Todos os posts de Jessica Rabelo

Meu nome é Jessica, mas todos me chamam de Jess. Sou apaixonada por livros, filmes, músicas e séries. Amo escrever e gosto de imaginar o mundo como um livro em constante evolução. Sou estudante de Letras, Português e esperem que em breve uma nova editora vai surgir no pedaço.

(Resenha) Joyland – Stephen King

É difícil fazer uma resenha de uma de Stephen King e não estabelecer um certo parâmetro com Sidney Sheldon, ainda mais considerando que os dois possuem características tão próximas quando o decorrer de suas narrativas. Ambos sempre optam pelo suspense – King bem mais apegado com o sobrenatural – e sempre discorrem exaustivamente sobre a vida dos personagens. Tal comparação me levou à terminar Joyland, porque eu tinha certeza que seria surpreendida, entretanto não posso dizer que assim como Sheldon costuma me levar ao ápice, King tenha conseguido o mesmo feito.

Título: Joyland | Autor: Stephen King | Editora: Suma |Páginas: 2015 | Ano: 240 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ | Encontre: Skoob | Saraiva | Amazon

joylandSinopse: Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer. Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado – e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria. O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer – e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais

Depois da leitura de It – A Coisa, não esperava um tipo narrativo diferente para Joyland. Os dois livros tem histórias extensas concentradas na vida pacata de uma cidade do interior — algo que parece ser comum à todas obras de Stephen King. Entretanto, se King tinha grandes temas à retratar na sua obra prima, o mesmo não pode ser dito de Joyland. A pouca extensão do livro tornou-o confuso, parte dos acontecimentos deixaram impressões avulsas. Não seria um eufemismo dizer que poderíamos cortar duzentas páginas e ainda sim sair com lucro.

A obra têm um enredo simplificado; um local mal-assombrado e um mistério a ser resolvido comum a livros de suspense com tema sobrenatural. Aliado à um personagem carismático e ingênuo, King abusa de fórmulas na tentativa de criar reflexões sobre a vida humana. Entretanto, não é algo que consiga imprimir-se no leitor, pois muito embora os valores criados por King sejam pertinentes, eles surgem em uma avalanche de clichês sobre amor, amadurecimento e a fragilidade da vida. Isso se deve a inconsistência dos personagens secundários que não possuem camadas e não conseguem elevar os questionamentos levantados pelo autor, mas principalmente para serem fortalecidos dentro das relações interpessoais de Devin.

E engraçado perceber que parte disso também pode ser creditada ao passado do autor como escritor de terror. Na primeira metade, King não parece muito interessado em criar algo para além do amadurecimento do protagonista pois o sobrenatural é visto como ponto corriqueiro; entretanto, o segundo momento de suspense insere-se na trama de maneira corrida, que deixa a sensação de ter faltado peças para que tudo se encaixasse de maneira melhor.

Joyland não é um livro de terror, mas também não é um drama. Torna-se uma encruzilhada entre os dois gêneros em uma narrativa pálida se comparada as demais obras do autor. Se Stephen King cometeu algum erro, foi deixar de lado o drama para entregar exatamente o que se espera dele.

( Lista ) Livros e musicais

Uma das minhas atrações favoritas no mundo são os musicais. Não somente aqueles lançados nos cinemas, mas também – e talvez principalmente – os produzidos pela Broadway. Caso vocês tenham vontade de conhecer, alguns canais no YouTube tem as filmagens disponíveis de modo gratuito como In The Hights.

Pensando nisto, a lista de hoje será sobre obras que deram origem a musicais da Brodway. São livros queridinhos em termos de músicas e também de história.

Espero que gostem.

1. Wicked – Greg Maguire

transferir.pngTodos conhecemos a história da Bruxa Má do Oeste? Wicked nos prova que não. O musical baseado na obra de Gregory Maguire revela todos os segredos de Elphaba, a garota de pele verde que cresceu à sombra da normalidade. Maguire faz um belíssimo trabalho ao recriar o mundo de Oz, e conduzindo o leitor inesquecível estrada de tijolos amarelos, atravessando um mundo fantástico repleto de conflitos e transformando de maneira surpreendente a reputação de um dos mais sinistros personagens da história da literatura, ao demonstrar que o preconceito pode transformar sonhos em pesadelos.

