(Livrosofia) Fantasia

Oii Corujinhas. Depois de longos posts sobre gêneros finalmente chegou o momento de falar separadamente de cada um. É provável que eu fale somente dos gêneros que tem maior destaque entre todos os subgêneros do romance pela quantidade de conteúdo que apresentam. Mas acredito que eu vá falar um pouco sobre as variações de cada gênero nos posts referentes a eles. Entretanto… Vamos deixar para mais tarde.

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O subgênero Fantasia esta dentro do gênero ficção que é divido entre fantástico, cientifico e horror e é definido pelo uso de fenonemos não existentes em nosso mundo como o sobrenatural e seres mágicos sendo estes como elemento primário do enredo, tema ou configuração. Vocês devem se lembrar da postagem que fiz falando um pouco sobre subgêneros, mas tenham em mente que essa classificação é refletida de modo não tão frequente na história. Aquilo que aparece em primeiro plano, como localização e narrativa é que denomina o gênero principal ao qual uma determinada obra pertence.

Harry Potter DobbyEm muitas obras dentro da Fantasia há existência de criação de mundos mágicos, itens ou fenômenos que permitem a diferenciação entre um mundo real e o imaginário. Para distinguir uma fantasia dos gêneros científicos e horror, deve-se perceber a expectativa ao qual se dirigi os temas onde o da ficção fantástica está mais voltado a intrigas e a personagens heróicos. Não enquadrado dentro de parâmetros da literatura, as ações fantásticas  acontecem em divergências as noções de realidade muito embora não seja regra. Na saga Harry Potter, por exemplo, as cenas mágicas acontecem também dentro de mundos não ficcionais sendo eles parte de nossa sociedade. Em muitos casos existem explicações de intervenções divinas, magia ou de outras formas sobrenaturais.

game-of-thrones-season-7-fan-posters-16.jpgEm outros casos, naquilo que é chamado de Alta Fantasia, a história acontece em um mundo fantástico completamente diferente do nosso em que as leis naturais do nosso mundo não regem, em suma maioria o mundo imaginário. É interessante perceber que na alta fantasia, na criação do novo mundo sempre existe a junção de três pilares semelhantes ao nosso sendo eles a politica, a religião e a formação da sociedade. Muito embora quase todas as fantasias compunham seu mundo sob os parâmetros da monarquia, o modo com o qual a política, a religião e a sociedade se dividem é próprio. Tomando As Crônicas de Gelo e Fogo por exemplo, George R. R. Martin faz sua narrativa sobre a forma mediaval. Contudo, cada reino, mesmo tendo que ser fiel a coroa, está muito mais ligado a seu soberano do que ao rei. Assim como a religiosidade que muda de um continente para outro.

5538001bc8da644b4e16a46ef7f637c3A característica mais marcante da fantasia é a independência total da ciência ou tecnologia como conhecemos. Nos livros de fantasia, muitos universos possuem sua própria ciência ou simplesmente não se prendem a conceitos reais. Apesar disso, é difícil fazer classificalção completa desse gênero pela versatilidade que as obras apresentam por apresentarem elementos de outros. Muitas fantasias podem ser confundidas com romance ou com horror, como é o caso de A Hospedeira aos quais muitas pessoas o determinam como pertencente a ficção cientifica, muita embora a tecnologia utilizada pelas Almas (alienígenas) sejam próprias deles o que extingue essa possibilidade e classifica a obra como ficção fantástica.

Apesar das variações, posso dizer que a Fantasia ou Ficção Fantástica é meu gênero favorito pois o vejo como o mais completo de todos. Muito embora o romance tenha bons personagens e o suspense gratas surpresas, ler uma Fantasia me causa uma emoção diferente por ter tudo isso aliado a acontecimentos políticos e novos mundos. São coisas que acredito fazerem a diferença dentro de uma obra pela inovação proporcionada. Dentre os temas abordados, a entonação entre o bem e o mal parece sempre ganhar maior destaque. Mas aquilo que faz uma Fantasia ser bem mais forte é o estimulo de entender como, reféns ou não de poderes mágicos e criaturas sobrenaturais, estamos dispostos a lutar com unhas e dentes por aquilo que acreditamos.

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Espero que tenham gostado Corujinhas. Em breve vou trazer bem mais gêneros para vocês. Caso vocês tenham preferencias sobre quais gostariam de ver primeiro por aqui, basta deixar nos comentários que vou amar mostrá-las para vocês.

Beijos.

 

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( Anatomia Literária ) Capa e curiosidades sobre a duologia A Fúria e a Aurora de Renée Ahdieh

Oi Corujinhas, sejam muito bem vindas a mais um Anatomia Literária que hoje está voltada a duologia publicada no Brasil pela editora Globo Alt, A Fúria e A Aurora de Reneé Ahdieh. Esse post veio a pedido da Gisele do blog Abdução Literária que tem contribuído bastante para esses posts. No comentário em questão era referência a essa duologia e também aos livros da trilogia A Rebelde do Deserto de Alwyn Hamilton, mas como eu ainda não terminei essa segunda vou focar apenas na primeira deixando a de Hamilton bem mais para frente.

Espero que gostem. Vamos lá?

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As Capas
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A duologia A Fúria e A Aurora reconta a história de Sherazade e o sultão que matava suas esposas na primeira manhã de seu casamento presente no livro As Mil e Uma Noites originalmente escrito por uma legião de narradores anônimos. Renée Ahdieh reescreveu a história tendo como base os países do oriente e o gênero fantasia enrolado no romance. Tratando de temas como assassinato, rebelião e magia, a autora conseguiu conquistar um grande público que se apaixonou por seu casal de protagonistas.

A Fúria e a auroraA Fúria e a Aurora tem uma capa em tons de azul que representam a frieza do rei, a monotonia da cidade que está a mercê dos seus caprichos e a depressão do seu povo que chora pelas garotas perdidas. Os arabescos acima da capa são representações da cultura árabe que é presente no livro que tem como principal característica a interdependência do sistema. Nesse sentido, seria a afirmação do país que está quebrado pois, apesar de terem harmonia são divididos em dois lados quebrados pelas escolhas de Khalid. Em significado religioso, tais arabescos são resultado da negação de quaisquer tentativas de representação das qualidades divinas em estruturas religiosas ou imagens. No livro, que é retratado sobre os pilares da fantasia, tal significado é relativo aos deuses representados dentro de sua nova cultura que na história são os mais variados e de impossíveis de serem representados tendo seu formato apenas simbolicamente representados em harmonia na capa.

Na parte inferior do livro temos a imagem sombreada de torres e domas de frente a uma série de pessoas montadas em camelos sob um terreno irregular. O terreno representa do deserto, as torres e os domas representam a cidade e o palácio do sultão e os camelos e as pessoas o levante que existe contra o reinado de Khalid. Por fim, mas não menos importante, dos dois lados da capa temos pingentes: do lado esquerdo, um coração que precisa de uma chave podendo tanto ser o coração sombrio de Khalid quanto o de Sherazade fechado para seu esposo; e do lado direito uma lua e uma estrela onde Khalid é a lua nova tendo Sherazade como estrela para lhe guiar para fora da escuridão ao qual o sultão se encontra.

a rosa e a adagaEm A Rosa e a Adaga, a capa é concebida em tons variados de rosa que entre outras características representa a suavidade do novo amor que surgiu entre o casal de protagonistas, a pureza da verdade sobre o que estava realmente acontecendo e a fragilidade que o reino se encontra pela guerra que foi formada para derrubar o sultão. Os arabescos dessa vez estão distantes da arquitetura sendo voltados para o simbolismo da natureza pois nesse livro Sherazade não esta perto do marido (lembrando que ela casa com ele logo nas primeiras páginas de A Fúria e A Aurora). Tal representação é fundamentada ainda mais pela silhueta de Sherazade que aparece nas areias do deserto, olhando saudosamente (será?) para a cidade onde seu amado está. Apesar de ter menos elementos que a primeira, essa capa é minha favorita pois eu vejo ela com uma harmonia maior entre os elementos presentes.

