( Algo À Ver ) Jumanji: Bem Vindo A Selva

Olá Corujinhas. Fazia muito tempo que eu não fazia resenha de filmes para voces, mas desse em especial não podia simplesmente ignorar. Jumanji foi um filme que marcou minha infância na época em que eu nem sabia direito o que era um jogo. Com atuação de Robin Williams (eternamente: isto fica feliz em ser útil)  e um enredo envolvente, o filme do jogo de tabuleiro que se tornava real era um dos meus favoritos.  Por esse motivo e apesar de todo meu ser me dizer que não era uma boa ideia, que decidi assistir a  sua continuação tantos anos depois. E devo dizer que apesar de não ter amado a película com todas as minhas forças, com certeza o sentimento de nostalgia me fez gostar bastante da minha aventura no cinema.

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Título: Jumanji – Bem Vindo A Selva
Direção: Jake Kasdan
Roteiro: Scott Rosenberg, Jeff Pinkner, Erik Sommers e Chris McKenna
Distribuição:  Sony Pictures
Elenco: Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart e Karen Gillian
Ano: 2018
Avaliação: 🎬 🎬 🎬

Jumanji: Bem Vindo A Selva conta história de quatro jovens que são deixados em detenção por mau comportamento na escola. Cumprindo o castigo, encontram um game antigo. Mas quando começam o jogo, são sugados para dentro do mundo digital tomando a forma de seus avatares. De modo a recriar um genérico sobre aventura e comédia, cada um dos adolescentes vira o seu oposto. O nerd vira o fortão (Dwayne Johnson); o fortão vira uma versão franzina de si mesmo (Kevin Hart); a gostosona da turma vira um homem gordo (Jack Black); e a nerd da turma se torna a gostosona (Karen Gillian). E assim, agora personificados e dentro do lugar mais perigoso de todos, os quatro precisam descobrir como se tornar uma ótima equipe para conseguir completar todas as fases do jogo e assim retornar as suas vidas. Desse modo, o que deveria ser apenas uma brincadeira se torna mortal, pois se morrerem em Jumanji morreram para sempre.

Em um misto de comédia e aventura, o filme não consegue equilibrar de forma satisfatória os dois viés que poderia seguir. Optando muito mais pela comédia, as cenas de ações acabam perdidas no contexto deixando essa lado da película com um sentimento frustante. Mesmo sendo rodeado de explosões, lutas e tiros, o filme não perde um segundo para a piada não abrindo espaço para a tensão que cenas como esta precisavam.  Apesar de gostar bastante dessa proposta mais bem humorada, não pude deixar de sentir falta da incerteza que deveria traçar uma boa dose de suspense na trama.

Mas esse foi o único ponto que o filme pecou com força. A história apesar de não original é bem desenvolvida e os personagens carismáticos, a exceção de Kevin Hart que como sempre passou uma sensação forçada. Contudo, Jack BlackDwayne Johson brilham dando forma a personagens típicos mas bastante carismáticos sendo o segredo para o sucesso do filme que não se leva a serio.

O novo Jumanji não traz questões reflexivas sobre tecnologia ou juventude, apenas uma boa diversão com bastante besteirol. Uma dica é você não tentar fazer comparações com o primeiro filme, pois esse segue um caminho bem diferente. Não deixa de ser uma boa diversão, mas também não vai muito além disso.

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( Personalidades Exemplares) Arthur Conan Doyle.

O gênero suspense sempre foi um dos meus grandes favoritos. Segredos, tramas intricadas e personagens sagazes são o que fazem de seus livros tão únicos dentro da literatura. O grande nome de todos os tempos da literatura mundial com certeza é o genial Sir Arthur Conan Doyle que contribuiu para o crescimento e formação dessa categoria tão queridinha entre leitores. Arthur_Conany_Doyle_by_Walter_Benington,_1914

Nascido de um pai inglês e mãe irlandesa na Escócia em 22 de maio de 1859, Arthur Ignatius Conan Doyle estudou em um colégio jesuíta sendo que mais tarde rejeitou o cristianismo tornando-se agnóstico (). Em 1876 à 1881, estudou medicina na Universidade de Emburgo. Enquanto estudava, começou a escrever contos aos quais sua primeira obra foi publicada antes de completar os 20 anos, aparecendo no Chambers’s Edinburgh Journal.

Em 1882, Conan Doyle não obtia grande sucesso com o trabalho e enquanto aguardava a chegada de pacientes voltou a escrever suas obras. Mas foi apenas em 1887 que teve seu primeiro livro com desempenho notável quando Um Estudo Em Vermelho foi publicado no Beeton’s Christmas Annual. Foi a primeira vez que seu mais icônico personagem apareceu. downloadSherlock Holmes era parcialmente baseado em seu professor da época de universidade, Joseph Bell, que possuía um talento incrível para desvendar doenças e seus causodores à partir de pequenos detalhes. Conan Doyle utilizou de seu senso de dedução, interferência e observação para construir a personalidade do detetive. Alguns autores também sugerem  como influência para Holmes um personagem de Edgar Allan Poe , C. Auguste Dupin.

