser aceito pode passar por todos os tipos de adolescentes. A trajetória de Bianca é muito mais de autoconfiança do que de um romance, tornando o livro muito satisfatório.

Apesar das claras falhas, Duff apresenta motivos sólidos para não ser ignorado. Se todos nós algum dia nos sentimos melhores por conta das palavras de outrem, poderá na narrativa de Kody Keplinge que encontraremos os primeiros para aprender sobre auto-valorização.

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( Motive-Se ) O Sol É Para Todos – Harper Lee

Oi Corujinhas. Vocês devem ter notado que nas últimas semanas eu tenho andado sumida. O motivo são as obrigações da faculdade que tem me tirado o sono. Mas estou tentando sempre ficar em “forma” para vocês. Semanas que vem os posts vão voltar a sair no prazo certo, por assim dizer e voltarei as minhas visitas com regularidade. Não desistam de mim!!

No post de hoje vou trazer três motivos para vocês lerem meu livro favorito no drama. O Sol É Para Todos, li em 2013 mais ou menos, e ainda permanece como uma das leituras mais gratificantes de todos os tempos.

Titulo: O Sol É Para Todos
Título Original: To Kill A Mockinbird
Autora: Harper Lee
Editora: José Olímpio
Ano: 1960
Páginas: 317
Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ❤️
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

1. Enredo.

O Sol É Para Todos conta a história de duas crianças no árido terreno sulista norte-americano da Grande Depressão no início dos anos 1930 que testemunham a ignorância e o preconceito em sua cidade, Maycomb – símbolo dos conservadores estados do sul dos EUA, empobrecidos pela crise econômica, agravante do clima de tensão social. Filhos do advogado Atticus Finch, encarregado de defender Tom Robinson, um homem negro acusado de estuprar uma jovem branca, os irmãos percebem o racismo do pequeno município do Alabama onde moram. Nos três anos em que se passa a narrativa, deparam-se com diversas situações em que negros e brancos se confrontam. Dessa forma, a história demonstra a inocência de duas crianças para com o preconceito e com as injustiças das escolhas por cor.

2. Pregorrativas.

Muito embora a priori o sentido da narrativa seja tratar de racismo, enquanto a leitura é concebida percebemos que envolve todas as camadas do preconceito. Mulheres rechaçadas por serem mulheres. Preconceito de não conhecer o outro e julgar pequenas ações, ou pelo que você ouve, quando se tratam de inverdades. A história é um manifesto pela igualdade tão comum à época que foi escrito (1960, o apartheid vigorando nos Estados Unidos) quanto à nossa onde as os pobres, principalmente os negros, precisam andar de sobreaviso para não sofrerem ataques. Onde os pais precisam dar instruções para os filhos sobre como se portar à frente da polícia. O livro rasga a verdade sobre pessoas que foram destruídas por preconceito. Sobre famílias que foram quebradas. Mas principalmente, a morte do direito humano de ser igual aos outros.

3. Os personagens.

Mas se as pregorrativas e o enredo dão um gostinho inicial ao livro, são os personagens que transformam a obra em um livro inacreditável. Narrado pela sensível Jean Louise, Scout, a sensibilidade no olhar da jovem revela os desígnios da sociedade racista, onde as diferenças não são aceitas. Jem, seu irmão, é a representação da raiva perante as injustiças e o não entendimento das situações.  Atticus é a índole no sentido mais humano da palavra. Ele tem plena consciência do que é certo e luta para mostrar aos filhos o mundo pelo qual eles devem lutar. Boo Radley a prova do preconceito das invenções, dona Mauddie do rechaço as invenções sociais e Callpurnia do medo que domina os negros. Todos os personagens são exaltados para representarem alguma coisa. Alegóricos, são sentimentos. Fantásticos, são instituições. Populares, são classes sociais. Todos trajados para serem melhores e maiores que qualquer humano poderia ser, mas que todos nós deveriam tentar.

Mas antes de aprender a viver com os outros eu tenho de aprender a viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo é a única coisa que não deve se subjulgar a regra da maioria.

O Sol É Para Todos tem uma narrativa fluida e se torna um livro gratificante. Dotado de profundidade, amor e principalmente ingenuidade é uma obra para ser lida por todas as idades pelos ensinamentos que Harper Lee traz. Eu recomendo esse livro de todo meu coração. É um clássico sim, mas principalmente um livro atemporal que surge como um caminho para entender as diferenças.

(Resenha) Meu Romeu – Leisa Rayven – Livro 01

Nunca fui o tipo de pessoa que gosta de New Adult, mas Meu Romeu me chamou atenção desde o princípio e nada disso tem haver com a prerrogativa Shakespeariana que traz em seu título. Três anos depois do meu primeiro contato com a obra, posso dizer que a história foi sim excelente muito embora não tenha alcançado minhas expectativas.

Título: Meu Romeu | Título Original: Bad Romeu | Autor: Leisa Rayven| Editora: Globo Alt | Ano  2015| Páginas: | Avaliação: ⭐⭐⭐| Encontre: Skoob| Saraiva | Amazon

meu romeu

Sinopse: Cassie está prestes a realizar o grande sonho: estrelar um espetáculo na Broadway. O que ela não esperava era ter que enfrentar o reencontro com o ex-namorado, que será novamente protagonista ao seu lado, em uma peça cheia de romance e cenas quentes. Trabalhar com Ethan traz o passado à tona, e lembra a Cassie que o que existe entre eles vai muito além de simples química.

O amor não pode ser encontrado onde ele não existe, nem pode ser escondido onde ele realmente está.

Leisa Raven tem uma escrita boa, porém um livro mediano. Com poucas descrições físicas, muito sentimentalismo e grandes personagens, Leisa não consegue o principal que é a manutenção de um bom enredo. O maior ponto do livro e pior, paradoxalmente, é a escrita versus narrativa da autora. Muito embora Rayven consiga deixar o leitor atento as necessidades de suas personagens, na hora de criar o principal (o enredo) a autora se perde na superficialidade do erotismo.  Assim, apesar da escrita se excelente para nos fazer crer nos sentimentos dos personagens, o enredo torna-se fútil.

Querida Cassandra, às vezes, não é questão de consertar o que está quebrado. Às vezes, é questão de recomeçar e construir algo novo. Algo melhor

A história se desenrola em passado e presente para que entendamos como Cassie e Ethan foram modificados pelas suas trajetórias. Cassie foi minha personagem favorita por todas nuances que a personagem conseguiu trazer. Sem se perder no estereotropismo típico demais (personagens com sentimentos excessivos), Cassie tem a dose certa de timidez no passado e de amargura no presente. A garota foi construída para se tornar independente das amarras sociais, ao mesmo tempo que não consegue se desvencilhar dos medos de não ser aceita. Os motivos de Cassie são aprofundados e muito antes de uma personagem, enxergamos à nós ou as nossas amigas.

Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de Ethan. Nunca gostei de personagens que fazem o esteriótipo bad-boy com bom coração e para Ethan isso não foi diferente. O engraçado é que se Rayven consegue revelar os segredos sentimentais de Cassie à luz do existencial, com Ethan a coisa não flui o personagem se torna só mais um exemplar masculino do gênero. Não consegui acreditar nas suas emoções e muito entender os motivos que pareceram infantis.

Uma opinião não precisa ser verdade para mais ninguém no mundo além de você. Para de tentar agradar a porra de todo mundo e diga o que você pensa.

Meu Romeu tem uma proposta interessante, mas um desenvolvimento que deixa a desejar. Muito embora não descarte a possibilidade de ler os próximos livros da trilogia, tenho que admitir que minhas intenções estão em baixa. Leisa Rayven tinha um mundo brilhante é uma pena que os seus reflexos não conseguiram chegar até os recantos mais profundos da obra.

 

( Resenha ) A Menina Que Roubava Livros – Markus Zusak

Semana passada, eu estava relendo alguns pontos dos meus livros favoritos. Em uma dessas pequenas releituras, voltei a encher-me de penas com a leveza da morte em A Menina Que Roubava Livros. Um bom ponto da literatura, é o fato que nunca temos uma mesma percepção de um mesmo livro. Você rele e gosta ainda mais, ou você relê e odeia. Claro que para mim aconteceu a primeira frase, mas o que eu não esperava era entender ainda mais a metáfora através das palavras de Markus Zusak.

Título: A Menina Que Roubava Livros | Título original: The Books Thief | Autor: Markus Zusak | Editora:  Intrínseca| Páginas: 480 | Ano: 2011| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤| Encontre: Skoob – Saraiva – Amazon

a menina que roubava livrosSinopse: Ao perceber que a pequena Liesel Meminger, uma ladra de livros, lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. A mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. Assombrada, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade. A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra-Mundial.

“Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é necessário. Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo, eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora gentilmente.”

A Menina Que Roubava Livros foi o primeiro romance histórico que tive a oportunidade de ler em meados de 2013 logo após assistir o filme de mesmo nome. Certamente eu não tinha tanta maturidade e muito do que li se perdeu pela falta de perspectivas. Me lembro de achar a leitura lenta sem entender verdadeiramente o significado das palavras e das situações levantadas por Markus Zusak. Hoje, cinco anos depois com muito mais leituras na cabeça e uma bagagem literária que busca cada vez mais reflexões, ao reler A Menina Que Roubava Livros tive um vislumbre de uma literatura clássica-contemporânea que deveria ser obrigatória.

“UMA DEFINIÇÃO NÃO ENCONTRADA NO DICIONÁRIO – Não ir embora: ato de confiança e amor, comumente decifrado pelas crianças”

A narrativa-onisciente traz uma perspectiva única para a história. A Morte se faz presente em primeira pessoa e em terceira, dando considerações sobre a história sem se deixar levar pelas emoções. Como a própria confirma, está cansada, e quer contar de forma leve, breve e muito corriqueira. Ela conhece tudo sobre em seu íntimo e seus pensamentos. Revela sua voz interior, o fluxo de sua consciência, fazendo com que o enredo seja plenamente conhecido em suas entrelinhas, seus pressupostos, seu futuro e suas consequências.

É interessante notar como Zusak faz da Morte uma personagem que não possuí nada para além do comum, aludindo ao que acontece todos os dias de morte pura e simplesmente. Sendo uma personagem não caricata, a Morte transforma-se em uma narradora experiente que tem o peso do mundo em seus ombros. A Morte é uma vilã e uma mocinha ao mesmo tempo, trabalhando para os vilões para salvar as almas do sofrimento.

“Por favor, acredite quando lhe digo que, naquele dia, peguei cada alma como se fosse um recém-nascido. Cheguei até a beijar alguns rostos exaustos, envenenados. Ouvi seus últimos gritos entrecortados. Suas palavras evanescentes. Observei suas visões de amor e os libertei de seu medo.”

Dessa maneira, quando a narração muda para a vida de Liesel, a Morte perde um pouco de sua considerações e se volta a aludir aos fatos, muito embora nos marque com uma frase de efeito. Mas ao dar foco a Liesel, a Morte se estende para revelar a personalidade dessa menina que lhe parece tão próxima. Liesel, assim como a morte é comum e não caricata. É forte como uma criança deve ser aprendendo todos os dias em como ser uma pessoa melhor e a entender as injustiças da vida não se abalando por elas. Liesel não é um rosto adicionado à massa, mas uma garota inteligente que usa das armas que possui para proteger aqueles que ama.

Assim, de um maneira única, Zusak cria uma porção de personagens que se tornam pessoas a medida que parecem avançar saltar as páginas e encher os olhos. Entre texto sobre a vida e Liesel e considerações sobre o momento, o autor nos dá esperanca que supera o medo que existe no coração das pessoas que rodeiam o mundo cheio de beleza e brutalidade.

“Os seres humanos, me assombram.”

A Menina Que Roubava Livros vai ser sempre um dos livros favoritos de toda minha vida. Pretendo realizar outras leituras desse livro e absorver cada vez mais da história de Markus Zusak cuja tenho a certeza que me oferecerá ainda mais. Se posso fazer das palavras da Morte as minhas, espero entender por essas páginas a verdade sobre os medos e anseios da humanidade entendendo à realidade de suas histórias tão amaldiçoadas e tão brilhantes. A Menina Que Roubava Livros é um livro para toda vida.

( Resenha ) O Último Adeus – Cynthia Hand

Em uma obra sobre superação. Cynthia Hand consegue tocar o coração ao apresentar os medos de um coração partido. O Último Adeus é um relato profundo sobre seguir em frente mesmo quando tudo parece acabado.

Título: O Último Adeus | Título original: The Last Time We Say Goodbye | Autora: Cynthia Hand | Editora: Darkside | Páginas: 352 | Ano: 2016
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤ | Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

o ultimo adeusSinopse: O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante. O Último Adeus é sobre o que vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você. Lex busca uma forma de lidar com seus sentimentos e tem apenas nós, leitores, como amigos e confidentes.

“Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio.”