Os dois próximos paragráfo podem conter spoiler.

Os títulos da duologia são um tanto clássicos sendo colocados sobre duas oposições. A Fúria e a Aurora em termos linguísticos é o ápice da raiva onde se manifesta no momento em que Sherazade deseja  entrar no castelo para se vingar de Khalid. Antes de ler o livro eu imaginava ser uma interpretação do sultão, mas depois da leitura percebo que é sim sobre Sherazade. O mesmo ocorreu com a palavra Aurora que acreditava eu se tratar das manhãs que a protagonista sobreviva, mas que na verdade se trata muito mais dos novas verdades que o sultão traz a sua sultina.

O titulo A Rosa e a Adaga, quem já leu deve acreditar que se refere a um capitulo da trama bem triste (rum, rum). Mas como eu sou uma pessoa do contra, e vale lembrar que as interpretações que eu faço da capa dos livros são de quesito pessoal, eu diria que mais uma vez o titulo vai além do obvio, pois de cara parece que estamos falando que a rosa seria Sherazade e a adaga Khalid. Mas Corujinhas, vamos combinar que a Sherazade é muito mais girl power que o Khalid. Dessa forma, eu acreito que a rosa seja o amor do sultão pela esposa e a adaga a luta de Sherazade para salvar Khalid da guerra sangrenta que está por vir.

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Curiosidades
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1| A série original As Mil e Uma Noites é uma coletânea feita por diversos autores de histórias interligadas.
2| Na história original o sultão Xeriar surpreendeu sua esposa conversando com outro homem e mandou degolá-la. A partir daí, resolveu se casar todos os dias com uma nova mulher, que seria degolada no dia seguinte à noite de núpcias.
3| O livro spin off  Contos de A Fúria e a Aurora, Reneé Ahdieh traz pequenos contos (dã!) sobre os personagens e o que se passou pela cabeça deles nos momentos mais importantes dos livros.
4| O marido de Reneé Ahdieh é persa o que ajudou a autora a formular boa parte da mitologia presente em sua obra.


 

Então é isso amores, espero que tenham gostado. Sei que foram poucas as curiosidades mas eu não achei nenhuma entrevista com a autora para poder tentar pescar mais delas para vocês. Caso tenham alguma sugestão de quais obras poderiam fazer parte do nosso Anatomia Literária, deixem nos comentários. Gih. obrigado pela dica e mais a frente vamos ter outra sua com os livros da gloriosa Júlia Quinn.

Beijos.

(Algo à Ver) Três Anúncios Para Um Crime – Martin McDonagh

Existem filmes que você demora a assistir seja por medo de decepção, seja porque a história em primeiro momento não seja tão atrativa quanto deveria. Ao ver a sinopse de Três Anúncios Para Um Crime alguns meses atrás essas duas prerrogativas estavam pairando sob a filme. Mas agora, após ver a película e perceber a grandeza do filme de Martin McDonagh, estou com aquela sensação de que já deveria ter feito isso há muitos meses.

Tres Anuncios Para Um CrimeTitulo: Três Anúncios Para Um Crime
Titulo Original:  Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Diretor: Martin McDonagh
Elenco: Frances McDormandWoody Harrelson e Sam Rockwell
Duração: 116 m
Ano: 2018
Distribuição: Fox Films
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬 ❤

Se enganará quem pensar em assistir esse filme como um excelente suspense de tirar o folego com cenas impactantes de lutas e tiroteios. Pois apesar de poder ser exaltado como excelente, se não um dos melhores filmes do ano, Três Anúncios Para Um Crime vai muito além das aparências sendo construído sobre o drama afim de ressaltar o poder quer a dor, em todos os sentidos da palavra, tem fazer das pessoas tornarem-se reféns do ódio.

O filme se passa em uma pequena pacata cidade do Missouri no sul dos Estados Unidos e conhecido por ser um estado de grande conservadorismo, fato que influencia diretamente dentro da trama. A trajetória a ser explorada é a saga de uma mãe, Mildred Hayes (Frances McDormand), que inconformada com o modo relapso(?) que a polícia vem tratando o caso de estrupo e assassinato de sua filha sete meses antes decidi cobrar mais efetividade do departamento alugando três outdoors em uma estrada pouco movimentada explanando o caso. Fato que influencia diretamente no trabalho do chefe Bill Willoughby (Woody Harrelson) e de seu companheiro Jason Dixon (Sam Rockwell).

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Mildred Hayes (Frances McDormand)

Apesar da certa obviedade de todo o contexto da trama, o filme é comovente pela saga que se propõe e consegue apresentar em dualidades impostas naquilo que podemos chamar de certo ou errado. Os diálogos, as expressões e a sonoplastia ajudam a criar um filme de grandes proporções que deixa a cargo do espectador decidir quem está com a razão ou mesmo se ela existe. Porque apesar de nós podermos enxergar precisamente os desejos de uma mãe ferrenha em encontrar e prender o assassino de sua filha, também adquirimos empatia pelos policiais, em especial o chefe Willoughby, que estão de mãos atadas por todas as burocracias que envolvem a investigação. De modo que muito antes de ser um filme de suspense, pois sim ele existe no contexto geral da trama, o drama é claro logo nos primeiros minutos ao mostrar que não se trata de encontrar um assassino e sim ir profundamente para além dos sentimentos daqueles que foram marcados pelo meio em qual vivem.

Nunca antes eu tinha assistido um filme estrelado por McDormand, então posso não estar muito segura de afirmar que esse tenha sido seu papel mais marcante porque simplesmente me deixou com a sensação de necessitar de figurinhas e canecas com seu rosto estampado. Dando vida a Hayes de uma forma implacável, a atriz personifica a personagem tomando para si todas suas emoções. Mesmo quando não abre a boca, os sentimentos ficam estampados sob as rugas de seu rosto. É como se aquilo que marcou sua personagem tivesse lhe marcado também, logo, deixamos de ver apenas um filme e vemos verdadeiramente a história daquela mulher.

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Bill Willoughby (Woody Harrelson) e Hayes.

Falando em atuações extraordinárias é impossível criticar esse filme sem citar Sam Rockwell que foi um coadjuvante com veias de protagonistas. Acredito que tenha sido o personagem com mais variações dentro da trama e que carregou muitos significados consigo. Sendo um policial racista e violento, seu personagem tem exatamente todas as características das quais ao longo dos anos vem se criticando em termos comportamentais dos oficiais americanos. Mas ao invés de roteirizar um vilão, os roteiristas demonstram o começo de sua redenção. Jason Dixon é levado a perceber que o ódio que carrega no peito nunca será capaz de levá-lo a lugar. Lição que nele fica mais clara do que em Hayes, muito embora ambas não chegam a ser conclusivas pelo filme.

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Jason Dixon (Sam Rockwell)

Pela solução apresentada em no filme para toda a questão de ódio e racismo, houve muitas polêmicas em torno da obra quanto a facilidade que tudo foi resolvido. Afinal de contas, estamos falando de décadas opressão que parecem ser solucionadas em duas horas. Mas ao contrário do que muitos pensam, o filme não é conclusivo e muito menos solucionador. É um filme que mostra um caminho a ser seguido, não necessariamente o único que é capaz disso. Basta observar a trajetória de Dixon e perceber que apesar de seus ensinamentos, o homem não parece totalmente convencido. E é nesse instante que entra o brilhantismo do filme que se encontra no que é dito entrelinhas e nas indagações que são direcionadas ao expectador.

