(Resenha) O Segredo do Meu Marido – Liane Moriarty

Minhas caras Corujinhas. Em mais um livro sobre relações familiares, Liane Moriarty vai te mostrar como um segredo pode destruir vidas independente de serem grandes ou pequenos.

o segredo do meu maridoTítulo: O Segredo do Meu Marido
Título original: The Husband’s Secret
Autora:  Liany Moriarty
Editora: Intrinseca
Páginas: 368
Ano: 2014
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Encontre: Amazon | Saraiva

Sinopse: Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta que deve ser aberta apenas quando ele morrer. Imagine também que essa carta revela seu pior e mais profundo segredo — algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você encontra essa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo… Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar da pequena comunidade em que vive, uma esposa e mãe dedicada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia — ou uma à outra —, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela.

“Você podia se esforçar o quanto quisesse para tentar imaginar a tragédia de outra pessoa – afogar-se em águas congelantes, viver numa cidade dividida por um muro – , mas nada dói de verdade até acontecer com você.”

Não tenho costume de ler livros com cargas dramáticas intensas. Chega ser engraçado visto que meu tipo de leitura favorita nos últimos tempos têm sido livros que apresentam críticas a algum aspecto social e normalmente o drama possui tal quesito. Talvez por isso, pela permissão que me dei de inserir-me no universo dramático, que gostei tanto de realizar a leitura de O Segredo do Meu Marido de Liane Moriarty por indicação da Keth (Parabatai Books), ficando surpresa com todas implicações de sua história. Pois, muito mais que criar medos e anseios para seus personagens, a autora coloca em cheque nossas convicções ao nos perguntar como os pequenos segredos que escondemos afetam tudo e todos ao nosso redor.

Um dos melhores pontos do livro se faz na narrativa intensa, cativante e impiedosa, ao qual Moriarty coloca para o leitor. Mesmo em terceira pessoa, a aproximação com os personagem é feita sem problemas pois você não somente entra em suas mentes mas entende os desafios aos quais eles passam. Em uma narrativa completa e detalhista, são colocadas inúmeras prerrogativas que se manifestam inerentes aos sentimentos do leitores. Através das palavras da autora, podemos nos enxergar em cada personagem recriando em nossas mentes as perguntas e os meios deles ampliando assim o efeito emocional do livro pois o trazemos para nossa realidade.

“Era isso o que precisava ser feito. Era assim que se convivia com um segredo terrível. Apenas seguia-se em frente. Fingia-se que estava tudo bem. Ignorava-se a dor profunda, o embrulho no estômago. De algum modo era preciso anestesiar a si mesmo de forma que nada parecesse tão ruim assim, mas tampouco parecesse bom.”

Em primeiro plano, a leitura começa lenta e parece dispersa e um tanto enfadonha visto que os primeiros capítulos são de apresentação: Liane insere suas personagens em vidas opostas e lugares totalmente diferentes que, exceto por coincidências corriqueiras, não possuem praticamente nada haver uma com a outra. Até que a partir  daquilo, da exposição das personalidades e convicções de suas protagonistas, é que a história ganha forma. Os ligamentos são inseridos e as interrogações sobre os acontecimentos do presente e do passado surgem naturalmente. A partir daí somos constantemente levados a questionar as ações que Rachel, Cecília e Tess têm a medida que situações emocionalmente extremas são colocados a sua frente.

O livro se constrói justamente sobre estas decisões que não somente são dotadas para as três mulheres como convergem para as atitudes do leitor. Ao questionar as protagonistas, Liane também nos questiona sobre os nossos atos, mas principalmente sobre a falta deles. Dessa forma, nos é apresentado o segredo que envolve as três personagens, muito embora com mais vigor sobre Rachel e Cecília, de modo que é segredo ganha relevância gradativa na na vida delas mas de forma incomum, pois o problema não vem somente de contar ou não o segredo, mas a implicações que este tem sobre a vida dessas mulheres em quesitos sociais e familiares.

“Todo o seu corpo pareceu ser esvaziado por uma explosão nuclear. Sobrara apenas a casca da mulher que havia sido. Ainda assim, não tremeu. Suas pernas não cederam. Ela continuou absolutamente imóvel.”

Cecília, Tess e Rachel não poderiam ser mais diferentes. Porém, cada uma ao seu modo enfrenta dificuldades que são expandidas a medida que o segredo ganha maiores proporções mesmo que duas delas não saibam disso. Através do trio, somos lembrados dos nossos egoísmos que sempre estão em favor das necessidades pessoais não tendo nada haver com a vida em sociedade ou sobre ser uma boa pessoa e estender a mão aquele que precisa. Não somente Cecília parece errada por querer esconder seu segredo para proteger sua família, mas Rachel e Tess também estão no limite daquilo que é certo ou errado ao não considerarem nada mais que sua dor na hora de tornar atitude. E considerando que nós como indivíduos também estamos cercados de pequenas atitudes de proteção e desejos insaciáveis, podemos nos perguntar até que ponto podemos considerar essas mulheres inocentes ou culpadas das suas emoções. Dessa forma, Liane que mesmo que os segredos conduzam ao declínio, nem sempre a verdade é libertadora pois ambos estão condicionados ao nosso egoísmo de perder alguma coisa nos torna egoístas. Segredos são obscuros por isso os escondemos, assim como verdades podem ser dolorosas. Mas jamais pensamos nas consequências de ambos deles e é isto que Liane tem a oferecer. A outra pessoa, aquela que vai ser afetada porque fomos covardes ou corajosos de mais para simplesmente tomarmos alguma decisão.

“Nenhum de nós conhece os possíveis cursos que nossas vidas poderiam ter tomado. E provavelmente é melhor assim. Alguns segredos devem ficar guardados para sempre. Pergunte a Pandora.”

Apesar de ter achado a conclusão de algumas questões um tanto mão resolvidas, posso afirmar O Segredo do Meu Marido é um dos melhores livros que já li por trazer a tona de modo arrasador todas as implicações fundamentadas entre segredos, ações e suas consequências. Liane Moriarty mostra mais uma vez sua capacidade de questionar o leitor e faze-lo refletir sobre assuntos tão próximos e tão distantes de nós. Um livro simples, claro que esclarece de uma vez por toda o impacto de uma mentira sobre a vida de todos nós.

15 comentários em “(Resenha) O Segredo do Meu Marido – Liane Moriarty”

  1. Oi Jess! Recentemente li O que Alice Esqueceu, da Liane, e fiquei muito empolgada para ler os outros livros dela. Pelo que pude perceber, ela sempre procura trabalhar relações familiares e segredos, de uma forma que é impossível não nos vermos na situação dos personagens e compreender as críticas que ela impõe, às vezes implicitamente. Adorei saber que ela apresenta três personagens centrais, quanto mais personagens melhor. Já quero! Amei a resenha ❤

    http://www.abducaoliteraria.com.br

    Curtido por 1 pessoa

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