( Algo à Ver ) Missão no Mar Vermelho – Gideon Raff

Existem certas coisas que sempre levamos em consideração ao fazermos resenhas. Para filmes, eu diria que a mais importante é o impacto. Tanto social, quanto pessoal. Ultimamente, podemos perceber uma necessidade gritante de empoderamento social nas películas lançadas. Entretanto, se o engajamento é a atual fórmula do sucesso, o esquecimento deve ser sua principal alavanca de fracasso.

Título: Missão No Mar Vermelho | Diretor: Gideon Raff | Elenco: Chris Evans, Haley Bennett, Ben Kingsley e Michael K. Williams | Distribuição: Netflix | Avaliação: 🎥 🎥

Missão No Mar VermelhoExistem duas formas de perceber Missão No Mar Vermelho. A primeira, e mais óbvia, é o estilo de produção que se assemelha aos demais filmes de ação-espionagem. Um homem com ideais inabaláveis que tenta, a todo custo, salvar os fracos e oprimidos. Ao ganhar uma missão impossível, recruta uma equipe de especialistas que irão ajudá-lo nessa empreitada. 

Assim, um dos principais erros de Missão No Mar Vermelho é o de não assumir-se como um clichê e tentar criar cenas mirabolantes que parecem impossíveis. Muito embora tanto a sonoplastia quanto a fotografia apresentem seus méritos (os maiores da película), o roteiro cru e a pouca animosidade dos personagens não é capaz de impactar nem positivamente e nem negativamente os espectadores. De grosso modo, Missão No Mar Vermelho não tem profundidade narrativa principalmente em seus personagens.

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A segunda maneira de enxergar o filme é pelo contexto social, tanto em favor dos brancos-europeus quanto em favor dos negros-muçulmanos. Em primeiro plano, produções que exploram histórias reais costumam voltar-se ao heroísmo ou ao martírio. De certo modo, isso acontece por conta da ideologia — principalmente — americana que parece necessitar de homens exemplares para lhes dar força. Para corroborar essa ideia não precisamos ir tão longe, mas basta pensar sobre as películas que alçam o sucesso que apenas reproduzem uma máxima: o indefeso que precisa de um herói.

Por esse motivo, talvez tantos filmes que têm potencial acabam optando por estratégias simples na busca do sucesso comercial. Missão No Mar Vermelho carrega tal estigma ao deixar como protagonista um herói salvador de indefesos. 

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Contudo, o longa apresenta problemas muito mais contextualizados historicamente. Em minha resenha sobre Olhos Que Condenam fiz um comentário sobre hollywood e a maneira com o qual os negros costumam ser sempre representados como vitimas da sociedade e nunca como heróis. E aqui encontra-se minha principal crítica à Missão No Mar Vermelho. 

Factualmente, os brancos têm uma dívida com os negros pelos anos de opressão. Tomada está verdade, os filmes atuais parecem entender esse dilema embora não saibam aplicá-los. No novo longa da Netflix, torna-se incompreensível que um filme que claramente tenta dar voz ao povo africano não as torne relevante. Afinal não deveria ser um branco-europeu à salvar a África: mas um próprio africano a fazer isso.

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Baseado em fatos, o longa tinha dois caminhos a percorrer. O caminho dos espiões e um muito mais relevante. Para aqueles que não sabem, antes da transformação do resort em base de salvamento, um homem etíope de nome Farede Yazazao Aklum, iniciou a trajetória de salvamento dos imigrantes africanos. Por algum motivo, na produção da Netflix, o personagem foi completamente tansformado Kebede Bimro (Michael K. Williams). Ironicamente, seria a história de Farede um possível salvador do filme. Se por Ari (Evans) temos um genérico estigmatizado, o foco em Farede o faria muito mais relevante e até mesmo de mais energia.

Por inúmeros fatores, Missão No Mar Vermelho é um filme mediano que não deve ser mais que uma moda passageira. Caso você o assista, a sugestão é que faça isso sem grandes expectativas. É um longa-genérico que tem o objetivo de contar uma parte pequena e privilegiada de uma história muito mais. 

36 comentários sobre “( Algo à Ver ) Missão no Mar Vermelho – Gideon Raff

  1. Também me incomodei com as falhas do roteiro. Acho que se preocupara muito em mostrar as ações pessoais dos personagens e não focaram no objetivo principal que era a missão. Ficou aquele sentimento de “está faltando saber o outro lado da história”. Mesmo assim gostei do elenco e acho que o filme tem um bom aspecto político e social =) gostei da critica

    http://www.saidaminhalente.com

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  2. Nossa, fiquei desgostosa com sua crítica ao filme, devido ao nível dos atores, achei que no máximo a atuação seria elogiada.

    Mas infelizmente as vezes o filme nos decepciona mesmo, principalmente quando baseado em fatos reais que não são contados ou são totalmente transformados pelo roteiro.. sempre me irritei muito com roteiristas diga-se de passagem…

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  3. Eu estava com muita vontade de assistir esse, mas depois de ver algumas opiniões, dei uma boa esfriada.
    Acho uma pena o negro ainda ser colocado dessa forma. Lamentável, acho que tinha tudo para ser um bom filme.
    Excelente crítica!

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  4. Durante o tempo todo em que li e acompanhei as fotos do post só consegui pensar: CAPITÃO AMÉRICA! Ok, talvez tenha me faltado maturidade rsr mas enfim, uma pena que não passe de um filme mediano.

    Beijos,
    Isa
    taglibraryisa.blogspot.com

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  5. Oi, Jéssica!
    Quando esse filme foi lançado, eu fiquei com vontade de assistir. Verdade seja dita, tudo culpa do Chris Evans. Porém, comecei a ler algumas críticas e a maioria seguia a mesma opinião que a sua. Todos diziam que o filme era um tanto raso e isso foi me deixando desanimada. Hoje, nem quero mais assistir haha
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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  6. Oi Jessica, eu ainda não tinha visto esse filme no catálogo. Mas concordo com você, negros ainda são vistos como vítimas que precisam ser salvas, quando ele tem força suficiente para serem seus próprios heróis, assim como de uma sociedade inteira. Foi uma bola fora da Netflix, ainda mais com tantas coisas sobre empoderamento.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna

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  7. Eu vi o trailler e não me deixou nem um pouco animada para assistir por parecer um filme completamente esquecível. Mas é um padrão americano colocar sempre um herói para salvar todos, normalmente um herói branco. Triste.

    Parágrafocult.blogspot

    Curtido por 1 pessoa

  8. Oi, Jessica

    Assim que eu assisti ao trailer eu senti uma vibe muito parecida com a da Diamante de Sangue, por isso fiquei bastante interessante. Não assisti ao filme ainda, mas achei seu comentário acerca do homem branco europeu ser o grande herói e não um negro. É realmente uma problemática que precisa ser trabalhada na indústria cinematográfica.

    Beijos
    – Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  9. Detesto essa coisa do “herói americano” e me parece que esse filme retrata exatamente isso, enfim, sua resenha só me fez perceber que esse filme é digno de perda de tempo, me parece muito mais certo procurar e pesquisar pela história real que baseou o filme.
    Novamente a indústria cinematográfica erra em mostrar os negros como pessoas que precisam do resgate dos brancos.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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