2. Matilda – Roald Dhal
Matilda

Tanto o filme quanto o musical de Matilda foram inspirados na obra de Roald Dah. O livro conta a história de uma menininha que todos os dias passava horas na Biblioteca, lendo um livro atrás do outro. Mas quanto mais ela lia e aprendia, mais aumentavam seus problemas. Os pais passavam o tempo todo vendo televisão, e achavam muito estranho a menina gostar tanto de ler. A diretora da escola achava Matilda uma fingida, pois não acreditava que uma criança tão nova pudesse saber tantas coisas. Quando acontecimentos estranhos surgem, Matilda é a única capaz de ajudar a si e todos aqueles que ama.

3. Querido Evan Hansen

Dear Evan HansenQuerido Evan Hansen é um dos musicais mais fofinhos da história. Evan Hansen sempre teve grande dificuldade em fazer amigos. Encorajado pelo psicólogo, decide escrever cartas inspiradoras para si mesmo. Mas, quando Connor Murphy rouba suas cartas, Evan acredita que nada pior pode acontecer. O que ele não esperava era que Connor fosse cometer suicídio e as cartas fossem parar nas mãos da família do rapaz. De repente, Evan se vê cercado de mentiras daqueles que acreditam na existência de uma grande amizade entre os dois. No fundo, Evan sabe que não está fazendo a coisa certa, mas se está ajudando a família de Connor a superar a perda, que mal pode ter? Evan agora tem um propósito de vida. Até que a verdade ameaça vir à tona, e ele precisa enfrentar seu maior inimigo: ele mesmo.

 

Então é isso Corujinhas.
Espero que tenham gostado.
Beijos.

(Algo à Ver) Homem Aranha: Longe de Casa – Jon Watts

Com o arco dos primeiros Vingadores finalizado em Ultimato, pode-se dizer que Homem Aranha: Longe de Casa era um dos filmes mais aguardados. Com o objetivo de divertir, homenagear e finalizar de vez uma era, a película de Jon Watts consegue cumprir bem os seu papel, embora escorregue diversas vezes no decorrer da narrativa.

Título: Homem Aranha: Longe de Casa| Diretor: Jon Watts | Elenco: Tom Holland, Jake Gyllenhal. Samuel L. Jackson e Zendaya | Duração: 130m | Ano: 2019 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 
avatarSinopse: Peter Parker (Tom Holland) está em uma viagem de duas semanas pela Europa, ao lado de seus amigos de colégio, quando é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson). Precisando de ajuda para enfrentar monstros nomeados como Elementais, Fury o convoca para lutar ao lado de Mysterio (Jake Gyllenhaal), um novo herói que afirma ter vindo de uma Terra paralela. Além da nova ameaça, Peter precisa lidar com a lacuna deixada por Tony Stark, que deixou para si seu óculos pessoal, com acesso a um sistema de inteligência artificial associado à Stark Industries

Existem diversas maneiras de entender Homem Aranha: Longe de Casa, embora só uma possa ser considerada a mais importante. Não se trata de um filme sobre Peter Parker, mas sobre o novo mundo criado após Vingadores: Ultimato. Não seria errado dizer que o filme é um tributo aos vingadores antigos, de modo que este foi o principal erro de Jon Watts ao deixar que sentimento nostálgico e o de perda guiassem a narrativa por completo. Isto, porque assim com Capitã Marvel perdeu seu brilho pela necessidade sua inclusão no maior grupo de heróis do cinema, Peter Parker parece perde parte de sua personalidade ao se encontrar com questionamentos nem tão relevantes assim.