Com o bom inicio da carreira como escritor, as futuras histórias de Sherlock Holmes foram publicadas na inglesa Strand Magazine. Apesar de cada vez mais o detetive ganhar o gosto do público, Conan Doyle o considerava menos importante que seus livros históricos. Para ele trabalhar em Sherlock o privava de se concentrar outras coisas o que acabou por leva-lo à matar o detive em 1893 em uma luta com o rival James Moriarty à beira das Cataratas de Reichenbach. Contudo as manifestações de desagrado do público fez com que o escritor trouxesse o personagem de volta na história A Casa Vazia, com a explicação de 6699667que apenas Moriarty havia caído, mas como Holmes tinha outros inimigos por isso fingiu estar “temporariamente” morto. Com isso, Holmes apareceu em um total de 56 pequenas histórias e quatro livros, escritos por Conan Doyle (ele apareceu em vários livros e histórias por outros autores).

Mais tarde depois de perder parte da família após a Primeira Guerra Mundial, o já Sir Arthur encontrou consolação apoiando-se no Espiritualismo. Esse envolvimento levou-o a escrever sobre o assunto, tornando-se um de seus maiores divulgadores e defensores. No auge da fama, em 1918, enfrentou todos os céticos e publicou A Nova Revelação, em que manifesta a sua convicção na explicação espírita para as manifestações paranormais estudadas durante o século XIX, e inicia uma série de outras, em meio a palestras sobre o tema. Os seus trabalhos sobre o tema foi um dos motivos pelos quais As Aventuras de Sherlock Holmes foi proibida na União Soviética em 1929 por suposto ocultismo. A proibição foi retirada mais tarde. O ator russo Vasily Livanov receberia uma Ordem do Império Britânico por sua interpretação de Sherlock Holmes.

No dia 7 de julho de 1930  Conan Doyle foi encontrado apertando seu peito nos corredores da Windlesham, a sua casa em Crowborough, East Sussex. Morreu de ataque cardíaco aos 71 anos. Sua casa agora se encontra vazia com os fãs lutando para mantê-la bem conservada e em Crowborough Cross, Crowborough há uma estátua em honra a Conan Doyle em  onde ele viveu por 23 anos. Também há uma estátua de Sherlock Holmes em Picardy Place, Edimburgo, Escócia, próximo à casa onde Conan Doyle nasceu.

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Ilustração de Sherlock Holmes, Watson, inspetor Lestrade e uma moça a quem tentavam ajudar.

Através da trajetória de altos e baixos que marcou o caminho de Cona Doyle pela vida e escrita podemos definir que ele foi o propulsor do suspense policial com conhecemos hoje. As aventuras de Sherlock Holmes ganharam notoriedade pela forma única que foram escritas reformando o gênero. É possível perceber a grande quantidade de histórias que ainda usam os mesmos elementos de Conan Doyle: Dois detetives que também são amigos inseparáveis, os detalhes que fazem a maior diferença, a incerteza dos vilões. Arthur Conan Doyle marcou o mundo com suas idéias e estando para sempre no hall dos autores inesquecíveis.

( Resenha ) Em Algum Lugar Nas Estrelas · Clare Vanderpool

Minhas sonhadoras Corujinhas, abram suas asas para alçar vôo aos céus para uma jornada pelas estrelas e pelos desejos que se escondem no coração de dois garotos que precisam se descobrir e se encontrar.

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Título: Em Algum Lugar Nas Estrelas
Título original: Navigating Early
Autora: Clare Vanderpool
Editora: Darkside Books
Páginas: 272
Ano: 2017
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐❤
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Jack Baker se vê praticamente ao fim da Segunda Guerra Mundial, mas sem motivos para comemorar. Sua mãe morreu e seu pai… bem, seu pai nunca demonstrou se preocupar muito com o filho. Jack é então levado para um internato no Maine onde conhece o enigmático Early Auden.
O que começa como uma improvavel amizade, acaba por se tornar algo mais quando os dois partem em uma jornada ao encontro do lendário Urso Apalache em uma aventura Em Algum Lugar Nas Estrelas. Esta é uma daquelas grandes histórias que permanecem com você por muito tempo, perfeita para ler entre amigos ou passar de pai para filho. Tudo que é real pode ser uma grande fantasia ou uma coincidência inevitável. Somos muito mais que um simples desejo do acaso.

☆ ゜・。。・ ゜ ★ ゜・。。・゜ ☆

Então percebi meu próprio reflexo no vidro. Meu rosto era diferente. Não só por ser mais jovem. Não só porque não sorria. Mas porque o verão passado me ensinou uma lição que, pelo que eu via, o capitão da equipe ainda não havia aprendido: a vida não cabe em uma taça, e nada dura para sempre.

Ler Em Algum Lugar Nas Estrelas estava em minhas meta desde que me deparei com a sinopse do livro em uma resenha no blog Parabatai Books que me deixou encantada com enredo proposto por Clare Vanderpool. É muito raro eu me aventurar pela literatura infanto juvenil pois sempre busco livros com maior profundidade em seu enredo. Mas agora percebo que talvez tenha julgado o gênero um tanto precipitadamente já que tão forte como o nome, este livro me proporcionou uma leitura espetacular sobre o significado real de uma jornada. O livro é narrado de forma simples com maior detalhismo em sentimentos que em situações. Sem tantos diálogos e com parágrafos extensos, a autora conseguiu dar ao leitor uma leitura longe de ser pesada. Essa foi uma das características do livro que mais me surpreendeu. Por ser um livro puxado pro infantil imaginei que seria mais raso, quando percebi menos diálogos e mais sentimentos pensei que ocorreria o contrário; mas ocorreu justamente um meio-termo que deixou a leitura gostosa de ser realizada.