Antes de ler O Último Adeus de Cynthia Hand, eu nunca havia tido contato com a escrita da autora e nem sequer passou pela minha cabeça a fazer a leitura da obra. Até que um belo dia, o livro “sorriu” convidativamente e mergulhei nas páginas e nas palavras da autora. Cynthia me presentou com uma escrita madura que me emocionou bastante, e mesmo achando que a obra poderia ser melhor, a leitura ainda sim foi incrivelmente satisfatória pois teve um significado especial na minha vida.

Narrado em primeira pessoa no presente e no passado, o livro tem uma narrativa densa de sentimentos. Apesar de gostar de boas descrições de cenários, para dramas eu dou muito mais valor a carga emocional que o livro em si consegue acarretar. Por isso, a narrativa de Hand é feliz pois consegue passar um nível de drama que deixa a história crível já que os sentimentos de Alexis são muito bem explorados. Muito embora tenha gostado do estilo narrativo, ao final da obra senti que certas questões ficaram sem um desfecho propriamente dito o que atrapalhou minha relação com o livro.

“O tempo passa. É a regra. Independentemente do que aconteça, por mais que pareça que tudo em sua vida está congelado em um determinado momento, o tempo segue em frente.”

Sobre os personagens, apesar do clichê de garotos nerds e populares típicos do Estados Unidos (aparece com tanta frequência que não é possível que seja só invenção, certo?), eles foram bem construídos. Nenhum deles apresentava características exageradas de ser muito de uma mesma coisa: bondoso de mais, inocente de mais, mau de mais. Eles estavam equilibrados de modo que não somente parecessem reais, como também possuíssem conflitos reais.

Alexis Riggs foi minha personagem favorita. Não somente por ela narrar a obra, mas pelas incerteza que apresentou e que tinham grande relevância dentro do contexto. Muito embora não me identifique com Alexis, acreditei nela e na sua dor de modo que senti uma grande empatia pela personagem. O mesmo pode-se dizer de sua mãe, Jill, destruída pela morte do filho. As cenas envolvendo ambas foram emocionantes e profundas de modo que até meu coração de pedra foi alcançado ficou emocionado.

“Meu irmão estava morto. Minha mãe estava viva. De muitas maneiras (as rosas cor de pêssego, o caixão de mogno que combinava com a mesa de casa, a música, a passagem bíblica, a comida), ela havia planejado que o funeral dele fosse o dela.”

Mas apesar dos personagens conquistadores, meu ponto favorito da história foi o sentimento que envolvia Tyler – o irmão de Lex – e toda a questão que envolveu seu suícidio, pois o rapaz parecia ter tudo: era popular, tinha uma linda namorada e jogava basquete muito bem. Então não havia motivos aparentes para que ele decidir se matar. E acredito que esteja aí o grande POR QUÊ do livro. Hand nos mostra que felicidade é uma questão de aparência e ser feliz é algo não podemos simplesmente visualizar e supor nas outras pessoas. Qualquer um está sujeito a infelicidade, mesmo aqueles que parecem ter as melhores oportunidades. O grande lance é tentar perceber atitudes, mas principalmente nos manter do lado daqueles que amamos.

O Último Adeus é um livro emocionante sobre perdão, amor e família. Eu indico essa obra a todos que quiserem um choque de realidade sobre o que é felicidade e como os medos podem nos levar a destruição. Mas principalmente é um livro sobre seguir em frente, mesmo quando o caminho parecer incerto e desolador. Afinal, mesmo sendo um grande clichê é certo que depois de toda tempestade podemos encontrar um arco-íris por mais fraco que ele seja.

( Resenha ) Até Que A Culpa Nos Separe – Liane Moriarty

Em mais um livro sobre segredos e mentiras, Liane Moriarty vai mais uma vez encarar o leitor para perguntar: Você esta realmente seguro de todas as decisões que tomou na vida? Você é feliz com suas escolhas?

Título: Até Que A Culpa Nos Separe | Título original: Truly Madly Guilty | Autora: Liane Moriarty | Editora: Intrínseca | Páginas: 464 | Ano: 2017 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Amazon| Saraiva

ate que a culpa nos separe

Sinopse: Amigas de infância, Erika e Clementine não poderiam ser mais diferentes. Erika é obsessivo-compulsiva. Ela e o marido são contadores e não têm filhos. Já a completamente desorganizada Clementine é violoncelista, casada e mãe de duas adoráveis meninas. Certo dia, as duas famílias são inesperadamente convidadas para um churrasco de domingo na casa dos vizinhos de Erika, que são ricos e extravagantes. Durante o que deveria ser uma tarde comum, com bebidas, comidas e uma animada conversa, um acontecimento assustador vai afetar profundamente a vida de todos, forçando-os a examinar de perto suas escolhas – não daquele dia, mas da vida inteira. Em Até Que a Culpa Nos Separe, Liane Moriarty mostra como a culpa é capaz de expor as fragilidades que existem mesmo nos relacionamentos estáveis, como as palavras podem ser mais poderosas que as ações e como dificilmente percebemos, antes que seja tarde demais, que nossa vida comum era, na realidade, extraordinária.

“Todos os seus segredos ficavam guardados lá dentro, atrás da porta da frente, que nunca podia ser totalmente aberta. O pior medo delas era que alguém batesse à porta.”

Mais uma vez me rendi a um livro de Liane Moriarty. Estou quase fazendo uma carteirinha de fidelidade com a autora já que sinto uma vontade maior cada vez mais ler e ler os livros da autora. Apesar de não poder dizer que seus livros são meus favoritos em todo mundo, posso considera-los numa posição de destaque já que de uma forma ou de outra eles me marcam profundamente pelos assuntos abordados em suas páginas. Segredos e acontecimentos são apenas o começo de sua narrativa que sempre vem com o intuito de despir nossas mentes e nos impor a pensar nas consequências da vida que escolhemos.

Com sua clássica narrativa impiedosa, Liane Moriarty conduz um livro cheio de pequenas situações que culminam em um grande pensamento existencial. Uma das coisas que mais gosto na autora é o sentimento de vida-comum que permeia todo seu esquema narrativo. Trazer a vida corriqueira para dentro de uma obra parece ser uma tarefa fácil pois são situações e conflitos que todos vivemos cotidianamente, logo não há muito que inventar. Mas a verdade é que muitos autores não conseguem fazer isso por permanecerem em um hiatus narrativo que ou vai de encontro ao exagero ou se reserva a mesmice. O mesmo não acontece com a escrita de Liane que consegue manter um fluxo continuo de situações comuns mas com um toque dinâmico fundamental para preservar o interesse do leitor no livro.