O Peter Parker que conhecemos, seja nas HQs ou nas películas anteriores, sempre teve um grande senso de dever além de uma simplicidade notável. Fatos que podem ser completamente descartado no filme estrelado por Tom Holland. Apesar de ser o mais carismático, o apoio nas muletas torna o espectro Aranha de Peter um tanto apagado, além de criar um paradoxo: se a tecnologia faz de Peter um herói mais forte, deveria ele ser tão inseguro?

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A resposta parece se concentrar no oposto. Peter não têm medo, mas sim deseja ficar afastado de tudo aquilo que lhe torna um herói. Curiosamente, a lembrança das palavras icônicas do Tio Ben parecem despontar nos momentos em que o herói recusa seu legado. Soa como uma descaracterização do Homem-Aranha que conhecemos, criando certo desconforto apesar do fan-service estimulado na narrativa.

Apesar disto, não podemos deixar de ressaltar os grandes méritos de Jon Watts. Mysterio aparece com um vilão semicaricato, embora bem didático que consegue – através de uma ótima performance de Jake Gyllenhaal – se sobressair na trama. O mesmo pode ser dito da representatividade do filme, colocando em foco personagens diferenciado sem parecer ser forçado ao enredo.

Homem-Aranha: Longe de Casa é um bom começo para o novo Universo Marvel que se inicia. Apesar das falhas, apresenta bons resultados que irão encantar os expectadores, muito embora nada que o deixem estupefatos. E quem ainda for conferir no cinema, não deixem de conferir as cenas pós-créditos. Como disse um dos expectadores: são as melhores cenas do filme.

( Anatomia Literária ) Para Todos os Garotos Que Já amei

Oi leitores, como vão?

Recentemente dei uma olhada em todos os posts antigos e descobri que algumas das suas sugestões ainda não foram realizadas. Pensando nisto, irei me dedicar a cumprir suas ordens, começando pela da Eloise (Crônicas de Eloise) que sugeriu o Anatomia Literária em favor das obras da Jenny Han, mais especificamente Para Todos Os Garotos Que Já Amei.

Espero que gostem!

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Capas
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para todos os garotos que ja ameiA série se inicia com o livro homônimo, Para Todos Os Garotos Que Já Amei. O título faz referência direta aos desafios de Lara Jean e suas cartas misteriosamente enviadas. No centro da capa, Lara Jean está com uma caneta na mão, sugestionando que está escrevendo uma nova capa. Têm um ar contemplativo como se duvidasse do que está por vir. Deitada em sua cama, o quarto de Lara Jean é claro e bem adolescente, estimulando a leveza da leitura. Os detalhes nas paredes demonstram pedaços da vida da nossa coreana favorita, como uma foto de sua mãe e sua dedicação à trabalhos manuais.

transferir (1)O segundo livro, P. S.: Ainda Amo Você tem uma capa mais minimalista, muito embora bem mais representativa que a primeira. Lara Jean já não está mais escrevendo uma carta em vista de agora estar namorando sério, que também se torna prerrogativa da escolha do título. Todavia, sua postura denota estar pensativa em virtude das inseguranças que têm.  Ao seu redor também existem elementos que nos deixam a par de sua vida, mas muito mais voltado aos ares de sua personalidade. A xícara sua paixão por culinária e os livros pela leitura.

agora e para sempre, lara jeanA terceira capa é minha favorita. Ao começar do título, Agora e Para Sempre, Lara Jean, remete à jornada da protagonista de autoconfiança. A pose dela na capa só reforça isso: Lara Jean parece pronta a tudo. Vale ressaltar que, diferente dos outros livros, esse não foca em relacionamento, mas no crescimento de Lara Jean como indivíduo; a protagonista deve enfrentar as dificuldades de sua própria vida, por isto que também apresenta uma aparência mais adulta que nas outras capas.

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Espero que tenham gostado Corujinhas.
Beijos.

