(Resenha ) A Paciente Silenciosa – Alex Michaelides

A Paciente SilenciosaTítulo: A Paciente Silenciosa| Autor: Alex Michaelides | Páginas: 350 | Ano: 2019| Editora: Record | Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️| Encontre: Amazon | Skoob

SINOPSE: Alicia Berenson escreve um diário para colocar suas ideias em ordem. Ele é tanto uma válvula de escape quanto uma forma de provar ao seu adorado marido que está bem. Ela não consegue suportar conviver com a ideia de que está deixando Gabriel preocupado, de que está lhe causando algum mal…
Alicia Berenson tinha 33 anos quando matou seu marido com cinco tiros. E nunca mais disse uma palavra. O psicoterapeuta forense Theo Faber está convencido de que é capaz de tratar Alicia, depois de tantos outros falharem.
E, se ela falar, ele será capaz de ouvir a verdade?


Um dos problemas mais básicos dos leitores de suspense, é certa incapacidade de se surpreender com as leituras de modo geral. Afinal de contas, o gênero é um tanto saturado que costuma seguir linhas de raciocínio parecidas principalmente mediantes a sua contextualização. Por esse motivo, posso dizer que o grande trunfo de A Paciente Silenciosa está na maestria com que Alex Michaelides conduz o dinamismo do enredo.

Apesar de ser estreante, Michaelides possui uma escrita intensa e complexa, pois ao mesmo tempo que utiliza artifícios comuns ao equilibrar o suspense com boas doses de drama familiar,  insere teorias próprias da psicanálise para construir seu enredo. Um ponto que se torna admirável por  trazer realidade ao livro, alem de acentuar as questões sociais que envolvem as personagem.

Nós, seres humanos, vivemos nossos primeiros anos num território anterior à memória. Costumamos pensar que surgimos dessa névoa primordial com o caráter plenamente formado, como Afrodite irrompendo perfeita da espuma do mar. Mas sabemos que não é exatamente assim, graças a pesquisas cada vez mais aprofundadas a respeito do desenvolvimento do cérebro. Nascemos com um cérebro formado apenas em parte, parecendo mais uma massa de argila disforme que um deus do Olimpo. Como dizia o psicanalista Donald Winnicott: “Não existe essa coisa de bebê.” O desenvolvimento da nossa personalidade não ocorre de maneira isolada, mas na relação com os outros — somos moldados e completados por forças invisíveis de que não nos recordamos; no caso, nossos pais.

Por falar em personagens, tanto Theo quanto Alícia são bastante intrigantes. Theo apresenta linearidade que até certo ponto ajuda na manutenção do suspense. Sua formação como psicólogo ajuda-o nas investigações já que consegue interpretar os sinais das pessoas à sua volta, muito embora tal prerrogativa não se aplique às suas interações pessoais.

Alicia, por outro lado, é tanto vitima quanto culpada de sua própria mente. Apesar de haver explicações plausíveis para seu comportamento, é notório o desequilibro decorrente do medo de perder seu marido. Entretanto, Alícia não deve ser encarada como suscetível a paixão e a loucura, mas sim como uma mulher que reconhece os perigos de sua própria existência e tenta contorná-los embora não da maneira que se espera. 

De certa maneira, tentar agarrar flocos de neve que desaparecem é como tentar agarrar a felicidade: um ato de posse que imediatamente se transforma em nada.

Apesar do fim não ser exatamente surpreendente justamente por ser genérico, o livro vale a pena por todo contexto narrativo que eleva sua premissa ao drama. Ao encarar as primeiras aparições da loucura, Alex Michaelidis constrói uma obra fluída sobre os perigos de encarar a verdadeira natureza de quem somos. 

— O problema é que nos tornamos tão avessos a qualquer tipo de risco que optamos pelo excesso de medicação para não nos expormos. Precisamos ter coragem de conviver com a loucura, encará-la, em vez de tentar trancafiá-la.

 

16 comentários sobre “(Resenha ) A Paciente Silenciosa – Alex Michaelides

  1. Por ser uma leitora frequente do gênero de suspense e terror eu passo por isso. Há alguns dias mesmo me perguntei se estava lendo livros ruins ou se era a minha mente de leitora de terror que já não podia mais se pegar assustada com algo porque era apenas ‘mais do mesmo’. Ainda bem que apesar de ser um gênero saturado e do final previsível, que tenha conseguido tirar proveito da leitura, tornando ela agradável.

    Abraço,
    Parágrafo Cult

    Curtido por 1 pessoa

  2. Olá, Jessica.
    Eu gostei bastante do livro, só não dei nota máxima por causa do final dele. O que gostei foi que o autor me surpreendeu porque eu não conseguia ver uma ligação entre as histórias. E então quando finalmente aconteceu fiquei de cara.

    Prefácio

    Curtido por 1 pessoa

  3. Oi, Jessica!
    Já vi a capa do livro algumas vezes, mas essa é a primeira resenha que leio dele. Fico feliz que a construção da narrativa seja diferenciada ao ponto de trazer um diferencial ao livro.

    Beijos
    Construindo Estante || Instagram

    Curtido por 1 pessoa

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