Jack e Early tem uma amizade linda e bem construída onde ambos — principalmente Jack — aprendem um com outro sobre o poder que esse sentimento têm e como ele capaz de nos ajudar a ter uma vida melhor. Tanto Jack como Early tem grandes perdas em seu passado bem como desafios para lidar com a própria vida futuro. Ambos são peixes fora d’água em um mundo onde à sua maneira são diferentes dos que lhe rodeiam. Mas enquanto Jack sente necessidade de se enquadrar, Early sente-se seguro agindo como lhe faz feliz. Quando os dois se encontram, encontram também alguém com quem possam partilhar a virtude de serem eles mesmos. Pois a amizade deve fazer sentir à vontade com aqueles que escolhemos.

Encontrar o caminho não significa que você sempre sabe o que está fazendo. Saber encontrar o caminho de volta para casa que é importante.

O ponto alto do livro é a jornada que Jack e Early que percorrem. Crescer é sempre difícil, pois não é fácil sair do conforto dos laços mágicos da infância e descobrir a vida como ela é em realidade. O crescimento de Jack e Early está unido justamente ambos têm na necessidade de deixar o conforto para trás e perceber que o mundo esta além da ficção. Não que esses laços sejam ruins, mas porque eles nos impedem de seguir em frente. E crescer é amadurecer de todas as maneira todos os dias, pois coisas ruins e perdas aconteceram, mas será nossa decisão descobrir que temos que abandonar antigos sentimentos para abrir caminhos para novos.

Em Algum Lugar Nas Estrelas traz lições para toda vida através da doçura de duas crianças. Entre amizade e procuras, Clare Vanderpool traça uma obra única através dos números e de novas descobertas. É um livro para ser lido em todas as idades porque nunca é tarde de mais para sonhar com as estrelas.

Você precisa procurar as coisas que nos conectam. Encontrar os jeitos com que nossos caminhos se cruzam, nossas vidas se interceptam e nossos corações se encontram.

( TAG ) Crush BookTag

Minhas caras Corujinhas, hoje é dia de responder mais uma tag aqui no blog com dobradinha lá no instagram: mesma tag, outras respostas. Essa tag foi criada especialmente para todos apaixonados em livros.

Vamos começar?

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01. Olá, tenho interesse:
– Um livro que você precisa ler.

Preciso ler Nevernigth que pelo visto é apaixonante. Todo mundo fala de Mia Corvere e sua história de Girl Power. Sou apaixonada por personagens assim e mal posso esperar para entender não somente o que a faz ter essa fama, como também por querer descobrir os segredos que a levaram até lá.

 

 

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02. Chega no crush e diz…
– Um livro onde a mocinha tem atitude.

Um que li em Janeiro e foi apaixonante. Entre A Culpa E O Desejo da Sarah MacLean onde a personagem principal pede à um libertino que simplesmente a ajude a entender a mecânica dos atos sexuais (pelo lado científico, é claro).

 

 

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03. Podia ser a gente mas você não colabora.
– Um livro que todo mundo amou, mas você não.

Não me batam por favor, mas parece que todo mundo amou Mil Pedaços de Você e eu não. A história não funcionou para mim, mas para muita gente sim e me sinto a diferentona por causa disso.

 

 

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04. Você não merece Palmas, merece o Tocantins inteiro:
– Um livro que você ovacionaou

Todas as vezes eu vou bater palmas para ele porque, pelos deuses do olimpo, que livro maravilhoso: It – A Coisa do Stephen King foi a minha mais longa aventura de 2017 e com certeza uma das mais gratificantes também. É um livro que fala sobre amizade, medo, dor, raiva, amor… Fala sobre tudo um pouco e só posso aplaudir de pé esse livro fantástico.

 

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05. Deu match.
– Crush dos sonhos.

No momento, meu crush dos sonhos é Gabriel St. Johnson de Nove Regras A Ignorar Antes de Se Apaixonar. Ele é perfeito em todos os sentidos. Mas conquistou meu coração pelo motivo simples de ter se apaixonado pela alma de uma pessoa, não sua beleza. Ahhh meus deuses!! Amo esse homem.

 

 

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06. Hora de você me dar uma chance.
– Próxima leitura.

O Beijo do Vencedor de Marie Rutkoski. O livro anterior acabou de maneira fantástica e mal posso esperar para ver mais da história de amor de Kestrel e Arin. É uma serie que envolve também política e muita ação. Super indico à todos.

 

 

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07. Você nem é gente, é anjo…
Um autor que escreva maravilhosamente.

Estou cada vez mais apaixonada pelas obras da diva Sarah J. Maas. Os livros da autora apresentam uma característica fantástica onde suas personagens evoluem durante a narrativa. É comum ver personagens Girl Power em ação, mas para mim válido mesmo é ver o caminho que essas mulheres caminham para chegar até lá. Na série de “Corte” por exemplo, a personagem Feyre começa frágil para então encontrar sua força.

 

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Então amores essa foi a tag de hoje, espero que tenham gostado. Se quiser repetir em seu blog ou projeto fique à vontade. Vai ser lindo ver vocês respondendo os desafios. Um beijo.