( Resenha) Guerra do Velho – John Scalzi – Livro 01

Livro-Guerra-do-Velho-John-Scalzi-7927619Título: Guerra do Velho | Autor: John Scalzi| Editora: Aleph | Páginas: 2016 | Ano: 368 | Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤ | Encontre: Skoob | Goodreads | Amazon

Sinopse: A humanidade finalmente chegou à era das viagens interestelares. A má notícia é que há poucos planetas habitáveis disponíveis – e muitos alienígenas lutando por eles. Para proteger a Terra e também conquistar novos territórios, a raça humana conta com tecnologias inovadoras e com a habilidade e a disposição das FCD – Forças Coloniais de Defesa. Para se alistar das FCD, é necessário ter 75 anos. Sem grandes perspectivas, John Perry aceita o desafio. Porém as dificuldades que ele encontra nas linhas de combate, são maiores do que ele poderia imaginar.

John Scalzi tem uma das narrativas mais interessantes que encontrei nos últimos anos. Além da criatividade para construção do mundo apresentado em Guerra do Velho, a escrita do autor trouxe para o livro um ar jovial apesar de ter conteúdo adulto. E mesmo assim, de certa maneira, Scalzi sempre nos lembra – pela inteligência e maturidade do protagonista – que a obra se trata das redescobertas de um homem velho como um jovem.

Dessa maneira, Scalzi consegue criar um livro de aparência inovadora, apesar do uso de tecnologias batidas (no sentido literário) dentro do contexto da obra. Isso, porque o autor não se preocupa em criar algo realmente fora dos padrões, mas estabelece dentro do texto um parâmetro conhecido do que é possível dentro das impossibilidades. E dessa forma, é interessante perceber como isto contribui para o crescimento narrativo. Não perdemos muito tempo em treinamentos ou explicações, mas absorvemos o conteúdo.

O protagonista, John Perry, é bastante carismático sendo o intermediador do ambiente com o leitor. Apesar de ser em narrado em primeira pessoa, não existe muito sentimentalismo – se é que existe algum – dentro da trama. O que torna a leitura muito mais fluída e acelerada, principalmente na segunda parte da obra.

Entretanto, não posso dizer que a leitura foi perfeita. A finalização de Scalzi não conseguiu alavancar todo o prospecto da obra. Fiquei incomodada em como John se deixou levar por um punhado de emoções e como a última batalha, que parecia impossível, terminou rápido de mais. Deixou a impressão que todos o caminho traçado pelo autor foi terminado por outra pessoa, com a solução mais obvia  que, de certo modo, não fez tanto sentido.

Guerra do Velho é um livro excepcional com algumas falhas em seu arco narrativo. Mas ainda sim é uma obra que vale muito a pena por nos lembrar em meio as raças alienígenas de nossa humanidade.

( Algo à Ver ) Chernobyl – Craig Mazin

Com finalização no Brasil prevista para hoje, Chernobyl é uma daquelas séries que ninguém pode perder. Apesar de ser baseada em fatos, existe certa imprevisibilidade no enredo. E muito mais que contar uma versão dos fatos, a série nos envolvem em sentimentos que vão da pura raiva ao mais alto temor. 

Não recomendada para menores de 16 anos.

327703-conheca-a-serie-chernobyl-mais-novo-s-696x0-2Título: Chernobyl| Diretor: Craig Mazin | Elenco: Jared Harris. Emily Watson e Stellan Skarsgárd | Minutos: 68m por episódio| Ano: 2019| Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤

No dia 26 de abril de 1986, o reator nuclear número quatro da Central Nuclear V. I. Lenin (conhecia como Usina Nuclear de Chernobylexplodiu provocando um incêndio que arderia por vários dias. Durante a queimada, o minério de Grafite foi lançado ao ar contaminando não somente as cidades próximas como países para além da fronteira da Rússia. Trinta e uma pessoas morreram diretamente, quinze indiretamente e mais de noventa mil¹ pessoas podem ter contraído câncer de tireoide por contaminação do ar ou água.

Nos últimos anos, foram feitas diversas produções literárias e cinematográficas sobre os sobreviventes, os julgamentos e a cidade fantasma de Pripyat. Dessa forma, talvez aqui esteja o grande mérito da nova série da HBO, que segue por um caminho inverso não focando apenas nesses pontos, mas ressaltando todo lado político que envolveu a catástrofe.