“Era interessante como fúria e medo podiam ser tão parecidos.”

Como em todos os outros livros de Moriarty, o principal desta obra se faz inesquecível pela presença dos personagens destacados. Até Que A Culpa Nos Separe é narrado em terceira pessoa em sete visões diferentes. O ponto de encontro de suas narrativas é que cada um a sua maneira carrega um sintoma de culpa pelo acontecimento no “Dia do Churrasco“. Erika e Clementine são as protagonistas, mas a inserção dos pensamentos de seus maridos e vizinhos aumenta a perspectiva total das consequências advindas desse dia. Assim Liane consegue denotar coisas pequenas que começam a implodir em algo maior variando de acordo com o narrador do momento. O engraçado é perceber como tudo não passa de picuinhas: sentimentos mesquinhos que revelam a culpa, mas principalmente que faz com que cada uma daquelas pessoas sinta-se responsável pelo fato e por tudo aquilo que jogaram em cima do outro. Pois não basta se culpar, todos sentem necessidade de apontar o dedo. A culpa e o ressentimento se misturam deixando o amargor da verdade subtendida cada vez mais amostra.

“Mas não conseguiam parar. Era como pedir que prendessem a respiração. Só conseguiriam fazer isso durante determinado tempo até serem obrigados a respirar outra vez.”

Além do acontecimento no “Dia do Churrasco”, o tipo de amizade que existe entre Erika e Clementine é um fator dentro da história que aumenta a significância das coisas. Um ponto interessante é perceber que Liane constrói duas mulheres opostas unidas pelo destino, por assim dizer. No começo da obra eu me perguntei porque elas continuavam amigas já que claramente não pareciam gostar uma da outra. Mas com o passar do tempo, comecei a notar o interesse por um pedaço da outra era muito maior que a repulsa que pareciam sentir. Erika que não possui nenhuma outra amiga desenvolve uma relação de dependência cruel com Clementine. Ela precisa daquela amizade para se sentir não solitária, mesmo tendo plena consciência de que sua “amiga” não gosta dela. Mas a necessidade de ter alguém além do marido fala mais forte do que seu amor próprio. Já Clementine, por outro lado e sem saber se essa era realmente a intenção da autora, não conseguir sentir outro sentimento que não fosse ódio. Detestei-a por ser mesquinha, por não gostar de Erika mas usa-la Erika como ponte para se sentir benevolente de ser amiga de uma estranha, para se sentir mais autêntica por ter em constate alguém tão retraída, mais sentimental porque Erika é mais realista, mais desejada por ser mais bonita e mais superior por ser capaz de ser tudo isso e la Erika não ser nada. Clementine mostra uma face vil ao qual não consegui me penalizar pelo seu espírito pequeno, mas apenas consigo me resguardar ao ódio pois acredito que mentira de uma amizade que se diz verdadeira é mais decepcionante que uma traição.

“Seu egoísmo era um segredo sórdido que precisava esconder a todo custo.”

Até Que A Culpa Nos Separe é um livro fantástico que detém um grande poder sobre o leitor. Mesmo possuindo algumas passagens lentas é uma obra que alcança as barreiras da ficção chegando a realidade por nos conduzir de volta às nossas escolhas. Mais uma vez estou encantada pela narrativa de Liane Moriarty e eu indico muito a todas as pessoas que querem sair de sua zona de conforto e ir além de suas convicções já que é exatamente isso que a autora nos propõe a fazer.

“Era interessante o fato de que um casamento se tornava instantaneamente propriedade pública assim que aparentava problemas.”

 

(Resenha) O Segredo do Meu Marido – Liane Moriarty

Minhas caras Corujinhas. Em mais um livro sobre relações familiares, Liane Moriarty vai te mostrar como um segredo pode destruir vidas independente de serem grandes ou pequenos.

o segredo do meu maridoTítulo: O Segredo do Meu Marido
Título original: The Husband’s Secret
Autora:  Liany Moriarty
Editora: Intrinseca
Páginas: 368
Ano: 2014
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Amazon | Saraiva

Sinopse: Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta que deve ser aberta apenas quando ele morrer. Imagine também que essa carta revela seu pior e mais profundo segredo — algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você encontra essa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo… Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar da pequena comunidade em que vive, uma esposa e mãe dedicada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia — ou uma à outra —, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela.

“Você podia se esforçar o quanto quisesse para tentar imaginar a tragédia de outra pessoa – afogar-se em águas congelantes, viver numa cidade dividida por um muro – , mas nada dói de verdade até acontecer com você.”

Não tenho costume de ler livros com cargas dramáticas intensas. Chega ser engraçado visto que meu tipo de leitura favorita nos últimos tempos têm sido livros que apresentam críticas a algum aspecto social e normalmente o drama possui tal quesito. Talvez por isso, pela permissão que me dei de inserir-me no universo dramático, que gostei tanto de realizar a leitura de O Segredo do Meu Marido de Liane Moriarty por indicação da Keth (Parabatai Books), ficando surpresa com todas implicações de sua história. Pois, muito mais que criar medos e anseios para seus personagens, a autora coloca em cheque nossas convicções ao nos perguntar como os pequenos segredos que escondemos afetam tudo e todos ao nosso redor.

Um dos melhores pontos do livro se faz na narrativa intensa, cativante e impiedosa, ao qual Moriarty coloca para o leitor. Mesmo em terceira pessoa, a aproximação com os personagem é feita sem problemas pois você não somente entra em suas mentes mas entende os desafios aos quais eles passam. Em uma narrativa completa e detalhista, são colocadas inúmeras prerrogativas que se manifestam inerentes aos sentimentos do leitores. Através das palavras da autora, podemos nos enxergar em cada personagem recriando em nossas mentes as perguntas e os meios deles ampliando assim o efeito emocional do livro pois o trazemos para nossa realidade.

“Era isso o que precisava ser feito. Era assim que se convivia com um segredo terrível. Apenas seguia-se em frente. Fingia-se que estava tudo bem. Ignorava-se a dor profunda, o embrulho no estômago. De algum modo era preciso anestesiar a si mesmo de forma que nada parecesse tão ruim assim, mas tampouco parecesse bom.”

