( Livrosofia ) Os Gêneros Através da História

Olá Corujinhas. Eu tenho falado bastante sobre os gêneros e como eles se configuram na perspectiva maior do Romance, mas até agora foram todas de modo bem pessoal. Por isso no post de hoje irei falar dos gêneros literários de uma perspectiva histórica e como as classificações evoluíram através dos séculos. Espero que gostem.

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A literatura é uma manifestação artística que nasce da mente dos autores e se modifica pela interpretação dos leitores tornando-se impossível conceituá-la como um todo. Por esse motivo, é importante ressaltar que mesmo que essas classificações históricas tenham caráter de maior importância, não podemos colocá-las como fonte principal de estudos ou mesmo classificações. Gêneros são apenas guias para uma melhor direção do que estás a se procurar.

É importante, antes de tudo, ressaltar que na literatura, as uma denotações acerca dos gêneros não  ultrapassam as noções de espécies sendo exclusivas do agrupamento de caracteristicas em uma obra artística. No caminho para conceituar os gêneros, Platão postula no Livro III de A República que a obra literária era parte da cateogoria mimética imitando a realidade diferenciando os gêneros a trágedia, a comédia e o épico. Há também uma tentativa de sistematização das “formas” literárias, mas sua Poética ficou incompleta. Desse modo, temos uma ideia aproximada do que seriam os gêneros. Apenas mais a frente com Aristóteles, existe a primeira tentativa de uma sistematização das formas literárias que adiquiram a classicação tripartida: dramático (onde se estabelece a comédia e tragédia), épico e lirico. Isso, porque para Aristóteles, os gêneros estavam de acordo os meios, os objetos e os modos miméticos sendo sua divisão apresentada ora por elementos relativos ao conteúdo, ora em elementos referentes à forma.

Foi apenas na Idade Média divisão dos gêneros foi difundiu-se ao mundo muito embora apresentassem as mesmas ideias básicas da fala de Platão. Como todos sempre se fundamentavam na ideia de que a mímese era o ponto fundamental de toda obra, os gêneros eram vistos como ideias fixas que deveriam ter sempre as mesmas características. Por esse motivo, do Renascimento até o Barroco, essa classificação tripartida dos gêneros foi considerada uma verdade inquestionavél. Nessa época, entendiam-se os gêneros como formas fixas, mantidas por regras inflexíveis às quais os escritores deveriam obedecer. Assim, cada gênero (dramático, épico e lírico) se subdividia em gêneros menores, mas que se distinguiam uns dos outros pelo rigor de regras que incidiam nos aspectos formais, estilísticos e temáticos.  Além dessa classificação de gêneros, também tinha-se a variação de importância e hierarquização que definia o um gênero sendo maior ou menor que outro.

Somente no Romantismo e as ideias libertadoras que a classificação dos gêneros sofreu mudanças significativas havendo a condenação daquilo que era chamado a pureza dos gêneros. No século XIX, houve defesas de que os gêneros literários não eram imortalis sendo um organismo vivo possuindo todos os estágios de sua mudança: nascimento, amadurecimento, envelhecimento e morte, isto sendo condicionado ao domínio dos gêneros mais fortes. Tal concepção foi combatida posteriormente por Benedetto Croce que defendia a ideia de que cada obra era única expressando um estado de vida individual.

Mas é certo afirmar que mesmo com todas as discussões de gêneros dos séculos anteriores, o problema continua indefinido pela falta de aceitação do hibridismo dos gêneros. A concepção de gênero é fundamentada na ideia de categoria, ou seja, de pertencimento a ideia de família. O critico, que antes de ser critico é também um homem, sempre esteve acostumado a classificar as coisas e dar nomes a elas como forma de convencimento que assim poderá entender melhor o mundo que o cerca. Cria-se  estruturas repetidas e repetíveis que se perpetuam ao longo dos tempos. Porém, sabemos que o enunciador também pode modificar essas estruturas, pode movimentar-se e construir enunciados, ora estáveis, ora moventes, mutáveis, modificados, híbridos.

Contudo, para a literatura entender tal mutação é uma tarefa difícil pois a tradição ainda é o pano de fundo que enxerga em suas obras. Em ponto de vista pessoal, tal perspectiva se torna infundada pela modificação que as obra literárias sofreram ao longo do tempo principalmente com o nascimento do Romance. Assim, não se deve levar somente em consideração o valor hierárquico do material para a determinação da forma artística, mas também a relação entre autor e o texto, bem como o fato do ouvinte exercer influência sobre os outros dois.

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Como vocês devem notar, a literatura é de certo modo arcaica. Não se deve levar em consideração só gêneros como fundamento especifico de uma obra, pois tudo deverá ser condicionado ao leitor, ao texto e o autor.

 Espero que tenham gostado. Beijos