(Resenha) A Traidora do Trono – Alwyn Hamilton – Livro Dois

No segundo livro da trilogia A Rebelde do Deserto, Alwyn Hamilton vai te apresentar uma nova face da revolução que irá questionar todas as suas certezas.

“Esta resenha não conterá spoilers do 1ª livro.
Para isto, pule a sinopse.”

transferirTítulo: A Traidora do Trono
Título original:
Série: A Rebelde do Deserto #02
Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Plataforma 21
Ano: 2017
Páginas: 440
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
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Sinopse: Amani Al’Hiza mal pôde acreditar quando finalmente conseguiu fugir de sua cidade natal, montada num cavalo mágico junto com Jin, um forasteiro misterioso. Depois de pouco tempo, porém, sua maior preocupação deixou de ser a própria liberdade. A garota descobriu ter muito mais poder do que imaginava e acabou se juntando à rebelião, que quer livrar o país inteiro do domínio do sultão. Em meio às perigosas batalhas ao lado dos rebeldes, Amani é traída quando menos espera e se vê prisioneira no palácio. Enquanto pensa em um jeito de escapar, ela começa a espionar o sultão. Mas quanto mais tempo passa ali, mais Amani questiona se o governante de fato é o vilão que todos acreditam.

“Tempos atrás, no reino desértico de Miraji, havia um príncipe que desejava assumir o trono do pai. O jovem era movido pela crença de que o pai era um governante fraco e de que ele mesmo desempenharia melhor o papel de sultão”

Apesar de não ter ficado satisfeita com A Rebelde do Deserto, nutri certas expectativas para A Traidora do Trono. Ouvi muitos comentários sobre a evolução da história de Amani e dos rebeldes do deserto de Miraji, acabando por ter um certo pressentimento que iria gostar bem mais desse segundo livro. Talvez, muito disso seja porque sempre tenho tendência a me apaixonar por segundos volumes que parecem fazer a história ganhar massa a medida que os fatores inciais são deixados para trás. Por falar em massa, A Traidora do Trono realmente evolui e mesmo não me apaixonando pela obra, ainda sim percebo que o contexto foi mais evoluído ao ponto de ser intrigante e inesperado.

Alwyn Hamilton tem uma narrativa ágil e de certo modo descompromissada. Um dos pontos que me incomodou no primeiro volume e que continua me incomodando neste, é o fato de Hamilton não conseguir estender-se quando necessário. Muitas situações, principalmente de batalhas, terminam quase tão rápido quanto são iniciadas. Eu sinto falta de profundidade pois tal rapidez não causa frison de medo e expectativa. O lado bom disto é o fato que Hamilton não procrastina, ou seja, ela não fica presa a uma determinada cena, alongando-a o máximo criando sem necessidade. Então de certa forma, a narrativa ficou em certo hiatus entre pontos positivos e negativos.

“Inteligência e sabedoria não são as mesmas coisas. Tampouco habilidade e conhecimento”

Os personagens são um universo a parte. Uma das coisas que mais gosto nessa trilogia, acredito que vai se manter no terceiro livro, é a maneira com o qual estamos sempre lidando com personalidades diversas que nunca são previsíveis mesmo quando deveriam ser. Amani é uma daquelas protagonistas fortes que nós temos orgulho somente de saber da sua existência. Apesar de volta e meia achar ela infantil, seus pensamentos são condizentes para o momento ao qual esta inserida. Sendo Amani a narradora, é possível perceber seus desafios como se fossem nossos, o que nos aproxima da personagem.

Outro personagem que tomou virtudes ainda maiores dentro da história, foi o Sultão que ganhou mais espaço dentro da narrativa. Acho que nessa parte entra o meu ponto favorito dentro do livro de Hamilton, a autora soube criar um vilão excelente que consegue convencer o leitor de suas palavras. Não apenas um vilão para encher linguiça por assim dizer, mas alguém que tem suas convicções e que está disposto de tudo para afirmá-las. O Sultão de certo modo me pareceu o personagem mais sensato também. Pois apesar de entender a guerra, que acabou acontecendo rápido de mais, não acreditei nos ideias do Príncipe Rebelde que me pareceram bons, mas não o suficiente para o governo de um reino. O que o Sultão afirma, sobre ser impiedoso, acaba por ter bem mais verdade que as palavras de Ahmed. Sendo “interliterária”, o Sultão personifica o príncipe de Maquiavel que sabe ser terrível para impedir que seu povo seja mais terrível ainda. Então, Hamilton deixa uma pergunta ao seu leitor sobre o Principe Rebelde: Será Ahmed, com sua nova alvorada, um novo deserto é capaz de ser forte quando necessário?

“— Meu filho é um idealista. Eles são ótimos lideres, mas nunca se saem bem como governantes.”

Com inúmeras reviravoltas e personagens espetaculares, A Traidora do Trono conseguiu ser tudo aquilo que o antecessor não foi. Posso dizer que me encontro ansiosa para o próximo livro e cheia da expectativas pelo que está por vir. Foi fantástico ver o desenrolar da trama e entender as motivações que envolvem o enredo. Além disso, ainda temos a mitologia única que Alwyn Hamilton colocou em suas páginas. O livro foi completo em quase todos os sentidos, e para todos aqueles que amam uma ótima aventura esse livro é uma ótima dica.

“Eu era uma garota do deserto. De onde eu vinha, o mar era feito de areia. E a areia me obedecia. “

18 Respostas para “(Resenha) A Traidora do Trono – Alwyn Hamilton – Livro Dois

  1. Acho o máximo como vc é justa! Consegue trazer sempre o ponto positivo e negativo e assim cada um pode decidir se quer ler com base nisso, quase sempre vc me convence hahaha
    Não sabia dessa paixão por segundos volumes! Vou reparar se sou assim tb!

    Osenhordoslivrosblog.wordpress.com

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi, Jess!
    Eu confesso que não li a resenha inteira para não pegar nenhum tipo de spoiler ou acontecimento do primeiro livro. Ele está na minha lista de leitura e por isso não quero saber nada hahaha
    Fiquei feliz de saber que você gostou desse segundo volume e espero gostar também.
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

    Curtir

  3. Oi Jess,
    Amei tua resenha, sou louca para ler esses livros (na verdade já estão na minha lista há um bom tempo) e adorei saber sua opinião que é sempre sincera e muito bem explicada. Achei interessante essa questão da narrativa da autora que não se prolonga em alguns fatos e isso pode ser positivo ou negativo dependendo da situação. Adoro vilões bem construídos e acho que isso faz toda diferença a trama.

    Bjokas da Elo!
    http://cronicasdeeloise.blogspot.com/

    Curtido por 1 pessoa

  4. Oi Jess! Quando li esse livro, foi por insistência, porque não tinha achado o primeiro livro lá muita coisa. E na época acabei me surpreendendo muito. É muito curioso como o aspecto positivo da narrativa da Alwyn também se torna o negativo, né? Também concordo com você nisso. Uma das coisas que mais gostei no terceiro livro, foi perceber a evolução dela na escrita. Fico muito feliz de saber que você gostou da continuação, o terceiro é tão bom quanto. Adorei a resenha, beijos.

    http://abducaoliteraria.com.br

    Curtido por 1 pessoa

  5. Oie, Jess!!

    Adorei a resenha. O primeiro livro foi um pouco diferente do que eu esperava e eu gostei bastante, saber que o segundo superou me deixou mais animada ainda para leitura. Ando meio atrapalhada com minhas leituras, mas espero ler em breve.

    bjs
    Fe

    Curtido por 1 pessoa

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