Três Anúncios Para Um Crime é um filme emocionante que com certeza entrará para a lista de melhores filmes do ano e da minha vida. Intenso, cheio de perguntas e de atuações memoráveis, o filme é extraordinário e não deve ser ignorado ou subestimado. Mesmo sendo inconclusivo, acreditem quando digo isso para mim é um problema e tanto, o filme não peca por que sua natureza não é ter todas as respostas, mas sim direcionar todas as perguntas.

 

 

( Resenha ) Cilada Para Um Marquês – Sarah MacLean – Escândalos e Canalhas – Livro Um.

Minhas caras Corujinhas, somos todos feitos de opções e escolhas. A cada ato somos levados à outro, e se tratando dos livros de Sarah MacLean a consequência é sempre o amor.

transferir.jpgTítulo: Cilada Para Um Marquês
Título Original: The Rogue Not Taken
Série: Escândalos e Canalhas – Livro 01
Autora: Sarah MacLean
Editora: Gutemberg
Páginas: 320
Ano: 2016
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
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Sinopse: Sophie Talbot é conhecida pela Sociedade como uma das Irmãs Perigosas – mulheres Talbot que fazem de tudo para se arranjar com algum aristocrata. O apelido chega a ser engraçado, pois se existe algo que Sophie abomina é a aristocracia. Mas parece que mesmo não sendo uma irmã tão perigosa assim, o perigo a persegue por todos os lugares. Quando a mais “desinteressante” das irmãs Talbot se torna o centro de um escândalo, ela decide que chegou a hora de partir de Londres e voltar para o interior, onde vivia antes de seu pai conquistar um título. Em Mossband, ela pretende abrir sua própria livraria e encontrar Robbie, um jovem que não vê há mais de uma década, mas que jura estar esperando por ela. No entanto, ao fugir de Londres, seu destino cruza com o de Rei, o Marquês de Eversley e futuro Duque de Lyne, um homem com a fama de dissolver noivados e arruinar as damas da Sociedade. Rei está a caminho de Cumbria para visitar o odioso pai à beira da morte e tomar posse de seu ducado. Tudo o que ele menos precisava era de uma Irmã Perigosa em seu encalço. O Marquês de Eversley está convicto de que Lady Sophie Talbot invadiu sua carruagem para forçá-lo a se casar com ela e conquistar um título de futura duquesa. Já Sophie tenta provar que não se casaria com ele nem que fosse o último homem da cristandade. Mas e quando o perigo tem olhos verdes, cabelos claros e a língua afiada? Essa viagem será mais longa do que eles imaginam…

“Não existe, afinal, encarada mais óbvia do que a que evita seu objeto. Isso é verdade comprovada, em especial, quando os objetos em questão são tão difíceis de ignorar.”

Sarah MacLean é minha queridinha nos Romances de Época. Quem me acompanha aqui no blog sabe o quanto tenho lido obras da autora (das quais ainda não enjoei, para registro) e como tenho gostado do desenvolvimento de suas histórias. Desde os personagens peculiares até a narrativa fluída, cada livro à sua maneira me encanta e me faz desejar ler ainda mais dessa brilhante escritora. Apesar de não poder dizer que Cilada Para Um Marquês não é meu favorito da escritora, também não posso dizer que foi de total decepção pois se trata de uma perspectiva praticamente única para o contexto.

A narrativa de Sarah MacLean dispensa apresentações. Com uma escrita leve, irreverente e cheia de toques emocionais, a autora desenvolve livros exaltando a força. Não que isso seja incomum, afinal de contas de mocinhas fortes os romances de épocas estão cheios, mas a maneira de MacLean fazer é impressionante. Não há exageros nem irrealidades, a apenas o desejo de ser bem mais do que a sociedade espera. É certo dizer que quase todos romances de época costumam seguir um prospecto parecido. Mocinhas fora do padrão, homens que sofreram no passado e não desejam o amor, uma família amorosa e escândalos envolvendo ambas as partes. Tudo isso, é encontrado nesta obra mas que se desenvolve para além do cliché.

Nossa mocinha não é fora do padrão porque simplesmente não é bela ou tem um comportamento excessivamente impróprio, mas sim porque ela rechaça qualquer ligação com uma sociedade que está disposta a usar qualquer artíficio para esnobar sua família. Sophie tem como aspecto principal a sua necessidade encontrar um caminho próprio que não tem a ver com privilégios de uma sociedade que vive de aparências, e sim com a simplicidade de apenas ser feliz. Por ser de família simples que ascendeu a sociedade quando seus pais decidiram comprar um título de nobreza, Sophie sabe o verdadeiro significado de felicidade e tudo que deseja é tomá-la para si.

“Sophie, contudo, não adorava nada daquilo. Na verdade, ela amarrotou o jornal com fervor e refletiu sobre as opções de que dispunha. Opções, não. Opção. No singular. Porque a verdade era que as mulheres, na Inglaterra de 1833, não tinham opções. Elas tinham um caminho que deveriam trilhar. Que eram obrigadas a trilhar. E que deveriam se sentir gratas por serem obrigadas a trilhar esse caminho.”

Por criar uma família que não pertence aos padrões, MacLean desenvolve um cenário ao mesmo tempo divertido e critico onde demonstra as injustiças e as regras ridículas da sociedade preconceituosa que era (e ainda é) estabelecida no período em que o livro se passa. Um dos pontos principais dos livros de Sarah como um todo é justamente a critica que ela faz aos padrões de modo atual sobre como nós, mulheres, somos determinadas a seguir algo porque a sociedade é machista de mais para acreditar que podemos ser muito mais que flores frágeis e necessitadas. Tal critica é desenvolvida abertamente, tanto em favor da personalidade de Sophie quanto do romance que ela tem com Rei.

Falando em romance, eu achei fantástico que a maior parte dele tenha sido dada em uma viagem que foi bem divertida onde os persionagens se “conheceram”, já que ali eles tomaram tempo para entender os medos e os desejos um do outro. Rei é um personagem que não me agradou como um todo, mas não posso negar que seu ar mau humorado que reclama, reclama mas que é incapaz de não embarcar nas loucuras proporcionadas pela perigosíssima Sophie.

Meu único problema com a obra foi o final que achei um tanto dramático de mais, ao mesmo tempo que foi resolvido fácil de mais. Não que tenha sido ruim, apenas foi comum ao ponto que eu esperava algo mais bem elaborado. Mesmo assim, para você que ainda não leu Sarah MacLean mas que deseja começar, essa obra é perfeita por ser a menos sensual e aquela que contém muito da força feminina que tanto amamos na autora. E para quem já leu e quer mais de Sarah MacLean é um livro que vai te deixar ainda mais apaixonado(a) por essa escritora magnifica.

“Ela não ligava se ele a aprovava ou não. Nem ligava para o que ele pensava dela. Ou o que o resto do mundo tolo, horrível e insípido em que ele vivia pensava dela. Na verdade, se toda a Sociedade a considerava desdivertida, por que ela deveria se importar?”

 

( Livrosofia ) Os Gêneros Através da História

Olá Corujinhas. Eu tenho falado bastante sobre os gêneros e como eles se configuram na perspectiva maior do Romance, mas até agora foram todas de modo bem pessoal. Por isso no post de hoje irei falar dos gêneros literários de uma perspectiva histórica e como as classificações evoluíram através dos séculos. Espero que gostem.

