| Resenha | Sob Os Olhos do Delírio – Fábio de Andrade.

À algumas semanas, Fábio de Andrade me convidou para ler os três contos que compunham Sob Os Olhos Do Delírio. Com um sorriso de orelha à orelha, aceitei lê-los mesmo não sendo a mais fanática do gênero. O resultado foi uma leitura em três níveis diferentes sobre a composição humana. O que somos e quais são os perigos que nossa própria psiquê nos impõe.

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Título: Sob Os Olhos do Delírio.
Autor: Fábio Andrade
Páginas: 26
Ano: 2017
Avaliação: 👑 👑 👑 👑 👑

Sinopse: O que um senhor solitário assistindo uma garotinha sendo dilacerada por um demônio saltitante, um velho apaixonado e Nikolai, o enfermeiro de um hospício russo, têm em comum? Nessa antologia, Fábio De Andrade afoga seus leitores em um mar de agonia enquanto os três infelizes protagonistas só conseguem distinguir a vida da morte enquanto houver apenas tristeza em seus corpos. Dilemas de desespero, amor e horror são expostos da forma mais simples e poética da palavra, trazendo três situações em que ele deixa na mão do leitor decidir: A tristeza é causa ou consequência? Deixem que José de Alencar, o enfermeiro Nikolai e o velho marido de Lúcia lhe mostrem o real significado da melancolia em momentos que convergem no sentimento mais antigo e verdadeiro que a raça humana possui: o medo.

Narrados em primeira pessoa, os três contos conseguem ser diferentes um dos outros pela estilística que Fábio de Andrade utilizou em cada um. É visível as diferenças entre as narrativas que nos levam à imaginar cada situação de uma maneira diferente. Toma-se forma aqui a personalidade de cada personagem dando realidade aos acontecimentos. Entre emoções tão diversas, Fábio exibe por meio de três personas o medo, bem como o que o supera, mas principalmente o que o da forma.

O TRISTE FIM DE JOSÉ DE ALENCAR: Quando Andrade nos apresenta o conto, informa que o nome que dá à suas personagens são em realidade jogos de palavras, onde a sonoridade — e acrescento aqui a poética — como fundamentais para a construção da história. Enquanto lia o primeiro conto e imaginava a pessoa que o contava, pude perceber o encaixe de ambas as coisas: o personagem e a história narrada. De certa forma, tudo me remete à curiosidade que acaba por se tornar mais forte que o próprio medo. O autor busca explorar o fato — mais do que comum ao homem — que nossa curiosidade é potencialmente mais forte que o terror. Somos movidos pela necessidade de saber sem levar em consideração as consequências e principalmente à razão. De certo modo, esse conto caminha à nós com o sentido de nos mostrar os perigos de nossa própria curiosidade.

São esses momentos que refutam a ideia de que um destino premedita a vida de todos; o ser humano apenas toma decisões erradas quando as corretas são óbvias.

EM CASA: É o conto mais simples, mas nem por isso menos bom. Antes de tudo, é uma história de amor e saudade. O que nos faz estar em casa não são os confortos ou o teto, são as pessoas que nos aguardam. Alfredo, nosso herói, nos mostra isso: a verdade por detrás de quem somos e com quem queremos estar pela certza de ser aquilo que nos completa verdadeiramente.

OBMEN – 01: Fábio de Andrade ressalta na apresentação do texto que este é seu conto favorito e sem dúvidas devo concordar com ele. O conto se passa em um hospício e, obviamente, a loucura está presente em cada canto da obra. O que mais me deixa estupefata porém não essa loucura, mas o que vem com ela. Pois mais uma vez, Andrade brinca com o que acreditamos. O que nos faz presentes e seguro de nós mesmos é nossa mente e percepção do mundo. Quando isto é nos tirado, não resta nada exceto a progressão da incerteza. Mas especialmente, nos resta nada exceto um punhado de mentiras e a decisão frágil do que escolher acreditar.

Para finalizar, só posso dizer que o texto de Fábio de Andrade é o tipo que você precisa ler para entender com veracidade tudo que ele trata. Partindo de um misto de emoções, o autor te leva a pensar no que você é em todas as suas formas. O medo é parte de todos os homens pois é um estado da nossa natureza. Mas o que nos motiva à ter medo? O que nos faz ter coragem de enfrenta-lo? É isso que Andrade expõe em sua narrativa. A verdade que esta enraizada Sob Os Olhos Do Delirio: o que nós escolhemos enxergar quando todas as condições à nossa volta estão à nos enlouquecer.

24 comentários em “| Resenha | Sob Os Olhos do Delírio – Fábio de Andrade.”

  1. Oi, Jess! Essa capa é muito boa, condiz perfeitamente com a premissa do livro. E que resenha, hein? Não leio muitos livros de contos, mas gostaria, e por ouvir falar muito bem desse livro, pode ter certeza que ele já faz parte da minha lista de desejos. Adorei a indicação, beijos!

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  2. Eu li esses contos no especial de halloween vc lembra?
    Tive as mesmas sensações e acho até que fiquei mais impressionada que vc rsrsr meu “favorito” se é que podemos dizer assim, foi o último tb, é o mais intrigante e aterrorizante.
    Embora o primeiro me cause arrepios tb! hahaha

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

    Curtido por 1 pessoa

  3. Ei! Tudo bem?

    Que livro mais tenso, super interessante. Amo contos, então acabei gostando muito, principalmente por causa da sua resenha que contou um pouco de cada um. Por isso, posso dizer que gostei muito do Obmen, como você e o autor, pois essa tensão que envolve hospícios sempre me deixaram muito interessada, acho que vou gostar. Amei sua resenha, está maravilhosa! Parabéns 🙂

    Beijos!
    http://www.as365coresdouniverso.com.br/

    Curtido por 1 pessoa

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