( Resenha ) Entre A Culpa e O Desejo · Sarah MacLean · O Clube dos Canalhas · Livro Dois

Minhas caras corujinhas, abram suas asas, peguem seus óculos e suas pranchetas porque hoje nossa viagem será por uma Londres antiga e cheia de mistérios onde uma mulher quer entender o que é viver e  um homem lhe mostrará todos os segredos que ela precisa descobrir.
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Título: Entre A Culpa e O Desejo
Título original: One Good Deserves A Lovers
Autora: 
Sarah MacLean
Série: 
O Clube dos Canalhas #02
Editora:
 Gutenberg
Páginas:
304
Ano: 
2015
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐❤
Encontre: 
Skoob | Amazon | Saraiva
Sinopse: Seu próximo experimento científico? Entregar-se a um canalha!
Lady Philippa Marbury não é como as jovens de sua época. A brilhante filha do marquês de Needham e Dolby se preocupa mais com seus livros e experimentos do que com vestidos e bailes. Para ela, um laboratório é muito mais atraente que uma proposta de casamento, e é por isso que, ao ser prometida a um noivo com quem não tem nada em comum, Pippa tem apenas duas semanas para empreender seu último experimento: descobrir todos os prazeres e todas as delícias da vida antes de passar o resto de seus dias ao lado de alguém que ela mal conhece. Como boa cientista que é, Pippa investiga a vida do homem que parece ser a cobaia ideal para realizar suas experiências: Sr. Cross, o atraente sócio do cassino mais famoso e cobiçado de Londres, um libertino cuja má-fama foi cuidadosamente construída sobre o vício e a devassidão. Um canalha perfeito para explorar suas fantasias e satisfazer sua curiosidade sem manchar sua reputação de moça de família. Mas o que Pippa não sabe é que, por baixo das aparências, Cross esconde segredos obscuros e que, ao receber a proposta da garota, ele está diante de uma oferta que pode destruir tudo aquilo que durante anos ele se esforçou para proteger. Terrivelmente tentado a se envolver nessa aventura que promete o mais puro prazer sem qualquer outra emoção, tudo o que Cross deseja é dar a Pippa exatamente o que ela quer, mas ele sabe que ninguém sai ileso do caminho da satisfação e, assim, Cross terá de usar cada miligrama de sua força de vontade para não perder o controle e resistir à tentação de entregar à jovem muito mais do que ela ousa imaginar.
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Eu realmente amo a Sarah MacLean e tudo que ela escreve. Dentre todos os caminhos que a autora pode optar para conduzir sua história, o inesperado e inconvencional é sempre o sua proposta. Ler seus romances de época é sempre uma tarefa nova que consiste em aceitar que nada será como você tenha visto antes pois surpreendente é sempre a palavra que descreve melhor suas histórias. Esse livro se tornou o meu segundo favorito da autora logo nas primeiras páginas. Divertido, criativo e muito bem articulado Entre A Culpa e o Desejo foi tudo que eu não esperava e mais um pouco.
A narrativa de Sara MacLean é sempre leve e fluída. Com capítulos curtos e bastante falas, a autora tem preocupação em tornar cada palavrinha essencial para a construção do romance. Um grande ponto positivo em suas histórias é o fato que Sarah praticamente não trabalha com amor a primeira vista (e mesmo quando o faz eles não vingam por assim dizer). Pelo contrário, a autora tem o cuidado de mostrar que o amor nasce de provocações a cada segundo que se passa na companhia do outro. Neste porém ela foi além disso criando uma conexão tão forte entre o casal principal por simplesmente nos dar dois personagens divinamente humanos. Em Pippa não existe beleza absurda e em Cross não há um homem disposto: ambos tem seus defeitos e aprendem a se amar com isso e principalmente por isso.
Uma grande característica da escrita de MacLean é sua capacidade quase surreal de dar vida a seus personagens principalmente as protagonistas femininas. O foco da narrativa é a personalidade de cada um e neste livro o quão incomum é Lady Philippa. Com uma força de vontade que ultrapassa o comum, Pippa como prefere ser chamada, não é de desistir fácil e muito menos de entrar em compromissos que não sabe se poderá cumprir. Seu medo do que esperar do casamento é bem real, mas mais ainda é o fato dela saber que nenhuma outra mulher vai lhe contar aquilo tudo que precisa saber. Sendo absolutamente racional (por mais irracional que pareça) Pippa quer acima de tudo aprender a viver pelo menos uma vez antes de se conformar a um casamento que não lhe trará nada além de convenções sociais. E essa racionalidade que a faz entender o seu lado mais irracional ao lado de Cross, que mesmo não querendo se envolver, acaba por deixar se envolver por uma mulher com a natureza avassaladora de Pippa.
Mas como o mundo não é feito apenas de mulheres, Sarah também produz um mocinho. Apesar de Cross seguir o caminho mais popular aos romances de época de um homem perdido em sua própria solidão, há nele também detalhes miúdos que o tornam tão merecedor de atenção. Cross luta ao lado de Pippa mesmo que o próprio não enxergue isso. Ele lhe dá as amarras que o prendem de seus medos para que essa estranha garota de óculos consiga tirá-lo da solidão que o cerca.
Entre A Culpa e O Desejo é uma obra diferente do que poderia imaginar. Eu ri, amei e me apaixonei por cada aspecto do livro. Em tudo que escreveu, Sarah MacLean me conquistou pela sagacidade, mas nesse livro ela me ganhou pelos opostos que inevitavelmente se atraíram: a pureza e o sensual, o medo e a coragem, a culpa e o desejo.