Em primeiro plano, a leitura começa lenta e parece dispersa e um tanto enfadonha visto que os primeiros capítulos são de apresentação: Liane insere suas personagens em vidas opostas e lugares totalmente diferentes que, exceto por coincidências corriqueiras, não possuem praticamente nada haver uma com a outra. Até que a partir  daquilo, da exposição das personalidades e convicções de suas protagonistas, é que a história ganha forma. Os ligamentos são inseridos e as interrogações sobre os acontecimentos do presente e do passado surgem naturalmente. A partir daí somos constantemente levados a questionar as ações que Rachel, Cecília e Tess têm a medida que situações emocionalmente extremas são colocados a sua frente.

O livro se constrói justamente sobre estas decisões que não somente são dotadas para as três mulheres como convergem para as atitudes do leitor. Ao questionar as protagonistas, Liane também nos questiona sobre os nossos atos, mas principalmente sobre a falta deles. Dessa forma, nos é apresentado o segredo que envolve as três personagens, muito embora com mais vigor sobre Rachel e Cecília, de modo que é segredo ganha relevância gradativa na na vida delas mas de forma incomum, pois o problema não vem somente de contar ou não o segredo, mas a implicações que este tem sobre a vida dessas mulheres em quesitos sociais e familiares.

“Todo o seu corpo pareceu ser esvaziado por uma explosão nuclear. Sobrara apenas a casca da mulher que havia sido. Ainda assim, não tremeu. Suas pernas não cederam. Ela continuou absolutamente imóvel.”

Cecília, Tess e Rachel não poderiam ser mais diferentes. Porém, cada uma ao seu modo enfrenta dificuldades que são expandidas a medida que o segredo ganha maiores proporções mesmo que duas delas não saibam disso. Através do trio, somos lembrados dos nossos egoísmos que sempre estão em favor das necessidades pessoais não tendo nada haver com a vida em sociedade ou sobre ser uma boa pessoa e estender a mão aquele que precisa. Não somente Cecília parece errada por querer esconder seu segredo para proteger sua família, mas Rachel e Tess também estão no limite daquilo que é certo ou errado ao não considerarem nada mais que sua dor na hora de tornar atitude. E considerando que nós como indivíduos também estamos cercados de pequenas atitudes de proteção e desejos insaciáveis, podemos nos perguntar até que ponto podemos considerar essas mulheres inocentes ou culpadas das suas emoções. Dessa forma, Liane que mesmo que os segredos conduzam ao declínio, nem sempre a verdade é libertadora pois ambos estão condicionados ao nosso egoísmo de perder alguma coisa nos torna egoístas. Segredos são obscuros por isso os escondemos, assim como verdades podem ser dolorosas. Mas jamais pensamos nas consequências de ambos deles e é isto que Liane tem a oferecer. A outra pessoa, aquela que vai ser afetada porque fomos covardes ou corajosos de mais para simplesmente tomarmos alguma decisão.

“Nenhum de nós conhece os possíveis cursos que nossas vidas poderiam ter tomado. E provavelmente é melhor assim. Alguns segredos devem ficar guardados para sempre. Pergunte a Pandora.”

Apesar de ter achado a conclusão de algumas questões um tanto mão resolvidas, posso afirmar O Segredo do Meu Marido é um dos melhores livros que já li por trazer a tona de modo arrasador todas as implicações fundamentadas entre segredos, ações e suas consequências. Liane Moriarty mostra mais uma vez sua capacidade de questionar o leitor e faze-lo refletir sobre assuntos tão próximos e tão distantes de nós. Um livro simples, claro que esclarece de uma vez por toda o impacto de uma mentira sobre a vida de todos nós.

(Motive-se à ler) Trilogia Millennium – Stieg Larsson

Oii Corujinhas. Estou criando mais uma categoria no blog pois tenho percebido que têm muitos livros independentes, séries e trilogias que ainda não fiz resenha para vocês pois realizei leitura antes mesmo de criar o blog. De modo que a Motive-se À Ler será uma categoria onde vou apresentar motivos para que vocês leiam minhas obras favoritas ao longo da minha vida de leitora. 

Espero que gostem.

Títulos: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, A Menina Que Brincava Com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar. | Título original: Män Som Hatar Kvinnor,  Flickan Som Lekte Med Elden e Luftslottett Som SprängdesTrilogia: Millennium (Original)Editora: Companhia das LetrasPáginas: 528, 608 e 688Anos: 2010Encontre: Amazon | SaraivaAvaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤

trilogia millenium

Conheci essa trilogia ao comprar um exemplar de Millennium na Leitura. Naquele dias, estava tendo uma daquelas promoções bombásticas (na Leitura, gente, na Leitura!) e eu saí de lá com três livros (Millenium e os dois primeiros volumes da Trilogia dos Espinhos) gastando menos de 60 reais. Mas como mamãe sempre diz, a ganância é uma cegueira, o que se aplicava a mim pois se eu tivesse olhado direito para tudo e não só para o preço teria percebido que estava comprando o segundo volume de uma série e não uma obra única como bem imaginava (francamente, eram 600 páginas e não tinha nenhuma obra meramente parecida ao redor). Então dei aquela leve broxada, mas para minha surpresa, meu amado irmão naquele mesmo dia trouxera o filme sueco referente ao primeiro livro da trilogia para casa. Então sim, assisti o filme e em seguida passei a obra e caramba! Foi espetacular… Havia gostado tanto que algumas semanas mais tarde, adquiri o primeiro e o segundo volume lendo-os logo em seguida. A conclusão foi que a ganância me ajudou a ler uma das melhores trilogias da vida e

E agora vou te dar cinco motivos para te que vai ser uma das melhores da sua também.

1 – Uma narrativa lenta, mas que funciona.

Um dos grandes diferenciais da trilogia de Stieg Larsson é a maneira com o qual se dá a narrativa centralizada na vida de seus protagonistas. Feita em terceira pessoa, relata  a a história de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist através do gênero supense dramático. Mas devo admitir que é um tanto procrastinada pois o autor sempre se atém aos detalhes mínimos durante os retratos de vida e locações ao redor dos personagens. São 600 páginas em média que sem tantos detalhes poderiam facilmente ter 400. Apesar de não ser o tipo de leitora que curte essas enrolações, acabei não ligando para esse detalhe porque conseguir perceber que Larsson não estava apenas contando determinado suspense, mas sim dramatizando as situações de vida como um todo, de modo que assim ele conseguiu aproximar ainda mais o leitor da história.

Não existem inocentes, existem variados graus de responsabilidade. 