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Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård) e Valery Legasov (Jared Harris). Fonte: HBO.

Estreando no Brasil com timidez, Chernobyl não era apta ao sucesso comercial devido a baixa divulgação da emissora que não parecia acreditar que a série atingiria as demandas, principalmente por não ser fantasiosa o suficiente para agradar os espectadores órfãos de Game Of Thrones. Ironicamente, em menos de um mêsl tusaornou-se a série mais bem avaliada do IMDb sendo aclamada até mesmo pela crítica especializada. Pode-se dizer que a série abriu novos horizonte para produções ao apresentar um novo tipo de público que se interessa pelas histórias reais de seu próprio mundo.

O sucesso imediato de Chernobyl pode ser creditado ao brilhantismo da direção coordenada por Craig Mazin. Sem lidar com os clichês americanos de sotaques carregados ou personalidades frias, Mazin expões fatos verídicos complementando-os com a ficção. Não podemos dizer que a série funciona como documentário, mas não podemos ignorar as pesquisas minuciosas realizadas antes de suas filmagens.

Ulana Khomyuk (Emily Watson)

Em primeiro plano, a série alude ao desastre para em seguida dar margem a politicagem com que foi tratado o assunto pelo governo da URSS. É cabível ressaltar que a então União Soviética encontrava-se cristalizada pela Guerra Fria, com políticas autoritárias provocadas pela constante “ameaça nuclear” vinda Estados Unidos. No que diz respeito aos fatos, o governo não queria abrir sua política nuclear aos olhos do mundo, assim, cortou telefones, redes de televisão e quaisquer meios de comunicação que poderiam dar ao mundo alguma dimensão do que estava acontecendo.

Chernobyl usa disto para destacar personalidades dúbias daqueles que não poderiam ir contra a nação ou contra o parlamento. Em apenas algumas falas, somos tomados por sentimentos de raiva e indignação concentrados na dificuldade de entender como as relações internacionais eram mais importantes que a vida de milhares pessoas.

David Dencik como Mikhail Gorbachev
Mikhail Gorbachev (David Dencik). Fonte: HGBO

Entretanto, a série surpreende ao não se concentrar em criar vilões, mas apresentar os heróis por trás das medidas e ações realizadas para conter a catástrofe. O trio formado por Valery Legasov (Jared Harris), Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård) e Ulana Khomyuk (Emily Watson) apresentam dois lados de uma mesma moeda. Enquanto Shcherbina tem dificuldade de entender as dimensões do que está acontecendo, Khomyuk e Legasov criam os laços de empatia necessários para enlaçamento do público. A personagem de Emily Watson investiga os fatos dotada de grande sensibilidade às vítimas, ao passo que Legasov usa seus conhecimentos para tentar conter desastres derivados.

chernobyl

Mas se podemos definir um dos três como protagonista da série, certamente será o personagem de Jared Harris que entrega uma atuação brilhante.

Muitas das mortes causadas pela tragédia, foram de trabalhadores responsáveis por construir o sarcófago que abafou as partículas de radiação. A série parte disto para dar vazão a uma de suas grandes questões: sabendo que isto causaria a morte de dezenas de homens, você seria capaz de mentir para que o serviço fosse feito?

Através de Legasov, Chernobyl equilibra a pergunta de maneira quase filosófica, nunca perdendo o enlace com a realidade. Entretanto,  a resposta não virá de forma torna clara, mas subtendida na interpretação de cada espectador.

Chernobyl é nossa própria história contada para que nos faça refletir. Humanizando uma das maiores catástrofes do planeta, a série entra para o hall das melhores produções do ano ao não apresentar vilões, mas falhas humanas que poderiam ter acontecido por qualquer pessoa que vê a ganância e majestade como principal ferramenta de sucesso.

1. Fonte: https://www.greenpeace.org/brasil/publicacoes/novo-estudo-do-greenpeace-revela-que-numero-de-mortes-por-cancer-de-chernobyl-pode-chegar-a-93-mil/

(Fictisney) As melhores músicas dos vilões.