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A literatura é uma manifestação artística que nasce da mente dos autores e se modifica pela interpretação dos leitores tornando-se impossível conceituá-la como um todo. Por esse motivo, é importante ressaltar que mesmo que essas classificações históricas tenham caráter de maior importância, não podemos colocá-las como fonte principal de estudos ou mesmo classificações. Gêneros são apenas guias para uma melhor direção do que estás a se procurar.

É importante, antes de tudo, ressaltar que na literatura, as uma denotações acerca dos gêneros não  ultrapassam as noções de espécies sendo exclusivas do agrupamento de caracteristicas em uma obra artística. No caminho para conceituar os gêneros, Platão postula no Livro III de A República que a obra literária era parte da cateogoria mimética imitando a realidade diferenciando os gêneros a trágedia, a comédia e o épico. Há também uma tentativa de sistematização das “formas” literárias, mas sua Poética ficou incompleta. Desse modo, temos uma ideia aproximada do que seriam os gêneros. Apenas mais a frente com Aristóteles, existe a primeira tentativa de uma sistematização das formas literárias que adiquiram a classicação tripartida: dramático (onde se estabelece a comédia e tragédia), épico e lirico. Isso, porque para Aristóteles, os gêneros estavam de acordo os meios, os objetos e os modos miméticos sendo sua divisão apresentada ora por elementos relativos ao conteúdo, ora em elementos referentes à forma.

Foi apenas na Idade Média divisão dos gêneros foi difundiu-se ao mundo muito embora apresentassem as mesmas ideias básicas da fala de Platão. Como todos sempre se fundamentavam na ideia de que a mímese era o ponto fundamental de toda obra, os gêneros eram vistos como ideias fixas que deveriam ter sempre as mesmas características. Por esse motivo, do Renascimento até o Barroco, essa classificação tripartida dos gêneros foi considerada uma verdade inquestionavél. Nessa época, entendiam-se os gêneros como formas fixas, mantidas por regras inflexíveis às quais os escritores deveriam obedecer. Assim, cada gênero (dramático, épico e lírico) se subdividia em gêneros menores, mas que se distinguiam uns dos outros pelo rigor de regras que incidiam nos aspectos formais, estilísticos e temáticos.  Além dessa classificação de gêneros, também tinha-se a variação de importância e hierarquização que definia o um gênero sendo maior ou menor que outro.

Somente no Romantismo e as ideias libertadoras que a classificação dos gêneros sofreu mudanças significativas havendo a condenação daquilo que era chamado a pureza dos gêneros. No século XIX, houve defesas de que os gêneros literários não eram imortalis sendo um organismo vivo possuindo todos os estágios de sua mudança: nascimento, amadurecimento, envelhecimento e morte, isto sendo condicionado ao domínio dos gêneros mais fortes. Tal concepção foi combatida posteriormente por Benedetto Croce que defendia a ideia de que cada obra era única expressando um estado de vida individual.

Mas é certo afirmar que mesmo com todas as discussões de gêneros dos séculos anteriores, o problema continua indefinido pela falta de aceitação do hibridismo dos gêneros. A concepção de gênero é fundamentada na ideia de categoria, ou seja, de pertencimento a ideia de família. O critico, que antes de ser critico é também um homem, sempre esteve acostumado a classificar as coisas e dar nomes a elas como forma de convencimento que assim poderá entender melhor o mundo que o cerca. Cria-se  estruturas repetidas e repetíveis que se perpetuam ao longo dos tempos. Porém, sabemos que o enunciador também pode modificar essas estruturas, pode movimentar-se e construir enunciados, ora estáveis, ora moventes, mutáveis, modificados, híbridos.

Contudo, para a literatura entender tal mutação é uma tarefa difícil pois a tradição ainda é o pano de fundo que enxerga em suas obras. Em ponto de vista pessoal, tal perspectiva se torna infundada pela modificação que as obra literárias sofreram ao longo do tempo principalmente com o nascimento do Romance. Assim, não se deve levar somente em consideração o valor hierárquico do material para a determinação da forma artística, mas também a relação entre autor e o texto, bem como o fato do ouvinte exercer influência sobre os outros dois.

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Como vocês devem notar, a literatura é de certo modo arcaica. Não se deve levar em consideração só gêneros como fundamento especifico de uma obra, pois tudo deverá ser condicionado ao leitor, ao texto e o autor.

 Espero que tenham gostado. Beijos

( Resenha ) As Crônicas Lunares – Marissa Meyer

Oii amores. Essa resenha vai ser um pouco diferente do que normalmente eu faço. Como vocês podem perceber, será relacionada a uma série completa de livros e não referente a cada componente dela. O motivo de estar fazendo desse modo é a percepção que adquiri sobre As Crônicas Lunares que cada livro está intimamente relacionado ao anterior, tanto de um ponto de vista de história quanto de um ponto de vista de personagens. Explicando melhor: o que acontece em Cinder influencia na história de Scarlet que influencia na história de Cress que se finaliza na história de Winter. Desse modo, seria impossivel fazer resenha desses livros sem dar spoiler do anterior. Assim, mesmo sabendo que essa resenha vai ficar um tanto longa, também vai ser spoiler free como bem gostamos.

Titulos: Cinder, Scarlet, Cress e WinterSérie: As Crônicas LunaresAutora: Marissa MeyerEditora: RoccoPáginas: 448, 480, 496 e 688 Anos: 2013, 2014, 2015 e 2016 | Avaliação:  ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤

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“Uma garota. Uma máquina. Uma aberração.”
– CINDER –

A  série As Cronicas Lunares é uma releitura dos clássicos contos-de-fadas que todos conhecemos. Acredito que tenha sido uma das poucas séries dentro desse contexto de releitura que realmente tenha usado as histórias originais e não os filmes Disney como base para sua construção. Assim, estamos lidando com novas versões (e põe novas nisso!) de Cinderella, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel e Branca de Neve. Um dos pontos mais atrativos desses livros, foi justamente a capacidade da autora de recriar um mundo conhecido em algo completamente novo. De certo modo, eu diria que Marissa se equipara a J. K. Rowling nesse sentido de inovação. Ambas as autoras usam de bases batidas (no caso de Rowling o mundo mágico e Marissa contos-de-fada), mas colocam sob roupagens novas que as deixam inesquecíveis. Por isso, se você pretende ler o livro de Meyer, não fique com medo de encontrar mais do mesmo pois a autora vai te surpreender em diversas raias diferentes.

“Tudo que Cinder sempre quis foi liberdade. Liberdade da madrasta e de suas regras dominadoras. Liberdade de uma vida de trabalho constante sem nenhum reconhecimento. Liberdade dos olhares de desprezo e palavras de ódio de estranhos que não confiavam na garota ciborgue. Agora, conquistara a liberdade, mas não era nem um pouco como tinha imaginado.”
– SCARLET – 

A narrativa não poderia ser mais encantadora e forte. Por estar lidando com um novo universo que praticamente não tem semelhanças com o nosso, a autora equilibra a narrativa entre sentimentos, ações e explicações para manter o nível de mistério sem nunca jogar uma grande quantidade de informações em cima do leitor. Assim os livros ganham bastante fluidez pois concentram-se no que é relevante e não expõe o leitor ao marasmo que normalmente poderíamos encontrar em livros tão grandes. Além disso, a narrativa além de ser flúida, ela também cresce de modo grandativo cheio de conexões de um livro para outro. Basta dizer que os livros ganham massa a medida que novos personagens são inseridos. Não estamos falando sobre personagens inseridos simplesmente para encher tigela, mas sim de personagens relevantes que completam o sentido da história que está sendo contada, sejam eles vilões, sejam eles mocinhos. 