( Algo À Ver ) Pantera Negra – Ryan Coogler

Assistir filmes no cinema é uma paixão, mas estréias não são para mim. Apesar disso, ontem contemplei o filme Pantera Negra com o coração afoito pois o esperei durante boa parte do ano passado. Se tornando o mais ambicioso dos filmes da Marvel, este teve o enredo que a muito esperávamos para os filmes da produtora. Seriedade e principalmente uma boa história que vai muito além do clássico para os filmes de heróis.image

Título: Pantera Negra
Título Original: Black Panther
Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordam, Andy Serkei, Lupita Nyong’o, Danai Gurira e Letitia Wride
Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Ryan Coogler
Distribuição: Marvel Comics
Avaliação: 🎬 🎬 🎬 🎬 🎬

Pantera Negra conta a história da cidade secreta de Wakanda, o El-Dorado que todos procuravam através dos tempos pelas riquezas e tecnologias que possui em seu meio. O príncipe herdeiro torna-se rei depois dos acontecimentos de Capitão América: Guerra Cívil quando seu pai foi assassinado em um atentado terrorista, assumindo também os desafios de seu povo. Ao tentar capturar um inimigo do passado, T’Challa (Chadwick Boseman) descobrirá segredos do passado de sua família que poderão mudar tudo em questão de segundos. Um desafio será lançado. Velhos inimigos se tornarão aliados, velhos aliados se tornaram inimigos. E o destino de Wakanda se entreleçara com o do mundo onde qualquer escorregão trará o caos.

A história de Pantera Negra segue um ritmo intenso mesmo que permeado pelas piadocas comuns aos grandes filmes da Marvel Comics. Para quem assistiu Thor: Ragnarok sabe o quão ridículo o excesso de piadas o deixou em um filme que poderia ter sido daqueles. Por isso devo admitir admitir que tinha um pouco de receio de Pantera Negra cometer os mesmo erros do antecessor transformando um herói representante de um mundo, em um engraçadinho com uma coroa. Mas com alegria, informo que houve um belo contrário, onde as cenas cômicas surgiram de modo natural para criar um impacto mais humano sob o protagonistas. T’Challa foi um personagem preparado para ser rei e deve agir como tal, mas isso não exclui seu lado humano que também é cheio de defeitos e medo como todos os outros. Aliado à isso, o humor não destrói o principal da história que precisa da tensão para ser levada à sério apenas a acompanhando e fazendo parte como em diversos momentos da vida. Dessa forma a película teve um efeito anestésico, o mundo parou e o tempo passou voando de tão imersa que fiquei na história.image

Por falar em história, poucas vezes a Marvel conseguiu tornar essenciais todas suas cenas e falas. De um gancho a outro para dar vazão aos acontecimentos, juntas elas se mostraram fortificantes aos contextos do filme. É de se parabenizar o diretor e os roterista Ryan Coogler que usou das 2h15m do longa-metragem com bastante domínio para que nada fosse disperdiçado ou alongado além das dimensões necessária. O enredo que se apoia em ação, emoção e surpreendentemente em política veio com força total para não somente criar herói, mas também para que críticas sociais importantíssimas sejam levantadas. A grande lição do filme é coragem para quebrar barreiras e paradigmas. Quando pudermos fazer alguma coisa devemos fazê-lo pelo mundo mesmo que não recebamos nada mais em troca. Um rei sábio é aquele que pensa no bem de todos não somente dos seus. Não devemos nos fechar as mazelas do mundo porque se não formos nós a salva-lo, em fogo e pólvora ele acabará.

Quando o mundo é tomado pelo caos, um homem inteligente abre as portas enquanto um tolo cria uma muralha ao seu redor.

Em todos esses contextos, o ápice de tudo são as personagens secundários apresentados poie modo muito bem construídos. Apesar de ter gostado bastante de T’Challa tanto em função de sua personalidade como da interpretação de Boseman, os coadjuvantes foram os que mais se destacaram pela individualidade única que possuem. Começando pelo vilões, são diferentes um ao outro como que para se completar. Enquanto o personagem Garra Sônica (Andy Serkei) é o vilão sarcástico que gosta de tirar sarro do herói o tempo todo, Eric Killmonger (Michael B. Jordam) apresenta um caráter determinado pelo passado conturbado. E aqui vale ressaltar o quanto seu ódio é real: Porque não fazer com que o que era escravo se tornar o senhor? Porque se ajoelhar quando você pode dominar? Um ódio cru fundado nas mazelas historicas que nos pertencem e de consequências que nunca tomamos. Além deles, a tríplice feminina apresenta a força que tanto queremos à essas mulheres. Nakia, Okoye e Shuri (Lupita Nyong’o  Danai Gurira e Letitia Wride) dão vida à três mulheres fortes e decidas que seguem seus propósitos sem precisarem abaixar a cabeça ou dependerem do herói. Em seus cinco principais coadjuvantes Pantera Negra deu uma representividade inédita à Marvel. Não pela raça, mas pela força que intrínseca que cada um possuí da verdade verossímil que apresentam.

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Com uma sonosplatia impecável, figurinos marcantes, cultura bem representada e fotografia espetacular, Pantera Negra foi um filme muito ambicioso que deixa um gostinho de quero mais. Com um início digno à história do herói, abre uma porta perfeita para a continuação ainda melhor. Com todos os elementos necessários o filme se torna um marco na história, mas principalmente nessa época de filmes em que tantos homens e mulheres capazes de salvar o mundo por apresentar muito mais que o desejo “puro” de ajudar. Um filme que vale muito à pena de ser visto.

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( Resenha ) O Jogador Nª 1 – Ernest Cline

Olá minhas geeks Corujinhas, abram suas asas que hoje vamos embarcar em uma jornada virtual que promete mudar nossas vidas para sempre e definir o futuro da nova era mundial.

