( Resenha ) Em Águas Sombrias – Paula Hawkins

Uma das minhas metas é sempre ler mais coisas de um mesmo autor por mais que eu tenha minhas ressalvas contra ele. Depois da leitura de A Garota No Trem que foi um tanto abaixo da média e nada do que esperava, esperei bastante tempo para ler Em Águas Sombrias, ainda mais com tantos comentários negativos em cima da obra. Ironicamente, posso dizer que a história se repetiu: Se na primeira obra de Paula Hawkins a grande hype foi um consonante negativo para o livro, na segunda a negatividade me ajudou a criar um misto de experiências positivas acerca da obra.

Em Aguas SombriasTítulo: Em Águas Sombrias | Título original: In To The Waters| Autora: Paula Hawkins| Editora: Galera Record | Ano: 2017 | Páginas: 364 | Avaliação: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️| Encontre: Amazon | Skoob | Goodreads
Sinopse: Nos dias que antecederam sua morte, Nel ligou para a irmã. Jules não atendeu o telefone e simplesmente ignorou seu apelo por ajuda. Agora Nel está morta. Dizem que ela se suicidou. E Jules foi obrigada a voltar ao único lugar do qual achou que havia escapado para sempre para cuidar da filha adolescente que a irmã deixou para trás. Mas Jules está com medo. Com um medo visceral. De seu passado há muito enterrado, da velha Casa do Moinho, de saber que Nel jamais teria se jogado para a morte. E, acima de tudo, ela está com medo do rio, e do trecho que todos chamam de Poço dos Afogamentos… Com a mesma escrita frenética e a mesma noção precisa dos instintos humanos que cativaram milhões de leitores ao redor do mundo em seu explosivo livro de estreia, A garota no trem, Paula Hawkins nos presenteia com uma leitura vigorosa e que supera quaisquer expectativas, partindo das histórias que contamos sobre nosso passado e do poder que elas têm de destruir a vida que levamos no presente.

Paula Hawkins tem uma escrita que poderia ser considerada poética se não fosse um tanto enfadonha. Certas vezes falta limite para os autores na quantidade de reflexões que os personagens têm de realizar sobre um determinado assunto. O que poderia se tratar de um grande conceito, acaba pesar narrativas tornando-as rotatórias e cativantes. Em Águas Sombrias isto acontece com um frequência relevante que remove o leitor do estado de estupor promovido pelo suspense e o mergulha em um mar de palavras que redizem.

Colocando o estilo à parte, o problema seguinte relacionado a escrita são os  diversos personagens que fazem narração da obra. Apesar de ter gostado da ideia das múltiplas personagens como uma diferenciação dos livros do gênero, senti falta de um trabalho de maior diversificação da autora na forma com que os relatores conduziam a trama. Exceto por Jules, que trava um embate entre a voz de primeira e segunda pessoa, os outros personagens acabaram ficando iguais no aspecto trazendo confusão apesar dos seus nomes no topo de cada capítulo.

Ela acordou no meio da noite, foi até o rio e nunca mais voltou

Entretanto, apesar das falhas da escrita, Hawkins ainda apresentou a sua melhor história pautada sobre dois pontos.

O primeiro deles foi a motivação pessoal de cada personagem que reflete singularidades caracterizadas ao humano refletido no meio social e particular. Mas principalmente, Hawkins consegue criar um ciclo que justifica a presença narrativa contextualizando suas dores. Categoricamente, posso ressaltar que os pormenores narrativos se tornam pontos chaves para interpretação da leitura. Jules tem motivos de sobra para odiar a irmã falecida; assim como Lena tem motivos suficientes para não querer contato com Jules. Entretanto, talvez as duas possam estar erradas.

O segundo ponto foram as diversas questões sociais por Hawkins apresentadas. Em algum momento da minha carreira de leitora passei a gostar bem mais dos desenvolvimentos sociológicos de determinadas obras do que necessariamente a principal fonte motivadora da escrita. Por isso gostei tanto de Em Águas Sombrias que lida com machismo, pedofilia e violência sem apenas ressaltar críticas, mas firmemente apresenta soluções que são impugnadas ao próprio conceito humano de força.

Há quem diga que essas mulheres deixaram algo de si na água, outros, que a água retém parte do poder de cada uma, pois desde então tem atraído para suas margens as desventuradas, as desesperadas, as infelizes, as perdidas. Elas vêm aqui para nadar com suas irmãs.

Dessa forma, Paula Hawkins entrega nessa obra algo além do suspense. Em Águas Sombrias não deve ser encarado como um thriller, mas como um drama que tem objetivo de transformar tudo aquilo que pensamos saber sobre assuntos sociais.