2. Enredos.

Em Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, a história gira em torno da busca por Harriet Vanger, uma mulher desaparecida vinte anos antes no interior da Suécia. Esse primeiro livro é independente, ou seja, não tem relação direta com o enredo dos volumes seguintes. De certo modo, é como se Larsson estivesse apenas introduzindo os personagens para que o leitor consiga formar opinião sobre cada um. Para muitos, esse é o mehor livro da trilogia por apresentar um suspense mais focado na ação. Eu particularmente amo esse primeiro, mas percebo que ele não é tão complexo como os outros o que acaba não me fazendo considerá-lo como um dos melhores. Mas mesmo assim é uma história que vale a pena conhecer pois ele ressalta insere quais os pontos terão maior abordagem na série: Lisbeth, Mikael e mulheres em situações de abuso.

O segundo volume, A Menina que Brincava Com Fogo inicia um ano após os acontecimentos de seus antecessor. A história refere-se a um casal que estava prestes a fazer uma denúncia ao ministério público sobre o tráfico de mulheres que é brutalmente assassinado em seu apartamento no dia anterior. Lisbeth se torna a principal suspeita do assassinato e Mikael é o único que acredita em sua inocência. Esse livro apresenta um crime, e o livro posterior A Rainha do Castelo de Ar irá trazer as consequências deles. Assim, diferente do anterior, torna-se crucial que esses dois volumes sejam ser lidos na sequência para que o time da história não seja perdido. 

Ações impulsivas levariam a problemas, e problemas poderiam ter conseqüências desagradáveis

3. Personagens.

Com vidas conturbadas, Mikael e Lisbeth não poderiam ser mais diferentes. 

Mikael Blomkvist é jornalista. Receptivo, bem humorado e fiel a princípios o protagonista masculino apresenta o lado heroico do livro, onde o mocinho consegue se manter acima das necessidades individuais do homem. Muito embora Larsson não o fundamente como um personagem perfeito, Mikael tem suas particularidades que acabam por transformá-lo em um herói típico do suspense ao qual os leitores vão ter mais acesso ao que está acontecendo em histórias paralelas ao redor da trama principal. 

Lisbeth Salander, por outro lado, toma um caminho que extremamente oposto do de Mikael. Esquiva, fria e calculista não é amistosa jamais demonstrando apreço por outras pessoas ou quaisquer traços de empatia. Ela é uma anti-heroína que não tem apego aos princípios morais muito embora também não cause danos à ninguém. No decorrer dos três livros, principalmente do segundo, a história de Lisbeth vai sendo revelada para que nós entendamos o passado da hacker que é essencial para o conjunto de sua personalidade tão atípica. 

Eu tive muitos inimigos ao longo dos anos. Se há uma coisa que aprendi, é que você nunca deve se envolver em uma briga que você certamente perderá. Por outro lado, nunca deixe ninguém que tenha insultado você se safar. Aguarde seu tempo e revide quando estiver em uma posição de força, mesmo que você não precise mais, é hora de revidar.

4. Críticas sociais. 

Além do suspense que envolve a obra, os três livros apresentam críticas sociais não que são raramente discutidas em nossa sociedade muito embora sejam presentes nela. Corrupção, negligenciamento de menores e assassinatos por religiosidade são apenas alguns dos pontos levantados por Larsson. Mas a principal crítica são os abusos e a violência física e moral que as mulheres sofrem simplesmente por serem mulheres. No decorrer das três obras, o autor dá duros golpes em toda e qualquer sociedade machista que é omissa a esses comportamentos. Acredito que esse seja o motivo pelos qual a série é tão famosa. As críticas levantadas pelos autor são objetos de discussões que nos ajudam a refletir sobre a falta de postura contra os opressores. Em cada livro, Larsson coloca um ponto de vista ideológico diferente sobre a questão do abuso: No primeiro, o homem que abusa porque a mulher é dependente dele; No segundo, porque ela é ludibriada e todos os seus direitos como cidadã são perdidos; E no terceiro, porque a Justiça muitas vezes se nega a simplesmente acreditar na palavra de uma mulher tratando-a como propulsora do crime e não como vítima dele. 

Todo mundo tem segredos. É apenas uma questão de descobrir o que eles são.

5. Produção cinematográfica. 

A trilogia Millennium foi adaptada duas vezes para as telonas. A primeira adaptação foi realizada pela produtora Yellow Bird que adaptou os três livros em 2009. Já a produtora americana Sony Pictures o fez em 2010. Existem certas divergências entre as duas obras, mas o cerne do livro é mantido e muito bem explorado pelos diretores das películas. O destaque vai para Noomi Rapace e Rooney Mara que deram a vida brilhantemente a Lisbeth Salander considerada pela crítica especializada uma das melhores personagens femininas do cinema mundial. Assistam o trailer:

 

Então é isso Corujinhas. Espero que vocês tenham gostado do primeiro Motive-se e em breve teremos muito mais do meus clássicos pessoais para vocês. Beijos. 

( Resenha ) O Jardim das Borboletas – Dot Hutchison

Esqueça quem você é e entre no Jardim das Borboletas. Esqueça suas convicções e esteja preparado para choque de um relato sobre a face mais hedionda e psicótica da humanidade.

O Jardim das BorboletasTítulo: O Jardim das Borboletas
Título original: The Butterfly Garden
Série: The Colector #01
Autora: Dot Hutchison
Editora: Planeta
Páginas: 304
Ano: 2017
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro. Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas… e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.

Mas, quando eu adormecesse, o pesadelo ainda estaria lá. Quando eu acordasse, o pesadelo ainda estaria lá. Todos os dias, durante três anos e meio, o pesadelo sempre, sempre estaria lá, e não havia conforto para isso. Mas, por algumas horas, eu podia fingir. Eu podia ser a menininha dos fósforos e jogar minhas ilusões contra a parede, perdida no calor até a luz diminuir e me levar de volta ao Jardim.

Uma das vantagens de se começar obras sem saber absolutamente nada sobre elas é a falta de expectativa. Eu já disse várias vezes em outras resenhas como me decepcionei com livros que pareciam ser uma coisa na sinopse e no fim das contas foram outra, não por serem totalmente diferentes, mas por apresentarem divergências sutis que acabam por contribuir para a decepção. Quando comecei O Jardim das Borboletas eu não tinha noção do que poderia esperar. Tudo na capa apresenta certa dualidade que se enquadraria em vários gêneros. Se eu soubesse que se tratava de um suspense teria formulado milhares de suposições. Mas ao em vez disso, fui presenteada com surpresas dadas pela ignorância. E assim o livro de Dot Hutchison me prendeu por sua sagacidade dramática e pela maneira com o qual os personagens foram desenvolvidos de modo a serem implacavelmente doentios e realistas.