“Cress se sentia um pássaro cujas asas foram cortadas e que foi jogado em uma gaiola, mais uma gaiola, nojenta e podre. Ela viveu em uma gaiola a vida toda. De alguma forma, nunca esperou encontrar uma horrível assim na Terra.”
– CRESS

Em relação aos personagens é possível enxergar nesse livro a quantidade de referencias aos clássicos originais que realmente os insere nessa gama, mas mesmo assim com quantidade significativa de mudança que os torna para além da releitura. Nós temos uma Cinderella que não precisa de fada madrinha para ser corajosa. Uma Chapeuzinho que não é tão facilmente enganada pelo lobo mau. Uma Rapunzel sonhadora presa em um satélite. Uma Branca de Neve negra que é bondosa não porque nasceu assim, mas por ter percebido os horrores que poderia causar se usasse seus dons para o mal. Além disto, desta transgressão de personalidade, a autora enlaça as histórias das protagonistas com coragem para mudar o rumo delas pelas mãos da amizade, muito além do amor. Eu achei fantástico perceber que não estamos lidando com garotas bobinhas, mas sim mulheres fortes que tomaram muitos “socos” da vida para dependerem dos outros. Mesmo Cress que sonha em viver um romance de novela é corajosa quando o momento lhe pede para ser. 

“Ela teve esperança de que o incidente fosse passar despercebido. Mas devia ter sabido. A esperança era a ferramenta do tolo.”
– WINTER –

Cinder
Capa vietnamita.

Cinder foi um começo excepcional para uma série maravilhosa. O livro em si tem menos história e menos surpresa que os outros, mas por ser introdutório da história da “personagem principal” eu diria que foi um choque perceber o quão além a autora poderia ir. A personagem que dá nome ao enredo foi minha segunda favorita. Forte e determinada, Cinder representa a garota que não se entrega as ilusões da vida. Ela não fica refém de uma determinada situação, mas se torna alguém que busca a melhor maneira de contorna-la usando a criatividade e inteligência para sair dela. 

Scarlet
Capa vietnamita.

Scarlet em termos de obra foi uma ótima continuação que teve plots twists na medida certa mantendo alinhado tanto ao novo enfoque do enredo como ao que se deu do livro passado. Apesar disso, Scarlet não foi um de meus livros favoritos muito devido a personagem que dá nome a obra. A protagonista Scarlet para mim foi intragável. Dona de uma personalidade que acredito que a autora desejava que fosse forte, tive um encontro com Scarlet que mais me deixou com raiva do que impressionada. Diferente de Cinder, Scarlet é bastante presunçosa e me lembra bastante as mocinhas dos YA que normalmente tem um nariz empinado e que sempre me remetem a infantilidade. Isso que me fez pegar ranço da protagonista, logo eu torci o nariz toda vez que ela entrava em jogo. 

Cress
Capa vietnamita.

Cress tanto como livro como personagem foram meus favoritos. O livro em si foi de constantes reviravoltas além de possuir aquela que acredito ser a história melhor trabalhada. Com novos segredos e enfim caminhando para algo maior que todas as protagonista juntas. essa obra culminou em uma profusão de sentimentos que me prenderam durante um dia inteiro. Como personagem, Cress simplesmente ganhou meu coração. Sendo a mais ingênua e sonhadora, a loira tinha tudo para ser uma das personagens mais chatas. Mas Cress mostra que timidez não é um fator que coíbe a coragem, mas sim que a propulsiona para lutar por aquilo que acredita. Além de ter sido minha personagem favorita, ela e seu par Thorne foram meus shipps do ano, basicamente. Os dois juntos foram uma explosão de sentimentos. 

Winter
Capa vietnamita

Winter finalizou a série de modo digno. Eu acredito que Meyer não poderia ter feito de uma maneira melhor cheia de surpresas e com muitas reviravoltas. Foi meu segundo favorito da série pela rapidez dos acontecimentos, mas principalmente pela maneira com o qual a autora conseguiu entrelaçar as histórias. Winter como personagem não teve muito destaque, acredito que tenha sido a protagonista que menos apareceu. Mas apesar de estar meio apagada, fez aparições fantásticas sendo o ponto de calmaria no livro. Mesmo em sua loucura, ela representou o equilíbrio para a história. 

“Todos os peões dela se encontravam em posição, e o ataque final estava prestes a começar.”
– WINTER

Com personagens secundários igualmente bem trabalhados e uma vilã digna de ter o título de Rainha Má, Marrissa Meyer parte de uma releitura para criar uma obra inesquecível. Depois de uma semana inteira com esses personagens maravilhosos, eu com certeza voi sentir muita falta desse universo que me conquistou e já entrou para lista das melhores séries que eu li na vida. Uma obra sem falhas, que vai te mostrar realmente o significado de recriar de uma maneira que você nunca viu antes. 

(Anatomia Literária) Capa e curiiosidades sobre a saga De Repente de Susan Fox

Oii Corujinhas. Finalmente depois de dois meses o meu, o seu, o nosso Anatomia Literária está de volta (👏👏👏👏👏👏). Sim amores, esta blogueira que vos fala finalmente tomou vergonha na cara e decidiu parar de procrastinar e fazer seu trabalho direito (amem né, Jessica?). De modo que cá estou eu para trazer mais curiosidades de livros e afins. E o anatomia de hoje vai ser bem especial porque foi um pedido da Bruna do blog Citation B em favor da série De Repente da autora canadense Susan Fox

Vamos começar?

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AS CAPAS
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A série De Repente, que conta a história das irmãs Fallon, foi lançada no Brasil pela Única Editora que decidiu trocar as capas originais. E vamos combinar, olhando as capas canadenses foi uma decisão super acertada já que elas são horrorosas e não tem sintonia nenhuma, o que, para nós amantes de livros e capas perfeitas é uma blasfêmia

Série Americana
Capas americanas.

As capas brasileiras por outro lado são mais fortes e representam melhor o conteúdo de cada livro. Só lembrando amores que a série De Repente é no estilo Romance Erótico. Dessa forma, as capas apesar de não serem as mais criativas, abordam o lado sensual da história de amor que está sendo contada tornando-se bastante sugestivas. 

De repente o amorDe repente o amor narra a história da primeira das irmãs, Kat que nunca teve um histórico satisfatório em seus relacionamentos. Quando seu vizinho, Nav a chama para ser seu par no casamento de sua irmã, Kat não imagina a surpresa que a aguarda. Nav sempre foi apaixonado por ela, e agora vê a chance perfeita de conquistá-la. A capa representa a conquista com Kat em uma posição entregue a Nav. O vermelho do lençol é condizente com a cor do amor. Mas não é berrante o que demonstra não ser algo novo, mas sim algo antigo e muito mais maduro.  