Oi Corujinhas.

Em Fictisney passados havia listado algumas das minhas músicas favoritas da Disney. Mas notei que, em suma maioria, eram músicas de heróis. Dessa forma, o objetivo desse post é ovacionar as músicas cantadas pelos vilões. Como no post anterior, serão as músicas em português (porque sou do contra e amo as dublagens) para facilitar o entendimento tanto de que não fala o idioma quanto de quem pretende assistir com as crianças.

Vamos começar?

1. Sua mãe sabe mais – Mamãe Gothel – Enrolados.

 

 

 

 

 

2. Corações infelizes – Ursula – A Pequena de Sereia.

 

 

 

 

 

3. Não há igual a Gaston – LeFou – A Bela e a Fera.

4. Se Preparem – Scar – O Rei Leão.

 

 

5. No Escuro da Noite – Rasputtin – Anastasia.

 

 

 

7. Brilhe – Tamatoa – Moana.

 

8. Fogo no Inferno – Frollo –  O Corcunda de Notre Dame.

9. Amigos Ocultos – Homem de Sombras – A Princesa e o Sapo

 

 Menção honrosa: Sua Mãe Sabe Mais (Reprise) – Mamãe Gothel – Enrolados.

 

Espero que tenham gostado Corujinhas.
Beijos.

( TAG ) The Big Bang Theory

Oi Corujinhas.

Essa semana foi dia de se despedir de uma das minhas séries favoritas. Com um humor ácido, personagens icônicas e física aplicada de maneira não convencional, The Big Bang Theory é uma das responsáveis por dar aos nerds um espaço no mundo. Após doze temporadas, a sitcom foi finalizada de maneira excepcional. Choramos e nos divertimos, mas muito mais que isso, vimos mais uma vez a importância da amizade.

Para homenagear a séries, escolhi criar e responder uma tag em sua homenagem. Como espero não dar spoilers, vou deixar o livro escolhido e a sinopse. Espero que gostem.

1. Bazinga: Um livro com um personagem ou elemento que te enganou.

terras metalicasSinopse: A Última Guerra lavou a atmosfera com uma massa nuclear, tornando-a incapaz de sustentar a vida. Para continuar sobrevivendo, a humanidade precisou se adaptar, isolando-se numa atmosfera artificial: a Esfera, local onde tem se mantido com o passar das gerações. A utopia da sociedade reinou desde então, com a paz sendo mantida com mão de ferro pela Elite. Mas essa paz pode acabar… Raquel é uma recém-formada em primeiro nível na Academia, que passa seu tempo livre entre Saturno – o parque temático da Esfera – e divagações sobre seu sonho de voar. Ao iniciar uma nova etapa de vida, ela vai encarar a cerimônia de implante que pode tornar esse sonho realidade, se a habilidade dos Túneis lhe for conferida. Mas essa nova etapa também vai levá-la por caminhos perigosos… Raquel descobrirá que o IA, responsável por todos os sistemas de sobrevivência da Esfera, está com os dias contados. Como manter a sanidade sabendo que a vida tal qual você conhece está para acabar? Raquel ainda não tem essa resposta, mas vai precisar encontrá-la. E para isso ela precisará, mais do que nunca, da ajuda de seus amigos… Tashi, Tales, Ângelo, Camila, Liceu, Isabela e Nirvana lhe darão sustentação quando tudo o mais na utópica Esfera estiver ruindo.

2. Toc! toc! toc! Penny: Um livro sobre obsessão. 

O Jardim das BorboletasSinopse: Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro. Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas… e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente.

