( Resenha ) Os Sete Maridos de Evelyn Hugo – Taylor Jenkins Reid

Lançado no ano passado, Os Sete Maridos de Evelyn Hugo conquistou uma multidão avassaladora de leitores pelo mundo. Não para menos, conheci essa obra através de uma resenha do canal Geek Freak que estava em um projeto para ler de hypes do momento. Apesar de ter minha ressalvas a hypes – porque quase sempre fico frustada quando minha expectativa não é suprimida – senti necessidade de ler a obra para entender o significado do título. E devo dizer que achei surpreendente perceber como a autora usou dessa artimanha para tocar um assunto tão necessário a nossa sociedade.

Os sete Maridos de Evelyn HugoTítulo: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo | Autora: Taylor Jenkins Reidi| Editora: Paralela | Páginas: 360 | Ano: 2019 | Encontre: Skoob | Amazon

Sinopse: Com todo o esplendor que só a Hollywood do século passado pode oferecer, esta é uma narrativa inesquecível sobre os sacrifícios que fazemos por amor, o perigo dos segredos e o preço da fama. Lendária estrela de Hollywood, Evelyn Hugo sempre esteve sob os holofotes ― seja estrelando uma produção vencedora do Oscar, protagonizando algum escândalo ou aparecendo com um novo marido… pela sétima vez. Agora, prestes a completar oitenta anos e reclusa em seu apartamento no Upper East Side, a famigerada atriz decide contar a própria história ― ou sua “verdadeira história” ―, mas com uma condição: que Monique Grant, jornalista iniciante e até então desconhecida, seja a entrevistadora. Ao embarcar nessa misteriosa empreitada, a jovem repórter começa a se dar conta de que nada é por acaso ― e que suas trajetórias podem estar profunda e irreversivelmente conectadas.

A verdade é que os elogios são como um vício. Quando a pessoa se acostuma a  ouvir, precisa de cada vez mais só para se manter equilibrada.

Para sermos conquistados por livros de romance ou drama é necessário criar empatia pelo personagem que está contando a determinada história. Até porque, entender os sentimentos alheios é difícil quando não conseguimos nos colocar no lugar do outro. Normalmente, isso é alcançado através do ponto de vista que precisa ser assertivo sobre as escolhas tomadas. Dessa forma, não chega ser estranho como a narrativa de Taylor Jenkins Reid tem sua principal virtude na ótica de Evelyn Hugo. Ao criar uma personagem de moralidade questionável, Jenkins torna os dúbios atos da protagonista em reflexos circunstanciais tornando-a vítima não uma malfeitora.

Dessa maneira, Jenkins cria um livro realístico ao humanizar Evelyn. Seria muito fácil usar fazer da atriz uma simples mártir sem deixar espaço para suposições sobre sua personalidade, sobre seu caráter. Mas ao abandonar isso e trazer uma perspectiva dúbia a história ganha um caráter de verossimilhança com a realidade que até mesmo nos perguntamos se Evelyn existiu.

Evelyn passa a ser comparada pelos leitores como uma força da natureza pois não  é fragilizada ficando calcadas aos alicerces do machismo tão mais forte em sua época. A atriz entende o que quer e luta para conseguir isto, mudando de personalidade para viver de uma forma irreal dentro da realidade. Evelyn existe em suas próprias cativando o público por todos os seus atributos físicos, mesmo que seu espírito seja mais interessante. Evelyn entende que ser uma mulher bonita é mais importante que ser inteligente, ser boba é melhor que ser audaciosa; e aos poucos ela mostra como Hollywood é suja, prendendo as mulheres em esteriótipos de princesas e homens em machos alfa.

Sempre achei fascinante a maneira como as coisas podem ser simultâneamente verdadeiras e falsas, como um mesmo indivíduo pode ser bom e ruim, como alguém pode amar de uma forma linda e altruísta e ainda assim ser implacável na hora de arrancar o que quer da pessoa amada.

Mas muito embora tenha gostado bastante da maneira com qual a narrativa foi proposta e todas as implicações realizadas desde que o segredo de Evelyn é exposto ao leitor, diria que a subtrama e os personagens secundários foram mal desenvolvidos, principalmente no que diz respeito ao grande amor da vida da atriz (a maior questão do livro) que se tornou uma figura odiosa por ser tão plana.

Apesar disso, Os Sete Maridos de Evelyn Hugo vai se tornar uma das melhores leituras do ano sem dúvidas. Com temas sociais bem abordados e a demonstração de uma categoria sexual que pouco é explanada em narrativas mundo afora – onde ou você é uma coisa ou outra -, a discussão levantada por Taylor Jenkins Reid não é apenas essencial como avassaladora.

– Não é conveniente -, Harry continuou, – que num mundo onde os homens ditam as  regras a coisa mais desprezada seja a que representa a maior ameaça?

10 comentários sobre “( Resenha ) Os Sete Maridos de Evelyn Hugo – Taylor Jenkins Reid

  1. Eu li esse livro no final do ano passado e gostei muito, mas muito mesmo, achei toda a história da Evelyn maravilhosa.
    Discordo de você quanto aos personagens secundários terem ficado planos, acho que existe muito nos diálogos que tornam eles bem vivos e reais.
    A única coisa desse livro que não gosto é a parte da Monique, toda a aparte dela foi muito mal escrita, e o plot twist do final para amarrar a história dela ė bem desnecessårio.
    Não é a toa que você achou que a personagem da Evelyn pode ter existido, durante minha leitura percebi que muito dela foi baseado em Joan Crawford, inclusive a notória rivalidade dela com a Bete Davis pode ter sido apenas por motivos de que Evelyn era apaixonada pela atriz (existem algumas histórias que levam a isso).
    Adorei sua resenha.

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