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Título: O Jogador Nª 1
Título Original: Ready Player One
Autor: Ernest Cline
Editora: LeYa
Ano: 2012
Páginas: 464
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: Cinco estranhos e uma coisa em comum: a caça ao tesouro. Achar as pistas nesta guerra definirá o destino da humanidade. Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência.

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Quase uma fantasia pela realidade de seus cenários, O Jogador Nª 1 foi um livro despertador de emoções controversas. Raramente peguei um livro em que ao mesmo tempo que amei pelo punhado de coisas que traz, também “detestei” pela brevidade de pontos do enredo. Contudo, o mais curioso é: acredito piamente que vou gostar muito mais do filme que do livro muito embora minha avaliação deste não tenha sido negativa.

Ernest Cline conduz um livro que entra pelos viés de fantasia e sci-fi, neste último abrangendo o universo Geek e obviamente o caos comum as distopia. Por ter tantos moldes, a narrativa de Cline é mais densa e explicativa que uma ficção comum. Apesar de perceber o intuito de deixar claro as ações e vontades dos seus personagens, achei um tanto morna pois certas cenas foram exaustivamente longas com explicações para tudo e quando eu digo tudo quero dizer tudo mesmo. Gosto de livros com ótimas narrações, mas nesse senti um certo exagero que acabou tornando o livro enfadonho em algumas partes.

Contudo, apesar disso, gostei da narrativa de Cline (como disse, sentimentos contraditórios) pois ela trouxe elementos para dentro do livro que nunca tinha visto antes. O universo geek é imenso e foi explorado por diversas faces, mas raramente pelo seu início. A onda de tecnologia começou nos anos 80 em uma era que abrangia os fliperamas, os filmes de ficção cientificas e as músicas de discoteca. Tudo isto foi muito bem explorado pelo autor que recriou divinamente bem os costumes antigos. A pesquisa que embasou a vida de Halliday e o caminho para encontrar seu Easter Egg foi permeada por referências. Essas cenas fizeram o livro criar um calorzinho no meu peito pois apesar de não ter vivido nessa época, sou apaixonada pelas músicas e games (se você nunca jogou o PacMan, Boomberman ou Mário Bross precisa viu?) que marcam os anos dourados. Isso ajudou a construir o cenário, os desafios e a ideia central de viver ao lado da tecnologia.

Como toda distopia, O Jogador Nª 1 tem por base o mundo tomado pelo caos que é provocado pelo próprio homem. Mas esse livro toca em um ponto muito importante que faz parte de forma inexorável da vida humana. A tecnologia se faz cada dia mais presente e necessária de modo que pouco o interesse pelo mundo real começa a diminuir. Com tanta fome, miséria e destruição é muito mais fácil entrar de cabeça em um ambiente neutro que enfrentar a realidade. Mas a verdade que fugir nunca é opção e o mundo nunca vai melhorar se a gente não fizer isso por ele. Essa é a grande lição do livro.

Mas voltando as contradições, eu esperava mais do final da obra. Algo em mim gritou: Só isso? Mentira? Faltou mais explicação do que poderia ter acontecido depois. Que todo o trajeto não foi em vão. Fiquei frustada pela brevidade do final e até pesquisei sobre uma continuação para descobrir que é o mesmo universo mas não os mesmos personagens. Obrigado Ernest!

O Jogador Nª 1 foi um livro controverso com pouca explicação, mas muita história. Apesar dos defeitos é um bom livro que apenas não atingiu o máximo de seu potencial. Eu indico esse livro para uma leitura sem pretensões. Todo nerd vai amar e todos aqueles que querem entender mais do mundo Geek vai se sentir acolhido pela enormidade do mundo de Ernest Cline.

( Anatomia Literária ) Capa e Curiosidades de Academia de Vampiros.

Oiii Corujinhas lindas. Hoje é dia de mais um seu, um meu, um nosso Anatomia Literária. Estava com uma saudade enorme de desvendar os segredos das capas e curiosidades sobre o rosto dos livros. Para começar com chave de ouro o post de hoje foi uma sugestão da Lara do blog Amor Literário e Recomendações, que respondeu um pedido sobre quais séries ou livros vocês gostariam de ver. Espero que tanto ela como todos amém esse post. Vamos começar?

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As Capas
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A série Academia de Vampiros possui 06 obras com teor sobrenatural. Foi lançada no Brasil pela editora Agir e bombou, afinal de contas esteve em alta na época em que os sobrenaturais de caninos afiados faziam sucesso no nosso país e mundo afora. As fotos utilizadas nas capas Brasileiras são as mesmas originas americanas. Mas o detalhe importante, que tenho que admitir que fiquei confusa com a decisão da editora, foi o fato que eles modificaram um pouco da ordem entre elas de modo que elas não são compatíveis. Correlacionando Brasil e EUA, no Br a capa 1 equivale à 3 e vice-versa. As outras permanecem as mesmas.

Os títulos das obras não foram mudados, apenas os segundo, mas sinceramente eu prefiro o nacional que dá mais sobriedade da obra. Na ordem de publicação: Vampire Academy se tornou Academia de Vampiros — O Beijo das Sombras; Frostbite (ulceração produzida pelo frio) se tornou Aura Negra; Shadow Kiss (O Beito das Sombras) virou Tocada pelas Sombras; Blood Promise manteu o significado virando Promessa de sangue. Spirit Bound (Espírito Ligado) que mudou provavelmente por semântica para Laços do Espírito; Last Sacrifice que manteve como O Último Sacrifício.