Você parece sempre imaginar que fui uma criança perdida, como se tivessem me largado na rua como lixo. Mas as crianças como eu nunca estão perdidas. Talvez sejamos as únicas que nunca se perdem. Sempre sabemos exatamente quem somos e aonde podemos ir. E aonde não podemos ir, é claro.

A história é contada de forma branda não possuindo momentos de tensão caracteristicos de um thriller. Contudo  não considero isso algo ruim porque pela vista geral da obra não era estritamente necessário. O enredo é contado de modo póstumo ao fato fazendo com o que o leitor já entre na leitura sabendo que de modo que as cativeiras sobreviveram. Baseado nisso, posso afirmar que a questão do livro não é a fuga, mas a vida das Borboletas no Jardim. Por isso não espere nada eletrizante por conta de uma tensão factual, mas sim por causa de uma tensão sentimental.

Eu estava lá dentro, sem chance de escapar, sem ter como voltar à vida que conhecia, então por que me apegaria a isso? Por que causar a mim mesma mais dor lembrando-me daquilo que não possuía mais?

A configuração da narrativa é feita por duas pessoas em dois tempos  verbais. No presente, não temos o domínio da emoção nas falas de VictorEddison (os investigadores), pois, apesar dos homens verem reflexos de suas histórias na  da adolescente, ambos se privam de expressar sentimentos pela necessidade da realização de seu um trabalho para descobrir qual segredo a entrevistada esconde. Assim, o relato presente é uma condução mais aberta da narrativa. São passagens rápidas que ajudam o leitor a entender por meio de explicações mais diretas o que estava acontecendo de verdade. Quando a narrativa corta para o passado, Maya conta como era sua vida antes e depois de parar no cativeiro. Neste ponto sim temos o emaranhamento de sentimentos à contagem da história. Maya não se torna apenas a locutora dos fatos, mas também uma janela entre a mente das garotas sequestradas e o homem que havia feito isso. Através desses dois pontos contrários a autora amplia o poder da narrativa. Ao mesmo tempo em que Hutchison te bombardeia com emoções ela também te dá tempo para processar o significado daquilo causando um efeito devastador.

É uma forma de pragmatismo, acho eu. Pessoas carinhosas e amorosas que precisam desesperadamente da aprovação dos outros acabam sendo vítimas da síndrome de Estocolmo, já o resto de nós se rende ao pragmatismo. Por já ter vivenciado as duas possibilidades, sou a favor do pragmatismo.

A originalidade da história concentra-se nos personagens que a autora criou de modo tão crível. Antes de ler O Jardim das Borboletas nunca tinha tido contato com a mente de uma vítima de um psicopata de maneira tão clara e pavorosa em um sentido mais humanistico da coisa. Quando dá vida a protagonista, a autora se preocupa em explorar todos os antes e todos os depois que levaram Maya a se tornar tão introspectiva ao mesmo tempo tão corajosa. De certo modo, Hutchison parece criar duas histórias ao mesmo tempo com a finalidade de fortalecer sua heroína e fazer com que ela passasse pelo cativeiro de modo senil. Qualquer outra garota que não tivesse o passado tão conturbado teria se desesperado, mas a experiência faz com que Maya assuma o controle de sua mente. Assim a narrativa permanece lúdica e plausível e a protoganista torna-se inesquecível.

Algumas pessoas desabam e nunca mais levantam. Outras recolhem os próprios cacos e os colam com as partes afiadas viradas para fora.

Assim  como a principal, os personagens secundários também brilham dentro da narrativa. É interessante perceber como Hutchison não desperdiçou nomes e descrições  se delimitando a criar tipos consistentes que contribuem para a evolução do enredo. As outras Borboletas, por exemplo, são muitas mulheres embora grande parte delas seja apenas um borrão em uma multidão. A autora só deixa em contato com o leitor aquelas que possuem relevância para o enredo. Eu diria que aqui fica um dos pontos mais altos da narrativa pois Hutchison emoldura seu jardim com mulheres que variam suas emoções desde a raiva e o desespero à alegria e submisão. Cada qual lutando da melhor maneira que pode para se sobreviver aos horrores daquele lugar.

A beleza perde o sentido quando nos cerca em grande abundância.

Entre os personagens secundários que mais merecem destaque estão o Jardineiro e seus filhos que apresentaram personalidadades bastante controversas auxiliando o leitor a ter uma visão geral dos tipos existentes de sequestradores. Começando pelo Jardineiro, eu diria que ele é o mais assustador dos três. Isto porque é carinhoso com “suas” Borboletas e parece realmente acreditar que as garotas, quando transformadas  nos espécimes através das tatuagens, passam a ser sua propriedade. Mais que isso, ele acredita que está salvando-as do esquecimento e lhe dando uma vida perfeita. Cuida delas exatamente como quem cuida de animais. Parece gostar de seus espíritos diferentes, percebe a beleza delas, mas nunca as deixa sair do cativeiro. O Jardineiro é um maníaco obsessivo, a representação de um maníaco obsesseivo cheio de sentimentos loucos e doentios.

A covardia pode ser um estado natural nosso, mas ainda assim é uma escolha.

Os filhos do Jardineiro, Avery e Desmond são opostos. Avery é um psicopata verdadeiro não apresentando empatia alguma pelas garotas. Suas ações são feitas para provocar dor porque ele simplesmente gosta disso. Gosta de sentir o medo que emana de seus poros e da submissão que vem com ela. Ja Desmond é apenas um covarde que não consegue ir contra os pais. De certo modo, o rapaz representa uma parcela da sociedade que vê o que está errado mas não tem coragem suficiente para dizer alguma coisa. Desmond foi sem sombras de dúvida o vilão que eu mais odiei pela sua impotência covarde. Da tríade, é o pior porque é o único que apresenta sanidade intacta mas que por conta de seu egoísmo só serve a si mesmo.

Não fazer uma escolha é uma escolha. Neutralidade é um conceito, não um fato. Ninguém vive a vida desse jeito, não realmente.

A única coisa que me incomodou no livro foi a reviravolta final. Não que tenha sido ruim, mas achei um tantinho inverossímel de mais me dando a sensação de estar faltando peças para que o conjunto fizesse sentido. Talvez possa ser explicado por conta da protagonista que tentou esconder o fato durante toda a narrativa. Contudo, mesmo sabendo disso, não consegui entender as motivações de modo que acabei perdendo a sintonia com a obra: o encanto do poderia ser verdade foi arruinado naquele momento.

