( Resenha ) Os Garotos Corvos – Maggie Stiefvater – Livro 01

Minhas caras Corujinhas preparem-se para entrar em uma aventura épica através de cinco mentes e uma linha mística. O desafio é encontrar o que esta perdido, mas suas chances serão remotas e haverá um mundo de tormenta para tentar impedi-las.

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Título: Os Garotos Corvos
Título original: The Raven Boys
Série: A Saga dos Corvos #01
Autora: Maggie Stiefvater
Editora: Verus Editora
Páginas: 376
Ano: 2013
Avaliação: ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
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Sinopse: Todo ano, na véspera do Dia de São Marcos, Blue Sargent vai com sua mãe clarividente até uma igreja abandonada para ver os espíritos daqueles que vão morrer em breve. Blue nunca consegue vê-los — até este ano, quando um garoto emerge da escuridão e fala diretamente com ela. Seu nome é Gansey, e ela logo descobre que ele é um estudante rico da Academia Aglionby, a escola particular da cidade. Mas Blue se impôs uma regra: ficar longe dos garotos da Aglionby. Conhecidos como garotos corvos, eles só podem significar encrenca. Gansey tem tudo — dinheiro, boa aparência, amigos leais —, mas deseja muito mais. Ele está em uma missão com outros três garotos corvos: Adam, o aluno pobre que se ressente de toda a riqueza ao seu redor; Ronan, a alma perturbada que varia da raiva ao desespero; e Noah, o observador taciturno, que percebe muitas coisas, mas fala pouco. Desde que se entende por gente, as médiuns da família dizem a Blue que, se ela beijar seu verdadeiro amor, ele morrerá. Mas ela não acredita no amor, por isso nunca pensou que isso seria um problema. Agora, conforme sua vida se torna cada vez mais ligada ao estranho mundo dos garotos corvos, ela não tem mais tanta certeza. De Maggie Stiefvater, autora do aclamado A Corrida de Escorpião, esta é uma nova série fascinante, em que a inevitabilidade da morte e a natureza do amor nos levam a lugares nunca antes imaginado.

“Destino,” Blue replicou, encarando sua mãe, “é uma palavra muito pesada para se dizer no café da manhã.”

Sempre fui do tipo de leitora que ama uma boa fantasia. O lado místico me envolve bastante principalmente quando têm magia e mitologia. Então imaginem meu estado eufórico em ler Os Garotos Corvos de Maggie Stiefvater que envolve ambas as coisas, aliadas à uma escrita sensacional. Eu não estava esperando gostar tanto da obra, mas me senti bastante à vontade e plena com a leitura.

Stiefavater tem o tipo de narrativa que normalmente tenho tendência a detestar. Isto porquê não existe preocupação da autora em cortar cenas desnecessárias que antecedem as de grande importância. Desse modo, a autora tem um ritmo descompassado que por vezes soa bastante lento. Trazendo para nossa língua ela procastina e como. Entretanto, não consegui me irritar com isso, porque retirei muito mais coisas das entrelinhas do que acima delas. Maggie teve o trabalho de não apenas contar uma determinada história, mas também criar personagens com vidas além dela. São vidas individuais entrelaçadas à algo maior, mas que nunca deixam de lado essa característica de unidade. Dessa forma existe muita poesia sobre viver através de uma fantasia sobre o que se quer alcançar.

“Você busca um deus. Você não suspeitou que também há um diabo?”

Outro ponto bastante encantador sobre a obra foram os personagens criados pela autora que apesar de não fugirem ao clichê programado para eles, também não são espelhos de uma única coisa. Blue é a única personagem feminina de modo que também é feminista e guerreira, mas isso não significa que não tenha medos e desejos como qualquer pessoa. Blue é uma garota que luta e age como uma garota. Gansey é o personagem rico que não é mauricinho, mas que também não nega os privilégios que possui. Na verdade, Gansey os aceita usando ao seu favor sem se preocupar com o que isto pode parecer. Ronan é o bad boy que lá no fundo tem coração, mas não se engane pensando que ele é um fofo inrustido: Lynch é as duas coisas demonstrando seu lado mais gentil apenas aqueles que merecem. Noah é misterioso e talvez o mais dificil de definir, mas nem por isso o mais complexo. Como se autora dissesse: nem sempre os mais tímidos são os mais complicados de entender. Já Adam é o menino pobre que está no meio de riqueza odiando e desejando-a. Em um sentimento duo, Adam é instavél e de certa forma o menos confiavél porque não consigo deixar de me perguntar o que ele seria capaz de fazer para conquitar o que deseja.

Dessa maneira, uma das qualidades mais promissoras do livro foi o desenvolvimento dos personagens. Apesar da sinopse ser bastante diminuta e apresentar Gansey e Blue como principais, o corretor é pensar em cada personagem como fio de uma teia. Se você puxa um, inevitavelmente atrai outro. Mais uma vez não estamos falando de contar apenas uma história de um casal ou de um individuo, mas sim de todos os que compõe o enredo com mesmisso grau de importância.

Ela reconheceu a estranha felicidade que vinha de amar algo sem saber por quê, aquela estranha felicidade que às vezes era tão grande que parecia tristeza. Era a maneira como ela se sentia quando olhava para as estrelas.

Além de tudo isto, não podemos esquecer de toda mitologia que envolve o livro. A sinopse é bastante diminuta ao tentar retratar o livro e eu diria que não é nem dez por cento do que iremos encontrar.  O livro se aprofunda em questões mágicas que norteiam os cinco em uma busca. Não pretendo lhe dizer que busca é esta, porque apesar de não achar que seria spoiler, acredito que seria mais legal para quem ler descobrir o que é esta caçada por si mesmo. O que posso adiantar é que mesmo se tratando de uma base existente (como Percy Jackson utiliza da base grega), a autora inova no modo com o qual ela se dá e interage na história.

De todas as formas possíveis, Os Garotos Corvos é uma obra surpreendente que parece trazer à nós não somente uma batalha épica mas também um novo horizonte de pensamentos e caminhos à serem traçados. É um livro de beleza e mistério que não se prende ao comum inovando em todos os seus âmbitos.

Gansey descobrira que a chave era acreditar que essas coisas existiam; você tinha de se dar conta de que elas eram parte de algo maior. Alguns segredos se mostravam apenas para aqueles que se provavam merecedores