Em relação aos personagens apontados nas capas, é curioso descobrir que a própria autora teve dificuldade de entender quem é quem — e vamos combinar que esta é uma situação bastante engraçada. De qualquer modo, não existe muitas semelhanças entre os personagens e as representações, então tentar descobrir quem é quem é mera especulação. Em O Beijo das Sombras, Promessas de Sangue, Tocada Pelas Sombras e O Último Sacrifício vemos Rose a protagonista série. Em Aura Negra novamente temos Rose acompanhada por Cristhian, pois ele sem olhos vermelhos não pode ser Dimitri e é muito novo para ser Isaiaah. Em Laços de Espírito é Lissa e Dimitri. E por fim as capas são unânimes ao mostrar abaixo dos rosto os portões da Academia.

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Curiosidades
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🔸 Em 2014 o livro foi adaptado para os cinemas pelo estúdio Diamond com Zoey Deutch no papel principal.

🔸 O livro envolve mitologia e tem como personagens diversas espécies de vampiros sendo estes vivos, mortos e híbridos.

🔸Humanos também estão presente com poderes na série sendo chamados de alquimistas, possuem diversos truques e técnicas e uma tatuagem no rosto que lhe dão proteção. Mas na mitogia original alquimistas são cientistas que tentam transformar prata em ouro.

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Então amores, esse foi o Anatomia Literária de hoje. Espero que tenham gostado. Se quiserem ver mais posts como estes basta clicar na aba da categoria aqui do lado. Beijos.

( Resenha ) A Cidade Murada · Ryan Graudin

Minhas aventureiras Corujinhas, abram suas asas para os ventos do oriente pois hoje nossa viagem será pelas muralhas de uma cidade vertical e inóspita para desvendar seus segredos e descobrir o que se esconde sobre a escuridão de seus prédios.

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Título: A Cidade Murada
Título original: The Walled City
Autora: Ryan Graudin
Editora: Seguinte
Páginas: 400
Ano: 2015
Avaliação:⭐⭐⭐⭐⭐❤Encontre: Skoob | Amazon | Saraiva

Sinopse: A Cidade Murada é um terreno com ruas estreitas e sujas, onde vivem traficantes, assassinos e prostitutas. É também onde mora Dai, um garoto com um passado que o assombra. Para alcançar sua liberdade, ele terá de se envolver com a principal gangue e formar uma dupla com alguém que consiga fazer entregas de drogas muito rápido. Alguém como Jin, uma garota ágil e esperta que finge ser um menino para permanecer em segurança e procurar sua irmã. Mei Yee está mais perto do que ela imagina: presa num bordel, sonhando em fugir… até que Dai cruza seu caminho.
Inspirado num lugar que existiu, este romance cheio de adrenalina acompanha três jovens unidos pelo destino numa tentativa desesperada de escapar desse labirinto.

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Conheci o livro A Cidade Murada através do canal do Victor Almeida, o Geek Freak. Apesar da capa horrosa e sem graça, o título despertou minha curiosidade pois realmente quis descobrir o que era a cidade murada e que tipo de segredos ela guardava. O que não podia esperar era que a história fosse ser tão real. Imaginava que seria uma ficção, mas encontrei um drama arrebatador sobre a humanidade.

A premissa da história é forte, mas é interessante ver como a autora não pesa na narrativa fazendo-a transcorrer livremente mas abastecida de significância. Fluída como água, Graudin expõe detalhes e sentimentos como poucas autoras na atualidade conseguem fazer. Uma coisa não se sobrepõe a outra e vice-versa. Existe um equilíbrio perfeito ao qual pequenos espaços surgem para serem preenchidos com respostas mais a frente. Isso acontece com tanta autoridade que o livro de 400 páginas têm peso de 200. Demorei apenas um dia para lê-lo, o que foi maravilhoso já que este é um daqueles livros para serem lidos de uma vez.

Narrado em contagem regressiva, a história se desenrola sem pressa e sem lerdeza contando a história de três diferente jovens. Mas basta aprofundar na leitura que percebe-se que o foco da autora não é realmente contar sobre suas vidas, e sim conta como suas vidas foram modificadas pelas muralhas de Khan Nam. A cidade está viva ganhando espaço para surgir como uma força avassaladora. Estamos em um mundo impermeável aos horizontes, criando suas próprias leis. Desse modo, o submundo das drogas e do tráfico presentes em nosso mundo ganham imersão em Khan Nam se tornando a primeira camada.

Nesse cenário devastado e esquecido surgem os personagens principais que apesar de novos (15-18 anos) são marcados por seus passados. De todas as coisas que me chocaram no livro, foi a realidade quase perfeita com o qual Graudin conseguiu trabalhar os três. Mesmo que não baseadas em fatos, os três enredos foram minimamente embasados no que sabemos sobre o mundo. Temos duas irmãs que sofriam nas mãos de um pai irado e bebado obrigadas a se separar, mas sem jamais desistirem uma da outra. E um rapaz rico que precisa enfrentar as consequências de suas escolhas. Dessa forma, realidade e ficção se unem para nos provar o quanto a literatura está próxima à nós.

A Cidade Murada de Ryan Graudin é uma obra para ser lida e absolvida. É uma ficção que transborda a realidade pela força que possuí. Indico essa obra à todos sem excessão, mas principalmente à todos aqueles que precisam de um choque de realidade.