3. A loja de quadrinhos: Um livro que mencione ou tenha super-heróis.

eleanor e park

Sinopse: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

4. O apartamento 4A: Um livro que te faz sentir em casa.

Harry-potter-e-a-pedra-filosofal-livro

Sinopse: Conheça Harry, filho de Tiago e Lílian Potter, feiticeiros que foram assassinados por um poderosíssimo bruxo, quando ele ainda era um bebê. Com isso, o menino acaba sendo levado para a casa dos tios que nada tinham a ver com o sobrenatural pelo contrário. Até os 10 anos, Harry foi uma espécie de gata borralheira: maltratado pelos tios, herdava roupas velhas do primo gorducho, tinha óculos remendados e era tratado como um estorvo. No dia de seu aniversário de 11 anos, entretanto, ele parece deslizar por um buraco sem fundo, como o de Alice no país das maravilhas, que o conduz a um mundo mágico. Descobre sua verdadeira história e seu destino: ser um aprendiz de feiticeiro até o dia em que terá que enfrentar a pior força do mal, o homem que assassinou seus pais, o terrível Lorde das Trevas.

5. Star Trek: Um livro que você releria mil vezes se pudesse.

pequenas grandes mentirasSinopse: Pequenas grandes mentiras conta a história de três mulheres, cada uma delas diante de uma encruzilhada. Madeline é forte e decidida. No segundo casamento, está muito chateada porque a filha do primeiro relacionamento quer morar com o pai e a jovem madrasta. Não bastasse isso, Skye, a filha do ex-marido com a nova mulher, está matriculada no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline. Celeste, mãe dos gêmeos Max e Josh, é uma mulher invejável. É magra, rica e bonita, e seu casamento com Perry parece perfeito demais para ser verdade. Celeste e Madeleine ficam amigas de Jane, a jovem mãe solteira que se mudou para a cidade com o filho, Ziggy, fruto de uma noite malsucedida. Quando Ziggy é acusado de bullying, as opiniões dos pais se dividem. As tensões nos pequenos grupos de mães vão aumentando até o fatídico dia em que alguém cai da varanda da escola e morre. Pais e professores têm impressões frequentemente contraditórias e a verdade fica difícil de ser alcançada. Ao colocar em cena ex-maridos e segundas esposas, mãe e filhas, violência e escândalos familiares, Liane Moriarty escreveu um livro viciante, inteligente e bem-humorado, com observações perspicazes sobre a natureza humana.

 

Espero que tenham gostado das escolhas Corujinhas.
Beijos.

 

 

( Livrosofia ) Clássicos são mesmo indispensáveis?

Oi Corujinhas.

Aulas de literatura da universidade sempre me dão muito que pensar, embora nem sempre de um jeito positivo. Talvez por causa do paradoxo constante do literato e da maneira com o qual ele interage com a literatura de uma forma geral. Paradoxalmente, o leitor cria com o passar dos anos uma mente aberta para questionar ideologias universais, ao mesmo tempo que adquiri talento para ser hostil com leituras diversas; para um literato, Best Sellers são escória perto dos clássicos imprescindíveis a qualquer pessoa. Mas seria mesmo tão necessários aos leitores ler todos os clássicos da terra?

Inicialmente pensado, um livro clássico é tido como mostra de uma cultura e o questionamento que fazemos acerca dela. Entretanto, a mesma afirmativa pode ser usada para definir livros populares. Afinal, se uma obra é publicada, por mais abstrato que pareça seu conceito ela traz algum levantamento social ou individual ao homem. A exemplo disso, Harry Potter flerta com racismo e nazismo dentro de sua camada ficcional.

Apesar disso, observando observando o horizonte, podemos inferir que a série de J. K. Rowling talvez nunca seja considerada clássica, ou pelo menos que viveremos o suficiente para ver isso acontecer. Pois se pararmos para pensar quem determina a importância de uma literatura no meio social são justamente aqueles que mais relegam as novidades. No passado, William Shakespeare – considerado percursor do teatro moderno – demorou cerca de 200 anos para alcançar o status de clássico.

Assim sendo, a literatura se coloca firmadas em dois pesos e duas medidas. O literato, em sua visão preconceituosa, defini o que pode ser lido e o que não sem levar em consideração as renovações do campo. O que não se percebe é que literatura não deve ser vista por poucos, mas construída através de múltiplas visões.