De repente é eleO segundo livro irá focar em Jenna que sempre foi uma mulher livre e decidida, que segue apenas uma única regra: ignorar regras. que nunca se deixou levar pelo amor. Quando conhece o biólogo Mark Chambers, nasce o desejo e logo eles cruzam a costa do Pacífico. Mas o que deveria ser apenas diversão, torna-se um sentimento poderoso e Jenna terá que decidir se irá superar seus medos e da uma chance ao cara que parece perfeito para ela. A capa representa o desejo e o medo da protagonista, sendo ela tão forte como ele, estando os dois em posições iguais.

de repente o destinoO terceiro volume introduz a vida da estudiosa Theresa e do sedutor Damien Black em um voo que pretende mudar suas vidas para sempre. Disposto a conquistá-la, Damien usará seus todos os seus dotes. Mas Theresa tem um coração partido e pode ser que Damien não seja capaz de conquistá-la. Assim, a capa representa a insegurança de Theresa em relação ao amor sendo o verde o símbolo da esperança da conquista. Pela capa, eu diria que o enfoque aqui não parece ser tanto no lado sexual e sim na construção da história e no desenvolvimento dos persoangens.

de repente o desejo

O último volume aborda a história de Merilee que está para se casar. Mas ao ver suas irmãs vivendo grandes amores, a insegurança dela aumenta por nunca ter vivido algo assim. E Matt sempre planejou a vida ao lado da amada, a vê entrar numa crise pré-casamento e fica sem chão. Seu trabalho agora é reconquistar o amor de sua vida e garantir o final feliz dos dois. Vendo o contexto da história, a capa representa a força que Matt tem que fazer para conquistar Merilee. O tom fúcsia representa o amadurecimento do amor e a chegada de um novo tipo de desejo para apimentar a relação do casal. 

Apesar de simples, as capas são bem conceituadas e possuem harmonia entre si. Tendo seus títulos mudados, cada capa ganhou o nome da saga aliado ao momento de descoberta do livro referente. 

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CURIOSIDADES
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A parte que Susan Fox mais gosta de escrever são os personagens. Trata-se de trazer personagens interessantes para a vida, desafiando-os, e vê-los crescer.
◢ Quando trabalhava como editora, Susan jamais havia pensado em escrever. Até que um amigo lhe deu um livro e disse que ela era uma escritora. Susan disse em entrevista, sentiu o livro repercutir dentro dela, e pouco tempo depois seu primeiro romance nasceu.
◤ A autora é formada em Psicologia e Direito que lhe ajudou a compor a obra.
◣ A saga das Irmãs Fallon tem como referência a série de TV e livro homônimo Sexy In The City.
◤ A autora escreveu os quatro livros antes de publicar para que tudo ficasse em perfeita sintonia. 

 

Então é isso amores, esse foi o Anatomia Literária de hoje. Espero que tenham gostado tanto quanto eu amei fazer. O próximo será sobre a duologia A Fúria e a Aurora. Até mais. Beijos.

 

(Lista) 05 Melhores Livros do Ano Até Aqui

Olá Corujinhas, como estão seus vôos no mundo da ficção? Os meus estão indo de vento em asas e como finalmente começamos o sexto mês do ano e para chamar ótimas leituras para todos nós eu e a Keth do blog Parabatai Books decidimos listar nossas melhores leituras do ano até aqui, então não se esqueçam de conferir o post dela também.

No meio eu sempre paro para dar uma conferida no que ando lendo. Normalmente vejo o gênero que mais li e quais obras eu ainda quero contemplar. Esse ano estou lendo bem mais do que ano passado, por conta talvez da meta literária que programei no Skoob muito embora só tenha cumprido 32% dela. Foram 32 lidos até agora, tendo um record especial em Janeiro onde li 14 obras.

Para matar a saudade, resolvemos re-indicar esses livros para vocês já que muitos deles já foram resenhados. Então tomem essa lista também como livros que vocês precisam desesperadamente ler.

Vamos começar?

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o conto da aia1O Conto de Aia – Margareth Atwood.

Logicamente, em primeiríssimo lugar está essa história que ganhou meu coração pela força inexplicável de suas palavras. Margareth Atwood realmente escreveu uma obra que transcende as páginas e que demonstra a força que todos nós temos que ter. Mas muito mais do que isso, a autora conseguiu expor a verdade sobre a sociedade como ela é nos fazendo enxergar todas mentiras que nos contam.

a cidade murada2A Cidade Murada – Ryan Graudin.

Apesar de não ser perfeito, esse livro me marcou pelo modo com que  Ryan Graudin conseguiu aproximar os protagonistas  do leitor tocando em temas tão comuns ao mundo que vivemos. Falando desde crimes sexuais  à sobrevivência em uma cidade dominada por tríades, A Cidade Murada foi impactante e de certa forma épica determinando lealdade e a coragem como componentes do maior tipo de medo para se lutar em busca de liberdade e qualidade de vida.

pequenas grandes mentiras3Pequenas Grandes Mentiras – Liany Moriarty

De todos os livros escolhidos, esse é com certeza o mais pesado pois Liany Moriarty não conta sua história por debaixo das linhas. Pelo contrário, de maneira crua e direta a autora explora todas as dificuldades de ser mãe através de três mulheres excepcionais. Mas não somente isso, a autora faz um relato desbravador sobre violência doméstica e abuso sexual criando um misto de emoções que choca e refaz todos os nossos pensamentos sobre esse assunto tão impactante.

entre a culpa e o desejo4Entre a Culpa e o Desejo – Sarah MacLean

É claro que não podia faltar um romance de época né minha gente? Sarah MacLean mais uma vez com essa obra magnifica me mostrou o poder de sua escrita. Com personagens fantásticos, esse livro foi diferente de todos os outros romances de época que já tive contato. Transformando um gênero normalmente clichê em algo extraordinário, MacLean faz um manisfeto a luta pela igualdade e a força feminina que todas mulheres possuem dentro de si.

em algum lugar nas estrelas5Em Algum Lugar Nas Estrelas – Clare Vanderpool

Trazendo lições para toda vida através da doçura de duas crianças, esse livro me conquistou pela simplicidade entre amizade  e procura pelo amadurecimento. Clare Vanderpool traça uma obra única através dos números como eu nunca tinha visto antes para grandiosas novas descobertas. É um livro para ser lido em todas as idades porque nunca é tarde de mais para sonhar com as estrelas.

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Então é isso amores. Espero que tenham gostado da lista desse mês. Não se esqueçam de conferir a da Keth também. Beijosssss!

(Motive-se à ler) Trilogia Millennium – Stieg Larsson

Oii Corujinhas. Estou criando mais uma categoria no blog pois tenho percebido que têm muitos livros independentes, séries e trilogias que ainda não fiz resenha para vocês pois realizei leitura antes mesmo de criar o blog. De modo que a Motive-se À Ler será uma categoria onde vou apresentar motivos para que vocês leiam minhas obras favoritas ao longo da minha vida de leitora. 

Espero que gostem.

Títulos: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, A Menina Que Brincava Com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar. | Título original: Män Som Hatar Kvinnor,  Flickan Som Lekte Med Elden e Luftslottett Som SprängdesTrilogia: Millennium (Original)Editora: Companhia das LetrasPáginas: 528, 608 e 688Anos: 2010Encontre: Amazon | SaraivaAvaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤

trilogia millenium

Conheci essa trilogia ao comprar um exemplar de Millennium na Leitura. Naquele dias, estava tendo uma daquelas promoções bombásticas (na Leitura, gente, na Leitura!) e eu saí de lá com três livros (Millenium e os dois primeiros volumes da Trilogia dos Espinhos) gastando menos de 60 reais. Mas como mamãe sempre diz, a ganância é uma cegueira, o que se aplicava a mim pois se eu tivesse olhado direito para tudo e não só para o preço teria percebido que estava comprando o segundo volume de uma série e não uma obra única como bem imaginava (francamente, eram 600 páginas e não tinha nenhuma obra meramente parecida ao redor). Então dei aquela leve broxada, mas para minha surpresa, meu amado irmão naquele mesmo dia trouxera o filme sueco referente ao primeiro livro da trilogia para casa. Então sim, assisti o filme e em seguida passei a obra e caramba! Foi espetacular… Havia gostado tanto que algumas semanas mais tarde, adquiri o primeiro e o segundo volume lendo-os logo em seguida. A conclusão foi que a ganância me ajudou a ler uma das melhores trilogias da vida e

E agora vou te dar cinco motivos para te que vai ser uma das melhores da sua também.

