(Algo à Ver ) Euphoria – Sam Levinson

Acho que finalmente estou começando à sentir apreço pelo mundo das séries. Isto, porque muito embora acompanhe as de comédia, raramente dou espaço para dramas. Costumo sentir revolta pela inconsistência dos personagens ou pelo alongamento demasiado das temporadas. Entretanto, se Chernobyl foi minha porta de entrada para o mundo sombrio das minisséries, mais uma vez a HBO é responsavel por me inserir nos dramas com sua nova produção Euphoria.

EuphoriaTítulo: Euphoria | Elenco: Zendaya, Hunter Schafer, Jacob Elordi, Sydney Sweeney | Criação: Sam Levinson | Ano: 2019 | Duração: 60m por ep. | Distribuição: HBO

Apesar da predominância da Netflix, podemos dizer que o mundo dos Streaming’s está a cada dia mais abrangente. A concorrência torna o mercado mais atrativo, uma vez que os estúdios precisam alcançar a excelência para garantir que o público se mantenha fiel. A HBO parece estar antenada com essas mudanças trazendo para seus expectadores aquilo que eles querem ver, muito embora se destaque por não fazer da maneira que se espera.

Em sentido geral, séries adolescentes são — quase sempre — de comédia, derivadas da premissa que nem tudo é tão ruim como parece. Na medida que em que são construídas, costumam dar uma guinada em seus roteiros para expôr assuntos que são comuns aos adolescentes pertinentes a Geração Z, inaugurada com as novas tecnologias. Não obstante, tais séries tem assuntos comuns como base: sexo, drogas, padrões estéticos e tecnologia. Euphoria, de Sam Levinson, não apresenta o contrário ao explanar esses assuntos. Entretanto, o que diferencia a série estrelada por Zendaya de todas as outras, é o escancaramento todos os desafios de tal geração sem medo do que pode ser considerado ultrajante, cacterísticas que tornam Euphoria tão difícil de ser ignorada começando desde sua apresentação e seguindo para todos os ciclos que envolvem sua estrutura. A começar pela montagem técnica, o jogo de cores opostas em cada cena que transparece as dualidades dos personagem. Um mundo psicodélico que varia entre a opacidade do dia entendiante, com as festas que os jovens frequentam.Além disso, como uma característica da HBO várias cenas são de nudez. Entretanto, diferentemente de outras produções, não são para chamar atenção do público, mas para tornar a nudez natural. Isto pode ser observado, principalmente pelo foco ser frontais masculino contextualizados justapostos aos seios femininos expostos sem nenhuma justificativa

Além disso, como uma característica da HBO várias cenas são de nudez. Entretanto, diferentemente de outras produções, não são para chamar atenção do público, mas para tornar a nudez natural. Isto pode ser observado, principalmente pelo foco ser frontais masculino contextualizados justapostos aos seios femininos expostos sem nenhuma justificativa.

Outro ponto marcante da produção, são as montagens que têm como função explicar os fatos narrados por Rue (Zendaya), seja derivados da infância dos protagonistas-secundários seja para os efeitos que as ações de Rue tem sobre si mesma. E muito embora muitas pessoas considerem algumas cenas como dicas de como usar drogas ou burlar testes, interpreto como o oposto; elas demonstram a realidade do usuário, as implicações que o uso de drogas têm em sua vida e quais são os riscos. Essas cenas devem ser encaradas muito mais como alertas, pois não existe quaisquer tipos de romantização de abusos, drogas ou violências na série.

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Hunter Schafe como Jules e Zendaya como Rue (Fonte: HBO)

Para além da parte técnica, o foco principal da narrativa é trazer ao expectador as dúvidas e os medos de uma geração que não parece saber lidar consigo mesma. Muito embora traga os eventos maneira levada ao exponencial, os assuntos tratados ao longo da série são reais que precisam ser debatidos e reconhecidos pelos pais. E aqui talvez se encontre o motivo pelo qual Euphoria é uma série imprópria para menores: os conceitos abordados são muito mais voltados as necessidades dos pais entenderem seus filhos do que, necessariamente, os adolescente entenderem a si mesmos.