A literatura, quando pensada amplamente, tem como principal característica ruptura dos padrões. Desde que os conceitos de Aristóteles sobre poética foram tracionados pelos românticos, o mundo do leitor teve ampliação de subgêneros. Dessa maneira, não se torna o objetivo do post de questionar a importância de Homero, Machado de Assis ou Vinícius de Morais, mas sim levantar a bandeira branca para que a literatura não se torne arcaica.

Digo à todos que vocês precisam se recusar, por mais críticas que vocês possam receber. Nem todos os livros clássicos vão fazer diferença na sua vida e você não é menor que outrem porque não se sente a vontade com esse tipo de leitura.

Seja um leitor da nova era dispostos a quebrar padrões, não se sintam obrigados a gostar de algo porque um milhão de pessoas diferentes dizem que é o que você precisa. Os clássicos vão continuar sempre no mundo. Mas não faça da sua passagem pela literatura condicionada por quem não entende da sua evolução pessoal e social.

 

 

 

( Fictisney ) Pinóquio

Olá Corujinhas.

transferirNo Fictisney de hoje vamos desvendar os segredos da produção do filme Pinóquio lançado pela primeira vez 1940 pelo Walt Disney Animation. Participante da primeira era de ouro da Disney, o filme é considerado um clássico infantil, com várias lições ao longo do caminho.

O filme teve a direção chefiada por Hamilton Leske, responsável também por outras animações como Alice No País das Maravilhas. O orçamento para criação da película foi de 2,6 milhões de doláres, mas só conseguiu metade do dinheiro de volta com o lançamento devido a situação sombria que o mundo passava naquela época. Apesar disso, Pinóquio é considerado por Walt Disney como sua maior realização, bem como uma das maiores realizações no mundo da animação.

1.gifInicialmente, os grandes custos podem ser colocados pela grandeza do plano original em contraponto ao que realmente foi lançado. Vários personagens foram considerados, mas descartados em seguida pela insatisfação de Walt Disney. Apenas mais tarde, a história tomaria os moldes do que é hoje,principalmente ao personagem do Grilo Falante (a consciência) que teve a participação ampliada tornando-se o centro da história.

Albert Hurter fez o design inicial dos personagens e objetos que ficariam em destaque na obra. A marca do desenhista pode ser encontrada na oficina do Gepeto, em que todos os objetos foram criados para se assemalharem ao rosto de uma criatura vida. Entretanto, a proeminência do design pode ser vista quando voltada a arte de Gustaf Tenggren, em que a composição é feita por um efeito dinâmico chamado “lente olho de peixe”, onde a profundidade é enfatizada pelo exagero da perspectiva, e os valores e os edifícios são caracterizados por bordas afiadas e imaculadas.

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Em relação a trilha sonora do filme, as músicas foram compostas por Leigh Harline e as letras escritas por Ned Washington. A canção da Fada Azul é a mais conhecida principalmente por ser a canção usada pela Disney na apresentação de seu castelo. Em volta dela,existe uma pequena teoria em que a seria Fada Azul responsável por criar a Terra do Nunca de Peter Pan.

Quando você faz um desejo a uma estrela
Não faz diferença quem você é
Qualquer coisa que seu coração deseja
Virá até você
Se o seu coração está no seu sonho
Nenhum pedido é demasiado extremo
Quando você faz um desejo a uma estrela
Como sonhadores fazem.

Através da história, Pinóquio se tornou o filme mais aclamado da Disney de todos os tempos. Foi o primeiro filme de animação a ganhar em um Oscar em uma categoria competitiva, além de ser classificado pela American Film Instute como a 2ª animação mais importante da história do cinema. When A Wish Upon Star foi classificada em sétimo lugar como uma das músicas mais marcantes do cinema de todos os tempos.

Pinóquio teve cerca de cinco relançamentos. Ainda hoje, suas mensagens são usadas nas escolas para incentivar os alunos a respeitarem os pais, irem para a aula e não confiarem em estranhos. Mas mais do que isso, sua mensagem principal é de acreditar em sonhos, por mais impossíveis que estes possam parecer.