41 comentários sobre “( Resenha ) Em Águas Sombrias – Paula Hawkins

  1. Também não gostei muito de A Garota no Trem, até hoje não entendi a hype toda que ele teve, mas gosto é gosto, né?!
    E por não gostar de A Garota no Trem, nem tentei ler outro livro da autora, mas apesar dos pontos negativos, os pontos positivos talvez me façam criar coragem para ler ele no futuro.

    Parabéns pela resenha!
    Bjo
    ~ Danii

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  2. Oii!
    Confesso que ainda não li nada da autora, apenas resenhas dos livros dela. Sobre A Garota do Trem, as opiniões parecem ser bem diversas. Sobre este livro é a primeira vez que leio algo sobre ele, gostei muito das suas considerações. Apesar das ressalvas, parece ser uma leitura bem interessante!
    Beijos.

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  3. Oi, Jess, quanto tempo!
    Eu tenho uma curiosidade de ler algo dessa autora, principalmente “A garota no trem”, quem sabe eu tenha uma opinião positiva. Também quero ler “Em águas sombrias”. Apesar dos pontos negativos sobre a escrita e o estilo da autora, eu fiquei muito curiosa com os positivos. Com certeza entrará para a lista.
    Um beijo ^^

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  4. Oi, ainda não li nada da autora.
    A questão da expectativa e hype pegam mesmo, que bom que decidiu dar outra chance e que deu certo.
    Também tenho gosto muito quando aspectos sociais e também psicológicos são abordados. Beijos.

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  5. Eu já tive uma experiência diferente com o A Garota no Trem. Já esse algumas partes acabaram me entendiando um pouco.
    Mas a parte das críticas levantadas considerei forte e gostei da forma como a autora conduziu os temas. Isso acabou me prendendo a leitura.

    bjs

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  6. Ao contrário da sua experiência, eu amei o livro A Garota no Trem. Já Em Águas Sombrias eu abandonei o livro kkk, a leitura não fluiu pra mim, foi maçante.
    Acho legal quando os autores trazem questões sociais para suas narrativas, e sabendo que devo tratar o livro como um drama, talvez eu tente novamente a leitura dele em circunstâncias diferentes.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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  7. A capa é linda e a história parece ser interessante embora suas ressalvas negativas.Eu adoro livros aonde temos mais de um personagem narrando sabe? Mas isso é uma preferência minha, gostei muito da resenha!!

    Bisou bisou , Isa! ❤

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  8. Confesso que pensei como você, ia dar uma segunda chance à autora e li esse bendito. Não vou dizer que ele é pior, pelo contrário, achei mais palatável que o primeiro. Mas uma coisa que tenho que concordar, embora ela tenha esse estilo efadonho (amei o termo, super chique, rs), que que entedia a gente, acho que no fundo ela quer mostrar que ninguém é “o mocinho” da história. Todos são bons e maus ao seu jeito, imperfeitos, como na vida real. E ela consegue isso de uma forma que assusta e deprime os leitores. Mesmo tentando defender, não leria novamente os livros, e não sei se daria uma terceira chance mais…
    Bjks!

    Mundinho da Hanna | Desapega

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  9. A capa do livro é linda! Cogitei ler A Garota no Trem mas acabei desistindo da ideia, não sei exatamente o porque, mas já imaginava que me decepcionaria porque muitas vezes o alto hype faz a gente chegar no livro cheia de expectativas que quando lemos e vemos que o livro nem é tudo aquilo, acabamos nos decepcionando. Eu não curto muito livros narrados por vários personagens mas é uma pena que a autora não tenha feito um bom trabalho com isso. A história desse não me chamou a atenção então provavelmente eu não leria.

    Abraço,
    Parágrafo Cult

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  10. Olá, Jéssica.
    Eu li A garota no trem antes do filme, por isso não tinha ainda muitas expectativas sobre a história e apesar de não achar tudo isso, comparando com Garota Exemplar que era o que estava em alta na época, eu gostei. Já esse eu achei bem fraco e nem estava com tantas expectativas assim por causa de algumas resenhas negativas que tinha lido antes.

    Prefácio

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  11. Oi Jessica, interessante sua resenha, eu li as resenhas dos dois livros da autora e até cogitei ler A garota no trem, porém saiu o filme e desanimei, o estranho é que até hoje não li e nem vi o filme.
    Não sei se eu leria este apesar de amar essa capa e gostar de ler de vez em quando um bom suspense, acho que dessa vez eu passo..

    Beijos Mila

    Daily of Books Mila

    Curtido por 1 pessoa

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