O hall dos protagonistas é bem trilhado com o inicio de cada oito capítulos focando em nos contar suas infâncias e como isso refletiu na vida adulta. A montagem se torna impressionante quando observamos os impactos na vida de Nate (Jacob Elordi) que apesar da posição privilegiada, através das palavras de seu pai sobre a força “máscula e implacável de um homem”, passou a enxergar na violência sua principal arma de dominação.

Jacob Elordi como Nate (Fonte: HBO)

Entretanto, o destaque da série está mesmo em Zendaya e seu produtor musical Drake. Com uma trilha sonora que muda e acompanha as nuances da série, Zendaya entrega a melhor performance de sua carreira ao desequilibrar perfeitamente suas emoções. Em um misto de raiva, amor e devoção à Jules (Hunter Schafe) desenvolve uma carga de expressões únicas para Rue. Mesmo sem dizer nada, conseguimos sentir toda sua dor e desalento. Conseguimos sentir a necessidade que tem das drogas. Zendaya brilha em um papel de destaque que passa tão longe das últimas atuações de sua carreira.

Euphoria é uma das melhores séries do ano. Permanece na luta pelo auto-descobrimento sem nunca lidar com a infinitude da adolescência. Não se prende ao esteriótipo de que o ensino médio será o auge da vida daquelas pessoas, porque elas podem oferecer bem mais ao mundo. Apesar da abordagem escura e quase que violenta para o telespectador, cria personagens complexos que nunca serão apenas uma coisa. É o estado intenso que move as descobertas, a euforia de uma geração que precisa que suas personalidades, medos e desejos sejam vistos ouvidos.

 

36 comentários sobre “(Algo à Ver ) Euphoria – Sam Levinson

  1. Os streamings estão a toda mesmo!!
    Assisto muito Netflix, pela HBO só foi uma série até agora, mas pretendo assistir outras.
    Eu sou muito voltada para as séries antigas, principalmente de investigação e amo Grimm. Essa eu não conhecia e é bem diferente do que costumo assistir. Gostei e seria uma ótima para passear por novos ares.

    bjs

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi Jess, voltei!

    Os streamings estão com força total mesmo, atualmente eu tenho 2 e já estou de olho em mais um hehehe mas não acompanho muitas séries atuais não, pra vc ter uma ideia eu só assisti Stranger things esse ano hhahaha, mas vamos lá.
    Essa série especificamente me atrai por um lado, por não usar esteriótipos e buscar uma amplitude de temas que acabam tocando a todos, mas confesso que a violencia e a nudez que afastam pq são temas que facilmente me chocam, #admito
    Mas sabe que considero sua opinião ne, quem sabe qualquer hora eu não vejo.

    osenhordoslivrosblog.wordpress,com

    Curtido por 1 pessoa

  3. A HBO me deu duas de minhas melhores séries: Família Soprano e A Sete Palmos. Não assisti a GOT nem vi, ainda, Chernobyl. Muito coisa para colocar em dia. Tempo curto etc. Nesta linha, ainda não vi Euphoria, mas apenas cenas “pesadinhas” que nos enviam. Por sua resenha, para ser boa. E creio que a HBO não se sujaria com alguma porcaria. Não assino mais TV alguma e acho chato, a esta altura da vida, ficar baixando torrent e legenda. Mas talvez um dia assine apenas o streaming da HBO…
    Abraços.
    P.s.: não consigo me acostuma à estética WordPress.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Eu também não sou uma “pessoa das séries” e sempre acabo vendo filmes mesmo que poucos porém desde o lançamento de Euphoria eu estou interessada em assistir. Ainda não o fiz porque não encontrei online e não tenho HBO ainda. Mas pelas cenas que vi, amei o uso das cores e do neon e tenho visto muita gente falando que a série e exagerada em vários pontos como em sexo, drogas e nudez porém como vc mesma disse, a série quer mostrar como algo natural. As pessoas tendem a julgar algo que é fora da realidade delas, infelizmente. Espero ter a chance de ver a série em breve.

    Abraço,
    Parágrafo Cult

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