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Curiosidade

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A Cidade Murada é baseada em uma cidade real conhecida como A Cidade Murada de Kowloon que existiu na China antes de ser demolida e transformada em um parque em meados dos anos 1990. Conhecida como a maior favela vertical já existente, a cidade era um grande bloco sólido de edifícios em ruínas, variando em altura possuindo cerca de 33 mil residentes dentro de seu território de apenas 0.3 km².

( Livrosofia ) Uma Questão de Gênero

Oi Corujinhas. Tudo bom?? Hoje é um dia super especial que marca a volta do meu, do seu, do nosso Livrosofia (👏). Ah como estava com saudade de conversar sobre livros e leituras com vocês. Mas também precisava descansar meus dedos um pouquinho certo? Na volta desta categoria vou falar um pouco sobre construção de gêneros literários, para em breve levantar uma questão mais da literatura de como se inaugurou os gêneros e as primeiras resoluções sobre eles.

Na literatura clássica sabemos que existe uma quantidade enorme de gêneros da poesia à prosa que fazem dela tão diversificada. Mas por uma visão menos conservadora e mais atual é bem certo que os subgêneros do Romance trabalham como modelos na construção dos livros que costumeiramente lemos. Este gênero é classificado como qualquer obra literária que apresenta narrativa em prosa, normalmente longa, com fatos criados ou relacionados a personagens, que vivem diferentes conflitos ou situações dramáticas, numa sequência de tempo relativamente ampla. A partir do que se concebe por Romance, como uma grande árvore genealógica, surgem ramificações denominadas subgêneros que por sua ver irão criar mais subs fazendo assim uma grande cadeia de classificação. De imediato existe a divisão de conto versus novela seguidos da não-ficção e ficção. Neste post, irei tomar apenas este último para conteúdo.

Dentro das Ficções existem cinco grandes divisões que caracterizam os demais subgêneros. O Romântico, o Suspense, a Fantasia, o Terror e a Ficção Científica. Quando lemos demais de um mesmo gênero podemos ressaltar semelhanças entre os livros que partilham uma mesma construção de enredo caracterizando-os como pertencentes à uma família ou a outra. Na fantasia entram os elementos fantásticos para revelar a disputa entre o herói e o vilão; no romance o casal se conhece, se apaixona, se separa, mas em n’s casos retomam; no suspense o vilão é o que aparenta mais inocência; no terror a luta é contra o mal personificado. Mas, por mais óbvias que esses enredos pareçam, como não perceber uma camada mais afundo em cada um deles que o torna tão especial?

A grande questão dos gêneros contemporâneos não é o que se espera em sua obviedade, mas o que pode-se encontrar em seu cerne. Depois de tanto tempo lendo obras diversas criei certa expectativa entre os gêneros que acabam por definir também o que espero dos livros. Por não ler sinopses tento não julgar pela capa ou pelo título, mas é quase impossível não o fazer pelo gênero. Acabo entendendo gêneros como uma necessidade de explorar questões próprias à eles.

Começando pelas Fantasias é certo que o universo ambientado esta sempre permeado pelos jogos de poder. Mesmo que se trate de uma luta entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, vê-se sempre disputas pelo controle de algo em seu enredo. O poder é uma versão de política onde quem controla o mundo controla à todos. Em Harry Potter e Percy Jackson esta luta se dá entre duas pessoas, já em Game Of Thrones e A Maldição do Vencedor os reinos é que tomam forma como denominadores disputas. Dessa maneira, disputas de poder são sempre centralizadas em sua história.

O Drama vem de forma mais reflexiva para nos fazer pensar em nossa existência. Em realidade para nos fazer entender nossas ações e seus significados. Em vários livros com essa temática, suas personagens são levadas a situações extremas dentro da psiquê. Pelo conflito que provoca, é um gênero pautado para provocar a queda e sucessetivamente superação quando se entende o que se é verdadeiramente.

O Terror possuí os medos da sociedade personificados. O terror costuma horrorizar seus leitores em uma amostra perfeita das verdadeira atrocidades do ser humano. O objetivo é horrorizar o leitor lhe mostrando que o mal não é feito de criaturas monstruosas, mas do próprio homem que é possui essa natureza.

Já nos caminhos da Ficção Cienifica, pode-se ressaltar que ela segue pelo mesmo viés existencialista do Drama, muito embora não apele para situações extremas sendo bem mais sútil que o irmão. Pois existencialismo da sci-fi é mundial enquanto o do drama é pessoal. O gênero costuma usar da tecnologia como perigo para a sociedade pois estamos cada vez mais à sua mercê. O espaço das relações humanas perde cada vez mais espaço para o mundo virtual e como não pensar no que o mundo pode se tornar quando cada vez mais frios ficamos?

E por fim o Romântico que envolve de modo tão simbolicamente as questões sentimentais. Esse gênero é provalvelmente o que melhor costurado por seu empirismo. O amor é tão abrangente que pode ser encontrado em diversos lugares. O Romântico desenrola-se através pela nem tão simples perguntas do que nos faz amar, como amamos e porque merecemos ser amados. Entre familias, casais e amigos cada livro busca a ponte para responder essa questão.

Gêneros Literários Contemporâneos não podem ser rotulados apenas pelo óbvio mas devem ser entendidos pelas perguntas que trazem. Mas obviamente nunca conseguirei expressar ao fundo tudo sobre gêneros. Cada livro é traz uma coisa nova mantendo a literatura em uma constante mutação. Entender uma pequena peça de sua construção é somente um passo para sua compreensão.

Esse foi o Livrosofia de hoje. Espero que tenham gostado. Em breve terá bem mais.