1 – Uma narrativa lenta, mas que funciona.

Um dos grandes diferenciais da trilogia de Stieg Larsson é a maneira com o qual se dá a narrativa centralizada na vida de seus protagonistas. Feita em terceira pessoa, relata  a a história de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist através do gênero supense dramático. Mas devo admitir que é um tanto procrastinada pois o autor sempre se atém aos detalhes mínimos durante os retratos de vida e locações ao redor dos personagens. São 600 páginas em média que sem tantos detalhes poderiam facilmente ter 400. Apesar de não ser o tipo de leitora que curte essas enrolações, acabei não ligando para esse detalhe porque conseguir perceber que Larsson não estava apenas contando determinado suspense, mas sim dramatizando as situações de vida como um todo, de modo que assim ele conseguiu aproximar ainda mais o leitor da história.

Não existem inocentes, existem variados graus de responsabilidade. 

2. Enredos.

Em Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, a história gira em torno da busca por Harriet Vanger, uma mulher desaparecida vinte anos antes no interior da Suécia. Esse primeiro livro é independente, ou seja, não tem relação direta com o enredo dos volumes seguintes. De certo modo, é como se Larsson estivesse apenas introduzindo os personagens para que o leitor consiga formar opinião sobre cada um. Para muitos, esse é o mehor livro da trilogia por apresentar um suspense mais focado na ação. Eu particularmente amo esse primeiro, mas percebo que ele não é tão complexo como os outros o que acaba não me fazendo considerá-lo como um dos melhores. Mas mesmo assim é uma história que vale a pena conhecer pois ele ressalta insere quais os pontos terão maior abordagem na série: Lisbeth, Mikael e mulheres em situações de abuso.

O segundo volume, A Menina que Brincava Com Fogo inicia um ano após os acontecimentos de seus antecessor. A história refere-se a um casal que estava prestes a fazer uma denúncia ao ministério público sobre o tráfico de mulheres que é brutalmente assassinado em seu apartamento no dia anterior. Lisbeth se torna a principal suspeita do assassinato e Mikael é o único que acredita em sua inocência. Esse livro apresenta um crime, e o livro posterior A Rainha do Castelo de Ar irá trazer as consequências deles. Assim, diferente do anterior, torna-se crucial que esses dois volumes sejam ser lidos na sequência para que o time da história não seja perdido. 

Ações impulsivas levariam a problemas, e problemas poderiam ter conseqüências desagradáveis

3. Personagens.

Com vidas conturbadas, Mikael e Lisbeth não poderiam ser mais diferentes. 

Mikael Blomkvist é jornalista. Receptivo, bem humorado e fiel a princípios o protagonista masculino apresenta o lado heroico do livro, onde o mocinho consegue se manter acima das necessidades individuais do homem. Muito embora Larsson não o fundamente como um personagem perfeito, Mikael tem suas particularidades que acabam por transformá-lo em um herói típico do suspense ao qual os leitores vão ter mais acesso ao que está acontecendo em histórias paralelas ao redor da trama principal. 

Lisbeth Salander, por outro lado, toma um caminho que extremamente oposto do de Mikael. Esquiva, fria e calculista não é amistosa jamais demonstrando apreço por outras pessoas ou quaisquer traços de empatia. Ela é uma anti-heroína que não tem apego aos princípios morais muito embora também não cause danos à ninguém. No decorrer dos três livros, principalmente do segundo, a história de Lisbeth vai sendo revelada para que nós entendamos o passado da hacker que é essencial para o conjunto de sua personalidade tão atípica. 

Eu tive muitos inimigos ao longo dos anos. Se há uma coisa que aprendi, é que você nunca deve se envolver em uma briga que você certamente perderá. Por outro lado, nunca deixe ninguém que tenha insultado você se safar. Aguarde seu tempo e revide quando estiver em uma posição de força, mesmo que você não precise mais, é hora de revidar.

4. Críticas sociais. 

Além do suspense que envolve a obra, os três livros apresentam críticas sociais não que são raramente discutidas em nossa sociedade muito embora sejam presentes nela. Corrupção, negligenciamento de menores e assassinatos por religiosidade são apenas alguns dos pontos levantados por Larsson. Mas a principal crítica são os abusos e a violência física e moral que as mulheres sofrem simplesmente por serem mulheres. No decorrer das três obras, o autor dá duros golpes em toda e qualquer sociedade machista que é omissa a esses comportamentos. Acredito que esse seja o motivo pelos qual a série é tão famosa. As críticas levantadas pelos autor são objetos de discussões que nos ajudam a refletir sobre a falta de postura contra os opressores. Em cada livro, Larsson coloca um ponto de vista ideológico diferente sobre a questão do abuso: No primeiro, o homem que abusa porque a mulher é dependente dele; No segundo, porque ela é ludibriada e todos os seus direitos como cidadã são perdidos; E no terceiro, porque a Justiça muitas vezes se nega a simplesmente acreditar na palavra de uma mulher tratando-a como propulsora do crime e não como vítima dele. 

Todo mundo tem segredos. É apenas uma questão de descobrir o que eles são.

5. Produção cinematográfica. 

A trilogia Millennium foi adaptada duas vezes para as telonas. A primeira adaptação foi realizada pela produtora Yellow Bird que adaptou os três livros em 2009. Já a produtora americana Sony Pictures o fez em 2010. Existem certas divergências entre as duas obras, mas o cerne do livro é mantido e muito bem explorado pelos diretores das películas. O destaque vai para Noomi Rapace e Rooney Mara que deram a vida brilhantemente a Lisbeth Salander considerada pela crítica especializada uma das melhores personagens femininas do cinema mundial. Assistam o trailer:

 

Então é isso Corujinhas. Espero que vocês tenham gostado do primeiro Motive-se e em breve teremos muito mais do meus clássicos pessoais para vocês. Beijos. 

( Resenha ) O Jardim das Borboletas – Dot Hutchison

Esqueça quem você é e entre no Jardim das Borboletas. Esqueça suas convicções e esteja preparado para choque de um relato sobre a face mais hedionda e psicótica da humanidade.

O Jardim das BorboletasTítulo: O Jardim das Borboletas
Título original: The Butterfly Garden
Série: The Colector #01
Autora: Dot Hutchison
Editora: Planeta
Páginas: 304
Ano: 2017
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ❤
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro. Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas… e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.

Mas, quando eu adormecesse, o pesadelo ainda estaria lá. Quando eu acordasse, o pesadelo ainda estaria lá. Todos os dias, durante três anos e meio, o pesadelo sempre, sempre estaria lá, e não havia conforto para isso. Mas, por algumas horas, eu podia fingir. Eu podia ser a menininha dos fósforos e jogar minhas ilusões contra a parede, perdida no calor até a luz diminuir e me levar de volta ao Jardim.

Uma das vantagens de se começar obras sem saber absolutamente nada sobre elas é a falta de expectativa. Eu já disse várias vezes em outras resenhas como me decepcionei com livros que pareciam ser uma coisa na sinopse e no fim das contas foram outra, não por serem totalmente diferentes, mas por apresentarem divergências sutis que acabam por contribuir para a decepção. Quando comecei O Jardim das Borboletas eu não tinha noção do que poderia esperar. Tudo na capa apresenta certa dualidade que se enquadraria em vários gêneros. Se eu soubesse que se tratava de um suspense teria formulado milhares de suposições. Mas ao em vez disso, fui presenteada com surpresas dadas pela ignorância. E assim o livro de Dot Hutchison me prendeu por sua sagacidade dramática e pela maneira com o qual os personagens foram desenvolvidos de modo a serem implacavelmente doentios e realistas.