Não é bem assim. Digamos que eu seja mais uma criança esquecida e negligenciada do que problemática. Sou o ursinho de pelúcia acumulando poeira embaixo da cama, não o soldado de uma perna só.

Contudo, vendo pelo aspecto geral da obra e de tudo que ela me proporcionou, afirmo que O Jardim das Borboletas vai acabar se tornando uma das melhores leituras do ano. Dotado de profundas reflexões e de uma narrativa espetacular, o livro de Dot Hutchison é original e cativante ao seu modo doentio. Ao aproximar-se dessa obra, você verá o horror como nunca viu antes. Se serve de sugestão, esqueça tudo que você já leu, dispa-se de quem é e não vá atrás de explicações simplórias. Apenas observe esse mundo doentio não trazendo para a leitura nada de fora dele.

 

 

( Resenha ) Um de Nós Está Mentindo – Karen M. McManus

Cinco jovens, quatro segredos e uma morte. Esteja preparado para juntar os pedaços desse quebra-cabeça ou você estará fadado a se perder neste jogo onde as mentiras podem valeram sua própria vida.

um de nos esta mentindoTitulo: Um de Nós Esta Mentindo
Titulo Original: One Of Us Is Lying
Autora: Karen M. McManus
Editora: Galera Record
Páginas: 384
Ano: 2018
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon 

Sinopse: Cinco alunos entram em detenção na escola e apenas quatro saem com vida. Todos são suspeitos e cada um tem algo a esconder. Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? O que realmente importa é até onde você iria para proteger os seus.

De qualquer forma, a culpa é das pessoas. Se elas não mentissem e traíssem, eu estaria na rua.

Um de Nós Está Mentindo é o livro perfeito para todos aqueles que precisam de um choque de realidade sobre a perversão das mídias sociais que estão tomando conta do mundo. Mas não se engane, essa obra não se trata de um thriller como subtendido na sinopse, mas sim como um drama estruturado através do suspense. Existem partes tensas e segredos dentro da narrativa, mas o ponto principal do enredo são os segredos dos personagens e a maneira com o qual lidam com eles. Sua vida, a adolescência e as provações que todo jovem passa ao chegar na idade de decidir o futuro é o verdadeiro foco de Karen M. McManus que apesar de não construir um livro perfeito, consegue nos deixar as mais diversas reflexões.

Algumas pessoas são tóxicas de mais para viver. Simplesmente são.

O livro é narrado em primeira pessoa pelos quatro personagens principais que acredito terem sido meus maiores problemas com a trama. Começando pela narração, eu senti certa incapacidade de McManus em construir personalidades divergentes. Muitas vezes acabei me perdendo no contexto da obra porque as narrações eram muito parecidas, mesmo com os nomes acima do capítulo indicando quem estava contando naquele momento, tanto que várias vezes tive que me guiar pelo círculo de personagens secundários em volta dos protagonistas. Isso tornou tudo confuso de um jeito negativo pois eu demorei a ganhar um ritmo para com a história.

Ainda em relação a falta de divergências dos personagens, apesar de ter gostado da maneira com o qual cada um lidou com suas questões particulares, tenho que admitir que tive certa decepção ao perceber que nenhum foi além do clichê. De certo modo, acredito que a autora planejava diferencia-los apenas não conseguiu o efeito desejado. Tanto que antes de morrer, Simon comenta que todos integrantes daquela detenção é o esteriótipo de alguma coisa: uma nerd, a gostosona, o astro do time e o bad boy misterioso. Assim quando a autora faz a inversão de suas personalidades através do segredos de cada um, ao invés de inovar e criar contextos que tragam surpresas, ela retoma o clichê não conseguindo alcançar as expectativas, pois se McManus queria mostrar que ninguém é o que parece, ela fez isso usando um clássico de cometerem “crimes” que vão ao oposto das aparências.

– Ela é uma princesa, e você, um atleta – responde ele, apontando para Bronwyn e depois para Nate, – E você é um crânio. E também um criminoso. Vocês são todos estereótipos ambulantes de filmes de adolescentes

Mas como sou uma pessoa do contra, apesar dessas primeiras falhas, não posso negar que o que me manteve presa a narrativa foi a evolução dos personagens, principalmente de Addy e Cooper.  De certo modo, foram elas que deram sentido a narrativa apresentando críticas sociais muito importantes para o cenário geral da obra que envolviam os amigos, família e relacionamentos amorosos. Acredito na importância desse tipo inserção no enredo porque ajuda a edificar o livro tornando-o bem mais sustentável. Não vou falar um pouco de cada protagonista porque para isso teria que dar spoilers dos segredos que eles escondem, mas é interessante perceber que essas críticas sociais estão presentes na obra de forma consciente aos próprios personagens. São elas que regem os segredos e as ações, pois é o medo das críticas geradas pela exposição que os mantem mentindo.

Porém, o que mais me chamou a atenção dentro da narrativa foi a percepção que autora teve em relação as mídias sociais e como estas afetam diretamente a vida de todos. De certo modo, o Falando Nisso – aplicativo criado por Simon – é basicamente a crueldade humana personificada. Ninguém faz fofoca porque quer ajudar, mas sim pela humilhação que ela propõe. As mídias sociais como um todo participam ativamente da propagação dessa crueldade. Quantas vezes não pudemos observar pessoas caindo ou sendo exaltadas por simples boatos levantados em fotos ou trends-topics? Ninguém realmente se preocupa em investigar apenas acreditam no que veem por terem a noção de que, se está em alta logo deve ser verdade. Por esse motivo, a exposição dos segredos assusta tanto os protagonistas. Pois caso apareça uma nota sobre eles no Falando Nisso, ninguém iria pensar que se tratavam de boatos, mas sim de verdade absolutas que poderiam destruir suas vidas.

Todas essas redes sociais… é como se você não pudesse cometer um erro, não é? Elas te seguem por toda parte. O tribunal é bem indulgente com jovens impressionáveis que agem as pressas quando têm muito a perder.

Apesar dos contrapontos, eu indico sim a leitura de Um de Nós Está Mentindo pelas reflexões que a autora coloca em suas páginas. Apesar de ser confuso, não é livro difícil de ler, tanto que o fiz em um único dia. É uma obra que tem significância ao abordar tantos assuntos que estão presentes em nosso dia-a-dia. Karen McManus te implica a pensar em como você julga as pessoas, como manter segredos é difícil e essencialmente como a vida pessoal pertence unicamente ao individuo.

Não sei porque é tão difícil para as pessoas assumirem que às vezes elas são idiotas que estragam tudo por acharem que nunca vão ser pegas.