Você parece sempre imaginar que fui uma criança perdida, como se tivessem me largado na rua como lixo. Mas as crianças como eu nunca estão perdidas. Talvez sejamos as únicas que nunca se perdem. Sempre sabemos exatamente quem somos e aonde podemos ir. E aonde não podemos ir, é claro.

A história é contada de forma branda não possuindo momentos de tensão caracteristicos de um thriller. Contudo  não considero isso algo ruim porque pela vista geral da obra não era estritamente necessário. O enredo é contado de modo póstumo ao fato fazendo com o que o leitor já entre na leitura sabendo que de modo que as cativeiras sobreviveram. Baseado nisso, posso afirmar que a questão do livro não é a fuga, mas a vida das Borboletas no Jardim. Por isso não espere nada eletrizante por conta de uma tensão factual, mas sim por causa de uma tensão sentimental.

Eu estava lá dentro, sem chance de escapar, sem ter como voltar à vida que conhecia, então por que me apegaria a isso? Por que causar a mim mesma mais dor lembrando-me daquilo que não possuía mais?

A configuração da narrativa é feita por duas pessoas em dois tempos  verbais. No presente, não temos o domínio da emoção nas falas de VictorEddison (os investigadores), pois, apesar dos homens verem reflexos de suas histórias na  da adolescente, ambos se privam de expressar sentimentos pela necessidade da realização de seu um trabalho para descobrir qual segredo a entrevistada esconde. Assim, o relato presente é uma condução mais aberta da narrativa. São passagens rápidas que ajudam o leitor a entender por meio de explicações mais diretas o que estava acontecendo de verdade. Quando a narrativa corta para o passado, Maya conta como era sua vida antes e depois de parar no cativeiro. Neste ponto sim temos o emaranhamento de sentimentos à contagem da história. Maya não se torna apenas a locutora dos fatos, mas também uma janela entre a mente das garotas sequestradas e o homem que havia feito isso. Através desses dois pontos contrários a autora amplia o poder da narrativa. Ao mesmo tempo em que Hutchison te bombardeia com emoções ela também te dá tempo para processar o significado daquilo causando um efeito devastador.

É uma forma de pragmatismo, acho eu. Pessoas carinhosas e amorosas que precisam desesperadamente da aprovação dos outros acabam sendo vítimas da síndrome de Estocolmo, já o resto de nós se rende ao pragmatismo. Por já ter vivenciado as duas possibilidades, sou a favor do pragmatismo.

A originalidade da história concentra-se nos personagens que a autora criou de modo tão crível. Antes de ler O Jardim das Borboletas nunca tinha tido contato com a mente de uma vítima de um psicopata de maneira tão clara e pavorosa em um sentido mais humanistico da coisa. Quando dá vida a protagonista, a autora se preocupa em explorar todos os antes e todos os depois que levaram Maya a se tornar tão introspectiva ao mesmo tempo tão corajosa. De certo modo, Hutchison parece criar duas histórias ao mesmo tempo com a finalidade de fortalecer sua heroína e fazer com que ela passasse pelo cativeiro de modo senil. Qualquer outra garota que não tivesse o passado tão conturbado teria se desesperado, mas a experiência faz com que Maya assuma o controle de sua mente. Assim a narrativa permanece lúdica e plausível e a protoganista torna-se inesquecível.

Algumas pessoas desabam e nunca mais levantam. Outras recolhem os próprios cacos e os colam com as partes afiadas viradas para fora.

Assim  como a principal, os personagens secundários também brilham dentro da narrativa. É interessante perceber como Hutchison não desperdiçou nomes e descrições  se delimitando a criar tipos consistentes que contribuem para a evolução do enredo. As outras Borboletas, por exemplo, são muitas mulheres embora grande parte delas seja apenas um borrão em uma multidão. A autora só deixa em contato com o leitor aquelas que possuem relevância para o enredo. Eu diria que aqui fica um dos pontos mais altos da narrativa pois Hutchison emoldura seu jardim com mulheres que variam suas emoções desde a raiva e o desespero à alegria e submisão. Cada qual lutando da melhor maneira que pode para se sobreviver aos horrores daquele lugar.

A beleza perde o sentido quando nos cerca em grande abundância.

Entre os personagens secundários que mais merecem destaque estão o Jardineiro e seus filhos que apresentaram personalidadades bastante controversas auxiliando o leitor a ter uma visão geral dos tipos existentes de sequestradores. Começando pelo Jardineiro, eu diria que ele é o mais assustador dos três. Isto porque é carinhoso com “suas” Borboletas e parece realmente acreditar que as garotas, quando transformadas  nos espécimes através das tatuagens, passam a ser sua propriedade. Mais que isso, ele acredita que está salvando-as do esquecimento e lhe dando uma vida perfeita. Cuida delas exatamente como quem cuida de animais. Parece gostar de seus espíritos diferentes, percebe a beleza delas, mas nunca as deixa sair do cativeiro. O Jardineiro é um maníaco obsessivo, a representação de um maníaco obsesseivo cheio de sentimentos loucos e doentios.

A covardia pode ser um estado natural nosso, mas ainda assim é uma escolha.

Os filhos do Jardineiro, Avery e Desmond são opostos. Avery é um psicopata verdadeiro não apresentando empatia alguma pelas garotas. Suas ações são feitas para provocar dor porque ele simplesmente gosta disso. Gosta de sentir o medo que emana de seus poros e da submissão que vem com ela. Ja Desmond é apenas um covarde que não consegue ir contra os pais. De certo modo, o rapaz representa uma parcela da sociedade que vê o que está errado mas não tem coragem suficiente para dizer alguma coisa. Desmond foi sem sombras de dúvida o vilão que eu mais odiei pela sua impotência covarde. Da tríade, é o pior porque é o único que apresenta sanidade intacta mas que por conta de seu egoísmo só serve a si mesmo.

Não fazer uma escolha é uma escolha. Neutralidade é um conceito, não um fato. Ninguém vive a vida desse jeito, não realmente.

A única coisa que me incomodou no livro foi a reviravolta final. Não que tenha sido ruim, mas achei um tantinho inverossímel de mais me dando a sensação de estar faltando peças para que o conjunto fizesse sentido. Talvez possa ser explicado por conta da protagonista que tentou esconder o fato durante toda a narrativa. Contudo, mesmo sabendo disso, não consegui entender as motivações de modo que acabei perdendo a sintonia com a obra: o encanto do poderia ser verdade foi arruinado naquele momento.

Não é bem assim. Digamos que eu seja mais uma criança esquecida e negligenciada do que problemática. Sou o ursinho de pelúcia acumulando poeira embaixo da cama, não o soldado de uma perna só.

Contudo, vendo pelo aspecto geral da obra e de tudo que ela me proporcionou, afirmo que O Jardim das Borboletas vai acabar se tornando uma das melhores leituras do ano. Dotado de profundas reflexões e de uma narrativa espetacular, o livro de Dot Hutchison é original e cativante ao seu modo doentio. Ao aproximar-se dessa obra, você verá o horror como nunca viu antes. Se serve de sugestão, esqueça tudo que você já leu, dispa-se de quem é e não vá atrás de explicações simplórias. Apenas observe esse mundo doentio não trazendo para a leitura nada de fora dele.